O domingo amanheceu frio e ensolarado, entrando pequenos raios pelas frestas das cortinas do quarto. Snape acordou e permaneceu um tempo analisando os detalhes das paredes com atenção. Pensava no quanto aquela casa precisava de uma reforma, mas, compreendia a aversão que Sirius sentia em relação a ela... era a mesma que, por tanto tempo, ele teve pela sua na rua da Fiação. Nessa reflexão, lembrou de Lillian e o quanto fez por alguém que, na primeira chance, desfez completamente a amizade entre os dois. Se ele errou em chama-la de sangue ruim? Sim, muito. Entretanto, sempre soube que a ruiva aproveitaria a oportunidade de romper qualquer laço, quando este aparecesse. Lembrou de James e, o quanto era tão ou mais idiota do que Sirius, porém, como Lillian, não merecia ter perdido a vida tão jovem e o direito de acompanhar o crescimento do único filho. Nesse ponto ele riu pensando em Harry e Ronny, bons meninos, corajosos e com um coração grandioso... mas lerdos e burros o suficiente para não conseguirem sobreviver, nem meio segundo, sem Hermione ao lado. Ela era a verdadeira heroína na vida de Harry Potter e, ele agradecesse aos deuses, pelas mulheres da família Black possuírem uma coragem absurda diante das adversidades. Cada uma, ao seu modo, era extremamente forte e guerreira. Considerou que este mesmo fato se aplicava a ele mesmo...
Foi, então, que Snape pensou no quanto a vida era direcionada à ventura de se relacionar com essas mulheres desde a infância, quando a sua mãe decidiu, deliberadamente, aceitar a proposta de Cygnus Black de casar a filha caçula com "o menino mestiço, o último dos Prince". Demorou muito tempo para compreender os motivos que levaram aquele homem, defensor da pureza de sangue, a chegar àquela conclusão... Voldemort, quando Andrômeda nasceu, apresentou um verdadeiro interesse pela menina e isso, logo, se estendeu as outras duas. Como Black, embora tivesse uma verdadeira adoração pela figura de Tom Riddle e fosse seu fiel seguidor, não pretendia entregar nenhuma das suas filhas ao lorde e começou uma verdadeira busca por pretendentes antes que elas completassem 11 anos. Assim, aquele homem de tantas posses, encontrou Eillen Prince e as tratativas sobre um possível enlace entre os filhos foi iniciada. Pouco depois, aos 8 anos, já estava comprometido com Bellatrix e a sua vida, que já não era fácil, se tornou ainda pior. Não obstante, com Andrômeda e Narcissa, a convivência sempre foi muito boa. Meditou o quanto gostava de Andrômeda, sempre a viu como forte, generosa, vivaz, de um coração tão grande que poderia se dedicar a salvar o mundo e quebrar todas as correntes que encontrasse pelo caminho. Narcissa, em pouco tempo, se tornou a sua melhor amiga. Resiliente, astuciosa, gentil, esperta, calma e resoluta, criada para ser e agir como uma verdadeira princesa com o seu nome de flor. Não pode deixar de pensar em Bella... que poderia ser definida como uma força da natureza difícil de compreender ou controlar. Teria se apaixonado, verdadeiramente por ela, se não fosse tão doente e compulsiva. Reconhecia todas as qualidades dela, de todas, era uma guerreira nata, apaixonada ardentemente por aquilo que a seduzia. Porém, os defeitos se sobressaiam e caracterizavam, fortemente, o seu temperamento instável. Ao sentir Hermione se mexendo na cama, abandonou as suas considerações a respeito de tudo aquilo, percebendo que ela o olhava atentamente, tentando descobrir o que tanto ocupava a sua mente.
- Acordou, dorminhoca? – sorriu para a sua castanha, levantando a sobrancelha. Ela era uma graça ao acordar com aquela cabeleira bagunçada!
- Sim... o que aconteceu? Não conseguiu adormecer? – perguntava, enquanto coçava os olhos, tentando despertar e se acostumar com a luminosidade.
- Estou pensando em tomar banho, entretanto, minha inocência se encontra em perigo pelo fato de que eu divido o quarto com uma depravada – gargalhou vendo que ela se empertigava na cama e o encarava séria.
- Sei... – respondeu cruzando os braços.
- O pior é que eu estou correndo sérios riscos de ser violentado por ela debaixo do chuveiro... pois, soube que ela tem fantasias eróticas comigo nessa situação. Já pensou nisso? – tinha certeza de que Hermione ficaria encabulada de ouvir aquilo. Ainda se envergonhava de alguns dos seus impulsos.
- Ah, Merlin... porque você não supera isso? Esquece... – sacudia a cabeça em negação com as bochechas coradas.
- Só vou apagar da minha memória pura e virginal, essa visão, o dia em que a senhorita... aliás, a senhora, me conceder a abertura das suas deliciosas pernas dentro do box e fazer tudo o que imaginou – sorriu malicioso para ela, movimentando as sobrancelhas duas vezes para cima e para baixo a fazendo rir e dar um tapa no braço dele. Esse gesto fez Snape a puxar contra si, a apertando entre os braços.
- Devo me levantar e me banhar antes? É isso? - o questionou com um ar lascivo.
- Sim... vou adorar te ver nua caminhando por este quarto. Será uma cena maravilhosa de se admirar - falou se espreguiçando demoradamente na cama, sorrindo libidinoso com as imagens que se formavam na sua mente.
- Depois sou eu a pervertida... não é? – mordeu o queixo dele.
- De fato é... muito... por sinal, já que fica agarrando oportunidades para me atacar a dentadas. A propósito, eu não me lembro de ter me imaginado com você nessa situação. Entretanto, agora que fizemos o Elo... não vejo a hora de te colocar sobre a minha mesa de escritório ou de te virar do avesso na Torre de Astronomia – mal terminou de argumentar e se deitou com a castanha de volta na cama.
- Severus, se controle! Parece um adolescente que não pode ver mulher... – Hermione gargalhava em meio aos beijos e as cócegas que recebia.
Passado algum tempo, ouviram batidas na porta e, do outro lado, a voz de Fleur que avisava que Molly havia mandando chama-los para o café da manhã. A castanha respondeu rapidamente que, logo, desceriam para a cozinha. O casal foi tomar um banho rápido e se encaminhou para o cômodo, encontrando ainda várias pessoas que estavam na casa no dia anterior. Snape percebeu as trocas sugestivas de olhares entre os jovens rapazes Weasley e Potter, que seguravam os risinhos quando observavam a cara que Ginny e Draco estavam; Lupin estava absorto passando geleia em um pão e Sirius... bem, ele bebeu todo o café de sua xícara, em apenas um gole, se levantando da mesa para se retirar de lá. A castanha ficou um pouco corada, quando Ronny decidiu compartilhar a piada com eles.
- Snape... professor, o senhor nos desculpe, mas parece que os dois acabaram de sair da zona. Por isso que o Sirius saiu daqui tão bravo – mal terminou de dizer, sentiu a mãe lhe dando um tapa na cabeça.
- Ronald, mais respeito com o Severus e com a Hermione! Onde está a educação que eu dei para vocês? E, William, você é o mais velho! Deveria ser o primeiro a dar exemplo aos outros, ao invés de ficar de gracinhas... e, Ginevra, não pense que eu não vi. Depois, terei um assunto em particular com você quanto aos modos – Molly estava possessa repreendendo os filhos.
- Molly, eu entendo qual o problema do seu filho. Já passei pelo mesmo que ele e sei o quanto dói... mas, o que esperar de uma trupe à Monty Phyton? Sobretudo, quando sir Lancelot e sir Galahad, dependem até os últimos fios de cabelo da mais perfeita encarnação da Morgana Le Fay, para manterem as cabeças ainda em cima dos próprios pescoços. Fico pensando no dia em que, sem ela, eles terão de enfrentar os cavaleiros que dizem Ni, Peng e Neee-Won – enfatizava cada palavra com um tom de devastadora ironia, que ele sabia que poucos ali entenderiam, lançou a sua melhor carranca de mestre em Poções para os rapazes. Harry se afogou com o café sendo, logo, socorrido por Luna que ficou preocupada com o estado dele. Draco ria baixinho, do outro lado da mesa, pensando no que o padrinho havia acabado de se referir.
- Severus, não seja tão maldoso com eles! O Ronny não falou para nos ofender... ele foi idiota, é verdade, mas quis nos dizer o porquê estavam todos rindo quando chegamos – a castanha tentou contemporizar o que acontecera. Conhecia o humor do marido, suficientemente, para saber que não estava dos melhores naquele momento.
- Hermione, não estou sendo perverso. Só estou me referindo a questões que todos aqui sabem. Principalmente, que, desde ontem, o seu amigo ruivo está inconformado que você preferiu a mim – sorriu para ela e continuou tomando café como se nada tivesse acontecido. Ao terminar, se virou em direção a Lupin, o chamando para conversar fora da cozinha e, antes de sair, deu um beijo demorado na sua amada.
Os homens se encaminharam para a sala e Lupin foi se adiantando no assunto. Não via a hora de conversar com Snape com relação a tudo o que estava acontecendo, o pedido de Dumbledore e tudo o que fora decidido depois que ele e Hermione subiram para completar o Elo.
- Severus, depois que você e Hermione subiram, foi decidido que as meninas passarão a usar o sobrenome delas de fato. Vão constar nos registros de nascimento dela e da Luna, os nomes dos pais biológicos. Como você deve lembrar os nascidos trouxas e, depois, mestiços, são perseguidos por Voldemort. Como não sabemos exatamente qual foram os antepassados da loira, pensamos em adiantar isso também, mesmo o da sua esposa sendo o mais urgente – se adiantou.
- Como as duas passarão a se chamar? – ficou curioso.
- Hermione, o Sirius sugeriu que ficasse Granger-Black, porque não quer desmerecer as pessoas que a criaram tão bem. Essa proposta acabou se estendendo para a Luna, que será Lovegood-Malfoy e... sei que ficará furioso, mas a Nymphadora pediu para, finalmente, usar o seu sobrenome também – Lupin disse preocupado, antevendo que Snape poderia ter uma explosão de raiva.
- Por qual motivo a doida da minha irmã inventou isso? Já disse a que o pai dela é o Ted Tonks e não o anormal do Tobias... a Dora deveria esquecer que é filha daquele desgraçado e agradecer que não precisa carregar o mesmo fardo que eu... – o argumento dele foi interrompido pelo outro homem, que o contestou:
- Quem disse que é porque quer ser filha do Tobias e não do Ted? Prestou atenção em tudo o que ela esbravejou para o Sirius naquela cozinha? A Dora não quer usar o sobrenome Snape por conta de um canalha, mas, sim... porque... ela ama você e quer que todos saibam disso. Severus, você a criou como filha, todos aqui percebem o quanto os dois se gostam. A Molly e o Arthur concordaram que isso já deveria ter sido feito há muito tempo, pois eles acompanharam o crescimento dela e sempre viram o quanto você se dedicou para que ela tivesse o melhor.
- O sobrenome do Tonks deve ser mantido, isso eu não abro mão! Não quero que ele tenha assumido uma criança, que não era dele, e sido morto em vão – Snape enfatizou sério.
- Será feito dessa maneira. Ela também quer manter esse sobrenome, disse que vai adorar ter o nome dos homens que se arriscaram por ela – garantiu e ouviu o outro bufando em negação. Com isso, prosseguiu, mudando o rumo da conversa:
- Eu quero dizer que acho um absurdo o que Dumbledore o mandou fazer. Não faz o menor sentido! Assim como, ele ordenou que eu fosse viver entre os lobisomens para ver se consigo adeptos à Ordem...
- Aquele velho biruta quer nos matar nessa guerra, tenho certeza! O que ele nos pediu são missões suicidas. Eu correrei o risco de ser morto por mais da metade do mundo bruxo ao me tornar o "assassino de Dumbledore". Você, no meio dos seguidores do Greyback, pode ser estraçalhado quando menos esperar... – zangava- se ao lembrar do que viria pela frente e questionou o que queria saber:
- Qual o motivo do cachorro ter ficado daquele jeito?
- Tem a ver com você, Severus, mas não foi a justificativa que foi dada na cozinha. Ele está preocupado com o que pode acontecer com nós dois... querendo ou não, nós somos praticamente os últimos da idade dele com quem tem convivência. Mesmo que, no seu caso, seja meio turbulenta. Quanto a mim, sou o único amigo que restou... além disso, o Sirius está apaixonado – Lupin sentou soltando a respiração pesada e ficou pensativo.
- Por quem? Remus, não venha me dizer que o Sirius ainda está preso àquela ladainha de que a Bellatrix é a mulher da vida dele! – Snape ficou de frente para o outro esperando a resposta.
- Não... não é mais a Bella... a escolhida é melhor em todos os aspectos como pessoa, no entanto, a situação é pior e mais complicada do que quando ele estava fascinado pela morena doida – levantou o rosto encarando o outro.
- Quem é essa mulher? – perguntou ressabiado com a resposta.
- Me dá a sua palavra de que não comentará nada com ele, a não ser que o próprio Sirius conte isso? – retribuiu a questão com outra.
- Certo, não vou comentar nada... mas, desembucha logo – estava ansioso pela informação.
- Narcissa... ele está apaixonado, encantado, caído... pela Narcissa – antes que Lupin continuasse, Snape o interrompeu, colocando as duas mãos no rosto, massageando as têmporas e afirmando:
- Eu jurava que tinha problemas e uma relação bem estranha com as mulheres dessa família. Contudo, o Sirius, é o que pode se chamar de surpreendente! Sei que passou 12 anos preso, mas existem outras no mundo, além das primas dele.
- Também pensei o mesmo... só que agora é tudo "a Cissa". Aquele pobre hipógrifo, em pouco tempo, pronunciará o nome dela com perfeição! O Sirius fica conversando com aquele coitado, enumerando as qualidades que ela tem e o quanto ele se arrepende de não ter reparado nela antes – os dois acabaram rindo daquela situação. Era absurdo usar o pobre Bicuço como psicólogo de plantão para os problemas amorosos que estavam surgindo.
- Remus... sinceramente, em vista daquele bosta que ela casou, o Sirius é um grande homem e até que combinam. Isso, quero deixar claro que, se você contar a ele que eu disse, negarei até a morte! Agora basta saber o que ela pensa de tudo isso? Se é que ela tem ciência de toda essa confusão... – sacudia a cabeça com um sorriso no rosto. Embora o homem não fosse alguém a quem dedicasse verdadeiro afeto, sabia que ele a trataria com respeito e carinho sempre.
- Ela sabe, Severus. Começo a achar que essa família é de malucos! Ela aceitou e ainda o convidou para aparecer a qualquer hora na mansão, acredita? Que vai dar um sinal quando ele puder ir... pelo menos, foi o que ele me contou – disse passando a mão nos cabelos, controlando o riso e observando as escadas para ver se o outro estava descendo.
- Minha irmã é dessa família e a Hermione, também. Até onde eu me lembre, nós dois estamos até o pescoço envolvidos nesse caos – Snape o encarou com um ar desafiador.
- E quem disse que somos normais? Você é chamado de "Morcegão das Masmorras" pelos alunos, alguns acham que é um vampiro. Eu sou um lobisomem... estamos só acrescentando pontos a uma família muito bem estruturada – Lupin concluiu fazendo uma expressão tão engraçada que fez com que o outro o ficasse encarando mordendo as bochechas para não rir. Sabia que tinha razão e que todos se transformarem em uma só família era loucura, principalmente, pelo histórico que mantinham de brigas, discussões intermináveis e tentativas frustradas de assassinato. Aproveitando que não havia nenhum sinal de que alguém entraria na sala, continuou:
- Então, como está recentíssima vida de casado iniciada ontem?
- Ótima! Acho que, em uma noite, não teríamos grandes motivos para brigar... – Snape respondeu sarcasticamente se levantando do sofá para pegar dois copos de firewhisky para eles.
- Eu te disse que a Hermione voltaria e que era um idiota por tentar o suicídio... não tente me interromper, também tive uma vida de merda, mesmo que sejam por questões diferentes – estendeu a mão para pegar o copo e viu o outro assentir.
- Realmente, você tinha razão... Remus, eu quero me desculpar por ter sido um bastardo e ter feito você perder o emprego em Hogwarts. Tenho planos para quando tudo isso terminar e gostaria que me ajudasse – ao concluir viu que Lupin o observava.
- Exatamente o que você está projetando? – mantinha os olhos fixos em Snape com um semblante de interrogação, enquanto sorvia um gole de whisky.
- Abrir uma botica, primeiro em Hogsmeade e, depois, se tudo der certo... na Londres trouxa. Se aceitar, ficaria com a parte financeira, pois sei que sempre foi organizado e bom com números. Claro que, quando o trabalho estivesse muito grande, teria que me ajudar no preparo das Poções... – argumentou exprimindo todos os seus projetos futuros.
- Aceito – se ergueu e foi em direção ao outro para selar o acordo com um aperto de mão.
- Simples assim? – Snape fez um gesto de dúvida, se levantando também.
- Sim, não vejo motivos para complicar – terminou com o pacto já selado pelo gesto de confiança.
Passaram o resto da manhã conversando na sala, não demorando muito, Sirius acabou se juntando a eles e entram numa discussão acalorada sobre Quadribol que atraiu os meninos para o debate. Aproveitaram para decidirem que, no final de maio, sairiam os casamentos de Dora e Lupin, Bill e Fleur, para dar tempo de organizarem a festa no terreno da casa dos Weasley, convidar as pessoas mais próximas e ter algumas horas de felicidade antes que o mundo desabasse. Todos ali possuíam a certeza de que, depois da morte de Dumbledore, tudo mudaria. Não precisavam fazer previsões para o futuro, para que soubessem que, Voldemort teria uma ascensão rápida ao poder e a política do medo se espalharia por todos os cantos. Como o tempo voava depressa para o término do ano letivo, Harry iniciaria as reuniões diárias com o diretor, no dia seguinte. Tudo começava a ser feito apressadamente, para que houvesse tempo para o mais importante pudesse ser feito. Aquele dia passou depressa com tantas coisas para serem resolvidas, assim como foi o restante da semana... Snape e Hermione só se viam nas aulas. Embora ele tivesse esboçado o desejo de tê-la todos os dias e por tantas partes do castelo, quando as oportunidades apareceram, ele procurou se distanciar. Várias vezes, repetiu a ela que deveriam manter o decoro e que era antiético, os dois se relacionarem no ambiente escolar. O que não os impediu de trocar alguns beijos e juras de amor, quando surgiam condições apropriadas.
Pelo final de abril, quando a neve começava a derreter e já estavam completando quase um mês de casados, a castanha voltou a frequentar o seu dormitório nas masmorras, onde passavam alguns finais de semana lendo. Quando queriam um tempo para si, passaram a visitar a casa que ele mantinha em Hogsmeade, saindo dos portões da escola e aparatando diretamente na sala, pois, ele começava a temer pela segurança dela. Era lá que ficavam namorando, implicando um com o outro, traçando planos para o futuro e fazendo amor cada vez mais intensamente. Com o término do mês e a aproximação dos exames finais, além dos casamentos, Hermione demonstrava o quanto estava ansiosa e, para piorar o seu estado de espírito conflitante, Snape tinha desaparecido após uma reunião dos Comensais da Morte. Ela vagava pelo castelo, perdida em pensamentos, imaginando onde o seu marido estava, pois ele sequer havia enviado algum aviso sobre os motivos que o levariam a não dar aulas naquele dia. Na hora do almoço, ao olhar para a mesa dos professores, não o avistou, o que a deixou ainda mais preocupada e aborrecida. Sua mente não parava de criar cenários catastróficos e destinos cruéis... que só pioravam a medida em que o tempo passava e as notícias do seu paradeiro não chegavam.
Antes que pudesse se levantar e seguir para as aulas seguintes, uma coruja enorme aterrissou perto e lhe entregou uma carta. Era Snape pedindo a ela que fosse até o seu escritório com a máxima urgência. Seu coração falhou algumas batidas com a perspectiva de que ele estivesse ferido, que necessitasse de ajuda rápida e que só, naquele instante, conseguira pedir socorro... foi assim que ela seguiu em direção às masmorras, quase correndo pelos corredores. Chegando lá, Hermione o olhou, analisando cada pedacinho, tentando buscar as lesões... entretanto, não havia nada de errado e ele estava bem, inteiro, vivo e, ainda por cima, com um ar de quem estava segurando o riso ao perceber a sua cara de ofendida.
- Eu posso saber, Severus, onde é que você se encontrava? Em algum átomo de tempo ocorreu que eu poderia, quem sabe, ficar preocupada porque, simplesmente, você tomou um chá de sumiço? – o encarava séria e brava, com os braços cruzados sobre o peito para mostrar toda a sua insatisfação.
- Hermione, calma! Eu saí da reunião ao amanhecer, aparatei em Hogsmeade e decidi comprar um presente para você. Dumbledore sabia que eu só voltaria pela tarde para cá, por isso, colocou outra pessoa para dar as aulas no meu lugar. Não vejo justificativa para tanta aflição – respondeu calmamente, como se nada tivesse acontecido que pudesse tê-la deixado tão à flor da pele.
- Não percebe? Você podia ter sido torturado ou morto... isso não é suficiente? Que presente seria esse tão demorado para que sumisse pela manhã e não desse aula? Por acaso fabricou ele ou montou uma indústria para que ele fosse produzido? – se mantinha firme na sua decisão de questioná-lo pelo sumiço e a falta de consideração em avisá-la que tardaria.
- Mas, veja só... a bruxa que eu escolhi como esposa é ciumenta e possessiva! Eu é que deveria ficar com ciúmes de você no meio de tantos meninos cheios de hormônios, senhora Snape, e não o contrário - ele riu abertamente vendo o quanto estava contrariada e continuou:
- Até parece que mulheres se estapeiam na rua ou rasgam as vestes quando me veem! Acredite, ninguém... além de você, é claro, quer um velho feio! Também não precisei fabricar nada, só tive que esperar para que ficasse pronto do jeito que eu queria.
- Já disse que não é feio e nem velho... mas, o que me trouxe? - disse ela o examinando com uma clara curiosidade no olhar. Snape deu a volta em torno da mesa, sem tirar os olhos dela, até se aproximar o suficiente. Foi, então, que ele lhe estendeu uma caixinha de veludo na cor verde. Hermione, ao abri-la, ficou maravilhada com o par de alianças de ouro, todo envolto com pequenos rubis e esmeraldas. Ao analisar mais atentamente, percebeu que, dentro da sua aliança, estava gravado "pertence ao Príncipe Mestiço". Enrugou a testa, com um semblante de desaprovação àquelas palavras, o que fez com que ele dissesse para ver o que se encontrava na dele. Pegando a outra aliança, leu a inscrição "pertence à Princesa da Grifinória", o que despertou um pequeno sorriso orgulhoso em seu rosto.
- Severus, eu não acredito que você fez isso? Não precisava ter gasto o seu dinheiro comprando alianças, quando já estamos casados. Não faz diferença... - disse ela exibindo a sua felicidade pelo brilho nos olhos, encantada com as palavras e o gesto dele.
- Como não crê e não percebe a necessidade? Ora, mulher, nós casamos através do Elo! O que significa que usaremos alianças. É só mais uma prova do quanto eu amo você! - a puxou para si e a beijou. Hermione ficou o contemplando por um tempo e refletindo sobre a forma como Snape demonstrava admirá-la, quando se afastou um pouco e afirmou com um ar sapeca no rosto:
- É que... eu ainda não consigo imaginar você tão romântico. Parece um sonho...
- Então, não acorde e só fique comigo – revirou os olhos e sacudiu a cabeça para em negação, antes de expressar um falso descontentamento:
- Esperava o quê, menina tola e atrevida? Agora, vamos, me dê logo essa mão! Posso ser romântico, mas ainda não sou paciente! - ele ria zombeteiramente dela soltando um suspiro de desaprovação ao que ele acabava de manifestar.
- Graças a Merlin, que você voltou ao normal! Estava achando que o meu Severo tinha sido sequestrado e trocaram por algum herói romântico, chato, do século XIX, que só fica fazendo juras de amor, mas é um idiota, fracassado e medíocre – gargalhou dando um tapa no ombro dele ao ouvi-lo conjecturar:
- Você é uma monstrinha sem coração, vil e desalmada que ataca um pobre homem indefeso! – desviava dela se divertindo com aquilo.
- Até parece que a besta fera, que bebia o sangue de jovens virgens ao anoitecer, é um ser inofensivo e vulnerável... – piscou para ele entrando no jogo.
- Como ousa, sua insolente, irritante sabe tudo, me afrontar dessa forma? – questionou fazendo toda a sua pose mais amedrontadora possível a encarando com uma verdadeira carranca.
- Muito simples, morcegão das masmorras... a verdade pode ser chocante, entretanto, não é infame ou injuriosa. Além de que, você é o único aqui que se enquadra na descrição de desaforado, arrogante e presunçoso. O pior é que tem um senso de humor sádico e sarcástico – ela o confrontou de volta ganhando em troca algumas mordidas no pescoço.
- Se eu sou um vampiro... você é a minha vítima preferida! - sussurrava no seu ouvido aquelas palavras, a deixando completamente arrepiada. Passou um tempo a apertando contra si e dando leves chupões, quando parou para falar o que tinha lembrado:
- Aliás, antes de te agarrar mais um pouco, tenho mais uma boa notícia. Hoje, aquele velho caduco, me disse que você, minha digníssima e respeitável esposa, pode dormir sempre que quiser aqui. Mas... eu, seu honrado marido, digo que será apenas dividir a mesma cama mesmo. Sabe que não me sinto muito confortável de transarmos neste lugar, sei que já aconteceu, mas prefiro que seja em um lugar mais reservado. Ainda mais que, aquele louco, pode invadir o quarto a qualquer instante e eu já tenho traumas o suficiente, para ainda armazenar mais um com a cena do Dumbledore me vendo nu – Hermione, que prestava atenção no que ele estava relatando, ao ouvir essa última parte, se contorcia rindo no sofá imaginando a cena.
- Realmente, seria bastante constrangedor se ele nos pegasse no flagra. Também não gostaria de ter gravada na memória a cena do diretor me vendo nua e gemendo – afirmou entre gargalhadas.
- Fico feliz que se diverte com a minha desgraça! Bem, você e a ruiva tarada são monitoras, logo, não haverá problemas de sair no meio da noite e vir para cá. O Draco, que está dividindo os aposentos comigo, vai passar a dormir com ela. Imagino que, daqui a pouco, ela já esteja parindo aquela criança e vai precisar dele por perto – Snape falava sério, contendo a sua vontade de rir, por trás de uma expressão vazia.
- Vocês são tiranos! – a castanha se levantou do sofá já se arrumando para se retirar do quarto para ir às aulas da tarde.
- Draco aprendeu com o melhor sonserino que existe, no caso eu, obviamente. E, aquele velho, Hermis... é ardiloso! Não acredite naqueles olhos azuis, porque ele é mais esperto do que todos nós juntos. Foi a única pessoa, até hoje, que conseguiu me convencer a aceitar ser envolvido num absurdo sem limites – disse se despedindo dela.
Durante o jantar, todos notaram a aliança no dedo de Snape e aquilo causou todo o tipo de comentários e fofocas pelas mesas das casas. A de Hermione não foi percebida, porque estava sendo usada como um pingente preso ao colar que havia ganho do marido. Junto a Harry, Ronny, Ginny, Luna e Draco, estes dois últimos sentados com eles na mesa da Grifinória, apenas trocaram olhares, como se nada de extraordinário tivesse ocorrido. Conversavam amenidades, fingindo não escutar os cochichos que ecoavam pelo entorno.
- Quem será que o morcego enfeitiçou? – perguntou um corvino para outro.
- Coitada da mulher que quis esse daí, mesmo tendo cortado e cabelo e parecendo que toma banho, ainda ele é intratável e grosseiro – foi a frase solta que escutaram um grifinório dizendo para o grupo que estava a sua volta.
- Ah, eu discordo... sempre achei ele gostoso e, convenhamos, é um gato! O que deve ser aquela voz grossa murmurando no ouvido? E, quando ele estava de barba, imagina! Adoraria que ele tivesse roçado no meu pescoço – aquelas opiniões vieram da mesa da Sonserina. Draco reconheceu na hora a voz feminina, que os afirmava solenemente, e, quase se afogou com o suco. Hermione se virou para todos os lados, procurando a autora daquelas frases, para cometer, ali mesmo, um assassinato. O olhar homicida da amiga estava com que Ginny desse um puxão no braço dela para que voltasse ao normal.
- Você ficou louca, Mione?! Se alguém descobre, vai ter fogo nesse cabaré todo! Já imaginou a fofocalhada? Sei que tem vontade de queimar o quengaral, mas, deixa essas galinhas ciscarem à vontade... ele não tem olhos para nenhuma delas – garantia, mantendo as mãos fixas no braço da castanha para que ela não fizesse nenhuma bobagem.
- E, você não é um exemplo, né Ginny? Até parece que quando ficam se jogando para cima do Draco, você não quer matar uma meia dúzia! – respondeu irritada.
- Fofa, o que eu estou falando e que, decididamente, não quer ouvir é que se eu enfiar a mão na cara de uma vagabunda no meio do corredor ou aqui mesmo, o Draco não será expulso ou demitido do colégio. Também não virão chuvas de cartas dos pais pedindo a cabeça dele e nem sairá n'O Profeta Diário que ele é tarado. Além disso, Hermione, você está sendo irracional! Sabe o problema que virá em pouco tempo e quer arrumar ainda mais... – a ruiva bufava em desaprovação, parecendo uma versão mais jovem de Molly Weasley repreendendo os filhos. Enquanto isso, na mesa dos professores, Snape prestava atenção mais nas reações da sua amada do que nas observações que eram feitas. Estava tenso que ela pudesse se irritar, terminantemente, e arranjar uma briga que prejudicaria os dois.
Maio chegou e trouxe os tão esperados casamentos. Todos passaram aquele final de semana felizes, buscando não pensar no que viria pela frente. A Toca estava superlotada com pessoas se amontoando nos quartos, pela sala e, alguns, na cozinha. Hagrid como não caberia ali, montou uma barraca do lado de fora, que ajudou no abrigo de outros convidados. Estava uma confusão e todos acabaram se divertindo com o caos estabelecido. Snape ficava meio zonzo com o vozerio, conversas simultâneas, gritos por todos os lados. Ele estava acostumado com a paz e a tranquilidade em que vivia e, mesmo quando as meninas iam para a sua casa, ainda assim, não era aquela anarquia em que estava metido. Para escapar um pouco daquela desordem, saía e ficava sentado do lado de fora pensando. Era bom ficar ali observando os animais, o céu, os campos... aquele lugar era bonito e passava uma sensação de paz contrastante ao pandemônio estabelecido dentro da residência. Por um tempo, pensou que poderia morar por ali. Seria um bom lugar para crianças correrem e crescer com uma sensação de liberdade. Ficou absorto naquela ideia, até se dar conta de que estava sendo observado pelo Weasley pai, que parecia estar lendo os seus pensamentos mais profundos. Indo, um pouco depois, se sentar ao lado dele.
- Severus, mal casou e já está pensando em ter uma prole? – perguntou sorrindo.
- É tão óbvio assim? – replicou olhando para o ruivo.
- Eu sou pai de sete filhos, reconheço de longe o olhar de um homem que quer ter logo a sua criança correndo por aí. Ainda mais que estamos em um período de instabilidade... o surgimento de uma vida é como uma injeção de ânimo nos nossos corações. Foi assim que eu me senti quando soube da chegada de cada um dos meus – garantiu.
- Não sei se posso ser pai... não por inaptidão, mas pelas torturas que eu já passei. Penso que pode ter afetado alguma coisa em mim. Além disso, a Hermione é muito jovem, tem uma vida inteira pela frente e muitos sonhos por realizar. Mesmo que seja possível e eu divida com ela as responsabilidades, a criança é dependente muito mais da mãe do que do pai, enquanto são pequenos. Acho injusto com ela – Snape disse pensativo.
- A vida me ensinou que isso é uma decisão das mulheres. Elas sabem a hora que querem ser mães e são leoas com os seus pequenos. Nós ficamos como meros auxiliares, porque o veredito final, sempre será delas – disse Weasley dando dois pequenos tapas nas costas dele, como se o encorajasse e recebeu em troca um olhar de dúvida, o que o fez continuar:
- Ora Severus, o que eu quero dizer é que a Hermione vai resolver isso. Só não deixe que ela fique em dúvida de que você quer também uma criança. Será bom que ela esteja se sentindo segura quando acontecer.
- Arthur... você acha que eu seria um bom pai? – manteve o mesmo semblante interrogativo.
- Ninguém é perfeito! O conselho que eu posso dar é sempre fazer o melhor que puder. Você criou muito bem a Dora, buscando dar o máximo de si o tempo todo. É o que basta. Agora vamos, homem! Temos o casamento do meu filho e, também, o da sua irmã para organizar aqui no terreno – falou o ruivo se levantando, sendo acompanhado pelo outro que limpava a calça para retirar os pedacinhos de grama que estavam presas nela.
Se juntaram ao grupo que estava envolvido na preparação das coisas. Auxiliaram a arrumar a tenda, as mesas, a comida, a bebida os enfeites... tudo estava muito simples e bonito. Era uma forma que arranjaram para comemorar a vida, celebrar os fios de esperança em que se agarrariam e, principalmente, as amizades existentes e as que começavam a se formar. Fleur e Dora entraram, no horário, acompanhadas de seu pai e irmão, respectivamente, e, foram entregues aos noivos. Os dois casais fizeram os votos e selaram os enlaces com beijos. Os padrinhos, Charlie e Sirius, revelaram barbaridades a respeito dos seus afilhados, arrancando risos de todos os presentes... as mulheres estavam em volta da barriga de Ginny, soltando gritinhos de alegria e empolgação com os chutes dados pelo bebê Scorpius, que logo nasceria. Hermione virou em direção ao marido e sorriu abertamente, estava feliz por compartilhar aqueles momentos com os amigos e, principalmente, em vê-lo fazer parte de tudo aquilo e de perceber que ele se sentia aceito entre aquelas pessoas. Ele percebeu que havia ali um brilho estranho nos olhos dela, algo que nunca tinha visto desde que a conheceu.
Algum tempo depois, a castanha se aproximou dele o convidando para ir embora e dizendo que estava cansada. Era final de domingo e, no dia seguinte, a correria das aulas e as funções como agente-duplo ocupariam todo o tempo... Snape não viu problemas em fugir dali e passar algumas horas sozinho com a sua esposa em algum lugar. Pensou em vários locais até chegar à conclusão de que passariam a noite em um hotel trouxa, indo embora pela manhã. Assim fizeram. Ao entrarem no quarto, viu que Hermione o fitava fixamente, como se estivesse em meio a um debate interno a respeito de algo referente a ele.
- Algum problema, pequena? – a questionou.
- Sevie... queria te perguntar uma coisa... mas, acho que você vai achar que eu sou uma boba ao me ouvir – disse olhando para baixo com um ar de dúvida.
- Me interrogue à vontade. Não vejo nada que me faça te considerar uma pessoa obtusa – respondeu cruzando os braços e se sentando na cama para tirar os sapatos.
- Bem... quando eu entrei na sua vida, a Bellatrix e a Lillian eram as mulheres que faziam parte dela. Uma era a sua prometida e estava apaixonada por você e, a outra, te fascinava. Alguma vez me comparou com elas? – indagou Hermione com um olhar de hesitação e Snape soltou um suspiro pesado.
- Hermis... fiz isso a primeira vez que te vi ao lado da Bella, na aula do Slughorn, como uma forma de tentar compreender o que me chamava tanto a atenção em você. Mas, não foi nada de especial ou que demonstrasse o interesse que eu pudesse sentir naquele instante por uma das duas – disse pensativo a observando.
- Continuou com isso, depois? – questionou deixando claramente a sua insegurança com relação àquilo.
- Não, foi apenas uma vez mesmo – respondeu percebendo onde ela queria chegar.
- E o que me assemelha a elas, que fez com que prestasse atenção em mim? – perguntou chegando ao ponto em que queria desde o início.
- Não foram as semelhanças, mas as diferenças que me encantaram. Entretanto, creio que quer saber no que se parece com cada uma, estou certo? – a interpelou como réplica.
- Sim, está... no entanto, se não quiser, não precisa falar nada – argumentou sentando ao lado dele e Snape segurou as suas mãos.
- Da Bella, sua mãe biológica, você tem muitas características que são genuinamente dela. Por exemplo, esse cabelo tão cheio de cachos, mesmo sendo castanho como do Sirius, é o bilhete de apresentação da sua natureza selvagem e indomável que você luta tanto para domar. Há uma sensualidade que está além da beleza física, embora Hermis, você seja inegavelmente muito bonita com esse rosto cheio de sardas perdidas em torno do nariz e das bochechas... um ponto que te torna diferente. Possuiu um temperamento altivo e voluntarioso , gosta do perigo e, isso, é um traço dos Black em geral – falava vendo que ela o observava com atenção e prosseguiu:
- Você não permite nunca que alguém tente subjugar as suas vontades e tem uma paixão obsessiva por causas e coisas em que acredita, exatamente igual a Bella, mesmo que tenham propósitos diferentes. A distinção está no fato de que a sua maior crítica e juíza é você mesma... isso demonstra uma força absurda de caráter e senso de justiça, que se entrelaça com a sua paixão por defender e proteger os outros. E, por último, tem fogo dentro de si e é, incrivelmente, provocante. Todavia, o seu erotismo e voluptuosidade não são agressivos, se mostrando através de uma graciosidade e doçura cativantes – sorriu ao dizer isso.
- E a Lillian, o que eu me pareço com ela? Porque, ao que eu percebo, pela Bella você chegou a ter uma atração física... – considerou contrariada essa última parte, mesmo tendo em mente que precisava ouvir toda a verdade e que aqueles questionamentos eram importantes antes de qualquer coisa. Necessitava de uma total sinceridade dele naquele instante.
- Sim, eu tive muita com 14, 15 anos e, depois, passou. Simples assim. Com a Lilly, você se assemelha na afabilidade, na doçura e gentileza na maneira de falar com as pessoas, mesmo quanto está com raiva. Embora, ela fosse mais doce que você, e, você seja mais forte e independente do que ela. Em outras palavras, não é submissa... É inteligente e curiosa, de um modo positivo, ao não se negar em ir ao auxílio de quem precisa. Tem um coração bondoso não só com quem ama, mas, com quem está no seu entorno. O que te torna divergente, é que a sua inteligência é absurda, tem sede de conhecimento, é mais focada, academicamente honesta e objetiva. Você é corajosa e leal, o que diz muito sobre quem é e que nunca se deixaria influenciar pelos outros, não é fraca como ela que se deixou levar pela opinião e fez o que os demais esperavam – Snape estava sério e falava aquilo em um tom que dizia mais coisas a si mesmo do que propriamente a Hermione.
- Você sabe ser amiga de alguém, porque tem a sabedoria inata do que é lealdade e sinceridade. Jamais abandonaria um amigo ou riria dele, mesmo que ele tivesse agido com o mais perfeito imbecil. Não joga as suas responsabilidades ou decisões em cima dos outros. A sua retidão de caráter chega a ser afrontosa, quando a pessoa se dedica a olhar os seus olhos e ousa conviver com você. É forte, linda e perfeita, não se julgando o centro das atenções ou jogando com os sentimentos dos outros, como as duas sempre fizeram. Hermione, as duas eram meninas comuns, não tinham nada de extraordinário... você é especial, única... e essa é a certeza que eu tenho na vida. Não há comparação, porque sempre eu vou ver que é infinitamente melhor. Tanto que é capaz de amar um maldito bastardo, como eu, a ponto de casar com ele. Mesmo observando que ele é um grosseirão, feio e com aspecto de sujo... que te tratou mal e te fez sofrer a troco de nada – agora a olhava dentro dos olhos, respirando fundo concluiu:
- O seu cheiro, para mim, é a droga mais poderosa do mundo... caso não saiba, você é a minha Amortêntia, mesmo quando eu sequer me lembrava de nós dois juntos... o aroma de baunilha, morango, pergaminhos e livros antigos me deixava enlouquecido. Satisfeita? Particularmente, não acho saudável ficar fazendo comparações como se estivesse no meio da Travessa do Tranco ou do Beco Diagonal procurando um produto...
- Nunca alguém me descreveu desse jeito... obrigada. Quero agradecer por ter sido sincero. Não te julgaria se preferisse esconder isso, contudo, creio que o melhor é que sejamos honestos um com o outro. Acredito que tenha razão no que disse, embora eu não me veja assim... – estava refletindo sobre o teor de tudo o que havia escutado.
- Você deveria ser mais segura quanto as suas qualidades - disse acariciando o rosto dela, fitando as expressões e os suspiros de Hermione.
- Severus, não vejo problemas em que tenha feito cotejos iniciais para perceber o que me tornava especial para você. Penso que é um processo natural de escolha do que e de quem consideramos como melhor para as nossas vidas. Eu só discordo na sua insistência de que é feio e sujo. Não me importa o que os outros tenham dito, penso que muitas palavras vieram como sinal de inveja por ser tão brilhante no que faz. Você é um homem bonito e o que chamam de sujeira é o resultado das horas de trabalho em torno de caldeirões fumegantes, do tempo em que você passou deprimido ou que vivia abaixo da linha da pobreza. Não há cabelos e vestes que resistam! – agora era ele quem estava concentrado nas palavras que eram ditas e a castanha continuou:
- As pessoas se acostumam ao que é comum. Particularmente, acho que o James tinha cara de idiota e era um porco arrogante que só conquistava as meninas por ter dinheiro. Aliás, muito dinheiro e músculos, mas pouco cérebro... Você tem uma beleza singular, o que faz com que a maioria não esteja habituada. Seu nariz, que sempre foi alvo de comentários depreciativos, ao meu ver, é o que dá um charme especial ao seu rosto. Você tem voz grossa que hipnotiza, vicia e seduz, uma personalidade misteriosa que aguça a imaginação de quem possui engenho e arte para admirá-la... e, os seus olhos, são um verdadeiro abismo negro ao qual poucas pessoas se arriscariam a se jogar. O seu cabelo, por ser preto e liso, parece que está sempre brilhando como veludo, seda ou couro. Isso é natural, só que muitos se mostram medíocres e ignoram o óbvio.
- Você, de fato, vê tudo isso em mim? – perguntou incrédulo fazendo com que Hermione respondesse na hora:
- Vejo isso e muito mais. Sevie, você pode ter dois dentro de si... um que é agressivo, sádico, grosseiro, zangado, autoritário, extremamente fechado, ressentido, amargurado, desagradável e violento. É uma parte sua que sempre aparece quando está tentando se defender ou tem medo de alguma coisa que possa te machucar. Claro que, por conta disso, você agiu mal comigo e foi um perverso, desgraçado, que me fez chorar inúmeras vezes. A outra parcela que constrói a sua personalidade sui generis, é gentil, engraçada, fofa, carinhosa, obstinada, apaixonada e curiosa. Mas, principalmente, é a mais bonita porque é onde se encontra a sua inocência, coragem e bravura – os olhos dela brilharam ao dizer isso. Snape viu, finalmente, o que no mundo fez com que ela se apaixonasse por ele com tanto ardor e se entregasse de corpo e alma.
- Severus... você é inocente em relação ao amor. Pode não perceber ou fingir que não é verdade, mas ainda possui a mesma pureza do menino que eu conheci na hora de se conceder e confiar o coração. Quer tanto ser amado que não pode mentir a respeito disso, por mais que seja capaz de esconder os sentimentos, quando quer... o amor é algo que te guia, te impulsiona a fazer coisas absurdas, foi o que te manteve vivo ao mesmo tempo em que quase te matou, e é o que o torna tão aguerrido. Pode ser que não acredite, entretanto, eu penso que, quando não se recordava de mim, algo aí dentro dava esperanças que nós iríamos nos encontrar e que tudo ia ser diferente – ela puxou a respiração para criar coragem e continuar, queria que ele ouvisse tudo o que considerava apaixonante nele.
- Antes que tente me interromper... sei que este seu lado são raros os que conhecem, pois, os demais, sempre recebem o pior e são tratados com desconfiança. Mas, quero deixar claro que eu considero você um homem de caráter e personalidade forte, leal, corajoso, inteligente, perspicaz, fiel a quem ama e aos seus sentimentos. Alguém que possuiu um gênio que o torna uma tempestade ambulante... sendo capaz de destruir tudo a sua volta, e, tem o poder dar vida e transformar tudo ao seu entorno. É dono de um coração indômito e bravio, quase um selvagem que tem sede de amor e conhecimento, que sonha conhecer todos os caminhos do mundo. Ao mesmo tempo que se distingue pelo senso de humor bastante peculiar e meio sádico. Eu te amo, porque vi além do que os olhos são capazes de enxergar na barreira que você criou em torno de si – ao terminar de dizer tudo isso, procurou sentar no colo dele e o beijar com todo o amor que sentia. Snape retribuiu intensificando o beijo a puxando mais para perto. A castanha interrompeu todos aqueles carinhos, deitando a cabeça no ombro dele.
- Pergunte, Hermione... – disse erguendo uma sobrancelha a observando, conhecida muito bem aquele silêncio.
- É que eu não entendo por qual motivo cortou o cabelo... – respondeu manhosa.
- Ora, bruxa, você mesma falou que gostava dele curto quando nos conhecemos – a olhava com uma cara de incredulidade.
- Sim, eu disse... no entanto, foi no sentido de que você usava para se esconder atrás dele. Não precisava ter deixado curto – o encarou abrindo um sorriso.
- Agora eu não me escondo mais... tenho você que é só minha – deu de ombros com um gesto arrogante, mas que ela entendia como divertimento. Já sabia de todos os trejeitos, olhares e manias dele, para reconhecer qualquer um perfeitamente.
- Não... mas, eu gostava dele. Dava vontade de puxar nas horas certas, sabe? Apesar que eu o considere mais bonito com ele assim. Contudo, acho uma pena que tirou aquela sua barba...
- Mas, veja só... disse que você era tarada, queria que eu roçasse a barba no seu pescoço, enquanto dizia obscenidades e te fodia, como um hipógrifo ou um centauro no cio. Entendo a sua mente cheia de safadezas inconfessáveis, Hermione – sorriu malicioso, não perdendo a oportunidade de provoca-la:
- Sempre soube que essa era a questão que mais tenta esconder e que é a sua natureza. Você gosta de sexo, fantasia as coisas, mas tem vergonha de confessar...
há fatos que eu sei, que você mentiu ao falar que nunca fez – manteve a mesma expressão, que se ampliou ao perceber que a castanha arregalou os olhos o encarando.
- Do que está falando, Severus? – gaguejou um pouco ao perguntar isso.
- Acha que eu não sei quantas vezes você se masturbou depois das aulas de Poções, imaginando a minha voz murmurando ao seu ouvido as coisas mais absurdas? Ou que fazia o mesmo depois das aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas? Se não tivesse descoberto isso aos 17 anos, sinceramente, eu teria ficado perturbado de ver uma menina já me desejando tão ardentemente a ponto de gritar o meu nome entre gemidos, sonhar com as coisas mais pornográficas possíveis, enquanto usava as mãos ou um travesseiro para ter o que eu não poderia ou não teria vontade de proporcionar – estava pensativo, pois, de fato, sabia que se soubesse daquilo, quando ela tinha 15 ou 16 anos, teria feito da vida dela um inferno para que se mantivesse afastada e o esquecesse completamente. Viu que demonstrava estar um pouco envergonhada ao escutá-lo dizendo aquelas coisas e procurou tranquiliza- la:
- Eu... não a vejo como menos pura, inocente ou doce por conta disso. Nem julgo que, enquanto estava se descobrindo como mulher, você sentisse tesão e quisesse acalmar o fogo que crescia aí dentro. É cruel que nós homens sejamos incentivados a expor nossos desejos, explorarmos os nossos corpos, enquanto vocês, são castradas desde o nascimento e são ensinadas a ter vergonha do que sentem. Não faz ideia, pequena, do quanto eu me sinto honrado de estar ao seu lado e te fazer perder a timidez sobre o seu corpo e a sua sexualidade.
Algo anunciou que aquele era o momento certo para realizar a maior fantasia dela. Queria que a sua esposa percebesse o quanto era normal ceder aos desejos e renunciar as inseguranças que sentiam com relação aos próprios corpos. Eles pertenciam um ao outro, concedendo os sonhos mais inconfessáveis um ao outro.
- Eu te amo, Hermione – se levantou da cama, dando a mão a ela, como um convite para que o seguisse.
- O que pretende? – demonstrou estar curiosa.
- Te levar ao céu me entregando à sua tentação. Agora, feche os olhos – assim o fez e sentiu quando ele a levantou no colo. Sentia os beijos dele se intensificando e se dirigindo ao seu pescoço. Antes que pudesse ver onde estava, percebeu que ele os despia com avidez e começou a retribuir os carinhos, o queria tanto que pouco importava o que aconteceria depois.
- Oh, deuses... Sevie... me faça sua – sussurrou no ouvido de Snape, fazendo com que ele sentisse um arrepio cortando a sua espinha. Como um anúncio de que recebera total permissão para os seus atos, a desceu do colo, a imprensando contra a parede. Ouvindo a respiração da castanha ficar mais rápida e pesada, a virou de costas, puxando o cabelo dela, roçando libidinosamente o membro contra as nádegas. A prendendo com o corpo, enquanto ligava o chuveiro para entrar com ela, começou a dizer o quanto a queria e o tanto que a amava.
- Abra os olhos e veja o quanto gosto de ser desafiado... afirmei que era só deixar a oportunidade aparecer, que eu transaria com você dentro do box de um banheiro – começou a dar mordidas e chupões pelo pescoço dela que foram, lentamente, se espalhando para as demais partes. Adorava tortura-la, ouvir seus gemidos e gritos de prazer, enquanto brincava com a língua e os dedos, a masturbando, sugando o clitóris com verdadeira ânsia de sentir o gosto dela em seus lábios. Ao perceber que ela gozava, se levantou e a penetrou indo o mais fundo que pode. A água caia sobre os corpos que se chocavam sem clemência, as palavras ecoavam naquelas paredes e eram acompanhadas pelos sons dos movimentos de vai e vem... das respirações descompassadas, das frases sem sentido em meio aos beijos cada vez mais necessitados.
- Mais forte... Severus! – Hermione falava com um fio de voz e ele acelerou os movimentos, aumentando e intensificando o ritmo das estocadas. Não demorou para sentir a castanha o apertando dentro de si, quase se libertando novamente. Snape, aproveitando o quanto ela estava entregue, usou o polegar para masturbar o clitóris, enquanto com os dedos da outra mão, massageava o períneo... sentindo que ela tremia com os espasmos que se espalhavam pelo corpo. Ao ouvi-la chamando o seu nome, se esfregando contra ele, tão molhada, e, atingindo um forte orgasmo, continuou os movimentos até não aguentar mais e ejacular dentro dela. Sentindo que as suas pernas começavam a falhar, sentou com ela no colo dentro do box, a abraçando com força, acariciando aqueles cabelos que tanto adorava e que ousavam grudar no rosto perfeito da sua amada.
- Foi melhor que no sonho? – disse com um riso sacana.
- Muito... porque foi real e você me ama também – respondeu o beijando e mordendo o lábio inferior, fazendo com que ele abrisse os olhos para admirá-la.
- O que quer, minha selvagem? – questionou.
- Gosta de estar dentro de mim? – ela ergueu as sobrancelhas para ele.
- Você quer me enlouquecer, menina?! Ou pretende me matar... sou um pobre homem quase entrando na terceira idade. Vamos tomar banho e... como parece que não terei muitas escolhas, vou dar o que me pede – a mordeu no ombro, levantando para se banhar, e, aproveitando para lavar também cada parte daquele corpo que tanto venerava.
- Esqueci que é o único idoso com menos de 40 anos no mundo inteiro! Pare de fazer dramas... não combina em nada com o perfil de vampiro malvadão que criou - o segurou pelo queixo obrigando que a olhasse. Sorriu vitoriosa ao ver que ele revirava os olhos, o beijando calmamente como se estudasse a sua boca com atenção.
Ao terminarem, a ergueu novamente no colo e a carregou para o quarto. Saíram molhados e envolvidos em beijos intensos, batendo nos móveis que se encontravam pelo caminho, quase caindo no chão. O fogo, já tão conhecido, os queimava e rasgava por dentro. Snape sentia o seu pênis latejando novamente e estava pronto para possuí-la, mais uma vez, ali mesmo. Acabou sentando na cama, com Hermione no colo, beijando vorazmente. Tinham fome e se entregavam a libidinagem que ele apresentava a ela.
- Você é devasso... – sussurrou para ele.
- Deprava e deliciosa – respondeu tomando posse daquela boca que tanto o deliciava. A apertava entre os braços, sentindo que a castanha se ajeitar sobre ele, passando as pernas em torno da sua cintura.
Agora estavam de frente um para o outro, a intimidade molhada e quente dela roçava no seu mastro, fazendo com que se segurasse nos lençóis para não a penetrar imediatamente. Lutou para manter os olhos abertos para admirar a movimentação do corpo dela, o atrito lascivo do clitóris contra o seu membro. Hermione aprendera a se satisfazer o usando e ele adorava ser abusado por ela. O Elo permitiu que nenhuma palavra precisasse ser dita, o favo de mel encontrou o abismo negro, ele a segurou forte pela cintura acentuando os impulsos e a frequência dos atos. Assim, fez com que a castanha se levantasse um pouco, para se posicionar dentro dela, o que a fez soltar um grito com a súbita invasão ao senti-lo entrar tão fundo. As mãos a apertavam, deixando marcas dos seus dedos na pele alva, auxiliando nos movimentos de subir e descer, no vai e vem... se esfregava contra ele, tornando tudo ainda mais gostoso e violento. Queria que ela comandasse, e se deixar dominar pelas vontades da sua senhora. Ficou extasiado ao vê-la cavalgando em cima dele, o devorando como uma pervertida.
Hermione o fez deitar na cama, colocando as duas mãos no peito dele, mantendo a movimentação do quadril, enquanto o olhava e percebia estampado no rosto todo o desejo incontido. Com os pensamentos dele na sua cabeça, se curvou, permitindo que os seus seios o tocassem no rosto e nos lábios, fazendo com que ele ficasse alucinado com aquelas sensações. As mãos dele subiram da cintura dela para agarra-los. Chupou cada um com vontade, com volúpia, mordiscando, massageando, dando pequenos beliscões... enquanto ela lambia e sugava o seu pescoço, fazendo com que perdesse completamente o juízo e começasse a se movimentar junto com ela. Snape aumentou a intensidade das estocadas, tão fundo e tão forte, que a castanha já não controlava mais os gemidos que, logo, se transformaram em gritos. O arranhava com suas unhas curtas e agia instintivamente para manter o contato entre os dois. Ele, em um impulso, sentou na cama e a agarrou, a beijando vorazmente. Ela atingiu o clímax, gemendo contra a boca, tremendo violentamente e deixando que o corpo caísse sobre o dele... Snape viu estrelas diante dos olhos ao gozar outra vez, sentindo os seus líquidos se misturarem com perfeição. Era um sentimento maravilhoso observá-la daquele jeito, satisfeita, ofegante, nua e despenteada.
A abraçou carinhosamente, se sentia cansado e com o coração prestes a explodir, do mesmo jeito que a castanha, percebia as suas forças extintas e os seus olhos pesados. Demorou um pouco para conseguirem se desvencilhar um do outro,e, ela deitar ao lado do seu marido, sendo puxada como o propósito de que deitasse a cabeça no peito dele. Antes de adormecer, percebeu que era embalada e tinha os cabelos ainda mais bagunçados... Hermione sorriu ao pensar no quanto amava aquele homem que, tinha se entregado ao sono e a apertava entre os braços possessivamente, era tão seu.
