É oficial, esse foi o capítulo que ganhou como o maior de todos. Mas também foi bastante divertido escrevê-lo. Espero que vocês gostem.
Playlist: Can I Be Him – James Arthur (Ponto de Vista de Edward)
I Can't Make You Love Me – Bonnie Raitt (Ponto de Vista de Edward)
Todos os personagens são de Stephanie Meyer.
PS: Essa fanfic também estava sendo postada, paralelamente, no site Spirit Fanfics, onde eu tenho uma conta com o mesmo pseudônimo e mesmo e-mail de contato. Por isso, não é uma cópia. Eu mesma a estou publicando, ao mesmo tempo, em dois lugares diferentes.
A Herdeira
Capítulo 20 – Can I Be Him
- Então você o conheceu naquela festa.
Bella tomou mais uma colherada de seu sorvete enquanto fitava Alice. Já era noite e aquele dia finalmente estava chegando ao fim... Mas não antes que elas tivessem uma conversa estilo "Melhores Amigas para Sempre" regada a sorvete e sinceridade.
- Sim... – Alice confessou, engolindo seu próprio sorvete – Ele estava no bar e... Não sei. Eu só me senti instantaneamente atraída por ele. O que foi estranho, porque eu nunca achei homens como ele atraentes.
- E por que diabos você não falou sobre ele para mim? – Bella bufou, não podendo evitar o sentimento de revolta por Alice não ter lhe contado algo tão importante. Até onde ela sabia, elas contavam tudo uma para a outra desde que tinham aprendido a falar.
- Bella... Eu não sei se você se deu conta de quando eu o conheci. – Alice ergueu uma sobrancelha – Caso não se lembre, naquela época, ele ainda era simplesmente o melhor amigo de Edward Masen, o homem que era seu inimigo jurado e que você odiava com cada célula do seu corpo. O que teria pensado de mim se eu simplesmente tivesse dito: À propósito, Bella, estou pegando o amigo do homem que você odeia mais do que tudo.
- Eu teria ficado um pouco brava. – Bella admitiu, revirando os olhos – Mas você me conhece bem o suficiente para saber que eu ia acabar apoiando vocês dois em pouco tempo.
- Eu sei. – Alice suspirou – Mas não era só isso. Também havia o fato de que eu achava que não íamos dar certo.
- Finalmente vai me contar sobre o que é tudo isso? – Bella a empurrou suavemente com um ombro, incentivando-a falar.
- Não é nada demais. – Alice suspirou – Eu o conheci na noite da festa de Esme e me senti muito atraída, então flertei um pouco e peguei o número dele. Juro que nem fazia ideia de que ele era amigo do Masen. Na verdade, eu nem sabia o sobrenome dele...
- Alice. – Bella a interrompeu – Isso não é uma coisa importante e muito menos uma coisa com a qual tenha que se preocupar. Não importa que ele seja amigo de Edward. Não me importa agora e não teria me importado naquela época também. Então, não precisa ficar se desculpando comigo por estar com Jasper. Ele parece um cara legal.
- Ele é. – Alice sorriu timidamente, mas Bella podia notar o brilho apaixonado em seus olhos – E eu também percebi isso quando liguei para ele no dia seguinte. Nós dois começamos a trocar mensagens e conversar... Então ele me convidou para jantar. Tudo estava indo bem, até que começamos a querer conhecer melhor um ao outro. Foi quando eu percebi como éramos diferentes.
- Como assim? – Bella questionou, sem entender.
- Vamos lá, Bella. – sua amiga grunhiu – Ele vem de uma família com dinheiro antigo e pessoas que são juízes federais, desembargadores... Eu sou a filha de uma mãe solteira que mal fala com o pai. O avô dele lutou na guerra, no lado dos confederados, defendendo a escravidão e a permanência da colônia. Essa não é nem de perto a opinião que Jasper tem, mas... Vamos lá: eu sou a garota que fez um TCC sobre o assédio que as mulheres sofrem no ambiente das ciências exatas. Ele é um advogado de prestígio e eu uma aspirante à estilista. Quer continuar jogando esse jogo dos 07 erros?
- Alice... Isso não significa nada. – Bella a repreendeu – Nenhuma dessas coisas faz você inferior a ele e estou surpresa que já tenha pensando assim. Eu pensei que aquela conversa que tivemos antes tinha aberto seus olhos.
- E abriu. Mas só para o que eu queria. – ela falou, envergonhada – Por outro lado, eu não sabia se as diferenças seriam demais para ele aguentar, ainda mais porque a família dele é muito conservadora... E, sinceramente, fiquei com medo de saber. Então, depois que você passou a herança para a Esme, eu tentei me afastar, apesar dele ter dificultado o processo... – ela deu um sorriso malicioso.
- Não acredito que escondeu tudo isso de mim. – Bella bufou, contrariada
- Não seja ciumenta. – Alice retrucou, pegando mais sorvete – Onde eu estava? Ah, sim. Eu tentei me afastar... E não posso dizer que não gostei dele insistindo em me ver... Até que um dia ele parou. Eu achei que ele finalmente tinha se irritado e desistido. – ela suspirou – Foi quando Esme me convidou para essas férias. Eu sabia que talvez eu o veria no dia do casamento, mas pelo menos teria alguns dias para me fortalecer. Mas aí, de repente, eu cheguei, e ele já estava aqui. – ela deu sorriso animado.
- Foi por isso que ele chegou tão cedo? – Bella sorriu, começando a compreender.
- Sim. – Alice sorriu – Ele disse que parou de tentar falar comigo porque achava que eu precisava de espaço e que a insistência dele só estava me afastando. Mas que assim que soube que eu estaria aqui, ele veio correndo. – ela sorriu – Eu tentei ignorar ele se novo, mas... Não tive como. Nós conversamos e t... Bem, passamos muito tempo juntos nesses últimos dias aqui no Caribe. Foi maravilhoso. E finalmente pudemos concordar que somos capazes de sermos felizes juntos, apesar das diferenças tão grandes.
- É claro que são. – Bella afirmou, desviando então o olhar para o rubi no dedo de Alice – Mesmo assim, ainda não consigo acreditar que você está noiva.
- Isso é só um título. – Alice riu, deliciada – Mas não posso fingir que não fiquei feliz quando ele me pediu. Ele disse que não precisamos pensar nem mesmo em qual ano vai ser. É apenas para tornar um pouco mais oficial. Ele é um nerd de números e planos, como você. – sua amiga zombou – Ele gosta das coisas concretas e palpáveis.
- Eu fico feliz que seja tão sério assim para ele. – Bella sorriu, avaliando seu rosto radiante – Nunca vi você tão feliz.
- Isso é o que o amor faz. – ela cantalorou – Mas chega de falar de mim, porque o resto da história é basicamente sexo. – ela riu da careta de Bella – Agora, está na hora de me contar porque parecia que você tinha visto um fantasma mais cedo.
- Eu... Tive um dia difícil.
- Preciso de mais do que isso, Bella. – Alice a cutucou – Você me viu na cama com meu homem. Melhores amigas ou não, isso é bastante expositivo. Por isso, exijo mais detalhes do que só isso.
- Eu meio que tive outra crise de ansiedade hoje. Não tão intensa como quando nós éramos adolescentes, mas eu perdi o controle por um momento e meio que me descontrolei.
- Oh, não. – Alice ofegou, preocupada – Você está bem?
- Sim... Estou. Edward me acalmou. – Bella deixou escapar.
- Oh, claro, o bom amigo Edward. – Alice estreitou os olhos, não como se estivesse julgando-a, mas sim como se estivesse... Avaliando-a – O que mais aconteceu, exatamente?
- Eu fiquei muito afetada por tudo o que aconteceu com Marie e, além disso, não estávamos conseguindo achar um hotel ou qualquer estabelecimento grande o suficiente onde o casamento pudesse acontecer. E eu até mesmo saí para procurar, para tentar todas as possibilidades, porque não queria arriscar apenas ligar e não conseguir negociar direito ou acabar pulando algum dos lugares que eu não sabia o número...
- Bella! – Alice a repreendeu – Você está divagando... O que significa que tem alguma coisa que você está escondendo... – ela estreitou os olhos, agora totalmente desconfiada – Fale de uma vez o que aconteceu para deixar você nervosa desse jeito.
- Bem, quando eu... Me desesperei... Edward me ajudou – ela murmurou – E ele não só me ajudou: ele foi muito gentil e me disse coisas muito legais. – por alguma razão que nem ela mesma compreendeu qual era, ela não quis contar a Alice sobre como ele havia lhe dado os sapatos e a camisa ou todas as coisas motivadoras e doces que dissera... Parecia... Muito íntimo. – Ele realmente me impediu de ficar muito pior e me acalmou... Então, nós nos abrigamos na casa de uma conhecida de Esme por causa da chuva. Estávamos absolutamente encharcados e...
- Divagando. – Alice a repreendeu.
- Nós nos beijamos. – Bella finalmente cuspiu, corando ferozmente enquanto olhava para baixo.
- Uau. – Alice sussurrou – Por essa eu não esperava... Então? Quem beijou quem exatamente?
- Eu não sei. – ela choramingou – Mas de repente estávamos nos agarrando no sofá e...
- Espera. – sua amiga a interrompeu – Agarrando? Foi mais do que um beijo?
- Eu não sei. – Bella suspirou – Foi meio... Intenso. Quando eu percebi... Nós estávamos abraçados, nos beijando e... Tocando. – a voz dela foi morrendo a cada palavra.
- Oh, meu Deus... – Alice arregalou os olhos e riu – Você deu uns amassos em Edward Masen!
- Não está fazendo eu me sentir melhor, Alice. – Bella bufou, frustrada.
- Ah, vamos lá, Bella. – Alice revirou os olhos – Ninguém vai condenar você à cadeira elétrica por causa disso. Ele é uma cara legal e eu não sou cega: percebi que vocês adoram a companhia um do outro. Na verdade, eu e Jasper até já conversamos algumas vezes sobre como vocês dois são parecidos e até dariam um bom casal...
- Vocês dois falam sobre nós pelas nossas costas? – Bella estreitou os olhos.
- É coisa de casal. – Alice deu em ombros – Você e Edward deveriam tentar.
- Não somos um casal! – Bella exclamou – Foi só um beijo!
- Então porque está tão nervosa assim? Se foi só um beijo e não vai acontecer de novo?
- Droga, Allie! – Bella exclamou – Essa é a questão! Eu... – Bella se contorceu, inquieta – Eu não consigo parar de pensar naquele beijo, eu... Eu não consegui parar de pensar nele o dia todo! – ela enterrou a cabeça em um travesseiro.
- Bella Swan pensando em um homem! – Alice arfou – Isso sim é algo que eu não pensei que viveria o suficiente para ver.
- Sem gracinhas, Allie. – Bella grunhiu, com a voz abafada pelo travesseiro.
- Não é uma brincadeira. – ela sentiu sua amiga aproximar-se ainda mais – Eu sempre soube que deveria haver um cara aí fora para você. É claro, ninguém jamais poderia adivinhar que seria o Masen, mas...
- Alice! – Bella engasgou – Como assim homem para mim? Aquele beijo foi uma loucura e eu preciso urgentemente tirar ele da minha mente.
- Bem, eu nunca vi você tão afetada desse jeito. – Alice deu um sorriso maldoso – Deve ter sido um amasso e tanto. Quer dizer, só o fato de você ter participado ativamente da coisa já prova que tem algo especial sobre você dois...
- Você não está ajudando! – Bella rugiu, tirando a cabeça do travesseiro.
- Estou sim. Só não estou dizendo o que você quer escutar. Ou o que você não quer admitir: que está caidinha por Edward Masen.
- O quê? – Bella arfou – Como pode achar isso? Só começamos a nos entender há menos de 10 dias.
- Eu conheci o Jasper em um dia e no seguinte já tinha transado com ele e imaginado como o meu nome ficaria com o sobrenome dele. – Alice riu – Nem todo mundo precisa de meses para se apaixonar.
- Eu não estou apaixonada! – Bella rugiu, irritada.
- Ah, é? – desdenhando, Alice ergueu uma sobrancelha – Então como se sentiria se Edward aparecesse aqui beijando outra garota amanhã?
A sensação de mágoa e tristeza a tomou antes que Bella pudesse se conter: uma reação automática ao cenário que Alice estava propondo.
- Está vendo? Você não o quer com outra pessoa! – Alice acenou – E, sinceramente, eu vi o jeito como ele olha para você desde que passou a herança para Esme: parece um homem vendo a luz do sol pela primeira vez. E, sejamos francas: ele estava fervendo de raiva por conta do Jacob. Parecia que ele queria torcer o pescoço dele e depois queimar a cova. Ele sente tantos ciúmes quanto você.
- Não estamos com ciúme! – Bella negou estupidamente, mas nem ela mesma acreditou em seu tom de voz débil – É apenas... Uma reação de proteção, porque viramos bons amigos e queremos proteger um ao outro.
- Oh, claro... – Alice riu – Afinal, porque você iria querer se envolver com um babaca arrogante como ele?
- Não é assim... – Bella argumentou, apoiando a cabeça nas mãos – Ele mudou! Mudou muito, na verdade. Ele tem sido tão gentil, agradável e doce... E ele também é muito inteligente e divertido... – ela sorriu – Às vezes eu acho que poderia passar horas apenas conversando com ele e...
Ela parou quando seus olhos pousaram em Alice novamente e percebeu que ela estava ostentando um sorriso malicioso, que a fez corar profundamente.
- Que maneira romântica de falar sobre um amigo. – Alice riu maldosamente – Eu certamente nunca falei de você desse jeito e muito menos com esse olhar encantado.
- Isso não significa nada! – ela negou rapidamente.
- Claro que não. – Alice rolou os olhos sarcasticamente - E tenho certeza de que você também nunca deve ter percebido o quanto ele é bonito e jamais deve ter se sentido atraída por um cara bonito e legal que tem absolutamente tudo em comum com você.
- Eu ter percebido que ele é bonito não faz diferença. – Bella atalhou – Eu já o achava bonito mesmo quando ele era um completo idiota e nunca me senti assim naquela época. Eu apenas não era cega.
- Mas você mesma disse que ele mudou. – desafiou Alice, cruzando os braços e erguendo uma sobrancelha especulativamente – O que explica porque está assim agora: sempre teve uma atração por ele e agora estão se apaixonando! – sua amiga exclamou, como se tivesse acabado de resolver um grande mistério.
- Não estamos não! – Bella ginchou, horrorizada – Foi só um beijo!
- Um beijo que já rendeu toda essa conversa. – Alice riu – Admita, Bella. Você está assim tão perturbada porque não quer admitir que não só gostou do beijo: você gosta dele. Qual o problema de admitir?
- O problema é que ele é não só o enteado da minha mãe, mas também um cara que eu conheço a menos de um ano e passei 90% dele adiando-o. Esse é o problema.
- Mas não odeia mais. – Alice apontou – E vocês não tem uma única gota de sangue em comum. Tente ficar em negação com outro argumento, Bella.
- Não estou em negação. – Bella balançou a cabeça nervosamente – Quer saber? Isso é só uma atração passageira. Eu só estou estranha porque nunca senti isso tão intensamente. Sim, é isso mesmo. – ela assentiu para si mesma – Eu só preciso me acalmar e isso vai passar com o tempo.
- Por que não transa com ele? – Alice perguntou distraidamente - Perder sua virgindade com o primeiro cara que realmente te acendeu... Até que soa bem. E também vai ajudar ele a sair do seu sistema mais rápido. Sabe, descarregar essa energia...
- Eu não acho. – Bella murmurou para si mesma – Só faria eu querer ele ainda mais.
- Oh, Meu Deus! – Alice exclamou antes de gargalhar – Eu achei que você fosse negar ou ficar brava. Você realmente pensou nisso, não é?
- Alice! – Bella exclamou, irritada não apenas com ela, mas também consigo mesma por ter admitido aquele pensamento idiota que tivera.
Assim que seu telefone vibrou, anunciando a chegada de uma nova mensagem, Bella voou até ele, desesperada para terminar aquela conversa. Era desesperador como, incosncientemente, ela estava revelando mais do que até ela mesma sabia.
Alcançando o celular, Bella o distravou rapidamente, mas a mensagem que viu a vez gelar completamente.
Marie contratou uma mulher para tentar seduzir Carlisle. Ela vai dopá-lo e fingir que dormiu com ele, quando não conseguir. Fiquem atentos.
- Mas o que...? - ela murmurou para si mesma, sem conseguir acreditar no que tinha lido.
- Bella... - Alice sussurrou, se aproximando dela, preocupada ao notar sua repentina mudança de humor - O que houve...? - ela perguntou, olhando por cima do ombro para seu celular, lendo também a mensagem.
- Dá pra acreditar nisso? - Bella rosnou - Eu poderia até achar que isso era uma mentira se não fosse exatamente o tipo de coisa que Marie faria. Meu Deus... Eu preciso contar isso para Esme e Carlisle.
- Mas, Bella... - Alice segurou seu ombro, impedindo-a de sair – Quem mandou essa mensagem, afinal.
Bella engoliu em seco – Antônio.
- O quê? – Sua amiga engasgou, incrédula – E mesmo assim vai acreditar nele? Bella... – Alice começou, incerta – Eu sei que você gosta dele e que ele te ajudou muito, mas... Antônio ficou do lado da Marie, depois de tudo. Acha mesmo que pode confiar nele? E se ele só estiver mandando-a em mais um plano?
Bella ponderou por um minuto – Eu sei disso, Alice. E, sinceramente, ainda não o perdoei por conta disso. Mas, ainda sim... Quando eu o vi pela última vez, ele parecia tão... Perturbado. – ela revelou – Não apenas arrependido. Ele parecia realmente mal. É, mesmo que alguma coisa ainda o mantenha preso a Marie, eu acho que ele realmente estava sendo sincero quando disse que não permitiria que ela machicasse Esme novamente. Pelo menos... – Bella suspirou – Eu quero acreditar que ele nos ajudaria se tivesse a oportunidade.
- Eu também gostaria de pensar assim, Bella. – Alice a olhou tristemente – Mas porque ele começaria isso só agora?
- Eu não sei... – ela mordeu o lábio, pensativa – Mas ele parecia tão sincero quando me disse que não permitiria que Esme passasse pela dor de ser separada da filha...- Bella relembrou, quase conseguindo ver a desolação nos olhos verdes dele...
A dor de ser separada da filha, como... Como o quê...?
Foi quando uma resolução a atingiu: Como quem?
E também foi quando ela finalmente percebeu de onde os olhos dele lhe eram tão familiares...
Seria realmente possível? Seria essa a razão de Antônio ainda estar com Marie?
- Bella? – a voz ansiosa de Alice a trouxe de vota a realidade – Bella, você está bem?
Engolindo em seco, Bella reprimiu o tremor que a percorreu enquanto sua recém-desxoberta teoria começava a fazer cada vez mais sentido em sua mente. Contudo, ela sabia que aquilo não era o mais importante naquele momento, por mais perturbador que fosse. O mais importante agora era avisar Carlisle e Esme sobre aquela mensagem.
- Independente de com quem está a lealdade de Antônio, preciso avisar os meus pais agora mesmo sobre essas mensagem. - ela abriu a porta, determinada - De qualquer forma, sendo mentira ou não, eles precisam ficar alertas.
Com a mesma fúria que sentira quando Marie os expulsara de casa, ela pisou duramente até a porta do quarto de Carlisle e Esme e estava pronta para bater quando sentiu uma presença atrás dela, que a fez parar automaticamente.
- Bella? - Edward perguntou, soando preocupado - Você está bem?
- Eu preciso falar com Carlisle e Esme. - ela engoliu em seco, tentando falar o mais normal e tranquilamente possível, mas, ainda sim, não conseguiu reunir coragem o suficiente para olhar diretamente para ele - Eu... Eu acabei de receber essa mensagem. – ela virou o celular para ele, sem estabelecer contato visual.
- Isso é muito sério. – ela levantou um pouco os olhos para ver que ele observava a tela de seu celular com o cenho franzido – Tem razão. Precisamos avisá-los imediatamente. Eu sabia que Marie não aceitaria tão facilmente o que Esme disse a ela.
- Sim, claro... – ela gaguejou rapidamente, virando-se para a porta e batendo nela ao perceber que ele estava tentando estabelecer contato visual.
Em poucos segundos, Carlisle atendeu a porta, com a expressão sonolenta. – Sim? – ele perguntou com voz rouca.
- Pai... – Bella falou cautelosamente – Preciso falar com você e com a mamãe.
- Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou preocupado – Só um segundo. Eu vou acordar a Esme.
Um momento depois, ambos apareceram novamente na porta, a expressão de Esme dividida entre o sono e a ansiedade. – Está tudo bem, queridos?
- Mãe... – Bella começou – Eu recebi uma mensagem e... – ela ergueu o celular lentamente – Eu acho que vocês dois deveriam ler.
Ela observou, tensa, enquanto Esme e Carlisle passavam seus olhos pela mensagem, ao mesmo tempo que a expressão de Esme foi se fechando lentamente até que ela parecia furiosa. Mais furiosa do que Bella jamais pensaria que Esme era capaz de ficar. Não era simplesmente a raiva misturada com tristeza e decepção que ela vira em seu rosto da última vez em que eles viram Marie. Agora, Esme parecia pronta para bater em alguém.
- Quem mandou isso para você, Bella? – Carlisle perguntou.
- Antônio. – ela revelou, enquanto a lembrança da resolução que tivera fazia seu estômago se embrulhar.
- Mas por que ele faria isso? – Edward perguntou atrás dela, desconfiado – Nunca o vi sendo nada além completamente fiel a Marie.
- Não importa quem mandou isso. – Esme os interrompeu, a voz fria como gelo – Porque minha mãe já fez isso ante!. É claro que faria de novo! E eu vou até ela agora mesmo dizer o que penso sobre isso! – ela rugiu e começou a andar pelo corredor, mas os três correram para impedi-la.
- Esme, espere. – Carlisle pediu, segurando-a pelos ombros – Já está tarde...
- Acha que eu me importo com que horas são?! – Esme estalou – Carlisle, ela nunca vai parar de interferir na nossa vida, se eu não tomar uma atitude!
- Então pelo menos espere até amanhã. – Bella pediu – Já passa das onze da noite e não vai haver barcos para nos levar até San Pedro. Então espere, por favor... – ela implorou – Eu não mostrei essa mensagem para deixar você assim. Eu só queria que vocês ficassem de sobreaviso.
- E nós vamos ficar, não é, querida? – Carlisle acariciou suavemente os ombros de Esme – Vamos voltar para o quarto e tentar acalmar um pouco você, está bem? Amanhã decidiremos o que vamos fazer.
- Nada disso. – Esme negou – Eu posso até mesmo esperar até amanhã. Mas, assim que eu acordar, eu vou direto até a ilha! Não vou mais aturar esse comportamento!
E, de fato, no dia seguinte, no café da manhã, – que Bella, Carlisle e Edward se esforçaram muito para convencer Esme a participar antes de saírem – quando uma moça loira muito atraente aproximou-se de Carlisle com demasiada simpatia e insistência, a fúria de Esme apenas se inflamou mais e os três viram que ela realmente não desistiria de ir até a ilha enfrentar a mãe. Por isso, logo após o café da manhã, eles procuraram Harry para levá-los e trazê-los de volta de San Pedro.
A ilha continuava encantadora e resplandecente, mas Bella não pôde deixar de sentir o clima pesado ao redor do belo lugar, advindo certamente da mulher que estava morando lá agora. Assim que Esme saiu do barco, Carlisle foi até ela, segurando-a pelos ombros.
- Espere, amor. Eu vou com você. – ele afirmou, decidido – Eu entendo o que você está sentindo e também tenho algumas coisas que gostaria de dizer a sua mãe. – ele então se virou para ela e Edward – Eu gostaria que vocês entrassem na casa, mas não viessem conosco, está bem? É uma conversa pessoal que estamos precisando ter há muito tempo. – ele suspirou – Voltaremos assim que pudermos.
Bella assentiu afirmativamente e os seguiu até a casa, vendo Esme puxar uma chave extra de debaixo do capacho e entrar facilmente. Ela e Edward pararam atrás dos sofás enquanto observavam o casal sair em busca de Marie. Ela os esperou desaparecer por um dos corredores até se virar para Edward, olhando-o diretamente pelo primeira vez desde o dia anterior, para falar, seriamente.
- Eu preciso achar Antônio e saber porque ele mandou aquela mensagem.
- Mas ele provavelmente deve estar com Marie. – ele avisou.
- Talvez. – ela balançou a cabeça, sabendo que aquilo era uma possibilidade – Mas eu preciso falar com ele sobre isso e... Sobre uma coisa que eu venho pensando.
- O que? – Edward perguntou, confuso.
- Esme me contou que Michael Newton, o pai dela, morreu quando ela era bebê, não é?
- Sim, ele teve um ataque cardíaco. – ele afirmou – Por que a pergunta?
- Quando eu ainda era a herdeira, eu vi uma foto dele e... Ele é tão diferente de Esme. Na verdade... Não posso dizer ainda. – ela mordeu o lábio, incerta de como diria aquilo – Tenho que encontrar Antônio primeiro. Não tem porque levantar uma falsa suspeita.
- Está bem. Mas eu vou você. – disse-lhe Edward, em um tom que não permitia discussões.
Juntos, eles percorreram vários quartos vazios e meticulosamente arrumados da casa, até encontrarem uma figura alta arrumando uma cama no último e mais distante quarto de hóspedes da casa.
- Antônio... – Bella o chamou, aproximando-se.
Ela o viu estremecer suavemente ao som de sua voz e se virar para olhá-la, parecendo perturbado por um curto segundo, até finalmente se recompor e recuperar a expressão serena que aparentemente fazia parte de seu rosto. Contudo, Bella não pôde não notar as profundas e escuras olheiras sob seus olhos cansados.
- Srta. Swan. – ele a cumprimentou de maneira vazia – O que está fazendo aqui?
- Antônio. – ela ficou frente a frente com ele, sentindo que Edward também se aproximava dos dois – Eu quero que me diga a verdade: Por que você me mandou aquela mensagem?
- Eu nâo fiz isso para que você viesse aqui, Isabella. – ele a repreendeu, com um ar quase paternal – Eu apenas queria que você avisasse Esme.
- E eu avisei. E agora ela está aqui para confrontar Marie sobre isso.
- Oh, não. – Antônio suspirou, entre dentes – Eu apenas achei que ela ficaria um pouco triste e saberia que não foi culpa de Carlisle quando aquela mulher tentasse alguma coisa.
- Acho que ela já passou por decepções demais com a mãe. – Edward disse friamente – Além de triste, ela está possessa agora.
- Eu não queria que ela viesse aqui. – ele balançou a cabeça, perturbado.
- Eu agradeço por ter nos avisado, mas... – ela o olhou especulativamente - Por que você fez isso?
Ele ficou alguns segundos em silêncio, apenas olhando para o resto de Bella, mas realmente parecer vê-la.
- Esme já foi magoada o suficiente. – ele murmurou por fim – Está na hora de ela ser feliz com as decisões que ela mesma tomou.
- Só se deu conta disso depois de ter ajudado Marie em todos aqueles planos? – Edward rosnou – Eu nunca entendi como Esme pôde saber disso e mesmo assim ter perdoado você. Tem muita sorte por ter literalmente criado ela.
- Eu nunca quis que Esme sofresse. – ele sussurrou intensamente – Mas eu era apenas um mordomo. O que eu poderia fazer? Não podia arriscar que Marie me demitisse.
- Por que continuar sendo o braço direito de uma mulher como ela? – Bella o questionou, a desconfiança de que sua teoria podia estar certa a impulsionando a perguntar – Por que todo esse medo de ser demitido? Não poderia encontrar outro emprego com um patrão melhor? Um que não roubasse bebês?
- Você não entende a situação que eu passo aqui. – ele disse, a irritação fazendo a voz tornar-se um suave rosnado – Não posso simplesmente ir embora.
- É mesmo? - Bella perguntou, avaliando sua reação, enquanto o aperto de ansiedade em seu coração a impulsionou a finalmente fazer a pergunta que queria - Perderia algo importante saindo daqui? Algo como o que ajudou minha mãe a perder?
Ela viu os olhos dele se arregalarem e soube que precisava confirmar sua teoria naquele momento. Não poderia viver com aquela dúvida que a mantivera acordada a noite anteior inteira. E, se fosse verdade, não poderia permitir que Esme passasse mais um dia vivendo mais uma das mentiras de Marie e Antônio.
- Antônio... – ela começou, a voz tranquila, mas ainda sim tensa –Eu vou perguntar uma coisa e quero que você me responda com sinceridade... – ela engoliu em seco antes de finalmente perguntar – Você é o pai da Esme?
Ela sentiu Edward sobressaltar-se ao seu lado diante de sua pergunta, enquanto Antônio estremeceu suavemente, tão discretamente que ela mal teria notado se não tivesse visto ele travar os punhos para se conter.
- Essa é uma pergunta muita estúpida. – ele disse friamente – Esme era filha de Michael Newton, o marido de Marie.
- Eu me lembro de ver a data do casamento dos dois e a data do nascimento de Esme... Ela nasceu um pouco cedo demais, não é? – Bella perguntou, mesmo já imaginando que estava certa – E Marie não parecia o tipo de senhorita que se envolveria carnalmente com o noivo antes do casamento.
- Essa é sua maior evidência? – ele deu um sorriso de escárnio e rolou os olhos – Não que isso seja da sua conta, mas, caso não saiba, muitos bebês nascem prematuros.
- É claro. E seria muito fácil para Marie se casar estando grávida e usar essa mesma desculpa...
- Não espalhe mentiras como essa, Isabella. – ele a advertiu – Pare com esse assunto agora e vou fingir que não ouvi essa completo absurdo.
- Eu só queria entender você... – ela sussurrou tristemente – Há algum tempo atrás eu ouvi o boato... De que você dois tinham um caso. No início, achei que era apenas uma história estúpida... Então... Eu notei de onde sempre achei que conhecia os seus olhos. – ela revelou – Percebi que eles são exatamente iguais aos de Esme. E, ao mesmo tempo, ela não tem nada nem mesmo remotamente parecido com Newton. Então... Eu me perguntei porque você continuava aqui com Marie e comecei a pensar se não era por conta da sua filha...
- Por favor, Isabella... – ele disse entre dentes, quase implorando, como se as palavras dela estivessem fazendo-o sofrer.
- Se disseram a verdade sobre mim, pode dizer sobre isso também. – Bella pediu. – Deixar a Esme ter não apenas a filha, mas também o pai.
Ele ficou vários segundos em silêncio, até que Bella falou novamente.
- Foi por isso que mandou a mensagem? Por que não queria ver a sua filha sofrer mais?
Depois de mais alguns segundos de silêncio, ele falou novamente, a voz quase inaudível.
- Faziam apenas dois anos que eu trabalhava aqui quando Marie me disse que estava grávida. – ele revelou, finalmente – Ela tinha mantido nosso caso em segredo e eu sabia que seria assim para sempre. Mas... Quando eu descobri que seria pai, tentei de tudo para convencer Marie a me deixar assumir minha filha, mas... Ela já estava noiva. – ele balançou a cabeça, parecendo perturbado – Eu ameacei contar sobre nós, mas ela apenas disse que me demitiria e nunca mais permitiria que eu visse minha filha. Eu não tinha para onde ir e queria conhecer minha criança. – sua voz era tão triste que Bella quase pode sentir seu desespero de pai – Por isso eu fiquei. Permiti que minha filha chamasse outro homem de pai, mas pelo menos tive a chance de criá-la, de fazer parte da vida dela e de amá-la...
- Por que nunca contou isso a ela? – Edward perguntou, meio perplexo e meio revoltado.
- Acha que Marie deixaria? – ele riu amargamente – Ela daria um jeito de me mandar embora e eu jamais seria Esme novamente.
- Como pôde permitir que ela me tirasse de Esme? – Bella não pôde evitar perguntar, completamente magoada – Se sabia como era a dor de não poder assumir ser o pai dela, por quer deixou que ela também não pudesse estar com a filha
Os olhos de Antônio desviaram para o chão, mas não antes que Bella percebesse que eles estavam cheios de lágrimas e ele pareceu verdadeiramente arrependido. – Ela me convenceu. Ela sempre me convence...
- Mas você ainda podia escolher fazer alguma coisa! – Edward grunhiu – Poderia ter dito a Esme sobre Bella. Teve vinte e dois anos para isso. Passou realmente tanto tempo assim vendo-a chorar e sentir falta de seu bebê e não sentiu nenhum remorso por ter feito isso com sua própria filha?
- É claro que senti! – ele grunhiu e balançou a cabeça parecendo desolado – E isso me corroeu por anos. Naqueles primeiros anos, eu mal conseguia dormir, pensando no seu rosto... – ele fitou Bella com carinho e uma profunda tristeza – Pensando no que eu tinha feito com minha neta... Eu sei que não faz mais diferença... Mas acredite em mim, Bella, durante cada segundo de todos esses anos eu me arrependi de ter separado vocês duas. Eu não via como concertar o que Marie tinha feito sem fazer Esme me odiar, mas rezei todas as noites para que um dia você e Esme pudessem se encontrar novamente. Na verdade, eu nunca pensei que poderia fazer mais do que rezar, mas... – ele a virou intensamente, com os olhos marejados – Quando Marie fez aquele maldito testamento e eu finalmente pude reunir você duas, eu achava que era a benção que eu sempre pedi. Mas eu estava errado, Bella: - ele deu um sorriso trêmulo – Você era a benção. Porque eu sempre tive noção do erro que cometi, mas ver você lutando contra tudo aquilo... Me fez ter coragem. Me fez querer mudar a situação. Me fez querer lutar para resolver essa situação. Lutar contra para consertar as coisas que ajudei Marie a destruir. Por isso reuní ela com Carlisle. E admiti o que fizemos para separá-los... Para separar vocês três. – os ombros dele caíram desoladamente – E finalmente perceber que eu poderia ter lutado contra ela durante todo esse tempo só fez o meu arrependimento aumentar.
- Parece que não aumentou o suficiente para incentivar você a falar a verdade. – Edward rebateu, furioso.
-Está errado. – Antônio engoliu em seco – Eu já tive o suficiente disso. Não vou mais machucar minha filha apenas para satisfazer aquela mulher! Por isso mandei aquela mensagem. Não vou mais ajudar Marie a fazer essas coisas...Eu não posso mais suportar.
- Então diga a verdade! – Bella implorou – Diga a Esme que você é o pai dela. Pode fazer o que é certo! Pode reverter as mentiras de Marie!
- Como? Eu já a magoei o suficiente tirando você dela. E eu sei que, no fundo, ela nunca vai me perdoar de verdade e muito menos completamente. – ele perguntou, desolado – Como eu poderia dizer a ela que menti sobre isso durante todos esses anos? Como eu poderia fazer algo que fizesse Esme me perdoar novamente?
- Poderia começar parando de mentir.
Surpresos, os três se viraram para ver Esme parada na soleira da porta do quarto, com uma expressão entristecida. Atrás dela, Carlisle estava parado, com a mesma expressão perplexa que Bella sabia que tinha em seu próprio rosto.
- Esme... – Antônio começou, mas sua filha o interrompeu.
- Lembra de todas aquelas vezes, quando eu era criança, e dizia que queria que você fosse meu pai? Ou quando eu adolescente e brigava com a mamãe e você me consolava? E eu te dizia que eu te considerava o meu pai? - ela soluçou – Nunca sequer pensou em me contar a verdade naquela época?
- Eu... – ele engasgou por um segundo e então desviou os olhos para o chão, envergonhado – Eu sinto muito, Esme.
- Você mentiu por conta dela? – Esme chorou – Por causa da mamãe?
Antônio respondeu apenas com um suave aceno com a cabeça, ainda sem olhar para a filha.
- Eu... Eu sempre achei que você gostasse dela. – Esme fungou – Mas... Eu nunca achei que... Que realmente... Na verdade eu nunca achei que ela seria capaz de mentir desse jeito para mim. – Esme suspirou – Mas agora eu finalmente percebi que ela é capaz de muito mais do que eu jamais imaginei.
- Esme! – a voz rouca e conhecida ressoou no corredor, junto com o som de passos – Volte aqui agora mesmo! Não tem o direito de falar desse jeito comigo!
Antes que Bella pudesse sequer entender o que estava acontecendo, Marie se juntou aos 05 no quarto, o rosto enrugado parecendo furioso. Contudo, apesar de sua explosão ao chegar, Esme se virou para ela lentamente, com uma expressão desolada.
- Há algo na minha vida sobre o qual você não tenha mentido?
- Do que você está falando agora? – Marie resmungou, ainda irritada.
- Sobre o meu pai. – Esme fungou – Sobre você ter mentido até mesmo sobre isso para mim.
- O quê? Do que acha que está falando, menina? – Marie grunhiu, a expressão inalterada.
- Foi assim que teve coragem de tirar Bella de mim? – Esme continuou, ignorando-a – Já tinha experiência em mentir para mim desde o dia em que eu nasci?
- De onde você tirou essa história? – Marie rolou os olhos – Não tente desviar o assunto para suas besteiras. E não pense pode vir até a minha casa e me desrespeitar daquele jeito! Eu deveria chamar a polícia para...
- Você nunca pensou em me dizer quem era o meu verdadeiro, pai? – Esme soluçou – Nunca sequer considerou me dizer que Antônio era meu pai? Nem mesmo quando eu era uma menininha e corria chorando para você porque meu pai estava morto e eu nunca poderia conhecê-lo?
- Quem disse essa loucura para você? – os olhos escuros de Marie desviaram para Antônio rapidamente e depois de volta para Esme – Você sabe muito bem quem é o seu pai!
- E que credibilidade você tem? – Esme gritou – Você roubou meu bebê! Por que não mentir sobre quem era meu pai para esconder que você engravidou de um dos seus empregados, assim como eu?
- Não fale assim comigo! – Marie rosnou.
- Você não merece respeito nenhum! – Esme grunhiu – Não merece minha consideração e muito menos minha pena! O que você faria se eu pedisse um exame de DNA?
- Muito bem. Pode me dar um fio do seu cabelo. – Marie disse, indiferente – Vou lhe enviar o resultado assim que possível.
- Acha que eu acreditaria em você? – Esme riu amargamente – Você falsificou uma certidão de óbito para Bella, porque não falsificaria um exame de DNA?
- Que não seja por isso. – a matriarca dos Volturi revirou os olhos novamente – Antônio, diga a ela como seria completamente impossível você ser o pai dela, já que nunca me tocou.
Os segundos passaram, pesados como chumbo e secos como as palavras de Marie, e todos esperaram para saber qual seria a resposta de Antônio, mas nada aconteceu. Bella observou o rosto de Marie passar de confiante e superior para total e completamente possesso quando ela olhou para Antônio, que permanecia quieto.
- Antônio! – ela vociferou – É melhor você dizer alguma coisa agora mesmo, se não...
- Não, Marie. – ele suspirou, soando exausto, mas ainda sim determinado - Já chega. Eu não vou mais apoiar você nisso. Chega de mentiras. – ele se virou para Esme e sorriu um pouco – Sim, eu sou o seu pai.
- Não minta para ela! – Marie rugiu – Como ousa difamar meu nome assim?! Eu jamais me envolveria com você!
- Você apenas nunca admitiria isso, Marie. – ele a olhou seriamente - E eu fui estúpido o suficiente para permanecer nessa coisa doentia que tivemos... Aceitando machucar minha filha... E minha neta... Apenas para me manter do seu lado... Passei tanto tempo acreditando que tinha ido longe demais por sua causa para voltar atrás agora... Que nunca poderia me redimir... Que nunca faria o suficiente para compensar as coisas horríveis que fiz em seu nome... Que eu nunca poderia te deixar... Mas eu finalmente compreendi que nada disso é verdade. Você já machucou nossa filha o suficiente. Estou cansado disso, Marie. Já perdi muito tempo da minha vida dedicado apenas a você. Esperando que você finalmente mudasse de ideia, que admitisse o que pensei que sentia por mim, que se arependesse das atrocidades que cometeu... Pode ter demorado, mas finalmente percebi que isso nunca vai acontecer. E, se mesmo com tudo o que aconteceu, não está disposta a dar um basta em toda essa mentira que tramou, e eu, como um imbecil, te ajudei, então eu mesmo vou dar!
- Seu maldito mentiroso! – Marie rugiu, quase ao ponto de se descontrolar – Retire o que disse agora mesmo!
- Não vou mais mentir por você, Marie. – ele a fitou, parecendo triste e sombrio –Você já provou há muito tempo que não merece a minha lealdade. Ou o meu amor. – ele sussurrou quase inaudivelmente – Só queria ter percebido isso antes. – ele então se voltou para Esme – Não precisa fazer um exame de DNA, filha. Eu sou o único homem com quem ela já esteve.
- Seu desgraçado! Como ousa... – Marie tentou avançar nele, mas Carlisle a segurou pelos braços. Irada, ela se libertou rapidamente do aperto das mãos dele e fixou seus olhos inflamados em Antônio.
- Pode deixar a máscara cair, Marie. – ele rosnou para ela – As pessoas que você sempre quis impressionar já estão todas mortas. E se você não tem decência o suficiente para dizer a verdade, então eu mesmo direi: - ele se voltou para a filha novamente – Eu a ajudava a dopar Newton toda a noite. Nós dois sempre garantimos que ele nunca tocasse nela.
- Como pode fazer isso comigo?! – Marie gritou, agora completamente descomposta.
- Como vocês dois puderam fazer isso comigo?! – Esme soluçou – Mentir dessa forma e sobre tantas coisas?
- Sua coisinha ingrata! – a mãe de Esme direcionou sua ira para ela – Ele me ajudou a tirar a bastarda de você também! Por que não o derespeita também? Por que não o insilta e o acusa de ser um mentiroso?
- Porque pelo menos ele me pediu desculpas desde o primeiro dia. – ela chorou – Ele me disse que estava arrependido. Ele me avisou sobre a mulher que você contratou para tentar nos separar de novo. Mas você não mãe... – Esme suspirou, desolada – Você nunca fez nada disso.
- Você os avisou?! – Marie engasgou, referindo-se a Antônio – Como pôde me trair desse jeito?
- Você já magoou nossa filha o bastante, Marie. – ele rosnou – Eu só fiz o que deveria ter feito desde o dia em que ela nasceu: eu a protegi.
- Seu...
- Pela primeira vez, mãe... – Esme implorou – Apenas diga a verdade.
- Quer a verdade? – Marie grunhiu, possessa – Muito bem, vou lhe dar a verdade que tanto quer: a verdade é que você herdou de mim essa estupidez que tem em você. Eu era uma solteirona solitária e me apaixonei pelo meu novo mordomo e fui para a cama com ele. Mas sabe qual é a diferença entre nós duas? Eu tinha consciência de quais eram minhas responsabilidades e que elas eram minha prioridade, muito diferente de você. Eu escondi minha vergonha e aceitei me casar com aquele perfeito idiota do Newton para dar prestígio ao nome da família e um pai para você. E, quer saber? Você tem muito a me agradecer. – ela se impertigou, aquele ar superior retornando ao seu rosto - Eu mantive seu verdadeiro pai perto de você, carinhoso e presente. Newton teria sido um péssimo pai para você. Eu lhe dei o melhor dos dois mundos. O nome de um e a criação do outro.
- Não percebe, Esme? – ao continuar, Marie parecia quase perturbada – É por isso que não pode se casar com esse homem. Você vai ser julgada por todos e nunca será feliz. Escute a sua mãe, já passei por isso: não cometa o erro de achar que ele vale mais do que a sua reputação.
- Se não me queria com ele então porque pediu no seu testamento que ele fosse avisado sobre Bella? – Esme chorou – Que tipo de jogo é esse que você está fazendo?
- Eu nunca escrevi isso. – Marie disse, passa – A única coisa que você deveria saber era sobre a sua bastarda... – foi quando as peças pareceram se encaixar na mente dela e seu olhar inflamado de ódio pousou em Antônio – Você! – ela vociferou antes de se lançar sobre ele.
Pasma, Bella tentou avançar para onde Marie tentava bater e arranhar o rosto de Antônio enquanto este lhe segurava os braços, mas Edward a impediu, colocando a mão em seu ombro para pará-la, enquanto ele e Carlisle foram até lá para separá-los.
- Você é o culpado disso! – Marie gritou entre ofegos, enquanto Carlisle finalmente conseguia contê-la e tirá-la de cima de Antônio – Você é o culpado dele ter voltado e de Esme querer estragar a vida dela!
- Você foi a única que estragou a vida dela! – Antônio rosnou de volta – E eu fui o idiota obssecado que permitiu. Mas não mais!
- Fora da minha casa! – Marie ordenou – Todos vocês! Agora! – e, se virando para Antônio, rosnou – Especialmente você!
Ele apenas a olhou intensamente por um minuto, com uma mistura de decepção, raiva e ânsia que fez o estômago de Bella apertar. Por fim, ele sussurrou.
- Sim, eu vou sair da sua casa, Marie. E da sua vida também. Como eu deveria ter feito muito tempo atrás. – ele a olhou novamente por um rápido de segundo, antes de sussurrar – Adeus.
- Você pode vir conosco se quiser. – Carlisle falou em voz baixa.
- Aproveite bem seu pai. – Marie rosnou para Esme – É só o que você tem agora.
- Não, Marie. – Esme sussurrou tristemente e Bella não deixou de perceber o fato de Esme não ter chamado-a de mãe – Você foi a única que acabou de perder a única pessoa que ainda tinha ao seu lado.
(***)
Eles estavam prestes a alcançar o recorde de quase 02 dias sem revelações bombásticas.
Sentada na beira da praia, com Panqueca descansando ao seu lado depois de um longo passeio, Bella torcia para que eles conseguissem realmente terminar aquele dia sem mais dramas familiares dignos de uma novela. Com um pequeno sorriso, ela observou o pôr do sol que se aproximava, enquanto pensava em como Esme e Antônio estavam tentando finalmente estabelecer um relacionamento de pai e filha.
Obviamente, Esme ainda estava em um momento de dúvida, disposta a perdoar, mas, ainda assim, volta e meia, ela não podia deixar de lembrar que ele fora o braço direito de Marie em muitas atrocidades ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, ele era o homem que lhe deu mamadeiras quando bebê, a buscava na escola quando criança, colocava curativos em seus machucados e contava histórias para ela dormir. Era realmente cruel que Marie tivesse impedido a filha de saber que aquele homem que sempre cuidara dela era seu verdadeiro pai apenas por conta de seus preconceitos elitistas.
Naquele mesmo dia, ela tinha visto Esme ir para a praia com Antônio e Carlisle para conversar e aproveitar o dia, em uma tentativa de começar a estreitar laços com seu pai. Do mesmo jeito que era difícil para Esme esquecer o que Antônio já fizera, era difícil para ele esquecer que já não era mais um mordomo e que, agora que estava entre eles, era um igual e não um servente. Várias vezes ele arrumara a bagunça das crianças e fizera as camas de todos "por força do hábito". Mas Bella tinha fortes esperanças de que eles dois superaram aquilo aos poucos, especialmente depois de ver como os olhos dos dois brilhavam quando Esme falava sobre o casamento, que estava há apenas 07 dias de acontecer e com quase tudo pronto.
- Posso me sentar aqui?
Bella pulou um pouco pela surpresa e levantou a cabeça para ver Edward parado ali, com Herói ao seu lado. Com um sorriso, ela afastou-se um pouco para o lado, liberando espaço para ele na toalha de praia em que estava sentada.
- É claro. – ela o observou se sentar mais perto que ela imaginava, o braço quase roçando o seu e, involuntariamente, ela sentiu seu coração acelerar.
As coisas entre eles tinham se normalizado nos últimos dias, especialmente porque os dois se uniram para consolar Esme quando ela voltou destruída depois do último embate com Marie. Depois disso, ela fora se deitar e os dois foram deixados juntos no corredor do hotel. Ela temera que ele pudesse mencionar o beijo, contudo, mais uma vez, Edward a surpreendeu positivamente. Ele tinha apenas perguntado se ela estava bem e, quando ela lhe disse que ficaria, ele a convidou para tomar um chocolate quente no restaurante do hotel e conversar sobre livros e filmes para se distraírem. E, como sempre, a conversa entre eles fluiu incrivelmente, de maneira que, pelo menos externamente, parecia que o beijo jamais tinha acontecido.
Mas apenas externamente, porque, em seu íntimo, por mais que tentasse, ela não tinha conseguido retornar ao que era antes. Porque desde o avião para o Caribe, quando ela começou a mudar sua opinião sobre ele, aquela atração havia se tornado algo real. Sempre que ele dava um daqueles lindos sorrisos, ou acom fitava intensamente com aquelas esmeraldas em formato de olhos, ou quando ela o imaginava sem camisa – o que vinha acontecendo com frequência – ela se sentia como um sorvete derretendo no verão. Desesperada, deliciada e indo em direção a um fim iminente, que ela ainda não sabia exatamente qual era, já que a atração não estava passando. Apenas aumentava, cada dia mais.
E agora, pior ainda, não era apenas a atração, mas também aquele... Apego. Durante aqueles dois dias, ela finalmente percebeu como Edward estava impregnado em sua mente, mesmo antes do beijo acontecer. E não apenas como uma fantasia erótica, mas também como uma presença constante... E desejada. Já fazia algum tempo, mesmo que ela não soubesse quanto exatamente, que ela pensava sobre Edward constantemente, mesmo quando ele não estava por perto. Quando via algo engraçado, queria se lembrar para contar para ele; quando via algo peculiar, se perguntava qual seria a opinião sobre aquilo; quando via algo bonito, ficava tentada a tirar uma foto para ver qual seria a reação dele. E aquilo a estava matando por dentro, porque era absolutamente involuntário e inconsciente... E acontecia o tempo todo. Além do fato mais agonizante: agora muitas coisas a lembravam dele. Parecia que ela não podia mais dar um passo sem ouvir algo que a lembrasse de sua voz ou de sua risada, cheirar algo que a lembrasse do perfume dele ou ver algo que não a fizesse recordar do rosto dele... E de como ela era gentil... E lindo... E agradável... E como ela gostaria de estar ao lado dele... Era excruciante.
E tudo aquilo se unia dentro de seu peito para deixá-la doendo de saudades dele. Ansiando por ele. Todos os dias, ela acordava e, por mais que tentasse se conter, acabava se perguntando onde ele estava e quando ela o veria. Santo Deus, eles estavam no mesmo hotel e em quartos no mesmo corredor. É claro que ela o veria. Mas aquilo era o que a lógica dizia. E ela estava aprendendo que aquelas frases do Tumblr sobre o coração ser surdo para a mente eram verdade.
Mas, Deus, ela era uma novata em tudo aquilo. E ainda a apavorada muito admitir que aquilo estava realmente relacionado a seu coração.
Mas talvez não a apavorasse tanto quanto a cena que viu quando Edward deu uma risada abafada e ela se virou para ver o que ele estava olhando.
- Panqueca! – ela engasgou – Você está realmente empenhada na operação filhotinhos, não é?
Satisfeito, Herói deixou seu posto e foi correndo até eles, parando apenas quando Bella começou a acariciar seu pescoço.
- Espero que esteja pronto para ser um pai, lindinho. – ela beijou a cabeça macia do cão – Porque nesse ritmo de vocês dois, isso vai acontecer logo.
- Eu tenho certeza que eles vão ser ótimos pais. – Edward sorriu – E nós, avós muito bajuladores.
Ela estava pronta para concordar quando acariciou debaixo da mandíbula de Herói e sentiu uma saliência sutil que chamou sua atenção. Preocupada, ela inclinou a cabeça para olhar o que era aquilo e arfou quando, ao afastar um pouco o pelo dourado, encontrou uma longa cicatriz cinzenta, que se estendia ao longo de toda mandíbula do doce cachorro. Era óbvio que era antiga, mas ainda sim ela podia dizer que aquilo era consequência de algo muito doloroso.
- O que aconteceu com ele? – Bella choramingou, rapidamente puxando o cachorro para um abraço e Herói, satisfeito, se aconchego em seu peito.
- Herói era o menor da ninhada dele. – Edward explicou – O antigo dono tinha uma loja de animais de raça e só se importava com por quanto poderia vendê-los. Ele ainda era um filhote quando a ONG de resgate de animais o encontrou, mas ele tinha sofrido muito por não ter sido adotado logo, como aquele desgraçado queria. – Edward rosnou – Não sabemos quem ou o quê provocou essa cicatriz, mas sabemos ele é um sobrevivente. Esme o viu um dia, dois anos atrás, e disse que sabia que ele era feito para mim. Então ela me deu de presente de aniversário. – ele riu – Meu pai nunca me deixou ter um cachorro, então eu era totalmente inexperiente e pensei em recusar. Mas então eu o peguei no colo, ele me olhou com esses grandes olhos amáveis e mamãe me contou a história dele... – Edward acariciou a cabeça de Herói – E eu soube imediatamente qual seria o nome dele. E que minha mãe estava certa, como sempre: ele era o meu cachorro.
- Você é realmente um herói, lindinho. – ela beijou o pescoço do Golden Retriever, cuja cauda não parava de balançar diante dos carinhos.
- E a Panqueca? – Edward perguntou, deixando a cadelinha curiosa se aproximar dele e lamber sua mão – De onde ela veio? E porque esse nome?
- Eu a adotei há mais ou menos um ano e meio atrás. Ela estava em uma caixa, na chuva, no meio da nossa rua, e a vi quando estava voltando do trabalho. E eu sabia que ela era minha assim que a vi, como você. Simples assim. – ela sorriu, vendo sua garota se aninhar no colo de Edward - Demos esse nome porque os gêmeos estavam comendo quando eu cheguei em casa com ela e ficaram eufóricos quando a viram. Então minha mãe os chamou de volta para seu lanche e eles disseram: "Não, vovó. Isso é melhor que panqueca.". – ela riu ao lembrar – Então minhas mães começaram a chamá-la assim e o nome pegou.
- Combina com ela. – Edward acariciou a pescoço dela – Quer começar a escolher os nomes dos filhotes? – ele perguntou com um sorriso brincalhão.
- Ei, você nem sabe se esses filhotes existem ainda. – ela zombou.
- Um homem pode sonhar. – ele deu de ombros – Eu não estou ficando mais jovem. Quero ver meus netos.
- Não pressione eles. – ela fez uma careta – Eles vão ter bebês quando estiverem prontos, seu rabugento.
- Me acha rabugento? – ele colocou a mão no peito, fingindo estar ofendido.
- Não era a toa que o meu apelido para o antigo você era Grinch. – ela riu.
- Ei, espere aí... – Edward riu – Você me chamava de Grinch?
- Tem que admitir que era apropriado. – ela deu de ombros.
- Eu vou te mostrar uma coisa apropriada... – ele deu sorriso malicioso antes de melar a perna dela com areia antes que ela pudesse sequer reagir.
- Quer fazer uma guerra de bolas de areia? – ela riu, enquanto deixava Herói ir e pegava um punhado de areia em sua mão. – Vamos ver o quanto você aguenta, Grinch.
Durante os próximos dez minutos, eles ficaram correndo como dois bobos e jogando areia gentilmente um no outro, como duas crianças. Por fim, ela segurou a camisa dele quando ele estava prestes a sujar seu nariz e os dois acabaram sendo lançados no chão. Contudo, sempre um cavalheiro, Edward os virou rapidamente e ficou debaixo dela, recebendo todo o impacto da queda.
- Droga. – ela arfou, preocupada – Você está bem?
Ele riu e a olhou docemente – Nunca estive melhor.
E, dessa vez, ela teve plena ciência de que o beijo começou por iniciativa dela. Como várias coisas ultimamente, foi um instinto mais forte do que ela, que a dominou por completo e deixou sua mente em branco. E, de repente, ela estava matando a saudade dos lábios quentes de Edward e de sua língua em sua boca. Ela também apressiou a textura dos cabelos dele com ambas as mãos, enquanto tentava trazê-lo para mais perto de si. E, dessa vez, não houve um relâmpago para separá-los e eles se entrelaçaram sobre a areia até que tiveram que interromper o beijo simplesmente para respirar. E foi quando Bella se deu conta do que estava fazendo.
Ofegante e agitada, ela saiu rapidamente de cima do peito dele e se levantou, sentindo os lábios formigando e a pele quente onde ele a havia tocado. Contudo, antes que pudesse ceder ao seu instinto de fugir, ele segurou gentilmente seu pulso, parando-a.
- Bella, espere. – ele implorou, a tristeza em seu rosto fazendo algo dentro dela se agitar desconfortavelmente - Por favor. Eu não quero simplesmente ter que fingir de novo que isso não aconteceu.
- Eu sei. – ela arfou – Eu sinto muito por estar sendo tão infantil, mas isso é muito novo para mim. – ela suspirou – Mas... Nós podemos lidar com isso, não é? – ela perguntou esperançosamente, mais para si mesma do que para ele – Podemos lutar contra essa... Atração... Até que ela vá embora. Certo?
Ele a olhou longamente, com um desconsolo nos olhos verdes que a deixou bastante preocupada. Por fim, ele falou, desolado.
- Não, Bella. Eu não posso.
Ela sentiu seu coração se partir. Ele estava prestes a dizer que não se sentia atraído por ela? Que ela que estava sendo ridícula por achar que havia minimamente algo entre eles? Ela estava pronta para ouvir aquilo? Ou ela simplesmente sairia despedaçada?
- Eu tenho que contar uma coisa para você. – ele disse, solenemente – Mas, antes, eu gostaria que você soubesse que o que vou falar diz respeito apenas a mim e que eu não quero nada de você em troca, está bem?
Ela assentiu, trêmula, temerosa do que viria a seguir. Será que ele a achava uma idiota por tê-lo beijado?
- A primeira coisa que eu gostaria de dizer é que eu não vi isso chegando. Quando me dei conta, já tinha acontecido. – ele deu um sorriso tímido – E eu juro que tentei me controlar e me parar durante todos esses meses, especialmente esse último. Mas eu não consegui. – ele a olhou intensamente – E por mais que eu saiba que você não sente o mesmo, eu preciso me abrir com você. Eu não espero que retribua e nem vou forçar você a nada, prometo. E, posso ser um perfeito idiota... – ele deu uma risada nervosa – Mas também não quero que isso estrague nossa amizade, porque estar com você é a melhor parte do meu dia. Então, eu só quero que você sabia como eu me sinto, apenas isso.
Ela engoliu em seco, preparando-se para algo que possivelmente partiria seu coração desprotegido.
- Bella Swan... – a voz grave dele encheu o espaço ao redor dela, como se estivesse abraçando-a – Eu amo você.
As palavras inesperadas a fizeram congelar e ela apenas ficou estática, olhando-o. Ele... Ele o quê? Ele me o quê?
- Eu sei que parece uma loucura. – Edward continuou, parecendo um pouco tímido – Eu só comecei a perceber que estava me apaixonando, aos poucos, por você quando tudo já tinha se resolvido, há mais ou menos quatro meses atrás. Fiquei tão envergonhado pelo que tinha feito a você... E prometi a mim mesmo te mostrar que podia ser uma pessoa melhor. Também me prometi que tentaria parar de gostar da mulher que abertamente me odiava. – ele um sorriso envergonhado – Mas eu não consegui. Eu continuei com você na minha cabeça e no meu coração. E quando viemos para cá... Quando eu passei a conviver com você e a te conhecer melhor... Eu vi que tinha falhado miseravelmente. Eu não esqueci você, nem consegui me controlar. Eu não estava mais só apaixonado por você... Eu te amava.
- Não precisa se sentir preocupada. – ele afirmou diante do silêncio dela – Sei que até dias atrás você me odiava e que faz menos tempo ainda que me considera seu amigo. Eu só queria que você soubesse como me sinto. Que nunca me senti desse jeito por mais ninguém e que tudo o que eu gostaria, é de ter uma chance com você. Uma chance de talvez fazer você se sentir como eu me sinto. Mas sei que isso não é possível agora. – Ele deu um sorriso gentil – Eu sei disso e está tudo bem. Eu não quero que meus sentimentos mudem nada daquilo que já temos. Então não pense que não somos mais amigos ou que eu não vou mais te apoiar só porque você não retribui o meu amor. Porque não há nada no mundo que me faria parar de ser o seu reforço. – ele riu suavemente – Então, eu ainda estou aqui para você, está bem?
Ela continuou ali, parada como um estátua, apenas olhando-o, sem conseguir fazer com que as palavras dele fizessem sentido em sua mente.
- Eu sei que é algo inesperado e que não deve fazer sentido algum para você. – ele riu, envergonhado – Eu vou deixar você sozinha agora, porque sei que gosta de ter um tempo a sós para absorver as coisas.- ele pegou a coleira de Herói e depois voltou a olhar para ela, com aquela intensidade que agora ela sabia nomear: amor – Mas, lembre-se disso, Bella: Eu nunca tentaria forçar você a me amar. Eu só queria desabafar. Não quero que isso nos afaste.
Ele se aproximou cautelosamente, parando em frente a ela e, por um segundo, Bella achou que ele ia beijá-la novamente, mas Edward apenas se inclinou e pressionou os lábios gentilmente em sua testa. E, sem mais uma única palavra, ele seguiu seu caminho com Herói, deixando Bella completamente catatônica no meio da praia, com as palavras que acabara de ouvir flutuando aleatoriamente em sua mente.
Eu amo você...
Edward Masen a amava. E ela tinha a impressão de que, assim que se movesse, teria um novo surto de completa confusão. Ou talvez ela cedesse àquele instinto incessante de pular em cima dele e beijá-li como se sua vida dependesse disso. Porque havia uma parte dela completamente assustada e confusa com tudo aquilo... E outra onde parecia que um sol havia raiado, quente e estonteante. E nenhum desses sentimentos a ajudava a por em perspectiva o que aquilo significava e em que situação os deixava.
Edward disse que me ama...
E o recorde de dois dias sem revelações chocantes não fora alcançado novamente.
