Capítulo XXI
Pansy permanecera trancada naquele quarto por dias. Ela havia perdido a conta. Suas refeições apareciam magicamente na mesa perto da janela. Blaise não aparecera, muito menos Daphne. Ela estava entediada. Queria saber o que aconteceria. Tinha imaginado que no dia seguinte a sua chegada eles teriam conversado.
Ouvira um click característico da fechadura de seu quarto se abrindo com o uso de uma chave e viu Daphne entrar.
— Dapnhe! — Pansy falou sorrindo feliz por ver a amiga.
— Pansy! — Daphne não respondeu de maneira calorosa como ela.
— Você não está feliz em me ver. O que houve?
— Por que você voltou? — Daphne perguntou diretamente. — Você está trabalhando para o Ministério, eu sei. Quer que nos peguem.
Pansy ficou surpresa.
— Foi Blaise quem me trouxe. Eu não vim porque quis.
— Mentira!
— Verdade Daphne, não tenho porque mentir.
— Não acredito em você! Passou meses distante e do nada reaparece!
— Blaise não te contou como me trouxe aqui?
Daphne não respondeu e Pansy viu que tinha tocado em um ponto sensível.
— Quem mentiu para mim foi Blaise! E me pergunto se ele fez o mesmo para você ou se você sempre soube de tudo!
Daphne permaneceu em silencio. Pansy começou a andar pelo quarto.
— Naquela festa em que eu te substituí eu fui reconhecida. Fui levada por pessoas que eu não sabia quem eram, ouvindo eles falarem diversas coisas sobre mim. Pensei que eles estavam loucos, errados, mas então aos poucos foram me mostrando a verdade. — Pansy encarava Daphne — Eu era um deles. Tinha habilidades. Blaise removeu minha memória, minhas habilidades mágicas e minha vida anterior ao que vivi com vocês. Eles usaram aparelhos estranhos, fizeram coisas estranhas e então eu vi muitas coisas, senti muitas coisas, vi pessoas que despertaram algo em mim. Eles não conseguiram restaurar minhas memorias e tudo o que eu sei foi mostrado por vários registros. Mas sou eu, Pansy Parkinson.
— Como você tem tanta certeza que eles disseram a verdade? Que nos mentimos?
— Porque tinham você e Blaise também. Você sabia Daphne?
— Não. — Daphne suspirou — Eu acreditei em Blaise tanto quanto você. Apenas quando você foi embora Blaise me mostrou a verdade. Ele devolveu minhas memorias, mas não a habilidade mágica.
— Então ele pode fazer isso? Pode me fazer lembrar de quem eu fui?
— Acho que sim. Ele fez comigo, deve conseguir fazer com você.
— Isso é fantástico! Preciso pedir que ele faça isso. — Pansy se sentia esperançosa com a ideia de saber o que ela realmente vivera, quem ela realmente era.
— Mas acredito que Blaise não o fará!
— Por que não?
— Ele quer você assim Pansy, ignorante de tudo. Blaise quer você.
Pansy estremeceu ante o comentário de Daphne.
— Eu não quero Blaise. Eu me sinto traída pelo que ele fez. Não é meu amigo.
— Ele não quer ser amigo. Ele quer mais.
— Não importa. Eu não o quero como ele quer. Eu amo...
— Draco Malfoy, eu sei. Sempre soube. Foi assim por toda a escola.
Pansy não respondeu. Esteve a ponto de dizer que era Harry Potter, mas Daphne tirara suas próprias conclusões e era melhor assim.
— Quando viemos viver com Blaise eu acreditei em toda a história. Éramos primas e Blaise era seu noivo. Eu não lembrava de nada além disso. Aos poucos me apaixonei por ele, mas ele era seu, eu nunca faria nada contra isso. — Daphne suspirou — Quando ele me devolveu as lembranças da minha vida eu soube que eu era a noiva dele. Namoramos bem no final da escola, eu era louca por ele. Blaise foi meu primeiro, eu o amava e acreditava que íamos nos casar. — Daphne agora tinha lagrimas nos olhos. — Mas pelo visto ele sempre fora apaixonado por você. Eu era apenas a forma que ele tinha de estar por perto de ti.
— Eu soube disso também.
— Ele quer você, sempre quis.
— Mas não o quero Daphne. Você sabe que nunca fui apaixonada por ele. Eu acreditei na história e pensava estar cumprindo com a vontade dos meus pais mortos.
— Então você reviu Draco? — Questionou Daphne curiosa.
— Sim. Ele está casado com sua irmã.
— Astoria? — Daphne estava genuinamente surpresa.
— Sim. Depois de pensar que nos morremos sua família e a Malfoy se aproximaram e acabaram por fazer o contrato. Eles têm um filho, Scorpius, seu sobrinho.
— Por Merlin Pansy? Você...
— Quando eu o vi eu me senti imediatamente atraída por ele. As coisas que ele me contou, mostrou. Não resisti Daphne, fui uma cadela com Astoria, mas a atração com Draco foi maior.
— Eu sei que sim. Você jamais resistiria a ele. Você sempre o amou.
— Mas não se repetiu. Eu não queria machucar sua irmã. Eu e Draco nos afastamos.
— Mas você está grávida! — Daphne declarou confusa. — Draco virá atrás de você. O Ministério pode nos encontrar. É perigoso!
— Tenho certeza que virão Daphne. Eles querem pegar Blaise. — Pansy percebeu que Daphne concluiu que Draco era o pai de seu bebê, mas não teve vontade de desmentir.
— Não posso deixar!
— Você quer continuar com ele?
— Claro que sim Pansy, eu o amo!
Pansy encarou a amiga. Não poderia julgá-la.
— Mas ele ama você e isso será nossa morte.
— Não quero que ninguém morra Daphne. Quero voltar para o mundo mágico e só. Você e Blaise podem ficar tranquilos e seguirem seu caminho.
— Blaise não vai permitir que você volte. Ele quer você aqui.
— Então você precisa me ajudar a escapar.
— O que? — Daphne a olhou assustada.
— Escapar Daphne, você precisa me ajudar a ir. Não posso ficar aqui, o bebe está para nascer. Se o Ministério vier por mim vocês serão pegos e apesar de tudo não quero isso, muito menos para você.
— Mas eu trairia Blaise.
— Seria necessário para que você pudesse ficar com ele.
— Não posso Pansy!
— Não conseguirei sair daqui sozinha. Só você pode me ajudar.
Daphne não disse nada. Ficou ali encarando Pansy por alguns segundos e depois saiu.
No Ministério da Magia Draco Malfoy entrava sem ser anunciado na sala do chefe dos aurores. Harry estava conversando com Rony.
— Potter! Eu vou mata-lo!
Rony avançou e segurou Draco.
— Me solta Weasley! Tenho que resolver isso com Potter!
— Acalme-se Malfoy. O que aconteceu?
— Você não cuidou dela, não protegeu Pansy!
Harry e Rony ficaram surpresos que ele soubesse que Pansy não estava segura.
— Do que você está falando? — Harry tentou sondar.
— Não brinque o engraçado Potter. Você sabe do que estou falando. Falo da sua incompetência em proteger Pansy. Blaise a pegou.
— como você sabe disso?
— Ele me contou. O maldito mandou uma coruja para mim.
— O que?
— Ele está louco. Solte-me Weasley. Deixe-me mostrar a carta.
Antes que Draco pudesse se soltar, Rony lançou um feitiço imobilizante nele.
— Maldito Weasley! — Draco disse irado.
— Onde está a carta?
— No meu bolso horas! No paletó a direita. — Draco estava visivelmente transtornado. Respirava ofegantemente e tinha o rosto avermelhado.
Rony pegou o papel e passou a ler em voz alta.
Draco, meu amigo, quanto tempo!
Não estou feliz em escrever para você, mas foi necessário.
Você nunca mais tocará um dedo em Pansy. Ela é minha e será para sempre.
Agradeça que eu não o mate agora, porque você merece. Você merece por tê-la tocado, por tê-la usado. Maldito, como eu o odeio! A vontade que tenho é de fazê-lo sofrer com uma morte lenta e dolorosa, mas não quero o Ministério atrás de mim mais do que já estão. Considere-se com sorte. Mas não garanto que isso se estenda ao seu maldito bastardo. Estou pensando se o matarei ou não antes de enviá-lo a você. Se eu não o fizer será apenas por Pansy. Não quero vê-la sofrer. Farei ela esquecer da criança quando nascer. Ele só recordará dos filhos que tiver comigo. E você fique longe dela para sempre. Crie seu bastardo ou se livre dele, mas fique longe de Pansy, ou eu voltarei sem remorso e sem receio para matar sua preciosa esposa, seu herdeiro e você.
Está avisado.
B.Z.
Um silencio sepulcral se fez na sala de Harry. Ninguém conseguia falar nada, assimilando o que estava escrito. A ameaça era clara. Blaise mataria para ficar com Pansy. Ele não queria o filho que ela esperava.
— Blaise rejeita o filho de Pansy. Ele não se considera o pai.
— Percebi isso — Murmurara Rony. Ele refletia sobre suas suspeitas. Pansy mentira quanto a paternidade do bebê. Harry era o pai.
— Ele pensa que é seu filho, Malfoy — Harry declarou pensativo.
— Ele deve ter visto as memorias de Pansy.
Harry e Rony apenas o encararam.
— Ficamos juntos quando eu a reencontrei, quando me tornei responsável por ela. No início eu resisti, ela resistiu. Mas todas as lembranças, o amor. Eu nunca a esqueci, sempre a amei. E apesar de ela não ter memoria ela sentiu o mesmo que eu. Sentiu a atração, o magnetismo. Pansy estava comigo quando se descobriu grávida. Ela pensou que eu a odiaria, mas foi o contrário. Senti vontade de protege-la, cuidar dela. Acabar com o sofrimento. Naquela noite fizemos amor, uma única vez. Pansy estava vulnerável eu confesso, mas foi demais para mim, não resisti.
— Tem certeza que ela já estava grávida?
— Sim, tinha quase dois meses na ocasião. Confirmamos com exames realizados no Saint-Mungus. Tenho os registros na pasta dela. Pansy estava grávida quando vocês a trouxeram. Não tinha muito tempo, no máximo uma semana ou duas.
— Seria possível Blaise ser o pai. — Harry insistiu.
Draco refletiu por alguns segundos.
— Ele jamais rejeitaria a criança se fosse dele. Blaise se arrastaria a qualquer possibilidade que fosse de ficar com Pansy. Se ele não pensa nessa possibilidade, é porque realmente não considera possível.
Rony e Harry se entreolharam. Harry sentindo o sangue congelar em suas veias. Se Blaise afirmava que o bebe não era dele, e Draco tinha certeza que não era dele, havia a possibilidade de Pansy ter estado com outra pessoa, mas também havia a possibilidade de ser dele. O bebe podia ser dele e esse pensamento quase o fez sufocar. Pansy esperava seu filho e estava nas mãos de um comensal da morte que era louco por ela.
— Vou encontrá-la.
— Como você fez para protege-la? Não confio em você.
— Terá que confiar. — Harry respondeu exasperado.
— Quem em garante que você não planejou isso? Que não a entregou para usa-la como isca.
— Eu jamais faria isso Malfoy. Seria arriscado. Pansy está grávida. Eu... — Harry ia dizer que a queria, quase disse que gostava dela — Eu vou encontrá-la.
Draco não respondeu.
