Wakanda definitivamente era o melhor país em que Lin já estivera, não que ela já tenha tido visitas agradáveis a muitos lugares, mas este em particular a deixou mais surpresa e encantada do que estava esperando. A Stark, Pepper, Morgan e Peter foram gentilmente convidados para passarem algumas semanas no reino de T-Challa e apesar de ter recusado inicialmente, os humanos se provaram criaturas extremamente insistentes e convenceram a noiva do deus da trapaça a acompanhá-los na viagem. Obviamente já fazia parte dos planos que ela eventualmente iria até Wakanda e ganharia a confiança do povo, mas a mulher não precisava dar a entender que tinha tamanho interesse em estar no país alheio.
Quando Loki desapareceu sem dar sinais de para onde iria todos aguardaram a volta dele pacientemente durante alguns dias, porém o príncipe não retornou então julgaram que seria a oportunidade perfeita para tirar a Garota de Ferro de perto dele para que enfim pudessem testa-la com clareza.
Shuri andava radiante com a presença da filha de Tony, era extremante agradável ter por perto uma amiga que a entendia quando se empolgava com algum assunto envolvendo tecnologia e ciências, mas que principalmente tinha a capacidade e disposição de colaborar com os mais complexos projetos assim como de permitir que auxiliasse em suas próprias ideias e invenções. A humana considerava rapta-la e mantê-la em Wakanda para sempre, ela podia apostar que ninguém se importaria muito. Aliás a presença do Parker também a deixava feliz, era ótimo ter alguém que a deixava criar muitas e muitas melhorias para seu desenvolvimento no campo de batalha, alguém que se empolgava com ela e não a reprendia como o irmão costumava fazer, além é claro de ser uma companhia agradável para momentos em que queria andar no teto e mais ninguém se interessava em fazer o mesmo.
Além do mais todos tentavam ao máximo deixar Lin distraída para que ela não entrasse em crise ou pensasse muito na ausência do parceiro, o que acabava a causando mais sua irritação do que um possível relaxamento, afinal não a deixavam em paz por nenhum segundo e ela estava a ponto de socar o próximo indivíduo que abrisse a porta de seu quarto querendo lhe fazer companhia.
Não foi difícil convencer a todos que precisava ser tratada como qualquer outro quando de fato o rei entrou no quarto e levou um golpe no estomago de uma Stark de olhos verdes tomada pela fúria. Ela até conseguiu autorização para usar a própria I.A no cômodo que deixaram para ela! Se soubesse que só precisava bater em T'Challa para que entendessem o que realmente precisava teria feito isso a mais tempo.
No entanto não havia abandonado o convívio com as pessoas, passava mais tempo com a princesa em seu laboratório do que de fato sozinha no próprio quarto. A mais velha havia adorado sua ideia sobre curar o câncer, no país a doença já tinha cura a muito tempo, mas a forma com que a Garota de Ferro propôs que o fizessem abriu uma porta para que outras muitas doenças pudessem ser erradicadas. A solução surgiu depois da visita que fizeram ao Mena Ngai e aos "trens" que conduziam o metal até a superfície, o vibranium absorve toda a energia vibratória e sabendo disso veio à mente da gênia mais nova que talvez esta habilidade também pudesse se aplicar a células humanas, fazendo com que a moléculas prejudicais parassem de vibrar e consequentemente acabassem se desativando enquanto utilizassem o aparelho que pretendia criar.
As duas passavam grande parte do dia desenvolvendo a ideia e criando meios para que a executar fosse algo possível, com ou sem segundas intenções por trás daquilo, era uma hipótese que se obtivessem sucesso revolucionaria completamente a medicina que conhecemos.
Bruce quando foi informado do que ambas pretendiam fazer se disponibilizou imediatamente para viajar até o país e ajuda-las, com um aparelho como esse ele poderia ajudar seus alunos a conterem o Hulk interior mesmo em momentos que perdessem o controle sobre suas emoções, estava tão empolgado e feliz que as vezes mais as atrapalhava do que ajudava. O cientista já havia aceitado o monstro verde como parte de si, já não mais o odiava e pode-se dizer que até haviam se tornado amigos, cooperando um com o outro sempre que a situação exigia, porém o verdão ainda era um inconveniente em certos momentos como quando precisava ser um tanto mais delicado com certos aparelhos. Banner corava sempre que se lembrava dos desastres que já haviam acontecido nos anos em que viu o Hulk como uma doença e se atrapalhava todo, tanto que quase disparou um míssil desintegrador nos projetos da Stark certa vez e ela o esfaqueou por isso, mas então todos ficaram felizes em perceber que o protótipo que ele usava impediu uma regeneração imediata indicando que estavam conseguindo seguir por um caminho correto. A comemoração fez com que não se lembrassem que o homem não estava se curando e que continuava no chão sangrando, mas ele conseguiu arrancar o aparelho de si a tempo e a radiação gama fez sua parte impedindo que ele morresse de hemorragia.
Lin ficava ainda mais contente com a presença do outro monstro, afinal ainda estava se acostumando a conviver com os humanos, mas conseguia relaxar e se sentir menos terrível quando Bruce estava por perto.
(...)
O pôr do sol em Wakanda era simplesmente lindo, uma visão que com certeza a monstrinha nunca esqueceria e que aproveitaria para presenciar enquanto ainda podia, portanto todos os dias com o fim da tarde ela caminhava sozinha até o monte Mena Ngai e se sentava próxima a grande escultura da pantera para apreciar a vista. Estavam respeitando o seu espaço ao ponto de não mais questionarem quando decidia sumir um pouco.
Ela mexia os dedos inquietamente, o único sinal de que não estava de fato tranquila, seus olhos não se desviavam do sol e a mente trabalhava com infinitas soluções para a falta de notícias do companheiro. Lin conseguia sentir que ele estava bem, as vezes captava algum sinal de ferimentos, mas nada muito grave, não fazia ideia de onde ele estava e não entendia por que exatamente estava sendo deixada de lado. Quer dizer, ela ainda não havia feito nada de errado e não o prejudicou em nenhum momento, estava até criando coisas que os ajudariam...
Sentia o olhar de alguém em suas costas, a observando de longe.
Seu cenho se franziu e o corpo se tencionou, se encolhendo um pouco logo depois, algumas lagrimas solitárias escorreram por seu rosto e então sua mão se fechou em frustração, acabou socando o chão com força. A Stark viu a terra rachar mais do que deveria pelo pequeno descontrole, mas não se preocupou muito ao perceber que nada desabaria. Ela riu parecendo desesperada, Loki não deveria deixa-la para trás com vida, agora não duvidava que ele também estivesse mentindo quando prometeu que a destruiria antes de descarta-la.
Ela deixou que quem quer que estivesse a vigiando visse agonia, dor e raiva vindo de si, inundou seus pensamentos com tantas coisas negativas que provocou uma quase crise. A noite chegou sem que percebesse e a mulher começou a sentir como era difícil continuar a respirar, estava mesmo entrando em estado de pânico. Mas então Lin percebeu que aquele que a seguia foi embora, provavelmente para pedir ajuda. Finalmente.
A Stark se sentou outra vez, puxando ar com mais força para mandar seu corpo parar e voltar ao seu normal, limpou seus olhos e apurou seus sentidos mais uma vez para ter a certeza de que agora realmente estava sozinha. Ninguém por perto, precisava ser rápida. O que planejava fazer tinha grandes chances de não funcionar, mas precisava tentar. Fechou os olhos na maior tranquilidade que conseguiu manter e bloqueou o Original por completo como Loki a ensinou indiretamente a fazer, precisava manter uma concentração tão grande que dessa vez realmente estava se esquecendo de respirar e quando voltou a abrir os olhos percebeu que ainda estava no mesmo lugar, suspirou levemente frustrada e decidiu tentar de novo, ouvindo uma voz conhecida rir em sua mente, prestando atenção em si. Repetiu todo o processo e nesta segunda vez quando abriu os olhos notou que não estava mais em Wakanda e sim numa grande planície, inundada com uma água rasa até onde conseguia ver.
Ela sentiu vontade de fazer uma dancinha da vitória, mas isso seria bem ridículo então apenas começou a caminhar enquanto gritava sobre o quanto era foda em seus pensamentos. Lin esperava que o Outro respirasse por si no tempo em que precisasse ficar por ali, não seria muito agradável voltar e descobrir que estava morta por prender a respiração. Ela não sabia onde realmente estava, mas havia uma sensação tão familiar naquele lugar que apenas continuou andar na esperança de encontrar qualquer coisa.
- Fico lisonjeada em estar recebendo uma visita, criança. – Falou uma voz melodiosa próxima demais de seu ouvido.
A humana quase caiu para trás no susto de ver o ser que a acompanhava no momento, não tinha notado a presença daquilo até o momento em que este decidiu se pronunciar. Ao seu lado estava uma figura humanoide bem parecida consigo, mas com cabelos ruivos, olhos de cor laranja e pele bem mais bronzeada, além disso a criatura não possuía cicatrizes e sim traços brancos por todo o corpo que lembravam desenhos. Era simplesmente belíssimo.
- Utrimque. – Lin constatou ao reconhece-la, nunca havia de fato a visto antes, mas convivia com sua voz a tempo demais para não saber de quem se tratava, agora a sua frente estava a personificação perfeita da consciência da Joia da Alma.
- Não consigo imaginar os motivos que levaram você até aqui por livre e espontânea vontade. – Ela lhe sorriu gentil e compreensiva, já fazia bastante tempo que Utrimque a tratava praticamente como uma igual, não existiam duvidas: ela o trouxe até ali, não foi uma conquista da Stark, o ser quis que ela conseguisse alcança-lo. – Devo supor que estava tentando chegar até um de meus irmãos?
As duas voltaram a andar calmamente, Lin desta vez podendo visualizar melhor o ambiente ao seu redor, lá estavam as almas que foram aprisionadas na pedra ao decorrer dos milênios mantendo uma distância considerável e respeitosa. Elas pareciam ter encontrado sua paz.
- Eu nunca consegui mentir para vocês de qualquer forma. - O canto de dos lábios da humana se curvou um pequeno sorriso. – Quero falar com o Subtilier, é sobre algo valioso demais para deixar que certas pessoas ousam.
O ser fez uma expressão compreensiva, a pessoa em questão não possuía nenhum acesso aos mundos de suas semelhantes, em parte porque estava causando certo desagrado as joias e em parte porque nunca tentou se aproximar delas. O melhor lugar para se faz algo que ele não pode ver é a casa que cada pedra criou para si e a única criatura que consegue esconder algo grandioso dele é a joia da mente. Utrimque era uma das pedras que de sua própria maneira adorava quando algo saia do controle do Original, sempre colaborava para que a Stark mantivesse a consciência nas vezes ele tentava assumir o controle, o que frustrava bastante o que deveria ser o seu superior e além de tudo ela adorava assistir de longe as jogadas que os mortais faziam em seus joguinhos por poder, era uma sádica terrível carregando um sorriso gentil.
- Então se me perguntarem você veio até aqui na esperança de ver sua figura paterna e eu não tenho culpa por acidentalmente deixar uma fresta aberta que levará quem passe por ela até o meu irmão.
Surpreendendo até a si mesma Lin ergueu a mão em agradecimento, não da forma que os terráqueos faziam para se cumprimentarem, mas na sua forma mais intima de mostrar afeto. O ser arregalou levemente os olhos, conhecia a menina, sabia o que aquilo significava e definitivamente não esperava que um dia ela fosse demonstrar este tipo de coisa para si. Ela também ergueu sua mão em retribuição, seus dedos alongados tocaram os da outra e elas se encararam tranquilas, era completamente visível o agradecimento nos olhos da mortal. Utrimque foi a primeira a se afastar e, constrangida, abriu a passagem como deu a entender que faria, se mantendo de costas para que a humana não visse seu rosto.
Sorrindo irônica Lin caminhou até a fenda entre os mundos, ela acabou de deixar uma Joia do Infinito com vergonha e nem sabia que isso era algo possível. Definitivamente mais criaturas deveriam reconhecer as pedras como seres vivos e conscientes, eles estão começando a precisar de amigos.
- Eu deveria alerta-la, mesmo que você possa perceber sem a minha ajuda. – A fala repentina fez com que a humana parasse a centímetros de desparecer dali. – Aquele que os ditos Vingadores chamavam de Titã Louco não está mais por aqui. – Lin a olhou sobre os ombros, notando que o ser já estava quase desfazendo sua forma física oura vez.
- Vou me lembrar disso. – Sua resposta veio em uma quase sussurro.
- Se nosso querido amigo permitir. – Utrimque falou sarcástica e seu corpo deixou de ser visível. A Stark não perdeu mais tempo ali e partiu para o próximo mundo.
(...)
Loki estava tentado a convencer Stephen a lhe devolver seus poderes como protetor da realidade, não que o mago soubesse que ele deixara de possuir tais habilidades, mas era realmente irritante ter que fingir que ainda era capaz de fazer tais coisas quando o outro de alguma forma testava-o. Alanes o selara antes dele abandonar Midgard muitos anos atrás quando estava deixando de ser um de seus discípulos, ela disse algo como "Se os quiser de volta basta pedir, sabe que não negarei algo que você utilizará para o bem" apenas estava seguindo suas próprias regras e proibindo quem deixava o lugar de usar a magia que ela lhe ensinou, o príncipe como um tolo nunca pediu tais dons de volta para ela enquanto ainda estava viva e agora usava suas ilusões para fazer o atual mago supremo acreditar em si. Mesmo com os artefatos místicos que o Doutor Estranho tão relutantemente lhe emprestara nenhum resquício dos feitiços era produzido pelo asgardiano adotado.
Pelo menos Loki conseguia se divertir com a cara de Stephen toda vez que o manto da levitação o abandonava para vir se prender em seus ombros, ele nem gostava da atenção do objeto mas ver o homem de orgulho tão grande não dizer nada e sair resmungando por ai enquanto seguia seu caminho era realmente cômico.
De acordo com as informações que conseguira tudo estava correndo a favor de seu plano, a Guarda do Infinito está instável, as joias já estão consumindo e enlouquecendo seus atuais protetores, o Jardineiro que é um dos grandes anciões do universo caiu em sua lábia como deveria fazer e está se posicionando contra o grupinho de Adam Warlock. Não é difícil instigar o caos quando se tem séculos de prática nisto. As mentiras e os boatos que plantou também mostravam resultado, cada vez mais seus adversários ficavam contra os aliados que eles possuíam, não seria difícil aparecer e reivindicar as joias para si, afinal se demorasse demais a fazer isso eles acabariam se matando de qualquer forma.
Não se importava nenhum pouco com a cara feia que Strange lhe dirigia quando fazia as coisas a seu modo. Era engraçado ver o tão honrado protetor da realidade jogar sujo, mesmo que isso significasse lutar contra o grupo que ele próprio ajudou a fundar quando Adam Warlock quase enlouqueceu com o poder das pedras. Sthepen estava supreendentemente cooperando bastante, não eram tão diferentes afinal, eram capazes de fazer qualquer coisa para atingirem seus objetivos. O mago usa sua influência e conhecimento pelos cosmos para deixar as histórias e sussurros do deus da mentira mais fáceis de se acreditar, além de usar aquelas criaturas que já o conhecem para faze-los ainda menos suspeitos, graças a ele provavelmente roubariam as pedras mais poderosas do universo sem que ninguém desconfiasse dos dois. Ou pelo menos não desconfiariam do Stephen, criaturas inteligentes tendem a desconfiar de Loki.
O primeiro alvo escolhido foi a joia da mente, que estava em posse da Heather Douglas, a Serpente da Lua. Caso usada corretamente está pedra pode influenciar diretamente os demais protetores, além de controlar completamente seu adversário caso este seja mais difícil de se convencer a entregar a joia. O problema em questão era a guerreira que escolheram para defende-la, provavelmente a mais difícil de se corromper e uma oponente que poderia rivalizar com o deus trapaceiro em relação aos seus poderes da mente, afinal é claro ela já estava em posse da pedra. Não seria muito esperto deixar que ela o visse, invadiria sua mente imediatamente e procuraria por suas intenções, o eliminando logo depois. Ele não morreria realmente, mas ela não precisa saber disso.
Foi com esse ponto que a estratégia surgiu, Doutor Estranho jamais seria aliado de alguém como Loki na visão de todo o universo e o deus já era conhecido por sua cobiça por poder, não seria uma novidade se o encontrassem tentando roubar algo como uma joia do infinito e que conveniente seria se um herói de Midgard estivesse lá bem no momento em que ele estivesse perto o bastante para conseguir o que tanto desejava. Quando Heather olhasse em sua mente veria o desejo pelo tesouro e a frustração de ser pego porque era isso que precisava ver, seus escudos mentais protegeriam todo o resto e a pedra também faria a sua parte por saber que seria reunida com seus semelhantes caso fosse com a dupla. A Serpente da Lua é arrogante e orgulhosa demais para agradecer, então sua forma de dizer obrigado será não vasculhando as memorias do homem que acabou de capturar o ladrão.
Neste momento Loki já estava infiltrado entre as poucas pessoas que tem acesso ao local em que ela mantém a joia e que possuem a confiança da guardiã, usava a imagem de uma mera serviçal e com isto vasculhou o salão a procura de sinais ou de qualquer outra coisa que lembrasse meramente a presença da pedra ou do cajado em que ela costumava ser mantida. Olhar as memorias da verdadeira serviçal se provou inútil, todos que frequentavam aquele lugar possuíam escudos mentais tão fortes quanto o do deus por terem usado os poderes da pedra para ampliarem suas capacidades, por isso a fêmea agora jazia desmaiada e aprisionada em um planeta distante e ele ali não fazia ideia de onde procurar o seu prêmio.
O príncipe teve tempo para analisar as runas suspeitas por todo o local na esperança de encontrar uma passagem secreta ou algo semelhante, estava sozinho naquele lugar desde que chegou e começava a pensar que estavam lhe entregando a joia de bandeja afinal não havia se quer um guarda por onde ele passou. Estavam mesmo no lugar certo?
Fingindo limpar o chão, como era o esperado de sua figura, Loki teve a oportunidade de verificar muitos pontos suspeitos daquela construção, mas nada o levou mais além do que um estranho botão que abriu passagem para um banheiro de emergência escondido. Estava começando a perder a paciência e além do mais estava desperdiçando todas as oportunidades que possuía no tempo em que a guardiã não estava ali. Mesmo sempre havendo a possibilidade de não estar obtendo sucesso em sua busca pela joia estar com a Serpente da Lua.
Até que de repente, em um momento que estava apenas caminhando sem mais procurar por passagens e que havia decidido abordar algum outro modo de busca, o gigante de gelo notou o salto fino em seu calcanhar se afundar levemente em um pequeno detalhe da pintura complexa que envolvia toda uma parede e parte do chão. Já havia vasculhado a arte antes, não notara nada na ocasião e sentia vontade de se bater por não ter percebido. Se abaixou discretamente e pressionou a única e pequena escama que se mexeu, então se fez silêncio absoluto por todo o recinto até o instante que a ilustração a sua frente começou a se mover como se possuísse vida. A porta antes minúscula e desfocada na imagem foi se aproximando lentamente e por ela o que deveria ser apenas mais um detalhe na parede se formou uma verdadeira passagem liberando seu caminho para explorar seja lá que segredos haviam embaixo do andar principal.
"– Parece que encontrei alguma coisa. " Ele mandou telepaticamente para o Doutor Estranho, um sinal que o outro deveria ficar atento a qualquer coisa que indicasse que deveria aparecer ali e salvar o dia.
Havia uma escada muito íngreme de forma a dificultar ainda mais a decida de quem quer que fosse, Loki não perdeu tempo tentando não cair nos degraus estranhos, velhos e deformados, ele assumiu a forma de um pássaro e voou até o fim daquele longo, até demais, caminho. Ainda no início pode notar a passagem se fechando atrás de si, mas não se preocupou com isso, na pior das hipóteses pediria socorro ao seu tão improvável aliado e inventaria uma desculpa qualquer para não ter usado as habilidades de um protetor da realidade.
Estava muito escuro lá embaixo, mas isso não foi um problema, afinal havia se transformando anteriormente em uma criaturinha que lembrava uma coruja e possuía sua mesma capacidade de visão noturna. Haviam tesouros e riquezas por todos os lados, preciosidades das mais diversas dimensões e sistemas, todos a disposição de quem entrasse ali. Estava parecendo fácil de mais, não ousou tocar em nada, não precisava de uma atenção indevida em si agora.
O salão com as riquezas era mais longo e confuso do que pareceu inicialmente, um truque de ilusionismo muito bem feito na opinião do feiticeiro. Em um único lugar por ali, por trás das paredes encantadas que levavam o ladrão até algum canto aleatório do grande salão sem perceber que havia chegado a um dos extremos deste havia um espelho de verdade, um que poderia ser rompido e que levaria quem o encontrasse até o mais valioso entre os itens presentes. Loki sabia disto por já ter estado preso em um cofre semelhante, já havia ultrapassado aquele nível de desafio a muito tempo.
Apenas convocou centenas de copias de si mesmo e as soltou pelo chão completo de relíquias, elas podiam atravessar objetos portanto não teria problemas em relação a possível armadilhas. Sobrevoando o local com o cuidado de não tocar em nada a "coruja" esperou pacientemente durante alguns minutos em que as cópias de sua forma asgardiana corriam por todos os lados, sendo teletransportadas pelo salão nos momentos em que atingiam alguma parede invisível até que eventualmente uma delas se chocou com uma falha solida e a atravessou. Dispensando as demais ilusões o príncipe voou até a que obtivera sucesso e se transformando de volta golpeou com força o espelho que procurava, logo quando este quebrara também o atravessou chegando até o verdadeiro salão do tesouro.
No centro de uma sala livre de qualquer outro item além do guardado estava o cajado que servia como contenção para a joia da mente na ausência de uma manopla como a que Thanos possuía. Caminhando calmamente e com seu típico sorriso arrogante no rosto Loki foi até lá para que pudesse enfim pegar o que veio buscar, mas ao chegar perto o bastante notou a ausência da poderosa pedra, ela então realmente estava com a Serpente da Lua. Bem, isso não fazia diferença. Ele segurou o cajado com firmeza apenas para ouvir o "click" de algo se abrindo.
Era uma ótima hora para correr, o plano estava dando bastante certo. De dentro de outra passagem escondida veio uma consideravelmente grande sentinela semelhante a que guardava os tesouros de Odin, era um ótimo momento para agradecer o pai de todos por tê-lo deixado construir aquela coisa.
Já conhecendo as falhas da criação o príncipe não teve dificuldade de desviar dos ataques dela, apesar desta ser um tanto mais rápida e aparentemente mais forte do que a que realmente conhecia. Não tinha a intenção de lutar então apenas se transformou de volta em um animal voador e mantendo uma série de movimentos sem sequência para não ser atingido foi em direção a entrada feita pelo espelho outra vez, para sair dali sem mais danos. A sentinela se manteve por perto, o seguindo constantemente e atirando sua energia em direção ao invasor na tentativa tola de destruí-lo.
Porém de todos o maior problema foi quando a ameaça robótica atingiu a falsa sala do tesouro, ela era tão solida como o mental que a construiu poderia ser, com alguns poucos movimentos na tentativa de alcança-lo foi desastrada o suficiente para pisar em uma armadilha, talvez a pior entre todas elas. Um estalo foi ouvido e Loki só teve tempo de envolver o cajado com suas asas antes de uma explosão de nível nuclear atingir tudo e todos ali dentro.
(...)
- Como disse antes Strange, tenho tudo sobre o controle. Se há alguma criatura tentando se apossar do cajado este certamente já foi destruído a esta altura. Ele é um item com grande poder magico mesmo sozinho, eu certamente já tomei medidas que não vão permitir que ninguém que foi atrás dele volte com vida. – A Serpente da Lua disse com descaso.
Stephen a viu se aproximar do local onde o outro feiticeiro procurava o que ambos pretendiam roubar então como havia acabado de receber a mensagem do asgardiano adotado se prontificou a atrasa-la. Loki tinha razão, não foi difícil para si não conquistar e suspeita e agressividade dela, até parecia que a mulher gostou de sua pessoa depois que disse que estava interessado em entrar definitivamente para a Guarda do Infinito e a procurou porque sem nenhuma dúvida ela era a mais inteligente e digna entre os demais membros.
No entanto a demora do parceiro em aparecer para ser capturado começava a causar certa estranheza ao mago, ainda mais depois do esquisito tremor abaixo de onde estavam, já sabia que a procura dele de certa forma havia sido em vão afinal a joia da mente estava escancaradamente visível na testa de Heather Douglas. Provavelmente precisariam lutar para conseguir o que desejavam e agora podendo a avaliar de perto isto não aparecia exatamente um problema.
Na tentativa de conseguir mais tempo só para ter certeza se o parceiro ainda estava vivo ou não o mago iniciou uma conversa sobre artefatos místicos que pareciam interessa-la e em pouco tempo prendeu completamente a atenção da telepata em si. Ambos bebericavam algo que se parecia com um chá e que de acordo com ela era uma bebida típica da região enquanto conversavam, o fato de já ter experimentado o mesmo liquido antes enquanto conseguia informações ajudava o protetor da realidade a acreditar que não estava sendo envenenado. Com o passar dos minutos e possivelmente das horas Stephen soube um pouco mais sobre o passado da mulher ao seu lado, ela surpreendentemente também era terráquea, nasceu na cidade de Los Angeles mas Thanos acabou matando sua família enquanto ainda era muito nova por eles terem testemunhado a presença do invasor em Midgard e após isso o pai do titã louco a levou até o planeta dele para ser criada pelos monges Shao-Lom por encontra-la viva no meio do caos que o próprio filho causou. A Serpente da Lua com os monges desenvolveu todo seu potencial físico, tornando-se formidável em artes marciais. Eles a ensinaram sobre ciências como química e engenharia genética, mas mais importante que isso, eles a ajudaram a acessar seus poderes telepáticos latentes e com o tempo suas habilidades mentais se tornaram mais poderosas que as de seus professores. Era de seu conflito com a entidade Dragão da Lua que mais se vangloriava, Doutor Estranho suspeitava que foi exatamente nesta ocasião que ela veio a se tornar tão arrogante e convencida.
Estavam a caminho de se aprofundarem mais no passado do próprio mago quando um dos seres que acompanhavam a mulher sempre que tinham a oportunidade entrou no aconchegante cômodo em que se encontravam, ele ofegava e parecia ter uma grande dificuldade para voltar a respirar. Heather ergueu uma sobrancelha como se questionasse a ousadia daquele que interrompera uma conversa que julgava tão interessante.
- S-se-senhora! – ele se curvou numa reverencia estranha e se apoiou no próprio joelho tentando desesperadamente voltar a respirar. Por impaciência ela poupou o homem do esforço e entrou na mente dele para ver do que se tratava.
Stephen viu a guardiã da pedra da mente se levantar lentamente com o cenho franzido em raiva, ela foi caminhando sem dizer uma única palavra em direção a saída do lugar em que atualmente morava e ele a seguiu tranquilamente, sem que sua expressão mostrasse que já sabia do que se tratava. Ao chegarem do lado de fora avistaram sobrevoando bem de longe o que parecia ser um filhote de dragão carregando consigo o cajado que deveria estar bem protegido no subsolo da construção. Heather fez uma expressão de profundo ódio e estendeu a mão para puxar o inconveniente ladrão com seu poder, mas se adiantando a ela o Doutor Estranho abriu um portal na frente daquele que sabia ser Loki e outro um pouco acima de onde eles estavam, o dragão que fugia a toda velocidade não conseguiu parar a tempo depois que percebeu a mudança do que estava a sua frente e se espatifou no chão de areia com bastante força.
Os lábios do Strange tremeram com sua tentativa um pouco falha de segurar o riso, o príncipe recém transformado de volta com o impacto olhou para eles como uma cara de criança que é pega em flagrante fazendo alguma coisa bem errada, como se fosse o ser mais inocente do mundo e como se não entendesse porque estava ali todo sujo de areia.
- Heather, minha querida! Faz tanto tempo desde que nos vimos pela última vez. – Ele comentou com um sorriso que parecia um tanto sedutor e sarcástico, matinha o cajado bem firme em sua mão e não dava indícios, mas o mago sabia que ele estava deixando subentendido que procurava a primeira oportunidade para fugir com o seu prêmio ou com até algo a mais. – E você, aprendiz de feiticeiro, o que o traz até este magnifico e inóspito deserto insuportável?
- Loki Laufeyson. – A Serpente da Lua falou como se apreciasse cada palavra. – Suponho que você está bem longe de casa.
- Talvez eu devo lhe atualizar, Asgard foi destruída e Jotunheim me odeia, então eu não tenho exatamente uma casa.
Stephen tinha a impressão de estar ouvindo duas cobras conversando, ambas prontas para darem o bote.
(...)
- O que está me pedindo é algo bem engenhoso, menina. – Subtiliter, a consciência da joia da mente disse após ouvir atentamente o que Lin Stark queria que ele fizesse. – Mas o que me surpreende mesmo é que esteja me pedindo, você não é muito coerente com os seres vivos criança, normalmente quem pode chegar até mim faz o que quer e nunca pede.
- Você está na minha cabeça a tempo demais para eu te tratar apenas como um objeto. – Ela deu de ombros como se fosse algo natural trata-lo como uma criatura viva e não uma fonte inestimável de poder.
- Garota estranha. – Ele disse como se ela fosse uma das coisas mais questionáveis que já vira em sua longa existência, mas sorria orgulhoso, Subtiliter desde sempre a apoiava nos desafios que envolviam a inteligência dela. Para todas as pedras era adorável conviver com uma forma de vida que os via como um igual, por mais que eles tenham a atormentado durante muito tempo a culpa de terem machucado a humana era sem dúvidas dele, em nenhum momento tentaram feri-la realmente, era o original em distorcia suas falas, imitava suas vozes e a menosprezava e intimidava. Quando ela tentava fazer algo diferente por exemplo e recebia apoio, era ele quem fazia as vozes a desmotivarem, da mesma forma que fazia o contrário quando todos duvidavam da capacidade da pequena gênia. – Muito bem, não será algo difícil de se fazer, pelo menos não para mim. Vou precisar que contenha nosso querido Ego enquanto eu fico no seu corpo e crio. Me parece interessante a ideia de ter uma forma física no mundo de vocês.
- Mas claramente haverá um preço. – Observou a midgardiana com um sorriso ladinho.
- Está começando a me conhecer melhor. – Os dentes prateados da criatura apareceram quando ela abriu um sorriso grande de contentamento e seus olhos se fecharam por um breve momento. – Gosto um pouco de você, menina, por isto não vou exigir algo grandioso: eu quero que construa o androide que seu povo chamou de Visão em outros tempos.
- Estou começando a achar que você se apegou a ele, ser poderoso que me atormenta todo dia. – Havia uma leve demonstração de surpresa em seu rosto.
- Eu dei vida a ele. Foi talvez a coisa mais significante que fiz durante todos os meus milênios. – Subtiliter parecia um pai falando.
- Que eu sabia você também deu vida ao Ultron. – Lin comentou com uma sobrancelha arqueada e um sorriso irônico.
- Sim! Magnifico, não é mesmo? – ele tinha seus momentos de gênio louco as vezes. – Apesar de ele ter sido um pouco mais decepcionante e ter me perdido para os Vingadores. Vocês humanos para piorar ainda atribuíram os créditos da minha criação ao Anthony Stark, não... Ultron foi um desastre apesar de ter sido uma alegria para mim.
Subtiliter era um ser muito solitário, ele não tinha a companhia de almas, não podia se deliciar vendo todas as versões de passado e futuro, não podia alterar a realidade dentro do seu mundo ou viajar com sua consciência para qualquer lugar do universo que desejasse espiar, ele na maior parte do tempo instigava seus portadores a criar e ficava observando a vida por trás dos olhos de quem o portasse. Foi uma grande surpresa poder interagir com a Stark, a única que conseguia ouvi-lo além dos seus irmãos, desde então ele passava a maior parte do tempo com ela, contando sobre o que sabia, a ensinando coisas que iam desde como conseguir ler em todas as línguas que conhecia a como desenvolver corretamente o soro de super soldado e o experimento com raios gama. Ele se materializava como um ser esguio de cabelos curtos em cor de platina, com grandes olhos amarelos sempre curiosos, formas e escritas bem traçadas também em cor amarela marcavam todo o seu corpo assim como faziam com a irmã Utrimque e suas vestes se minimizavam a um único item: uma túnica muito colorida que cobria a maior parte de sua pele extremamente branca.
Um leve sobressalto de ambos e um chacoalhar quase imperceptível no mundo dele indicou que seu atual guardião estava o usando, quase que imediatamente um aspecto abatido tomou o rosto do ser. Era uma sensação horrível todas as vezes, a pedra poderia lhe dar de boa vontade um nível extraordinário de poder, mas quando o portador simplesmente tomava o seu poder como todos até agora fizeram a quantidade diminuía e a criatura lá dentro sentia cada fragmento de sua própria energia saindo de si. Era o mais próximo que sentiam de dor. Desta vez, porém a pedra ao verificar o que exatamente estava acontecendo deu uma pequena risadinha.
- Menina, seu amigo Loki já chegou até mim. – Ele colou sua mão sobre a testa dela, para que também pudesse ver.
- O quanto será que ele ficaria surpreso se você interferisse? – ela deixou a sugestão implícita, aguçando a vontade do outro.
- Que conveniente que ela tenha me colocado na cabeça, não é mesmo?
Houve uma risadinha aguda por parte da joia antes de tomar uma atitude.
(...)
Tudo estava uma bagunça naquele deserto, parte da construção que abrigava a Serpente da Lua desaparecera, alguns tornados surgiram e a guardiã agora estava em visível vantagem. Doutor Estranho que ainda lutava do lado dela "sem querer" algumas vezes acabou salvando o príncipe de golpes mais severos e cada vez mais causava estranheza e suspeita na mulher, Loki e ele tinham em mente o selamento místico para usar mas tudo dependia da posição em que estivessem, dos movimentos certos e de Heather não destruir suas mentes antes que finalizassem.
No momento era o asgardiano quem a enfrentava no corpo a corpo, ele é claro era mais forte devido a sua raça, mas ela conseguia aumentar o impacto de seus golpes com a joia e com seus próprios poderes telecinéticos. Se não estivesse enfrentando um deus seu adversário teria sérios problemas, mas Loki também conseguia aumentar de força com rapidez usando seus feitiços. Ambos desejavam imobiliza-la, enquanto o príncipe tentava fazer isto o mago realizava mais algumas das sequências necessárias para o selo.
Mas então ela fez o que eles temiam, apelou para joia da mente antes que a luta demorasse demais e ela ferisse o próprio orgulho. Talvez este tenha sido o seu erro, ninguém entendeu o que aconteceu, mas em um momento o deus se preparou par ter a mente destruída e no outro a Serpente da Lua desabou inconsciente. Loki e Stephen estavam se encarando silenciosamente, como se perguntassem qual dos dois havia feito aquilo quando a guardiã voltou a abrir os olhos, desta vez eles estavam em um raro e belo de amarelo.
- Vocês demoraram muito para vir me buscar. – Uma outra voz falou no corpo da mulher, uma voz tão antiga e poderosa que causou arrepios que nunca serão admitidos na pele de ambos os magos.
- Subtiliter? – O jotun arriscou, já havia ouvido as vozes de algumas das pedras, não seria surpresa se esta fosse a da joia da mente.
- Olá Loki. – Apareceu um sorriso tranquilo no rosto de Heather. – E Doutor Estranho. – Ela os analisou com curiosidade. – Devo alertar que possivelmente não terão a mesma facilidade com os meus irmãos, mas como eu não quis esperar mais... – o corpo levou a mão até a própria testa e de lá arrancou a pedra erguendo-a para Stephen, quando ele a tocou não houve resquícios de uma autodestruição já que esta não era a intenção da joia no momento. – Estou me confiando a você mago, é melhor fazer bom uso de meus dons. – Ela voltou a atenção para o que certa vez já foi seu portador – Se me usar como fez da última vez que fique claro que eu vou tomar o corpo da sua protegida e destruir você.
Como quem diz um bom dia a manifestação da consciência da pedra desapareceu e Heather desabou mais uma vez sem seus sentidos. Se fossem amigos os feiticeiros teriam de alguma forma comemorado naquele momento, mas não eram então o Strange apenas colocou a pedra de volta no cajado e abriu um portal que os levariam até o seu próximo destino, Gamora.
Duas joias do infinito já estavam com eles, agora faltam cinco.
