Capítulo XXII
Alguns dias mais se passaram e Pansy estava angustiada. Havia perdido a noção do tempo. Suas refeições apareciam diariamente e nas horas corretas. Ela havia pensando em não se alimentar, mas precisava fazer pelo bebê. Suas roupas se ajustavam ao corpo, Pansy suspeitava que magicamente. Sentia que a hora de dar à luz se aproximava e não queria estar ali presa quando acontecesse. Temia pela vida de seu filho e pela sua. Olhava os jardins pela janela quando ouviu a porta se abrir. Pansy viu pelo reflexo no vidro que era Blaise. Seu coração se agitou.
— Olá Pansy querida!
Pansy não respondeu, mas virou-se para encará-lo. Não queria sentir medo, mas algo dentro de si a fazia sentir-se insegura com ele.
— Sentiu minha falta?
Pansy não conseguia responder.
— Bem ou o gato comeu sua língua ou você está muito emocionada em me ver — Ele disse caminhando na direção de Pansy.
Naquele instante Pansy se ergueu, um claro sinal de que estava na defensiva.
— Espero que esteja confortável em seu quarto — Blaise lançou um olhar ao redor — Pensei que você se sentiria mais feliz aqui.
— Não estou feliz aqui, estou presa.
Blaise a encarou.
— Finalmente decidiu falar — Ele alfinetou — Mas é necessário que você fique aqui protegida, assim garanto que ninguém vai roubá-la de mim outra vez.
— Não fui roubada por eles, fui por você. Nós éramos amigos Blaise, como você pode fazer isso comigo?
— Eles te mostraram lembranças então.
— Sim, as quais você roubou de mim. Não só lembranças, mas minha vida.
— Se eu não tivesse feito você provavelmente estaria morta Pansy, como seus pais. Eu fiz o que foi preciso para te salvar. Eu fiz tudo porque te amo.
Blaise aproximou-se de Pansy e a segurou pelos braços. Ele parecia emocionado.
— Eu sabia que eles matariam seus pais e você. Ouvi meus pais comentarem, sabia quando seria. Eu não podia perde-la!
— O que você fez para me tirar de lá?
— Obriguei uma trouxa a tomar poção polissuco e se transformar em você para ser morta no seu lugar, assim ninguém viria atrás de ti.
Pansy levou a mão a boca — Merlin Blaise!
— Você sabe que não sou um assassino Pansy. Cheguei ao extremo por amor a você, para te salvar. Apaguei sua memória porque não queria que você sofresse por seus pais.
— E você vai me devolvê-las? — Pansy arriscou esperançosa. Sentia que Blaise estava comovido e talvez isso o fizesse considerar.
— Se você prometer não fugir, sim.
Pansy o encarou. Precisava falar sobre seu futuro e de seu bebê.
— Em breve darei a luz.
Como se tivesse levado um choque Blaise a soltou bruscamente. Pansy cambaleou um pouco e se segurou no estrado da cama.
— Eu sei, estou pensando no que fazer quanto a isso.
— Como assim? — Pansy questionou angustiada.
— Penso em obrigar uma equipe trouxa a fazer seu parto, depois faço eles esquecerem de tudo. A criança será enviada imediatamente para o pai.
— O quê — Pansy pareceu chocada.
— Isso que você ouviu. Os trouxas são a única possibilidade de você ter um parto seguro.
— Isso eu concordo, já que não posso sair daqui, prefiro que alguém me assista.
— Sim.
— Mas você pretende tirar meu bebe de mim?
Blaise a encarou.
— Não posso permiti-lo aqui. Draco moveria céus e terras para encontrar vocês. Com um bebê é sempre mais difícil escapar.
— Draco? — Pansy perguntou confusa.
— Sim, o pai do seu filho. Vou deixar que ele fique com a criança.
— Oh!
Blaise encarou Pansy analisando-a. percebeu a surpresa dela quando se referiu ao Malfoy.
— Draco é o pai do seu filho, Pansy?
Pansy não respondeu. Pensava no que dizer.
— Pansy, responda!
— Isso realmente importa?
— Importa. Escrevi a Draco falando de seu filho, fazendo ameaças e estabelecendo um acordo, mas pelo que vejo, ele não merecia o que eu disse a ele. Quem é o pai Pansy? Quero escrever para a pessoa certa.
Pansy não respondeu, apenas encarou Blaise.
— Se você quer fazer isso da maneira mais difícil, tudo bem. Actio veritasserum!
Pansy viu quando um frasco entrou voando pela porta que se abriu. Blaise segurou o mesmo em sua mão e encarou Pansy.
— Você vai tomar isso.
— Não vou.
— Pansy!
— Não! — Pansy gritou encarando a porta. Pensava em correr para lá, mesmo sabendo que seria capturada em seguida.
— Imperio! — Ela ouviu Blaise gritar.
Pansy se sentiu entorpecida.
Blaise pegou um copo com agua da mesinha de Pansy e derramou um pouco do liquido que estava no frasco.
— Beba!
Pansy tentou não obedecer, mas não tinha como. Não conseguia comandar sua vontade. Lembrou de quando esteve no tribunal falando sobre sua vida. Não conseguiu controlar o que dizia, só se via contando a todos sobre sua vida com Blaise e Daphne. Agora no entanto era pior, além de não controlar o que dizia, ela não conseguia controlar o que fazia. Só se sentia capaz de fazer o que Blaise ordenou e, então, bebeu todo o conteúdo do copo. Sabia que não podia mais se controlar.
— Muito bem. Assim é melhor. — Blaise retirou o copo da mão de Pansy — Agora me diga, quem é o pai do seu filho?
— Harry, Harry Potter.
Blaise não disse nada, mas lançou o copo contra a parede. Pansy se assustou com o estilhaço e encarou Blaise. Ele estava com raiva.
— Como?
— Na festa de despedida de solteiro dele...
Pansy se viu relatando a Blaise tudo o que ela recordava daquele dia. Quando ela terminou, viu que ele tremia enquanto apertava os punhos.
— Eu vou matar esse desgraçado! Juro que vou!
Pansy não se atreveu a comentar nada. Havia contado apenas sobre a despedida de solteiro e vira Blaise ficar fora de si. Imagina se ele descobre sobre o breve romance que ela teve com Harry e os sentimentos dela pelo salvador do mundo.
— Se Draco tivesse encostado em você eu até entenderia, ele sempre foi louco por você Pansy. Agora Potter? Aquele maldito grifinório mestiço! Ele não tinha direito. Não tinha! Ele tratou você como uma prostituta enquanto está noivo daquela coelha ruiva!
Blaise andava de um lado para o outro passando as mãos pelos cabelos. Resmungando. Pansy permanecia calada. Estava imóvel junto a cama. De repente Blaise parou e a encarou.
— Não posso matar Potter. Quero ficar com você e se eu o eliminar virão atrás de mim. Nunca nos deixarão em paz. E eu quero ficar em paz, em uma vida com você.
Blaise encarou a barriga dela.
— Não sei o que farei quanto ao bebê. Queria entrega-lo para Potter, mas talvez fosse pior. Talvez ele viesse atrás de você para que o bastardo não ficasse sem mãe, como o bom grifinório que ele é. Preciso pensar.
Sem dizer mais nada Blaise saiu e trancou a porta. Pansy imaginava que ele tinha ido atrás de Harry e se perguntava que consequências isso traria. Se Harry viria atrás dela e do filho, ou só do filho, ou de nenhum deles. Ele tinha um casamento em breve, dificilmente iria querer complicações com a noiva.
Pansy ouviu que alguém abria a porta do seu quarto e em seguida Daphne entrou. Pansy permaneceu calada, encarando a ex-amiga.
— Eu ouvi tudo! — Daphne declarou. — Potter? De verdade?
— Sim.
— Eu nunca imaginaria uma coisa assim. Depois de tudo. Ele ficar com você foi realmente surpreendente.
Pansy não entendeu o que Daphne quis dizer.
— Quero dizer. Vocês são inimigos desde a escola, sempre em lados opostos. Você quis entregá-lo ao lorde das trevas! Mesmo que tenha sido uma só noite e ele tenha deixado você de lado, e grávida. Ainda assim é surpreendente.
Daphne encarava a barriga de Pansy e esta permanecia em silencio. Temia ainda estar sob efeito da poção da verdade e falar a Daphne algo que a complicasse.
— Blaise não vai deixar você ir. — Daphne disse suavemente — Eu ouvi o que ele disse sobre o bebê. Ele quer se livrar da criança, mas não de você. Ele... Ele te ama Pansy.
— Daphne...
— Eu sei, não é sua culpa. Perdoe-me por pensar o contrário. Eu sempre soube e não quis admitir. Blaise é apaixonado por você. Eu fui só uma distração graças ao compromisso que nossos pais firmaram. Eu amei Blaise, mas ele sempre teve olhos para você. Sei que ele só não fez nada por Draco.
— Daphne eu não quero que se sinta assim e eu não quero Blaise como ele pensa que me quer. Sempre amei Draco e... — Pansy ia dizer que agora amava Harry...
— Eu sei. Você sempre amou Draco. Ele não se importou que o filho fosse de outro, não é?
— Não.
— Eu sabia. Ele ama você de verdade. — Pansy concordava com a amiga. Ela sabia que bastava apenas dizer a Draco que o queria e ele deixaria tudo por ela.
Daphne caminhou até Pansy e abraçou a amiga. Ambas se emocionaram e choraram.
— O que você pensa em fazer?
— Sinceramente não sei.
— O que você decidir fazer pode contar comigo. Eu vou te ajudar.
— Obrigada Daphne!
Pansy entendeu que Daphne faria qualquer coisa para que ela escapasse dali. Não somente pela amizade com ela, mas para ter Blaise só para sim. Pansy usaria isso a seu favor se preciso.
— Agora tome um banho e descanse. Eu vou limpar tudo aqui.
Pansy assentiu.
