Capítulo Dezoito
Fly Or Fall
(Voar Ou Cair)
— Dessa vez foi melhor — disse Padfoot, e Harry abaixou a varinha, duvidoso.
— Foi mesmo — falou Tonks; Moony tinha ido descansar em casa depois do almoço, mas ela tinha ido com eles, dizendo que o Patrono era mais divertido do que passar a tarde vendo seu marido dormir. — Eu definitivamente vi um pouquinho de prata dessa vez.
— Não foi nada parecido com o seu — disse Harry; quando tinham começado a praticar, Padfoot tinha lhe mostrado seu Patrono. O cachorro prateado tinha saído de sua varinha sem esforço, e Harry, que não conseguira nada além de uma fraquíssima névoa prateada depois de várias horas, sentia-se incrivelmente desencorajado.
— Bem, Patronos têm formas diferentes — disse Tonks, prestativa. — Então o seu provavelmente não vai ser nem um pouco igual ao do Sirius.
— Duvido que a ideia seja que não se pareça com nada — lembrou Harry, afundando-se na cadeira mais próxima. Padfoot se sentou ao seu lado e fez seus ombros se baterem. Harry bateu de volta.
— Você vai conseguir. Talvez só não seja hoje.
Mas o Quadribol é amanhã, Harry quis dizer. Então preciso conseguir hoje.
— Eu demorei umas semanas até conseguir que o meu fosse corpóreo — contou Tonks. Ela provavelmente achou que isso era reconfortante, mas não era. — E só porque eu tinha um Dementador com que praticar... acho que fica mais real.
— Tem alguns por perto... — falou Padfoot, olhando para as figuras que flutuavam pelo terreno através da janela. — Mas deve ser melhor não os provocar antes da partida.
— Espera aí — disse Tonks, enrugando o rosto. Em um momento, seu cabelo tinha formado um véu longo e fino sobre seu rosto, cobrindo seu corpo; seus braços (o pouco que Harry conseguia ver) eram magros e terminavam em mãos esqueléticas.
— Consigo ver seus pés — falou Padfoot, crítico. Tonks se virou duramente.
— Cala a boca, Sirius — disse. Apesar de seu rosto não ser visível, Harry conseguia imaginar a expressão de Tonks. — Tente agora.
— Só não olhe para seus pés — aconselhou Padfoot, e Tonks bufou. Harry se levantou, erguendo a varinha, e se focou na sua lembrança feliz:
— Sob circunstâncias normais, eu nunca perguntaria isso; você tem, o quê? Oito anos? E eu estou tentando fugir dos Aurores e do resto do Ministério, mas se você quiser... outro lar...
— Outro lar? — perguntou Harry, sua voz uma oitava mais alta. — Tipo, longe dos Dursley?
— Não tem problema se você não quiser — apressou-se a dizer Padfoot.
— Eu quero! — Harry quase gritou.
— Mesmo? — perguntou Padfoot, alegre. Harry assentiu para enfatizar sua resposta. — Tem certeza? Eu não sei como a casa está e pode ser perigoso... Como eu disse, há pessoas atrás de mim...
— Eu quero — disse Harry quase sem acreditar no que estava ouvindo. Sempre sonhara que um parente desconhecido viria buscá-lo e, agora, Padfoot, o melhor amigo de seu pai, estava oferecendo exatamente isso.
Com um sorriso fraco, Harry olhou para Tonks... que realmente parecia um Dementador, exceto pelos pés e pelo fato de que Harry estava próximo e ainda consciente.
— Expecto Patronum — disse com firmeza. Como a última vez, uma névoa prateada saiu da sua varinha, mas sumiu antes de alcançar Tonks.
— Quase — falou Padfoot, levantando-se.
— Ainda bem que não chegou mais perto, agora que estou pensando nisso — disse Tonks. — Acho que doeria ser atingida por um Patrono à queima-roupa. — Padfoot riu. — Na verdade... sabe o que pode ajudar?
— O quê? — perguntou Harry e Padfoot em uníssono.
— Um bicho-papão! — falou ela. O cabelo negro que dava forma às suas "vestes" ficou rosa por um instante, e Harry perguntou-se se ela tinha percebido. — Você disse que o seu é um Dementador, certo, Harry?
— Brilhante — disse Padfoot antes que ela pudesse continuar. — Eu devia ter pensado nisso.
— Deve ter um na cabana do Remus, tenho certeza — falou Tonks. — Juro que tem um por lá toda vez que a gente visita.
— Vamos dar uma olhada... — Padfoot olhou para seu Auxiliar. — Ah. Agora, na verdade. A lua vai aparecer em uma hora.
O coração de Harry se afundou, mas tentou não demonstrar quando Padfoot e Tonks — mais uma vez com sua aparência normal — se despediram.
Depois de eles terem ido embora, Harry ficou parado, sozinho, na sala de aula; respirou fundou e experimentou outra lembrança feliz — dessa vez, era o almoço no Três Vassouras.
— Expecto Patronum.
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— Meu Lorde...
— Já disse que não, Dmitri! — sibilou Lorde Voldemort, a raiva correndo por ele.
— É nossa melhor escolha — respondeu ele, cruzando os braços. — Wormtail perdeu a capa e não sabe onde o anel ou a varinha estão, e o garoto está protegido demais para que ele consiga...
— Wormtail e eu já discutimos isso — falou Lorde Voldemort, irritado. Infelizmente, eram apenas ele e Polkov; o jovem Crouch estava infiltrado e era arriscado tentar entrar em contato, e Wormtail parecia ter decidido que não dar notícias era melhor do que dar más notícias. Os dedos de Lorde Voldemort (pequenos e tensos) se torceram. Como ele desejava sua varinha.
— Eu não lembro...
— Você não estava presente. — O rosto de Polkov se contorceu, mas voltou ao normal em um instante. — É bom que não superestime sua posição; você sabe o que precisa saber. — Polkov não gostava nenhum pouco disso e, apesar de desprezar o homem, desprezar o fato de que precisava dele, precisava dele. — De todo modo, não estamos prontos. — Essas palavras eram um tipo de trégua, com a qual Lorde Voldemort esperava acariciar o orgulho irascível de seu servo.
— Perdoe-me, meu Lorde — falou Polkov, a voz suave e a expressão arrogante —, mas estamos.
Lorde Voldemort caiu num silêncio surpreso, mas escondeu bem. Era difícil conseguir os ingredientes necessários para a poção. Lorde Voldemort tinha dado a Polkov a tarefa de consegui-los, porque precisava deles e, também, para manter o outro homem ocupado enquanto descansava. Estivera mais forte nos últimos meses com os cuidados de seus servos, mas passava a maior parte do tempo descansando, sonhando. Não seria bom se Polkov ficasse enfadado durante esses momentos, e decidiu que ele gastaria melhor seu tempo se tentasse ajudar Wormtail e Crouch diretamente.
— Já? — perguntou num tom pensativo.
— Tenho meus recursos, meu Lorde. — O que significava que Polkov não era um homem procurado e não era limitado por seu melhor disfarce ser um rato. Polkov curvou-se em frente à cadeira em que Lorde Voldemort descansava, mas sua voz era arrogante. — E é por isso que peço que ouça. Se fizermos como proponho, então Crouch pode voltar a nós...
— Ah, então está cansado da sua posição aqui? — perguntou Lorde Voldemort. — Acha que Crouch será melhor para...
— Não! — falou Polkov na mesma hora. — Só que ele será de maior utilidade, meu Lorde. O plano atual é bom, mas lento...
— Estou ciente...
— E quanto mais demorarmos, é mais provável que sejamos descobertos. Com meu plano, podemos restaurar...
— Tem de ser ele — disse Lorde Voldemort.
— Concordo que o garoto deve morrer. Mas por que não podemos usá-la e depois ir atrás do garoto? Com seu corpo restaurado, ele não teria chance...
— O garoto não teria chance de todo modo — falou Lorde Voldemort friamente. Polkov ficou em silêncio por um longo momento, e isso irritou Lorde Voldemort. — Se tem uma opinião, Dmitri, diga-a. — Polkov hesitou, antes de voltar a curvar-se, dessa vez mais submisso do que antes.
— Perdoe-me, meu Lorde, mas nessa forma o senhor é fraco, e o garoto... teve sorte antes. — Ele estava tenso, provavelmente esperando ser punido. Os dedos de Lorde Voldemort voltaram a se torcer. — Não quer ter um corpo?
Era o bastante. Isso era o bastante para Lorde Voldemort. Não tinha uma varinha, mas tinha outras armas à sua disposição.
— Olhe para mim — sibilou, e Polkov ergueu os olhos, o rosto imóvel. Lorde Voldemort não se deu ao trabalho de decifrar sua expressão. Atacou com uma fagulha de Legilimência, com um único propósito; o de causar dor. Seu ataque atingiu as paredes (a fraca Oclumência de Polkov) e parou. Parou. Era ultrajante. Lorde Voldemort empurrou com mais força. Era desconfortável para ele (ainda estava fraco), mas era assim que Polkov aprenderia. Nenhum dos seus servos tinha sido tão indiferente. Eles o conheceram no auge de seu poder.
Mas Polkov não se encolheu, tampouco caiu. De fato, tudo o que Polkov fez foi se levantar e dar um passo para a frente, uma mão erguida em preocupação. Lorde Voldemort sentia-se esvair. Fraco, ele era fraco. Ainda assim, conseguiu rosnar para Polkov ao ser engolido pela escuridão da inconsciência.
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— Potter! Potter, levante... café da manhã!
— Qutácontencendo? — murmurou Ron, na cama ao lado.
— Quem tá aí? — Seamus se sentava. Os roncos de Neville pararam, então Harry achou ser seguro assumir que ele também estava acordado.
— Potter! — Wood balançou Harry mais uma vez. — Café da manhã! Levanta!
— Tá bom — gemeu Harry, impedindo que Wood o balançasse pela terceira vez. — Já levantei. — Não era verdade; ainda estava deitado com o rosto afundado em seu travesseiro, mas torceu para Wood entendesse. — Vou descer daqui a pouco.
— Dois minutos — avisou Wood. — Ou vou mandar os gêmeos. — Harry gemeu e procurou cegamente por seus óculos. — Pessoal, espero vê-los nas arquibancadas.
— Some — resmungou Draco. Wood saiu do quarto, as vestes vermelhas de Quadribol esvoaçando atrás de si.
Harry se levantou e colocou os óculos com um bocejo. Tinha ficado na sala abandonada por muito mais tempo do que planejara na noite passada, só indo se deitar à meia-noite, e mal conseguira dormir, graças aos sonhos cheios de Voldemort e dor. Não se lembrava de muita coisa, só que o servo de Voldemort queria usá-la — seja lá quem fosse a garota — para alguma coisa, e que Voldemort estivera com dor. Teria sido algo bom, exceto que, por algum motivo estranho, Harry também estava com dor. Seus braços e pernas doíam, sua cabeça estava prestes a explodir e a garganta, irritada. Merlin, esperava não ter falado.
Procurou pelas vestes de Quadribol e as vestiu.
— Você está bem? — perguntou Ron. Ele ainda estava deitado, mas tinha um olho aberto, cerrado em sua direção. Harry deu de ombros, pegando sua bota. — Você voltou tarde.
— Estava praticando o Patrono — respondeu.
— Conseguiu?
— Não — falou, desapontado. Calçou a outra bota. — Acho que vamos ter que torcer pros Dementadores não aparecerem. — Ron murmurou algo sobre cruzar os dedos e voltou a afundar o rosto no travesseiro.
Harry pegou sua Nimbus 2000, guardada embaixo da cama, e saiu do dormitório. Quase colidiu com Fred e George nas escadas. Fred estava com a varinha em mãos e o brilho em seus olhos prometia travessuras.
— Ah — disse George, guardando algo em seu bolso. — Você levantou. — Era sua imaginação, ou ele parecia um pouco desapontado?
No Salão Principal, Wood encheu uma tigela de cereal para Harry e o impediu de comer algo mais pesado; ele precisa estar leve e ágil, porque Cedric Diggory também voava uma Nimbus, e Harry precisaria de todas as vantagens que conseguisse. Sem se deixar convencer de que faminto e cansado era a combinação para a vitória, Harry roubou um pedaço de bacon quando Wood não estava olhando, fazendo Katie rir. Harry sorriu para ela.
Wood começou seu discurso pré-jogo cedo, ainda que em voz baixa e só falasse coisas motivacionais em vez de táticas, porque o time de Lufa-Lufa tomava café da manhã na mesa ao lado. Harry cochilou, e foi apenas uma mão hesitante em seu ombro que o trouxe de volta ao presente.
— Boa sorte — disse uma Cho muito corada, afastando-se rapidamente com sua amiga ruiva antes que Harry pudesse responder. Mas George e Fred perceberam e deram sorrisos igualmente cruéis.
— Conseguiu uma namorada, Harriquinho? — perguntou Fred.
— Sério?! — perguntou Angelina, animada. — Quem, Harry?!
— Agora não! — disse Wood, alto. — Alicia, termine seus ovos, precisamos ir falar sobre nossas táticas...
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— É uma tática estranha da Grifinória — disse Lee do banco do comentador. — Não sei se foi uma decisão do Wood ou se é improvisação dos Batedores da Grifinória, ou se Potter e Weasley só estão conversando... não vou falar qual gêmeo é, eles nunca vão me deixar em paz se eu errar...
— Conversando — disse George, flutuando ao lado de Harry, e sorriu. — Como se fôssemos desafiar nosso destemido líder. — Usou a cabeça para indicar Wood, que interceptara a Goles antes que ela atravessasse os aros.
— Sério, vou ficar bem — disse Harry. Estava um pouco nervoso, claro, mas não achava que ter alguém tomando conta dele fosse a solução, tampouco achava que George ficar ali era a jogada mais eficaz; ele devia proteger as Artilheiras, com Fred.
— Só encontre o Pomo — falou George. — Você pode reclamar o quanto quiser quando ganharmos.
— Arrogante, Weasley — falou Cedric com um sorriso. Ele também estava ali perto, mas não os olhava; como Harry, ele procurava pelo Pomo. Pelo canto dos olhos, viu George dar de ombros.
— Ooh! — disse Lee. — Grifinória marcou... ótimo trabalho, Bell! Isso diminui um pouco a diferença, 30 a 80 para a Lufa-Lufa... Uau! Johnson quase não conseguiu desviar do Balaço e perdeu a Goles! McManus, da Lufa-Lufa, está com a bola, passa para Preece...
— Aquele Balaço quase arrancou a cabeça da Angelina — comentou Harry com George. — E nunca vamos empatar se as meninas precisarem ficar desviando de Balaços em vez de se concentrarem na Goles. Você devia estar lá, ajudando Fred...
— E você? — perguntou George. Cedric ainda procurava pelo Pomo e fazia um bom trabalho ao fingir que não estava ouvindo. Mas ele estava a apenas poucos metros dali, então Harry sabia que ele conseguia ouvi-los.
— Vou ficar bem — respondeu. Padfoot, Marlene e Tonks estavam nas arquibancadas, assim como Moony; ele estava pálido, enrolado em um cobertor grosso e se encolhia sempre que a multidão comemorava ou Lee era particularmente barulhento, mas ele ainda estava ali e Harry era grato por isso.
Dumbledore também tinha ido ao jogo — ele estava sentado ao lado de uma McGonagall muito concentrada e vestida de vermelho — e, mais surpreendente ainda, era a presença da Madame Pomfrey. Ela costumava evitar os jogos — e nunca tivera vergonha de verbalizar a desaprovação que tinha pelo esporte —, mas parecia que hoje era uma exceção. Harry tinha a estranha sensação de que essa decisão tinha a ver com o fato de que ele estava jogando.
— Os Dementadores ainda não apareceram...
— Eu não vou deixar que ele caía se puder evitar — falou Cedric, olhando-os pela primeira vez. Ele parecia um pouco desconfortável, e George o olhou com os olhos cerrados.
— Pronto — disse Harry. — Viu? Vou ficar bem. — E acreditava quase completamente nisso. Antes que George pudesse falar qualquer coisa, apontou a vassoura para baixo e voou na direção do chão. George sabia voar bem, mas Harry era melhor e tinha uma vassoura melhor. Esperava que George percebesse que não conseguiria acompanhá-lo e fosse para o centro do campo, onde todos os outros estavam.
George não o seguiu, mas Cedric o fez. Harry saiu do mergulho a poucos metros do chão — as arquibancadas pareceram soltar o ar ao mesmo tempo — e, meros segundos depois, Cedric parou ao seu lado.
— Estava fingindo? — perguntou ele, erguendo uma sobrancelha.
— Eu...
E as arquibancadas ofegaram. Harry olhou para os outros jogadores — George estava ao lado de Fred, falando, e Angelina segurava a Goles —, mas nenhum deles prendeu sua atenção por muito tempo. Foi Wood quem chamou sua atenção; Wood, que fora atingido no peito por um Balaço, bateu no aro do gol com um baque doentio, que Harry conseguiu ouvir de onde estava, e bateu nas arquibancadas.
Harry inclinou-se sobre sua vassoura, mas Alicia e uma das Artilheiras da Lufa-Lufa já estavam lá, indo em direção ao chão com Wood entre elas. Harry viu Madame Pomfrey passar por Flitwick em seu caminho para fora do camarote dos professores. O apito da Madame Hooch soou agudo, e os Artilheiros pararam — Angelina e dois dos Artilheiros da Lufa-Lufa nem sequer tinham notado o que tinha acontecido.
— Isso foi... feio — falou Cedric, o rosto enrugado. — Espero que ele esteja bem.
Harry não tinha o que dizer. Já tinha visto galos, hematomas e algumas quedas em partidas e treinos, mas nunca algo assim — supôs que era por ser ele a sofrer os acidentes graves, então não tinha o que ver. Era horrível.
— Harry! — O resto do time estava junto no ar. Harry foi na direção deles, enquanto Cedric ia se juntar aos Lufos.
— Não acredito que isso acabou de acontecer! Os Batedores nem jogaram a bola nele! — Katie estava pálida, e Fred tinha passado o braço ao redor dela, reconfortante. — Ele estava bem?
— Não sei — respondeu Alicia, triste, parando ao lado deles. — Ele estava inconsciente. A Madame Pomfrey está com ele.
— Mas ele não vai poder voltar a jogar — disse Fred, infeliz. — Não tem como ele não ter quebrado nada com essa queda.
— Vamos ter que desistir, então? — perguntou Katie, perplexa.
— Não, não somos obrigados a desistir — falou Angelina, franzindo o cenho —, mas se formos desistir, agora é a hora; perder por cinquenta pontos pode não ser tão ruim quando comparado ao que está por vir. — Ela estava certa; com Wood fora do jogo, não havia nada que impedisse a Lufa-Lufa de marcar pontos. Uma das Artilheiras poderia tentar proteger um pouco o gol, mas aí estariam com uma Artilheira a menos, e Lufa-Lufa acabaria com a Goles. A única esperança deles era que Harry capturasse o Pomo logo, mas ele não o vira durante toda a partida.
— Talvez não possamos garantir uma vitória se continuarmos jogando — disse Alicia. — Mas vamos garantir uma derrota se desistirmos. — Katie suspirou, e Fred e George pareciam desgostosos. Com a ausência de Wood, todos esperavam que Angelina tomasse as decisões, e ela parecia saber disso; Harry conseguia vê-la pensar, pesando as opções.
— Está certa — disse por fim, olhando para Alicia. — Vamos jogar. Podemos sofrer uma derrota horrível, mas vamos jogar. — Harry e os outros membros do time conseguiram forçar sorrisos nervosos. Angelina assentiu para si mesma. — Vamos jogar na defensiva, meninas. Não precisamos marcar gols, só precisamos ficar com a Goles para que eles não marquem. Vocês dois — apontou um dedo para Fred e George com uma careta —, se tiverem a oportunidade de tirar Diggory do jogo, façam isso. Eles podem marcar mais gols, mas sem ele, não vão conseguir os cento e cinquenta pontos. — Correu uma mão por suas tranças, e os gêmeos assentiram, sérios. — Harry?
— Sim? — disse.
— Pegue o maldito Pomo.
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— Por quanto, Ang? — repetiu Wood. Harry e o resto do time tinham ido à Ala Hospitalar assim que o jogo terminara para visitar seu capitão. Mas, além dos hematomas em seu rosto e peito (um sinal de que ele quebrara as costelas) e do fato de seu braço estar em uma tipoia, parecia que o resultado do jogo lhe doía mais.
— Sessenta — suspirou Angelina. Wood não gemeu como Harry esperara. Ele apenas se afundou um pouco em sua cama, os ombros caídos, e Harry decidiu que isso era pior. — Devíamos ter desistido, nos poupado dez pontos.
— É fácil dizer isso quando já passou — falou Katie em voz baixa, colocando uma mão em seu braço.
— É mesmo. — Angelina suspirou mais uma vez. — Eu... eu sinto muito, Oliver...
— Não sinta — falou ele de forma vazia. — Sei que vocês todos jogaram bem. Só tivemos azar.
— Bem? Nós fomos brilhantes — falou Alicia ferozmente. — Estávamos perdendo por duzentos e dez, o que... sim, tá, é muito — Wood e Angelina se encolheram —, mas já estávamos perdendo por cinquenta quando você caiu, e a partida durou mais três horas, e, sim, eles conseguiram marcar mais cento e cinquenta pontos nesse meio tempo, mas podia ter sido muito pior.
— Mesmo assim, devíamos ter desistido — falou Angelina.
— E perder a captura brilhante do Harry? — perguntou Katie, passando um braço pelos ombros dele. — Você viu? Pegou o Pomo bem debaixo do nariz do Diggory.
— Não rápido o bastante — murmurou Harry.
— Ele estava te bloqueando — confortou-o Alicia. E ela estava certa; Cedric não precisara capturar o Pomo para garantir a vitória da Lufa-Lufa (apesar de ter tentado), ele só precisara impedir que Harry o capturasse, e fora o que fizera por três vezes, antes de Harry o capturar na quarta tentativa.
— Idiota — falou Fred, irritado.
— É estratégia — suspirou Wood. — E foi boa, porque claramente funcionou.
Um clima triste dominou a Ala Hospitalar.
— Bem, vamos olhar pelo lado bom — disse Fred por fim, com alegria forçada.
— Temos o resto da temporada para nos recuperarmos? — sugeriu Alicia.
— Bem, sim — respondeu Fred. — Mas não era o que eu ia dizer.
— Mesmo? — perguntou Angelina, cruzando os braços.
— Eles nos deixaram jogar sem um Goleiro — falou Fred. George abafou o riso; ele obviamente já tinha entendido o que seu gêmeo estava pensando.
— É, foi brilhante, Fred — falou Katie, revirando os olhos. — A melhor parte do dia...
— Não, é sério — insistiu Fred. — Porque a alternativa era McLaggen...
Continua.
N/T: Obrigada a quem comentou no último capítulo. (:
Passando para lembrar que sexta passada eu subi mais uma prequel dessa série, chamada Defining Moments; ela tem seis capítulos e será atualizada quinzenalmente. Deem uma olhada no primeiro capítulo e comentem!
Mas não esqueçam de comentar aqui também!
Até semana que vem.
