Capítulo Dezoito (Mudanças)

Danisa andava pelos corredores da Torre rapidamente, a raiva a consumia aos poucos. Por quanto tempo mais Nick esconderia as coisas dela? E para piorar mais as coisas Tony a magoara muito, ela sabia que havia mentido, mas ele deixara aquele monstro do alcoolismo o consumir e destruir seja lá o que for que eles tinham.

Ela subiu as escadas com violência e bateu a porta na mesma intensidade.

— Ele me esconde a verdade. Eu sei. Afinal o que era verdade em tudo o que ele falou? — sua respiração se tornou mais pesada e descompassada.

E num grito forte, tudo ao seu redor foi arremessado longe com um enorme estrondo, abrindo no lugar um grande vazio.

— Danisa? Você está bem? — Steve chegou no local segurando seu escudo.

— O que aconteceu? — Bruce questionara preocupado.

— Minha nossa você está bem? — Clint surgira de trás de Bruce.

Natasha que se encontrava ali, apenas a olhava desconfiada.

— Eu vou embora. — disse simplesmente.

Ela usou seus poderes para começar a organizar suas roupas dentro de uma bolsa mediana. Ela parecia um ser de outro planeta, parada ali, praticamente planando sob o enorme buraco no chão enquanto dezenas de coisas flutuavam ao seu redor sendo guardadas.

— Embora? Como assim? — Bruce não estava entendendo o que estava acontecendo, como todos ali.

— Você destruiu todo o lugar porque estava estressada. — Natasha não perguntou, estava constatando em voz alta.

— Você precisa se acalmar. O que está acontecendo? — Clint tentou se aproximar, mas ela o fez parar.

— Eu vou procurar um lugar pra ficar. Não quero que ninguém venha atrás de mim. — ela pegou a bolsa e saiu pela abertura no compartimento.

Ninguém moveu um músculo, estavam completamente surpresos pelo que acontecera.

— Eu não costumo alugar para jovens, porque, você sabe, é complicado para pagar, e essa é a única renda que eu tenho. — falava uma senhora baixinha, com os cabelos já completamente prateados pelos anos. — Mas como a senhorita já me pagou três meses adiantado, não vi porque recusar. Parece-me uma boa moça, e o dinheiro adiantado vai me ajudar a pagar a consulta.

— Fico feliz de ter ajudado e não se preocupe, cuidarei bem do apartamento. — Danisa estava mais aliviada depois de finalmente encontrar um bom lugar para ficar.

O apartamento no 3º andar não era muito grande, mas era incrivelmente aconchegante. Um quarto confortável com mobília em carvalho escuro, a cama era macia e espaçosa. A cozinha americana estava brilhando de limpa, assim como o banheiro e a sala impecavelmente arrumada, com certeza aquela senhora tinha um grande esmero com suas coisas e Danisa, é claro, cuidaria muito bem de tudo.

— Bem... — a senhora simpática enfiou a mão no bolso. — aqui estão as chaves, qualquer coisa que precisar pode me chamar, meu apartamento fica no térreo, e é o único por lá. — ela deu uma risada — boa noite minha jovem.

— Boa noite senhora Martínez

Danisa entrou no apartamento e trancou a porta. Deu um longo suspiro, a partir de agora ela estava sozinha, iria viver sua própria vida, longe de qualquer um que pudesse mentir ou magoá-la.

Ela pegou sua bolsa, colocou na cama e começou a guardar tudo no closet. Era tarde quando finalmente encontrara um lugar para ficar, e àquela altura sua barriga já roncava em protesto. Assim que terminou de guardar tudo foi pra cozinha preparar algo para jantar, por sorte a senhora lhe deu algumas coisas para sobreviver por um tempo, mas teria que sair para fazer compras.

Na Torre todos estavam reunidos ao redor da mesa.

— Será que ela já jantou? — questionou Clint, olhando para a montanha de comida em seu prato.

— Pare com isso! Ela não é nenhuma criança, vai saber se virar. — Natasha já estava cansada de ouvir conversas sobre ela o dia inteiro. — Além do mais, foi ela que quis ir embora.

— É mas, alguém sabe onde ela pode está? — perguntou Steve.

— Eu já fiz uma busca, mas nem sinal de onde ela possa está. — Tony estava parado à porta da sala de jantar, seu olhar cansado e com olheiras, mas já devidamente limpo e com a barba caracteristicamente aparada. — Amanhã umas pessoas virão aqui consertar o estrago no quarto dela.

Ele se sentou e começou a se servir.

— Como sabia que ela tinha ido embora? — perguntou Clint o encarando. — você nem saiu do seu quarto.

— Eu sei de tudo o que acontece aqui. Pedi a Friday para fazer uma busca em qualquer lugar onde ela poderia está, mas é inútil, mesmo traçando um perfil meticuloso as opções ainda são muitas. E como sabe, ela não pode ser rastreada.

— Deixem a garota! Ela quer desestressar. — falou Natasha enquanto pegava mais salada.

— E desde quando são amigas? — Clint questionou ironicamente.

— Arg, não somos, mas até eu quero dar um tempo de vocês. — ela sorriu igualmente irônica.

— Ela vai voltar. — comentou Tony.

Bruce bateu na mesa com os punhos cerrados atraindo a atenção para si.

— Como pode agir tão naturalmente se a grande parte da culpa de ela ter ido embora é sua? — Bruce tentava controlar sua respiração para não haver mais estragos ali.

— Não acho que tenha sido por minha causa, não totalmente. Foi provavelmente o que ela encontrou nos arquivos da S.H.I.E.L.D. e antes que pergunte sim eu sei de tudo o que acontece aqui, principalmente se meu computador é usado.

Bruce afastou abruptamente a cadeira e se retirou com a respiração pesada o sufocando, se continuasse ali não saberia quanto tempo mais iria aguentar.

Danisa fez sua refeição em silêncio e depois de lavar a louça foi deitar.

Demorou a pegar no sono, sua cabeça estava a mil, mas quando enfim conseguiu foi consumida por um sonho estranho.

Ela estava em um lugar completamente branco, deitada em uma maca sem conseguir se mexer. Havia um homem ali, ele era alto, com olhos azuis e cabelos num tom castanho, metade do seu rosto estava coberto pela máscara cirúrgica. Ele falava e gesticulava sozinho, mas ela não conseguia entender nada, de repente sua respiração começou a ficar descompassada e Danisa sentia que seu pulmão aos poucos se tornava vazio, isso doía, e ela começou a lutar para tentar sair dali, mas era em vão. O homem misterioso parou sua aparente discussão com o nada e saiu, deixando a jovem agonizar até a morte, mas antes que isso pudesse acontecer, a sala branca foi sumindo e em seu lugar um escritório aparecia. O mesmo homem estava lá, mas mesmo sem a máscara ela não o reconheceu. Batidas na porta soaram alto.

— Entre. — sua voz era grave, mas possuía um certo tom de deboche.

— Bom dia doutor. — uma jovem loira entrou na sala, um sorriso amarelo despontando no rosto.

— Diga logo o que quer, como pode ver estou ocupado. — ele nem sequer erguera os olhos para ver quem entrara.

— O senhor Moretz ligou, gostaria de saber se já tem uma resposta.

— Quem? — ele a encarou com cara de desentendido.

— Sobre a filha dele que tem um completo desligamento do sistema nervoso.

— Ah, ela. Não.

— Não? Desculpe senhor, não entendi.

— A resposta é não. Não houve negociação, não posso fazer nada. — ele desviou o olhar dela e voltou a mexer nas papeladas.

— Mas doutor foi por isso que ele veio conversar com o senhor pessoalmente. Ele não tem como pagar a cirurgia.

— Exatamente, agora imagina se eu começar a fazer caridade, quantas pessoas não virão aqui implorar. Eu já dei minha resposta, agora se retire.

Danisa estava pronta para esganá-lo quando a cena mudou. O sonho começou a passar diante de seus olhos em feixes rápidos, um acidente de carro, alguém no hospital, uma montanha que ela não sabia dizer onde... Sua cabeça estava doendo e tudo o que ela queria era sair dali. Uma luz se estendeu à sua frente, era um brilho diferente, ela estendeu a mão devagar para o local, havia um objeto ali, parecia uma jóia de tão reluzente, ela iria pegar...

Trim. trim. trim.

Num susto Danisa desperta com o celular tocando o som infernal do despertador. 5h da manhã, ela tentou lembrar por que diabos colocou o celular para despertar uma hora dessas, em pleno sábado. "Puta merda!"

Ela levantou resmungando e foi tomar um banho. Preparando o café da manhã ela notou que suas mãos estavam trêmulas, não podia ser do banho, e o apartamento não era frio, nervosismo estava fora de cogitação, então por que tremia? Mas ela resolveu não se importar muito com isso. Já que ela iria apenas na segunda procurar emprego, e tinha comida para alguns dias, resolveu ficar em sua nova casa e se entreter com algo. Na sala enquanto o filme iniciava, ela começou a analisar os livros da enorme estante de madeira, havia de tudo ali, auto-ajuda, ficção, fantasia, romances de todos os tipos, inclusive eróticos, uma coleção em particular chamou sua atenção, algo sobre magia e ocultismo, tinha cinco volumes: Como Abrir sua Mente à Magia, Símbolos Ocultos, O Poder das Palavras Mágicas, Como se Tornar um Mago; e o que mais chamou sua atenção; Livro Avançado de Magia Universal. Ela tentou imaginar por que uma senhora teria todos aqueles livros, e sem se importar muito se era uma invasão de privacidade, resolveu pegar para ler. Logo de cara o livro parecia diferente dos outros, a capa era marrom e havia um calombo relativamente grande ao centro, algumas correntes decoravam a lombada grossa, não era muito agradável, mas abriu mesmo assim. Ela correu os olhos por cada palavra, algo ali lhe parecia familiar, começou a ler avidamente, e quando deu por si tentava reproduzir alguns gestos. Se ela não tivesse visto com os próprios olhos julgaria muito difícil de acreditar no que acontecia diante de si. Um círculo de energia se formara na sua frente, era de uma cor vibrante, beirando um alaranjado. Projetar energia era algo comum para ela, mas esse parecia diferente, ela parou abruptamente, e o círculo estava lá, girando rapidamente, não conteve a curiosidade e decidiu tocar, uma força a puxou. Danisa caiu de joelhos na neve acinzentada na base de uma montanha, a mesma do sonho de horas atrás, o frio lhe cortava a garganta e as narinas, seu corpo tremia tanto que mal se aguentava de pé, ela não sabia onde estava, mas sentia que morreria ali se não saísse daquele frio, ela olhou para trás e o círculo estava lá, ainda girando, impulsionando o corpo para frente ela conseguiu atravessá-lo e voltar ao apartamento. O frio ainda ardia em seu corpo.

— É dele... Posso sentir. — Danisa suspirou. Ela precisava saber quem era ele.