Enquanto os homens discutiam sobre o plano de fuga e o que fariam para que Narcissa não fosse sequestrada por Lucius e as crianças permanecessem em segurança, ela olhava para a rua. Estava tão absorta em seus próprios pensamentos, que se mantinha alheia a discussão acirrada que se estabelecera na sala. Aquele era um dia estranho... embora o céu estivesse azul, dando uma coloração interessante ao cenário tomado pela neve e pelas árvores mortas pelo frio do inverno, algo anunciava um horizonte obscuro, que poderia ser observado por alguém mais atento.

A loira refletia em como seria viajar fundo para aquela escuridão, fosse através das linhas que se desenhavam ou, quem sabe, por seus sonhos ocultos. Sorriu triste ao lembrar que tudo o que mais queria era apenas uma pequena sala, com seu chão vazio e limpo, onde as crianças pudessem correr e rir em seu mundo de ilusões. Ao considerar o quanto isso era distante e difícil, secou as lágrimas que lavavam o seu rosto e denunciavam o seu coração partido, cego pela dor da perda... mas, seria forte e seguiria em frente, mais uma vez. Antes que prosseguisse sendo soterrada por um misto de culpa e tristeza, a voz de Sirius a tirou do seu transe:

- Cissa, nós vamos arrumar as nossas coisas para partirmos agora – disse lhe lançando um olhar esperançoso tentando encorajá-la. Entretanto, a bruxa o fitou e nada disse por um tempo, como se analisasse e estivesse ponderando todas as possibilidades em torno da proposta.

- Eu vou ao enterro da minha mãe! Depois, eu faço o que quiser – Narcissa estava decidida que aquilo era o melhor a ser feito e ninguém a faria mudar de opinião.

- Não permito que saia dessa casa sozinha! – foi em direção à esposa, segurando pelos braços para impedi-la de realizar esse ato impensado. O que mais o assustava era o seu semblante soturno, como se já esperasse o pior e não tivesse forças para lutar.

- Lucius me quer, Sirius. Se eu não aparecer lá, será pior para todos nós. Então, peço que deixe de ser irracional – se soltou lhe dando as costas. Ao se virar para os outros, perguntou a respeito do que haviam esquematizado para a partida e se existia um modo de modificar alguns pontos para que a sua vontade fosse atendida.

- Cissa... refazendo toda a estratégia, você pode ir comigo e o Snape para o enterro da tia Druella. Remus irá até a Travessa do Tranco, nesse meio tempo, para ver o que consegue com o Mundungus - Regulus respirou fundo reavaliando as possibilidades, para que nenhum detalhe passasse desapercebidamente, e prosseguiu com as suas considerações:

- Você sabe, prima, que temos residências suficientes pelo mundo... todas devidamente não registradas no Ministério, para estes casos em que temos de nos esconder.

- E as crianças? – franziu o cenho preocupada com o que seria dos seus pequenos com ela longe de casa. Por mais que confiasse no marido, não o considerava a pessoa mais adequada para ficar responsável por seis crianças durante um tempo indeterminado.

- Elas vão ficar com o Sirius, obviamente. Ele não é pai de enfeite e se ainda não aprendeu a ser maduro e ajuizado, vai fazer isso hoje por obrigação - respondeu olhando para Severus já o inquirindo:

- Você trouxe o Polissuco?

- Sim... embora, eu sempre tenha pensado que a sua família possuía um estoque particular em casa dessa poção. Porém, com a presença de animais circulando livremente nos cômodos, poderiam ter se partido – a expressão de tédio, enquanto falava calmamente, analisando o nervosismo da amiga atentamente. A conhecia o suficiente para perceber o quanto estava angustiada, mesmo que tentasse não demonstrar através de uma postura rígida que transmitia confiança.

- Ótimo! Quando a Cissa estiver para vir comigo, por alguns instantes despistamos o Malfoy, e, você toma a poção. Desta maneira, ele vai achar que ela ainda está lá – concluiu muito seguro do que tramara.

- Tem um problema aí, irmão... o Malfoy careceria ser muito idiota e, no mínimo estar bêbado, para acreditar que o Ranhoso é a Cissa. Nem com Polissuco isso é possível! – sacudia a cabeça mostrando todo o descontentamento diante daquela situação. Seguiu esbravejando toda a sua insatisfação por não ser ele o escolhido para realizar a tarefa:

- Além disso, se ver vocês dois entrando no mato com a Cissa e, depois, ela retornando sozinha... ficará desconfiado que estão maquinando algo ou vai achar que ficaram trepando lá.

- O mesmo vocabulário medíocre de sempre, Black. Todavia, me sensibilizo com o seu sofrimento de não estar no lugar do seu irmão, no caso hipotético relatado – implicou erguendo uma das sobrancelhas como um ato de clara provocação ao outro.

- Vai começar tudo novamente... – Remus murmurou derrotado já prevendo o início de uma nova discussão sem qualquer fundamento ali. De fato, isso não demorou muito para ocorrer, quando Sirius recomeçou a falar:

- Não sou eu o ofendido aqui... aliás, quem tem fama de virgem é você, não eu, seu idiota! Seu desdém, ao que eu disse, apenas afirma que sofre de falta de sexo crônica – riu abertamente.

- Quer tirar a prova? Eu não sou nada favorável a zoofilia e, você, não é alguém atraente – o encarou antes de prosseguir o desafiando:

- Garanto que eu posso ter companhias bem mais prazeirosas e que viriam de bom grado para a minha cama. Até porque já o fizeram antes e não tem o que reclamar - ironizou sem desviar os olhos dos outro que começava a se enfurecer.

- Ora, Seboso... quer me convencer agora que se tornou o homem do pau de ouro? – debochou vendo a expressão de nojo estampada no rosto de Severus. Por outro lado, o bruxo de cabelos pretos se satisfazia em ver o outro perdendo a cabeça e o atacando com palavras de baixo calão diante de todos.

- Pulguento, quem está com ciúmes ou temendo a falta de algo, é você. Estou começando a imaginar que a Cissa o deixará bem mais que um mês ou dois fora do quarto – foi se aproximando dela, que o olhava com raiva, para dizer baixinho no seu ouvido:

- Quando as coisas se tornarem difíceis, saiba que eu estarei ao seu lado lutando para que se saia bem... e se o Lucius tocar em você, eu vou castrá-lo – ao ver que a bruxa deu um meio sorriso, se virou em direção aos outros, em voz alta perguntando se alguém vira onde Nymphadora e Delphine foram com a cesta.

- A Dora é quem a carregava quando foram para o quarto ver os outros – o homem de cabelos castanho claro retorquiu no canta da sala, onde permanecera desde que haviam retornado para lá.

- Você anda muito bem informado sobre a minha irmãzinha inocente! Lembre-se que ela só tem 15 anos, lobo tarado! – sibilou para ele que ficou com um semblante confuso.

- O que é isso? Eu só vi que foi ela quem levava! Como... como é que pode imaginar uma coisa dessas? – tentava argumentar. No fundo, estava apavorado, não pela ameaça, mas, com o significado implícito no que havia sido sugerido antes dela.

- Eu não estou afirmando nada! Somente já dou um claro aviso que se você farejar o cabelo dela, estará morto e eu farei um ensopado de lobisomem – advertiu acintosamente para deixar inequívoca a sua intenção.

- Severus, o que é isso? Remus só respondeu ao seu questionamento. Pare de insultar os outros – Narcissa enfatizou o presenteando com um tapa de repreensão no braço, para que não provocasse mais os outros gratuitamente.

- Eu não fiz nada, Cissa! – a fitou tentando transparecer uma aparência inocente e incompreensão diante da sua atitude.

- Não tente me convencer de que possui virtuosismo, porque esse não é o seu forte, Sevie – sorriu batendo mais algumas vezes nele que segurava o riso. Ambos foram interrompidos pela voz de Sirius, que acercava os dois, dando um tapa forte no ombro do bruxo:

- Vai sonhando que eles nunca transaram, Snape... as mulheres e os homens da família Black não chegam aos 18 anos virgens - afirmou triunfante, vendo a carranca do outro.

- Claro que haverá a exceção das minhas filhas, embora façam jus ao sangue que carregam e sejam muito bonitas, duvido que existirá algum suicida que vá querer namorar com uma delas. Além disso, elas já sabem que só poderão se relacionar após completarem 30 anos – sua fisionomia ao dizer aquilo era de satisfação e a esposa o olhava como se estivesse vendo um perfeito idiota a sua frente, soltando um suspiro pesado. Remus, nesse meio tempo, só negava com a cabeça e com as mãos, tentando entender como ele foi envolvido, de uma hora para outra, naquela confusão toda. Sobretudo, depois que notou que o mestre em Poções estava prestes a explodir em um acesso de raiva.

- Snape, eu não falo com ela direito! Sirius, por Merlin, retire isso... ela é praticamente uma criança ainda – falava apreensivo, percebendo que Narcissa segurava forte o braço do outro que se mostrava disposto a agredi-lo.

- Sevie, vem comigo! Eu preciso conversar com você a sós – o puxou para longe da sala para barrar aquela agitação toda que, se não fosse detida, descambaria em um conflito.

- Ranhoso, a minha linda esposa te dará a notícia agora, tenho certeza! – sorriu satisfeito que, depois de inúmeras tentativas, conseguira tirá-lo do sério.

- Qual? – perguntou com o ódio estampado não apenas no seu rosto, como também nos gestos.

- A sua querida irmãzinha está grávida, não sabia? Isso é muito normal nos dias atuais! Não que eu apoie... longe de mim. Contudo, essas meninas são difíceis de controlar – continuou com um sorriso largo, ao mesmo tempo em que Severus bufava de raiva. Isso fez com que a loira soltasse o amigo e fosse em direção ao marido, o segurando pelo queixo, sussurrando:

- Sirius Black, você se arrependerá amargamente dessas palavras! Principalmente, por não respeitar nem um pouco a sua própria sobrinha. Caso queira saber, para o seu governo, é muito costumeiro que mulheres façam greve de sexo.

- Eu... eu estava brincando, minha bruxa bonita – gaguejou, tentando abraça-la ao notar que a deixara indignada.

- É mesmo? Porque eu não estou... são dois meses de sofá a partir de hoje! – disse o empurrando e puxando o bruxo de olhos de ônix para ir com ela. Ao chegarem no outro cômodo, o inquiriu sobre o que tinha de tão importante na cesta, que o deixava tão preocupado com a sua localização e bem-estar.

- Nada demais, na verdade. Eu apenas comprei um gato meio amasso para dar de presente à Hermione. Coloquei junto a ele um bilhete dizendo que eu espero que ela goste e que seja um amigo quando se sentir solitária. Lembro que a Bella possuía um bicho demoníaco quando entrara na adolescência – se mantinha sério enquanto falava, recordando do animal em questão.

- Você fala do Mr. Scarecrow? – o questionou coçando a cabeça com um ar de dúvida presente.

- Sim, dele mesmo, por quê? – a indagou alterando a sua expressão para a de clara curiosidade com relação a pergunta.

- Foi o Lorde das Trevas que deu à minha irmã aquele gato cinza. Depois, ele pediu, como prova de amor e devoção, que ela o matasse – Narcissa ficou séria olhando para o nada.

- Pobre gato... eu jamais faria ou pediria uma coisa dessas. É um modo cruel de subjugar alguém. Fico enojado de pensar em uma dominação desse gênero sobre outra pessoa – argumentou tentando entender o que a bruxa queria dizer com aquilo.

- Sei que não faria. Só não compreendo quais os motivos levaram a lembrar dele... – o encarou como se esperasse uma resposta para algo que não fora dito.

- Não foi exatamente do Mr. Scarecrow que eu pensei... – sua explicação foi interrompida por batidas na porta.

Ao encerrarem o assunto e seguiram para fazer o que cada fora determinado. Sirius ficou com as crianças em casa; Regulus e Severus acompanharam Narcissa ao velório e, se possível, no enterro; e, Remus seguiu para a Travessa do Tranco. Após encontrar quem procurava, não foi difícil conseguir uma chave de portal contrabandeada. Assim, saiu mais rápido do que pensava, indo também para o funeral.

Ao chegarem lá, juntos, pois Regulus acabou tendo que passar em casa para pegar um objeto importante, encontraram Andrômeda sentada próxima ao caixão. Mal se estabelecera ao lado da irmã, para conversar um pouco e se consolarem mutuamente, as duas ouviram uma voz familiar gritando por elas. Narcissa pôs a mão no rosto derrotada... Bellatrix parecia ainda mais insana do que sempre fora e sua postura era a de quem entrava em uma festa.

- Olá dupla! Que tristeza estamos vivendo hoje, com a morte da nossa mãe. Por sorte, esses aurores adoráveis e muito gentis, me prometeram que vão falar pessoalmente com aquele Ministro imbecil. Vão relatar o quanto a minha conduta foi exemplar e pedirão que eu possa passar os finais de semana longe de Azkaban! – sorriu muito orgulhosa de si mesma. A loira gelou a encarando, algo lhe dizia que as notícias não seriam nada boas.

- Adivinha, Cissa! Qual será o primeiro lugar que eu vou querer visitar? – perguntou animada sacudindo os ombros. Vendo que a outra se mantinha em silêncio a olhando com um semblante decepcionado, não se deu por vencida e continuou:

- Sei que não quer estragar a surpresa, porém... serei bem desagradável, amor! Eu vou para a sua casa – soltou uma gargalhada aberta.

- Claro, Bella. Eu vou adorar recebê-la na minha residência. Será sempre muito bem-vinda lá. Entretanto, você pode visitar a Andy também... – abriu um sorriso educado, ao mesmo tempo que olhava para o lado, como se procurasse ajuda da outra que permanecia em silêncio. Notava que ela bufava, tentando controlar a respiração para não se envolver na conversa e acabar xingando a outra pela falta de sensibilidade e controle.

- Verdade... contudo, onde mora é mais divertido – seu olhar deixou transparecer o que tinha em mente.

- Porque acha isso? – permanecia paciente por ver o quanto a irmã estava perturbada e não adiantaria puxar uma briga desnecessária. Ainda mais, naquela situação.

- Ora, por qual motivo? Narcissa, francamente! Você sabe, tão bem quanto eu, que nada me deixa mais feliz do que infernizar a vida do meu querido Sirius – se balançava de um lado ao outro, como se estivesse em uma espécie de dança, expondo toda a felicidade que experimentava apenas com aquela ideia.

- Bella, eu sinto muito... ele não está na minha casa. Na verdade, sequer tenho ideia de onde o meu marido se encontra no momento. Porque não senta aqui conosco? Não precisa ficar de pé – inquiriu calmamente notando a oportunidade de mudar o foco do assunto e tentar acalma-la um pouco.

- Nosso priminho querido não voltou para a esposa dele? Se aquele cachorro no cio não foi atrás de você, que é apenas a mulher com quem ele casou, deve ter achado uma puta na Travessa do Tranco. Nunca me enganou aquele canalha! – se irritou com aquela notícia e sua expressão ficou dura.

- Bellatrix, respeite o lugar que nós estamos! Pelo menos, uma vez na sua vida, fique com a maldita boca fechada! – esbravejou a outra que, até então, ficara em silêncio, já entrando no assunto rispidamente. Já perdera completamente a calma com todo aquele escândalo e não aguentava mais ouvir a voz da morena.

- Olha quem apareceu?! Andrômeda, vai se foder e, se está incomodada com a minha presença, vá embora. Esse seu ataque só me comprova como conseguiu casar com o Rodolphus... dois chatos! – gritou de volta.

- É preferível ter fama de desagradável do que a sua que é de puta! Tome vergonha e honre o sobrenome dos Black. Tenha respeito por quem está sentindo, realmente, a perda – berrou indo em direção à Bella que a encarava com um sorriso debochado.

- Eu também amo você, Andy! Mesmo quando age assim comigo... uma vadia sem coração que finge não me adorar – lançou para a irmã, ainda furiosa, um beijo. Ao ver que só se encontravam as duas ali e, Regulus, mais adiante conversando com Severus, franziu o cenho e começou a morder o lábio inferior.

- Onde estão as minhas filhas? – perguntou nervosa olhando para os lados.

- Elas ficaram em casa. Eu acho que as crianças ainda são muito pequenas para virem aqui – respondeu Narcissa calmamente.

- Que ótimo! A única oportunidade, em anos, que eu tenho de ver as minhas três cópias perfeitas... sinceramente, vocês duas são verdadeiras vagabundas presunçosas – cruzou os braços junto ao peito e ficou emburrada, como se tivessem se negado a lhe entregar os brinquedos que ela esperava ganhar no Natal.

- Exatamente e, você, quer parecer a mãe mais preocupada e zelosa do mundo – retorquiu a bruxa de cabelos castanhos sem qualquer sombra de tranquilidade.

- É... eu não sou igual a você, irmãzinha! Fiz três lindas meninas, porque na hora da produção, os dois lados estavam ali por gosto. No seu caso, saiu aquela esquisita que você chama de filha – ironizou e prosseguiu:

- A ninhada de cachorrinhos da Cissa deve ser bonitinha. Eu odeio o Sirius, entretanto, confesso que reconheço que ele sabe como confeccionar crianças bonitas – via que a irmã respirava fundo para não responder, uma vez que, acabaria ofendendo uma criança gratuitamente.

Aproveitando a discussão entre as três, Lucius foi se aproximando sorrateiramente delas. Por mais que disfarçasse, estava sendo monitorado por Severus e Regulus, que o observavam seus passos e atitudes atentamente.

- Boa tarde, família! Vejo que aqui ninguém está sofrendo. Particularmente, acho que as lindas moças se uniram para matar os pais e, deste jeito, ficar com a herança dos Black – debochou com os olhos fixos em Narcissa. As três o encaravam com um olhar de ódio tão grande que chegava a ser palpável a quem estivesse em volta.

- O que faz aqui? – perguntou a loira, dando dois passos para trás, para ficar longe do alcance dele. Mesmo se negando a exteriorizar o pânico, o medo era visível.

- Eu vim lhe dizer o quanto sinto que tenha ficado órfã, minha querida. Há quanto tempo não nos vemos, Cissa? 6 anos? 8 anos? Estou com tanta saudade de ver o nosso lindo filho! Aliás, você me roubou a Luna, não é? – semicerrou os olhos mantendo-os nela, sem desviar a atenção.

- A Cissa não tomou nada de você. Eu entreguei a minha filha para que ela criasse. Não confio em você perto de uma criança, seu bastardo de merda! – Bellatrix se levantou quase que em um salto e parou na frente do loiro. Não se importando com o fato de que ele fosse mais alto e, ela estivesse desarmada, o desafiou. Se nunca temeu o Lorde das Trevas não se acovardaria diante de alguém como aquele homem.

- Vejam só... uma prostituta psicopata ousando me dirigir a palavra. Isso é o que eu chamo de surpreendente! Bella, você não pode decidir nada, você é apenas uma puta com graves transtornos mentais. O Ministério da Magia concorda comigo. Draco, pode até ficar com a mãe, se não for comprovado que ela está escondendo o Black. Enquanto, a Luna, ela é minha... – sorriu fazendo com que a morena entendesse bem o que aquela frase significava e avançasse sobre ele. Como não podia bater nele ou o amaldiçoar, cuspiu no seu rosto, o que o levou a levantar a mão para a esbofetear. Severus acelerou o passo, cruzando a frente de Regulus, para segurar Bellatrix que estava transtornada e evitar que o Lucius batesse nela.

- Não ouse, Malfoy! – o agarrou pelo pulso, quando a mão dele estava quase a tocando.

- Não se meta, Snape! – gritou puxando o braço, encarando o outro, se virou para Narcissa ameaçadoramente:

- Nosso assunto ainda não terminou – sibilou.

- Leve a Cissa para a minha casa, Regulus... eu a deixarei com o seu irmão depois. Vá para a residência deles, o avise onde ela estará. Depois, leve a Delphine e a Nymphadora de volta à escola – Severus sussurrou para o outro, vendo que a confusão já estava formada. Com isso, controlou Bellatrix a detendo, impedindo que fizesse alguma besteira. Com a morena se debatendo às suas costas, passou a xingá-lo.

- Não encosta em mim, Severus! Você não é melhor do que o Lucius e eu espero que esteja bem longe da minha filha! - se desvencilhou o empurrando.

- Você é louca! Eu não a vejo há anos e jamais me aproximaria de uma criança desse jeito, Bellatrix! Nunca mais me compare com ele - gritou a apertando pelos ombros e afastando a bruxa com força para sair logo dali. Estava suficientemente irado e prestes a cometer algum tipo de estupidez quando ouviu que a discussão entre Andrômeda e Lucius estava acirrada.

- Quem você pensa que é, Lucius? Chega aqui, depois de ter assassinado a minha mãe e ameaça as minhas irmãs! – Andrômeda pôs a varinha no pescoço dele com um olhar homicida e manteve as ameaças falando em voz baixa:

- Só me dê um motivo, apenas um, para que eu te mate aqui mesmo.

- Você vai para Azkaban e eu posso brincar com a vadiazinha da sua filha também, adorável Andrômeda – ele sorriu antes de receber um soco no meio do rosto e ouvir a voz de Severus:

- Nunca mais ameace encostar um dedo nela! Tente chegar perto da Nymphadora para ver o que eu faço com você, seu bosta – ao concluir se afastou seguindo Regulus e Narcissa que iam mais à frente. Antes de sumir das vistas de todos, ainda teve tempo de perceber que os insultos eram tanto que já ultrapassavam todos os limites do aceitável em uma briga.