Capítulo Dezessete (O demônio na Garrafa)

— Seu braço está bem melhor. — ele comentava enquanto retirava o pequeno curativo do braço esquerdo da jovem. — Na verdade nem parece que você levou um tiro. Isso por acaso seria mais uma de suas habilidades misteriosas?

— Se for é um mistério até para mim! — ela respondeu sem ao menos olhar o local do ferimento. A sensação de que a bala estava lá a incomodava, mas ela sabia que era psicológico, afinal o projétil nem se alojara.

— Eu dei uma olhada nos arredores, ouvi uns moradores comentando que eles encerraram as buscas por aqui. Seguiram para a floresta hoje pela manhã.

— Essa é a nossa chance de sairmos daqui. — ela levantou do sofá velho e gasto, e começou a pegar suas coisas.

Ficar ali foi realmente desagradável, o lugar era horrível. Para começar na geladeira havia um ninho de ratos mortos e a água escorria e se espalhava pelo lugar, levando consigo o odor de putrefação. Não havia cama, apenas um conjunto de sofá velho e com cheiro de mofo, ela dormiu no menor, super desconfortável. Eles passaram os dias se alimentando apenas de frutas e sopa em lata, consumiam fria, pois não havia onde esquentar. O único dinheiro local que conseguiram juntar foi para alugar a motoneve que os tiraria dali.

Eles pegaram seus casacos e subiram na moto. Saíram daquele lugar com muita cautela, olhando para os lados a todo o momento, para verem se estavam sendo seguidos.

Danisa se jogou pesadamente na poltrona quente e confortável do Jato Lookheed SR-71, com um copo de champanhe na mão, saboreando lentamente e aproveitando a incrível sensação da bebida descendo pela garganta. O piloto automático pronto para levá-los para casa.

— O que iremos dizer a eles quando chegarmos? — Bruce questionou enquanto admirava o pôr do sol pela janela.

— Que você saiu para relaxar e eu saí com umas amigas. — ela respondeu displicente.

— Que eu saí tudo bem, agora que você saiu com as amigas eu duvido alguém acreditar. — ele a encarou. — Vão querer saber o que fazíamos juntos.

— Nos encontramos por acaso quando estávamos chegando em casa.

— Isso vai ser difícil de engolir. — ele suspirou.

Eram 1:30h quando pousaram na pista particular ao norte de Manhattan. Eles estavam exaustos, pegaram um táxi e rumaram para a Torre. Depois de entregarem ao motorista tudo o que tinham no bolso, entraram no elevador e seguiram para a cobertura. Ao chegarem perto eles ouviram sons de coisas se quebrando e gritos, rapidamente entraram em alerta, Danisa estava preparada para deter quem quer que estivesse destruindo a Torre. Quando se aproximou da porta reconheceu a voz que gritava a plenos pulmões.

— Tony? O que está havendo aqui? — ela se chocara com a cena que se apresentava diante de seus olhos.

A sala estava completamente revirada de cabeça para baixo. A mesa de centro feita de vidro estava totalmente em cacos, o grande televisor estava com um buraco enorme na tela, as cadeiras do bar, ou o que sobraram delas, estavam amontoadas num canto como se fosse lenha para a fogueira, e as prateleiras onde haviam diversas bebidas estavam vazias e uma estava caída grosseiramente para a esquerda. Por todo lugar exalava o odor de álcool.

— Ora , ora, ora, resolveu dar as caras? — Tony falou embolado com sua voz de puro sarcasmo. — E pelo jeito estava acompanhada. — ele encarou Bruce que estava atrás da jovem absorto pela imagem do lugar.

—O cientista mais filho da puta que existe! — seus olhos brilhavam de raiva. — Nunca ouviu falar da Irmandade dos Homens da Ciência?

— Que irmandade? — pergunta Bruce confuso.

— Ora seu!.. — ele tentou se aproximar ameaçadoramente.

— Stark já chega! — Steve que estava presente desde que Danisa chegara se pronunciou com voz firme. — Acho bom parar com seu showzinho, vai ser melhor para você!

— Tony por favor para, você está destruindo tudo. — Pepper falara com voz de choro.

— Você prometeu que não faria mais isso consigo Tony. Pare por favor. — Danisa percebeu que apenas Steve e Pepper estavam por ali. E eles pareciam assustados, ela nem quis imaginar o que viram. — Olhe só para você, está acabado.

A jovem enfim reparara na aparência do moreno. Seu cabelo estava oleoso e parecia realmente sujo, seu rosto com a barba por fazer, desmanchando seu cavanhaque característico. Seu rosto estava suado e seus olhos estavam vermelhos e injetados.

— Uma semana. UMA SEMANA sem uma droga de notícia sua! — ele rosnou as palavras. — Com aquela maldita da sua mãe à solta, o que acha que eu pensei? Que estava passeando no shopping com as amigas? Puta merda eu tentei de tudo pra saber onde você estava.

— Me desculpe Tony eu sei, eu deveria ter ligado, mas...

— Mas estava ocupada demais transando com o verdão ali, não foi? Afinal você não passa de uma vadia, já deve ter transado com todo mundo por aqui!

— Escuta aqui, nunca mais ouse me tratar assim novamente, ouviu bem? Nunca! — ela estava magoada e com muita raiva dele.

— Eu fui um idiota todo esse tempo! Minha namorada transando com meu suposto melhor amigo. — ele falou bebendo mais um gole da garrafa que estava em sua mão. — Tony Stark o mais novo corno do pedaço!

— Nós nem estávamos namorando! — ela falou rapidamente, mas se arrependeu logo em seguida.

Tony a segurou forte pelo braço e a jogou no chão com força tão rapidamente que nenhum dos presentes tiveram chance de reagir. Steve o agarrou forte pelos braços enquanto ele se debatia ferozmente.

— Sua mãe deveria ter te matado sua putinha! — Tony continuava a desferir as palavras como ácido.

Bruce se abaixou ao lado dela para ajudá-la, seu maxilar travado tamanha era a força que fazia para não se descontrolar e quebrar o moreno ao meio, mas ele estava com medo de como poderia ser Tony Stark bêbado vestindo a Hulkbuster.

— Não é por mim que você está assim. — ela disse se levantando.

— Não, eu sou assim! — ele jogou a garrafa nos pés de Steve, se desvencilhou e subiu as escadas pisando forte. Sua porta bateu logo em seguida.

Pepper muito abalada com o que vira, não disse uma palavra e foi embora.

— Eu notei que ele vinha bebendo mais que o normal nos últimos dias, mas não pensei que chegaria a esse ponto. Quando voltei da S.H.I.E.L.D. a Pepper tentava controlar a quebradeira dele. — Steve suspirou parecendo mais velho do que aparentava.

— Aquele não era só o Tony, era ele e seu Demônio. Ele nunca procurou uma ajuda de verdade, achou que estava livre, mas não. — a jovem fechou os olhos com força.

— Acho melhor você descansar, cuidaremos das coisas por aqui. — Bruce falara.

Não precisaram falar duas vezes. Eles a acompanharam até o quarto como guarda- costas e se despediram. Danisa tomou um banho frio, se jogou na cama pesadamente e chorou copiosamente até pegar no sono.

O dia amanheceu frio e triste para a jovem. Ela desceu as escadas, depois de fazer sua higiene matinal, com o coração à mil. E se ele estivesse lá? Mas ao chegar na sala de jantar seu coração se acalmou e ao mesmo tempo se entristeceu. No fundo ela queria que ele estivesse ali, com seu sorriso cínico e com suas piadas matinais, mostrando à ela que fora um pesadelo, mas não, fora tudo real.

— Oi. — ela falou sentando-se à mesa. — Onde está Clint e Natasha?

— Estão numa missão da S.H.I.E.L.D. faz 3 dias. — respondeu Steve a olhando amigável.

— Como está? — perguntou Bruce cauteloso.

— Não sei, mas vou ficar bem. Ele já tomou café? — quis apesar de tudo saber sobre Tony.

— Ainda não saiu do quarto. — Steve olhava vez ou outra para a porta, esperando ver o moreno parado ali.

Danisa levantou abruptamente assustando os dois homens, se despediu dizendo que havia se lembrado de algo importante que deveria fazer. Rumou o mais rápido possível para a sala de controle, e entrou mais uma vez nos arquivos da S.H.I.E.L.D.

BUSCA: Artefato do Tempo.

1 ARQUIVO ENCONTRADO

Ela abriu, era um relatório descritivo.

" O Artefato do Tempo tem a incrível capacidade de dar a seu possuidor o poder de viajar, parar e retroceder o tempo. Sua aparência relativamente simples faz este item ser sujeito a confusões como uma simples jóia... "

Ela leu todo o arquivo, mas não encontrou nada referente a sua localização ou portador. Ela deu uma olhada em quem fora o responsável pelo arquivo e suspirara frustrada.

RESPONSÁVEL: General Nick Fury.

Ela andava apressada pelos corredores do quartel, ela precisava falar com ele, era o único jeito.

— Nick preciso falar com você. — ela entrou em sua sala sem bater.

— Esqueceu a educação em casa Danisa? — ele ergueu os olhos da papelada em sua mesa e perguntou. — Onde esteve essa semana?

— Não é sobre isso que quero falar. Por que não me contou que Kelly trabalhou na Hidra? E que me usou como cobaia para seus experimentos?

— Não sei de onde tirou essa idéia absurda, mas te garanto...

— O que está escondendo de mim Nick? — ela soltou sua raiva.

— Você está estressada, fica imaginando coisas... — ele levantou e andou em direção a ela empurrando-a para fora. — Vá descansar e pare de pensar besteiras.

— Eu sei sobre a Jóia do Tempo!

Ela a encarou tentando demonstrar indiferença.

— Quem está com ela? Me diga a verdade Nick por favor, eu preciso saber. — ela pediu com toda a súplica e desespero que sentia.

— Não sei do que está falando. — ele respondeu frio lhe virando as costas. — Mas sugiro que vá para casa.

— Eu vou descobrir a verdade e não será você nem ninguém que irá me impedir.

E dizendo isso ela saiu. Deixando o general completamente perdido e preocupado.