Capítulo 19

Mensam Proditione (Mesa da Traição)

Escuridão, dor e sofrimento perseguiam a senhora de El Viento Salvaje na forma de seu marido; os olhos escuros e frios dele lhe davam um nó na garganta, enquanto seus interiores se misturavam, ameaçando colocar para fora o parco conteúdo de seu estômago. Mas ela se segurou bucando forças dentro de seu ser para transpor aquele momento e sobreviver.

- Pensou que conseguiria escapar?- a voz zangada de Daniel ecoou no recinto seguida do som de um chicote batendo no chão de pedra.

Ana-Lucia estremeceu apertando os olhos, sabia que ele estava logo atrás dela. Um soluço escapou-lhe da garganta fazendo o vilão rir.

- Agora choras, mulher? Deverias ter pensando nisso antes de ter me apunhalado pelas costas!

Ele acionou o chicote novamente, mas desta vez as costas nuas dela foram o alvo ao invés do chão de pedras. Ana berrou de dor sem poder controlar o tremor no próprio corpo enquanto a língua de couro devorava sua carne e o sangue escorria em abundância manchando a saia branca que ela usava.

- Isso é o que tu mereces!- o marido gritava enquanto continuava com as chicotadas.

- Nãooooooooooo!- Ana gritou e de repente não estava mais sendo chicoteada e sim dando a luz à sua filha, sentindo seu corpo sendo dilacerado por aquele pequeno ser que saía de dentro dela. Mas ela não se importou com a dor, só queria ter a filha nos braços e por alguns tenros momentos Ana a teve.

- Vivian...- murmurou embalando a menina calidamente em seu seio. – Te amo pra sempre...

No entanto, como magia das trevas, o bebê desapareceu de seus braços e ela ouviu Daniel gritando, dizendo que ela era tão inútil que não fora capaz de alimentar e sustentar a própria filha; mas de repente, ela estava presa nos túneis debaixo do castelo e aquela garotinha de doces olhos castanhos brincava com ela, sorrindo e se escondendo entre as pedras.

- Vivian...Vivian!

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Juliet ouviu o grito de Ana-Lucia reverberando pelo castelo e levantou-se de sua alcova que agora ficava a duas portas dos aposentos de sua senhora e correu; mal teve tempo de ajustar o robe sobre a camisola de algodão que vestia.

- Milady!- ela chamou a porta.

- Está tudo bem, Juliet.- o conde falou de dentro do quarto. – Eu estou aqui com a minha esposa. Pode voltar para os seus aposentos.

- Sim, milorde.- disse Juliet se afastando da porta, ainda que estivesse um pouco preocupada com a lady.

Três guardas do castelo apareceram de pronto, empunhando suas espadas na direção dos aposentos do senhor do castelo.

- Está tudo bem.- ela assegurou aos homens. – Dom Sawyer está com ela. – Voltem para os seus postos!

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

- Eu estava gritando?- indagou Ana-Lucia ao marido, trêmula.

Ele assentiu voltando a deitar-se ao lado dela na cama. Tinha levantado quando ouviu a voz de Juliet à porta do quarto.

- Perdoe-me, marido.- Ana disse com embaraço.

- Não tens nada pelo que pedir perdão, pequena. Estás sentindo alguma dor? Necessitas que eu mande chamar a curandeira?

- Não- ela respondeu, deitando a cabeça no peito dele. – Eu tive um pesadelo.

- Conte-me, meu amor.- ele a incentivou acariciando-lhe os ombros para cima e para baixo.

- Foi mais uma mistura de pesadelos.- Ana contou. – Eu estava sendo chicoteada pelo Daniel...

- Oh, não.- disse Sawyer com pesar, envolvendo os braços ao redor dela.

- De repente o sonho mudou e estou dando a luz à minha filha, mas ela não sobrevivia e o Daniel culpava-me...

Sawyer deu beijinhos no cabelo dela enquanto a acalentava.

- E depois eu vi aquela criança...o rosto dela sorrindo pra mim...

- Precisas de paz, Ana-Lucia.

- Eu preciso de ti.- ela disse. – Sou tão abençoada por ter-te como marido.

Ele acariciou o pequeno machucado no rosto dela devagar antes de aproximar seus lábios e plantar um beijo direto em sua boca; surpreendeu-se quando Ana o envolveu pela nuca e aprofundou o beijo deles.

Quando se separaram, o conde ergueu uma sobrancelha, fitando-a com adoração.

- Te quiero, marido.- ela disse afagando o rosto dele, seus dedos brincando com a boca carnuda masculina.

- Te quiero, esposa- ele sussurrou devorando um dos dedos dela, fazendo-a sorrir.

- Faça-me esquecer dos meus infortúnios, cura meu coração...

- Tu curastes o meu primeiro, meu amor.- Sawyer falou voltando a beijá-la.

- Eu o quero...- ela disse com um suspiro.

Ele sorriu exibindo suas covinhas.

- Tem certeza que sente-se bem o bastante para fazer uma travessura?

Ana-Lucia puxou os cordões de sua camisola de algodão e desnudou os seios para ele como resposta. Ele roçou seu rosto no dela e beijou-lhe o pesocoço.

- Te amo, Ana-Lucia.- ele disse com ternura.

O corpo dela formigou inteiro ao ouvir a declaração de amor dele e suas pernas abriram-se suavemente para recebê-lo. Sawyer ficou encantado diante da entrega dela, certamente não havia mais medo ou dúvida entre eles.

- Te amo, James.- ela disse chamando-o por seu primeiro nome.

Sawyer abaixou-se e beijou ambos os seios dela, afagando-os com suas mãos, se deleitando na carne tenra deles. Em seguida, ele desceu por seu corpo e subiu-lhe a camisola acima da cintura. Beijou-lhe na barriga, aspirando o perfume de sua pele somado ao cheiro de sua excitação entre as coxas.

- És tão linda, minha esposa, tão cheirosa.- ele acrescentou beijando as coxas dela, muito perto de sua intimidade mas sem tocá-la ainda. – Ah eu poderia morrer entre tuas coxas...

Ana riu baixinho.

- Pois eu preciso que tu continues muito vivo, meu senhor para satisfazer-me todas as noites...

- Por toda a eternidade.- ele disse acariciando o sexo dela com uma das mãos.

Ana se abriu toda para ele como uma flor, Sawyer aproveitou a oportunidade para saboreá-la intimamente, inserindo a ponta da língua no recanto feminino úmido, lambendo ao redor de seu botão de rosas.

- Hummmmmmmmmm...ahhhhh...- ela deu um longo gemido que acariciou as orelhas dele suavemente.

Ele ficou lambendo em cima enquanto seu dedo indicador a penetrava com cuidado, invadindo-a docemente. Ela mexeu o quadril acompanhando os movimentos dele, suspirando a cada beijo que ele lhe dava, a cada inserção do dedo atrevido em seu interior.

Sawyer moveu o dedo em direção ao clitóris dela e esfregou devagarzinho, com muita delicadeza antes de assoprar suavemente bem em cima da pele macia e molhada.

- Oh!- ela gemeu movendo o rosto para o lado no travesseiro. – És tão maravilhoso...

Ele beijou-lhe o umbigo e deu um beijinho em um pequeno sinal que ela tinha na virilha antes de começar a sugá-la com paixão.

- Não pare!- ela pediu em meio aos gemidos. – Não pare nunca!

Sawyer intensificou a carícia voltando a penetrá-la com os dedos e beijando-a no interior das coxas. Ana-Lucia sentiu uma pressão forte em suas partes íntimas, se expandindo por todo o seu corpo. Naquele momento ela desejou desesperadamente que eles se tornassem um só.

- James, quero me tome com sua lança...- ela pediu. – Faça!

Ele se ergueu por alguns momentos e retirou a túnica que vestia, exibindo-se para ela.

- És tão lindo e todo meu!- Ana comentou ao vê-lo desnudo.

- Então não temes mais a mim?- ele provocou-a sentando-se na cama e puxando-a pro colo dele com as pernas abertas.

Ela sorriu e o acariciou enquanto eles se posicionavam de uma forma que pudessem unir seus corpos.

- Meu medo transformou-se em desejo. Estou louca por ti!

Ele a moveu mais para cima de seus quadris, esfregando-se na fenda molhada dela. Ana o olhou direto nos olhos e o beijou; Sawyer puxou-a pela cintura e inseriu-se dentro dela com força. Ela gritou de prazer se movendo contra ele.

- Não estou sendo muito brusco, senhora?- ele perguntou arfando, ondulando seus quadris junto com os dela.

Ela balançou a cabeça negativamente e jogou-a para trás, regozijando-se com o amor que eles faziam. Sawyer envolveu os braços ao redor dela e Ana-Lucia pulou em seus quadris seguindo um instinto que ela previamente desconhecia.

Ele recostou o rosto ao dela enquanto se movia mais fundo e com mais força. Gemeu profundamente ao sentir as unhas da esposa cravando em suas costas em uma dor prazerosa que quase o fez terminar tudo, mas ele se segurou o bastante para que ela gozasse mais e mais em seus braços.

- Vem pra mim senhora do meu destino...- ele sussurrou enquanto assistia com gosto aos movimentos do corpo dela, aos seus seios balançando suavemente, o sorriso libidinoso que escapou-lhe dos lábios quando ela chegou aos céus e abafou o próprio grito de prazer.

- Oh James!- foi a última coisa que ela disse ao senti-lo preenchendo-a com seu amor cálido.

Do lado de fora da porta, os guardas e servos podiam ouvir tudo o acontecia, inclusive Juliet que não conseguira mais pegar no sono depois que acordara com o pesadelo de sua senhora.

- Lady Ana-Lucia parece estar boa de espírito.- disse um dos guardas com uma risadinha maliciosa quando Juliet passou por eles no corredor.

- E se ela souber que tu estás fazendo comentários maldosos enquanto ela se deita com seu marido e senhor, tenho certeza que ela cortar-te-ia a língua, Geraldo.- Juliet disse em tom ameaçador ao guarda.

O homem parou imediatamente de rir e com uma mesura respeitosa disse:

- Senhorita Burke.

Juliet continuou seu caminho; já era quase dia claro e ela precisava ter certeza que os cozinheiros estivessem acordados para preparar o desjejum de seus senhores.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Juliet derramou água perfumada sobre as tigelas de porcelana dos senhores sentados à mesa para o desjejum. Eles começaram a lavar as mãos nas tigelas enquanto criados vinham com guardanapos de linho, preparados para enxugar as mãos de seus patrões.

Ana-Lucia deu um sorriso genuíno para Juliet quando esta estava enxugando suas mãos. Desde cedo quando a lady a convocara para ajudá-la a se banhar e a vestir-se, a criada notara o quanto Ana parecia feliz e satisfeita, a despeito de seu infortónio nos túneis secretos do castelo na noite anterior.

- A senhora parece tão bem disposta, doña Ana.- Juliet disse terminando de secar as mãos dela. – Tão viçosa e de espírito altivo.

Ana-Lucia corou levemente e olhou para o marido que conversava animadamente com seu irmão, o marquês.

- Meu marido me mantém com o espírito elevado, Juliet.

- Deus abençõe tanta virilidade, senhora.- disse Juliet com uma piscadela fazendo Ana dar uma risadinha que ela disfarçou com a mão direita nos lábios.

- Bom dia a todos os presentes.- disse um homem adentrando de repente o salão de refeições chamando a atenção de todos.

- Bom dia, Sr. Jarrah.- disse Sawyer com polidez.

Ana-Lucia observou aquele homem com curiosidade, tentando entender da onde ele tinha surgido. Ele era alto e moreno, bem feito de corpo, com uma barba proemienente e cabelos cacheados.

- Um mouro?- ela retrucou.

- Sim.- concordou Sawyer. – Um mouro de surpreendente sabedora matemática. O homem que eu preciso para colocar este reino nos eixos. Sr. Jarrah, esta é minha esposa, Lady Ana-Lucia,condessa de Sawyer e senhora deste castelo.

Ana se levantou da mesa quando Sayid aproximou-se. Este fez uma mesura muito respeitosa na frente dela e tomou a mão que ela lhe oferecia, dizendo: - Seu eterno servo, senhora de El Viento Salvaje.

Ela assentiu diante da servitude do homem e retorou para sua cadeira ao lado do esposo. Sayid apertou a mão do marquês e juntou-se a eles na mesa. Ana deu ordens para que o desjejum fosse servido. Assim que as criadas começaram a trazer as pequenas tigelas de mingau de aveia e as travessas fumegantes com pão de rosas e manteigas, Juan de Dios adentrou o salão de braços dados com sua noiva.

- Perdoem o atraso...- ele disse quando de repente viu o mouro sentado à mesa, soltou a mão de Éowin e desembainhou sua espada.

- O que faz um mouro sentado à mesa de uma senhora de sangue puro espanhol?- ele rosnou para Sayid que manteve-se calmo diante dele.

Continua...