Capítulo Dezenove

A Victim

(Uma Vítima)

Ginny ainda estava sonolenta de um jeito bem descansado — dormira por seis horas interruptas! — ao ir tomar café da manhã no Salão Principal. Murmurou um cumprimento vago a Percy ao passar por ele nas escadas e caminhava pelo corredor do primeiro andar, tentando decidir se queria ovos ou panquecas, quando ouviu risadas.

Olhou ao redor, pensando que talvez Fred e George estivessem aprontando alguma, mas não parecia ser o caso.

— Onde estão seus sapatos, Di-Lua... digo, Luna?

De repente, Ginny estava bastante desperta e olhando na direção da voz. Um grupo de garotas do quarto ano — a maioria da Corvinal, apesar de achar que uma delas era da Lufa-Lufa — estavam ao redor de Luna. Ela era a única que estava de frente para Ginny, mas não parecia tê-la visto.

— Os Zonzóbulos — duas garotas do grupo suspiraram — os pegaram, acho — respondeu Luna, sem parecer perturbada com seus pés descalços, apesar de ser o meio de novembro e estar bastante frio. — Mas vão acabar aparecendo, eu sei. Obrigada por sua preocupação.

— As pessoas vão te achar estranha, sabe — disse uma das garotas. Ela parecia ser a líder; uma garota da Corvinal, com o cabelo encaracolado quase tão vermelho quanto o de Ginny. Ginny diminuiu a velocidade, observando.

— Não tem problema — falou Luna, tão imperturbável quanto sempre. — Nós todos somos um pouco estranhos às vezes.

— Acho que você é particularmente estranha — falou a garota ruiva, e não foi nada gentil. Ginny franziu o cenho. Luna era estranha, mas não de um jeito ruim. — Meio que uma aberração, na verdade. — Ginny parou completamente.

Devia ir se juntar a ela, sussurrou a voz de Tom. Afinal, você também é uma aberração.

Em vez de permitir que essas palavras a incomodassem, Ginny as aceitou; tinha demorado um pouco, mas lentamente entendia a lógica do que Harry tinha lhe dito, sobre usar o que Tom lhe deixara para ajudar as pessoas. Ele falara das lembranças, mas podia ser usado para os conselhos de Tom — ou o que sua imaginação passava por conselhos dele. Nem sempre era fácil, mas hoje era.

Sabe de uma coisa, vou fazer isso mesmo, disse para a voz e sorriu sozinha quando Tom não respondeu. Voltou para o outro corredor por um momento, tirando os sapatos e as meias, escondendo-os atrás de uma armadura. O chão de pedra era congelante contra seus pés descalços. Respirou fundo e voltou a virar a esquina do corredor, indo para onde Luna e as alunas do quarto ano estavam.

— 'Dia, Luna — disse. As alunas do quarto se viraram na mesma hora, e Luna olhou por entre elas.

— Olá, Ginny — respondeu ela, normal, como se não estivesse cercada. Aí, ela inclinou a cabeça para o lado. — Onde estão seus sapatos?

— Acho que os Zonzóbulos os pegaram — contou, dando de ombros.

— Ou vocês duas só são malucas — murmurou a garota ruiva, antes de continuar num tom de voz mais alto: — Você não é a garota que todo mundo achou estar por trás dos ataques do ano passado?

Foi quando Ginny congelou. Era claro que a garota tinha dito isso para incomodá-la um pouco, mas Ginny duvidava que ela soubesse o quanto a incomodara. Forçou-se a deixar de lado o lembrete e a mistura de sentimentos que o acompanhou, o que conseguiu um pouco, mas ainda não sabia o que responder; confirmar não era uma opção. Tom riu.

— Oh! — falou Luna de repente. — Ginny, acho que os Zonzóbulos não pegaram seus sapatos. Olá, Harry Potter. Olá, Draco Malfoy.

A garota ruiva e outra aluna do quarto ano soltaram sons de surpresa. Ginny se virou e viu Harry e Draco caminhando em sua direção. Harry acenou, confuso, para Luna com uma mão; na outra, estavam os sapatos de Ginny. Mas ele olhava para as garotas do quarto ano, e seu rosto corou um pouco. Isso era interessante. Draco assentiu, cauteloso, para Luna, mas depois olhou para Ginny. Seus olhos foram para os pés descalços dela, para as alunas do quarto ano, e ele ergueu uma sobrancelha. Ginny ergueu os ombros, impotente.

— Eu... erm... encontrei isso aqui — falou Harry, oferecendo os sapatos para Ginny. Ele parecia confuso, e Ginny sentiu-se muito envergonhada; era claro que ele e Draco não tinham ouvido o que estivera acontecendo antes de sua chegada, e Ginny não ia contar enquanto as meninas do quarto ano ainda estivessem ali. Aceitou os sapatos e notou que a líder ruiva e uma garota asiática franziam o cenho para ela. Harry parecia olhar de soslaio para uma delas, embora Ginny não soubesse qual.

— Achou os meus também? — perguntou Luna, esperançosa.

— Erm, não, Luna, desculpa — respondeu Harry.

— São azuis, têm uma fivela e são mais ou menos desse tamanho. — Luna levantou um pé e balançou os dedos para Harry, que olhou para Ginny, confuso, antes de voltar a olhar para as meninas do quarto ano.

— Se nós os virmos, levaremos até você — falou Draco. — Não é, Potter?

— Ooh, isso seria ótimo — disse Luna, sorrindo para os meninos.

— Não se preocupe — falou Harry. — Estão com fome? — perguntou a Ginny, o rosto ainda um pouco corado, e depois olhou para Draco, que revirou os olhos.

— Sério, você é o epítome da coragem Grifinória, Potter — falou ele, mas passou pelas meninas do quarto ano, indo na direção das escadas do Saguão de Entrada. Harry começou a ir atrás dele, parecendo aliviado.

— Harry! Espere... você tem um minuto? — A garota asiática se afastou de suas amigas, o rosto corado. Harry hesitou, mas acabou fazendo um gesto estanho para Draco. Apesar de a mensagem ser clara, para que o outro não o esperasse, ele tinha uma expressão engraçada no rosto, ansiosa e aterrorizada, como se esperasse que Draco insistisse que ele fosse tomar café da manhã agora e conversasse com a garota depois.

Mas não foi o que Draco fez.

— Você vem, Garota-Weasley?

Ginny não precisava que ele repetisse; foi atrás de Draco, parando apenas quando passou por Luna.

— Vamos, Luna, tô morrendo de fome — disse, como se nada tivesse acontecido, como se não estivesse descalça, com os sapatos embaixo do braço, como se várias meninas de catorze anos não tivessem conseguido incomodá-la com a mesma facilidade de Tom, como se Harry não a tivesse salvado de novo.

— Tchau — disse Luna para as garotas e a seguiu. Ginny olhou por cima dos ombros ao chegar às escadas que levavam ao Saguão de Entrada e viu que Harry e a garota conversavam, desconfortáveis, enquanto a amiga da garota observava.

— O que tá acontecendo ali? — perguntou Ginny a Draco.

Aquela — respondeu ele, claramente divertido — é a Cho Chang.

Ginny ergueu as sobrancelhas; conhecia o nome, é claro, porque ele tinha sido mencionado diversas vezes no Salão Comunal. Harry corava todas as vezes, e Ron e Draco se deleitavam ao abusar disso.

Ela? —perguntou Ginny, franzindo o cenho. Voltou a olhar por cima do ombro, mas Harry, Chang e as outras garotas já não estavam mais em seu campo de visão. — Mesmo? Mas ela... — Draco voltou a erguer uma sobrancelha, e Ginny engoliu o que estivera prestes a dizer; que a única vez que conseguira fazer Harry comentar qualquer coisa sobre Cho Chang, ele tinha dito que ela era bonita e legal, mas pessoas legais não ficavam paradas enquanto seus amigos zombavam outras pessoas... a não ser que ela fosse legal, mas covarde. — Deixa pra lá. — Supôs que era bom Harry ter um gosto bom o bastante para não gostar da menina ruiva.

Os três caminharam em um silêncio confortável depois disso e, apesar de Ginny ter tentado convencê-la a se sentar com ela, Draco, Ron e Hermione (que claramente tinham descido mais cedo e já estavam acomodados), Luna se separou deles para ir se sentar à mesa de Corvinal com as gêmeas Greengrass e um garoto do terceiro ano cujo nome Ginny não sabia.

— Vocês demoraram — falou Hermione, erguendo os olhos de sua cópia do Profeta Diário quando Ginny e Draco se sentaram. — E por que está segurando os sapatos, Ginny?

— Harry, você mudou desde a última vez que eu te vi — falou Ron, fingindo apertar os olhos para Ginny, que mostrou a língua.

— Hilário — suspirou Draco, mordendo sua maçã no mesmo instante que Ginny cobria os dedos gelados com a meia e dizia, carinhosa: — Culpa da Luna. — Hermione fez uma careta, e Ron bufou, zombeteiro, mas recostou-se em sua cadeira, procurando por Harry.

— Ele está com a Chang — falou Draco. Ron ergueu as sobrancelhas.

— De novo?

— Ela queria conversar com ele — falou Draco, dando de ombros, antes de dar um sorrisinho afetado. — Tinha que ter visto a cara do Potter; ele estava aterrorizado, né? — Ele olhou para Ginny, que sorriu.

— Ah, ele não tem jeito — suspirou Hermione, virando a página do jornal.

— Algum jeito ele tem, se ela ainda quer conversar com ele — falou Ron.

— Ele não tem — insistiu Hermione, revirando os olhos. — É que Cho gosta dele o bastante para não ligar pra isso.

— Então não faz diferença, né? — perguntou Ron. — E como sabe que a Cho gosta tanto assim dele se nunca conversou com ela? — Hermione bufou e deixou o jornal de lado. Draco o puxou para ler, e Hermione nem percebeu; ela tinha se virado para Ron.

— Acredite ou não, Ron, eu...

Ginny revirou os olhos e começou a montar seu prato. Harry não demorou a se juntar a eles, sentando-se no lugar vago ao lado de Ron. Ele e Hermione não pareceram notar; eles estavam envolvidos demais na sua discussão, e Draco chegou a erguer os olhos do jornal roubado, mas não falou.

— 'Dia — falou Ginny. — De novo.

Harry estava muito concentrado em montar um pão com ovos e bacon para olhar para ela, mas respondeu:

— É, bom dia. Perdi muita coisa? — Ginny olhou para os outros três, os lábios torcidos, e balançou a cabeça. Eles comeram (ou Ginny comeu, enquanto Harry beliscava seu pão), e o humor dele, que estivera bom (ainda que um pouco envergonhado) quando ele se sentou, parecia piorar a cada minuto.

— Não está com fome? — perguntou Ginny. De todas as coisas, foi isso que tirou a atenção de Hermione de Ron e, quando Harry deu de ombros, ela franziu o cenho.

— Você não comeu ontem à noite — disse ela.

— Nem todo mundo tem o apetite do Weasley — falou Draco sem sair de trás do jornal. Ron abriu a boca, antes de parecer pensar melhor e continuar a fazer o que estivera fazendo: enchendo seu prato de ovos mexidos. Seu sorriso era igualmente envergonhado e orgulhoso.

Hermione pareceu se sentir divertida — ainda que só por um momento —, mas aí Harry desistiu completamente de seu café da manhã e apoiou a cabeça nos braços cruzados sobre a mesa. Ginny conseguia ver que Hermione ia atormentá-lo mais um pouco, e Harry não parecia estar no humor certo para isso, então Ginny se intrometeu ao dizer:

— Não estamos te deixando dormir?

— Algo do tipo — suspirou Harry.

— Não está tendo aqueles sonhos de novo, né, Harry? — perguntou Hermione, hesitante.

— Não. — Harry a olhou feio, mas o efeito foi perdido pelo fato de ainda não ter levantado a cabeça. Ron e Hermione se entreolharam; Hermione parecia tentar convencer Ron a fazer mais perguntas, e Ron (porque Ginny conhecia bem as expressões de seu irmão) dizia silenciosamente que não ia se meter nessa conversa.

— Bem — disse Draco, abaixando o jornal pela primeira vez —, se não vai nos contar qual é o problema para que possamos ajudar, Potter, então o mínimo que pode fazer é parar de se lamentar.

Harry se virou para olhar feio para ele, mas Draco não olhava de volta; uma enorme coruja tinha descido na frente deles e pousado na mesa. Ela ofereceu a pata pomposamente, tomando o ar tão logo Draco pegou a carta.

— Não estou me lamentando — murmurou Harry para ninguém em particular.

— Não, claro que não está — respondeu Draco, de alguma forma conseguindo ser sarcástico apesar de estar distraído com sua carta.

— De quem é? — perguntou Hermione.

— Lucius Malfoy — respondeu Ron na mesma hora, e Ginny cerrou os olhos ao ouvir o nome. — Você viu a coruja?

— Sim, é do meu pai — falou Draco. — Ele disse que, se o que eu tenho a contar for tão interessante quanto eu acho ser, as acusações contra o Hipogrifo serão retiradas até a virada de ano. — Ele se recostou em seu assento, parecendo satisfeito.

— Devíamos contar ao Hagrid — falou Ron. — Assim que terminarmos por aqui.

— Posso ir junto? — perguntou Ginny. — Eu ia visitá-lo à tarde, mas se vocês vão agora...

— Não sei por que não poderia — respondeu Ron. — É o Hagrid. E como acabamos de tomar o café da manhã, ele não vai tentar nos dar comida...

Meia hora depois, os cinco atravessavam os jardins cobertos de neve em direção à cabana de Hagrid. À frente, Ron tinha colocado neve na parte de trás do suéter de Draco, e usava Hermione como um escudo humano contra a vingança de Draco.

— Então? — falou Ginny, caminhando ao seu lado. Ele desviou os olhos dos outros três e franziu o cenho para ela. Ginny ergueu uma sobrancelha.

— Sonhos — murmurou Harry depois de um momento.

— Mas você falou para a Hermione...

— Não são exatamente sonhos — suspirou Harry. — É difícil de explicar. Antes, eu via conversas, com Voldemort... — Ginny estremeceu, não apenas de frio, e Harry revirou os olhos. — Mas agora, eu vejo... bem, nada. Nada de sentimentos, nem pessoas ou palavras.

— Bem, isso é algo bom, não? — perguntou Ginny lentamente. — Digo, seus sonhos são úteis às vezes, mas...

— Mas o nada é um sonho — falou Harry, antes de bufar, frustrado. — Eu disse que era difícil de explicar. É como... quando eu durmo, está tudo escuro e silencioso, mas é um sonho.

— Então quando sonha com ele, sonha com nada? — perguntou ela, confusa.

— Mas nada é, ainda, alguma coisa — falou Harry, agitado. — Não é normal, não é... Eu sei que é Voldemort, mas eu... Ele achou uma forma de me bloquear, ou talvez eu tenha feito algo...

— Não — falou Ginny. Harry a olhou de soslaio. — Se quiser bloqueá-lo, você tem que tentar de verdade... — Ginny se abraçou. — Mas você acha que seus sonhos são importantes demais para fazer isso...

— São — falou veementemente. — São as únicas coisas que eu tenho no momento, e se eu vir a coisa certa, podemos acabar pegando o Wormtail e o Crouch...

— Não disse que discordava — disse, e Harry se calou. — E se ele estivesse te bloqueando, você não veria nada...

— Mas não estou vendo — falou Harry.

— Você disse que nada é alguma coisa — lembrou. — Talvez sem pessoas ou palavras, mas ainda é ele. Não seria o caso se ele estivesse te bloqueando. Seria apenas você.

Harry ficou em silêncio por vários momentos, os olhos no campo de Quadribol, onde o time de Lufa-Lufa treinava para a partida da próxima semana contra a Corvinal. Por fim, falou:

— Bem, algo mudou — murmurou, pausando. — Da última vez... O último sonho que eu tive, o homem que está com ele disse que estavam quase prontos para o... ritual ou qualquer coisa do tipo. E se eles o realizaram? E se ele recuperou o corpo?

— Então já aconteceu — falou Ginny, engolindo. A ideia a fazia estremecer e ela não tentou esconder. — Não há muito que possa fazer sobre isso.

— Acho que é uma forma de ver as coisas — suspirou Harry. Parou de repente e desviou quando um bola de neve de Ron passou por ali. Balançando a cabeça e, quase sorrindo, abaixou-se para fazer uma bola de neve.

— Olha — falou Ginny, parando —, eu sei que ele recuperar o corpo é... bem, não é algo bom... — Harry a olhou. — É, tá bom — disse —, falei o óbvio, mas... por que... Acha que ele vai vir atrás de você? Ou...

— Algo do tipo — falou em voz baixa, sem encontrar seus olhos. — Eu só... talvez seja inevitável que ele recupere o corpo, mas... eu... não achei que seria tão cedo.

— Se for o caso, Dumbledore cuidará de tudo — falou Ginny, confiante. — Ele é o único bruxo de quem Tom tem medo, e você está em Hogwarts, onde ele pode ficar de olho em você. Dumbledore não permitiria que algo acontecesse a você, Harry.

— Você tá parecendo a Hermione e o Ron — murmurou ele. Ginny imaginou, mas não perguntou, o que Draco tinha a dizer sobre tudo isso. Ou Sirius.

— Bem — falou ela ironicamente —, não posso falar por Ron, mas Hermione costuma estar certa. — Harry abafou uma risada e fez outra bola de neve. Algo gelado e macio atingiu a parte de trás da cabeça de Ginny, arrancando uma risada surpresa de Harry. Virando-se, Ginny viu Hermione com a boca aberta em horror, as mãos ainda erguidas; era provável que ela estivera mirando em Harry e errara.

Ginny se virou para Harry, os olhos cerrados, os lábios se torcendo e a mão esticada. Ele lhe deu uma bola de neve.

-x-

E aí, ela finalmente estava sozinha. Dmitri sacou a varinha e se aproximou, um feitiçozinho ardiloso abafando qualquer barulho que pudesse fazer. Ela ainda estava de costas para ele ao continuar parada na porta, observando o carro do marido se afastar. Ela não sabia que ele estava ali.

Ia ser fácil. Fácil até demais. Seu Lorde, Wormtail e Crouch achavam que ela estaria muito protegida, mas claramente não era o caso. E se ela não era perfeita, não era o garoto, que assim fosse; depois de desmaiar há uma semana, o Lorde de Dmitri ainda não acordara e, ultimamente, ele nunca descansava por mais de um ou dois dias sem acordar. Ele estava — inconcebivelmente — ficando cada vez mais fraco.

Algo tinha de ser feito.

Dmitri tinha conseguido mandar uma mensagem para Wormtail, mas ele ainda não aparecera, tampouco oferecera alguma coisa além de sua preocupação. Dmitri chegara até a arriscar mandar uma mensagem para Crouch, mas ou ele não quisera responder, estava sendo vigiado demais para responder ou nem sequer recebera a mensagem.

Tudo dependia de Dmitri. Se desse errado — apesar de não saber como, nessa altura, isso poderia acontecer —, então a culpa seria completamente sua, e seu Lorde não era misericordioso. Mas se desse certo, o crédito era todo seu. Ele certamente teria se provado ao tomar a iniciativa para salvar seu Lorde. Wormtail, Crouch nem o Lorde das Trevas poderiam continuar a olhá-lo e duvidar de sua dedicação.

Ela ainda não o olhava; pela porta aberta, ela observava uma senhorinha trêmula em seu jardim, com vários gatos peludos em seus calcanhares. O carro do marido já estava na metade da rua. A qualquer momento, a esposa já não conseguiria vê-lo e ele não a varia mais.

Dmitri ergueu a varinha com uma mão e tirou um frasco enorme de vidro das vestes com a outra. Ele se aproximou.

Então, ela se moveu, e ele viu seus olhos irem para a pequena bolha de vidro que era o olho mágico da porta. Ela ficou boquiaberta. Ela tinha visto seu reflexo, ele soube na mesma hora.

Dmitri gritou uma maldição, mesmo quando ela voltou a se mover; o que devia ter aberto seu pescoço, atingiu seu braço quando ela saiu correndo da casa, gritando. Dmitri deu um passo para frente, mas ela já estava na entrada de carros, quase na rua. As cortinas estavam sendo abertas, assim como as portas, e a velhinha da casa ao lado ergueu os olhos de seu jornal.

Xingando e sentindo-se doente por ter falhado — e o que seu Lorde diria... Dmitri balançou a cabeça. Seu Lorde não precisava saber, não havia motivo para ele saber, tampouco Wormtail e Crouch. Era uma pena Dmitri não ter terminado o trabalho e não ter matado a mulher, mas não havia mais tempo e havia muitas testemunhas. A não ser que imitasse Wormtail e destruísse a rua inteira, não havia muito que pudesse fazer, e isso chamaria a atenção do Ministério Britânico.

Ainda xingando, Dmitri girou no mesmo lugar.

Continua.

N/T: Obrigada a quem comentou no capítulo anterior.

Quem será que o Dmitri atacou?

Até semana que vem!

E, ah, se alguém estiver lendo, capítulo 2 de Defining Moments já está no ar. Comentem por lá também!