A Vingança do Mestre dos Pesadelos!
? P.o.v.
Hm? O que será isso? Essa sensação...
Já fazem tantos anos... Estou cego há tanto tempo... Mas essa sensação...
Sim... Com certeza... Essa sensação que há tanto desejo, que há tanto não sinto...
Essa sensação de Trevas...
...
Normal P.o.v.
-Hum? Onde eu estou?
O murmúrio confuso e inseguro foi tão baixo que a própria garota de cabelos castanho não o ouviu em meio a sua mente ainda bagunçada. Tudo estava escuro, mas não era a mesma escuridão que lhe assombrara em pesadelos. Era uma escuridão comum, causada unicamente pela ausência de luz.
Ela tenta se mexer, mas percebe que seus braços estavam presos atrás de suas costas, impedindo que se movesse. Ela fica surpresa, no entanto, ao constatar que, estranhamente, suas pernas não tinha amarras, as movimentando livremente. Conforme os sentidos lhe voltavam, ele percebe que todo o peso do seu corpo estava sobre seu estômago, concluindo que devia estar sendo carregada. Institivamente, ela começa a se mexer, conseguindo se livrar e cair no chão, machucando um pouco a barriga e o rosto.
-Hm? – uma voz próxima parece se surpreender. Ela percebe que o dono daquela voz macia e calma se aproxima, se ajoelhando ao seu lado - Bom dia, digiescolhida. Vejo que acordou, fico feliz por isso.
-Quem... Quem está aí?
-Ah, me desculpa, deixa eu retirar isso...
Antes que pudesse reagir, ela sente algo sendo retirado com notável delicadeza de sua cabeça. Quando a luz do dia atinge seus olhos com violência, ela demora alguns segundos para conseguir focar sua visão novamente.
A sua frente, com quase dois metros de altura, se encontrava um digimon que ela nunca vira. A maior parte do corpo azul e branca, um cachecol vermelho amarrado ao redor do pescoço, o rosto coberto por uma máscara metálica. Entretanto, foi outra coisa que chamou mais ainda sua atenção: seu braço direito havia desaparecido completamente até depois do ombro, sem sequer haver algum resquício de que ele existira antes.
-Prazer, meu nome é Justimon... – após alguns segundos sem ter uma resposta, ele percebe o olhar da jovem preso no local onde deveria estar seu braço. Com a cortesia de sua voz inalterada, ele comenta de forma casual – Você deve estar preocupada com isso, né? Isso é o que eu chamo de "acidente de percurso", por assim dizer.
-Que... Que está acontecendo?
-Hum? Não lembra?
Após alguns segundos se perguntando o que ele quis dizer, as lembranças da noite anterior lhe retornam.
Flashback
"O que eu estou fazendo?"
Esse era o pensamento que ecoava frequentemente na cabeça da digiescolhida da Luz enquanto ela permanecia parada na frente daquela porta. Mesmo com o aposento selado, era como se uma aura maligna estivesse emanando dele, atravessando a fina porta de madeira por suas frestas, envolvendo a digiescolhida, sufocando-a, corrompendo-a.
Cada vez mais a dúvida a impedia de entrar, mas seu pesadelo volta com força:
- Você queria isso...
Com um súbito pico de determinação, ela agarra a maçaneta e desliza a porta.
No instante em que a visão do interior lhe atingiu, todos os outros sentidos ficam dormentes. A grande mancha vermelha na mortalha sobre o corpo de Mirato lhe hipnotiza, anestesiando todo seu corpo, mas ela ainda era capaz de sentir os pelos de seu corpo se eriçando, como se a temperatura tivesse caído.
Após alguns segundos, Kari finalmente conseguiu dar seu primeiro passo, quase caindo por não perceber o quão instáveis suas pernas estavam. Ela respirou uma, duas, três vezes, até que finalmente conseguiu recuperar o domínio sobre o corpo e se aproximar da mesa, ficando ao lado de onde estava a cabeça de Mirato.
-Eu... Eu... Não sei o que dizer... Eu... – cansada de chorar, Kari respira fundo. Ela olha para o alto por alguns segundos e depois se volta novamente para o corpo de Mirato, falando tão firme quanto podia – Eu não queria que isso acontecesse com você. Não importa a dor que você possa ter causado, o ódio que eu possa ter sentido de você, eu nunca desejaria que isso acontecesse com você. Por isso, eu sinto muito, Mirato... Sinto por você ter sofrido isso... Mas principalmente, eu queria pedir perdão! – mesmo sabendo que Mirato não a ouviria nem responderia, Kari faz uma referência e continua a falar com a cabeça abaixada – O que eu e o TK fizemos... Foi imperdoável, por isso, eu peço desculpas...
Após alguns segundos de um silêncio sinistro, absoluto, resoluto, Kari ergue a cabeça e continua a encarar o corpo de Mirato, totalmente indiferente ao pedido de perdão da digiescolhida. Ela lutava contra lágrimas que começavam a sair, mas algo interrompe sua reflexão:
-Falou bonito!
Tendo que se segurar para não gritar, Kari quase cai para trás com o susto que levara. Ela olha para a porta, lívida de terror. Ela não notara o visitante que se escondia nas sombras, falando com um tom calmo e cortês na voz.
-Eu não poderia ter dito melhor, Kari-chan!
Dando um passo pra frente, o visitante inesperado se coloca num campo de luz, permitindo que ela o visse: Justimon, seu único braço fazendo um respeitoso gesto.
-Quem... Quem é você?
-Shii... Não queremos confusão, não podemos acordar os outros, certo, "Kari-chan"?
Detrás de Justimon, outra pessoa se revela. Por um instante, Kari acredita que finalmente havia perdido a sanidade. Dando alguns tapinhas e parando ao lado de Justimon, "Kari" dá um sorriso coberto por malícia e algum grau de divertimento.
-Mas... O que...
-Parem com isso, Justimon, Metamormon! – uma voz autoritária surge do aposento anterior. O imitador e o ferido se afastam, permitindo que Kari percebesse alguém que sequer havia notado ao passar pela sala.
Descendo as escadas lentamente, calmamente, ele tinha seu corpo coberto por um sobretudo branco delimitados por listras marrons e um capuz que cobria toda sua cabeça. Ao tom de seu comando, tanto Justimon quanto Metamormon se calam, abaixando a cabeça e permitindo que ele passe, indo em direção à Kari.
"Tem algo errado... Eu não consigo me mover... Quem... Quem é ele?!".
-Não adianta tentar fugir nem gritar... Você ficará bem mais confortável se aceitar o fato de que está completa e totalmente... – quando um dos dedos do encapuzado tocam seu rosto, ela sente como se todo seu corpo adormecesse, caindo no mais profundo estado de relaxamento – Indefesa...
Antes de finalmente entrar em estado de total inconsciência, Kari percebe o encapuzado entregar algo na mão de Justimon e ordenar:
-Siga o combinado... Leve ela à Cidade Sagrada... Aguarde próximas instruções...
Flashback off
As memórias vieram acompanhadas de um sentimento amargo na boca. Quando Justimon percebe que ia acontecer, ele dá um passo para trás, permitindo que Kari vomitasse sem que o sujasse.
-Como vocês são criaturas frágeis... – fala Justimon em deboche.
-Quem... – Kari respira fundo, esperando se recuperar. Quando sente que estava melhor, ela continua – Quem... Era ele?
-O encapuzado? Vai saber – o digimon responde em tom casual. Ao perceber o olhar indignado de Kari, ele passa a mão sobre o lugar onde devia estar seu braço, e pela primeira vez a digiescolhida percebe a postura dele vacilar – Mas se eu fosse você e seus amigos, não tentaria desafiá-lo... Não de novo...
...
Patamon megadigivolve para Boltboutamon!
Metamormon P.o.v.
Algo não está certo... Que digimon é esse?! O que esse maldito loiro fez?
Minhas mãos... Elas estão tremendo... E essa sensação estranha de que tenho que fugir imediatamente... Não é medo, parece ser... Sobrevivência...
Os olhos desse loiro... Eles estão tão diferentes, eles não estão olhando apenas pra mim, eles estão olhando através de mim, como se ele pudesse ver minha alma... Eles não estão vacilantes como antes, eles estão fixos, imóveis em mim. Ele quer me matar pra vingar aquela garota?!
Aquela bolinha laranja insignificante era o parceiro dele, não era? Como que ele pôde simplesmente ignorar os gritos dele enquanto toda aquela energia negra fluía pra ele... Não, ela não fluía, ela estava vindo do próprio ambiente, como se estivesse sendo conduzida pra ele.
E não é só isso... Os próprios aliados deles parecem estar com medo dele, como se eles temessem que eles próprios fossem atacados... Maldito encapuzado, no que você me meteu?!
-TK... – Hum? O irmão vai tentar acalmá-lo? Isso vai ser engraçado – TK... Você está bem?
-Matt, essa luta é minha... Boltboutamon, vá.
Esse maldito se mexeu! Que droga, que eu faço?! Ele vai me matar, ele vai me matar... Ele está contraindo os braços... Será que o ataque dele vem do peito?!
-Palazzi Valzer!
Acabou... Eu morri... Quando essa onda negra me atingir, eu vou estar morto... Só posso cobrir meu rosto e esperar pelo final...
Normal P.o.v.
Haviam se passado alguns segundos após a aura negra passar por seu corpo como se fosse fumaça, mas Metamormon continuava com os braços erguidos sobre o rosto, tremendo ligeiramente.
Cautelosamente, ele abre os olhos, vendo por entre os dedos que nada ocorrera: Boltboutamon continuava parado no mesmo lugar, na frente de TK e o grupo de digiescolhidos espantados. Uma súbita onda de confiança toma conta do corpo de Metamormon, fazendo com que ele estendesse suas garras.
-ISSO É TUDO?! ENTÃO LÁ VOU!
Ignorando todos ao seu redor, Metamormon corre em direção a Boltboutamon e o ataca com suas garras. Para sua surpresa, seu golpe atinge em cheio o perturbador digimon, o decapitando com um golpe.
Aturdido pelo estranho desfecho, o digimon metamórfico se vira e encara todos ao seu redor. Com um tom de vitória, ele afirma:
-Vou acabar com vocês!
Ofegante, Metamormon olha ao redor: todos seus inimigos, tanto humanos quanto digimons, se encontravam em pedaços ao redor, tendo oferecido pouca ou nenhuma resistência. Com as garras cobertas dos resquícios de seus inimigos, ele sentia uma estranha satisfação obscura. Ele olha para Tai, que se encontrava de bruços no chão com uma grande poça de sangue envolvendo-o.
-Hum... Isso era tudo que os digiescolhidos tinham a oferecer? Patético... – fala o digimon, com tom de superioridade. Entretanto, algo o incomodava: mesmo imóveis e caídos, nenhum dos digimons havia desaparecido, apenas permaneciam onde estavam – Quando será que eles vão desaparecer?
Nunca...
-Hum?! QUEM ESTÁ AÍ?! – grita Metamormon, olhando ao redor pela voz. Havia algo de errado naquela voz, mas ele não tinha certeza o que era. Parecia simultaneamente um sussurro individual e um grande coro, todos falando as mesmas palavras ao mesmo tempo – Mostre sua cara pra eu poder dar o que você merece!
Mas nós já estamos aqui...
Ao perceber que a voz vinha detrás de si, Metamormon rapidamente se vira, preparado atacar com suas garras.
Demorou poucos milésimos para que toda sua convicção e desejo por sangue dessem lugar para o terror e a confusão. Na sua frente, as várias cabeças de seus inimigos flutuavam, encarando ele com os olhos abertos sem nenhuma pupila, esferas de vidro branco que o encaravam, lágrimas escarlates escorrendo por elas.
Nós teremos nossa vingança...
Ele só tinha uma certeza: poucos segundos antes dos corpos de seus oponentes o envolvessem em um tornado caótico de ataques e lamentos, dilacerando cada centímetro de seu corpo sem que ele tivesse o privilégio da morte, no centro dessa parede macabra havia uma cabeça que se destacava das outras.
Ela era a única que parecia realmente estar viva, realmente estar consciente, realmente enxergando Metamormon e que se divertia com a situação.
Era a máscara dourada de Boltboutamon.
...
-Hum?
Quando se deu por si novamente, Metamormon estava exatamente onde se encontrava alguns segundos após ser atingido pela onda negra de Boltboutamon. Todos os digiescolhidos e seus parceiros estavam lá, inclusive o parceiro corrompido de TK.
"O que é isso? Eu tenho que certeza que alguns segundos atrás eu estava sendo atacado depois de ter matado todos eles, como que eu posso estar aqui de novo?! Que brincadeira é essa?!".
Antes que pudesse dar uma resposta para aquela charada, o digimon metamorfo percebe que Boltboutamon estava indo em sua direção. Permitindo que seus questionamentos escoassem para fora de sua mente, Metamormon se coloca em posição de combate.
O digimon das trevas saca suas espadas e gira no ar, tentando cortar o ombro esquerdo do adversário com ambas. Vendo a trajetória do golpe, Metamormon coloca sua garra para se proteger, mas algo inesperado ocorre: as lâminas de Boltboutamon atravessam sua mão e se enterram até altura de seu ombro, fazendo com que seus braços se tornassem tiras dilaceradas inúteis.
A dor dominou Metamormon de uma forma tão cruel, tão devastadora, que ele agradeceu internamente quando Boltboutamon sacou seu grande revólver e o apontou para sua testa.
Fechando os olhos, Metamormon silenciosamente esperou pelo fim. Quando ouviu o disparo, um súbito lampejo de dor lancinante inundou sua cabeça, fazendo com que ele caísse no chão.
Entretanto, havia algo errado. Ele continuava lá. Ele continuava consciente. A dor de seu ombro agora se misturava com a de sua cabeça numa miríade de sofrimento que ameaçava rachar irreversivelmente sua sanidade.
Ele tenta falar, mas sua mandíbula havia sido destruída pelo impacto da arma de Boltboutamon, impedindo ele até do alívio de poder gritar de dor.
"Eu devia estar morto... O que aconteceu?! Ele atirou na minha cabeça, por que eu estou vivo ainda?! Alguém, por favor, me mate! Me matem, eu imploro!".
Não... Não ainda... Temos tanta diversão pela frente...
As palavras sibiladas de Boltboutamon pareciam brotar de dentro da própria cabeça de Metamormon como serpentes, cruéis cascavéis que se enterravam cada vez mais em cada centímetro do pouco que sobrava da sua cabeça. Aquelas palavras o atormentaram cada vez mais com cada novo golpe que lhe era infligido pela espada de Boltboutamon, cada golpe que não dava fim a sua miserável existência.
...
-AAAAAAAAAAAAH!
Metamormon olha ao redor, sentindo cada fibra de seu corpo tremer como se a dor ainda estivesse lá, ainda sentindo o terror incontrolável que assolava sua alma. Tudo havia voltado ao normal novamente. Seus braços estavam novamente juntos. Sua cabeça estava no lugar novamente, inteira, e, acima de tudo, Boltboutamon estava novamente parado ao lado de TK.
"Mas... Isso... Que está acontecendo?!".
Ele olhava ao redor, mas ninguém parecia saber o que havia acontecido. "Não... ele sabe...".
Metamormon via como o sorriso de Boltboutamon estava voltado apenas para ele, como ele parecia se divertir com a confusão e o sofrimento dele como se fosse só mais uma piada, como se fosse uma cumplicidade intrínseca a apenas os dois.
"Eu... Eu tenho que fugir! Não posso lutar contra isso!".
Metamormon imediatamente se vira e corre o mais rápido que consegue. Quando chega até Xuanwumon, ele alça voo por cima do Grande Guardião, quando rapidamente sente uma dor lancinante dominar seus tentáculos. Ao olhar para baixo, vê que as duas poderosas mandíbulas do Grande Guardião do Norte haviam lhe prendido, esmigalhando os apêndices do digimon metamorfo.
Antes que pudesse fazer algo, as cabeças de Xuanwumon o arremessam, logo depois voltando para o chão, como se nunca tivessem se mexido. Ele pouco sentiu a colisão de seu rosto contra o chão comparado com a dor que sentia nos tentáculos, mas logo essa também sumiu quando ouviu novamente aquela voz dentro da sua cabeça, completamente alheia a seu sofrimento.
Já estava indo? Assim você está sendo... Rude...
Olhando para cima, Metamormon vê novamente Boltboutamon sobre si, seu fino sorriso ainda por detrás da máscara dourada, sem nunca vacilar perante o desespero nos olhos do digimon metamorfo.
Você nunca vai fugir de mim...
...
-Que está acontecendo? Por que eles não estão se mexendo?
O questionamento cauteloso de Mimi reflete bem o pensamento dos espectadores do grupo. Desde que o ataque de Boltboutamon atingiu Metamormon, nem o parceiro de TK nem o inimigo se moveram mais, causando cada vez mais desconforto e tensão no ar.
Yolei ainda se encontrava apoiando a cabeça de Davis, mas seus olhos não conseguiam escapar da forma que Patamon havia assumido. Essa nova forma nunca lhe tinha sido apresentada, mas emanava algo de familiar... Seus pensamentos são subitamente interrompidos ao sentir que uma mão havia sido depositada sobre seu ombro.
O digiescolhido da Bondade se aproxima do ouvido dela e lhe sussurra em segredo, um sútil tremor na sua voz que lhe deixou ainda mais tensa:
-Você sente também, não é? Essa sensação... A sensação do Mar Negro...
-Mas... Ken, como isso é possível? – Yolei toma cuidado para que sua conversa não fosse ouvida pelos outros, não por temer a reação deles, mas por temer que falar muito alto faria aquilo ser mais real.
-Não sei... Mas acho melhor a gente tentar parar o TK agora, senão não sei o que pode acontecer com ele e o Patamon...
Percebendo o quão Yolei parecia assustada, Ken opta por não incluir a segunda parte de seu pensamento: "E aquela forma que ele falou com o Matt... Me lembra de mim...".
O transe no qual todos pareciam estar imergidos se quebram quando finalmente há movimento. Boltboutamon saca suas espadas com seus dois braços inferiores e começa a andar calmamente até Metamormon, murmurando:
-Acabou...
Com alguns movimentos rápidos de sua espada, Boltboutamon acaba com a vida de Metamormon, fazendo com que ele se transformasse rapidamente em dados, sem nunca esboçar uma reação.
Após alguns segundos, o parceiro de TK se vira para os outros. Temendo o olhar do perverso digimon, eles dão um passo para trás.
-Tai... Que a gente vai fazer?
-Agumon... – cerrando intensamente os dentes, Tai olhava de TK para Boltboutamon. "Então foi assim que o pessoal se sentiu quando SkullGreymon apareceu... Mas não tem outro jeito...". Com a voz determinada, o digiescolhido da Coragem afirma – Se prepare, temos que salvar o TK e o Patamon!
Mesmo que temendo alguma ameaça do digimon mascarado e percebendo que Tai se preparava para fazer Agumon digivolver, o foco do digiescolhido da Amizade ainda era seu irmão.
"Metamormon já se foi e ele ainda está olhando para o local exato onde ele estava, como se não tivesse percebido... TK... Para onde você foi?!".
Para surpresa de Matt, mesmo que seu olhar continuasse inalterado, algumas lágrimas começam a escorrer pelo rosto de TK, dando esperanças ao Ishida de que o loiro estivesse voltando ao normal.
-TK! TK! Você está me ouvindo?!
-Matt... – a voz vacilante e trêmula do mais novo faz com que o coração do Ishida se desse o luxo de aliviar um pouco. Os olhos de TK começam a tremer, os músculos de seu corpo começam a ficar moles e sua voz ia morrendo aos poucos – Você acha que... o Patamon... vai me perdoar?
Assim que terminou de falar, o digiescolhido da Esperança cai inconsciente no chão, a camada de energia negra que cobria seu D-3 se desfazendo.
Alguns segundos depois, a energia negra que havia sido absorvida por Boltboutamon começa a abandonar seu corpo em ondas, cobrindo o corpo do digimon mascarado em uma espécie de pupa negra.
Quando a cortina de Trevas se desfaz, nem Boltboutamon nem Patamon não estava em lugar nenhum para ser encontrado.
Havia apenas um pequeno digitama com listras brancas e amarelas no chão, depositado serenamente no lugar do mestre dos pesadelos.
Continua...
