- Onde você vai?

- Andar! - a castanha vestiu o vestido e saiu andando em direção a ponta da praia, onde tinha uma grande formação rochosa, em segundos o canceriano já estava ao seu lado com um sorriso maroto.

- Adoro mulheres bravinhas.

- Mask? - Eles chegaram a um metro da pedra da praia. - Mask aquilo é…..? - Calisto sentiu um frio na barriga, parecia que o sangue do seu corpo havia esvaído para algum lugar, as mãos estavam frias e os olhos arregalados.

Neste instante o Cavaleiro sentiu a aura da canceriana escurecer, sua pele perdeu toda a cor e a respiração ficou mais rápida, percebendo o tórax subir e descer! - Cali, por Athena o que está acontecendo? - genuinamente preocupado com o estado da companheira, ele pega em sua mão e tenta chamar a atenção para que ela o encarasse. - Calisto, o que está acontecendo? CALISTO!

Devagar a castanha gira os olhos em direção dos deles, os lábios tremiam levemente, respirou fundo tentando coordenar seus pensamentos com sua boca, assim saindo um fiapo de voz - Máscara da Morte, aquilo são caranguejos?

O cavaleiro que segurava a mão dela apenas girou o corpo pra trás, pois estava de costas para as pedras, sim havia alguns caranguejos grandes andando nas pedras, aliás alguns moradores do Santuário iam lá para "caçá-los" já que a prainha era bem conhecida por esses ilustres moradores. Calisto sentia sua perna bamba, a qualquer momento iria perder a consciência, por mais esdrúxulo que fosse, a canceriana tinha PÂNICO daqueles pequenos animaizinhos de pinças, sem sua sanidade, ela larga do enlace das mãos do dourado e sai correndo como se não houvesse amanhã para o lado oposto da praia.

- MA CHE ,CALISTO ONDE VAI?

Máscara da Morte sem entender nada, sai correndo tentando fazer a ligação dos fatos, mas estava perdidinho, até que alcançou sem dificuldade a moça e puxou para o chão imobilizando-a, virando ela de barriga para cima e segurando seus pulsos. - Calma! O que está acontecendo? Não estou entendendo nada. - Calisto se debatia no chão tentando se soltar inutilmente.

- Eles vão me pegar, eles vão me pegar, eles vão me pegar!

- Por Athena Cali, quem?

Num rompante a castanha levanta o rosto encostando a ponta do seu nariz no nariz dele, com os olhos bem arregalados - Os caranguejos!

Máscara chega a franzir o cenho, surpreso, depois relaxa e começa a segurar a risada - Como? Você tem medo de caranguejos?

A castanha sentindo que seu coração ia pular pela boca, só assentia, mas continuava tentar se soltar, novamente em vão, até que começa a ficar nervosa com as risadas do canceriano, por que ele estava rindo? Ele estava rindo da cara dela? Do medo absurdo que ela tinha daqueles crustáceos? Ahhhhhhhh não!

- Me solta! - disse entredentes - ME SOLTA! Quero ir embora daqui, me larga, não preciso disso, não preciso que ninguém fique rindo dos meus medos!

- Non precisa ficar nervosinha, mas é que, ahahahahahahaha, uma canceriana com medo de caranguejos! Hahahahaha.

- ME SOLTAAAAAA! - Calisto se debatia debaixo do cavaleiro.

Máscara da Morte revirou os olhos e se levantou para que ela se erguesse do chão. - Droga, estou toda suja! - Calisto batia na pele bem nervosa para a areia desgrudar. - Me leva daqui Máscara, quero ir embora, perdeu a graça.

- No não fique brava comigo, é que eu nunca tinha conhecido alguém com pânico de caranguejo. - ele veio todo faceiro abraçando o pequeno corpo dela e lhe dando um monte de beijos na bochecha. - Perdona-me bella, é que já vi pânico de barata, aranha, cobra, mas caranguejo? Realmente cara mia, és única. - continuou dando beijinhos em todo rosto de Calisto que já desenhava um sorriso tímido nos lábios - Perdona-me? Non quero te ver brava comigo, hum? - ele levantou uma de suas sobrancelhas esperando sua resposta.

Mal sabia ele que ela já tinha perdoado, se achava ridícula por ter aquele pânico, mas era incontrolável, Calisto viu uma oportunidade de dar um passo ousado, poderia dar certo, já que ele havia lhe levado para aquele lugar paradisíaco, haviam se curtido um montão, chamou ela de "mia", ficou preocupado com ela, ele tava caidinho, só podia, então ela olhou no fundo daqueles olhos claríssimos e soltou-a bomba.

- Só te perdoo se você namorar comigo!

- Che?

Máscara da Morte engoliu em seco, enquanto vislumbrava aquele rosto lindo lhe sorrindo e aguardando, passou milhares de coisas na sua cabeça em segundos, ele estava realmente envaidecido pela proposta, ainda mais que estava curtindo demais a canceriana, porém algo martelou na sua cabeça, a culpa, e se prendendo neste sentimento, de não ter contando a verdade no dia que eles dormiram juntos e de estar até aquele momento sem coragem de lhe contar, que impediu de dar um passo para a sua felicidade.

- Io sinto muito, non namoro com ninguém, sou um cavaleiro e não posso criar laços.

O sorriso de Calisto foi se desfazendo e seus olhos foram ficando marejados.

O dourado se arrependeu imediatamente, claro que queria namorá-la , ele nunca tinha ficado com uma mulher tão autêntica, tão carinhosa e doce, mesmo sabendo de todo seu histórico e peculiaridades e além disso, linda aos seus olhos. Queria dizer para ela esquecer o que havia acabado de dizer, ainda mais vendo ela tapar a boca com as mãos e as lágrimas começarem a cair de seu rosto.

- Calisto….. - ele ergueu a mão para tocá-la, mas ela se afastou.

Ela respirou fundo fechando os olhos com força sentindo as lágrimas escorrerem pelo seu rosto corado pelo sol, abriu os olhos devagar, sentia aquela agulhada no coração e o frio descer pela barriga, mais uma vez ela estava sendo rejeitada, ela olhou para o lado se culpando por ser do jeito que era: desajeitada, desastrada, sincera até demais, chorona, nem era tão bonita, sentiu mais uma agulhada no coração, olhou para o canceriano, afinal quem ia mesmo querer namorá-la, ele tentou se aproximar novamente para secar-lhe as lágrimas, mas ela recuou mais uma vez. - Não precisa me acompanhar, eu sei o caminho de volta, eu ….. - ainda o encarando com uma tristeza que podia ser tocada de tão forte - Eu vou embora, até mais Máscara da Morte. - se virou e caminhou pela trilha que os tinha levado para praia.

- Calisto, non faz assim, deixa eu explicar….

Ela virou para trás com os olhos bem vermelhos e encharcados - Não precisa, boa tarde. - Deixando Máscara da Morte para trás seguiu com o coração pesado e dolorido rumo às doze casas.

Já o dourado se irritou profundamente chutando um monte de areia, se culpava por mais uma vez ser covarde, por mais uma vez magoar alguém, por mais uma vez ser quem era.

x.x.x.x.x

Alguns dias se passaram.

- Koga, alguma novidade de Calisto? Camus passou agora pouco em escorpião e disse que ela não quer fazer nada.

- Olha Lu, sinceramente acho que esse "luto" já passou da hora, temos que ir lá mesmo ela não querendo nos receber e a gente dá um jeito e arrancamos ela daquela cama, qualquer coisa a gente pede ajuda para Marie que ela dá um jeito! - A virginiana disse já pegando sua bolsa e indo até a sala privativa de Virgem para avisar Shaka de sua saída.

As duas iam subindo a escadaria até que Luísa perguntou: - Achei que ia pedir pra morar em gêmeos com Kanon! - disse travessa, aposto que o Anjão não vê a hora!

- Você não acha que está muito cedo Lu? - Koga a olhou com certa insegurança. - Nem faz tanto tempo que…. estamos aqui e se de repente do nada a gente voltar!

A escorpiana sentiu um frio na barriga só de pensar em não ter mais a companhia de Milo e mesmo dos novos amigos que havia se afeiçoado tanto.

Arrumou o rabo de cavalo e continuou olhando para cima - Não vamos pensar nisso Koga, hoje é dia de animar a Cali! A gente não pode deixar ela minguando desse jeito.

- A gente podia levar ela pra cidade, né? Tomar um sorvete, sei lá, fiquei sabendo pelo Shun que abriu uma sorveteria nova! Podíamos ir lá experimentar com ela, ela gosta tanto de doces!

- Er… não só ela, não é! Dá pra ver que Kanon vai ter que treinar mais arduamente com tantos mimos que tu faz pra ele! - Luísa riu baixinho.

- É verdade, mas ele é um esganado, é só ele me ver e me pede, bolo, mousse, um monte de coisas! Saga também não fica pra trás não!

- Ah, mas se eu namorasse uma confeiteira que nem tu, acho que faria igual!

As duas finalmente chegaram a casa de Aquário, para surpresa de Luísa, Milo, Camus e Afrodite conversavam no hall, estavam sérios, então provavelmente seria sobre alguma missão.

- Bonsoir medames - Camus disse logo abrindo espaço pra elas passarem, Koga se encantava toda vez com o teto submarino na casa e com todos os primas que se formavam nas colunas, era realmente muito lindo. - Vieram ver Calisto? - O ruivo disse ajeitando as longas mechas lisas num coque alto.

- É….. é sim! - o aquariano era de tirar o fôlego de qualquer uma, porém um certo escorpiano sentiu uma leve pontada de ciúmes.

- Lu, hoje nós iremos ter a noite de carteado dos Cavaleiros, uma noite só de homens! - Milo dizia como se alguma forma provocasse ciúmes, mas que infelizmente não surtiu em nada!

- Ótimo! - Luísa respondeu animada para a surpresa do escorpiano - Hoje nós queremos levar Calisto para passear na cidade, vamos na sorveteria nova que abriu!

- Sim, depois podemos ver se a gente acha algum lugar com música ao vivo, vai que a gente consegue fazer ela dar uma canja e animá-la ainda mais! - Koga dizia com a mesma animação.

- Kanon já está sabendo disso? - o escorpiano perguntou não gostando muito da programação das garotas.

-Não. Mas não acho que ele vai se importar, afinal, vocês terão a noite dos meninos e nós das meninas!

- Será que as Amazonas não se animam também? - a escorpiana ficou ainda mais animada com a idéia.

- Bom, primeiro temos a missão de tirar a Cali da cama, se conseguirmos vamos chamá-las!

Luísa ergueu os dois braços já fazendo uma dancinha - Ebaaaaa, noite das meninas, noite das meninas! - dizia cantando e dando um beijinho na bochecha de Milo

- Se comporta hein, dona Luísa - Milo a encarou erguendo uma das sobrancelhas

- Sempre! - Luísa soltou um risinho achando fofa a cara enciumada do escorpiano.

Após a permissão de Camus, as duas entraram na Casa de Aquário, sendo recebidas por Marie que logo já foi para cozinha para preparar um lanche para as garotas.

- Meninas ela está de dar dó, não sei o que aquele carcamano mal amado disse pra ela, mas ela não quer sair do quarto, nem comer direito ela está.

- Pode deixar Marie, a gente tira ela dessa cama é hoje mesmo! - Koga disse convicta!

x.x.x.x.x

Calisto ouviu algumas batidas na porta de seu quarto e logo permitiu a entrada das amigas, Luísa foi logo se sentando na cama e Koga ficou em pé olhando a castanha que estava com a cara bem abatida. A escorpiana segurou sua mão lhe dando um carinho singelo.

- E aí amiga, como tu está? A gente veio fazer uma visita, estamos com saudades, faz três dias que você se enfiou aqui e não quer sair.

- Até o Camus está preocupado… - Koga completou.

- Você não quer dizer o que aconteceu? - Luísa perguntava de forma carinhosa.

Calisto se sentou na cama apoiando as costas da cabeceira, fungando um pouquinho. - Ah meninas…- seus olhos voltaram a marejar. - O que aconteceu é que eu sou uma idiota! - a canceriana contorceu o rosto sentindo novamente as lágrimas caírem, sendo prontamente secas por Luísa.

- Não fale assim Cali. - Koga se sentou do outro lado da cama apoiando também as costas na cabeceira.

- Eu fui uma tonta como sempre, eu me apaixonei muito rápido pra variar, e fiz tudo errado.

- O que tu fez de tão errado Cali? - Luísa se preocupou. - Tá certo que Máscara da Morte não é o cara mais normal do mundo, mas a gente até comentou que com você ele parecia ser um cara bem legal e que estava gostando bastante de ti.

- Até eu pedir ele em namoro! - Calisto voltou a chorar, mas tentando se recompor para continuar - E é óbvio que ele não quis, também, quem ia querer namorar comigo? Eu sou boba, romântica, desastrada, feia, não tiro a razão dele.

- Cala boca Calisto, olha o que você está falando! Você não é nada disso.- Koga disse nervosa, sem acreditar nas palavras da canceriana.

- Sem ser a parte do desastrada né! - Luísa disse rindo e fazendo Calisto rir junto pra relaxar. - Amiga, se ele não quis te namorar, ele que está perdendo uma pessoa maravilhosa! Você é linda, tem um coração enorme, é justa, tem uma voz de sereia, é companheira, fiel, tu tem muitas qualidades.

- Ele é um babaca! - Koga por fim terminou revirando os olhos. - Ele foi um babaca desde o começo.

- Koga…. Cali gosta dele, talvez se você conversar com ele.

- Não! Não tenho nada pra falar, eu quero que ele se exploda! - Calisto disse assoando o nariz.

- Ótimo! Nós também! - Koga se levantou da cama. - Então hoje a gente vai comemorar a explosão do caranguejo lá na cidade. - A virginiana já foi abrindo o armário da amiga, porém assim que as portas se abriram, ela logo fechou com os olhos arregalados. - Calisto do céu, como é que você vive com um armário tão bagunçado assim?!

Luísa soltou uma risada gostosa da cara da morena que arfava com seu toque de arrumação. - Vamos Cali, vai tomar um banho enquanto eu ajudo a Koga aqui, porque ela não vai conseguir sair desse quarto enquanto seu armário não estiver arrumado.

- Ai gente, não sei não se eu quero sair, tô com a cara toda inchada, e vai que….

- Vai que o que? - Koga dizia já tirando o amontoado de roupas e jogando em cima da cama.

- Vai que eu esbarro com ele na quarta casa? - Calisto disse envergonhada.

- Por isso mesmo que tens que estar maravilhosa, para ele ver o que perdeu - a escorpiana disse estreitando os olhos vingativos. - Pode deixar que a gente vai te arrumar pra ficar mais linda que já é.

Depois de quase uma hora, as garotas saíram do quarto. Calisto estava com um vestido preto de alças, bem cavado na lateral, mostrando a tatuagem enorme que tinha nas costelas, ela tinha um roseiral como gostava de dizer, que ia das costelas, subindo até o ombro direito, o vestido era curto, mas por ser muito baixa não deixava vulgar, o que dava todo o toque no look era a sandália gladiador preta toda de tachas prateadas.

- Uauuu mon ange, está linda! - Camus disse parando na frente da canceriana, pegou em sua mão e fez ela dar uma voltinha, tirando uma risada envergonhada da moça - Feliz é o canceriano, hein?

Calisto na hora se entristeceu, o que deixou Koga e Luísa preocupadas e o aquariano logo entendeu a clausura de sua hóspede.

- Nós não estamos mais juntos Camyu. - a canceriana baixou o olhar triste.

- Enton foi ele que perdeu, olha só você! Está merveilleux! - o ruivo lhe beijou as bochechas. - Non ligue para ele, o que for pra ser serrá!

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Na cozinha da confeitaria, Kika dobrava com carinho o avental com o logo da doceria que Koga usava. Havia dobrado e desdobrado a peça por tantas vezes que já até tinha perdido a conta, suspirou olhando para a cozinha impecavelmente limpa e organizada assim como a irmã mais velha gostava de deixar quando o expediente se encerrava. Uma lágrima escapou de seu olhos, e logo outras seguiram o mesmo caminho.

- Ai Koga... se eu soubesse que isso poderia acontecer não tinha insistido tanto pra você fazer essa viagem... - choramingava a canceriana sem notar que Andy entrava ali, e tomou um susto quando ele tocou seu ombro. Mas olhando para o mais novo notou que ele sofria tanto quanto ela.

- Eu não sei por que, mas eu não consigo aceitar que ela se foi pra sempre, Kika.

- Eu também não, maninho. - Kika fungou e enxugou o rosto com as costas das mãos. - Mas a gente tem que aceitar e deixar o espírito dela descansar. Ela não ficará em paz enquanto a gente não superar a mor... - Kika não conseguiu terminar e Andy a abraçou até que ela se controlou, e se afastou com uma expressão pensativa.

- Kika, a gente vai ter que passar a Ki-doçura...

- Passar a confeitaria? - Kika interrompeu o mais novo - Aqui está toda a vida dela, a gente podia deixar pra pensar nisso mais pra frente, Andy.

- Eu sei, Kika, também vejo ela em cada canto dessa confeitaria. Mas isso é exatamente o que a Koga não ia gostar de ouvir. Você sabe que ela odiava deixar as coisas pra resolver depois.

- É... - Kika suspirou mordendo o lábio, e alisou o nome da irmã bordado no avental. - você tem razão. Ela não tinha muita paciência mesmo. Lembra da inauguração?

- Ô se lembro - Andy riu com as lembranças e deu a volta no balcão - Fez a gente passar a noite inteira aqui contando e recontando todos os produtos, talheres, copos...

- Ah, mas até que valeu a pena, vai. A gente nunca comeu tanto quanto naquela noite. Tudo que ela preparava, dava pra gente provar e nem deu pra notar o tempo passar.

- E quando deu a hora de abrir a loja, tava todo mundo moído mas ela não deu moleza, me fez entregar panfletos por todo o bairro, só de lembrar já fico cansado. - o mais novo se debruçou no balcão.

- É, o movimento foi bom naquele dia - Kika deixou o sorriso morrer, ficando pensativa.

De repente o silêncio pairou entre os irmãos, e Andy percebendo que a tristeza voltava a se instalar na irmã, puxou o avental das mãos dela, a perturbando:

- E com certeza ela ia dizer que esse avental tá mal dobrado e que eu dobro melhor que você. - e mostrou a língua pra ela, que devolveu a careta.

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Logo que saíram, deram uma parada em virgem para Koga se trocar rapidamente, a morena também ousou no visual, colocou vestido de um ombro só, verde água, e colocou na lateral de seus cachos negros uma presilha linda cheia de pedrinhas verdes e ametistas da mesma cor de seus olhos!

- Uauullll, mas ela está um arraso também! - Luísa disse animada e Calisto sorriu ao ver a amiga tão bonita!

- Acho que um certo geminiano vai morrer de ciúmes da Bombom! - Calisto disse tentando se auto animar.

Até que finalmente passaram por Câncer, onde seria a reunião dos Cavaleiros que já havia até começado, meio relutante Calisto entrou na casa, pois Koga e Luísa queriam se despedir, ela ficou apoiada no batente da porta de entrada enquanto as duas foram até a varanda para se despedir, porém assim que um certo loiro pousou os olhos na sua morena, sentiu as bochechas esquentarem.

- Onde você vai? - Kanon logo perguntou olhando Koga que estava linda de verde.

- Vamos tomar sorvete e depois queremos achar algum bar com música ao vivo! - a virginiana respondeu animada.

- Mas...mas, tem que ir assim? - O loiro apontou ela toda.

- Ué, assim como? - a morena abriu os braços se olhando também.

- Ixiiiiii, respira fundo Kanon! - Aldebaran já via que aquilo ali podia não terminar bem. - Elas só vão sair um pouco e se divertir, relaxa!

O Marina estreitou o olhar para o taurino, mas logo sentiu os dedos de Koga lhe puxar o rosto para que ele a olhasse. - Anjão, eu só tenho olhos pra você, não precisa disso, estamos saindo porque Cali está muito triste, não se preocupe tá! - ela deu um beijo nos lábios do geminiano que fingiu que se acalmou.

- Está bem, mas se cuida, e qualquer coisa, qualquer coisa grita meu nome que eu vou aparecer em um segundo do seu lado.

A virginiana riu do desespero do namorado, tão fofo enciumado. - Eu acredito que você estará em um segundo ao meu lado, mas não se preocupe, nada vai acontecer, mas não me espere, vamos chegar tarde!

Mais uma vez o rosto bonito do geminiano se contorceu, mas ele respirou fundo e assentiu, pois não queria se indispor com Koga.

Já Luísa e Milo foram para um canto da varanda, o escorpiano se apoiou no guarda corpo com as pernas abertas para ficar na mesma altura da castanha, seus braços estavam apoiados na cintura dela que havia passado os braços por trás do pescoço do loiro e lhe beijava a boca docemente.

- Você vai se comportar né Lu? - Milo dizia entre os beijos gostosos de Luísa.

- Claro que vou Milo, você acha que depois que tudo que eu te disse eu teria coragem de fazer alguma coisa errada? - o grego baixou o olhar e sorriu. - Hei, lindo? Não se preocupa tá, estamos fazendo isso pela Cali.

- Ok, eu confio em você. - Milo disse trazendo ela novamente para um beijo um pouco mais quente.

Infelizmente Calisto, antes de sair da Aquário, tomou quase um jarro de água inteiro de tanto que havia chorado e se sentia desidratada e a natureza fez seu chamado e ela teria que ir ao banheiro imediatamente.

- Droga Calisto, se tinha que ter vontade de fazer xixi bem aqui? Pior que não dá mais pra segurar. - a canceriana olhava as amigas falando com seus companheiros animadas. - Droga!

Sem ter mais o que fazer, ela entrou na casa que conhecia muito bem, conhecia tão bem que sabia que o lavado estava interditado só sobrando o banheiro do quarto principal. Sem poder conter a vontade de fazer xixi, se direcionou ao quarto de Máscara da Morte, mas antes abriu a porta bem devagar para ver se ele não estava lá. - Uffa a barra tá limpa. - notou o quarto mais bagunçado que o normal, diferente dela, o canceriano era bem organizado com as coisas da casa, gostava de tudo arrumado no lugar certo, principalmente a cama que parecia de hotel de tão bem esticada, porém desta vez, tudo estava pelos ares. - Nossa, que estranho! - pensou alto, logo conseguiu finalmente ir ao banheiro.

- Agora sim, dá pra ir embora! - disse se olhando no espelho enquanto lavava as mãos, mas paralisou ao olhar o reflexo do italiano na porta com uma cara confusa.

- Calisto? - ele disse sorrindo para ela. - O que faz aqui?

- Eu? ahm… - Calisto tinha vontade de sumir, de chorar, não estava preparada para vê-lo tão cedo. - Eu tenho que ir embora, com licença! - ela foi saindo empurrando ele para que saísse da sua frente, contudo ele a segurou pelo braço, não com força, mas igual ele havia feito em touro e isso foi o estopim para a canceriana. - VAI ME MACHUCAR DE NOVO MÁSCARA DA MORTE? - ela disse aos berros, sentindo as lágrimas caírem, como ele ousava?

- Não Cali, eu nunca irei te machucar de novo - ele disse confuso e envergonhado a soltando.

Calisto o encarou triste. - Realmente… você já me machucou demais! Não tem mais o que machucar, não é mesmo?

- Cali não faz assim, a gente precisa conversar, por favor deixa eu explicar! - ele tentou se aproximar dela, o que fez ela andar pra trás e bater com as costas na porta. "Droga! Como essa porta veio parar aqui?"

Ele juntou o corpo no dela para que ela não saísse. - Você está tão linda, eu não consigo parar de pensar em você Calisto. - ele passou a mão em seu rosto para secar as lágrimas, porém ela não levou o elogio de uma forma positiva e sim como mais uma forma dele tentar se aproveitar dela.

- Me solta Máscara da Morte, eu não quero mais nada com você, eu quero sair daqui, por favor! - ela disse nervosa e séria, deixando o canceriano aflito,

- Calisto fica aqui? - ele disse colocando uma mecha do cabelo dela que havia caído por cima do rosto atrás da orelha. - Eu tenho muita coisa pra lhe falar.

A canceriana ficava cada vez mais furiosa com a cara de pau dele, e num rompante de nervoso empurrou ele com tudo para que se afastasse. - EU NÃO TENHO NADA PRA CONVERSAR COM VOCÊ! EU TE ODEIO, ME DEIXA EM PAZ! - ela se virou rapidamente e abriu a porta do quarto saindo correndo pelo corredor avistando Luísa e Koga que não entenderam nada ao serem puxadas pela canceriana para sair da casa - Vamos embora, rápido!

- Calma Cali, o que aconteceu? - Luísa perguntava enquanto era arrastada pela menor.

- Depois eu explico, só quero sair daqui!

Continua…