Aquele mês passou voando, com as reuniões dos membros efetivos da Ordem da Fênix, sendo mais frequentes para acertar como seria a entrada em Hogwarts, para não alertar os Comensais da Morte. Tudo deveria ser acordado detalhadamente, para que o plano funcionasse... nada poderia dar errado naquele momento, pois, decretaria a morte muitos inocentes.

Apesar do clima amistoso que circundava aqueles jantares, alguns sabiam que, Sirius e Snape, mantinham uma relação equilibrada por uma corda bamba. A qualquer instante estouraria mais uma briga com trocas de acusações entre eles e todos estavam prevendo a proximidade da tempestade. De fato, a discussão ocorreu no começo de junho, quando Dora anunciou a todos que, logo, seria mãe. Lupin, por sua vez, mostrava um olhar perdido e completamente deprimido desde que fora informado que se tornaria pai. Em um ato de covardia ou de absoluto desespero, esperou que todos saíssem das proximidades para dizer a esposa que, o casamento deles havia sido um verdadeiro erro. Argumentou que deveria ter se afastado dela, quando percebeu que estava apaixonado. Ao escutar aquilo, Snape entrou na sala agarrando o cunhado pelo pescoço, o acusando de irresponsável e frouxo... e a confusão começou a tomar os seus contornos.

- E eu ainda, um dia, falei que você era honrado?! Agora diz que quer abandonar o filho e a esposa, por covardia... – sentia Dora tentando afastá-lo de Lupin, para evitar uma briga entre os dois, ao se colocar entre eles.

- Por favor, Severus... eu resolvo com ele, não há necessidade disso – argumentava o puxando pelos braços.

- Severus... Dora... por favor, me compreendam, não sou uma pessoa confiável, posso machucar alguém a qualquer momento. Você sabe, homem, o que pode acontecer se eu me descontrolar. Agora, querida, você me diz que está grávida... deve ficar longe de mim. O pior pode ter acontecido e esse bebê vir com licantropia - tentava argumentar vendo a esposa chorando por ter sido rejeitada.

- Olha aqui, Lupin, eu te avisei que se fizesse ela derramar uma lágrima por sua causa, você se entenderia comigo. Sabia muito bem que isso poderia acontecer, quando entrou na minha casa e ficou atrás dela, como o animal que é... lobo imundo! É tão covarde que, agora que ela engravidou, quer fugir? – Snape estava descontrolado. Por um lado, ele compartilhava o mesmo medo que o outro, conhecia os riscos existentes naquela gravidez e a série de problemas que a criança poderia nascer. Por outro, estava possesso com o sofrimento da irmã e queria matar o responsável por aquilo tudo.

- Amor, nós saberemos como lidar com a situação – Dora suplicava para o marido não a abandonar.

- Não sabemos! Eu terei amaldiçoado um inocente... não serei diferente do Greyback, que ataca crianças. Na verdade, sou muito pior! Fiz o que os lobisomens não fazem... não poderia procriar. Não devia ter tocado em você, justamente, para não espalhar essa desgraça. Eu acabei com a sua vida! – antes que prosseguisse foi arremessado por um feitiço não verbal que o jogou contra a parede. Com a pancada, caiu desacordado, o que fez Dora se desesperar.

- Severus... – ela empurrou o irmão indo em direção ao marido.

- Nymphadora, me escute! – falou em um tomo autoritário a segurando, obrigando que ela se virasse para ele.

- O que é? – se debatia tentando se soltar, enquanto Snape a apertava contra os braços.

- O Remus tem razão... a criança... pode nascer igual a ele. Vou fazer umas pesquisas e ver como posso reverter isso... o meu sobrinho não pode ser assim. Olha a vida que o seu marido leva, tenho certeza de que não quer o mesmo destino para esse bebê – sentia o seu peito molhar com o pranto e ouvia os soluços. Como sempre fazia, desde que ela era pequena, a embalou até que se acalmasse e se sentisse segura. Antes de dizer mais alguma coisa, deu um beijo nos cabelos tão negros quanto os dele.

- Eu prometo resolver isso... não sei como e nem de que maneira, mas juro que farei dar tudo certo. Já basta você, minha Cara de Pato, que é uma Poção Polissuco nômade... agora, quer me deixar de cabelos brancos com um lobinho mutante? Embora, acredite que seria gracioso, não sei se faria muito sucesso uma miniatura do Fera dos X-Men dentro de Hogwarts e, eu ficaria mais feliz de ter um pequeno igual à Fênix – sorriu a abraçando mais forte.

- Você é louco, Morcego! Eu não poderia tomar o Mata Cão? Mesmo que não tenhamos a certeza de que o meu pequenininho herdará isso – Dora perguntou com os olhos inchados, dando um meio sorriso por conta das bobagens que o irmão falara para que não ficasse tão triste.

- Não faço ideia... tenho medo de que cause algum dano ao bebê – Snape respirou fundo e prosseguiu:

- Pensei em falar isso antes do casamento de vocês... mas, Dora, pode ser que... um dia, tenha que optar em salvar a sua vida e a dessa criança, ou continuar ao lado do Remo. Entende?

- Sevie... eu... eu não posso fazer isso. Não teria coragem de assassina-lo – estava aterrorizada com a ideia.

- É a sua vida, me ouça! Ele vai concordar comigo... você é importante e preciosa demais! É a minha menina, minha irmã, minha filha, minha princesa de cabelo colorido cheia de vida e atrapalhada... quando tirei você daquela casa, prometi que a protegeria de tudo e de todos. Vou enlouquecer se falhar... jamais me perdoaria se fracassasse nisso – Lupin recobrara a consciência, ouvindo as duas últimas partes da conversa e, com um fio de voz, se dirigiu primeiro ao cunhado:

- Severus, eu compactuo com o que disse sobre ela salvar a si mesma e ao bebê, caso se eu não consiga me conter.

- Dora... sinto muito por ter agido como um fraco, um verdadeiro covarde, desalmado e coração peludo, desde que me contou da gravidez. Quero e vou ajudar o seu irmão a encontrar uma saída para que esse inocente não sofra nenhum dano por minha causa – concluiu se levantando do chão, passando a mão na cabeça para amenizar a dor que sentia pela pancada. Snape foi em direção a ele, estendendo a mão para ajuda-lo a se erguer e a apertou, proferindo as palavras ameaçadoras calmamente:

- Olha aqui, lobo, se a fizer chorar novamente... considere que você, o lobisomem e o que mais puder se transformar, será surrado até a morte. Estamos de acordo?

- Ok – assentiu com a cabeça enlaçando a esposa.

Snape estava cansado, com enxaqueca e sem paciência, não vendo a hora de sair daquela casa, que detestava tanto. Quando estava prestes a se retirar, encontrou Sirius encostado na parede o encarando.

- Admirando a minha beleza, Black? Infelizmente, para o seu total desespero, devo informar que prefiro mulheres para me satisfazer e não curto zoofilia - ironizou.

- Sua vida de Comensal deve tê-lo acostumado com isso... digo, violar alguém ou ficar de quatro para alguns homens. As notícias correm sobre as festas de Voldemort, Ranhoso. Deve ter sido assim que conseguiu transar com alguém durante todos esses anos – sorriu debochado.

- Não necessitei estuprar ninguém para ter algumas horas de prazer. Quanto a ter relações homossexuais... fica na sua imaginação. Não quero estragar alguma fantasia erótica que possa ter comigo fodendo você e aquela puta que se dedicou a cultuar por anos. Aproveitando, dou a certeza de que nunca precisei trepar com as minhas primas ou parentes próximas para ter alguém comigo. Aliás, Black, pelo o que eu me lembre, esse gosto peculiar veio do seu pai, não é mesmo? – retribuiu sarcasticamente.

- Exato. Temos muitas semelhanças com os nosso pais... eu com as minhas primas, você correndo atrás de adolescentes... e, caso tenha amnésia, a puta a qual se referiu, é a sua sogra e, eu sou o seu sogro, deveria ter mais respeito, Sevie – manteve o ar de deboche ao concluir.

- Qual exatamente o seu problema, pulguento retardado? – Snape perdeu completamente a paciência dando um passo para se aproximar de Sirius e o encará- lo de perto.

- Além de ter nojo de você e pensar que a minha filha deve ter herdado algum transtorno da mãe, para conseguir gostar de um porco, nenhum – deu de ombros.

- Ah, é isso... esta é a questão! Você, como sempre, foi pau mandado do Dumbledore e se arrependeu. Agora me ataca para ver se eu faço alguma coisa para que tenha razão quando for chorar – se virou para sair da casa, quando ouviu uma série de xingamentos que o fizeram voltar, ao perceber que o outro o seguia aos gritos:

- Nunca vou aceitar que a minha filha dependa de alguém como você. Minha opinião não mudou em nada e só piora a cada vez que eu tenho que olhar para essa sua cara deformada.

- Quem tem que aceitar alguma coisa, é a Hermione. Não me recordo de ter pedido para me casar com você. Então, a sua opinião e bosta de trasgo, valem o mesmo no meu conceito. Além do mais, Black, até onde eu saiba, não tem direito ou propriedade de vir me falar qualquer coisa. É tão obtuso, que engravidou aquela doente mental e não foi homem para encontrar a própria filha – apontou a varinha para Sirius, já começando a se defender dos feitiços que ele lançava.

- A louca é a mesma que ia casar com você, não é mesmo? Continua o mesmo covarde equivocado de sempre, não mudou nada. Agradeça a ela, por muita coisa que você teve – esbravejava indignado indo na ofensiva.

- Diga, então, Black... o que eu tive graças a Bellatrix ou a qualquer mulher? Você não é homem para falar qualquer coisa me olhando na cara. Sabe por quê? Precisou do seu amigo para tentar me matar, o usando quando ele não tinha consciência do que estava fazendo, para conseguir o que queria. Nunca me atacou sozinho... sempre acompanhado do bosta do Potter e o Pettigrew para lutar, às vezes, ainda chamavam o outro lá para ajudar, e eu sou o covarde? É bom rever os seus conceitos, patife... – dizia aquilo sabendo o quanto o ofenderia profundamente, mandando contra ele uma série de feitiços para machucá-lo... tinha ódio suficiente para cometer um assassinato ali mesmo. Evitando que os dois seguissem se agredindo, já que estavam destruindo toda a sala, Lupin, lançou um Escudo entre os eles, que os fez sentir uma espécie de empurrão contra os corpos.

- Posso saber o motivo dessa pouca vergonha aqui? – os encarava e continuou repreendendo:

- Não fizeram um acordo de civilidade, por conta da Hermione? Ou são tão moleques, mal resolvidos, que não conseguem agir como adultos quando ela não está por perto? Olha, francamente!

- Estou esperando que o seu amigo me esclareça em que eu dependi da Bella para alguma coisa. Só que ele é tão frouxo, que esperou você vir salvá-lo – Snape bufava de raiva.

- Não lembra? Meu tio o presenteou com um lindo laboratório para que você brincasse de cientista trouxa, para que voltasse a ser noivo dela, até o Rodolfo aceita- la em casamento. Ou pensa que esqueci disso? A Bella perdeu a graça, depois de Azkaban, ou a Mione é mais interessante, porque a pouco deixou de ser uma menina? Você é tão podre que transou com a mãe e com a filha... não duvido que tenha transado com a Narcissa e com a Andrômeda também – Sirius se aproximou o máximo que pode do escudo para cuspir aquelas palavras e prosseguiu:

- Acha que eu não escutei o que disse a Nymphadora? Sua menina, princesa e filha... será que deixou a culpa cair sobre o canalha do Tobias, quando foi você que engravidou a Andy? Ou quem sabe vocês dois tenham a estuprado? Seria bem mais próximo ao lixo que é e de onde veio - tais afirmações fizeram com que Lupin segurasse Snape ao perceber que ele estava cego de ódio.

- Nunca mais fale da Andrômeda e do que aconteceu com ela... não me interessa se você serviu de reprodutor de luxo para que a minha esposa fosse feita e existisse, mas se essa história voltar a ser dita, eu vou te estraçalhar vivo. Finalmente, Black, vai conhecer o Comensal da Morte, como tanto sonha em ver de perto. Também, eu não admito que coloque a honra da Narcissa em dúvida, por conta da vadia da Bellatrix. Aquela bosta de laboratório, eu trabalhei para conseguir, porque se fosse o seu tio ou o seu pai que tivessem me oferecido, teria mandado eles enfiarem no rabo porque eu não dependo da merda da sua família para nada! – terminou se desvencilhando do cunhado para sair de lá.

- Isso não vai ficar assim... e jamais compare a Hermione com aquela cadela repulsiva, com quem você procriou. Ela é infinitamente melhor e superior a vocês dois – partiu dali sem olhar para trás. Vendo que Snape se afastara, Sirius virou para o amigo tentando se desculpar. Mas, Lupin fez um gesto para que se calasse.

- Sirius... o que você disse, foi o suficiente por esta noite e pelas próximas. Da minha parte, preciso de um tempo para pensar se vale a pena obrigar a Dora a conviver com alguém que, sempre que pode, relembra que ela é fruto de um estupro. Por mais que eu goste de você, que seja o único amigo que me restou... esse tipo de coisa extrapola todos os limites do aceitável. Antes que eu vá embora, aprenda a respeitar a sua filha e não a equiparar com a Bellatrix, porque elas são radicalmente diferentes – fez um aceno de despedida chamando a esposa para partir. O que obrigou Sirius, pela primeira vez na vida, a realmente refletir com relação aos seus atos. Viu que mais um passo em falso, o inferno invocaria as trevas e, ele perderia uma amizade de toda a vida, por conta do ódio que sentia por Snape.

Aquela foi uma das noites em que Hermione teve de conviver com o humor silencioso do marido, sabia que ele estava no seu limite de paciência e qualquer frase mal colocada, desencadearia em uma briga desnecessária. Tentou por duas vezes perguntar o que ocorrera para que o seu gênio estivesse próximo ao caótico... mas, recebeu em troca beijos que a fizeram desistir de saber os reais motivos daquilo. Depois de um tempo, Snape apenas a questionou se ela já estava informada da gravidez e recebeu uma resposta negativa. A castanha o inquiriu a respeito de quantos meses a cunhada estava e se o bebê se encontrava bem. Percebeu que aquele era o assunto permitido entre eles e que Snape se dispunha a esclarecer as suas dúvidas. Aproveitando a boa vontade dele, interrogou:

- Sevie, quando eu engravidar, você vai ficar feliz?

- Não... – respondeu olhando para o teto.

- Pensei que quisesse um filho comigo... – falou tristemente. Aquilo havia a machucado de alguma maneira que não conseguiria definir ao certo.

- Hermis, o conceito de felicidade é muito relativo e efêmero para estes momentos. A pergunta certa seria se eu me sentiria realizado ao receber a notícia de que seria pai. Deste modo, diria que sim, que vou adorar ver você bem pançudinha, gerando a criança mais perfeita do mundo – a puxou para perto secando as lágrimas que saíram dos olhos dela.

- Não sei porque faz isso comigo. Qual o motivo de não dizer logo que quer? – argumentou apoiando o queixo no peito dele.

- Me perdoe, foi só uma brincadeira... não atinjo a dimensão do quanto isso poderia ofender profundamente e nem que estava tão sensível, bruxa! Uma bobagem, não deveria fazer com que chore ou se sinta tão triste – apertou a ponta do nariz dela com os dedos, levando Hermione a dar um pequeno sorriso e voltar a se ajeitar com a cabeça em seu tórax, para ouvir as batidas do coração dele. Snape se moveu fazendo com que ela se levantasse e tivesse os lábios tomados para um beijo lento e calmo. Embora houvesse um fogo continuo ali, os incendiando por dentro, como uma constante lembrança dos anos que ficaram separados, o amor era duradouro, gentil e doce... e, assim os dias foram passando calmamente, mesmo que as nuvens da tormenta se tornassem cada vez mais próximas e um novo distanciamento ainda mais iminente.

O mês se encerrou ainda nesse ritmo de correria e resoluções, com o ciclo interno e próximo a Voldemort entre os Comensais da Morte mais ativo, com os preparativos para a tomada de Hogwarts e o assassinato de Dumbledore. Quando se encontrava em Hogwarts ou em uma das suas residências, Snape ficava trancafiado no laboratório com Lupin, estudando todos os modos (im)possíveis e (in)imagináveis de bloquear a licantropia em um feto. Foi numa dessas madrugadas em claro, que Snape descobriu uma mera possibilidade de alteração na Poção do Acônito, que bloquearia os genes lupinos no bebê, o que o encheu de esperança. Fizeram os testes, no começo de junho, para ver como essa modificação reagiria no organismo de um lobisomem adulto. O que ocasionou uma pequena pausa nas pesquisas, para a observação de possíveis resultados efetivos e promissores. Mesmo com o cunhado escondido na Casa dos Gritos para passar aquele período longe das pessoas, mantendo-as fora de qualquer risco, Snape buscou continuar as investigações para que estas estivessem em dia e as conclusões pudessem ser alcançadas antes dela chegar ao quarto mês de gestação. Ao retornar, com o término daquela fase lunar, fizeram anotações do que havia ocorrido... a transformação o deixou próximo às características físicas de Greyback, com consciência, uma transformação incompleta no que diz respeito aos traços, ficando meio lobo e meio homem. Isso os alegrou e, imediatamente, dosagens muito especificas foram enviadas para que Dora bebesse a cada 15 dias e, quando chegasse ao sexto mês, passaria a ser semanal. Pelo fato de que, se em Lupin, aquela foi a resposta dada pelo organismo, já formado e estabilizado com a "doença", em uma criança que ainda estava em formação, a resolução poderia ser muito melhor e, quem sabe, a licantropia se tornasse completamente nula.

Pela primeira vez, desde que se conheceram aos 11 anos, eles trocaram um abraço, apertado e com lágrimas nos olhos, estavam salvando juntos um inocente de uma vida cruel e excruciante. Viam que aquele era mais um passo que davam para uma possível amizade. Hermione, por sua vez, usou todo aquele tempo para colocar as leituras atrasadas em dia e estabelecer uma relação de irmãs com Luna. Começou a passar longos períodos conversando com ela, sem a presença de Ginny. Queria ter uma proximidade maior... era bom saber que existia alguém no mundo compartilhando quase a mesma genética e possuía algumas características parecidas, mesmo que fossem diferentes fisicamente e no temperamento. Foi nesse ponto que pensou em Narcissa, no quanto ela e Bellatrix eram distintas nos trejeitos, no gênio e na aparência. No caso de Andrômeda, na única vez que a viu, percebeu o quanto ela e a irmã caçula eram parecidas na fisionomia, mas não comentaria isso com a prima, pois, esta era idêntica a mãe... o que Snape sempre afirmava ser uma verdadeira benção de Salazar.

Terminando junho, a castanha se encontrava um pouco nervosa. Não localizava o marido em nenhuma parte do castelo e, cada vez mais, ele se mostrava ocupado com as contínuas reuniões com Dumbledore ou Voldemort, que sempre requeriam a sua presença pelos mais diversos motivos. Sentia falta de conversar com ele, de passar as madrugadas em claro dialogando ou discutindo a respeito de livros, feitiços, bobagens, poções... queria abraça-lo, fazer amor e o ter novamente ao seu lado. Não aguentava mais a ansiedade e saiu das masmorras, onde passara a manhã sentada na esperança de encontra-lo por alguns minutos, para procurar Ginny e Luna. Precisava muito das duas naquele instante... necessitava delas para sanar as dúvidas que estavam fervilhando na sua cabeça.

Sabendo que aquele era o último dia da amiga ruiva em Hogwarts, naquele ano, porque o bebê já estava para nascer a qualquer hora, a localizou junto com Draco no pátio interno se despedindo de Luna... ela iria para A Toca, depois do almoço, naquele sábado, e estava aproveitando para abraçar os amigos que ainda teriam mais duas semanas de aulas pela frente. Entretanto, antes de conseguir chegar perto o suficiente deles, sentiu uma forte tontura e percebeu que alguém a segurou, evitando que caísse desmaiada no chão. Ao recuperar os sentidos, notou que estava deitada em um leito, totalmente isolado dos demais, e, começou a pensar se estava com alguma doença extremamente infecciosa para estar ali. O que teria acontecido? Observou que as suas roupas haviam sido retiradas e que usava um conjunto de algodão fornecido pela enfermaria. Madame Pomfrey a olhava um pouco desconfiada, fazendo algumas anotações. Ao concluir o preenchimento do formulário se dirigiu a castanha:

- Senhorita Granger, acredito que terei de comunicar o que aconteceu a professora Mcgonagall e ao professor Dumbledore.

- O que se passou comigo? Quem me trouxe? – perguntou um pouco tonta e desconfiada. Não lembrava de muita coisa e, muito menos, como chegara ali.

- A senhorita desmaiou e, ainda em estado de letargia, acabou vomitando na própria roupa e no professor Snape, que lhe trouxe para cá. Ele se encontra do lado de fora da enfermaria segurando os seus amigos, totalmente descontrolados, que estão prestes a invadir este espaço a qualquer momento – falou com uma voz impaciente.

- A senhora pode me dizer o que está acontecendo? Qual a minha doença? – demonstrava preocupação com aqueles questionamentos.

- A senhorita está grávida... pelos exames, está com dois meses de gestação

– respondeu e Hermione enrugou a testa. Não poderia ser possível, não deixara um dia sequer de tomar a Poção Contraceptiva.

- Eu... eu poderia falar com o professor? Gostaria de con... agradecer por ter me ajudado e pedir desculpas por sujá-lo – a olhava com um semblante meio confuso e recebeu como resposta que ele permaneceria lá até a chegada do diretor da escola e da diretora da sua casa, como forma de evitar que os amigos entrassem na enfermaria ao mesmo tempo, antes do assunto ser resolvido. Snape entrou e sentou ao lado dela, mexendo no seu cabelo com cuidado.

- Deixo você só por algumas horas e já é motivo suficiente para não se alimentar ou dormir direito, Hermis?! – tentou brincar, mesmo estando claramente nervoso. Em menos de doze horas o horror chegaria à Hogwarts e ele seria acusado pela morte de Dumbledore. Inesperadamente, Hermione começou a chorar. Aquilo o preocupou ainda mais, o que aconteceu de errado? Porque ela se atormentava tanto?

- Severus... eu não queria... me perdoa – o choro dela era de cortar o coração, passava tanto medo e desespero que ele não sabia o que fazer.

- Eu não tenho que te perdoar ou desculpar por nada, minha pequena. Shhhh... não chore. O que houve? Alguém te machucou? – a abraçou forte contra o peito para que a sua castanha se acalmasse.

- Eu... eu sinto muito... não era para ter acontecido agora... juro que me cuidei, tomei a Poção... – a cada palavra, se sentia mais perdida e a cabeça dele girava. Começava a entender onde queria chegar e percebia que ela estava com medo. Permaneceu em silêncio, segurando as próprias lágrimas, permitindo que falasse e contasse a ele.

- Eu estou grávida... a um mês não desce... mas, a Madame Pomfrey constatou que já entrei no segundo... eu... – voltou a chorar copiosamente, soluçando.

- Shhhh... você não tem culpa de nada - o coração dele estava disparado. A melhor notícia acabara de ser dada no mesmo dia em que teria a vida completamente arruinada e continuou dizendo, enquanto acariciava o rosto dela:

- Não deveria ficar tão assustada, minha rainha. Acabou de me tornar o homem mais feliz desse mundo. Há uma vida dentro de você... um pedacinho de nós dois, uma consequência de todo o amor que eu tenho por você. Porque se desculpar ou sentir muito, quando me proporciona o momento mais esperado da minha vida? - segurou o rosto dela com as duas mãos fazendo com que o olhasse. Instintivamente, Snape desceu uma das mãos e pôs sobre a barriga dela, fazendo carinho com a ponta dos dedos. Se o mundo desabasse em cima da sua cabeça, pelo menos, teria aquela lembrança para se agarrar com todas as forças.

- Eu amo você, Severus – disse juntando a sua mão a dele.

- Não tanto quanto eu amo você, bruxa - fechou os olhos e se permitiu aproveitar aquele raro instante de regozijo. O inferno poderia ser tortuoso e sangrento, que atravessaria sem pensar duas vezes, por conta do presente que acabara de receber.

Passaram um tempo assim, até ouvirem o barulho na porta da enfermaria e perceberam a entrada de Madame Pomfrey, acompanhada de Mcgonagall e Dumbledore. Ela explicou a situação aos dois e o diretor ergueu as sobrancelhas, olhando para Snape, antes de dizer:

- Ora, uma criança é sempre bem-vinda em um período de escuridão. Quem diria que a senhorita Granger seria a responsável por um momento de felicidade no meio de tantas tristezas? Já vamos ter o bebê da senhorita Weasley, apressado para nascer, agora mais um corajoso se apresenta para enfrentar esse mundo caótico que criamos.

- A senhorita deve avisar ao seu pai sobre a gravidez, pois, certamente, ele ficará muito feliz ao ser informado da chegada do primeiro neto – Mcgonagall falou seriamente, passando o olhar de um para o outro, e, Hermione, apenas assentiu.

- Dumbledore, a menina demonstra estar nervosa com a notícia. Seria mais... justo... se a deixássemos descansar acompanhada por quem a ama verdadeiramente e quer que ela esteja bem – Snape se dirigiu ao diretor com um olhar vazio.

- Como se eu não cuidasse bem dos meus pacientes ou fizesse diferenças entre eles – bufou a enfermeira.

- Não é isso o que Severus acabou de dizer, ele apenas mencionou que a menina ficará mais tranquila entre amigos e não em cima de uma cama hospitalar. Creio que ela possa receber alta – disse e obteve como resposta que Hermione poderia se retirar, se quisesse, mas teria que tomar uma série de Poções Fortificantes. Mais do que imediatamente, viu que essa observação seria atendida e a liberou. A castanha passou pelos amigos e contou rapidamente a notícia, ganhando muitos abraços. Snape sentiu quando Draco lhe deu alguns tapas nas costas, bastante discretos e, Harry, fez o mesmo. Isso o levou a dar um sorriso de lado para os meninos e fazer um gesto de cumprimento com a cabeça. Luna e Ginny olharam para o casal com um sorriso no rosto. Mas, a ruiva não se conteve na empolgação e abraçou novamente a amiga cochichando:

- Sabia que pegaria o morcegão de jeito! – piscou para a amiga e continuou com um semblante de verdadeira felicidade.

- Mi, o Scorpius vai ter mais um amigo ou amiga para brincar, logo! – Luna comentou com os olhos azuis mais brilhantes do que nunca e prosseguiu:

- É ótimo ver a família crescendo, já temos três bebês para nos encher de felicidade. A Dora vai adorar receber essa notícia.

Após alguns minutos esperando que Hermione conversasse com os amigos e se despedisse de Ginny, Snape a levou para o quarto, onde poderia cuidar dela durante o restante do dia. Queria mima-la ao máximo, mostrar o quanto estava feliz com a notícia, mesmo sabendo que aqueles momentos de júbilo durariam pouco.

Aquele dia anunciaria uma noite sem fim na vida de muitos dos que estavam ali... Ao entrarem no quarto, a ergueu no colo, para que ficasse com o rosto na mesma altura que o dele, e, a beijou carinhosamente.

- Sabe, Hermis... tenho certeza de que esse bebê é a criança mais inteligente, corajosa e linda que o mundo já conheceu. Porque será igual a você, minha leoazinha – disse a olhando nos olhos.

- Sevie, você é muito bobo! Nosso bonequinho vivo, mal se formou ainda! Como ele pode ser inteligente e bonito, quando ainda é só uma pequena célula em formação? – retribuiu divertida, rindo da expressão dele de contrariedade, principalmente, quando ele revirou os olhos e bufou.

- Ora, sua desnaturada... minha criança, mesmo que ainda tenha o tamanho de um feijãozinho, já é espetacular. Aposto que é mais sábia do que a maioria dos alunos do sétimo ano! Além do mais, estou convicto de que já esteja tendo ideias de como se comunicar com nós dois, porque mentes brilhantes se reconhecem... tanto que já sei que será um belo sonserino – afirmou orgulhoso e sem a menor modéstia.

- Belo sonserino? Quem disse que será menino? – Hermione deu um tapa no braço dele e Snape fingiu que tinha doído terrivelmente.

- Não tenho preconceitos se for menina, mas, de qualquer jeito... irá para a Sonserina! Me encherá de glória e vaidade mostrar a todos que a pessoa mais fantástica do mundo, está na casa das serpentes – sorriu insolente para a castanha.

- Qual o problema se for menina? E... eu tenho certeza de que virá uma jovem leoa grifana! – piscou, enquanto ele se ajeitava com ela no sofá para continuarem a conversa.

- Já disse que não possuo nenhum problema em relação às meninas. Entretanto, ela ficaria completamente frustrada por viver em um mundo de completos imbecis. Já pensou se cair de amores por um idiota fracassado que não saiba fazer um feitiço decente e dependa dela até para atravessar a rua? Ou um medíocre que passe anos jogando a autoestima dela no lixo para que ela se equipare à insignificância dele? Por isso, prefiro que seja um menino... – deu de ombros e seguiu:

- Já a questão da Grifinória... duvido, pois, você mesma passou uma temporada na Sonserina.

- Estranha a sua atitude... um passarinho me contou que você ficou muito emocionado quando a sua irmã entrou na Lufa Lufa – a castanha respondeu triunfante.

- Passarinho bem fofoqueiro! E é bem diferente uma coisa da outra, a Ninfadora sempre teve o coração puro, sem maldades e é sonhadora... tudo o que eu jamais consegui ser – falou pensativo acariciando o cabelo dela, se mantendo completamente perdido nas suas reflexões e devaneios. Por algum motivo, aquilo o deixara com a cabeça longe e o seu corpo se endureceu como se estivesse se sentindo em perigo.

- Severus... – o chamou fazendo com que ele voltasse a atenção novamente ao que seria dito. Quando Snape a olhou seus olhos estavam com uma escuridão, que ela pensava jamais voltar a ver novamente.

- Diga, Hermione – falou sério.

- Eu fico feliz de ver que você está, realmente, gostando de saber que vai ser pai. Só não entendo o motivo de ter ficado soturno e mórbido novamente – franziu o cenho o observando.

- De fato, estou muito feliz. O que me preocupa é que as coisas ficarão sombrias e... às vezes, penso que esquece que a minha natureza é taciturna... mesmo quando eu sei que coisas boas podem vir a acontecer na minha vida – respondeu objetivamente.

- Sim... e você estará comigo. Sirius já disse que pode se esconder com ele, quem estiver atrás de você nunca vai imaginar que esteja lá – ela sorriu esperançosa.

- Hermione... seu pai e eu nos odiamos desde criança. Isso jamais vai mudar! Por mais que ele tenha dito que as portas estão abertas, nós acabaríamos nos matando dentro daquela casa pela menor causa. Além disso, o Lorde das Trevas, quer que eu seja o diretor de Hogwarts, então, terei que ficar aqui. Você é quem deve se esconder. Já mandei o meu Patrono para a Dora juntar todas as nossas coisas. Não sei onde será seguro para vocês... creio que o Remus acabe indo para a casa do Sirius, por questão de salvaguarda e, você, deve fazer o mesmo – afirmou a abraçando, Snape demonstrava o quanto estava preocupado com tudo o que viria pela frente.

- E você? – a castanha se mostrava inquieta, o que o fez a apertar ainda mais entre os braços.

- Vou ficar bem, já sobrevivi a outra guerra, mesmo sendo atirado em Azkaban. Agora, eu tenho motivos o suficiente para querer me manter vivo... – respirava o aroma dela, como se aquele cheiro fosse o melhor calmante do mundo. Seu corpo se enchia de paz e tranquilidade por estar ao lado dela. Assim como, a sua alma se apaziguava.

- E a sua casa na rua da Fiação? Lá não é seguro? – o interrogou.

- Era... até que um dos Comensais me seguiu e entrou na casa. Neste momento, o Remus já deve estar colocando fogo nela. A de Hogsmeade não pode ser usada, tanto que os elfos acompanharão a Dora para onde ela for – assegurou para Hermione.

- Eu tenho uma dúvida... – antes que continuasse, ele riu e replicou ironicamente:

- Seria uma catástrofe se não tivesse.

- Chato! Ia dizer que eu não conheci os elfos de vocês nas vezes em que frequentei a casa. Só queria saber como se chamam... – falou contrariada.

- São um casal de elfos. Ele se chama Japeto e, ela, Selene. Sim, são nomes mitológicos e, antes que me pergunte, são tratados com dignidade e conforto. Jamais dispensaria a eles o mesmo tratamento que o seu pai dá ao Monstro. Não tenho o hábito de maltratar seres mágicos que fizeram tantas coisas de tão boa vontade e, algumas vezes, evitaram que eu estrebuchasse até a morte – disse sério e prosseguiu, respirando fundo:

- Hermione, entenda... hoje começa uma época terrível para todos nós. Eu confio cegamente que o Sirius defenderá e protegerá você com a própria vida. Então, quando escurecer, pegue a sua irmã e saia daqui imediatamente. Está compreendendo? A Bella quer vocês duas, principalmente, você.

- E os outros? – questionou preocupada.

- Combinei algumas coisas com o Draco... ele vai esperar Harry descer fazendo um escândalo, correndo atrás de mim e esbravejando a todos que eu matei Dumbledore. Por mais difícil que seja, esqueça os seus dois amigos, eles saberão se defender muito bem e terão ajuda suficiente na fuga – argumentou sombriamente.

- Eu não quero deixar você, Severo... se eles descobrirem o plano? – se manteve agoniada e inquieta com as possibilidades do que poderia acontecer a ele de ruim.

- A Ordem estará aqui para encenar todo o teatro, haverá luta. Serei chamado de traidor e o Lorde ficará satisfeito, vai dar tudo certo... – garantiu.

Na mansão Malfoy, o clima durante o dia foi de preparação para o ataque que ocorreria durante a noite. Já estavam a postos os irmãos Carrow, Amico e Aleto, Bellatrix, Greyback e Malfoy, juntamente àqueles que fariam a guarda para que a missão de matar Dumbledore fosse bem-sucedida. Bella estava empolgadíssima com a possibilidade de ver o diretor morto, enquanto o seu cunhado estava com um semblante extremamente tenso... aquela era a sua última chance de obter algum sucesso e voltar ao posto de homem de confiança de Voldemort. Sabia que se Snape realizasse a tarefa, ou tivesse êxito na escolha de Luna para fazê-lo, definitivamente estaria se firmando como o melhor entre todos eles e, aquilo, não poderia ser uma opção. Ao ver a morena comemorando efusivamente por coisas que ainda não tinham acontecido, pensou no quanto a sua vida estava péssima, tudo decaíra no seu entorno. Seu filho havia fugido de casa, traído o seu destino como Comensal da Morte, fora um dos responsáveis pela sua queda e desonra; sua esposa estava cada vez mais rebelde e passara a traí-lo com outro homem, que o loiro não fazia ideia de quem se tratasse; e, para piorar, o Lorde das Trevas, a cada dia se mostrava ainda mais insatisfeito com o seu desempenho nas funções que lhe eram atribuídas. Ele pensava que a menina loira falharia, pois, aqueles alunos sempre teriam Dumbledore no mais alto conceito. Ainda eram crianças bobas e cheias de culpa para cometer um assassinato a sangue frio... aquilo era tudo o que precisava para recuperar o que lhe tiraram e regressar aos tempos gloriosos de um dos principais generais d'Aquele que não deve ser nomeado, na guerra que se iniciaria. Malfoy já estava com o seu plano todo traçado para que Snape fracassasse e, finalmente, fosse castigado por Voldemort... Dando tudo certo, auxiliaria Bella no sequestro das meninas, que ela estava procurando. Também pretendia passar com a morena umas boas horas de prazer e, todo o cenário, o favoreceria a ter o que e como desejasse.

Em Hogwarts, Harry foi chamado com urgência para o escritório do diretor e, durante o percurso, encontrou a professora Trelawney aos gritos no corredor próximo à Sala Precisa. Ao se aproximar, ela lhe contou que tentou entrar, mas que haviam vozes lá dentro celebrando algo e que alguém ocupava a sala, o que fez com que fosse expulsa de lá. Ao ouvir isso, ele decidiu que o fato deveria ser relatado a Dumbledore imediatamente, porque, no fundo, sabia que poderia se tratar de invasão que há meses falavam. Estava zonzo, perdido em seus pensamentos, dos quais foi tirado com a professora contando como foi a sua entrevista de emprego e que ela e o diretor foram interrompidos por Snape. Nunca ninguém havia dito quem relatara a profecia para Voldemort e ao saber que o mestre em Poções tinha sido, direta ou indiretamente, responsável pela morte de seus pais o deixou possesso de raiva. Tudo desmoronava na sua frente, sentia raiva... aquele homem roubara tudo dele, quando ainda não podia se defender. Só lembrava das palavras de Sirius dizendo que jamais deixaria de ser um Comensal da Morte, que não confiava na lealdade dele a Dumbledore... como a sua amiga poderia ter se apaixonado, casado e engravidado de um monstro? Como o velho mago poderia ter obrigado Sirius a entregar a única filha a um assassino, traidor? Foi com nesse estado de espírito que abandonou a professora no corredor e correu em direção à sala do diretor. Queria, precisava, confrontar Dumbledore, saber toda a verdade por pior que fosse. Após ouvir as palavras do bruxo mais velho sobre a possível localização de uma das horcrux e a busca que fariam para destruí-la, ele o confrontou com a história de Snape, sua vontade era de quebrar todas as coisas daquela sala para tirar de si todo o ódio que o dominava. O diretor ouviu tudo atentamente, deixando que ele despejasse toda a sua frustração e, por fim, repetiu para Harry que o bruxo realmente fora um Comensal naquela época, reiterando que quem decidiu o alvo foi o próprio Voldemort e não o homem de cabelos negros. Dumbledore concluiu dizendo que confiava na honradez e que isso bastava para não colocar em dúvida a palavra do outro. Prosseguiu buscando que o menino compreendesse as responsabilidades de cada um no que ocorrera e que, de fato, Snape havia se arrependido no exato instante em que soube da provável morte da amiga. Ao perceber que aquele era um assunto mais do que encerrado, fez com que Harry prometesse que cumprir todas as suas ordens na missão. Com isso, o diretor enfatizou a importância das decisões e adesão de todos e que pequenas brigas, acabariam por desestruturar a Ordem da Fênix. Em resumo, naquela noite tudo se definiria... No caminho, o bruxo mais jovem deu a Ronny o Mapa do Maroto e solicitou que ficasse de olho na escola, onde poderia ver a localização de todos dentro das instalações de Hogwarts. Além de distribuir o restante da poção Felix Felicis, dando um pouquinho aos membros da Ordem e da Armada que lá estivessem, caso as suspeitas da chegada dos Comensais se concretizasse.

Depois de saírem se Hogwarts, Harry e Dumbledore, chegaram a um local rochoso perto do mar, onde as ondas quebravam contra as pedras violentamente e, um passo em falso, decretaria a morte de quem quer que fosse. Aquele era o lugar que vira nas memórias de Tom Riddle como onde ele aterrorizara duas crianças quando pequeno. Com esse pensamento, acompanhou o diretor na entrada da fenda que levava à Horcrux. Estando lá dentro, travessaram um lago cheio de Infieri, em um pequeno barco, até chegar a uma espécie de ilha em que se localizava uma bacia cheia de um líquido transparente. Percebendo que aquilo, possivelmente era uma poção ou certamente um veneno, Dumbledore ressalta que deve bebê-lo até o final. Mas, após sorver algumas doses, começou a delirar e a passar mal, obrigando Harry a seguir a promessa que fizera e insistir que continuasse ingerindo aquilo até o fim... o velho mago acabou desmaiando e, ao recobrar um pouco os sentidos, pediu que lhe fosse dada água. Essa solicitação forçou Harry a ir em direção ao lago e ser atacado pelos mortos vivos. Mesmo enfraquecido, o mago conjurou o Fogo Maldito e, assim, conseguiram escapar da caverna e, pouco depois, aparatarem em Hogsmeade. Se mostrando enfraquecido, mandou que Harry procurasse Snape e, enfatizou, que aquele era o instante tão esperado. A partir disso, tudo aconteceu muito rápido e as coisas passaram a não fazer mais o menor sentido... Madame Rosmerta mostrou a eles que a Marca fora lançada acima da Torre de Astronomia, eles pegaram as vassouras emprestadas do Três Vassouras e partiram em direção à escola, onde chegando à base da torre, tudo estava deserto. Novamente Dumbledore o manda em busca de Snape. Entretanto, o pedido não é executado, porque ambos ouviram um barulho e Harry se escondeu e acabou paralisado por alguém desconhecido. Inesperadamente, Draco vai de encontro a Dumbledore e o desarma, avisando que os Comensais da Morte estão na escola, já lutando contra alguns alunos e os membros da Ordem da Fênix no corredor.

- O que te traz aqui, nessa linda noite de primavera, senhor Malfoy? Ou posso te chamar de Draco, depois de termos convivido com alguma proximidade nas reuniões da Ordem? Sabe que era a sua irmã quem deveria estar aqui com o Severus, não é? – perguntou o diretor com curiosidade.

- Eu não ia abandonar o meu padrinho nessa hora, tinha que o ajudar de alguma forma... o senhor sabe, é um peso muito grande para que ele carregue e não permitiria que a Luna se envolvesse com algo tão sórdido. O senhor pode me chamar de Draco, não estou lhe traindo de nenhum modo... apenas não consigo deixar que ele passe por esse inferno – respondeu o jovem de cabelos loiros, que olhava rapidamente para todos os lados.

- Quem mais está aqui? Eu ouvi o senhor falando... - inquiriu, ignorando todo o restante que estava implícito na pergunta do diretor.

- Ora, eu costumo falar comigo mesmo. Hábitos de um velho homem... com o tempo entenderá! Mas, aconselho que faça o mesmo, é extremamente útil. Você alguma vez conversou consigo mesmo, Draco? - questionou com um semblante sereno observando o crescente nervosismo que transparecia no menino. Vendo que não obteria resposta, seguiu:

- Interessante ver o quanto Severus lhe ensinou sobre honra e amparo. Vejo muito dele em você... a mesma atitude em querer defender, com a própria vida, uma irmã que mal conhece e a quem já devota tanto zelo. Mas, duvido muito que seja você a me matar. Embora tenha a fibra da sua mãe e aprendido muito com o seu padrinho, ainda lhe falta a coragem suficiente para assassinar alguém sem se despedaçar completamente. Infelizmente, ou alegremente, você não é um assassino – o desafiou calmamente, sabendo que Draco não teria conseguiria fazer isso e livrar Snape daquele fardo.

- Como sabe o que eu sou? Fiz coisas muito chocantes - falou tentando manter a coerência nas suas palavras e buscando coragem para aquilo. Era como se dissesse para si que era capaz.

- Sei que os ataques inoperantes feitos contra mim, foram obras da senhorita Parkinson. Então, não vejo o que tenha feito de tão extraordinário e chocante... porque, convenhamos, aquelas tentativas só demonstravam que a pessoa não queria verdadeiramente me matar - pontuou.

- Deixe-me facilitar para você, Draco - fez menção de que usaria a varinha, contudo, Draco foi mais rápido.

- Expelliarmus - bradou desarmando-o.

- Ótimo! - elogiou o diretor, de repente, ouviram um barulho e Dumbledore teve certeza de que o menino não estava sozinho.

- Você não está aqui em uma missão solitária, estou enganado? Existem outros... como? - perguntou, apresentando muita curiosidade em obter a resposta.

Nesse tempo, como, de fato, não se via capaz de executar alguém, relatou como ele e Luna abriram o Armário Sumidouro na Sala Precisa e que, antes dos Comensais da Morte começarem a surgir, ele a mandou fugir dali e ir embora com Hermione. Explicou também que o outro par se encontrava na Travessa do Tranco, na Borgin e Burkes, local por onde eles vieram. Ao ouvir o relato, o velho bruxo soltou um suspiro quase de lamento, fechando os olhos por um instante. Se sentia, realmente, exausto por conta da maldição que o acometeu, junto à poção que tivera de tomar para pegar a horcrux... aquela conjunção de fatores, o debilitava ainda mais, Conversaram mais um pouco, e o jovem loiro respondeu que aberta a passagem, ele se retirou da Sala Precisa e deixou que fossem sem qualquer aviso até lá, o esclarecimento durou até a chegada dos Comensais da Morte e Greyback.

- Draco, embora eu veja a sinceridade desesperada do seu gesto, você sabe que não é e nunca foi preparado para isto. Há alguns anos, conheci um menino que fez todas as escolhas erradas. Creio que ele, assim como eu, não gostaria que também seguisse esse caminho. Por favor, me deixe ajudá-lo - disse com um semblante sereno.

- Eu não quero o seu auxílio! O senhor não entende, tenho que fazer isso... não aguento mais ver a minha mãe sofrendo naquele lugar sombrio, não quero que o meu padrinho seja mais uma vez julgado... - confessava com uma voz dolorosa de choro.

Malfoy, entrou logo após Bellatrix, mas não esperava que encontraria o filho na Torre de Astronomia no último momento, tampouco, imaginava quais os motivos o levaram a tomar aquela atitude.

- Dracolino, quanto tempo, meu amado e belo sobrinho! O que faz aqui? Se veio para nos ajudar, lembrou que tem família... mate-o ou se afaste, para um de nós… - pressiona Bella.

- Boa noite, Bellatrix... quanto tempo. Creio que seria educado de sua parte fazer as devidas apresentações de quem trouxe como convidados para a nossa festa - disse o diretor tentando tirar o foco da atenção de cima do bruxo jovem de cabelos loiros.

- Adoraria... mas, acredito que lembre o quanto eu não fui tão bem educada e com esse horário apertado, fica difícil tentar manter a etiqueta - riu debochadamente, se posicionando atrás de Draco e repetindo aos sussurros:

- Faça! - mas, percebendo que ele hesitava, gritou:

- Mate-o, agora! Draco, você é tão covarde quanto o Severus!

Naquele exato momento a porta se escancarou, mais uma vez... por ela surgiu Snape, com a varinha já empunhada e seus olhos de ônix observando friamente toda a cena, de Dumbledore apoiado na parede aos quatro Comensais da Morte, o lobisomem enfurecido e o seu afilhado.

- Não... ele não o fará! Assim como eu não sou covarde, cadela! - ressoou a voz na torre.

- Temos um problema, Snape, o menino não parece capaz… não sabemos nem porque ele apareceu, esse canalha - disse o corpulento Amico, acompanhado da irmã Aleto, cujos olhos e varinha estavam igualmente fixos no diretor.

- O canalha é mais inteligente do que os quadrúpedes que estão diante dos meus olhos - respondeu com agressividade, que se acentuou ao escutar uma outra voz o chamando pelo nome, baixinho:

- Severus… - o som assustou Harry, embora tivesse se preparado para aquilo, mais que qualquer coisa naquela noite, a cena era apavorante. Pela primeira vez, o velho mago estava suplicando. Snape não respondeu, adiantou-se e tirou o afilhado do caminho com um empurrão.

- Já fez o suficiente, Draco. O enganou muito bem, agora saia... enquanto, vocês ainda não entenderam o que ele faz aqui? O menino planejou sozinho a farsa de se passar por alguém fiel a Dumbledore, há pouco tempo me contou a estratégia e disse que não quis se manifestar antes, porque o que mais temos aqui é gente invejosa e faladeira. Começando pelo idiota do Lucius que colocaria tudo a perder se fosse avisado – se dirigiu aos quatro Comensais da Morte que recuaram calados. Até o lobisomem pareceu se encolher... com isso, fitou o diretor por um tempo, e havia repugnância e ódio gravados nas linhas duras do seu rosto. Sentia raiva... sua vida estava desmoronando no mesmo dia em que Hermione descobriu que esperava um filho.

- Seboso, Ranhoso, sem cérebro ou músculos, sujo, maltrapilho, morto de fome e esfarrapado... quase morto pelo lobisomem e obrigado a esquecer para não prejudicar o Quarteto Fantástico da Grifinória, aquele que teve a confiança traída por aquela que se dizia amiga... típico sonserino, que se esconde no buraco quando encontra a oportunidade... covarde, indigno de confiança, sem qualquer valor, acorrentado a uma promessa... assassino, degenerado, estuprador, monstro, torturador, dissimulado... – repetia baixinho para si mesmo sentindo a ira pulsar por cada milímetro do seu sangue. Os olhos mostravam um ódio homicida, uma bomba de ressentimento, que estava prestes a explodir naquele momento. Dumbledore o ignorou, quando ele era apenas uma criança abandonada pedindo por ajuda, foi um dos responsáveis por aquele destino miserável que teve, o enganou e, agora, queria o esmagar completamente. Não admitia que ele fosse feliz, nem que fosse amado, não era diferente de Voldemort... era apenas mais um que o usara para o seu próprio benefício e o atirava novamente para uma vida desgraçada e cheia de sofrimentos.

- Severus… por favor… - Snape ergueu a varinha e apontou diretamente para o peito do velho mago, lembrando do dia em que Hermione contou a ele, perto do Lago Negro, que a havia salvo como um herói e que já o amava. Seu coração doeu por ter que deixá-la, viver na incerteza de que jamais conheceria o próprio filho e não poderia dizer o quanto sonhou com o dia em que o veria pela primeira vez. Queria fugir dali, para o lugar mais distante possível com a sua castanha e o seu bebê, mas não podia, esse direito acabara de ser roubado. Olhou rapidamente para Draco e se viu com a mesma idade dele, apavorado, lutando para fazer o que era certo... prestes a jogar a vida pela janela e se tornar marcado para sempre. Aquele menino não merecia ter o mesmo destino infeliz e foi assim que voltou os olhos para Dumbledore, tomado por um misto de dor e ira que o guiaria de volta ao seu caminho tortuoso.

- Avada Kedavra! - um jorro de luz verde disparou da ponta de sua varinha e atingiu o mago. O grito de horror de Harry jamais saiu, estava apavorado com aquela cena, nunca imaginara que seria tão forte presenciar aquele ato. Sabia o quanto custaria para a sua melhor amiga ver o marido ser tratado como um assassino frio e impiedoso... viu o quanto o outro menino estava perturbado com o que acabara de acontecer e Snape o arrastando pelo braço para sair de lá. Harry estava atordoado, se encontrava confuso entre odiar a figura do homem que falara a profecia e ter compaixão do que amava Hermione mais do que a si próprio. Como alguém capaz de venerar tanto uma pessoa, poderia ser um traidor frio? Os segundos se arrastaram, tão silenciosos, como se todos os átomos tivessem paralisados observando os acontecimentos. Tudo parecia testemunhar Dumbledore explodindo no ar sob um aspecto de caveira brilhante para, em seguida, pairar caindo lentamente de costas no grande vazio da escuridão.

Pelo corredor de acesso à Torre de Astronomia e nas proximidades da Sala Precisa, a batalha se desenrolava sem que nenhum dos membros da Ordem fosse gravemente ferido. Entretanto, Bill foi arranhado por Greyback e, Lupin acabou ajudando o ruivo, o levando para a enfermaria. Todos prosseguiram seguindo o plano ao verem os Comensais da Morte fugindo de Hogwarts... Harry conseguiu se mexer, com o fim do feitiço, e atingiu um deles, antes que escapasse de lá. Os demais, entraram no corredor e a luta com os membros da Ordem continuou ainda mais tensa. O-menino-que-sobreviveu perseguiu Snape até encontrar Hagrid brigando com os Comensais que estavam mais à frente. Parou para auxilia-lo, pois temia que o seu amigo meio gigante fosse assassinado por aqueles sádicos. Após um tempo e percebendo que o perigo maior se afastara, voltou a correr atrás do bruxo de cabelos negros, que ainda arrastava o afilhado como se fosse um boneco gigante, lançando feitiços a esmo e errando o alvo.

- Corra, Draco - gritava o empurrando para que fosse mais à frente. Snape bloqueou cada um deles com precisão e facilidade, se virando em direção a Harry erguendo a varinha.

- O que quer, Potter? Já fez o seu teatro, não me encha o saco! - disse dando às costas e o menino lançou contra ele um feitiço. Ao impedi-lo, derrubando antes que ele pudesse completar qualquer maldição.

- Cruc... - berrou Harry, mirando no vulto iluminado pelas chamas, mas o bruxo de cabelos negros tornou a obstruir a sua investida, começando a rir desdenhoso.

- Potter, as suas Maldições Imperdoáveis, não me atingem! Não sei porque caralho está fazendo isso... quer lutar logo comigo? - gritou ele, sobrepondo-se ao ruído das chamas e continuou:

- Você é tão bosta quanto o seu pai, menino burro! Não tem coragem e nem habilidade, é fraco e tolo... qual o seu problema? - esbravejou.

- Traidor... você traiu a minha mãe, contou tudo a Voldemort! Incarc... - urrou, mas Snape desviou o feitiço com um gesto quase indolente.

- Não traí ela... quem o fez foi chamado de amigo! Lillian não era mais nada minha quando aconteceu, mas ainda tentei evitar... Dumbledore era mais poderoso e não fez nada, admita! - esbravejou se virando para ir embora.

- Revide! Revide, seu covarde... - gritou o menino.

- Você me chamou do quê, seu merdinha? Seu santo pai, aquele porco, nunca me atacava sozinho... sempre tomava coragem quando eram três ou quatro contra um. Que nome você daria a ele, idiota? - bufava, sentindo um ódio crescente dentro de si.

- Stupe... - fez mais uma tentativa.

- Bloqueado outra vez e mais outra... até aprender a manter a boca e a mente fechadas, Potter - debochou, desviando mais um feitiço. Se virou para os Comensais e começou a ordenar:

- Agora venham! Está na hora de ir, antes que o Ministério apareça.

- Impedi... - Harry buscou uma última alternativa. Não conseguia admitir que aquele homem era amado, quando era responsável por ter lhe tirado tudo. Antes que pudesse concluir, sentiu uma dor excruciante cortando o seu corpo. Caiu no gramado se debatendo, ouvia alguém gritar e sabia que, certamente, morreria de tormento. Todos estavam errados, Hermione só podia estar cega... Snape o mataria ali mesmo, após torturá-lo... Sirius havia avisado que ele era só um Comensal da Morte imundo, pensava furiosamente, enquanto sentia o seu corpo se partindo em várias partes. Bellatrix ria compulsivamente, ao mesmo tempo em que mantinha a sua varinha apontada para o menino.

- Não! Você esqueceu as suas ordens?! Potter pertence ao Lorde das Trevas... agora vá! - urrou o bruxo de olhos de ônix, a empurrando para longe. Harry ficou enroscado no gramado escuro, apertando a varinha contra o peito, completamente ofegante e tonto. Viu um vulto indo em direção aos portões da escola, outro encaminhava-se para se aproximar. Em um impulso, bradou com raiva. Nada mais importava, não queria pensar se morreria ou viveria... se colocou de pé, com um esforço descomunal e cambaleou às cegas em direção a Snape, que sacudia a cabeça em negação vendo mais um ataque insano por parte do garoto.

- Sectum... - gritou. Com um aceno de varinha, o feitiço foi repelido e o bruxo mais velho não ria mais desdenhoso e, tampouco, debochava. Estava enfurecido e o seu olhar era assassino...

- Não, Potter - vociferou Snape. Houve um momento de completo silêncio entre aquelas palavras e o estampido que jogou Harry para trás, fazendo-o perder a varinha. O bruxo olhou para o menino jogado no chão com um olhar de repulsa, quando começou a falar com a voz mais calma e perigosa possível:

- Você se atreve a usar os meus feitiços contra mim, Potter? Fui eu quem os inventei! Sim, sou o Príncipe Mestiço... e você ousa virar as minhas invenções contra mim, como o imbecil do seu pai, não é? Eu acho que não... não! Não pense, idiota, que eu não tenho coragem de matar você aqui mesmo, pelo fato de que é amigo da Hermione!

- Me mate, então! Covarde... - ofegou, enquanto lutava para recuperar a varinha. Snape lançou contra ela um feitiço que a jogou para longe e desapareceu de vista.

- Não... não me chame de covarde! - gritou e seu rosto ficou inesperadamente alucinado, desumano, como se sentisse uma dor que lhe rasgava aos pedaços. Golpeando o ar, fez com que Harry sentisse uma espécie de chicotada em brasa o atingindo no rosto e voltou a ser atirado no chão. Manchas luminosas explodiram diante de seus olhos quase o cegando e, por um instante, todo o ar parecia ter desaparecido do seu entorno, como se tudo estivesse conspirando para assassiná-lo ali. Então, viu Snape lhe dando as costas e ouviu a voz dele, alta o suficiente para que se mantivesse audível:

- Fale a Hermione que eu a amo mais do que a minha própria vida... e eu compreendo a sua raiva, Potter! Embora queira quebrar todo os seus ossos com as minhas próprias mãos, espero que acredite no que vou dizer... jamais teria contado ao Lorde das Trevas a profecia, se soubesse que isso mataria Lillian. Posso ser um monstro, mas nunca trairia alguém que eu amei na minha infância e que foi a minha única amiga durante anos. Mesmo que, eu saiba que é, inegavelmente, filho de sua mãe... se um dia conseguir, me perdoe pelas coisas que fiz e insinuei contra você.

Harry se ergueu atordoado, em verdadeiro estado de choque, com aquilo que acabara de ver e ouvir. Não sabia que Snape tinha sido apaixonado por sua mãe quando jovem, ele tivera coragem de matar Dumbledore e não demonstrar remorso... o que quisera enfatizar quando falou que ele era "inegavelmente, filho de sua mãe"? Aquilo tudo era loucura... Com esses pensamentos auxiliou Hagrid e seguiu acompanhado por ele para a escola. Assim, prosseguiu com o plano alardeando para todos que o mestre em Poções havia assassinado cruelmente o diretor. Os alunos rodeavam o corpo do velho bruxo... a Horcrux era falsa, não sendo o medalhão original de Salazar Slytherin... no entanto, com ele estava um bilhete que dizia:

- Ao Lorde das Trevas, eu sei que eu estarei morto muito antes de você ler isso, mas eu queria que você soubesse que fui eu que descobri o seu segredo. Eu roubei o horcrux de verdade e vou destruí-lo assim que eu puder. Eu encaro a morte na esperança de que quando você encontrar um adversário à altura, você será mortal novamente. R.A.B.

Terminada a leitura e sem compreender de quem era aquela assinatura, rumou para a enfermaria, onde os Weasley, Lupin, Nymphadora, Fleur e Shacklebolt se encontravam, junto a Neville, Cho, Angelina e Dino Thomas, que participaram da batalha. Todos estavam vivos, mesmo que apresentassem alguns ferimentos. Quem se encontrava em um estado mais grave, era Bill, que por ter sido atacado por um lobisomem, poderia reter alguns dos sintomas lupinos, os quais ninguém sabia ao certo quais seriam. Harry avisou que Dumbledore estava morto e todos, mesmo sabendo que aconteceria naquela noite, ficaram extremamente abalados. Ele sentiu a falta do padrinho ali, queria ter a presença de Sirius naquele momento para conseguir um abraço fraternal que lhe desse algum conforto... entretanto, ele não estava lá e não dera qualquer aviso dos motivos que o fizeram não comparecer no confronto. Harry, então, relatou como ocorreram os fatos, e, Fawkes começou a cantar uma música extremamente triste, deixando-os ainda mais arrasados.

Após algumas horas, Mcgonagall assumiu como a nova diretora de Hogwarts e, com a chegada do Ministério da Magia, ela com os demais professores decidira manter a escola aberta no ano seguinte. Nos dias seguintes, com a continuidade dos alunos no castelo, e, o retorno de Hermione, Ginny e Luna, para o velório de Dumbledore, o menino que sobreviveu refletiu a respeito das demais Horcruxes que deveria encontrar: o verdadeiro medalhão de Slytherin, a taça de Hufflepuff, a cobra Nagini e alguma relíquia de Gryffindor ou Ravenclaw. Finalmente era chegado o dia do enterro. Harry, Gina, Hermione e Ronny estavam arrasados, assim como todos os ali presentes e aqueles que não poderiam comparecer por motivos óbvios. Ele contou à ruiva que Draco estava na Torre de Astronomia e ajudou Snape, indiretamente, a cumprir a tarefa. Ela respondeu ao amigo, que esperava que ele fizesse isso, e tinha absoluta certeza de que seu noivo jamais abandonaria o padrinho em uma situação como aquela.

Harry se afastou e disse aos amigos que, mesmo que Hogwarts seguisse funcionando, não retornaria para o último ano de estudos. Aproveitando o minuto que teve sozinho com Hermione, relatou a ela detalhadamente tudo o que o bruxo de olhos de ônix falou a ele naquela noite. A castanha abraçou o amigo e chorou... pela morte de Dumbledore e, principalmente, pela incerteza de que um dia voltaria a ver o marido novamente.