Narcissa seguiu olhando para ele sorrindo, seus pensamentos voavam longe... foi assim que se aproximou, deitando a cabeça sobre o ombro do homem que a encarava com curiosidade. Sentia saudades e queria, simplesmente, ficar ali ao seu lado sem se importar com o estado calamitoso que se encontrava. O amava, mesmo que aquele bruxo de cabelos castanhos já tivesse feito tantas coisas contestáveis. Mas, jamais esquecera que, quando ela precisou, ele foi alguém que lhe deu apoio e palavras de conforto. O passar dos meses, após ser abandonada grávida, os levaram a se aproximar aos poucos.
Aquilo foi se desenvolvendo lentamente. De dois quase desconhecidos, ligados apenas pelo sangue e laços familiares, se tornaram amigos e namorados. Quando Draco nasceu, foi aquele homem quem se esforçou a ajudá-la com trocas de fraldas, horários trocados de sono... até que, um dia, se esqueceram totalmente das barreiras que os impediam de ficar juntos. Durante uma madrugada se entregaram um ao outro, pouco depois, casaram... foi perdida nessas lembranças que permaneceu, durante um tempo, com o braço ao redor da cintura de Sirius.
- Como eu te amo... - sussurrou traçando linhas pelas tatuagens que se espalhavam por todo o peito e pelos braços.
Antes de se levantar e fazer um gesto para que a acompanhasse, suspirou o encarando novamente. Como prometera, iria cuidar do seu bruxo, após todos os anos que foram obrigados a ficar distante. Antecipando os gestos de Narcissa, antes que a loira dissesse ou fizesse qualquer coisa, a puxou pela mão para que o seus corpos ficassem juntos. O olhar que Sirius lhe direcionava era cheio de malícia e segundas intenções. Fantasiou tantas vezes em ter aquela mulher novamente em seus braços que o desejo o queimava por dentro... de tal modo que o deixava como um desatinado.
Sem qualquer aviso, levantou a bruxa no colo, o que acarretou no ato dela o abraçar com as coxas. Aquilo o deixou louco... não resistindo a tentação, murmurava uma série de frases indecentes a respeito do que pretendia fazer com ela. Não havia um fetiche na sua mente que não a envolvesse. Era inegável que experimentava um tesão louco, fazendo com que os seus carinhos fossem urgentes e vorazes.
Ela mal respirava com a intensidade das carícias e dos beijos que eram distribuídos pelo seu pescoço e colo. As sensações daquelas mãos grandes e ásperas apertando o seu corpo eram enlouquecedoras... assim como experimentar novamente o fogo lhe cortando a alma, ao passo que, o corpo dele tocava o seu. Tudo era tão injustificável e indefinível, que nenhum pensamento lógico era construído pela sua mente naquele instante.
- Sirius... eu... não me importo de me sujar um pouquinho com você – os olhos dela brilhavam de admiração e lubricidade. Nunca entendera, com exatidão, como é que a sua presença a tirava do prumo. Aquele homem era o único que possuía o dom de agradá-la plenamente, fazendo com que deixasse de ser uma dama de gelo ou alguém que fingia ser inatingível.
- Claro que eu vou macular toda a sua límpida pele, linda loira. Acha que ganhar o céu não tem o seu preço? – retorquiu os despindo com avidez, se atrapalhando um pouco com as calças que prendiam as suas pernas, quase caindo. Narcissa soltou um riso alto. Estava convicta de que não chegariam inteiros ao banheiro se prosseguissem daquele jeito tão afoito por conta da forte lascívia. Pareciam dois adolescentes virgens, nervosos pelos hormônios descontrolados, com medo do flagrante e desesperados para fazer sexo pela primeira vez.
Ao se livrar daquele bolo de tecidos retorcidos, com a ajuda da bruxa, entrou com ela no box do chuveiro. Em meio a beijos mais intensos e afagos pungentes, ligou o chuveiro deixando que a água caísse em cima dos dois. Aquele hálito quente de hortelã contra o seu pescoço, aqueles lábios roçando a sua pele, eram o sinal necessário para que seus atos recebessem aprovação. A loira soltava suspiros longos, o apertando contra o corpo, aproveitando os sentimentos que eram proporcionados a cada toque.
Sirius, notando que ela já estava entregue, mordiscava as suas orelhas. Neste momento, Narcissa se arrependia amargamente de ter cortado o cabelo dele tão curto, usando o feitiço Diffindo. Por não ter como entrelaçar com os seus dedos, aqueles fios ondulados e castanhos, se conformaria em afagar a nuca. Atritando as unhas contra o couro cabeludo, faria com que se lembrasse de que pertencia a ela cada pedaço daquele corpo.
O bruxo se via completamente enfeitiçado. Todos os detalhes daquela mulher o encantavam de um jeito inexplicável. A enxergava como alguém merecedor de carinhos cuidadosos e gentis. Não havia nada nela que não fosse digno de adoração... considerava Narcissa fantástica com as suas inseguranças, medos e incertezas. Isso o levava a beija-la furiosamente, deixando um trilho de marcas avermelhadas que traçavam todo o caminho dos desejos acumulados por anos. Em gesto, sentia que era observado por dois olhos muito atentos aos seus movimentos.
Ao mesmo tempo, descia os lábios para mordiscar os seios. Ali dedicou um bom tempo entre lambidas, carícias e chupões que a faziam gemer e ficar ainda mais excitada. Com uma das mãos a masturbava, ao mesmo tempo em que, com a outra, a segurava firme pela cintura para que não tentasse se afastar. Adorava ficar tocando aquele ponto sensível... era o local exato onde poderia roubar suspiros, acelerar a respiração e a fazer gritar de prazer em seus braços.
Sem esperar autorização, se ergueu a segurando pelo cabelo, fazendo com que lhe desse as costas. Isso oportunizou roçar o membro contra as nádegas dela, a prendendo com o corpo contra o vidro. Assim pode retornar a distribuição de chupões e mordidas pelo pescoço... mantendo os dedos na intimidade de Narcissa até sentir os seus dedos quentes e molhados com os líquidos do gozo que começavam a descer.
Com isso, se abaixou novamente, se ajoelhando diante da bruxa, para abocanhar a sua intimidade. Para facilitar o contato, puxou uma das pernas da loira para colocar sobre o seu ombro e lamber, sugando o clitóris, com verdadeira ânsia de sentir o gosto dela novamente. Ela gritava o seu nome cada vez mais alto, como se implorasse pela libertação, enquanto esfregava o sexo contra a boca do homem. Sirius, ao perceber que a sua esposa gozava, em meio ao vai e vem dos seus dedos e a agitação da sua língua, esperou que atingisse o clímax antes de se erguer.
- Cissa, sinta o seu gosto e veja o quanto é gostosa - disse se levantando do chão lhe beijando profundamente. No mesmo segundo em a penetrava o mais fundo que pode.
A água quente banhava os corpos, abafando os ruídos dos corpos se chocando sem piedade. As palavras sem sentido, em meio a gemidos e a respiração pesada, eram amortecidas pelos beijos cada vez mais necessitados.
- Você é minha... - falava a segurando pelo queixo para olhá-lo.
- Sirius... não para! Mais forte... – o corpo dela vibrava e a sua voz saia quase como um sussurro.
Suas unhas arranhavam o bruxo, a medida em que, os espasmos se tornavam mais violentos. As suas costas arqueavam, como se tentassem empurrar a parede que a impedia de cair com as estocadas mais fortes e a sua perda de controle. A cada golpe, no impulso do vai e vem, com o pênis entrando e saindo de dentro do seu corpo, Narcissa prendia Sirius com força, o fazendo arfar. No fundo, temia que aquilo não passasse de um sonho ou um magnífico delírio.
A bruxa já se encontrava muito próxima de perder completamente o senso, sua intimidade pulsava diante daquela paixão tão desmedida... Sem pensar ou se importar com o que poderia acontecer, o mordeu com força ao contrair o corpo descontroladamente. Foi então que, intensificou ainda mais os impulsos da penetração, acelerando toda a ação. Por mais que lutasse para manter a razão, se via perdido nos sussurros da loira. Sempre fora ciente de que a demora proporcionava que ondas de prazer explodissem como vulcões por todo o corpo... quando ela o prensou, mais uma vez, todo o seu corpo tremeu em meio à ejaculação.
Não querendo sair de dentro daquela que o enlouquecia, a fez levantar o rosto, o beijando por inteiro. Mantendo a fricção entre os sexos, Narcissa gritou contra a sua boca e o calor do clímax, que escorria, o entorpeceu. Aquela respiração descompassada, contra o seu pescoço, mostrou que desabara após o terceiro orgasmo. Percebendo que as suas pernas falhavam e, ela, pesava como se estivesse desmaiada ou adormecida, sentou no chão do box tentando acalmar o seu coração acelerado. Ainda estava zonzo e os seus pensamentos não eram coerentes para decidir o que quer que fosse naquele momento.
- Cissa? – a sacudiu, fazendo com que a bruxa o encarasse com os olhos semicerrados.
- Hmm – ela respondeu preguiçosa dando um meio sorriso em meio a um bocejo.
- Tudo bem? – perguntou preocupado, visto que, o corpo dela estava mole.
- Sim... eu... hmmm – sem concluir a frase, recostou a cabeça no peito dele e dormiu profundamente.
Sirius sorriu vendo que a deixara muito satisfeita, sem ar e cansada. Sempre admirou o quanto se mostrava entusiasmada com o sexo, poderia nunca ter sido das mais experientes, mas a via como muito próxima à perfeição. No fundo, suspeitava que, a maneira com a qual contemplava tudo o que Narcissa fazia, era uma consequência das sensações que ela lhe proporcionava.
Inegavelmente, a amava e, algo lhe garantia, que era com aquela bruxa que o seu fogo ardia infinitamente. Questão que se traduzia em tudo o que eram capazes de fazer e proporcionar fisicamente um com o outro... um querer sem fim que os levava a ultrapassar limites. Sua vontade era a de ficar ali mesmo, abraçado ao corpo dela, sentindo o seu cheiro de flor. Nunca esquecera o dia em que descobriu o seu segredo tão bem guardado... ela fabricava os seus próprios itens de higiene pessoal e se dedicava por horas a preparar o seu shampoo de jasmim com rosas. A lembrança, por mais banal e sem sentido que parecesse, o deixava feliz. Aquilo apenas era uma prova do quanto a sua esposa era maravilhosa.
No entanto, depois de ter se perdido nos devaneios, ponderou que o mais correto era voltarem para a cama. Seu corpo denunciava que ambos precisavam descansar um pouco. Não demoraria muito para clarear o dia e pudesse rever os seus amados bruxinhos.
Ao acordar, Narcissa constatou que estava toda dolorida por conta da noite anterior. Ao seu lado, Sirius dormia profundamente, roncando alto pela posição que se encontrava. Vendo a cena, ela sorriu e mordeu o lábio pensativa... queria um pouco mais dele pela manhã. Com isso, foi se aproximando lentamente, posicionando a perna entre as dele. Mal encostando na virilha, o ouviu gemer baixinho e o pênis começar a dar sinais de aprovação com o contato. Compreendia que, naturalmente, aquilo não era incomum para um homem. Entretanto, questionava o fato de que se mantivesse aquele movimento, ele não acabaria despertando por conta das sensações proporcionadas. Assim o fez e ele soltou uma respiração pesada, a puxando para que ficasse mais perto.
- Sirius... você já acordou, querido? – ela murmurou próximo ao ouvido dele, que riu baixinho mantendo os olhos fechados.
- Não, eu ainda estou dormindo, bruxa bonita. Aliás, neste exato momento, eu estou no meio de um sonho erótico com uma loira devassa... não me atrapalhe – respondeu segurando um pouco o riso e continuou:
- Porém, se quiser continuar fazendo isso... fique à vontade. Eu não me oponho.
- O que exatamente? Eu não entendo... – questionou com um ar inocente, esfregando mais uma vez, a parte interna da sua coxa nele. Como a resposta foi apenas mais um suspiro, decidiu inquirir novamente:
- Você quer que eu siga fazendo isso, amor? – continuou com o ato, descendo uma das mãos para intensificar o contato entre eles.
- Mmhm – respondeu sem abrir os olhos colocando as mãos atrás da cabeça.
- Sei... e você gosta? – perguntou massageando o membro dele.
- Sim... entretanto, não me provoque, Narcissa – falou a segurando para que parasse o gesto.
- Silêncio, priminho lindo! Você está dormindo e sonhando com uma loira te masturbando, esqueceu? – a bruxa riu antes de ter os seus planos interrompidos. Viu toda a sua ideia de sexo matinal cair por terra ao ouvir batidas na porta e vozes muito animadas do outro lado. Aquilo a fez lembrar que era Natal e, o pior, se não levantasse rápido da cama as crianças invadiriam o quarto para encontrá-la a qualquer momento.
- São os nossos filhos? – Sirius sentou na cama a encarando.
- São... quer recepciona-los, Sirius? – ergueu a sobrancelha retribuindo o olhar com um ar de desafio.
- Se eu abrir a porta nesse estado... vejamos, vou ser preso por atentado ao pudor, corrupção de menores e qualquer outra coisa que deixe os meus filhos traumatizados, me odiando. Eu vou tomar um banho gelado e já volto – se levantou, rapidamente, se trancando no banheiro.
- Mãe? Mamãe? – as vozes seguiam do outro lado gritando e esmurrando a porta ansiosamente.
- Só um minuto, amores... eu estou me vestindo – respondeu com calma indo em direção para abrir e deixar que eles entrassem no quarto.
Mal acabara de fazer o gesto, ao dar passagem os seis cruzaram o curto espaço correndo, contando dos presentes e de como se organizaram para acordar cedo. Ela ouvia tudo com atenção, mesmo com todos falando conjuntamente... ficava maravilhada com o quanto se encantavam com pequenas coisas e relatavam coisas banais como se fossem aventuras fantásticas. As crianças ficaram em silêncio ao escutarem a porta do banheiro se abrir, arregalando os olhos ao verem quem saía de lá.
- Pai? – Sirius mal teve tempo de se mover, quando foi derrubado por cinco pequenas criaturas felizes o abraçando.
- Vocês vão me matar desse jeito, pequenos diabretes! – ele ria, retribuindo o gesto e beijando cada um. Vendo que Luna ficara para trás, ao lado de Narcissa, se levantou ainda com Sagitta agarrada na sua cintura e foi em direção as duas.
- Olá, Lua... não ficou contente de ver o seu pai também? – questionou um pouco inseguro. Percebera que a menina era diferente dos outros e tentaria se aproximar aos poucos.
- O senhor não é meu pai... – respondeu abraçada na tia, que acariciava os seus cabelos, passando segurança.
- Como não? Se eu sou pai da Hermione e do Draco e, os dois, são irmãos do Leo, da Sagitta e do Pictor, isso faz com que eu seja seu pai também... ou você não quer me adotar? – retorquiu sorrindo para a pequena loira.
- Quero... uma pergunta, o senhor gosta de doce? – perguntou o encarando com atenção. Sirius direcionou rapidamente os olhos para Narcissa, que mexia os lábios formando a palavra "Pudim", antes de responder com um questionamento:
- Eu adoro pudim... e você?
