Capítulo Dezesseis (Rumo à Sibéria)

"Cobaia científica? O que aquele louco de outro planeta quis dizer com isso?" pensava Danisa.

— Arg, quem ele pensa que é para vir aqui e encher minha cabeça com bobagens!? — ela resmungava de um lado a outro no quarto. — Aquele idiota!

A porta do quarto se abriu e Tony entrou, fechando rapidamente a porta atrás de si.

— O que faz aqui? — ela questionou, olhando para o moreno com uma expressão zangada.

— Vim ver como estava baby. — disse o moreno sentando na beira da cama e convidando-a a fazer o mesmo. — Depois que o homem rena foi embora, você saiu rápido de lá e não saiu mais desse quarto. Fiquei preocupado.

— Não precisa se preocupar. — ela disse sentando-se na cama, frustrada.

— Ele disse algo para você, o que foi? — indagou curioso.

— Nada. — ela deu um beijo demorado e ardente, calando o mais velho.

— Hum, acho... Que podemos conversar sobre isso depois. — ele retribuiu o beijo e ambos passaram o restante do dia assim, entre beijos e amassos.

— Nós estamos juntos? — perguntou o moreno quebrando o silêncio acolhedor.

— Estamos juntos agora, não é? — ela disse simplesmente, tentando não prolongar a conversa.

— Você entendeu o que eu quis dizer. — ele se virou na cama para olhá-la. — Isso é um namoro? Quer dizer, um desses relacionamentos sérios que as pessoas normais têm?

— Por favor, não me faça uma pergunta dessas, você é o experiente aqui. — ela estava começando a ficar tensa. — Eu gosto muito de você, mesmo, mas eu não sei te responder isso.

— Eu posso ser experiente em muitas coisas, mas em relacionamentos eu não sei muitas coisas. Tudo bem por isso. — ele disse enquanto aninhava a jovem em seus braços. — Eu me sinto bem com você, é o suficiente para mim no momento.

Danisa acordou com o barulho irritante do despertador. Ela olhou para o lado, ele não estava lá. Na cabeceira da cama havia uma linda bandeja de café da manhã e um cartão.

"O Capicolé começou o dia cortando meu momento de plena felicidade e me chamou para ajudá-lo com algo, provavelmente quer descobrir como usar um computador, talvez eu indique alguns sites de encontros. Não que eu tenha usado alguma vez, eu não preciso disso.

Enfim, acordar ao seu lado é muito bom! Espero que goste do café da manhã, muitos beijos.

Seu Tony

P.S: Eu mesmo cortei a maçã, antes que pergunte é um coração!"

Danisa nem se deu conta que estava sorrindo. Ao encarar a bandeja a sua frente deu uma sonora gargalhada ao ver a obra de arte em uma maçã que Tony fizera. Agradeceu a explicação do moreno a respeito do formato, ou ela poderia jurar que aquilo era um tipo de estrela deformada.

A jovem fez sua higiene matinal depois de tomar o café e desceu. Naquele momento a Torre estava praticamente vazia. Seus pés pareciam ter adquirido vida própria, pois a levavam para outro lugar, um que ela não ia a um bom tempo, o laboratório. Ela sabia que haveria alguém ali, mas também estava com a cabeça trabalhando a todo vapor e talvez lá ela encontrasse ajuda.

A porta do laboratório se abriu silenciosamente, o homem nem notara que ela havia chegado. Ela parou um pouco distante para observá-lo. Ele mexia em alguns tubos de ensaio com as sobrancelhas apertadas em profunda concentração, ele estava com os cabelos desgrenhados, como se tivesse acabado de acordar.

— Bom dia Bruce! — disse por fim tentando afastar alguns pensamentos da mente.

Um dos tubos que Bruce tinha em mãos caiu, espalhando um líquido azul que parecia perigoso, a julgar pelo borbulhar na poça que se fez.

— Minha nossa! Eu não lhe vi aí. — ele disse limpando o líquido com um tecido especial. — É um bom dia.

— Por que sempre que estamos no laboratório juntos acidentes acontecem? — ela perguntou em tom divertido.

— É, tem razão, talvez devêssemos nos encontrar em outros lugares. — ele comentou despreocupadamente, como se não percebesse o que havia falado.

Ela ficou calada um tempo, tentando processar o que ele acabara de falar. Por fim decidiu exteriorizar o que estava deixando aflita.

— Bruce eu... — "Será que eu deveria confiar nele?" — Preciso da sua ajuda.

Ela não sabia por que, mas o olhar que ele lhe lançara acabou com todas as suas dúvidas, ela podia confiar nele.

— Claro, como posso ajudar? — ele terminou de limpar tudo e se aproximou dela com seu sorriso tímido.

— Quando Loki esteve aqui, ele... Ele disse que eu era uma cobaia. — a raiva subiu a cabeça. — Aquele idiota disse que Kelly me usou como cobaia. O que ela fez comigo Bruce? Eu preciso saber. O que eu fiz pra merecer isso? — ela falou, as lágrimas começando a descer pelo rosto.

— Você não fez nada Dani. — ele pousou a mão delicadamente em seu ombro. — As pessoas às vezes conseguem nos fazer pensar que tudo o que acontece é culpa nossa, mas o que ela fez não é culpa sua. E ela perdeu a chance de conviver com uma pessoa incrível.

— Eu preciso saber Bruce, preciso entender o que ela fez comigo, e por que.

— Vou ajudar você no que precisar.

Ela o abraçou forte por alguns segundos, mas se desvencilhou rapidamente.

— Nós precisamos descobrir o que ela fazia na Hidra.

— Pode haver alguma informação que deixei passar, podemos ir até a sala de controle para verificar.

Eles seguiram até a sala. A Torre ainda estava vazia então eles não tiveram preocupação em serem vistos.

— Você acha que talvez a S.H.I.E.L.D. esteja escondendo algo de mim? — indagou a jovem.

— Dani, sinceramente não sei, mas eu sei como eles podem ser. É melhor não procurar briga. — ele suspirou — Eu sei muito bem o que é se meter com eles, passei muito tempo tentando fugir, mas no fim eles ganharam, eu estou aqui.

— Sinto muito. — ela disse por fim. Tentando imaginar que tipo de coisas ele havia passado.

Ele começou a correr os olhos pelas enormes telas do computador digitando sem parar. Danisa ficou ao seu lado, ora olhando para tela, ora para ele. Uma página se abriu pedindo login e seguindo as instruções da jovem ele o fez.

Havia uma foto da Kelly Shorld com aparentemente 19 anos e várias informações pessoais, mas nada de novo ou relevante.

— Acho que Tony conseguiria mais informações que nós. — comentou Bruce.

— Não quero contar a ele. — ela seguiu para o frigobar; exigência de Tony para toda a Torre; e pegou uma garrafinha de água com gás.

— Danisa! Venha ver isso. — Bruce chamou.

— Achou alguma coisa? — ela se empolgou e estendeu a garrafa para Bruce, que bebericou um pouco.

—Tinha uma pasta criptografada aqui. É um possível nome, deve ser do cientista que trabalhava com Kelly. Edgar Von Dorf parece familiar pra você?

— Não, nunca ouvi falar. — ela respondeu, toda animação indo embora. — Bruce, acho que isso não me ajuda em muita coisa.

— Eu penso diferente, acabei de fazer uma busca com o nome dele e apareceu outra pasta com senha onde seu nome é citado 27 vezes. — ele começou analisar o arquivo. — É mais um arquivo da Hidra, na verdade parece um relatório de reconhecimento. — ele apertou os olhos para ver melhor.

— Quer dizer que aí tem a localização de uma base da Hidra? Onde fica? Talvez possamos ir lá, eles devem manter dados dos agentes.

— Dani, você não está mesmo pensando em ir atrás deles, não é? — ele a encarou preocupado. — Eu não posso deixar que você faça isso.

— Eu preciso fazer isso Bruce, preciso saber, por favor, não conte a ninguém, eles não entenderiam.

— Eu não posso deixar que faça isso.

— Bruce, por favor... — ela foi interrompida.

— Eu não vou deixar que faça isso... — ele sorriu para ela. — Sozinha.

— Obrigada, muito obrigada. — ela o abraçou rapidamente. — Então, aonde vamos?

— Espero que tenha roupas bem quentes, vamos para Sibéria. — ele olhou novamente o lugar exato. — E eu não acho que deva ter muita gente nessa área não.

— Significa que ninguém vai ligar para meu senso de moda. — brincou ela, rindo de si mesma, para depois ficar séria. — Vou conseguir um jatinho até amanhã e poderemos ir.

— Amanhã? Não acha que precisamos de mais tempo?

— Eu consigo para amanhã, não se preocupe.

— Eu estou preocupado com você, precisa descansar pensar melhor no que vamos fazer. Uma semana, é o que te peço, depois podemos ir.

— Tudo bem, uma semana apenas Bruce. — ela lhe sorriu. — Obrigada por está fazendo isso por mim. — ela o abraçou, um gesto que a reconfortava e aquecia.

Danisa passou a semana tentando evitar as perguntas de Tony, mas é claro, isso não evitava seus beijos e mãos bobas. Ela não conseguia contar a ele o que planejava, sabia que ficaria muito preocupado e que provavelmente faria um alarde. Nesse meio tempo de espera ela conseguiu entrar em contato com um antigo parceiro da S.H.I.E.L.D. que lhe devia um favor. O jatinho e sigilo foram os únicos pedidos da jovem, um preço relativamente baixo pela a vida de alguém.

— Bruce? — ela entrou no laboratório se contendo de excitação.

— Estou aqui dentro. — gritou ele de dentro da área frigorífica onde determinados materiais eram guardados.

— Então preparados para hoje à noite?

— Você parece tão empolgada. — ele se abaixou para procurar algo nas prateleiras inferiores do armário.

— A minha empolgação está apenas disfarçando meu nervosismo. — ela o observou, ele parecia diferente, talvez porque penteou os cabelos. — Você está bonito. — deixou escapar.

— Ai! — ele bateu a cabeça ao levantar-se rapidamente. — Er... Obrigado.

Danisa passou as mãos pelos cabelos castanhos dele, massageando levemente o local onde Bruce bateu. Foi um ato impensado no momento, mas ela gostou de sentir a maciez de seus cabelos.

— Nós vamos que horas? — ele perguntou com a voz rouca.

— Assim que todos dormirem. Tony é o que dorme mais tarde, mas eu dou um jeito nisso. — ela recolheu a mão quando ouviu a voz de Bruce, algo no seu tom a deixou arrepiada.

— Hum, tudo bem. — ele pareceu desconfortável.

— Bom, até a noite então. — e sorrindo timidamente saiu.

Demorou mais do que ela imaginou para Tony pegar no sono, o moreno tinha uma energia que a surpreendia e logo a sessão de filmes evoluiu para algo mais íntimo. Ela saiu do quarto nas pontas dos pés para não fazer barulho.

— Você demorou, achei que tinha acontecido algo. — disse Bruce assim que a jovem entrou no carro.

— Tony demorou pra dormir. — ela comentou meio constrangida.

— Faz um tempo que ele não fica na sala bebendo até tarde. — ele deu a partida no carro.

— Ele parou de beber mais, e eu fico feliz por isso. — ela suspirou. — O problema não é beber, é ser controlado pela bebida. Ele me disse que estava tentando controlar suas fraquezas. Por mim.

— O alcoolismo sempre foi um problema para ele. — ele falava pensativo. — Mas que bom que ele encontrou alguém que o ajude a superar isso, talvez essa seja uma prova de amor. — sua voz foi sumindo, até restar apenas o silêncio.

A viagem seguiu silenciosa até o pequeno aeroporto onde o jatinho os esperava. O jato Lookheed SR-71 foi concebido para realizar vôos de espionagem a 3.540 km/h sobre a União Soviética no auge da Guerra Fria, como seu amigo era um grande colecionador de aeronaves revolucionárias, não foi difícil conseguir um dos mais potentes da categoria, era tão rápido que podia invadir o espaço aéreo de qualquer país sem correr o risco de ser abatido. Uma pequena mala de cada um já havia sido guardada no jatinho, coisas que precisariam na viagem e que já estava pronta há dias.

— Espera onde está o piloto? — Bruce indagou assim que entrou na aeronave.

— Oras, aqui. — ela respondeu apontando para si.

— Você sabe pilotar isso? — quis saber surpreso.

— Não, mas há uma primeira vez para tudo, não é? — brincou a jovem.

— Não está falando sério, não é? — seu rosto demonstrando um pequeno medo.

— Claro que não seu bobo! — ela gargalhou. — Aprendi a pilotar com um amigo meu do tempo de espionagem, por sinal foi ele que me emprestou.

— Ah. — ele riu sem graça. — Quanto tempo acha que vai demorar para chegarmos?

— 6h, vai ser rápido. — ela disse com um sorrisinho amarelo.

Danisa passou a maior parte do tempo na cabine.

— 15min para chegarmos. — ela disse se servindo de um pouco de água, sentando-se ao lado de Bruce.

— Quem está pilotando? — ele perguntou alarmado olhando para a cabine.

— Coloquei no piloto automático.

— Por que não colocou antes, ao invés de ficar sentada lá o tempo todo?

— Eu achei melhor ficar lá. — ela parecia meio constrangida.

— Mas por que... — ele foi interrompido pelo barulho vindo da cabine.

— Chegamos! — ela se levantou de um salto e seguiu rapidamente até a cabine para se preparar para o pouso.

20 minutos depois eles se encontravam em uma pequena cidade entre as montanhas, tomando todos os cuidados para não serem reconhecidos. Foi difícil encontrar um lugar suficientemente plano para pousar o jato, mas conseguiram não muito longe dali e bem escondido. Os dois seguiram para uma pequena casa mais afastada das demais e se alojaram, teriam que esperar até o outro dia para colocarem o plano em prática. Assim que amanheceu eles começaram a se preparar, todas as coisas estavam prontas, eles não podiam perder mais tempo. Colocaram seus disfarces enquanto repassavam os planos.

— Você é meu segurança, sei que seu russo é muito bom, mas segurança não precisa falar nada. Nós entramos lá, procuramos os registros e saímos. Entendeu? — ela perguntou tentando transmitir segurança em sua voz.

— Do jeito que você falou parece fácil. — falou nervoso enquanto ajeitava sua roupa pela enésima vez.

— Relaxa, eu já me infiltrei muitas vezes. Apenas faça o que eu mandar.

— Tudo bem.

— E pare de ficar mexendo nas suas roupas, demonstra nervosismo. — ela brigou, batendo em sua mão que não parava de mexer no coldre.

Bruce estava com uma roupa toda preta, óculos escuros e um coldre com uma arma automática carregada. Danisa por sua vez estava mais simples, colocou roupas quentes e uma peruca loira. Ambos subiram na moto de neve que conseguiram, e seguiram pela estrada estreita até a localização da Hidra.

— Não sabia que dirigia motoneve. — comentou a jovem que segurou Bruce com força.

— Então estamos quites agora. — ele falou sorrindo.

A base de Pesquisas e Experiência da Hidra ficava entre duas montanhas numa das áreas mais remotas da Sibéria. O prédio possuía 27 andares e era fortemente guardado por agentes armados.

— Identificação. — um dos agentes insistiu assim que chegaram ao portão.

— Sou a Drª. Pietra Saracova, geneticista. Fui chamada pelo departamento de Experiências, e esse... — ela virou-se para Bruce. — é meu segurança. — Ela falava em um russo perfeito, longe de qualquer suspeitas.

—Não fui informado de nada disso. — retrucou o agente desconfiado.

— E você acha que ficariam informando a qualquer um onde estou ou para onde vou? Correndo o risco daquele bando de heroizinhos me encontrarem? Minha carreira estaria acabada se eles me encontrassem. Agora me deixe entrar ou farei questão que seu superior lide com você pessoalmente. — ela rosnou as últimas sentenças com raiva convincente.

Ele encarou Bruce atentamente antes de liberar a passagem para os dois.

— Até eu acreditei em você. — sussurrou Bruce quando ambos conseguiram entrar no prédio e caminhavam rapidamente para a sala de registros.

— Obrigada. Vem. — ela virou no corredor e entrou no elevador. — segundo o relatório a sala de registro ficava no último andar.

Ela apertou rapidamente o botão do último andar e antes que a porta se fechasse um agente da Hidra segurou a porta.

— Está subindo? — perguntou o loiro na porta do elevador.

— Sim. — o coração da jovem acelerou.

— Ótimo. — ele entrou e ficou entre Danisa e Bruce. — Eu conheço você? — indagou ele encarando a jovem.

— Creio que não. — ele esticou a mão. — Doutora Saracova, do departamento de experiências genéticas. — ela diz confiante. — Cheguei a pouco.

— Ah, não é um departamento que eu costumo frequentar. Não gosto muito das experiências que eles fazem por lá.

— Os animais não sentem nada. — ela tentou soar o mais fria possível diante daquela afirmação.

— Estava me referindo às pessoas, os cobaias. — ele disse sem tirar os olhos dela.

— Eles também não. — respondeu ela duramente, encerrando a conversa.

No 24º andar ele saiu do elevador desejando a Danisa "boa sorte".

— Você está bem? — sussurrou Bruce no ouvido da jovem enquanto saíam do elevador no 27º andar e seguiam para a sala de registros.

— Esses caras são uns monstros. Kelly era o pior deles.

— Se acalme, viemos aqui para encontrar respostas.

A porta da sala de registros estava trancada, mas Danisa conseguiu destravá-la sem muitos alardes. A sala não era o que eles estavam esperando, era pequena e não havia armários nem estantes, apenas um computador.

— É, tempos modernos. — comentou Bruce ao ver aquela tralha tecnológica.

— Você presta atenção se vem alguém. Eu vou acessar o computador.

— Está bem. — ele seguiu em direção à porta.

Danisa conseguiu acesso no sistema de registro, foi mais fácil do que ela pensou. Começou a vasculhar todas as áreas que pudesse conter alguma informação. Depois de alguns minutos que pareciam uma eternidade, ela finalmente encontrou algo.

— Dr. Edgar Von Dorf, chefe do departamento de experiências com não-humanos... — ela lia para si. — Aqui! Kelly Shorld, auxiliar geneticista, responsável pelo soro de maximização exponencial de poderes e controle de não-humanos. Responsável pela cobaia D31... Bruce? — ela o chamou.

— Achou alguma coisa? — o moreno se aproximou da jovem.

— Kelly era responsável por uma cobaia; D31, com certeza era eu. Olha, aqui tem uma pasta. — ela clicou no arquivo e leu o relatório sobre os experimentos da qual foi submetida.

"Os experimentos com o soro de maximização que mostra resultados satisfatórios, o aumento gradativo do poder não-humano e ainda com limites desconhecidos, tem se mostrado sobre controle..."

"Algumas perdas de memórias são diagnosticadas como consequência da alta dosagem, mas diferente dos cobaias anteriores a D31 resiste..."

"Há algumas semanas um comportamento destrutivo vem sendo observado como resultado do 10º aumento na dosagem acarretando algumas complicações..."

"O experimento com a cobaia D31 foi um sucesso e aguarda autorização para ativação."

— Ativação? Como assim? — "D31 foi devidamente treinada para a obtenção do Artefato do tempo." Mas o que é isso? — ela estava cada vez mais confusa.

Antes que alguém pudesse dizer qualquer coisa a porta se abriu com tudo.

— O que vocês estão fazendo? — um agente ruivo perguntou apontando a arma na direção dos dois.

— Eu... — ela começou, mas foi interrompida pela entrada abrupta de outros agentes.

Um deles atirou na direção de Danisa, mas ela fez a bala se desviar e atingir sem querer o computador danificando-o. Bruce num movimento rápido atirou no peito do agente que se preparava para retomar seu alvo, ele caiu duro no chão.

— PRECISAMOS DE REFORÇOS NO REGISTRO!. — o agente gritou para o rádio.

Um alarme soou por todo o prédio convocando mais agentes para o local do Registro.

— Não, não, não! — Danisa falava olhando para o computador que começou a pegar fogo. — Droga, droga!

— NÓS PRECISAMOS SAIR DAQUI!— gritou Bruce atirando nos agentes. — Vamos!

— Eu preciso saber. — ela jogou uma rajada de energia que atingiu dois agentes.

Um barulho de helicóptero podia ser ouvido e logo a sala de registro estava cheia de tiros disparados na direção de Danisa e Bruce. Um tiro pegou no braço da jovem, fazendo-a arfar de dor. Ela arrancou o pendrive que tinha conectado ao computador e se jogou contra a vidraça despencando do 27º andar.

Bruce sentiu sua raiva pulsar em suas veias e suas íris assumiram uma cor esverdeada. Seu tamanho aumentava e num golpe derrubou 5 agentes que disparavam em sua direção. Com um alto e longo rugido se jogou do prédio em direção a Danisa.

Em queda livre Danisa tentou usar seus poderes para voar, mas bateu com seu braço machucado na parede e sua dor aumentou. Hulk a segurou a tempo de impedir sua queda no chão frio da Sibéria. Ele saiu correndo e pulando pela neve com a jovem em seus braços.

— Bruce o helicóptero! — ela o avisou tentando segurar-se firme a ele.

O Hulk corria o mais rápido que podia, mas o helicóptero dos agentes continuava em seu encalço, ele pegou a motoneve dos agentes que estava acelerada ao seu lado e com uma força incrível jogou no helicóptero que caiu. E depois de abrir caminho entre os vários carros dos agentes finalmente chegaram a um local seguro.

Ele a deixou no chão e se afastou, inquieto. A dor no braço da jovem incomodava e em seu rosto era nítido a dor, o que estava preocupando o Esmeralda.

— Não se preocupe, vai passar. — ela dizia sem muita convicção para acalmá-lo. — Está tudo bem, por favor, se acalme.

Depois de um longo gemido gutural ele virou-se para encarar a jovem, sua íris retornando a cor normal e enquanto se aproximava seu corpo voltava ao tamanho normal.

— Está doendo muito? — perguntou com a voz ainda em mudança.

— Um pouco. — ela corou ao perceber o corpo de Bruce nu e ofegante. — Não está com frio?

— Não. — ele olhou para si e corou ao responder. Pegando o primeiro retalho de tecido que viu pela frente.

— Acho que teremos que ir andando até o esconderijo, não é? — ela riu e fez careta por causa da dor. — Já que você pulou para muito longe da motoneve. — ela tirou o casaco com detalhes em pelos que vestira e jogou para Bruce.

Ambos caminharam até a pequena cidade que estavam e conseguiram entrar no esconderijo sem chamar atenção, principalmente para o homem com casaco feminino.

Ele procurou o kit de primeiros socorros e começou a cuidar do ferimento de Danisa, por sorte a bala não se alojou.

— Bruce, nós precisamos encontrar esse Artefato do Tempo, somente através dele e de quem o possui eu vou saber de toda a verdade.

— E você pode contar comigo. — ele lhe sorriu.