- Ah, até que enfim você acordou, estive pesando se seria mais difícil pegar as outras joias com você morto. - Stephen falou quando se aproximou o suficiente para ver que o parceiro tentava levantar da cama.

- Cala a boca. - Reclamou rabugento. - Me mante para Wakanda, rápido, eu preciso ver a Lin. - Seu sussurro parecia tão necessitado que não havia espaço para contestação. Lin, Lin Stark, era realmente bom consegui pensar neste nome com clareza, era a única pessoa que podia lhe trazer algum conforto agora.

- Quem é Lin? - Strange perguntou confuso.

- O QUÊ?! - Não, não era possível, ele não havia mexido tanto assim com o passado, havia feito com que as coisas que sabia terem acontecido acontecessem, tudo lhe parecia tão correto agora que estava de volta, não era possível que suas ações causaram uma mudança tão brusca na linha do tempo. O mago só pareceu ficar mais furioso consigo.

- O que foi que você andou fazendo de tão grave no passado para acreditar que a Lin não existe? - O cenho dele estava muito franzido, prevendo inúmeras complicações. - Eu sabia que era uma péssima ideia te deixar lá, mas a pedra do tempo não me deixava te trazer de volta e eu resolvi esperar que o ciclo dela passasse. Seja lá o que você fez pode ter alterado ainda mais a nossa linha do tempo e...

- Não! Calma, está tudo bem. Dá pra ver que não causei nada muito grave, já estávamos vivendo na linha do tempo que foi alterada e se nenhum celestial cobrou o preço por isso em mil cento e dois anos, não acho que eles vão reclamar sobre isso agora. - Stephen não parecia nada convencido, ainda estava bastante irritado e considerava seriamente voltar para o passado e impedir que Loki agisse por lá. - Eu não fiz isso de proposito, foi a Alanes quem me mandou para lá e era ela quem estava controlando a joia, sua antepassada parecia pensar que era a única forma de acabar com a guerra de Asgard com os gigantes de gelo.

O deus considerava fielmente fazer uma pouco de sangue jorrar da garganta do protetor da realidade, já havia passado por muitas coisas nas últimas horas para levar um susto assim logo que pode voltar para o seu tempo, porém estava cansado demais para fazer qualquer esforço e sua magia ainda não havia se estabilizado o suficiente para confrontar o aliado.

- E você fez uma guerra terminar? - O mago cruzou os braços, não acreditava em nenhuma palavra.

- Você convive comigo a tempo o suficiente para saber que eu sou incrível! - O príncipe havia se jogado outra vez na cama e agora esticava os próprios músculos. - Eu cheguei, salvei o Thor, salvei a Frigga, conquistei a confiança do meu avô, fiz ciúmes no Odin, assumi a imagem do Borr quando ele morreu, fui levado para lutar na guerra porque o Odin também me achou incrível, conheci o deus da guerra e quis socar a cara dele, encontrei uma das antigas namoradas do Odin, salvei todo mundo com a imagem do Borr, mas ai o Odin deixou o pai dele morrer sem saber que ele tecnicamente já estava morto, eu sempre soube que ele era um filho da puta e agora só tenho mais razão ainda, conheci o verdadeiro herdeiro do trono de Asgard e a minha mãe, que era uma mulher maravilhosa, junto do bebê mais perfeito do mundo, eu mesmo. Impedi que os gigantes morressem de fome e guiei o Odin para o lugar em que estava a Caixa dos Invernos Passados, ele tentou me matar, mas eu com toda a minha superioridade sobrevivi, arranquei o olho dele e ainda usei a imagem do vovô de novo para convencer ele a me adotar. - Sua fala era preguiçosa, como se não atribuísse tanta importância para o que fez enquanto na verdade estava se gabando por cada um de seus atos.

- Quanta criatividade, já pensou em escrever um livro? - Strange revirava os olhos, dando ao parceiro tanta confiança que nem continuava a olha-lo, ao contrário, voltava a ajeitar a própria gravata para a ocasião em que iria.

- Já! Várias vezes na verdade, eu costumava visitar alguns quadrinistas e escritores para fazer com que eles escrevessem sobre mim, sempre ajudou a propagar o medo que meus súditos tinham, gosto de ler o que eles criam.

Por mais que não fosse impossível que o príncipe realmente tivesse feito aquelas coisas não era sábio acreditar no deus da mentira e o mago certamente não o faria. Loki parecia estar exausto, tanto fisicamente quanto mentalmente, mas se esforçava para não deixar que as consequências de ter estado em um tempo que não lhe pertencia o sobrecarregassem, expor o corpo a algo assim sempre trazia algumas sequelas a mente e ao organismo, por mais resistente que estes fossem.

Era estranho para o jotun ver o humano se arrumar de tal forma, ele era completamente consciente de que Strange já tivera os seus anos de luxuria e riqueza, mas não lhe parecia normal que ele por livre e espontânea vontade quisesse voltar a se vestir daquela forma, nem que estava satisfeito em seja lá o que tivesse que fazer.

- Hoje é natal. - O homem respondeu quando sentiu o olhar curioso do deus em suas costas. - As Starks vão fazer uma pequena comemoração e nós, assim como alguns dos outros heróis, fomos convidados.

- E você aceitou porque é um ótimo cidadão e adora se reunir com os amigos e com a família todos anos para comemorar a existência de um doente gordo ou o aniversário de um semideus que morreu a mais de dois milênios.

- Então você procurou se informar sobre Jesus? - era evidente que Stephen desejava desviar o assunto sobre sua razão em ir para a tal celebração.

- Sim, eu acho muito interessante o que os humanos fizeram do legado dele, um homem bom que pregava o amor acima de tudo, mas que teve como resultado de seus ensinamentos a disseminação do ódio e da intolerância em nome de seu Deus. - Loki se ergueu e usou sua magia para alterar as suas roupas para algo mais comum em Midgard.

- Pensei que você, por ser um deus, negaria a existência dele. - Strange o olhou com a sobrancelha arqueada.

- O universo é grande demais para se prender a crenças. - Ele deu de ombros - Não ligo se esse homem existiu ou não, mas ele pode estar certo, embora os humanos estejam errados com sua forma de agir em relação a isso. Nós asgardianos somos deuses, mas isso não muda o fato de que não fomos nós que demos origem a vida, em todas os povos existem lendas sobre o ser que teria criado tudo isso que conhecemos, eu por exemplo o conheci como One-Above-All, você como Deus, não posso dizer qual de nós está mais perto da verdade.

- Vocês também tem o seu proprio céu e inferno, algumas coisas sempre se repetem, não importa onde seja. - O mago não era completamente adepto de nenhuma crença, mas sabia que haviam certas coisas que faziam sentido.

- Está começando a aprender. - Loki sorriu, mas havia certo deboche em sua expressão. - O que foi que fizeram para te convencerem a ir lá? - Stephen revirou os olhos, sentia vergonha sobre o que aconteceu e apenas por saber que mais cedo ou mais tarde o deus notaria ele lhe contou.

- A joia da mente fez com que eu a entregasse para a garota Linna. Preciso passar o natal com eles, foi sua condição para que ela me devolvesse. Pepper quer que nos desliguemos de nossa segunda indentitade, então me deu essas roupas.

Foi por pouco que o principe escapou das coisas que voaram em sua direção depois que ele gargalhou em alto e bom som, manipula-lo para conseguir o que queria parecia bastante com algo que Lin faria, mas ele ainda não entendia porque ela necessitaria da pedra se possuia uma forte ligação com ela internamente. Seja lá qual fosse a sua razão o deus descobria quando a encontrasse.

Não demorou para que a hora marcada para a comemoração chegasse e Loki foi junto do mago diretamente para a mansão Stark, onde os outros em breve estariam. Nevava um pouco lá fora, mas aquilo parecia apenas alimentar o espirito natalino das pessoas, o jotun realmente nunca entenderia a logica dos humanos. Tudo no comodo em que apareceram estava enfeitado com ramificações de pinheiros, bolas coloridas e luzes piscantes. Um horror na visão do estrangeiro.

- Bem vindos senhores Strange e Odinson. - a voz eletronica de Sexta-Feira ecoou pelo lugar. - Por favor se encamiem para a sala de estar a esquerta do corredor, é onde estão alguns de seus amigos.

Não haviam objeções em seguirem o conselho da inteligência artificial e logo quando iam se aproximando o barulho das vozes aumentava. De longe podia-se notar que Thor estava ali por sua voz trovejante e poderosa, mesmo que não fosse a intenção dele mostrar nada disso, mas quando de fato chegaram viram que Peter, Lin, Wanda, uma mulher que o príncipe não conhecia e um androide faziam companhia ao deus do trovão e não era difícil deduzir que aquela era apenas uma reunião particular enquanto as outras pessoas se encontravam espalhadas por ai, já que era possível ouvir o barulho de suas conversas mesmo que não estivessem por perto.

Não se sabia sobre o que eles falavam, mas o assunto acabou no momento em que viram os outros dois chegando. Ninguém de fato esperava que eles realmente viessem já que passaram os últimos meses sem dar nenhuma notícia e nenhum deles era de fato próximo ao Doutor Estranho para esperar qualquer coisa dele, estavam bem surpresos, porém não menos felizes por isso.

- Irmão! Strange! Que bom que vieram. - Thor saudou aos introvertidos com um sorriso largo demais. - Venham, se juntem a nós, ou se preferirem podemos andar pela mansão como quem não quer nada, mostrando para todo mundo que vocês estão mesmo aqui. - Ambos os recém-chegados ergueram as sobrancelhas sem entender nada e se encaminharam para os assentos que se encontravam o mais longe possível do loiro e de suas esquisitices.

- Todos nós apostamos sobre se vocês dois viriam e agora, como vencedores, nossas listas de desejos serão realizadas. - Wanda explicou, também possuía um sorriso suspeito.

- Ainda bem que vocês vieram. - Peter comentou. - Não tenho ideia de como faríamos tudo o que os outros pediram.

- Já comuniquei aos demais apostadores que eles perderam e a Morgan que ela também ganhou. - O androide avisou, sua voz era um tanto familiar para o deus e o mago.

Apesar de felizes com o ganho de seus prêmios isto não mudava o fato de que a maioria deles não estava acostumada a ficar na presença de seu antigo e possivelmente atual inimigo em potencial, assim como não motivava nenhum pouco a socialização dos dois recém-chegados. A mulher desconhecida, por exemplo, em nenhum outro momento esteve junto da maioria daquelas pessoas e estava quase hiperventilando para o constrangimento de seu sobrinho, ora não era culpa dela se a colocaram num cômodo junto de dois deuses nórdicos.

Lin estava quieta no tapete em que se encontrava, claramente não estava tão empolgada com suas possibilidades quanto os outros, mesmo que tenha sido ela a responsável pela vitória. Seus olhos indicavam que ela não dormia a dias e seu corpo voltou a perder alguns quilos, ela parecia não só exausta, mas também doente. Loki escolheu ficar ao lado dela quando fugiu do irmão, porém não se pronunciou, entendia que ela lhe contaria o que estava acontecendo quando achasse que era o momento ideal.

Mesmo que não parecesse bem ela também estava contente e recebeu o amigo/noivo em seus braços quando ele se aproximou, não, eles não estavam se abraçando, o deus estava mais era usando-a como um travesseiro que faz carinho. Thor mesmo que já tivesse engatando em uma conversa com o menino aranha os observava de onde estava, não podia deixar de reparar que aqueles dois possuíam a mais estranha e adorável ligação que ele já viu em um casal, era nítido para qualquer um que conhecesse o príncipe trapaceiro como ele conhecia que havia algo o incomodando em demasia quando chegou, mas que junto dela tudo parecia mais fácil e mais leve, eles relaxavam apenas por sentirem o cheiro um do outro e parecia que entre eles quando demonstravam afeto tudo ficava melhor.

- Eles parecem dois gatos esfregando os rostos desse jeito, é estranho, mas também é fofo. - Peter comentou quando se voltou para a coisa que prendia a atenção do vingador, de fato ambos os amigos tinham a sua própria forma de se confortarem e isso não os deixava menos adoráveis.

- Eu nunca pensei que alguém me faria ver aquela coisa que ele é como algo fofo, definitivamente não consigo me acostumar com a ideia de alguém possa ter se apaixonado pelo Loki e o mais absurdo disso é que ele retribui.

- Acho que consigo te entender, quando a tia May e o Happy começaram a namorar eu fiquei horrorizado por algumas semanas, mas então me costumei com a ideia e hoje até acho que eles ficam bem juntos, é bom ver com ela fica feliz por estar com ele.

Em outro canto a dita tia May até que estava conseguindo se entender com aquelas pessoas tão diferentes de si, quer dizer, quando Peter lhe convidou para passar o Natal na mansão Stark ela se preocupou com como conseguiria se misturar com todos aqueles heróis, deuses, robôs e super-humanos, pensava que acabaria isolada sozinha (ou possivelmente com seu namorado), mas agora percebia que eles não eram tão divergentes quanto imaginava, ela consumava se esquecer que por trás de todo aquele poder na maioria das vezes também estavam humanos. May conversava com o mago Stephen, com a feiticeira Wanda e com o androide Visão, aparentemente a questão da garota Stark ter criado vida artificial era um assunto que todos ali conseguiam desenvolver e que despertava bastante interesse em cada um, todos tinham as mais distintas experiências a compartilharem sobre isso justamente pelo fato de que suas vidas eram completamente diferentes umas das outras, estava mesmo sendo um dia agradável e ainda restavam alguns dos deliciosos petiscos que trouxeram horas atrás para acompanhar o bom diálogo! Nunca ia deixar de se divertir em ver o seu sobrinho em forma de biscoito, o bufe que os confeitou era mesmo muito talentoso e produzia realmente belas gostosuras, até sentia vontade de guardar um ou dois de lembrança.

No tapete perto do que lembrava uma lareira normal envoltos pela própria bolha de conforto continuavam os noivos, claramente haviam coisas que precisavam ser ditas entre eles, haviam dores em suas almas das quais o respectivo parceiro não tinha ideia, mas havia também aquela vontade de permanecerem da forma que estavam, sem problemas e sem precisar pensar em seus próprios demônios.

- Por que eu estou em um biscoito com essa forma ridícula? - Loki questionou depois de roubar um dos ditos biscoitos do prato que provavelmente era de sua companheira e se deparar com uma imagem sua nele, o estilo chibi definitivamente não o agradava.

- Porque as indústrias Stark ganham dinheiro com a imagem dos maiores heróis e vilões aqui da Terra. - Lin respondeu simplista enquanto continuava a acariciar os cabelos do deus.

- Pensei que existisse uma lei por aqui que me dava o direito de arruiná-los por isso, pensando é claro que eu seria um bom moço e os processaria no lugar de destrui-los com as minhas próprias mãos.

- Existe, mas eles têm a sua assinatura em um documento que os autoriza a usar a sua imagem como bem entenderem. - O príncipe olhou para cima, onde podia encontrar os olhos divergentes da amiga, fingindo indignação.

- Eu não assinei nada!

- É, mas ninguém sabe disso e convenhamos que não acreditariam em você se alegasse que alguém usando a sua imagem foi até uma reunião muito chata e assinou os papeis. - Ela tinha um brilho de diversão nos olhos.

- Sua cobrinha! Não sei se me orgulho ou te puno por isso. - Ele fingia muito bem sobre como estava se importando com o assunto.

- Você não me puniria, eu sou adorável, isto me torna imune a castigos. - Loki ficou tentado a lembra-la de que ela era uma das pessoas mais horrendas que ele já viu em Midgard, mas ela tinha razão, ele não a puniria e também a achava adorável demais para isso. - Vamos, destrua esse Thanos. Tenho certeza que vai se sentir melhor. - A Stark entregou um chibi biscoito Thanos para o príncipe, confiante do que dizia.

De fato, dava um prazer estranho destruir o mine titã e o gosto do pequeno petisco Loki era realmente bom, então ele perdoou a garota por associar a sua imagem a coisinhas fofas.

"Eu conheci a minha verdadeira mãe e a vi morrer na minha frente, por minha causa." - O deus disse a ela telepaticamente, não deixou sentimentos passarem, mas sabia que ela o compreenderia.

"Eu imaginei que algo assim aconteceria, Tempus me tranquilizou quando você ficou preso no passado, ele disse que era necessário que você intervisse e que tragédias acontecessem para um bem maior, o que é uma bela porcaria, mas deve ter sido por alguma coisa importante."

"O fim da guerra e a minha transformação em deus." - Ele suspirou. - "Ela já estava doente, provavelmente não sobreviveria por muito tempo e eu também acabaria morrendo, já que eu era pequeno e frágil demais para um gigante."

"Qual era o nome dela?"

"Farbaut..."

"Não vou me esquecer, ela deve ter sido uma mulher incrível se você sentiu qualquer coisa por ela em tão pouco tempo." - Loki assentiu. - "Enquanto você esteve longe eu deixei que o Subtiliter usasse o meu corpo para construir o Visão e o seu presente de natal. Foi uma péssima ideia... não estou pronta, depois que ele terminou e eu coloquei a joia no cetro novamente meu corpo entrou em colapso e começou uma evolução de urgência, ela não parou, ainda está acontecendo e está sendo um tanto desconfortável, sinto que estou perdendo o que restou da minha humanidade." Lin parecia realmente diferente, a magia costumava dar a ela um aspecto de deusa, mas agora era natural, nada influenciava a aura que emanava dela e a sensação que ele sentia ao olha-la, era quase como se ela estivesse se tornando uma verdadeira pedra do infinito já que este era o mesmo sentimento que ele possuía ao encarar uma das joias. "Eu também ganhei um Nobel, a Shuri, o Bruce e eu na verdade, nós curamos o câncer e a maioria das outras doenças, o mundo nos vê como grandes heróis. Tudo está indo como o planejado."

"Já mencionei como a sua mente é brilhante?" - a bajulação veio de forma tão natural que se não o conhecesse o suficiente não notaria que não era exatamente um elogio, o deus não esperava nada menos da mulher, não estava surpreso e nem minimamente impressionado. Ele ergueu a mão e levou até o rosto dela, retribuindo um pouco do carinho que ela lhe dirigia. A encenação perfeita. "O quão longe você chegou com o presente?" O sorriso dela poderia ser gentil e amável na visão de qualquer um, mas Loki via a insanidade ali, assim como percebia só por isso que ela havia levado o que deveria fazer a um patamar inimaginável.

"Não posso dizer muita coisa sobre o seu, será a minha pequena surpresa. Mas quanto ao meu," - Ela lançou um olhar amigável ao rei loiro que nada sutilmente os observava. - "nem mesmo o Stormbreaker conseguiria arranha-lo."

"Está me fazendo criar expectativas."

"Sei que vou supera-las independente do que imagine." - Como um deus particularmente familiarizado com a mentira Loki sabia que ela estava dizendo a verdade. Por que é que ele ainda não estava casado com aquela magnificência? Ambos compartilharam um sorriso cumplice, pensavam em como era engraçado estar no meio daquelas pessoas enquanto conspiravam para algo que qualquer um ali teria o maior prazer em impedir, Stephen era só parcialmente cumplice, não concordava e nem participava da outra metade do plano.

Até o mago interferiria no que estavam fazendo se soubesse como realmente iriam agir. Não eram heróis, não se comportariam como aqueles que carregam este titulo

(...)

A ceia não se passou de forma tão constrangedora para os feiticeiros quanto parecia inicialmente que aconteceria, a maioria dos convidados não estava muito feliz com a presença deles, já que perderam uma grande aposta por causa dos dois. Mas entre tudo o que mais instigou o deus era que ele foi aceito, sem perguntas, sem dúvidas e sem desconfiança, eles o trataram como um deles, beberam e comeram junto dele como se ele não apresentasse nenhum risco, até mesmo riram de suas brincadeiras, todas estas coisas vindo de gigantes que não sabiam de seu passado e de seu avô que o julgou um neto exemplar e adorável ainda eram compreensíveis, mas daquelas pessoas... Lhe passavam a atenção de que seria atacado a qualquer momento.

Não podia deixar de pensar que eles suspeitavam de alguma coisa e que liam cada uma de suas ações com as mais variáveis interpretações possíveis, esperando apenas que ele cometesse um único erro para que tivessem verdadeiras razões para expulsa-lo dali de uma vez por todas. Quando ele riu de uma piada ridícula que um dos insetos contou não era nela que estava pensando e sim no fato de que eles o tratavam como uma ameaça tão perigosa que era muito melhor que fosse mantido por perto como aliado do que trata-lo de fato como inimigo sem que antes tivessem certeza de que poderiam supera-lo.

Os assassinatos aos nomes da lista negra nunca haviam parado e muitas das testemunhas que foram selecionadas para sobreviver se lembravam vagamente de terem visto Loki por perto pouco tempo antes das mortes acontecerem, mas eles foram deixados tão confusos que também poderiam ter visto um ornitorrinco e diriam que foi o deus trapaceiro, de acordo com Stephen era essa dúvida e a falta de provas que ainda impediam os heróis informados e os agentes de agirem contra o asgardiano. Era realmente hilário, estavam preocupados com esse pequeno joguinho enquanto ele reunia as possíveis armas mais poderosas em todo o universo, ou melhor, as singularidades mais poderosas, não desejava que elas o rejeitassem por não reconhecer o básico sobre suas existências.

Talvez já fosse o momento de começarem a agir de verdade, não demorariam a conseguir as pedras que faltavam e era estritamente necessário que esta outra parte do plano fosse concluída para que tudo desse certo. Sim, já estava na hora, deixaria as coisas na mão de seu belo peão quando o teatrinho acabasse e então se encaminhariam para o fim de jogo.

A troca de presentes começou e foi uma verdadeira surpresa que pessoas além de Lin tenham se preocupado em conseguir algo para o príncipe mentiroso, Pepper lhe deu um luxuoso relógio coberto de pequenas pedras preciosas e Loki achou que era algo bem inútil, mas gostou mesmo assim, Peter lhe deu o que os humanos chamam de "boneco", era algo bem exclusivo aparentemente e o que mais o agradou era que se tratava de uma réplica de si mesmo, o garoto aranha sempre o surpreendia com esse tipo de atitude, já Thor, que nunca foi bom em escolher presentes, o entregou um vaso artesanal com uma pequena muda dentro. O deus já estava com a provocação na ponta da língua quando reconheceu a planta e de deboche e sarcasmo passou para uma súbita vontade de abraça-lo dizendo que ele era um irmão maravilhoso só para agrada-lo, é claro que ele não fez nada disso, mas sorriu de verdade e isso pareceu bastar para o loiro. Ali estava uma jovem arvore das almas, espécie que se dispunha por todo um vale em sua antiga casa e costumava ser a única coisa que unia Asgard a Valhalla, Loki, quando criança, as considerava como a maior maravilha de todo o universo e se sentia imensamente confortável quando se aproximava de alguma das plantas. Mas já não existiam mais nenhuma destas arvores até onde o príncipe sabia e pensar que Thor se deu ao trabalho de encontrar algo assim só para ele era bastante reconfortante.

O deus é claro não tinha nada para dá-los em troca, mas apenas porque queria impressionar seus observadores mal-intencionados ele invocou de seu lugar no meio do nada algumas tralhas que agradariam as pessoas que tentaram fazer com que ele se sentisse melhor, para a ruiva ele entregou um buquê com as mais belas flores que já havia visto em todas as suas viagens pelo universo e que eram cultivadas em seu jardim de ervas pessoal, ao Parker ele deu uma rocha colorida e curiosa que pegou em Urano e por último deu ao irmão uma cópia perfeita do mjolnir, o que quase levou o loiro as lagrimas, mas que não era nada muito extraordinário uma vez que não passava de uma decoração fajuta e não possuía nenhum poder.

Houve um momento de constrangimento no instante em que a Stark disse que queria ficar a sós com o deus para entregar o que tinha para ele, a malicia de todos ficou evidente e Loki sabia que a garota se sentiu suja por cada um dos olhares que recebeu, portanto ele a tirou do meio de todos para que pudessem conversar em um lugar mais reservado, acabaria fazendo alguma bobagem se ficasse só olhando para aquelas pessoas por mais alguns segundos. Somente quando entraram no quarto dela e ativaram a segurança e proteção de Sexta-Feira foi que ele notou o quanto Lin estava melhorando, não havia um resquício de medo ou nojo nas feições dela, em nada lembrava a menina que humanos aterrorizam, ela apenas não conseguia conter o tremor involuntário de seu corpo, mas o escondia suficientemente bem para que o príncipe só o notasse por estar tocando-a.

- Você já é grandinha demais para dar ouvidos ao que aqueles idiotas dizem. - Loki sussurrou encostando sua testa a dela. - Sabe que eles não podem e nem querem te machucar, ainda. - Parecia que aquelas palavras trouxeram um significado especial para a mulher, quase como se fosse algum tipo de código pois logo em seguida uma expressão de vergonha tomou sua face e ela começou a se assemelhar com uma menininha apaixonada.

- T-tenho algo para te entregar... - Lin se virou, fugindo para longe do deus extremamente vermelha. - Eu mudei um pouco a aparência original, espero que não se importe.

Em suas mãos apareceram um capacete de chifres retorcidos, com os ditos chifres bem menores do que os que o príncipe costumava usar, e algumas esferas de energia que lembravam joias. Em silencio ela pediu que ele se aproximasse, colocou os objetos sobre a cama e ergueu uma se suas mãos, analisando a sua palma.

- Volte para as suas vestes de asgardiano. - Aquela não era uma ordem, mas o deus fez o que ela disse sem hesitar. A humana colocou uma das esferas no lugar em que olhava. - Já aviso que vai doer, então não venha reclamar depois.

Aquilo que parecia uma joia se desfez e milhares de partículas brilhantes saíram dela, o que a Stark estava fazendo não tinha nenhuma magia envolvida, era a mais pura e avançada ciência. Os fragmentos entraram sobre a pele de seu novo hospedeiro e doeu, doeu tanto que veio a imaginação do deus cortar a própria mão para que a dor parasse, mas seu rosto não demonstrou nada, continuou tranquilo como se não sentisse nada além de uma leve picada, embora tenha soltado um som agoniado quando a gênia se virou para pegar a próxima e notou que sem contar a que já estava em seu corpo faltavam mais quatro.

- Você não poderia ter encontrado algo mais prático de se usar? - resmungou ele estendendo a outra mão para que o processo se repetisse.

- Se te serve de consolo eu tenho as mesmas coisas em mim. - Lin parecia achar graça da reação do amigo.

- E você chegou a desmaiar quando terminou de coloca-las?

- Não, mas quebrei o protótipo do Visão quando ele me impediu de me jogar no ácido.

- Você me motiva muito, sabia? - Loki murmurou descrente.

- Relaxa, eu nem tenho tanto ácido assim para conseguir me jogar nele. - Ela sorriu em deboche e escapou da reação mortífera que viria somente porque os fragmentos voltaram a agir.

Mãos, joelhos e tórax, todas partes de seu corpo que o deus considerou por um momento que seria mais feliz sem tê-las. Ele ficou ofegante e quando sua parceira terminou já não conseguia ficar em pé, portanto apenas continuou sentado no tapete felpudo, suando muito e tentando se lembrar de como era respirar, já estava fraco e agora só se sentia pior. Um pensamento divertido passou por sua mente, qualquer um que o visse agora realmente acreditaria que foi presenteado com o mais selvagem dos sexos, apesar dos novos pontos brilhantes de seu corpo não serem nada normais de se observar.

A Stark colocou o capacete em sua cabeça como se fosse a cereja do bolo e se acomodou perto do amigo para fazer companhia enquanto ele se recuperava, o pior já havia passado e agora só faltava que Subtiliter o explicasse algumas coisas essenciais antes que ela devolvesse o cetro e que o deus pudesse usufruir de seu mais novo presente, mas não pode deixar de notar que o príncipe estava estranho. Estava começando, nada o pararia agora.

(...)

Sexta-Feira não pode ouvir e em gravar o áudio do que aconteceu em seguida, ela apenas conseguiu assistir e filmar o que ocorria naquele cômodo. A inteligência artificial viu a expressão de sua atual mentora mudar para a de um completo estranho, viu a ganancia e a cobiça brilharem nos olhos do deus, viu que a mulher passou a olha-lo como se não o conhecesse e que não acreditava na lâmina que vinha em sua direção, ela filmou o sangue e a suposta gargalhada daquele que o causou, assim como o chute que a gênia recebeu em troca do que tanto se sacrificou para construir, se possuísse sentimentos teria se desesperado pelo ar perdido que tomou a mais nova quando aquele que considerava seu amigo saiu pela janela usando a armadura que havia ganhado e ela apenas permaneceu no tapete sujo do liquido escarlate em que estava, esperando sua ferida se cicatrizar enquanto olhava para onde o outro havia ido como se já esperasse que aquilo fosse acontecer, embora doesse cada fibra do corpo dela a traição era óbvia e não teve a reação nenhuma quando finalmente aconteceu.