Desejo a todos vocês um Feliz Natal! Que seja um dia lindo e especial para todos vocês. S2.
Playlist: Under Attack – ABBA
Todos os personagens pertencem a Stephanie Meyer.
PS: Essa fanfic também estava sendo postada, paralelamente, no site Spirit Fanfics, onde eu tenho uma conta com o mesmo pseudônimo e mesmo e-mail de contato. Por isso, não é uma cópia. Eu mesma a estou publicando, ao mesmo tempo, em dois lugares diferentes.
A Herdeira
Capítulo 21 – Under Attack
- Bella, é sério, você tem que parar com isso.
Nervosa,de costas para Alice, Bella continuou a supervisionar enquanto alguns homens organizavam, em fileiras, cadeiras brancas em uma das extremidades do grande salão em que o casamento aconteceria. Era realmente um milagre que aquele salão estivesse vago tão perto do natal. Agora faltavam 05 dias para o casamento e tudo estava correndo muito bem, para sua enorme felicidade.
- Bella... – Alice grunhiu atrás dela, totalmente impaciente.
- Parar com o quê? – Bella murmurou, amuada, até que Alice agarrou seu ombro e a virou para ela.
- Parar de se esconder do Edward! – Alice rolou os olhos – Esme me disse que viria aqui hoje para supervisionar a montagem da estrutura e de repente é você que me aparece aqui? Até parece que eu não sei que você fez isso para fugir de Edward.
- Não foi para fugir... – Bella se defendeu estupidamente – Eu... Eu só queria ter certeza de que organizaram as cadeiras do jeito que Esme queria.
- É claro. Ótima estratégia. - Alice desdenhou - Vir aqui, ao invés de deixar ela mesma ver pessoalmente se gosta ou não. – sua amiga rolou os olhos novamente –Quer dizer então que você não está evitando encontrar com Edward e que encararia ele agora com toda a tranquilidade, certo?
- É claro... – Bella deu um sorriso nervoso.
- Então, ótimo. – Alice deu de ombros e então acenou para alguém atrás de Bella – Oi, Edward.
Estremecendo, Bella olhou por cima do ombro, o desespero a tomando ao saber que ele estava por perto... Só que não havia nada.
Irritada, ela olhou feio para Alice, que a encarava com uma expressão de superioridade. Antes que ela pudesse reclamar, um dos trabalhadores se aproximou dela com um pequeno maço de papéis agrupados em uma prancheta.
- Com licença, Stra. Swan, poderia assinar aqui, por favor?
- Claro. – ela suspirou, pegando a prancheta – Sobre o que isso é?
- É só um termo de responsabilidade pelos espelhos belgas da segunda área do salão, onde estamos colocando a mesa do jantar.
Acenando com a cabeça, ela leu rápida e distraidamente o conteúdo dos papéis, apenas para conferir se estava tudo me ordem. E estava tudo perfeitamente aceitável, até que seus olhos pousaram em um valor no final de um dos documentos que a fez engasgar.
- Que... Que valor é esse aqui? – ela gaguejou, mostrando para o homem a quantia exorbitante mencionada no papel.
- Isso? Oh, é apenas o valor total do aluguel. Sabe, com as taxas extras pelo hotel ter tido que desmarcar o outro evento para poder aceitar o seu.
- Desmarcar? – ela exclamou – Não foi uma vaga que surgiu por acaso?
- Que acaso, dona. – o homem riu – Tem sorte de ainda terem deixado vocês pagarem mais caro para conseguir esse lugar. Foi a primeira vez que eu os vi fazer isso. Mas por esse excedente, eu desmarcaria qualquer coisa também. Aliás, pode assinar? – ele a apressou quando ela permaneceu paralisada – Temos que descarregar aquelas mesas.
Ainda chocada, ela assinou seu nome de maneira automática e devolveu a prancheta para o homem. Enquanto esse se afastava, ela finalmente foi capaz de reencontrar sua voz.
- Eu... Eu não acredito que Edward pagou tudo isso por esse salão! – ela se desesperou, perplexa – Isso é loucura! Aquilo é uma fortuna!
- Oh, e eu me pergunto porque ele fez isso... – Alice balançou as sobrancelhas sugestivamente, enquanto verificava o esmalte de suas unhas.
- O que você quer dizer? – ela virou-se para ela, confusa.
- Oh, vamos lá, Bella – sua melhor amiga revirou os olhos, impaciente – Ele é um cara com grana e que viu a garota por quem estava apaixonado chorar por não conseguir um lugar. Dois mais dois são...
- Acha que foi por mim? – ela arfou, mais chocada do que nunca – Isso é impossível! Foi por causa de Esme. Ele a considera uma mãe, lembra?
- Não estou dizendo que ele também não pensou nela. – Alice simplesmente deu de ombros, nem um pouco abalada por sua explicação perfeitamente plausível – Só estou dizendo que também não podemos tirar você da equação, especialmente depois de tudo o que aconteceu...
- Isso é ridículo. – Bella negou veementemente.
- Sim, sim, claro... Se engane o quanto quiser. Aliás... Sobre o que estávamos falando mesmo? – Alice fingiu pensar – Oh, sim. Sobre você estar evitando Edward como se ele fosse a peste negra, desde que ele se declarou para você.
- Está bem, Alice. – Bella grunhiu, derrotada – Estou evitando ele. Feliz?
- Não. Só vou ficar feliz quando você parar com isso. – Alice ergueu uma sobrancelha, empertigada – Essa não é a Bella que eu conheço! A Bella que eu conheço já teria resolvido isso há muito tempo!
- Esse é o problema! – ela admitiu, nervosa, balançando a cabeça desorientadamente – Eu não sei o que fazer ou o que falar para ele, Alice. Não tenho um plano para como resolver isso e me sinto completamente perdida. – ela apoiou as mãos na cabeça – Parece que isso está se tornando meu estado constante.
- Mas o que você quer fazer?
- Você não me ouviu? – Bella exclamou – Eu não sei o que fazer!
- Bella, você mesma disse que ele não forçou você a nada e que está agindo normalmente com você desde então. – Alice deu de ombros –Então, relaxe. Só vá até ele e diga que sente muito por não poder retribuir os sentimentos dele... – ela a olhou com um sorrisinho malicioso – Porque é isso o que você quer... Não é?
Bella engoliu em seco – Hã... Eu acho que já está tudo bem por aqui. – ela acenou ao redor, gaguejando – Acho que já posso voltar e dizer a Esme que está tudo bem. – ela sorriu nervosamente e começou a andar em direção à saída – Até mais tarde.
- Bella...! – Alice a chamou ao longe, frustrada – Uma hora você vai ter que enfrentar isso, sabia? Basta admitir o que você quer. – a cada palavra de sua melhor amiga, ela andou mais rápido até a saída, deixando sua voz para trás, fugindo como se o fogo do inferno estivesse prestes a consumi-la.
Uma vez dentro do táxi, Bella suspirou pesadamente e se recostou no banco de trás, desconsolada. Não estava sendo exagerada quando dissera à Alice que não sabia o que fazer. Era a mais pura verdade. Já faziam dois dias, na verdade desde o momento em que Edward havia lhe dito aquelas três palavras que ela jamais imaginara que ouviria de um homem, especialmente dele, ela havia virado um amontoado de dúvidas e incertezas. Ela também odiava como se sentia covarde por evitá-lo tão intensamente durante aqueles dois dias, mas ela não podia simplesmente ir até ele e dizer o que Alice tinha lhe dito.
Ela sabia que não era capaz de olhar Edward nos olhos e dizer-lhe que nada nunca poderia acontecer entre os dois e que ela sentia muito por não retribuir seus sentimentos. A única coisa que ela não sabia era porque não conseguiria fazer isso. Será que ela tinha medo de perder a amizade dele? Isso era ridículo, porque ele mesmo havia dito que queria permanecer seu amigo independente de qualquer coisa. Mas como ela poderia simplesmente sentar ao lado dele novamente sabendo que havia partido seu coração?
E porque ela sentia seu próprio coração se partindo ao pensar nisso?
Era diferente da sensação de decepcionar ou magoar suas mães ou Alice. Era uma agonia que ardia dentro dela por simplesmente pensar na tristeza dele...A fazia ter vontade de abraçá-lo apenas por imaginar seu rosto abatido, semelhante ao que sentira no dia da tempestade, quando ele lhe contara sobre Elizabeth... O dia de seu primeiro beijo...
Era por isso que ela não chegava a nenhuma solução! Sempre que se propunha a pensar sobre isso, sua mente se perdia por caminhos aleatórios e perturbadores – e, embaraçosamente, também sensuais - que apenas a confundiam e assustavam ainda mais. Quer dizer, afinal, por que ela simplesmente não conseguia dizer a Edward que realmente não retribuía seus sentimentos e que queria que eles continuassem amigos? Porque ela não podia apenas ignorar o que ele dissera e simplesmente agir como se nada tivesse acontecido?
Com um suspiro exausto, ela fez a única coisa que podia fazer naquele momento: deixou novamente seus pensamentos de lado e saiu do táxi assim que ele estacionou na frente do hotel. Mesmo se sentindo ridícula, ela entrou cautelosamente, olhando para todas as direções antes de avançar cautelosamente pelos corredores. Todo aquele pavor irracional de encontrar com Edward a estava deixando louca, mas ela temia profundamente o que poderia acabar dizendo a ele quando finalmente conversassem sobre sua declaração. Justamente porque não sabia o que diria.
Ao entrar no corredor dos quartos e verificar que a área estava totalmente segura, ela bateu suavemente na porta de Esme, querendo lhe avisar que faltava pouco para a estrutura estar completamente pronta.
- Pode entrar. – ela ouviu a voz suave de sua mãe e fez exatamente o que ela permitira.
Esme estava sentada na porta da cama, com o que parecia ser um álbum de fotografias aberto em seu colo, e sorriu ao vê-la.
- Olá, querida. - cumprimentando-a, ela deu alguns tapinhas no espaço ao seu lado, sinalizando para Bella sentar-se.
- Oi, mãe. – Bella sorriu, sentando-se no colchão macio – Eu vim avisar que as cadeiras já estão sendo colocadas e o arco e os vasos já estão no lugar. Agora falta pouco.
- Isso é uma ótimo notícia. – o rosto de Esme se iluminou – Sabe, ainda mal posso acreditar que isso está verdadeiramente acontecendo. Ainda parece um sonho. – seus olhos se desviaram para o álbum de fotos em seu colo, atraindo a atenção de Bella para lá também – Eu fico olhando essas recordações e pensando... Como eu tinha perdido completamente a esperança de encontrar uma felicidade como essa. – ela suspirou e depois riu um pouco – Eu estava colocando algumas fotos da sua infância nele. Quer olhar comigo?
- Claro. – ela sorriu– De quê é esse álbum?
- Algumas da minhas lembranças mais importantes. Assim, sempre que eu estou triste, eu olho ele. – ela contou, voltando para a primeira página.
- Você estava se sentindo triste hoje? – Bella perguntou, preocupada.
- Apenas um pouco. Meus pensamentos sempre acabam parando na minha... Em Marie durante alguma parte do dia e tenho percebido que isso não me faz bem. – Esme confessou com um suspiro, tomando-lhe a mão e apertando-a – Mas então peguei meu álbum e comecei a me sentir grata por tudo o que consegui até agora, apesar de todo o que aconteceu. Por exemplo... – ela apontou para a primeira foto em que, numa praia muito semelhante à Ilha Esme, uma garotinha de cabelos cor de caramelo e olhos verdes estava ao lado de uma versão um pouco mais velha e muito mais séria de Bella – Essas somos eu e mamãe no dia do meu aniversário de 06 anos, quando ela comprou San Pedro. Antônio estava tirando a foto. – um sorriso melancólico surgiu em seu rosto –Eu nunca vou conseguir perdoá-la verdadeiramente... Mas ainda sim, é um momento especial para mim.
Ela virou a página para revelar várias fotos que ela sabia serem de duas décadas atrás, já que mostravam os jovens Esme e Carlisle em diversas situações: sentados juntos em uma praia, abraçados, beijando-se em uma noite de luar e, por fim, dançando no que parecia um grande pátio.
- Minhas amigas do colégio tiraram essas fotos. – Esme riu – Elas sempre me acobertavam para que eu pudesse me encontrar com ele. – ela virou a páginas, mostrando várias fotos dos dois, só que agora separados, mas sempre sorrindo para a câmera – E essas são algumas fotos que tiramos um do outro.
- Infelizmente não pudemos tirar muitas fotos juntos quando éramos jovens. – ela explicou – Mas eu amo essas com todo o meu coração. E agora... – ela deu um sorriso resplandescente – Vem a sessão do Edward. – ela virou a página e os olhos de Bella se arregalaram de encantamento.
Em uma foto enorme que pegava toda a página do álbum, estava um garotinho de cabelos ruivos e grandes e assustados olhos verdes, olhando para a câmera nervosamente. Ele vestia um pequeno terno cinza-claro e a boa qualidade da foto a permitiu ver que suas bochechas cobertas com pequenas sardas estavam profundamente coradas.
Edward era absolutamente adorável quando era criança.
E agora ele retornara a sua mente novamente... Ótimo.
- Essa foto foi tirada no dia do meu casamento com Edgar. – Esme explicou com um sorriso doce – Ele ainda estava um pouco inseguro sobre mim naquela época, mas eu já estava encantada por esse pequeno príncipe. – ela deu uma risadinha, acariciando a bochecha da foto quase como se fosse a criança de verdade – No minuto em que o vi pela primeira vez, eu sabia que seria a mãe dele. E agradeço aos céus todos os dias por ter tornado ele meu segundo bebê. Pude dar a ele todo o amor que gostaria de ter dado a você.Não sei como teria sobrevivido àquela época se ele não estivesse ao meu lado. – ela suspirou.
- Me mostre mais. – Bella pediu, tanto porque queria tirar aquela expressão sombria do rosto da mãe, como também, por mais que aquilo a fizesse se sentir uma boba, porque queria ver mais da infância de Edward.
- Sim, claro. – Esme balançou a cabeça suavemente, parecendo querer retirar aquele pensamento da cabeça, e virou novamente a página. Havia diversas fotos de Edward em idades entre os 07 e os 12 anos, em todas elas ele usava óculos e parecia sempre tímido quando olhava diretamente para a câmera, mas risonho e feliz quando se tratava de uma imagem que parecia mais espontânea.
As próximas páginas estavam recheadas de fotos dele: em apresentações escolares, festas de aniversário, brincando com os amigos ou simplesmente olhando nervosamente para a câmera, ele sempre parecia um garoto fofo e doce. Já as páginas seguintes eram dedicadas à sua adolescência, o que significava que ela o viu de aparelho e parecendo desconfortável em sua óbvia fase de crescimento. Ela teve que segurar o riso ao ver uma foto em que ele devia ter cerca de 15 anos e seus cabelos estavam longos, tocando em seus ombros, em uma espécie de mullet muito bagunçado.
- Ele já teve cabelos longos? – ela não pôde resistir a comentar, tentando disfarçar o ronco da gargalhada.
- Sim. – Esme fez um beicinho – Ele ficava muito bonito. Não sei porque ele abandonou aquele penteado tão rápido.
Só uma mãe pensaria isso desse penteado, ela pensou, à beira de uma crise de risos. Mordendo forte a parte de dentro das bochechas para não gargalhar, Bella virou a página ela mesma, se deparando com fotos que mostravam-no na época da faculdade, já parecendo o Edward que ela conhecia, com a figura alta e imponente bem desenvolvida, mas ainda sim com uma expressão suave e simpática.
Foi durante as próximas viradas de páginas que seus olhos não puderam evitar de cair em uma foto em que o jovem Edward, com um enorme e eufórico sorriso, estava ao lado de uma mulher que era simplesmente linda. Não havia outra palavra para descrevê-la que não essa. Seus longos e ondulados cabelos ruivos desciam até sua cintura em uma cascata. Sua pele era clara e os olhos azuis eram límpidos como o céu em um dia de verão. Sua maquiagem acentuada os traços do rosto e os lábios cheios. Ela tinha um sorriso misterioso e uma expressão serena, que a fez lembrar das modelos das revistas de moda de Alice.
E ela não precisava de uma segunda pista para saber que aquela era Victoria.
- Oh. – Esme grunhiu suavemente e seu rosto, até então amoroso e maternal, tornasse cheio de ódio – Eu achei que tinha arrancado essa foto daqui. Tenho outras dele sozinho no dia da graduação...
- Ele conheceu Victoria antes de terminar a faculdade?– ela perguntou, tentando ignorar o aperto em seu estômago ao constatar o quão estonteante ela era.
Que mal lhe fazia a ex-namorada de Edward ser linda? Não fazia sentido aquele mal-estar em seu peito por conta disso... E porque será que nada mais estava fazendo sentido ultimamente?
- Eles se conheciam de vista e começaram a sair nessa época. Edward até mesmo comprou uma senha para ela ir na formatura... – Esme revirou os olhos - Ele a pediu em namoro mais ou menos depois de um mês que essa foto foi tirada. – ela resmungou, irritada, então parou repentinamente, parecendo ter se dado conta de algo – Espere, você sabe quem ela é?
- Edward me contou sobre Victoria e que eles começaram um relacionamento depois de que ele saiu da faculdade. – ela admitiu, um pouco envergonhada – Como ele parece mais novo nessa foto, eu achei que provavelmente era ela.
- Edward contou a você sobre Victoria... – ela sussurrou, pasma.
- Algum problema? – Bella perguntou, preocupada.
- Não, não... É só que Edward odeia falar sobre essa história... – ela a fitou intensamente, os olhos arregalados brilhando com absoluta surpresa e... deleite? Bella não conseguia entender o porquê da alegria imensa que via ali. – Me pegou de surpresa vocês dois terem conversado sobre isso. Eu sabia que estavam começando a se entender, mas não sabia que já estavam tão próximos. – ela deu um sorriso satisfeito.
- Ele realmente mudou. E você tinha razão... Nós temos muito em comum. – Bella admitiu nervosamente, torcendo que sua mãe não percebesse o rosa que começava a colorir suas bochechas ou o arrepio que fez os pelos de seu braço se erguerem, junto à batida de seu coração acelerado - Mas, enfim... Eu gostaria de ver o resto do álbum. – Inquieta, Bella forçou um sorriso e virou a página ela mesma novamente, ansiosa para mudar de assunto.
Esme a avaliou, impassível, por um minuto, com uma expressão ilegível que Bella nunca vira em seu rosto. Então, por fim, sua mãe deu um sorriso bondoso e compreensivo e voltou sua atenção para as fotos mais uma vez.
- Nessa foto, nós dois estamos na primeira festa que eu dei para comemorar que ele assumiu a empresa.
Bella observou a foto que ela apontava e percebeu imediatamente que chamar aquilo de festa era um insulto, já que o cenário que os rodeava seria mais apropriadamente descrito como um baile. Em um lindo e cintilante vestido prateado, Esme parecia exatamente a mesma, sorrindo doce e orgulhosamente para o filho. Contudo, o Edward cujo braço estava em sua cintura e sorria forçadamente para a câmera não era o mesmo que atualmente estava fazendo-a sentir-se desnorteada. O homem na foto era o velho e odioso Edward, com as feições duras e o olhar frio. Fazia tanto tempo que ela não o via daquele jeito que quase havia esquecido o quão austero e ameaçador ele parecia com aquela postura.
Nas fotos que se seguiram, ele continuava o mesmo: em grandes salões suntuosos acompanhando e dançando com Esme, ele estava congelado na postura do Grinch que ela conhecera há tempos atrás. Era engraçado como as coisas haviam mudado tão radicalmente que aquilo tudo parecia ter acontecido há anos e não apenas alguns meses.
Passando mais uma página de fotos do velho e rabugento Edward, ela se deparou com uma página repleta de fotos de sua infância, o que a fez rir.
- Suas mães me deram essas. – Esme contou, sorridente –Eu queria ter fotos suas dos momentos que perdi, para me sentir mais perto de você. – ela suspirou e virou mais algumas páginas – E aqui estão as que tirei desde que nos reencontramos.
Com um sorriso doce, Bella observou as fotos de si mesma sozinha e das duas juntas: com sua família naquele primeiro almoço, antes de Carlisle aparecer; nos jardins do Solar Masen; com Panqueca e seus sobrinhos; cantando na festa do karaokê; na inauguração e nos eventos da ONG e, finalmente, algumas delas duas em San Pedro. O álbum se encerava com uma foto dela abraçada a Carlisle e Esme, tirada logo depois do dia em que eles se reconciliaram.
- Obrigado por ter me mostrado isso. – Bella a abraçou pelos ombros – E você tinha razão: me alegrou muito ver essas fotos.
Esme a abraçou de volta enquanto suspirava – São lembranças que eu sempre vou guardar com carinho. As coisas tem se tornado difíceis ultimamente e olhar para essas fotos e ver esses momentos felizes me incentivam a seguir em frente, na esperança de conseguir mais momentos felizes com todos vocês.
- E, em breve, as fotos do casamento estarão aí.
- Com certeza. – Esme concordou –Aliás, querida, sobre isso...
Uma batida suave na porta soou apenas um segundo antes dela ser aberta e Edward aparecer, começando a falar algo, mas parando ao notar Bella congelaram no lugar por um segundo, os olhares travados, até que Esme se aproximou e puxou Edward para dentro do quarto.
- Que bom que você veio, querido. – Esme sorriu, trazendo-o para perto de Bella – Há algo que eu quero dizer.
- Oh, bem... – Bella murmurou, completamente corada pela intensidade do olhar de Edward sobre ela e do olhar que ela sabia que estava dirigindo a ele. – Eu vou deixar você a sós, então.
- Não, filha. – Esme pediu –O que eu quero dizer tem haver exatamente com vocês dois. Na verdade... Eu queria pedir uma coisa.
- É claro, mãe. – os dois disseram em uníssono, fazendo-a sorrir brilhantemente.
- Eu estou realmente feliz em finalmente saber a verdade sobre Antônio e que nós tenhamos a oportunidade de finalmente construir um relacionamento de pai e filha, sem mentiras. Mas, por mais que ele tenha me criado e eu seja muito grata a ele e o ame muito também... Não me pareceu certo que ele me levasse até o altar e e me entregasse à Carlisle... Na verdade, eu gostaria que vocês dois me levassem. Meus dois filhos, as razões da minha existência... Segurando cada um em um braço meu e me levando até o homem que eu amo. – ela deu um sorriso tímido – Vocês aceitariam?
- Oh, mamãe... – Bella chorou ao vê-la falar aquilo com tanto amor – É claro que eu aceito. – ela correu para abraçar Esme.
- E eu também, mãe. – Edward afirmou, aproximando-se das duas e beijando suavemente a atesta de Esme – Nada me faria mais feliz. Ou orgulhoso.
- Meus dois bebês... – Esme sussurrou, puxando-os para um grande abraço, digno de uma mamãe ursa – Eu amo tanto vocês...E fico tão feliz que tenham finalmente começado a se dar bem. – ela riu, acariciando o rosto de ambos, alheia ao constrangimento dos dois diante daquela frase – Assim seremos realmente uma família.
- Oh, eu tenho que falar com Carlisle sobre o vestido de noiva da mãe dele! – Esme exclamou ao se lembrar – Eu prometi a ela que o usaria, mas Alice disse que ainda precisaria fazer alguns ajustes antes do grande dia! Eu encontro com vocês lá embaixo para o jantar, está bem? – ela beijou as bochechas dos dois – Obrigado de novo por terem aceitado. Amo vocês. – ela sorriu amorosamente antes de sair pela porta.
Uma vez sozinha com Edward no quarto, Bella tentou, de maneira infrutífera, controlar a ansiedade e o nervosismo que cresciam dentro dela. Paralisada em sua tentativa de permanecer calma, ela acabou esquecendo que eles estavam em um profundo e estranho silêncio, até que Edward falou novamente.
- Bem... – ele sussurrou, inseguro – Eu acho que vou dar uma olhada se está tudo bem com as reservas dos convidados, já que eles chegam amanhã...
Ele começou a se virar, até que Bella relembrou de algo que precisava falar com ele.
- Edward... – ela o chamou suavemente, parando-o – Espere.
- Sim? – ele se virou para ela, cauteloso, mas ainda sim esperançoso.
- Eu... – ela engoliu em seco – Eu queria agradecer você... Pelo que você fez sobre o salão. Eu vi hoje o quanto teve que pagar por aquele espaço.
- O quê? – ele engasgou – Pedi que eles não contassem.
- E não contaram... Pelo menos não exatamente. – ela explicou – Eu apenas vi a papelada com os valores totais... Eu fiz algumas perguntas e me disseram sobre as taxas extras que você teve que pagar. Edward... – ela se aproximou dele – Foi muito dinheiro, mas... Eu queria agradecer por ter feito isso pelo casamento da mamãe. Eu espero que algum dia possamos retribuir você de alguma maneira...
- Não há o que retribuir. – ele a interrompeu rápida e gentilmente, com um sorriso carinhoso – E nem o que agradecer. Eu posso pagar essa quantia, então não se preocupe. Além do mais, eu não poderia deixar que uma simples quantia de dinheiro prejudicasse o casamento de Esme. – ele deu de ombros, seu olhar suave pousando no dela – E... Eu não permitiria que você continuasse tão triste daquele jeito, quando eu poderia ajudar com algo tão simples.
Ela arfou, os olhos se arregalando diante do que ele havia dito. Ele realmente fez isso por mim também?
- Bella... – ele buscou seus olhos novamente – Eu sei que perturbei você com o que eu disse naquele dia. Eu não deveria ter me declarado. – ele suspirou pesarosamente –Sinto muito por ter deixado você tão desconfortável. De verdade, Eu gostaria que você pudesse tentar fingir que isso nunca aconteceu. Sei perfeitamente que você não me vê desse jeito e eu odiaria perder a amizade que temos. Você significa muito para mim... Não apenas como... alguém pelo que eu sinto... O que eu sinto... – ele parecia estar lutando com as palavras – Mas também como uma grande amiga. Por favor, eu não quero que se afaste de mim por causa disso. Prometo que nunca mais falo sobre aquilo com você novamente e nem criarei qualquer esperança ou cobrarei você de nada, se é disso que tem medo. Apenas... Por favor, não me odeie de novo. – implorou suavemente, os olhos verdes cheios de tristeza.
Eu gosto de você apenas como amigo. Tudo vai voltar ao normal.
Por que aquelas palavras simplesmente não conseguiam sair da garganta dela? Nunca poderia acontecer nada entre os dois. Ele era o enteado de Esme. O que sua mãe pensaria se soubesse que eles estavam se beijando e... Tendo algo mais? Ela sempre falava que eles eram uma família... O que significava que ela provavelmente ficaria magoada e escandalizada em ver seus dois filhos como um casal. E ela não queria perder a amizade dele também. Ele era seu reforço: gentil, engraçado, inteligente e alguém com quem ela podia sempre contar. Ela precisava concordar com o que ele estava dizendo e concretizá-los como apenas amigos de uma vez por todas e para sempre, para que o beijo fosse esquecido e tudo pudesse voltar ao normal. Era necessário. Era inevitável. Era o certo a se fazer... Era isso o que ela queria...
Não era?
Então porque parecia tão errado dizer para ele que estava tudo bem entre os dois? Que ela não sentia nada e que eles sempre seriam apenas amigos? Que ela não o retribuía?
Sem resposta para aquelas pergunta, ela decidiu ser apenas honesta com ele.
- Eu não odeio você, Edward. – ela afirmou sinceramente – Eu apenas... Fui pega de surpresa. Uma surpresa imensa. Não sabia o que fazer ou como reagir então... Eu apenas me afastei, para evitar dizer algo idiota. – ela mordeu o lábio –Me desculpe por isso. Prometo parar de evitar você. Foi uma atitude estúpida da minha parte.
- Não. Eu não deveria ter jogado aquilo em você daquela maneira. – ele sorriu, apologético – Fui egoísta por achar que eu tinha algum direito de dizer aquilo à você. E peço desculpas. Espero realmente que possamos voltar a ser amigos.
- Nunca deixamos de ser. – ela corrigiu rapidamente.
Ele deu um daqueles sorrisos que lhe roubava o fôlego diante de sua declaração. Por um minuto, ele se aproximou dela com um olhar sonhador e voraz, que a fez ficar esperançosa e ansiosa... Ela não sabia exatamente pelo quê, mas muito esperançosa. Todavia, ele pareceu se arrepender do que estava prestes a fazer e desfez o passo que havia avançado, voltando a estar a uma distância segura e respeitosa dela, antes de sorrir.
- Obrigado, Bella. E eu também prometo que vou tentar conter e superar meus sentimentos. – ele afirmou, decidido – Nunca mais vou incomodar você com nada sobre isso. Agora, eu realmente tenho que conferir aquelas reservas... – ele riu suavemente – Nos vemos no jantar, sim? – ele assentiu para ela com um sorriso gentil, antes de também se retirar do quarto, deixando-a sozinha.
Sozinha com aquela sensação insistente de mágoa que se apoderara dela quando ele dissera que tentaria superar seus sentimentos por ela. O que era ridículo, porque não havia sentido em se sentir assim quando era óbvio que nada nunca aconteceria entre os dois. A única resposta que poderia haver para os sentimentos dele era um "não". Não havia sequer porque pensar no que aconteceria se ela retribuísse os sentimentos dele.
Uma pena que agora ela estava fantasiando sobre o que aconteceria se dissesse sim.
