- Pelos deuses Bombom, precisava comprar tantas coisas no mercadinho brasileiro? - Kanon dizia equilibrando um monte de sacolas junto com Kiki e Koga.
- Ué, vocês que vivem me pedindo pra cozinhar tantas coisas que acabou tudo da dispensa de Gêmeos fora que tem um bolinho - os olhos ametistas até se fecharam em deleite - hummmmmm! Vocês vão amar e eu quero fritar hoje mesmo! - disse determinada.
- Fritoooooo! Adoro bolinhos fritos! - Kiki disse animado levitando algumas Frutas ao seu lado. - O seu bolinho é o melhor do mundo !
- Eu sei que sim pequeno, você e o Mu comeram quase dois quilos de bolinho de chuvas semana passada! - achou tão fofo o jeitinho dele a elogiar!
- Deuses! Eu vou ter que intensificar meus treinos Bombom, acho que eu e meu irmão já ganhamos uns quilinhos. - dizia colocando as sacolas no balcão da cozinha e logo ajudando Koga a colocar as dela.
Kiki levitou todas as frutas até um bandeja grande que tinha na mesa de centro e colocou suas sacolas na mesa.
- Senhorita Koga, Mu está me chamando para treinar, posso voltar mais tarde?
- Mas o que? Quem tem que dar permissão para você entrar aqui sou eu! - Kanon segurou a cintura fingindo estar bravo.
- Achei que tinha que pedir permissão para quem manda na casa? - Kiki disse debochado - E ela manda em você - o ruivinho apontou o dedo para a face do geminiano, que abriu a boca por tanta impertinência.
- Oras seu! Eu vou lhe dar uns bons tapas na bunda, isso sim! - o marina correu atrás do garoto que usava seu teleporte, sumindo e aparecendo ali e acolá, tirando gargalhadas altas da virginiana.
- Tia Koga, tia Koga, ele vai me matar! - o arianinho apareceu atrás dela, se escondendo do Dragão Marinho que estava agora de verdade enfurecido!
Koga olhou para baixo e fez um afago nos cabelos luminosos de Kiki - Vai nada! - estendeu a mão para frente interrompendo um loiro que já se aproximava arregaçando as mangas da bata e sendo parado por ela. - Kiki pode ir pra casa? Eu vou ter uma conversinha com o Sr. Nervosinho aqui!
- Tá bom! - Kiki olhou para Kanon que já estava até com as bochechas coradas de correr atrás dele e lhe mostrou a língua sumindo em seguida! - Fui!
- Ahhhh, eu vou matar esse moleque! - o geminiano quase deixou Koga cair ao tentar pegar o menino atrás dela!
- Calma Anjão ! - ela disse se segurando nele para não cair - Ele só é uma criança!
- Por que sempre essa desculpa? - disse fazendo um bico vencido - Ele é um mimado! - sentou na cadeira alta puxando sua morena pra si, que prontamente começou a massagear os ombros fortes para que ele relaxasse.
- Você fica irritadiço muito rápido, lindo, não pode ser assim! - continuou a massagem que fez o Marina até suspirar fundo, deu um beijo na curva do pescoço, verificando os pelinhos se arrepiarem e ele gemer baixinho.
Com a voz mais grave e rouca que o usual Kanon ia susurrando no ouvido da amada palavras pervertidas apertando sua cintura. Koga preciso usar de toda sua concentração para se afastar, deu um selinho nele e depois colocou o dedo indicador sobre seus lábios para interrompê-lo.
- Acalme os ânimos meu amor porque agora - se afastou e foi até o balcão onde pegou uma travessa - Eu vou fazer tapioca, vou levar umas para Shaka também - fez uma cara de sapeca que fez com que o geminiano gargalhasse, depois suspirou fundo e saiu da cozinha porque se continuasse ali, com certeza não deixaria Koga fazer nada.
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Calisto se espreguiçava toda na grande cama do canceriano, abriu os olhos devagarinho e logo depois procurou Máscara da Morte passando a mão pelo lençol, apoiou o corpo pelo cotovelo e passou os olhos pelo cômodo não o encontrando, seus lábios logo desenharam um sorriso ao lembrar das expressões do canceriano no momento de deleite, mordeu os lábios e se jogou na cama novamente de braços abertos.
- Minha nossa, que homem, que corpo! - suspirou e riu baixinho, onde será que ele estava? Vestiu a camiseta que ele havia emprestado e saiu do quarto a sua procura.
Não foi muito difícil encontrá-lo, pois a voz máscula e grossa cantando músicas italianas em voz alta denunciou sua localização enquanto preparava o café. "E não é que ele canta bonitinho?", ela se virou para entrar no cômodo da cozinha quando parou atrás de pilastra para observar encantada com paisagem, ele vestia somente a cueca mostrando todo o torso muito bem trabalhado e as costas largas e bronzeadas, na linha da coluna, Máscara da Morte tinha uma tatuagem com alguns símbolos referentes a sua constelação: Câncer, Água, Lua…, A canceriana achou linda, aliás tudo ali estava lindo. "Nossa, eu só posso estar sonhando" - Calisto olhou para o teto e ergueu os braços "Obrigada senhor, obrigada!" Depois de se sentir satisfeita com a visão do cavaleiro, chegou de mansinho e o abraçou por trás.
Por sua vez, o canceriano estava numa disputa interna intensa, ele pousou as duas mãos na pia de mármore e baixou a cabeça, fechou os olhos enquanto sentia Calisto repousar o rosto com carinho em suas costas e apertar o abraço em sua cintura. "Caspita eu preciso terminar com isso, antes que seja tarde demais!", ele soltou o enlace com delicadeza e se virou devagar para olhar nos olhos da garota, teria que confessar e acabar com tudo, antes que, antes que….. ganhou um beijo doce de bom dia, tirando toda a vontade e determinação de segundos atrás. Calisto fez com que se sentisse preenchido como a muito tempo não se sentia, o jeito espontâneo, quase moleca da moça o encantaweva, ao mesmo tempo que era um mulher determinada e forte. "Eu gosto de você!", constatou sentindo seus cabelos grisalhos serem entrelaçados, ela fazia um carinho de leve assim que se separaram do beijo, ela encarava admirada seus olhos azuis.
- Buon giorno piccolina - Máscara da Morte sorriu, passando os dedos no rosto da canceriana e depois a puxou pela nuca para mais um beijo, desta vez mais quente onde foi prontamente atendido a altura.
- Nossa Máscara …,quero acordar assim todo dia… - Calisto dizia num fiapo de voz ainda aproveitando as sensações que aquele beijo lhe trouxe, estava sem coragem de abrir os olhos com medo de acordar desse sonho. O dourado riu gostoso com o jeito transparente da castanha.
- Andiamo mangiare*! -Máscara da Morte afastou a cadeira para Calisto sentar.
- Minha nossa! Quem mais vai tomar café da manhã com a gente? - Calisto arregalou os olhos com a fartura da mesa.
- Somente nós dois, eu gosto de mesa farta. - pôs a se servir de tudo que tinha na mesa e depois entregando para a canceriana comer.
- Máscara… - ela parou de falar e olhou para ele o que chamou a atenção do canceriano.
- Que houve bella? Não gostou da comida? - levou uma colherada de sucrilhos à boca.
- Não… não é isso, é que…. - a canceriana parou de falar de novo.
- Ma che? O gato comeu sua língua.? - riu contido da cara emburrada que ela fez.
- Eu não queria ficar te chamando de Máscara da Morte. - falou por fim fazendo o canceriano parar a colherada no meio do caminho, enquanto ela o encarava um pouco constrangida, será que teria tocado num assunto proibido?
Ele pousou de leve a colher na cumbuca, colocou os cotovelos sobre a mesa e entrelaçando os dedos para repousar o queixo neles, o olhar felino firmou-se na pequena moça a sua frente.
Calisto pigarreou - Deixa pra lá Máscara eu.. desculpe, e … eu só acho que é um nome muito pesado...e… eu, esquece, por favor. - Droga! - Por que tinha estragado todo clima? Se repreendia, e sem desviar o olhar da garota o canceriano muito sério, e dessa vez com a voz mais grave, começou a se explicar.
- Questo apelido é mio nome de guerra, come algo che me disperta forças para um combate, sim é pesado, na medida que deve ser, perche io sono Máscara da Morte, o Cavaleiro que prende as almas nos confins do inferno.
Ele falava de uma forma tão fúnebre que Calisto se arrepiou inteira, ela sabia a história do canceriano de ponta a ponta, mesmo porque escrevia uma fic sobre ele, o admirava mesmo sendo um anti-herói, engoliu em seco e abaixou o olhar fixando nas pontas de seus dedos, suspirou e tentou mudar de assunto.
- Eu não consigo comer tudo isso… - falou baixo, em tom triste, olhava para o prato se assustando quando sentiu a mão forte do canceriano repousar em seu ombro, ele puxou seu queixo para cima e deu-lhe um beijo casto nos lábios
- Quem sabe un giorno io te conto… - sussurrou enquanto dava outro beijo em sua bochecha, o que acalmou um pouco o coração da canceriana.
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- Foi para isso que me trouxe? Para me matar com um ataque cardíaco? - Luisa perguntou apontando para o escorpiano enquanto sorria.
Milo deu um sorriso misterioso e caminhou lentamente até ela, sustentando seu olhar enigmático no dela, quando ficou em frente, enlaçou sua cintura e puxou-a para si, aproximando seus corpos, selando seus lábios nos dela.
- Não! - sussurrou no ouvido da castanha após parar o beijo - Foi para isso. - depositou mais um beijo sobre os lábios avermelhados e depois afastou os corpos - E para treinar também.
- Mas por que tu quer treinar comigo? - fez um biquinho contrariado - Eu só sei karatê… - parou de falar ao notar a maneira que Milo a olhava, ele literalmente a comia com os olhos. Sentiu-se desconcertada, pigarreou para chamar a atenção dele.
- Acho que é você que está querendo me matar do coração - ele apontou todo o corpo dela - Vestida assim, está querendo tirar meu juízo, né!?
- N-não, é que… - não conseguiu terminar porque Milo atacou seus lábios num beijo voraz que fez com que perdesse o fôlego e o juízo. O dourado já sentia seu corpo começar a reagir, parou o beijo, encostou a testa na dela e suspirou profundamente. - Vamos começar logo esse treino.
Ambos ficaram a manhã assim, Luisa era faixa preta de karatê, conhecia perfeitamente os ataques e defesas, em sua adolescência havia ganhado vários torneios, mas já fazia algum tempo que não praticava, então Milo a ajudou melhorar movimentos, postura que nem perceberam que o tempo havia passado. Antes de voltarem aos Templos Zodiacais, a castanha foi até o laguinho para molhar o rosto e o pescoço, mesmo estando na sombra o calor era intenso.
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Um pouco mais tarde, Calisto voltou para a Casa de Aquário, estava com um pouco de vergonha do aquariano, já que havia passado a noite fora e nem havia avisado.
Desceu as escadas devagar rezando para que ele não estivesse em casa, infelizmente assim que botou o pé na sala de estar deu de cara com o dono da casa, deitado no sofá folheando um jornal, ele virou a cabeça para o lado reparando na entrada da sua hóspede.
- Boa tarde Mon Cher.. eu já estava ficando preocupado. - o ruivo baixou o jornal e sentou-se no sofá. - Hoje de madrugada Máscara da Morte me avisou pelo cosmo que você estava passando mal, que bebeu demais.
Calisto sentou-se ao lado do aquariano colocando uma mecha do longo cabelo castanho por trás da orelha. - Foi aquela bebida maluca que seu pupilo me serviu.
O aquariano mudou o semblante para aquele que todos evitavam ver. Frio, indiferente, gélido. - Non acredito que Hyoga te embebedou, eu vou chamá-lo aqui já!
A canceriana sentiu um arrepio assim que a temperatura da Casa caiu bruscamente, pois elas eram controlada pelas emoções de seus guardiões, ela logo pegou uma manta felpuda estrategicamente deixada por ela no canto do sofá e se enrolou como fosse um grande temaki. - Camus, se acalme. - o vapor já saia de seus lábios. - Hyoga não me embebedou eu mesma me dei esse trabalho, graças a Máscara eu não fiquei estirada naquela praia até agora.
Camus ergueu a sobrancelha bifurcada, e esperou sua hóspede continuar, a canceriana ficou olhando os olhos rubros, demorou um pouquinho para entender que devia prosseguir a sua história. - Ahm… Máscara da Morte cuidou de mim na casa dele, deixou eu tomar banho, me emprestou uma roupa e deixou eu dormir com ele. - novamente Camus ergueu sua sobrancelha se remexendo no sofá.
Calisto percebeu que o francês ficou um pouco constrangido com aquela conversa. - Camyu, eu…., eu e Mask fizemos as pazes.
- Hummm… sei. - Camus se ergueu do sofá, a olhando de soslaio - Percebi que para quem tomou um porre, você está com a cara ótima. - depois se virou para ela e abaixou para ficar na mesma altura da pequena canceriana. - Foi só as pazes que fizeram mon ange? - desenhou um sorriso travesso nos lábios.
- Oras Camus, isso não é da sua conta! - Calisto fingiu indignação, falou rindo e jogando uma almofada no rosto do aquariano que acabou perdendo o equilíbrio e caiu de bunda no chão, os dois soltaram uma gargalhada alta ao mesmo tempo que Marie passava por trás, levando alguns lençóis passados. Olhou para os dois e fez um bico - Essas crianças! - balançou a cabeça e voltou aos afazeres da casa.
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Depois do almoço em gêmeos, Koga e Kiki subiram para virgem, ela queria fazer uma pequena surpresinha para o guardião do Sexto Templo, na verdade seria uma pequena vingança pela trollagem que ele havia feito, ela só rezava para que Shaka não a mandasse para um dos seis mundos sem todos os sentidos.
- Tia Koga - o pequeno muviano chamou a atenção dela, logo que pararam em frente a Casa de Virgem - Tem certeza que vai fazer isso com o senhor Shaka? Ele pode ficar bravo!
- Eu sei Kiki, mas vou correr o risco, afinal… - ergueu o dedo indicador em riste - Não sou mulher de baixar a cabeça para homem nenhum, nem se ele for o homem mais próximo de Deus, possuir cosmo e com um estalar de dedo me matar e….- os olhos ametistas focaram no rosto de Kiki, ele a fitava com uma das pintinhas erguidas e o semblante de "acho que você está exagerando" que fez com que se calasse e prosseguisse o caminho.
Ambos desceram até a área privativa encontrando Shaka sentado em posição de lótus sobre o sofá, Koga se encostou numa das pilastras e ficou admirando o indiano. Ele usava um sári azul escuro que destacava ainda mais a pele bronzeada e os longos cabelos loiros, o bindi só dava um charme a mais pra ele. Shaka era um homem lindo, isso era inegável para qualquer mulher.
- Vai ficar a tarde toda aí me observando? - a voz grave do virginiano fez com que ela desse um pequeno pulinho com o susto.
- Desculpa, eu não queria atrapalhar
Shaka levantou e caminhou lentamente até ela, era incrível como ele tinha um jeito imponente e altivo só no andar, assim que ele ficou de frente à morena, ele mesmo com os olhos fechados a analisou, em silêncio. Após alguns minutos assim, o santo de virgem abriu os olhos, revelando pela primeira vez para sua hóspede seus belos orbes azuis, Koga engoliu em seco e instintivamente deu um passo para trás, ela sabia o que esse gesto representava, será que ele havia descoberto suas intenções? "Não seja boba Tereza, mesmo que ele soubesse não precisaria de muito, com 0,1% de cosmo, ele acaba com você, sem muito esforço".
Kiki olhava de um para o outro e para sua surpresa viu o virginiano sorrir para Koga, isso era algo raro de se ver.
- Vejo que trouxe algo - apontou para as sacolas que ela levava.
- Ah sim! - ela levantou um pouco para mostrar - Comprei alguns ingredientes para uma receita que quero fazer pra você, típica do meu país, se chama acarajé!
- Acarajé? - Shaka ergueu uma as sobrancelhas colocando um dedo sobre os lábios, pensativo - Acho que nunca ouvi falar!
- É frito senhor Shaka! - Kiki disse entusiasmado! - Tudo que é frito é muito bom!
O virginiano agachou para afagar os cabelos loiros e arrepiados do pequeno - É sim Kiki, devo admitir que fritura esquenta a alma! - sorriu para o menino - Quer ajuda Tereza?
Koga sentia a adrenalina na trollagem passar em suas veias, começava a ficar nervosa, será que ia dar certo? Será que aquele dia seria seu último na Terra? Ah, mas agora que ela tinha colocado aquilo como missão de sua vida, não iria dar pra trás! Aquele virginiano ia pagar!
- Koga? - Shaka chamou sua atenção - Koga, quer ajuda?
Ela desviou seu olhar para os azuis do guardião e sorriu docemente - Imagina Shaka, pode ficar meditando, fazendo yoga ou sei lá o que mais você faz, assim que ficar pronto te chamo na sala de jantar.
- Shakaaaaaaa, me ajuda no treino? - Kiki grudou na perna do virginiano abraçando sua cintura dando um largo sorriso pedinte.
- Você não tem mestre não, peste? - o dourado dizia tentando se soltar.
- Mas eu quero que você me treine hoje! - o pequeno não se soltava de Shaka, que já nervoso se teleportou para escapar.
- Alguém te disse que está ficando mimado demais Kiki? - colocou as mão na cintura bravo.
- Ahhhh, Shaka - Koga colocou a mão no ombro do loiro - Ele é só uma criança curiosa.
- Por que sempre dão essa desculpa? - Shaka disse vencido.
- Vocês passarão uma tarde ótima que ainda terminará com meu lanchinho, então desfaz essa cara amarrada e aproveite!
- Sei…aproveite….é porque você não sabe o que é treinar esse pestinha! - apontou o dedo para Kiki que já tentava subir nas árvores gêmeas.
- Aproveite que o tempo passa rápido Buda! Já volto. - Koga pegou as sacolas e se encaminhou à cozinha.
O indiano viu sua hóspede sair e suspirou pesadamente, olhou para o pequeno ariano que ria de um modo sapeca, resignado ele chamou Kiki e se dirigiram para o treino na sala das árvores gêmeas, quem sabe com meditação o ariano conseguisse catalisar um pouco da energia que possuía.
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Algumas horas se passaram e finalmente a farta mesa na casa de Virgem estava posta, Koga caprichou no visual dos pratos saladas, estava tudo perfeito!
- Alama, a senhora pode chamar Shaka e Kiki para tomar um lanche?
Koga requisitou para a serva da casa chamá-lo, esfregou uma mão na outra. "Mas é agora seu Buda falsificado, quero ver aguentar meu tempero baiano!"
- Senhorita Tereza, Shaka falou que vai demorar uns minutos, pois vai se banhar e Kiki também!
- Claro Alama, obrigada. - a serva fez uma reverência com o rosto e se retirou! - Vai precisa até de outro banho Buda!
Passou-se alguns minutos e Shaka chegou, desta vez usando um Dhoti e uma bata fechada ricamente bordada, estava lindo.
- Nossa Shaka, caprichou hein! - Koga disse babando no loiro.
- Vejo que você também Tereza, a mesa está linda! Parabéns! - sorriu lindamente para virginiana, se aproximou e ficou um dedo de distância de seu corpo, pegou o rosto moreno e lhe beijou no centro da testa. - Obrigado, gratidão pelo alimento que nos preparou, que os deuses sempre lhe dê em dobro.
Koga engoliu em seco, sentiu uma leve pontinha de arrependimento do que ia fazer.
- Ahmmm… vamos comer então? - ela disse, sem graça.
- Vamos! - ele puxou a cadeira para que ela se sentasse. - Gostaria de saber o que são todos esses belos pratos que nos preparou com tanta devoção e amor.
- Er…. amor… é… claro! Ahmmm isso aqui é … como se chama?
Shaka abriu os olhos para o deleite de Koga. - Vou até abrir meus olhos para vislumbrar tanta beleza nesses alimentos!
- Isso, abre os olhos … os seus olhos são tão lindos, espertos, digo… é melhor assim! "Droga Koga, não é hora de se arrepender!" - Bom, aqui tem acarajé quente e frio, moqueca vegana, acaça, cocada….
- Tia Koga, já posso comer o bolinho frito? Minha barriga tá roncando!
o indiano devolveu uma cara de reprovação para o pequeno ariano - Seu Mestre não lhe dá educação?
- Shaka deixa ele - a brasileira pegou um prato e começou a servir o loirinho.
- Ele é só uma criança - o dourado a imitou com a voz fina fazendo-a rir. - Então vou finalmente comer esse tal acarajé! - Shaka olhou para dois pequenos bolinhos perfeitos que estavam separados num pratinho, eles eram mais escuros e avermelhados, o prato estava decorado com ramos de especiarias, era um prato bonito.
Koga sentiu a barriga gelar, e o suor descer as têmporas assim que viu a intenção do virginiano, ao tentar pegar aquele pratinho em que os bolinhos foram preparados com todos os condimentos e pimentas picantes que havia na cozinha de Virgem.
- SHAKA NÃO! - Koga arrancou o pratinho com os bolinhos do loiro que até se assustou com o arroubo da morena.
- Oras mulher, o que é isso? Agora quer só pra você? - Shaka segurou novamente o pratinho com os bolinhos pegando um único com o garfo. - Tem que aprender a dividir.
Koga arregalou os olhos ametistas e sentou devagarinho não acreditando no que ia acontecer em alguns segundos, e se ele não aguentasse o tempero, a pressão subisse? E se ele se engasgar e morresse afogado, ela foi colocando a mão por cima da boca como se quisesse abafar um grito e se …. e se ele …. se ele fosse alérgico?
Koga se muniu de toda coragem, pois a partir dali iria duelar com o cavaleiro de Virgem por um prato de comida, iria duelar e abafar todo seu ego de boa cozinheira, iria tirar doce da boca de uma criança! Ela pulou em cima do loiro e num gesto rápido pegou o bolinho do prato de Virgem, porém Shaka foi muito mais rápido e lhe mostrou como fosse um mágico o pequeno acarajé avermelhado em uma de suas mãos!
- KOGA! Não posso acreditar nisso! - Shaka disse indignado! - Você preparou pra mim e agora não quer deixar eu comer!
- Me dá esse acarajé aqui - a virginiana esticou o braço e tentou pegar, porém o virginiano afastou o braço mais ainda. - Shakaaaaaaa, me dá - falou com uma voz manhosa.
- Não dou - ele se ergueu fazendo com que ela caísse de bunda no chão. Shaka já estava levando o bolo à boca, e Koga já sentia seu fim próximo quando, num último rompante de coragem, que ela nem sabe de onde saiu, pulou feito uma gata em cima do indiano e caiu ao chão, mas logo se ergueu exibindo um sorriso triufante por finalmente ter conseguido retirar o acarajé da mão do guardião da casa.
O indiano estava indignado com a impertinência da morena, ele realmente não entendeu a atitude dela, mas esperou que ela explicasse. Koga levantou-se e caminhou até a cadeira que ocupava antes, sentou, olhou pro loiro e rezou internamente para que ele entendesse o porquê de tudo isso.
- Bem… - ela abaixou a cabeça - Eu não quero que você coma porque eu preparei esse acarajé para ser uma vingança à você pelo que fez comigo. - falou num fio de voz, manteve a cabeça abaixada já esperando a reação do Santo de Virgem.
Shaka levantou e caminhou até ela, colocou a mão no queixo e ergueu o rosto dela, os olhos ametistas estavam marejados. - Koga, eu já sabia o que você pretendia fazer, só estava esperando que me dissesse. - ele sorriu - Não a culpo por querer se vingar, eu tenho consciência que peguei pesado com você e por isso… - ele pegou a mão e depositou um beijo terno no dorso - Peço desculpas minha flor de lótus. - Shaka puxou Koga e a abraçou e isso, surpreendeu todos os presentes porque Shaka não era dado a demonstração de afeto.
Continua…
