Antes de mais nada, eu gostaria de desejar um feliz ano novo para todos vocês. Que 2020 seja um ano muito feliz e cheio de esperança! Estamos muito perto do final da história agora (Faltam apenas mais dois capítulos e o epílogo, se tudo der certo) e eu não poderia estar mais feliz com o feedback de vocês até agora. Por isso, muito obrigado e que esse novo ano seja ótimo para todos nós!

Playlist: The Name Of The Game – ABBA

Todos os personagens pertencem a Stephanie Meyer.

PS: Essa fanfic também estava sendo postada, paralelamente, no site Spirit Fanfics, onde eu tenho uma conta com o mesmo pseudônimo e mesmo e-mail de contato. Por isso, não é uma cópia. Eu mesma a estou publicando, ao mesmo tempo, em dois lugares diferentes.

A Herdeira

Capítulo 22 – The Name Of the Game

Ela tinha dito a ele que tudo voltaria ao normal.

Mas ela não podia ter mentido mais.

Quer dizer, externamente, as coisas voltaram ao normal, na medida do possível. Ela e Edward tinham voltado a conversar quase que normalmente, se fosse excluído o fato de que seu coração insistia em disparar sempre que estava perto dele. Mas Deus sabia como ela estava se esforçando para que tudo voltasse a ser como era antes. Eles até mesmo estavam conversando sobre livros, filmes e séries novamente e, quando Emmett aparecera dois dias atrás com um videogame que comprara na promoção, ela havia se divertido horrores jogando com ele. E agora, faltando apenas um dia para o casamento, ela estava esperando por ele para que pudessem ir juntos para a cidade buscar o presente de casamento que eles haviam comprado juntos, por ideia de Edward, para Esme: uma pulseira de prata, com algumas jóias incrustadas, escrito "Amamos você, mãe.".

Tudo estava absolutamente normal entre eles.

Normal se ela excluísse também o fato de que, nas últimas quatro noites, ela tinha começado a sonhar com ele. Com seu sorriso, com seus olhos, com seu rosto, com seus beijos... E, por mais embaraçoso que fosse para ela admitir... Também com seu corpo. A verdade era que seu esforço em fazer as coisas voltarem ao normal não surtira efeito nenhum na palpitação de seu coração sempre que o via, ou em seus pensamentos inadequados sobre ele, ou nas fantasias tolas de como seria se eles fossem um casal. Ela permanecia se sentindo estranha, ansiosa e absolutamente perdida.

E ainda não conseguira colocar em palavras, nem para si mesma, que nada nunca aconteceria entre eles, mesmo que isso parecesse absolutamente claro para Edward, que nunca mais tentara se aproximar dela fisicamente e a tratava de maneira absolutamente respeitosa. E ela não estava se sentindo nem um pouco decepcionada com isso. Não, nem um pouco.

Sim, claro. Continue dizendo isso a si mesma até acreditar, garota. Ela quase podia ouvir a voz de Alice em sua cabeça, desdenhando dela.

- Parece que alguém está sonhando acordada.

Com um suave sobressalto, Bella desviou os olhos da janela, virando-se surpresa para encontrar Antônio parado atrás dela, observando-a atentamente, mas ainda sim com uma expressão serena e carinhosa. Balançando a cabeça para dispersar os pensamentos que a atormentavam, ela tentou sorrir de volta, mas sentiu que seu rosto formou algo que poderia ser considerado mais uma careta forçada do que um sorriso. E, é claro, isso não passou despercebido a Antônio, que foi se sentar ao lado dela no sofá do saguão do hotel.

- Está um belo dia hoje. – ele comentou casualmente enquanto olhava para o mar através da grande janela de vidro bem ao lado do sofá – Vai dar um passeio?

- Quase, na verdade. – ela mordeu a parte de dentro da bochecha, tentando não parecer nervosa – Estou esperando Edward. Vamos até a cidade buscar uma coisa para o casamento.

- Oh... – Antônio acrescentou vagamente, virando lentamente a cabeça para ela, novamente avaliando-a. Sob o escrutínio das íris verdes, Bella se remexeu inquieta, preocupada que ele pudesse estar lendo em seu rosto a confusão interior que ela vinha tentando esconder nos últimos dias.

- Você e Esme vão sair para passear de novo hoje? – ela perguntou, tentando desviar a atenção dele para outra coisa.

Antônio estreitou um pouco os olhos, provavelmente adivinhando o porquê de sua pergunta, mas pareceu entrar em seu rosto, recostando-se no sofá.

- Não hoje, ela está fazendo a prova do vestido de noiva com a mãe de Carlisle. – Bella não pôde deixar de perceber como ele ergueu uma sobrancelha ceticamente, provavelmente por saber que ela sabia perfeitamente desse fato – Então eu pensei em andar um pouco sozinho... E pensar.

- Isso é bom... – ela mordeu o lábio – E como você tem se sentido? Não temos conversado muito desde que... Bem, desde aquele último dia em San Pedro.

- Estou muito bem, na verdade. – ele sorriu minimamente – É ótimo ter Esme finalmente me chamando de pai e sabendo toda a verdade. Esse foi meu sonho pelos últimos quarenta anos e agora finalmente não há mais mentiras entre nós. Somos finalmente uma família. – Antônio acrescentou orgulhosamente, mas era difícil não notar o tom sombrio que permeava o fundo daquela afirmação.

- Você ainda pensa nela, não é? – ela arriscou perguntar, enquanto torcia os dedos nervosamente em seu colo, com medo de qual seria a reação dele. Porém, como sempre, Antônio – ela se perguntava quanto tempo mais iria se passar até que ela se acostumasse a chamá-lo de seu avô – não foi nada mais do que calmo e contido.

- Eu gostaria de não pensar, mas é mais forte do que eu. – ele disse seriamente – Gostaria também de dizer para você e para Esme que ela já não ocupa mais meus pensamentos, mas também prometi que não haveria mais mentiras entre nós. Sei que parece ridículo, mas minha mente não consegue evitar de me levar de volta para ela. Não importa o que eu faça, sempre parece haver alguma coisa que me faça lembrar dela.

Engolindo em seco, Bella desviou o olhar para o chão, tentando não demonstrar o quanto estava perturbada por aquela descrição, não apenas por conta da situação pela qual Antônio estava passando, mas também porque era a perfeita definição do que vinha atormentando-a desde aquele beijo fatídico...

- Mas você vai superar... – ela afirmou ansiosamente, sem saber exatamente para quem – Um dia vai parar de pensar nela e sua vida vai voltar a ser o que era antes dela aparecer. Logo você vai parar de sentir essa... Atração. – ela parou finalmente, se sentindo estúpida por estar dizendo aquelas coisas para Antônio.

Contudo, ele não pareceu afetado por seu discurso sem aparente nexo. Na verdade, ele balançou a cabeça suavemente e voltou a avaliá-la com cuidado e gentileza. Por fim, deu um sorriso carinhoso e acrescentou.

- Eu agradeço por me dizer isso, Bella. Todos os dias uma parte de mim fica triste pelo que eu sentia por aquela mulher ter se transformado nessa coisa terrivelmente destrutiva. – ele fitou distraidamente as ondas do mar se quebrando do lado de fora do hotel – Antes, era sublime. Ou pelo menos era como eu me sentia. - ele desdenhou suavemente - Ela me fazia feliz e cada sorriso dela era como o maior presente que eu poderia ganhar. Sua companhia era a melhor parte do meu dia e eu ansiava por sua presença e seu toque como um homem faminto... Mesmo sabendo que ela nunca ficaria comigo, eu ainda assim tinha esperança de que o que ela sentia por mim fosse tão forte quanto o que eu sentia por ela... E que, talvez, um dia, ela decidisse que isso valia mais do que um sobrenome.

- Você realmente a amava, não é? – Bella perguntou tristemente.

- Sim. Infelizmente, uma parte minha ainda ama. – ele revelou em um tom de voz vazio, fitando o teto sem realmente vê-lo – Mas acabou se tornando algo muito diferente de amor. Amor não é sobre manipulação, mentiras e obsessão. Durante anos, achei que tínhamos ido longe demais para voltar atrás e desfazer as coisas horríveis que fizemos. Longe demais até mesmo para nos separarmos ou para termos um relacionamento de verdade. No final, me conformei que aquilo seria o máximo que poderíamos ter: um caso secreto cercado de mentiras. – os olhos verdes pousaram sobre ela e a expressão atormentada do senhor se converteu em um pequeno sorriso doce – Mas, vendo Esme e Carlisle, vendo você e sua família... Finalmente entendi o que é o amor. É aquilo que senti por minha filha todos esses anos, mas que meu sentimento cego por Marie me impediu de expressar totalmente. É aquilo que eu até mesmo sentia por ela, mas que suas manipulações me fizeram pensar que jamais poderíamos ser nada além de seu segredinho sujo. Sou grato por ter aprendido isso, Bella. – a expressão cálida e pacífica o fez parecer até mesmo mais jovem – Sou grato por ter sido capaz de voltar atrás.

- Eu fico feliz também. – ela sorriu para ele – Apesar de tudo, você merece ser amado também. Merece saber o que é amar e ser amado de volta.

- Essa família está me mostrando o que é isso. É simplesmente maravilhoso. – ele suspirou, o tom sombrio de antes agora simplesmente dissipado – Meu único arrependimento é não ter me permitido fazer isso desde o início. – ele virou a cabeça para ela casualmente – Tive muito medo, quando era mais jovem, de que meu amor não fosse suficiente, tanto para Marie quanto para minha filha. Que acabássemos enfrentando problemas que as fizessem se arrepender de terem me escolhido. Mas agora eu aprendi a verdade, mesmo que tão tarde: os problemas não fariam diferença se tivéssemos uns aos outros. Mas Marie não queria enfrentar os problemas comigo. Ela vai nossos sentimentos como um problema e, com o tempo, me convenceu disso também e me fez privar a minha filha de saber que eu era seu pai. Se eu pudesse fazer alguma coisa diferente, seria isso: eu teria arriscado. – ele sorriu para ela – Teria me permitido simplesmente ouvir o coração e lutado para ser feliz.

- Isso é ótimo. – Bella não pôde evitar sorrir nervosamente, enquanto as palavras intensas dele faziam algo dentro de seu peito se revirar intensa e desconfortavelmente – Mas eu entendo o seu medo. Sentimentos são confusos... E irracionais. E tudo relacionado a eles parece tão imprevisível. É tão difícil simplesmente mergulhar em uma coisa sem saber o que está por vir, arriscar sem ter certeza de que tudo vai dar certo... Até mesmo entender o porquê de estar sentindo alguma coisa é tão malditamente complicado e... – ela mordeu a língua abruptamente quando se deu conta de que já não estava mais falando exatamente sobre o assunto da conversa de Antônio.

- Sim, o amor é imprevisível. – Antônio concordou, sorrindo compreensivamente – E o medo do desconhecido pode ser tão forte que faz parecer que vale mais a pena deixar as coisas como estão: intocadas e até mesmo erradas, mas ainda sim concretas e previsíveis. Sei como é esse sentimento. Ele permaneceu comigo por décadas. E foi uma das coisas que me incentivou a mentir. – ele suspirou pesarosamente – Sim, sentimentos são complicados. Mas tentar fugir deles geralmente causam dores maiores. Enfrentá-los é a melhor maneira. Aprendi isso com você. Com sua força de vontade. – ele sorriu brilhantemente – Então não tenha medo de aceitar o que sente, Bella. Você sabe o que é amar de verdade, diferente de mim quando tinha sua idade. Teve ótimos exemplos e é uma moça inteligente e gentil. Assim que se permitir olhar verdadeiramente para os seus sentimentos, vai saber se é amor ou não.

Pasma e corando até a raiz dos cabelos, Bella estava pronta para gaguejar uma negativa enfática de que não estava sentindo absolutamente nada por ninguém e repreendê-lo por achar isso – enquanto uma parte dela estava profundamente envergonhada e fortificada por Antônio ter percebido seus sentimentos conflituosos para com Edward e rezava para que ele não tivesse mencionado nada para Esme – quando passos pesados chamaram a atenção dos dois.

Edward parou ao lado do sofá, sua testa se franzindo suavemente em pura preocupação quando ele notou a expressão perturbada de Bella – Estou interrompendo alguma coisa?

- Não, não. – Bella negou apressadamente, ansiosa para fugir daquela conversa em que estava acabando por dizer muito mais do que gostaria... Mesmo que isso significasse correr para o lado de Edward, onde certamente seus pensamentos encontrariam um solo fértil para florescer contra sua vontade.

- Desejo um bom passeio para vocês. – Antônio sorriu tranquilamente, como se não tivesse acabado de lhe revelar que sabia que ela estava se sentindo atraída por Edward – Tenho certeza de que vão se divertir muito.

Bella sentiu até mesmo as pontas de suas orelhas queimarem de vergonha pelo duplo sentido implícito nas palavras dele e, com um cumprimento vago, ela acompanhou Edward até o táxi que ele havia chamado, tendo que se esforçar muito para se impedir de simplesmente correr como uma covarde para longe de Antônio, antes que ele dissesse mais alguma coisa que a fizesse pensar que amor tinha algo a ver com aquele emaranhado confuso de sentimentos que Edward despertava nela.

Porque não tinha absolutamente nada a ver. Era apenas uma atração muito intensa. Algo perfeitamente normal entre dois jovens. Mas isso não significava que ela ia ceder ao desejo de beijá-lo ou tocá-lo novamente. Porque com certeza ela não ia.

- Você está bem? – Edward perguntou gentilmente quando o táxi começou a andar, os olhos verdes tão cálidos e intensos que ela sentiu seu estômago apertar por conta do desejo de colar-se ao peito másculo e desfrutar novamente de estar envolvida por seus braços fortes, moldando os lábios nos dele...

Droga, seria tão mais fácil se você não fosse tão malditamente bonito... Ela o repreendeu em sua cabeça, tentando afastar-se dele o mais discretamente possível, colocando o máximo de distância entre eles que o banco permitia, rezando para que ele não a interpretasse mal. Não era que ela não quisesse ficar perto dele.

Mas ela precisava urgentemente se impedir de ficar perto demais.

- Emmett está viciado naquele videogame. – ela comentou casualmente, tentando levar seus próprios pensamentos para outro lugar que não fosse o homem perigosamente atraente ao seu lado – Acho que ele comprou muito mais para ser seu próprio presente de Natal do que das crianças.

E assim, como sempre, tão fácil quanto respirar, eles embarcaram em uma conversa interessante e amigável, enquanto percorriam todo o caminho até a joalheria. Contudo, indo contra suas esperanças, Bella não conseguiu desviar suas atenções dele. Porque a cada palavra trocada, cada sorriso dado e cada risada provocada, ela sentia vontade de aproximar-se mais dele e não apenas sexualmente. Parecia tão certo encostar nele enquanto conversavam ou encostar sua cabeça em seu ombro para descansar ou até mesmo passar os dedos entre seus cabelos rebeldes...

Deus, ela estava ficando completamente louca.

- Obrigado de novo por ter dado essa ideia. – ela mencionou quando ele abriu a porta do táxi para que ela pudesse sair, querendo novamente conversar para se distrair, apesar de já ter percebido que aquela era uma péssima estratégia - Aliás, tem certeza de que aquelas pedras realmente valem só o que me falou, não é? – ela questionou, ainda desconfiada que, mesmo com aquelas quatro pedras cintilantes, a quantia que ele havia dito que ela pagaria – a metade do total – fosse consideravelmente menor do que ela imaginaria.

- Eu já expliquei que não são diamantes. – ele riu de sua desconfiança – Eu sabia que daria um valor muito mais alto do que você poderia pagar, então pedi que colocassem águas-marinhas lapidadas. Esme as adora. E... – ele parou um segundo para olhá-la no fundo dos olhos, parecendo um pouco magoado – Eu não mentiria para você, Bella.

E lá estava aquela sensação de novo. Era uma mistura de doçura e ânsia e desejo e inquietude e muitas outras coisas que a estavam deixando louca, porque ela nem ao menos sabia nomear o que era. Mas sabia qual era a origem: ele.

Em um esforço de afastar aquelas sensações, ela continuou a conversa por todo o caminho até a joalheria. - Eu tenho certeza que Esme vai amar.

- Eu realmente espero. – Edward sorriu – Quero vê-la feliz. Acho que nunca vou conseguir pedir desculpas a ela o suficiente por ter tentado separá-la de Carlisle. Ele é um bom homem e a faz feliz.

- Eu tenho certeza que o fato de você pensar assim já a faz mais do que feliz. – Bella pontuou – Ela sempre me falava do quanto você era gentil e maravilhoso e que não agia daquele jeito terrível normalmente. Agora isso é verdade. Acho que é o melhor pedido de desculpas que se pode dar a uma mãe: ser um filho de quem ela possa se orgulhar.

Ele respirou fundo com um sorriso doce no rosto e os olhos fechados, parecendo querer absorver o que ela tinha dito. Quando ele a fitou novamente, ela viu nas íris verdes uma gratidão tão grande que a fez corar, apesar da expressão tranquila e alegre dele lhe trazer grande alegria também. Novamente envergonhada e inquieta com aquele sentimento não identificado que lhe preenchia, ela se virou novamente para olhar a fachada refinada da joalheria, absolutamente perturbada.

- Vamos logo, antes que Esme desconfie do porquê viemos aqui. – ela deu um sorriso sem graça.

- Tenho certeza de que Alice vai mantê-la ocupada com a última prova do vestido. – Edward a tranquilizou, entre risadas, enquanto abria a porta para eles – E acalmar o choro de emoção da mãe de Carlisle também vai levar algum tempo.

- Ei, ela está emocionada. – Bella defendeu a avó com uma falsa revolta – Ela sempre quis ter uma filha e Esme estar usando o vestido dela é um sonho virando realidade.

- Eu sei. E eu até já providenciei um carregamento de lenços de papel exclusivamente para ela.

Bella mostrou a língua para sua brincadeira enquanto os dois paravam na frente do amplo balcão da joalheria. Antes que pudessem fazer qualquer coisa, uma mulher, alta, loira e magra, apareceu por uma porta lateral, vindo até eles com uma expressão azeda, até que avistou Edward. Após medi-lo rapidamente de cima a baixo, seu sorriso se abriu amplamente e seu rosto se tornou lascivo e sedutor.

- Olá. – era óbvio que ela estava cumprimentando apenas Edward. – Em que posso ajudar?

Era como reviver aquele dia no avião, só que com a adição negativa da pressão desconfortável em seu estômago ao ver a mulher flertar com Edward tão descaradamente, como se ela não estivesse ali... Mas, de novo, qual a diferença dela estar ali ou não? Eles não eram nada um do outro e Edward tinha o direito de receber quantas cantadas de mulheres bonitas ele quisesse. Mesmo que aquilo inexplicavelmente a incomodasse...

Será que se ela batesse a cabeça com força naquele balcão os pensamentos começariam a fazer sentido em sua mente?

- Viemos buscar uma encomenda. – ele deu a nota fiscal para a atendente, com a voz e a expressão vazia – É uma pulseira.

- Oh, sim, claro. – a moça sorriu galanteadoramente – Se o senhor puder me acompanhar até lá dentro...

- Sim, claro. - ele dirigiu um sorriso doce para Bella - Vamos lá. Espero que goste do resultado...

- Oh, perdão... – a atendente amuou prontamente, ficando rapidamente entre os dois e a porta – Mas não posso permitir que duas pessoas entrem em nosso estoque. Apenas o senhor pode me acompanhar.

- Não há porque apenas eu entrar lá com você. - Edward retrucou friamente - Basta trazer a jóia para cá.

- São normas da empresa não levar as jóias para o lado de fora se já não estiverem aprovadas e completamente pagas, senhor. Infelizmente não posso abrir uma exceção para você e sua... – ela lançou para Bella uma expressão venenosa – Namorada?

- Não estamos relacionados. – ele explicou ainda mais friamente, mesmo que isso tenha feito a expressão da atendente se iluminar – Mas somos ambos compradores do produto e temos o direito de vê-lo.

- É claro, senhor. – a atendente sorriu, o ânimo aparentemente renovado por saber que eles não estavam juntos – Mas já tivemos experiências ruins com assaltos e roubos que nos fizeram estabelecer essa regra. Levaria horas para ligar para o meu gerente e emitir uma nota que abrisse uma exceção para você dois. O máximo que posso fazer é pedir que um de vocês vá até o nosso cofre nos fundos da loja, avalie o produto com a supervisão adequada e depois eu volte e acompanhe o outro.

- Então acho melhor ligar para o seu gerente e dizer que nenhum de nós dois é um ladrão ou... – ele começou a rosnar, irritado, mas Bella o parou.

- Não, Edward. – ela suspirou – Essas duas coisas vão demorar muito. É melhor você entrar com ela e ver se a pulseira ficou como queríamos. – ela não pode deixar de fazer uma careta ao concordar com a atendente – Se demoramos muito aqui, pode ser que Esme desconfie e não queremos estragar a surpresa.

- Mas, Bella... – ele tentou argumentar.

- Eu compro aquele café que estávamos falando no carro enquanto isso, está bem? – ela sorriu, querendo mostrar uma tranquilidade que não estava sentindo ao perceber, de canto de olho, que a atendente mordia o lábio enquanto continuava a medir Edward – Além do mais, você entende muito mais do gosto de Esme para jóias do que eu. A minha opinião não seria útil.

- Realmente, insistir em vocês dois entrarem juntos no estoque só vai levar mais tempo. – a atendente ronronou – O senhor devia fazer como ela diz e vir comigo.

- Eu não concordo com isso, Bella. – Edward discordou, ignorando completamente a atendente – É seu presente também, deveria ver se gosta dele.

- Eu sei que vou gostar. Confio em você. - ela sorriu docemente, mas então parou, percebendo que aquele não era o tipo de sorriso que uma amiga dirigiria a um amigo. – Hã, v-você deveria ir... – ela apontou para a porta do outro lado do balcão – Vai ser mais rápido assim. Sabe que Esme já ficou desconfiada de eu não estar na última prova do vestido, então vamos tentar voltar logo... – ela tagarelou, inquieta, mesmo sabendo que estava repetindo seus argumentos, mas, sinceramente, ela não estava raciocinando direito há muito tempo – Eu vou lá... Comprar os cafés... – sem dar mais tempo para ele discutir, ela abruptamente se virou e saiu da joalheria.

Contudo, uma vez na rua, quanto mais longe ela ia, mais o pensamento de Edward sozinho com aquela mulher linda, tão mais alta, tão mais magra, tão mais refinada – tão diferente dela – martelava em sua cabeça. Não era possível que ela estivesse com ciúme. Por que estaria? Estava claro que ele não havia retribuído o flerte daquela mulher e, mesmo que tivesse, Bella não tinha absolutamente nada a ver com a vida amorosa dele. Além disso, ela teria que se acostumar com a ideia de que ele, muito provavelmente, encontraria alguém eventualmente. E eles eram ambos filhos de Esme e bons amigos... Um dia, inevitavelmente, ele se apaixonaria novamente por alguém e ela teria que ser legal com essa outra pessoa, que provavelmente não gostaria dela se soubesse que ela era uma ex-paixão de Edward.

Ex-paixão...

E lá estava aquele aperto em seu peito de novo...

Agoniada com aquela sensação sufocante, enquanto comprava os dois cafés – tentando também não pensar como ela e Edward gostavam exatamente do mesmo sabor com as mesmas combinações – seus olhos inquietos pousaram em uma das mesas externas da cafeteria, onde alguns clientes estavam sentados, lendo, conversando ou apenas observando a paisagem. E foi quando ela notou a figura sentada na última mesa, sob a sombra, de sobretudo e óculos escuros, olhando para onde ela estava sentada e desviando o olhar assim que se deu conta de que Bella percebera que estava sendo observada.

Não é possível..., Bella rosnou internamente, enquanto pedia para o atendente guardar os dois copos de seu pedido até ela voltar. Marchando, enfurecida, até o local das mesas, ela foi até a figura discreta, que agora estava se afundando na cadeira e parou diante dela, cruzando os braços fortemente sobre o peito.

- O que você está fazendo aqui, Marie? – ela rosnou, raivosa.

- Eu estou apenas sentada. – a senhora se endireitou na cadeira, aparentemente se recusando a ser intimidada – E você, bastardinha, não tem nada a ver com o que faço da minha vida.

- Oh, por favor. – Bella rolou os olhos – Acha que eu acredito que saiu da ilha apenas para passear? É óbvio que você veio até aqui para tentar impedir o casamento novamente. Já não foi suficiente tudo o que fez? – ela perguntou-lhe exasperadamente – Não percebe que Esme já está chateada o suficiente com você? Ela já deixou claro que jamais vai te perdoar por tudo o que fez e ainda sim você insiste em separá-los!

- Primeiro, não tem como provar que estou aqui para isso. – Marie disse, entre dentes – E, segundo, eu aconselho você a ser mais respeitosa comigo, mocinha. Sua mãe e o resto daqueles idiotas não estão aqui para defender você.

- Eu não preciso da proteção deles, Marie. Especialmente não contra você. – Bella retrucou, friamente – Mas, entre nós duas, acho que quem está mais sozinha é você.

Para sua surpresa, ela viu Marie realmente se empertigar com sua fala. Ela se remexeu na cadeira, endireitando-se ainda mais e entrando mais na sombra, mas o movimento inquieto fez as mangas do sobretudo subirem um pouco e, sobressaltada, Bella viu a grossa bandagem branca enrolada em torno de seu braço esquerdo, indo do pulso e se estendendo até o que parecia ser a altura do cotovelo.

- O que aconteceu com você? – ela perguntou, surpresa, mas ainda sim incapaz de não se preocupar com o porquê de uma idosa daquela idade estar ferida, ainda mais sendo ela quem era. Marie Volturi sempre parecia tão fria, tão no controle de si mesma e da situação, tão impenetrável... Vê-la com um curativo lembrou Bella de que ela ainda era o mesmo ser humano que estivera entre a vida e a morte há apenas um mês.

- Não é assunto seu! – Marie rosnou.

- Já foi no médico ver isso? – Bella a ignorou – Então essa é uma das razões de você ter vindo aqui? – ela perguntou devagar, até que algo passou por sua cabeça. – Espere, você estava sozinha na ilha. Quem a ajudou quando se machucou?

Depois dos longos segundos de silêncio, Bella já sabia perfeitamente qual era a resposta, mas ainda sim, Marie acabou confessando.

- Ninguém, já que todos decidiram que eu sou o monstro dessa história. – ela disse, baixa e friamente, sem olhar nos olhos de Bella - Eu caí da escada, mas consegui me levantar e chamar um barco para vir até aqui. Sei me cuidar sozinha, não preciso de ninguém, especialmente pessoas tão ingratas.

- Não é seguro viver ali sozinha, Marie. – Bella suspirou – Na sua idade...

- Por que está falando isso? – Marie esbravejou, interrompendo-a – Acha que pode me dar um sermão? O que importa para você se alguma coisa acontecer comigo? Você me odeia, não lembra? – rosnou a senhora.

- Mas você ainda é a mãe da minha mãe e uma senhora idosa que esteve doente até muito recentemente. – ela respondeu, friamente – Se não quiser receber meu conselho, então vá em frente. Mas saiba que nunca vai conseguir o perdão de Esme ou de Antônio ou de qualquer outra pessoa, se estiver morta. Eles sempre vão se lembrar de você exatamente como você disse: o monstro da história.

- Acha que eu quero o perdão deles? Quando eu sou a única pessoa sã no meio disso tudo? – Marie riu amargamente – Tudo o que eu quero é que ela sempre se lembre de que a pessoa que lhe deu a vida é contra esse maldito casamento! Talvez isso a faça ver com clareza a idiotice que está cometendo!

- A única coisa que ela vê, Marie, é a mãe que proporcionou a ela os maiores sofrimentos pelos quais ela já passou. – Bella estreitou os olhos – E se esse casamento está realmente fadado ao fracasso, como você tanto diz, porque então não o deixa acontecer? Deixar Esme simplesmente lidar com as consequências desse grande erro que você tanto fala?

- Então eu devo simplesmente aceitar que minha filha vai se casar com um homem completamente inapropriado e que não tem nada para oferecer a ela? – Marie rosnou.

- Ele tem amor para oferecer a ela. – Bella apontou, mesmo sabendo que aquilo era algo que os parâmetros distorcidos daquela mulher jamais a permitiriam entender. – E você está tentando impedir esse casamento porque, no fundo, sabe que eles vão ficar juntos. Sabe que está errada e que eles provariam isso no final. Por isso quer tanto impedir.

- Eu sei muito bem que estou certa! – ela grunhiu, revoltada - Amor não encheria as barrigas deles quando ela estava grávida de você! E continuará não enchendo. Tudo é um conto de fadas agora, mas no primeiro problema eles perceberão o erro que estão cometendo. E, aparentemente, eu sou a única que compreende isso e a única que está tentando fazê-la mudar de ideia.

- Você quer que ela mude completamente, Marie. Muito mais do que de ideia. – Bella suspirou – E ninguém vai mudar por você, porque você simplesmente não merece.

- Você foi tão mal criada... – Marie grunhiu – Eu deveria saber que minha irmã não seria capaz de criar adequadamente uma criança.

- Elas me criaram bem o suficiente para saber que, enquanto você tentar forçar as pessoas a serem exatamente do exato jeito que quer, nunca vai estar feliz com nada. Esme nunca vai deixar de amar Carlisle porque você quer, nem ele a ela. Mas, quer saber algo que você ainda não percebeu? O amor dos dois não vai fazer nenhum mal a você.

- Ela é minha filha! – Marie esbravejou – Se vai fazer mal a ela, também vai fazer mal a mim!

- Jura? – Bella ergueu uma sobrancelha – Porque até agora os maiores sofrimentos pelos quais ela passou foram todos orquestrados por você. Sinceramente, não parece que lhe dói tanto assim vê-la sofrer.

- Então o que eu devia fazer? Hã? Já que sabe tanto, porque não me diz como aceitar os dois, sabendo de tudo o que eu sei? – Marie rosnou.

- Mude o que você acha que sabe. Todo esse tempo, você tem tentado mudar os sentimentos de Esme e acabou perdendo ela por isso. O amor dela nunca fez mal a você, mas a forma como você lidou com o amor dela a machucou muito. Sinceramente nunca parou para pensar quem deveria mudar nessa história? – Bella questionou seriamente – Você querendo ou não, Esme vai ser casar, eu vou continuar existindo e Antônio não vai voltar para você. Pode permanecer pensando como sempre pensou e continuar sem ninguém, ou pode tentar melhorar a si mesma, admitir que errou... E então pedir perdão e deixar o tempo provar que você mudou. Talvez um dia eles te perdoem. – ela deu um pequeno sorriso, seus pensamentos em um certo homem dentro da joalheria – Já vi acontecer antes.

- Eu não estou errada. – a expressão de Marie escureceu ainda mais – E isso é o que o tempo vai mostrar. E não tenho nenhum interesse em Antônio.

A mentira escondida no fundo daqueles olhos castanhos, a cor exatamente igual a dos dela, fez o estômago de Bella revirar e sua espinha gelar. Não porque ela tinha ficado perturbada com a teimosia daquela mulher, mas porque, naquele momento, ela reconheceu nela a sua própria negação, sua própria teimosia. Quantas vezes ao longo dos últimos dias ela havia repetido que ela e Edward jamais iam ser um casal? Que ela tinha que dizer que ela não retribuíra os sentimentos dele? Que seu interese por ele era algo passageiro? Quantas vezes ela havia se enganado repetidamente, negando o óbvio apenas por ter se convencido de que simplesmente não seria capaz de se apaixonar por ele?

Ela era uma grande mentirosa. Uma mentirosa de cabeça-dura e em completa negação, que se recusava a aceitar os fatos por medo de ficar vulnerável e admitir que estava errada.

Assim como a mulher desprezível em frente a ela.

Talvez elas fossem realmente parecidas em mais coisas além da aparência. Contudo, se havia algo que as diferenciava, era que Bella sabia aprender com seus erros.

E ela jamais se permitiria ser como Marie.

Por isso, ainda um pouco assustada com sua descoberta, mas ainda assim determinada, ela olhou para Marie como se estivesse olhando para seu próprio reflexo e colocou em palavras aquilo que precisava admitir para si mesma.

- Eu acho que você é uma mulher teimosa e assustada que tem medo de perceber que estava errada. Então você cria todos esses argumentos distorcidos que provam que você está certa, porque tem medo de não saber o que fazer. Tem até medo de admitir que está apaixonada por um homem e que o afastou, quando na verdade deveria ter correspondido ele. E agora está com medo de admitir que sente falta dele, porque isso significaria admitir que errou ao não dizer que amava ele de volta e que talvez agora ele não dê mais uma chance a você. É realmente mais fácil se convencer de que não era para acontecer, ou que seria muito complicado, ou que não seria adequado ou qualquer outra desculpa que poderia inventar para se poupar de sofrer. – ela suspirou.

Olhando para cima, ela viu Marie olhando com intensa amargura e percebeu que havia tocado em um ponto fraco. Infelizmente, ela havia tocado em seu próprio pronto fraco também. No final, ela e Marie aparentemente não eram parecidas apenas na aparência realmente, elas também pensavam da mesma forma sobre algumas coisas. E aquilo deixou Bella ainda mais perturbada, porque ela não queria acabar com como aquela mulher, petrificada em suas próprias ideias, se recusando a abrir mão do que considerava correto e abrir os olhos para o quanto estava sendo hipócrita.

E ela vinha fazendo exatamente isso.

Ela vinha se enganando há vários dias. Encontrando desculpas para eclipsar o que ela realmente queria, negando o óbvio e se reprimindo ao máximo para não aceitar o que estava diante de seus olhos. Porque havia um nome para o que ela estava sentindo e Edward havia dito que sentia o mesmo por ela uma semana atrás.

Ela estava apaixonada por ele.

E, por mais que isso dificultasse ainda mais as coisas, era a verdade. E ela não ia fechar os olhos para isso e se fechar em seu próprio mundo como aquela mulher em frente a ela. Determinada, ela passou a falar agora apenas com Marie, sabendo que, mais tarde, o peso do que ela acabara de admitir para si mesma cairia verdadeiramente sobre ela. Contudo, antes, havia uma última coisa que ela queria que Marie Volturi soubesse.

- Todas aquelas coisas horríveis que você fez achando que estava certa... Ainda não conseguiu entender que são elas que provam o quão errada você está? Assim que perceber isso... E realmente se arrepender pelas coisas que fez... Talvez finalmente perceba que Esme está feliz e vai continuar feliz independente de você estar com ela ou não. Isso significa que você tem uma escolha: pode permanecer como é e perdê-la para sempre, ficando apenas com suas velhas certezas como companhia... Ou pode finalmente mudar de ideia e tentar se redimir com todos... Inclusive você mesma. Vai poder fazer todas as coisas que sempre quis e proibiu a si mesma. Talvez você finalmente consiga ser feliz.

- Mas saiba de uma coisa. – Bella estreitou os olhos para ela, sua voz tomando um timbre perigoso – Independente de você escolher mudar ou não... O casamento vai acontecer amanhã e eu vou estar lá para garantir isso!

- Isso é ridículo! – Marie rosnou – Você é ridícula!

- Então acho que só posso desejar boa sorte para você. – ela suspirou, nem um pouco surpresa com sua reação – E melhoras para o seu braço.

- Sua garotinha insolente...

Mas Bella saiu de lá antes que ela pudesse terminar, entrando no café para pegar seu pedido. Felizmente, Marie também parecia estar sem nenhuma vontade de continuar a "conversar" com ela, pois, ao sentar-se em uma das mesas internas do estabelecimento, ela viu pela janela a idosa se levantar, irritada, e sair pela rua, estremecendo um pouco ao passar a bolsa visivelmente cara pela ombro esquerdo, aparentemente magoando o braço machucado no processo. Mesmo depois de tudo, Bella ainda conseguia sentir pena pela situação em que ela se encontrava.

Apenas um segundo depois que Marie saiu de sua linha de visão, Edward explodiu para dentro da cafeteria, parecendo ansioso e preocupado. Ao avistá-la, ele avançou em um piscar de olhos até onde ela estava.

- Eu vi Marie saindo daqui. – ele disse, perturbado – O que ela fez? Você está bem?

Eu estou apaixonada por você.

Eu nunca estive tão perdida.

Eu não sei o que fazer, mas eu gostaria de beijar você agora mesmo.

- Sim, estou. – ela disse por fim, sem saber de onde estava tirando aquela calma em sua voz – Quando cheguei aqui, eu a vi sentada ali. Não sei se ela estava nos seguindo ou se foi só coincidência... Mas ela estava machucada: vi um curativo no braço dela. Aparentemente, ela caiu da escada na casa da ilha. – ela explicou ao ver o rosto confuso de Edward.

- Então você falou com ela? – Edward balançou a cabeça, ainda perturbado – Me desculpe por ter demorado tanto, mas aquela atendente... – ela grunhiu, visivelmente irritado – Enfim, não importa. Aquela maldita foi rude com você?

- O habitual. – Bella deu de ombros – Mas teve algumas reações que eu não esperava... Ainda assim, ela ainda está decidida a não deixar o casamento acontecer. – ela informou, preocupada - Temos que estar atentos amanhã.

- Com certeza. – ele se sentou em frente a ela, parecendo culpado – Me perdoe por ter deixado você sozinha com ela.

- Você não sabia que eu a encontraria. – Bella o consolou. Era engraçado como saber o que sabia agora havia lhe curado da fobia de olhá-lo nos olhos. Agora, ela podia se permitir mergulhar naquelas piscinas verdes sem nenhum temor – E não se preocupe, não foi tão ruim quanto nas outras vezes. Enfim, e o presente?

- Aqui. – Edward tirou da pequena sacola que trazia uma pequena caixinha retangular – Não entendo porque não pudemos ir juntos até lá. Nunca ouvi besteira maior. – ele reclamou enquanto abria a caixa e a virada para ela – O que acha?

Era deslumbrante. A prata intrincada e fina estava tão polida que Bella podia ver seu reflexo como em um espelho, enquanto as pedras cintilavam como estrelas, com um suave e encantador brilho azul .

- É perfeito, Edward. – ela elogiou, sem fôlego – Ela vai amar.

- Que bom que gostou. – ele sorriu – Vou guardá-lo no meu quarto, já que Esme vai ficar a manhã inteira com você e Alice. – olhando para seu relógio de pulso, ele suspirou – É melhor voltarmos. Ela deve estar se perguntando onde estamos.

Uma vez no carro, Bella encostou a cabeça no encosto do banco, a cabeça virada para o lado oposto do de Edward, e fingiu adormecer, sabendo que não agüentaria conversar com ele enquanto tinha tantas coisas na cabeça... E, com toda a sinceridade, ela também temia pular sobre ele se ficasse olhando por tempo demais.

Seria inútil perguntar a si mesma quando, como e porque se apaixonara por ele. Bem, talvez ela não pudesse definir quando, mas havia uma lista com uma série de qualidades que ela podia elencar para responder ao "porquê" e uma série de eventos – todos eles ocorridos naquele último mês – que ela poderia colocar na lista da categoria do "como". Pensando agora, era até engraçado como ela havia conhecido os defeitos dele antes das qualidades. A maioria das garotas geralmente fazia o caminho contrário.

E ela conhecia muito bem uma longa lista de defeitos dele. Mesmo agora, algumas vezes o antigo Edward ainda aparecia nele, nunca mais direcionado a ela, mas ainda assim ali, fazendo parte da personalidade dele, mas agora contido e infinitamente mais suportável. Em contrapartida, até mesmo ele já vira lados dela que a maioria das pessoas não viam: seu lado mais raivoso e desconfiado, mas também seus pontos fracos. Ela podia contar nos dedos as pessoas que já a tinham visto chorar desde que ela era criança e, incrivelmente, ele estava entre elas. E não apenas entre as pessoas que viram, mas também entre aquelas que a consolaram.

E quem diria que chegaria o dia em que Bella Swan se apaixonaria? Ela quase riu com aquele pensamento. Meses atrás, se alguém lhe dissesse que o primeiro homem a estar verdadeiramente em seu coração e em seus pensamentos seria Edward Masen, ela teria mandado aquela pessoa tratar seu vício em drogas. Mas agora ela estava ali, ao lado dele, pensando sobre ele, sonhando sobre ele... O único homem que já a fizera se sentir daquele jeito bagunçado e maravilhoso.

Mas pensar sobre porque ela estava apaixonada ou de onde vinha aquele sentimento não a ajudava na principal pergunta: O que ela faria agora? Sendo verdadeira consigo mesma, ela gostaria de tentar ter algo com Edward. Contudo, aquilo seria possível? E se ele tivesse mudado de ideia quanto a o quê dissera que sentia por ela? E se ele tivesse seguido em frente e fosse tarde demais? E o que Esme pensaria? Será que veria aquilo como incesto ou coisa assim? Bella se sentia mal apenas por pensar sobre isso.

O que ela deveria fazer? Uma coisa era ser sincera consigo mesma, mas será que deveria ser com os outros? Valeria a pena se abrir, especialmente com Edward e sua família? E se todos achassem que aquilo não passava de uma loucura? Alice havia dito que sempre achou que eles dariam um bom casal, mas será que ela realmente tinha parado para pensar nas repercussões que aquilo teria? E nenhuma daquelas conjecturas teria nenhum valor se Edward já não sentisse o mesmo. É claro, faziam apenas alguns dias, mas, bem, ela levara quase a mesma quantidade de dias para se apaixonar por ele. Se tinha uma coisa que ela tinha aprendido, é que os assuntos do coração podiam ser rápidos e imprevisíveis. O que a levava a, talvez, a pergunta mais importante de todas: Agora que tinha admitido que estava apaixonada por Edward...

O que ela faria se ele a rejeitasse?