Capítulo 18 - Capítulo 18
TRÊS DIAS DEPOIS
Sorrindo astutamente Ginny alegremente saiu de seu quarto com uma bela peça de roupa na mão. Uma vez que ela tinha juntado todo o look que achara adequado, convenceu Hermione que aquele era a peça ideal para a mesma.
Cantarolando baixinho, a ruiva começou a arrumar os cabelos da amiga juntando-o em um lindo coque. Certificando-se de que não havia nenhum fio fora do lugar, ela se viu contente.
Sorrindo alegremente quando viu o resultado, Ginny pôde se sentar aliviada.
Mais do que satisfeita, deixou que Hermione se sentasse no sofá até que Draco fosse buscá-la.
Com as pernas cruzadas nos joelhos. Com seu cotovelo esquerdo encostado no apoio do sofá, apoiando o queixo na palma da mão, o único pensamento de Hermione Granger era em Severus Snape.
O homem era o seu único pensamento por três dolorosos dias.
Ela estava se odiando. Se achando a pessoa mais burra do mundo. Ainda não conseguia acreditar que havia assaltado a boca do homem daquela forma. Claro que ela não era ingênua de ter se arrependido do melhor beijo que já tivera, mas o modo como que tudo havia acabado havia lhe mostrado que ela podia ter sido mais cautelosa.
Como mulher, ela havia ficado desapontada por ter ele ter quebrado o beijo de forma tão abrupta. Porém, Hermione tinha certeza de que ele havia entrado em conflito consigo mesmo por ela ser sua aluna.
Outra coisa que havia a incomodado era foto dele não ter aparecido nas aulas. Ela soube pelos outros alunos que ele nunca havia desmarcado nenhuma aula em toda sua carreira acadêmica. No entanto, nos dias anteriores, suas aulas haviam sido canceladas e ela não teve a chance de vê-lo novamente.
Sua última esperança era que após buscarem a mãe de Draco ela pudesse vê-lo.
Atrás dela, Ginny dey suspiro exasperado e olhou Hermione.
- Hermione, acorde. Draco está te esperando.
(...)
Hermione se viu encarando o chão, mordendo meu lábio inferior. O fato de estar aguardando alguém que não conhecia estava deixando-a nervosa. Quer dizer, ela não sabia se estava nervosa pela mulher que iria conhecer ou pela expectativa de rever Snape naquele dia.
- Confesso que queria que ela não viesse tão cedo. – Ao seu lado, Draco resmungou.
- Então você decidiu fugir das lembranças, não é? - A voz de Hermione era estranhamente baixa. – Por isso se mudou para Londres...
- Um covarde, não acha? – Draco sussurrou. – Mas como eu poderia ficar naquela casa com todas aquelas lembranças? – O jovem se viu se questionando.
- Realmente deve ser muito ruim, Draco.
- Sim, mas ainda bem que Severus me recebeu em sua casa. – Concluiu um pouco menos tenso. – Escute, Hermione, tem certeza de que não é um incomodo? – O rapaz perguntou hesitante. - Quero dizer, você não precisava vir até aqui.
Hermione deu uma leve gargalhada e olhou para ele. – Não, realmente não. É um prazer te acompanhar. Draco, por falar no professor Snape, o que houve com ele? Ele cancelou as aulas da semana. Dizem que ele nunca havia feito isso. – Falou preocupada.
- Relaxe, nada grave. O homem está bem. Apenas problemas pessoais. Se não me engano, amanhã ele está de volta e hoje ele estará preparando o jantar. – Sorriu satisfeito. - Olhe, lá vem ela. – Informou apreensivo.
Hermione quase ofegou ao ver quão linda era a mãe de Draco. Ela imaginou que era quase impossível uma mulher tão nova quanto ela ter um filho na idade de Draco.
A jovem não se surpreendeu com a quantidade de malas que a mãe dele trazia consigo. A mulher se aproximou cautelosamente e Hermione ficou nervosa quando sentiu seus olhos a observarem de cima a baixo. Era um tanto quanto constrangedor.
Hermione viu quando o nome de Draco escorregou pelos lábios dela com uma ligeira soberba na voz. Era como se a mulher estivesse se referindo a alguém da família real britânica.
- Meu Deus, Draco. – Resmungou levemente. – Por que está tão magro? Não está se alimentado?
- Olá, mamãe! – Sussurrou constrangido. - Vejo que a senhora parece estar ótima.
- Você eu não conheço. - Narcisa suspirou, batendo os próprios cabelos de volta no lugar, após uma corrente de ar tê-los levado ao rosto.
Draco olhou para Hermione como se pedisse desculpas e voltou a falar:
- Oh, bem... Desculpe. – O rapaz sussurrou. - Deixe que eu te apresente uma amiga. Essa é Hermione Granger. Hermione é minha colega de algumas aulas e agora colega de estágio. E por último, mas não menos importante, colegas de fast food.
- Deus, Draco. Eu já te disse para não comer tantas besteiras, não faz bem para saúde. – O repreendeu, mas logo se virou para olhar para a jovem mulher ao seu lado: - Olá, Srta. Granger. Bem, já ouvi falar de você, então, é um prazer finalmente lhe conhecer. - Narcisa disse a ela com uma risadinha que trazia algo a mais, algo que ela não soube identificar.
- O prazer é todo meu, Sra. Malfoy. – Hermione sorriu.
- Bem, mamãe... Vamos para casa? Severus fez um ótimo trabalho na cozinha. – Disse com sinceridade.
- Eu pensei que jantaríamos em um restaurante. Não é justo com Severus que o façamos cozinhar.
Draco riu: - Nós vamos ficar bem, mãe. Severus fica mais sociável quando cozinha. Acredite.
- Se você diz. – Disse a contragosto.
- Me dê sua bagagem! – Pediu.
(...)
Narcisa manteve um sorriso brilhante no rosto, enquanto ela e Draco brigavam para decidirem como arrumariam a mesa. Severus olhou cautelosamente para os dois um pouco irritado, afinal, para uma tarefa tão simples, os dois estavam sendo terrivelmente chatos.
- Por favor, chega vocês dois. – Snape quase gritou, perdendo a paciência. – Me dê isso, Draco. Deixe que eu coloco a mesa.
Draco e sua mãe estavam tendo um grande impasse sobre como dispor os talheres a mesa.
- Nós estávamos apenas matando a saudade. – Narcisa falou enquanto o encarava com um olhar de superioridade bem típico dela.
- Vocês estão sendo irritantes, - O homem grunhiu. - Devo informá-los que vocês têm um péssimo jeito para isso. - Severus assobiou, e caminhou para a mesa de jantar tentando organizar os talheres.
Um raio de luz entrou pela janela assustando todos presentes, Hermione deu um leve pulo mas voltou sua atenção para os outros. Ela estava um pouco angustiada com o homem, já que o mesmo parecia a ignorar.
- Terminei. – A jovem falou apontando para o trabalho no computador e por um segundo seus olhos encontraram os de Severus e depois ele abaixou a cabeça, virando o rosto. – Bem, desculpe por isso ter tomado tanto tempo. Agora vou deixá-los para que vocês consigam aproveitar a noite.
- Você é bem-vinda a se juntar a nós para o jantar, Srta. Granger. - Disse Snape, colocando uma máscara de indiferença em seu rosto. Tentando a todo custo esquecer o episódio do último encontro dos dois que não saia de sua cabeça. – Com essa chuva, não chegará a lugar nenhum. É extremamente perigoso tentar sair. – Tentou ser gentil.
- Fique, Hermione. – Draco pediu. – Mamãe ficará encantada em conhecê-la melhor, tenho certeza.
- Oh, não quero incomodar. – Sussurrou. - Honestamente, posso chegar em casa sem grandes problemas.
- Não é uma boa ideia sair. - Disse Narcisa imediatamente quando chegou até eles e viu toda a interação. – O noticiário informou que o transito está totalmente parado, fique querida. E então, Severus... - Ela dirigiu-se ao homem. – E Letta? Como vocês estão? E o...
- Tenho certeza que você sabe. - Ele respondeu, não deixando que ela terminasse de falar.
Ela fez beicinho por um momento. Narcisa fingiu pensar em algo, depois pegou o braço dele para chamar sua atenção. Hermione olhou para eles curiosa, ela não fazia ideia do que eles estavam falando. Mas sabia que o homem estava desconfortável já que o mesmo olhava para mãe de Draco com uma expressão quase predatória.
- Oh, tudo bem. - Ela concordou finalmente. – Confesso que tinha esperança em vê-los juntos novamente. Mas você sabe, basta pedir a ela para voltar que ela estará de volta a sua vida. Eu não tenho certeza se existe alguém tão adequado a você como ela. E você, sabe, ..
- Não acho que isso esteja nos meus planos, Cissa. - Ele disse a ela em um sussurro silencioso e um pouco desesperado.
- Oh, Severus. - Narcisa disse baixinho, olhando para o rosto dele. - Meu marido me disse uma vez que... – Ela parou de repente, sentindo a tensão do homem. – Esqueça o que eu disse. Entendi, vocês estão divorciados e não tem volta.
Ao contrário do que Hermione imaginou, Snape não disse mais nada. Ela, por outro lado, estava se fazendo um monte de perguntas internamente. Até porque nunca havia passado por sua cabeça que Snape já havia sido um homem casado.
- Granger, eu confio que você está bem? – Draco perguntou estranhando seu silencio, os ombros dela pareciam ter uma sugestão de hesitação prolongada.
- Claro que sim. - Ela disse finalmente, tentando não focar demais no que acabara de saber. – O jantar está maravilhoso, Senhor.
- De fato, está. - Respondeu Narcisa. – Sabe, Senhorita, fico contente em saber que você e Draco, trabalham juntos. – Disse com um olhar presunçoso. – Meu filho pode ser uma ótima companhia. - Ela acrescentou suavemente, e pela primeira vez seu olhar escorregou de Severus.
- Sim, é verdade. – Respondeu Hermione, sentindo uma leve constrição em sua garganta. – Embora eu lamente que só ficarão com um de nós.
- Draco não me disse sobre isso. – A mulher mais velha revelou. – Bem, tenho certeza que vocês estão dando o melhor de si. Não é Severus?
- Sim. - Snape concordou. Um silêncio caiu entre eles.
Depois de olhar para Severus Snape e ser ignorada pela décima vez, Hermione desistiu de tentar qualquer tipo de comunicação com ele. Infelizmente para ela, Snape parecia não querer encará-la tão cedo e ela decidiu que iria respeitar sua escolha.
Quase uma hora depois, todos já haviam jantado e a chuva parecia ter chegado ao fim. Narcisa insistiu que Hermione ficasse para a noite, mas ela negou. Hermione agradeceu, mas se despediu de todos e foi embora.
(...)
Ginny estava sentada e as crianças do abrigo estavam a sua volta. Ela havia contado cerca de três histórias para eles e eles ainda não haviam cansado de escutá-la.
- Srta. Weasley, - A pequena Isadora sussurrou. – Você é a única voluntária que sempre volta. Você não cansa?
- Como eu me cansaria de vocês? – Surpresa, ela os questionou e continuou: – Sabe, crianças... Acho que nunca disse isso, mas também já morei em um abrigo como vocês.
- O quê? – Surgiram vários gritos de surpresa.
- Eu ... uh ... bem ... fui adotada quando tinha oito anos de idade.
- Você acha que ainda temos chance? Eu tenho nove e acho que nunca vou sair daqui. – Resmungou a outra garotinha.
- Não diga isso, Tifani. – Ginny a repreendeu. – Todos aqui podem ser adotados. Não existe uma idade para isso, querida.
- Existe sim, Srta. Weasley. – Layla resmungou. – Ontem mesmo outra bebê foi adotada. Só essa semana duas foram embora. Nem mesmo a Sra. Potter conseguiu convencer o casal de levar um de nós. A mulher disse que sentiu que o bebê era filho dela assim que pôs os olhos nela.
- Eu sinto muito, crianças. – Sussurrou com pesar, Gin sabia que a menina tinha razão, sabia que aquela situação era real, mas ela realmente queria que não fosse. - Os adultos são uns tolos! Se eles soubessem quão lindos e amorosos vocês são, você não estariam aqui. Não vou mentir, eu tive muita sorte, mas torço todos os dias por vocês.
- O que os bebês têm que nós não temos?
- Aposto que nada de diferente, Natan. Vocês são tão inteligentes quanto qualquer outra criança.
- Srta. Weasley... – Lily gritou da porta parecendo irritada. – O que pensa que está fazendo? - Ela exclamou e Ginny ouviu alguns resmungos das crianças. – Olha a hora, eles já deviam estar na cama.
- Desculpe, perdi a noção do tempo. - Confessou inocentemente.
- Não quero saber... – Grunhiu. – E vocês? O que estão fazendo que não se levantaram ainda? – Sussurrou um pouco mais gentilmente. - Vamos... Vamos.. – Os apressou enquanto ajudava alguns a se levantar. – Boa noite, queridos e adeus, Srta. Weasley.
Ginny viu a sala esvaziar e ficou um tempo ali pensando no quão injusta era a vida. Ela mesmo já havia feito milhares de inscrições de casais que queriam adotar, no entanto, todos os inscritos tinham interesse em adotar uma criança com menos de três anos.
Apesar da enorme vontade de mudar aquela realidade, ela não sabia como. Ela mesma sofrera anos em um abrigo sem nenhuma expectativa de receber um lar. Ginny começou a chorar desesperadamente, ela odiava não ter uma solução para algo tão triste.
