Capítulo 18: Ciclo
.
.
.
O dia nasce aos poucos. Lençóis brancos de algodão estão emaranhados ao redor de suas pernas inquietas, o amanhecer acariciando o contorno de seus ombros.
A janela está aberta, um ar úmido adentrando.
Sua mente está cheia de plantas, geometria e planos para o futuro, o ar indo e vindo de seus lábios entreabertos. Sakura passara os últimos dias com arquitetos desenhando plantas para seu hospital infantil. Sua mesa está um caos organizado, pilhas de pastas e papéis diversos.
Ela não recebeu resposta para sua carta.
Seus olhos se abrem, focando nos raios de sol, nas linhas de energia, no cantarolar do pássaro ao peitoral de sua janela. Sua mão direita está relaxada, esticada displicentemente ao seu lado, e quando ela se move, o farfalhar de papel chama sua atenção.
Ali, sob sua mão, está uma singela pilha de cartas. Ela as ergue devagar, sobrancelhas franzindo. Elas são familiares, mas a do topo está num envelope ainda selado.
Ela o abre sem pressa, e pérolas rosadas caem em sua cama, seguidas por uma carta. Ela a desdobra com cuidado; sua caligrafia é uma que ela já gravou no coração, e sem querer, seus olhos queimam pelas lágrimas. Ela lê mesmo quando capta movimento pela visão periférica. Seus olhos não deixam o papel.
Seus lábios tremem.
— Eu sei que você as coleciona. — ele diz, e seus olhos se fecham. — Então eu acrescentei uma.
Seus dentes se fecham contra seu lábio inferior, e após um momento, ela expira tremulamente, em catarse. — Acrescentou uma?
— Uma carta de amor.
Ela rola até ficar de costas, subitamente receosa demais para olhá-lo nos olhos, encarar seu próprio coração desesperado.
— Sakura. — ele sussurra, e ela vira a cabeça, encontrando a coragem para abrir os olhos. Ele está ajoelhado ao lado de sua cama, rosto a meros centímetros do seu. A pintura está recostada na parede atrás dele, sua bolsa está no chão. Ela encontra seus olhos timidamente.
— Sasuke-kun. — ela murmura, e sua mão deixa o papel cair no chão, movendo-se para tirar o cabelo do rosto dele. Ele é quem fecha os olhos dessa vez, derretendo sob seu toque. Uma calorosa lágrima escorre pela bochecha dela e cai no travesseiro.
Ele beija a palma de sua mão, tatua uma promessa em sua pele. — Sakura… voltei para casa.
.
.
.
Fim
Obrigada a TODXS que leram Constellations até o final, mas um beijo e abraço em especial para quem acompanhou desde 2017. :)
