O banquete foi incrível, alguns gigantes insistiram que deveriam cozinhar manualmente no lugar de usarem a magia para tudo e como Loki entendeu que eles possuíam o sentimento de inutilidade permanecendo escondidos enquanto a guerra acontecia lá fora, portanto ele apenas invocou os ingredientes e deixou que fizessem o que queriam. Todos os jotuns o encaravam com admiração e o tratavam como um rei para agradece-lo, deram a ele seus bens mais queridos e montaram um lugar especial na caverna apenas para ele. Por mais que não fosse de seu feitio se sentir feliz por ajudar a quem precisa, o príncipe reconhecia que era bem mais agradável observa-los empolgados e determinados a tristes e definhando.

O pequeno bebê foi a sua maior companhia durante aquelas horas, ele facilmente ficava maravilhado com qualquer coisa diferente que o homem fazia e Loki estava se sentindo meio idiota por agir como um bobo a cada gesto fofo que a criança inconscientemente realizava, desconfiava aquele provavelmente era o poder dos pirralhos, nos tornar grandes imbecis. Farbauti também não se distanciava muito, se preocupava com o bem-estar do menino mais do que deveria e tinha o habito de ter que evitar que acabassem esmagando o seu filhote, portanto ela sempre voltava para perto do deus por se esquecer que ele era muito menor do que qualquer um de seu povo e que haviam muito menos chances dele matar a criança por seu tamanho.

Quando a comida ficou pronta todos se reuniram em um grande círculo, grande mesmo já que alguns dos gigantes mais velhos ao se sentarem ocupavam cerca de dezoito metros, fizeram uma pequena oração para os mortos e para aqueles que lutavam lá fora, pegaram suas tigelas e por fim se serviram de uma generosa quantidade da nutritiva e espessa sopa que era oferecida. O estrangeiro assustou-se inicialmente com a enorme quantidade de alimento que foi preparada, mas logo entendeu quando cada um começou a comer proporcionalmente aos seus tamanhos.

Por mais simples e de aparência duvidosa que aquela refeição fosse ela foi a melhor comida que provou em séculos, era como se todo o seu organismo estivesse ansiando por aquilo durante todos aqueles anos e agora, finalmente, este desejo inconsciente era realizado. Loki se sentia em casa, em sua verdadeira casa, com sua família e com todo o carinho que esteve ansiando, mas sabia que nada daquilo era real para si e talvez essa seja a pior parte de ser o deus da mentira, ele jamais poderia ter aquilo, não pertencia a aquele tempo e Jotunheim o considerava uma aberração no lugar de onde vinha, assim como Asgard jamais o aceitou totalmente mesmo durante todos os anos que viveu entre eles. Nada daquilo realmente era para ele, aquelas pessoas o considerariam tão monstro quanto Odin no futuro e nada que fizesse agora iria mudar isso.

(...)

No dia seguinte ele passou um tempo com Vidar pela manhã, achou que seria útil ensinar para ele algumas técnicas de combate dos outros reinos, desta forma ele não seria pego desprevenido caso algo acontecesse de errado no percurso que faria com a criança. Sim, ele estava mesmo considerando fazer com que menino vivesse em outro reino, ele sabia que o pequeno não sobreviveria por ali da mesma forma que ele não teria sobrevivido se o Pai de Todos não houvesse o adotado. Aquele planeta não permitia que alguém como ambos resistisse as suas condições.

Ainda assim precisava acertar os termos da viagem com Grid e Farbauti, continuava a duvidar que elas guiariam o rei até a Caixa dos Invernos Passados, mas essa seria a única chance de convencer Odin a deixa-las vivas e a cumprir a sua parte no acordo. Não que ele houvesse se apegado ao povo em dois dias, ainda possuía muita aversão a sua própria raça, mas pensava que eles mereciam a chance de lutarem por uma vida melhor.

Quando ele e o bastardo voltaram para o abrigo estranharam o ambiente mais uma vez desolado que encontraram, nenhum gigante os olhava nos olhos e pareciam querer se fundir com a parede sempre que os avistavam, nada restou da felicidade e esperança que dominava as pessoas quando saíram ao amanhecer.

Ao entrarem na bela caverna em que vivia a mulher que o fazia se sentir tão bem eles a encontraram junto da irmã, ambas com expressões perdidas e abaladas em seus rostos. Loki não pode deixar de notar que alguém estava faltando no recinto, que não havia mais sinal dos barulhos infantis produzidos pelo bebê e também que não havia mais sinal da presença dele em lugar nenhum.

- Laufey o levou para o nosso principal reduto. - Grid explicou, a outra estava em choque demais para falar. - Ele disse que não suportava mais ver a maior vergonha do reino exposta para que todos debochassem dele, aquele merda... vai deixa-lo morrer - Vidar foi de extasiado pelo treino a furioso em segundos.

- Ele o quê?! - o homem era o mais próximo de um pai que aquela criança tinha e a amava muito. - Com que direito ele pode levar o teu filho já que nunca o reconheceu como um de nós?!

Farbauti parecia a beira de um colapso, ela realmente estava doente, o pequeno era a única coisa que ainda conseguia motiva-la a lutar. O deus não se sentiu culpado por ver naquilo tudo uma oportunidade, ele se aproximou da mulher chorosa e a tocou com sua mão tentando passar algum conforto.

- Podemos tira-lo de lá se assim desejarem, podemos levar Odin até o lugar, salva-lo e então partirmos em segurança pela Bifrost até outro reino.

- Desculpe-me Meili, mas ainda não confio nenhum pouco em teu querido herdeiro, foi muito legal da parte dele te mandar, mas não acho que ele realmente nos queria sujando uma das outras conquistas. - Havia um brilho de vingança nos olhos do gigante e foi isso que inspirou Loki a continuar.

- Pense nisso como um troco para Laufey, ter o maior inimigo dele tão próximo do melhor tesouro do reino, ele não esperara por isso e sou plenamente capaz de fazer com que Odin os mande para algum lugar melhor, eu afinal fiz com que ele me aceitasse, não foi?

Os três pensavam seriamente na resposta que dariam, Laufey não era exatamente um bom rei, muitos já haviam morrido pelos erros dele, pelo orgulho, pelo ego e pela própria sede de vingança, ele merecia se prejudicar, mas isso também podia significar que o povo iria sentir as lâminas dos asgardianos e toda a dor da guerra, embora milhares já estivessem morrendo devido a ela.

- Nós vamos, estás certo, o rei não deveria tê-lo arrancado de meus braços. - Murmurou Farbauti. - E isto és uma ordem. - Acrescentou quando percebeu que seria contestada. O respeito pela mulher fez com que engolissem qualquer dúvida sobre se aquilo era mesmo uma boa ideia.

(...)

Loki deixou uma generosa quantidade de recursos alimentícios para os que ali se abrigavam antes de partir, porém não olhou para trás quando se encaminhou para fora, não carregaria consigo nenhum sentimento ridículo. Ele também deu armas aos dois guerreiros que o acompanhariam e uma armadura a encantadora mulher que não sabia lutar, logo depois eles montaram nas bestas treinadas que sobreviveram a toda escassez de comida e que eram da mesma espécie das que o deus matou ao salvar o menino Thor em Asgard.

Odin já havia sido telepaticamente avisado e os aguardava a quilômetros dali, logo não demoraram a partir para seu encontro. Não trocaram palavras em todo o percurso, a companhia do príncipe estava tensa demais para diálogos, com exceção de Vidar eles não tinham a menor preparação para lidar com alguém de tamanho poder. As horas se passaram como se fossem minutos e mais rápido do que desejavam já avistavam o reluzente rei em seu lendário cavalo de oito patas.

A imagem inicial de Meili estava de volta e foi com um mal contido contentamento que o glorioso homem reparou que ele havia sido bem-sucedido em sua missão, convenceu seus inimigos a lhe entregarem sua melhor arma. Loki foi o único a fingir uma reverencia respeitosa quando alcançaram o asgardiano, os outros o ignoraram, embora estivessem ainda mais alertas agora.

Uma nova nevasca começou e foi muito bem-vinda, ela escondia seus rastros e por mais que deixasse os sentidos de Grid confusos e dificultasse para que ela se localizasse, também impedia que outros gigantes os notassem em sua trajetória, fazendo com que não perdessem tempo em batalhas sem sentido.

Chegava a ser engraçado que o poderoso cavalo do rei precisasse manter um ritmo que para ele era tão inferior só para conseguir acompanhar os animais horrendos que os demais usavam. Ele, ao contrário do dono, parecia inquieto e impaciente, não gostava de correr naquele terreno terrível e a presença das outras criaturas o enchia de raiva, mesmo que Odin não tivesse dificuldade em domina-la as bestas emitiam sons que mais lembravam risadas, apenas com o objetivo de provoca-lo.

Quando a neve foi diminuindo o rei se aproximou de seu soldado a galope, curioso sobre o que ele havia prometido para que tais pessoas realmente aceitassem a proposta.

- Tu me intrigas Meili, como os convenceu a cooperarem?

- Apenas prometi vingança a um rei que esquece das necessidades do povo e se envergonha dos mais fracos. Eles não gostam mais de tu por causa disso, porém nós concordamos que o menino se parece mais com um asgardiano do que com um deles, terá um futuro brilhante em um dos nove reinos.

- És claro que vais. - Mesmo com todo o barulho ao redor e com o fato de que não estavam tendo contato visual Loki sabia que ele estava sendo irônico.

Teria sido imperceptível para qualquer estrangeiro que passasse por ali notar a presença de algo no chão e nas montanhas em geral que não fosse neve, mas os gigantes sentiam a terra e sabiam exatamente o que estava ali embaixo, já haviam chegado ao reduto e, portanto, pararam de imediato. O cavalo desavisado acabou escorregando, porém se recuperou da brusca parada quase que imediatamente.

Farbauti foi a primeira a descer, mas rapidamente foi acompanhada pela irmã e ambas seguiram em direção a uma fina e cristalina porção de gelo que brilhava na montanha a luz do sol, a mais alta mordeu o próprio dedo com força e deixou que o sangue respigasse nas finas rachaduras do cristal, logo depois entonou uma forte cantiga na língua jotun e todos notaram que ela ordenava que uma passagem se abrisse. Porém, ao contrário do que era esperado, nada aconteceu inicialmente, era como se a montanha hesitasse em deixá-los passar.

Apenas era possível ouvir o vento cortante ao redor, os gigantes e o asgardiano se mantiveram no mais profundo silencio, em expectativa a qualquer coisa que pudesse acontecer no momento. E quando de fato ocorreu foi feito um estrondo tão alto que qualquer um a dezenas de quilômetros poderia ouvir e avalanches foram provocadas em todo o perímetro, poupando apenas o local em que eles se encontravam.

Ali a frente de todos se abriu uma passagem, uma escada longa e admirável que levava ao coração da montanha e aos maiores tesouros de Jotunheim. Agora apenas deveriam entrar e pegar a criança junto da arma que era a passagem dela para uma vida melhor, exatamente, deveriam, pois Odin não desejava seguir esta parte do plano.

Foi uma péssima ideia desde o início pensar que poderiam enfrentar o rei no auge de seu poder, eles nem ao menos conseguiram ver quando ele avançou para Grid e Farbaut, apenas escuram o grito de dor que a ex-amante do homem soltou antes de despencar no chão e viram o sangue que jorrava de sua garganta recém cortada, manchando o puro branco da neve. Vidar empunhou sua arma em seguida e atacou o pai, Loki sabia que Odin o mataria sem nenhuma dificuldade e por isso traçou apressadamente um trajeto que evitaria o assassinato e agiu.

Por pouco o deus mentiroso conseguiu impedir que a lança do rei atravessasse o peito do próprio filho cujo a existência desconhecia, ele arremessou uma adaga no momento certo e esta acertou o punho do homem e fez com que desviasse sua pontaria por alguns centímetros. Odin o encarou como se gostasse de sua ousadia, Meili se tornou próximo alvo, mas assim como esperado não ouve nenhuma chance para que o viajante do tempo repetisse mesmo golpe de sorte, a lança entrou em seu estomago com tamanha força que até sua coluna foi partida.

Ou foi isso que o rei pensou que aconteceu antes da imagem dele simplesmente desaparecer e Meili reaparecer longe dali, juntando suas forças a de Vidar. O momento de distração foi o suficiente para aquela que tinha as costas do deus voltadas para si agisse, ela correu para dentro da câmara sem que ninguém sentisse sua falta e buscou por aquilo que Odin tanto desejava possuir.

Era possível que tivessem em todo este tempo subestimando o poder de um filho do glorioso rei, era possível que em todos os seus milênios de vida Vidar, mesmo sendo descartado como guerreiro por ser filho do inimigo, apenas estivesse acumulando e reprimindo o seu poder que não só vinha de Asgard como o dos deuses que lá nasciam como também de Jotunheim. Era possível que a dor de se perder quem ama houvesse liberado toda esta carga de energia de uma vez e era exatamente isto que estava acontecendo.

Não era uma boa hora, definitivamente, mas Loki achou que "deus da vingança" combinava com o gigante mestiço.

Vidar se deixou tomar pelo irracional, era como uma fera sendo liberada com tamanha força que o chão estava rachando por não suportar o seu poder. Se não matassem Odin agora seriam eles os mortos. O deus da vingança avançou e o rei se posicionou para receber o impacto que sabia que não conseguiria escapar, Loki se preparou para agir em seguida para não desperdiçar a oportunidade e Farbaut retornou, aproveitando-se do fato de que o rei precisava ficar parado para congela-lo.

Houve uma explosão quando o primeiro impacto aconteceu, tão poderosa que desnorteou o que se tornaria o pai de todos e causou-lhe uma terrível queimadura nos braços que impediram de que o estrago fosse maior, mas ele não saiu do lugar, não sairia mesmo que quisesse, afinal o mais terrível gelo já havia o tomado da cintura para baixo. O príncipe sabia que não possuía força o suficiente para matar Odin no único golpe que lhe restava, então fez o que prometeu a si mesmo que faria e que sabia ser a diferença. Ele mirou no olho.

Não se arrependeu em nenhum instante quando o glóbulo ocular saiu na ponta de sua adaga, o grito que ouviu como resposta fez com que cada segundo valesse a pena. Mas não ficou parado, ainda não estava disposto a morrer, portanto segurou o corpo um tanto inerte de Vidar que havia jogado tudo o que podia em um único golpe (embora seu corpo tenha conservado uma porcentagem para lhe manter vivo) e agarrou as vestes de Farbaut puxando-a consigo para dentro de volta para dentro da câmara, o único lugar que poderia sobreviver ao que estava por vir.

Odin era particularmente exagerado quando estava com raiva, mas ele foi piedoso, deixou que apenas quinze porcento de seu poder escapasse. Toda e qualquer vida num raio de vinte quilômetros queimou. Aquela era uma simples demonstração do que Vidar poderia ter feito se soubesse controlar a sua própria energia, não teria causado mais danos no rei do que fez, mas seria bem eficiente até mesmo com ameaças que chegassem perto da linha limite que os divide do nível ômega. Seu cavalo ficou bem, ele já havia sobrevivido a coisas piores.

Dentro da câmara o deus da vingança pareceu mais consciente do que nos últimos minutos e estava pronto para reagir, embora Loki o impedisse. Nunca em toda sua vida ele quis tanto que seus poderes de protetor da realidade não estivessem selados, precisavam sair dali com urgência, aquele afinal seria o próximo lugar que Odin iria mesmo que parte da câmara inicial houvesse desmoronado.

Ele precisava pegar Farbaut e Vidar, encontrar o bebê e desaparecer com eles, não era tão impossível assim que conseguisse esconder a sua presença do pai, ele já havia feito isso antes e... por que a aura da mulher estava se enfraquecendo tanto? Parte da câmara inicial desabou...

Meili olhou para trás com medo do que veria e constatou que deveria ter deixado a magnifica mulher lá em cima, teria sido uma morte menos dolorosa. Metade do corpo dela havia sido esmagado, mas a outra parte não e ela ainda segurava a Caixa do Invernos Passados na mão que lhe restava. Ele foi a seu socorro, procurando por qualquer coisa que pudesse salva-la, seu peito pulsava em agonia, estava sentindo a dor dela e sabia que a criança também sentia porque seu atual choro era mais sofrido do que qualquer outro que pudesse já ter escutado.

- Vou lhe irar daqui. - Ele prometeu tentando lembrar de qualquer coisa que poderia destruir a pedra sem machuca-la ainda mais.

- Não... se preocupe comigo... rapaz. - Ela respondeu com visível dor, mas apesar disso estava sorrindo. - Eu... queria livrar-me...de todo esse peso...a...a... muito tempo. - O estrangeiro parou e segurou a mão que ela lhe estendia, deixando a arma de lado. - Cuide de meu filho...sim? Eu...nunca lhe disse... mas o nome dele... és Loki.

Farbaut soltou a sua mão e seus olhos vermelhos se esbranquiçaram, ela estava morta, sua verdadeira mãe estava morta por causa de Odin e por sua causa, por tê-la convencido a vir até aqui. A mente do deus se tonou branca, nunca, nem em seus piores momentos ele havia feito uma expressão tão fria. Vidar nem lhe questionou quando agiu.

(...)

Odin esperou um tempo antes de se encaminhar para pegar o seu prêmio, ele esperava que até lá seus inimigos já estivessem mortos devidos aos ferimentos. Havia certa melancolia em seu rosto, assim como sangue pelo olho arrancado, ele se sentia cansado, perdido, lhe doía ter todas aquelas mortes em suas mãos e mais do que nunca se perguntava se tudo aquilo realmente valia a pena, ele estava vazio, mas nada poderia ter lhe preparado para o que viu quando chegou.

- Como tu se sentes agora? És o rei, ganhaste a guerra. Com certeza estas muito feliz. - Borr comentou com uma calma que não existia.

- Pai?! - o questionamento assombrado veio antes que ele pudesse evitar.

- Pai? Eu não sou o teu pai. Não... me recuso a acreditar que este pedaço de merda tenha vindo de mim.

- Mas como...? Eu lhe vi morrer.

- Correção, TU ME DEIXASTE MORRER! - Odin deu alguns passos para trás, sua culpa pesando mais do que nunca. - DEIXASTE QUE CRIANÇAS E INOCENTES MORRESSEM PELA SUA GLORIA E O SEU ORGULHO, ENGANOU UMA MÃE DOENTE E DESESPERADA, MATOU A MULHER QUE UM DIA FOI O SEU GRANDE AMOR E QUASE FEZ COM SEU FILHO MORRESSE!

- Filho? Eu nunca fiz mal ao Thor... - Sua fala congelou, reconhecia que o homem com que lutou se parecia consigo, mas nunca pensou que Grid houvesse engravidado. Não deveria ter cortado o contato com ela tão abruptamente.

- E O QUE FARIAS EM SEGUIDA? DEIXARIA O FILHO DE LAUFEY, UM BEBÊ QUE TODOS EXCETO AQUELAS QUE TU ACABASTE DE MATAR DEPREZAM, AQUI, PARA MORRER DE FRIO E DE FOME COMO O PAI DELE QUERIA QUE ACONTECESSE?

- Não, eu...

- TU ÉS A MINHA MAIR DECEPÇÃO, ODIN! - Borr se virou em visível sofrimento. - Realmente não entendo onde foi que errei contigo, achas mesmo que eu conseguiria descansar sabendo o monstro que tu se tornaste? - Sua voz foi ficando cada vez mais baixa.

- Eu posso levar o menino comigo! Parar com as guerras, eu juro, posso mudar. - Havia uma dor a muito escondida no peito do rei e ela vinha à tona agora.

- Eu já lhe dei chances demais nesta minha vida! Leve o menino se quiser, mude, vire o homem que eu sonhava que tu seria e quem sabe assim eu consiga deixar de sentir tanto... frio. - A imagem estremeceu, estava mesmo mais pálido e azulado que o normal.

E Odin foi, pegou a criança em seu colo e ela prontamente foi enfeitiçada para se parecer com ele, pegou a Caixa dos Invernos Passados e se encaminhou para a fora. Mesmo que o rei já não pudesse mais vê-lo aquele que usava a imagem de Borr notou quando o olho do homem deixou de ter a mesma percepção do mundo e por mais que aquilo fosse estranho para si também notou que ele encarava o bebê como se ele fosse a chave para tudo, sua nova esperança e a sua oportunidade de fazer diferente. Não acreditava que só precisou brincar um pouco com os sentimentos dele para que ele fizesse o que fez. Permaneceu a assistindo quando o Odin chamou pela Bifrost e depois disso sabia que o rei nunca mais voltaria a iniciar uma guerra novamente. Ele começou a sua mudança. Porém na câmara ainda estavam Loki e Vidar, sem perspectivas de voltarem para casa.

- Tu achas que ele vai ficar bem? - o deus da vingança perguntou aflito com o garotinho que amava como se fosse o seu próprio filho.

- Vai sobreviver. - O príncipe voltou a sua aparência mais normal – Afinal em meu tempo sou conhecido como Loki Odinson. - E sorriu para ele com toda a felicidade que não sentia, Vidar ficou boquiaberto, sem ter a menor ideia do que dizer, então apenas o surpreendeu com um abraço. Ele desconfiava da origem do feiticeiro desde que o conheceu, mas havia escolhido não o confrontar quanto a isso, tudo porque o homem possuía o mesmo cheiro da criança que mais do que tudo desejava proteger, em nenhuma hipótese conseguiria machuca-lo. O deus é claro já sabia da existência de tais sentimentos, não era tolo de se revelar sem ter certeza de que estava diante de um aliado.

- Não és possível que tu não foste alimentado direito nem sendo príncipe de Asgard! - Ele dramatizou, apertando esmagando um pouco mais o homem. - Coitadinho de ti, tão magro e pequenininho!

Eles sentiram vontade de rir, apesar de estarem destruídos por dentro.

Um portal laranja se abriu a alguns metros dos dois e por ele passou uma conhecida mulher com seu manto da levitação e a sua pedra do infinito, era Alanes, a guardiã da realidade daquele tempo e também a maior responsável pelo fim da guerra entre Asgard e Jotunheim.

- Estou atrapalhando um momento íntimo, não estou? - Ela questionou apesar de não parecer nem um pouco constrangida.

- Agora que você aparece! - Loki a acusou realmente irritado e já livre o abraço esmagador.

- Desculpe-me, tu já estás a tempo demais por aqui, irei manda-lo para o teu tempo imediatamente. - Alanes sorriu compreensiva e de certa forma contente com os resultados do que arriscou a fazer. Ela realmente não podia deixar que ele permanecesse por mais meros segundos, não desejava ser a causa de danos permanentes ao deus.

O deus não mandaria a porcaria de abraço nenhum, foda-se o Tempus. Sua visão voltou a escurecer e bem mais tarde quando voltou a abrir os olhos estava no esconderijo que dividia com o Doutor Estranho.