Todos estavam em silêncio na sala, contemplando o céu escuro da noite. Não havia nenhum sinal de movimentação do lado de fora... tudo estava silencioso, as estrelas não brilhavam e a lua se escondia por detrás de uma nuvem. Se perguntavam onde estava Ronny e Dora? O que acontecera com Fred e Arthur? Por qual motivo Bill e Fleur ainda não tinham chegado? Siris e Draco conseguiram escapar dos ataques que sofreram? Será que todos voltariam sãos e salvos? Enquanto todo o silêncio se expandia pela casa, Harry ajudou Hagrid a conseguir entrar de volta, ao mesmo tempo em que, Molly e Ginny limpavam o ferimento de George. Antes que alguém falasse alguma coisa, escutaram um barulho de aparatação do lado de fora e, pouco depois, viram um vulto preto entrar na residência rapidamente.
- Como o seu filho está? – perguntou Snape guardando a máscara dentro do bolso do sobretudo e viu indo em sua direção uma versão de Molly Weasley a qual não gostava nem um pouco. Após ter recebido alguns tapas e ser arrastado para a sala por uma orelha, como se fosse uma criança de 8 anos, a ouviu esbravejar contra ele e quase azará-lo.
- Como o meu filho está? Veja por você mesmo, Severus! Seu irresponsável... quase o matou e arrancou a orelha dele. É isso o que quer saber? Veja o buraco que ficou no lugar onde ela deveria estar! – respondeu a ruiva mais velha rispidamente voltando a lhe dar uns tapas para descontar toda a raiva que sentia.
- Ah, por Merlin, se controle! Não planejei acertá-lo e nem arrancar uma das orelhas dele. Se quer saber, eu sinto muito! Pode até se vingar, se isso for a sua vontade, mas não estou aqui para discutir responsabilidades ou motivações. Também pare de me bater, pois eu não sou um dos seus filhos! – retorquiu nervoso passando a mão pelos cabelos. Odiava ter que se desculpar e, mais ainda, ver que fracassou em algo de seu domínio e conhecimento.
- Realmente, não é... mas, desde a primeira vez que colocou os pés aqui, eu te tratei como se fosse um deles! Tem horas que você age como se tivesse a idade da Ginny, por sinal - manteve o semblante bravo olhando para ele com os braços cruzados sobre o peito, vendo que ele entortava a boca para o lado, demonstrando contrariedade, continuou:
- Aliás, se eu não o conhecesse há anos, arrancaria vários pedaços do seu corpo pelo o que fez.
- Molly, me perdoe! Estávamos no meio de uma batalha a céu aberto, mirei em um Comensal que desviou e o feitiço atingiu o George... foi isso o que aconteceu. Ele e o Remus seriam assassinados... – tentou argumentar, no entanto, foi interrompido.
- Olha, Severus... não espere que isso ocorra imediatamente. Sei que jamais machucaria as minhas crianças, contudo, quero que entenda que não é fácil vê-lo assim e saber quem é o responsável – falou sem o encarar novamente.
- Justo. Entretanto, posso ser útil e tentar amenizar um pouco o estrago estancando o sangue e apressando a cicatrização? – disse retirando o casaco e se aproximando do sofá onde o rapaz estava deitado, observando a gravidade do ferimento e franzindo o cenho para o que via.
- É o mínimo! Só me responda... isso foi Magia das Trevas, não foi? – o questionou.
- Sim, um feitiço criado por mim. Não possuo a capacidade de fazê-la crescer novamente... entretanto, garanto que posso amenizar um pouco isso – falou mantendo o foco no contrafeitiço direcionado ao rapaz ruivo. Snape percebeu que estava sendo observado atentamente por todos os que estavam na sala e que pareciam estar segurando a respiração durante o tempo em que recitava as palavras. Toda essa atenção dos demais foi, subitamente, interrompida por Ginny que entrou avisando que Hermione e Shacklebolt, já haviam chegado e se encontravam no jardim. Pouco depois, se sobressai uma voz entrando pela cozinha expressando todo o nervosismo nas palavras:
- Quim, eu provarei que eu sou o verdadeiro, depois de ver o meu filho. Agora saia da minha frente, se você tiver ciência do que, realmente, é bom para você!
Harry nunca tinha ouvido Arthur gritar com alguém ou agir daquele jeito, principalmente, quando ele entrou na sala de estar e agarrou o bruxo de olhos de ônix pelo colarinho da camisa e o sacudiu. Snape não fez qualquer menção de reagir, mesmos com a clara ameaça de que seria agredido, sabia que o homem estava coberto de razão em sentir raiva e precisava descontar em alguém. Ainda mais, se essa pessoa fosse a responsável por um dos seus filhos estar ensanguentado e sem uma parte do corpo. Antes que alguma coisa acontecesse, Fred segurou o pai e pediu para que ele se acalmasse, fazendo com que soltasse o outro.
- Arthur... eu já pedi perdão a sua esposa e estendo a você. Jamais atacaria os seus filhos, sabe muito bem disso – expressou as suas desculpas de forma séria.
- Eu sei, Severus... porém, não pode me tirar o direito de me enraivecer vendo o estado em que ele se encontra – retrucou e viu o outro apenas assentir e voltar ao que estava executando.
- Molly, como ele está? – inquiriu, percebendo que ela não se movia ao lado do filho. Permanecia ali atenta a tudo o que era feito para que o seu menino ficasse curado.
- Melhor do que quando chegou... – soltou uma respiração pesada.
George permanecia em silêncio com os olhos fechados e Fred o fitava apavorado, não conseguia esboçar qualquer reação diante daquilo... não conseguia acreditar no que presenciava. Depois que fez algumas piadas, a respeito da perda da orelha, para o irmão e dizer que, finalmente, as pessoas conseguiriam os diferenciar, perguntou onde se encontravam os outros. Recebeu como resposta que apenas os que se encontravam ali tinham retornado, os demais, seguiam desaparecidos. Ginny saiu pela cozinha, acompanhada por Harry, para esperar que os outros voltassem... estava preocupada com Draco e sentia medo que ele nunca mais regressasse. O bruxo de olhos verdes apenas segurou a mão da amiga e permaneceu olhando para o céu, na expectativa de que, logo, todos estivessem ali. Até que a sua atenção se voltou para a castanha que passava com Snape atrás dela, iniciando mais uma discussão. Isso o fez virar para a ruiva e apenas dizer que não restava dúvidas de que brigariam novamente e, ela, apenas concordar enfatizando que achava os dois teimosos demais para admitir que erraram.
- Hermione, preciso falar com você – falou a agarrando e virando em direção a ele.
- Seu... ridículo, idiota, me solta! – disse puxando o braço que Snape segurava com força para impedir que ela se afastasse. Com o dedo em riste, ela começou a esbravejar:
- Aparece após semanas desaparecido, depois de ter me dito uma série de absurdos e tem a audácia de afirmar que precisa falar comigo? Cadê a minha varinha?! – gritava o enchendo de tapas e tentando empurrá-lo para longe. Estava ofendida, ferida e revoltada com tudo o que acontecera... principalmente, porque sentia sentimentos conflitantes dentro de si e não conseguia lidar com nenhum.
- Por Merlin, bruxa... se acalme! Nós nos ofendemos e nos machucamos, usamos palavras como armas para atingir um ao outro... – falou a aproximando de si. Não queria que ela se ferisse em meio àquele ataque de fúria. Depois de um tempo se debatendo e brigando com ele, Hermione sossegou um pouco e apenas sussurrou:
- Desculpe. Não queria te ofender... foi por um ciúme bobo que tudo isso aconteceu.
- De fato... entretanto, o que houve, me fez ver que você merece alguém melhor do que eu – Snape passava a mão nos cabelos dela. Se sentia horrível por tudo o que fizera e constatava que não passava de um sádico, um bastardo egoísta que exigia tanto amor para si e o desdenhava por medo.
- Nós nos merecemos! Reconheça isso, seja homem... pare de me magoar e me torturar com o seu desprezo – a castanha o encarou com um semblante decidido.
- Compreenda... palavras muito duras e irresponsáveis foram ditas, mais da minha parte do que sua. Eu sou mais velho, deveria ter agido conforme a minha idade e não como um maldito adolescente imaturo. Hermione, uma discussão, como as duas que ocorreram, uma hora ou outra, vão surgir novamente e a tendência é piorar - a sua voz soava triste e cansada ao expressar aqueles pensamentos. Como se estivesse em um debate acirrado internamente, prosseguiu tentando esboçar uma total segurança do que fazia... todavia, estava perdido.
- Espero que me perdoe por ter sido cruel e duvidado de quem você é realmente, nunca tive a intenção de te maltratar... suas lágrimas só comprovam o quanto eu sou horrível. Do mesmo jeito que, estou disposto a superar o fato de que me chamou de Comensal da Morte imundo. Resolvemos as coisas assim e seguiremos em frente. Você está livre de mim.
- Severus... o que isso significa? – questionou se afastando um pouco para perceber onde iria chegar aquilo.
- Tudo foi um erro... sou um velho nojento, pervertido, fracassado, sujo e pobre, que não tem absolutamente nada para te oferecer... um verdadeiro desgraçado, porco e egocêntrico! Você é mais forte do que eu. É jovem, inteligente, bonita e cheia de sonhos, tem uma vida inteira pela frente. Foi um equívoco abismal ter deixado que se aproximasse novamente de mim. Eu não quero mais estragar os seus sonhos com a minha amargura e, principalmente, a minha presença... – enfatizou olhando para os próprios pés. Sabia que era fraco e covarde em não a encarar, não suportaria ver a dor estampada nos olhos dela. Era necessário, precisava protege-la, por mais que lhe matasse aos poucos aquela distância.
- Não vá embora... não quero que fiquemos longe um do outro! Não diga que foi um erro o que vivemos. Sei que não acredita nisso... Severus, você me ama também, por mais que queira negar e lutar contra os seus sentimentos – a voz saia em meio aos soluços do choro. Ela o agarrava com todas as forças para que não partisse.
- Hermione, pare! Não se humilhe... não sou digno das suas lágrimas e de tanto sofrimento. Entenda que estou te deixando livre, faço isso por você. Me esqueça! Eu te imploro... – argumentava com as duas mãos nos ombros da castanha a sacudindo. Começava a se desesperar a vendo tão angustiada.
- Severus, espere! Me responda... porque você está fazendo isso comigo? O que aconteceu? Qual é o problema, afinal? – percebendo que ele não respondia, continuou tentando entender o motivo que o levava a abandoná-la.
- Já falamos sobre isso... não é um engano ou uma ilusão, é o que eu quero! Respeite a minha decisão de querer ficar com você e pare de ser teimoso. Deixe de ir ao encontro da tristeza e fique comigo. Fugiremos até o fim do mundo se for preciso para que possamos viver o nosso amor. Só prometa que vai me abraçar forte todos os dias, me prender nos teus braços quando eu sentir medo... é só isso que eu necessito para ser feliz – foi se reaproximando lentamente, levando Snape a fechar os olhos e não conseguir se mover, como se os seus pés estivessem presos ao chão.
- Você não sabe o que diz... é arriscado o que me pede – sussurrou fraquejando diante dela.
- Tenho certeza... quero que volte a não se julgar tanto e queira mergulhar em nós novamente – a castanha argumentava espalhando pequenos beijos no pescoço dele.
- Eu sou um monstro... um anormal que só te machuca – continuou com um fio de voz, se agarrando aonde podia para não possuí-la ali mesmo.
- É o amor da minha vida, meu marido, pai dos meus filhos, senhor absoluto dos meus sonhos... é o meu desejo real, a minha verdadeira ficção de amor, meu príncipe feito de gelo e fogo – concluiu o beijando. No entanto, o beijo não durou muito. Novamente, Snape se afastou e a segurando para que ficasse longe.
- Porque teima tanto em me amar, menina tola? Você me descreve como se eu fosse uma espécie de frenesi exotérico que te dará liberdade e força. Não sou isso... eu sou as trevas e o pior tipo de pessoa que existe. Por favor, deixe de sonhar tanto comigo! – a encarava tentando convencê-la do que dizia.
- Sempre foi você... Sev'rus, professor Snape, meu Sevie... – falava agoniada o agarrando novamente pelas vestes. Não sabia mais o que teria que fazer para persuadí-lo a ficar.
- Preciso ir... adeus, Hermione – disse dando às costas. Mas, antes de partir, a castanha o alcançou, parando na frente dele.
- Você não está fazendo isso para me proteger... é só um maldito canalha autocentrado em si mesmo! – antes de terminar aquelas frases cheias de sofrimento, a sua mão bateu forte contra o rosto dele. Assim, ela pode ver aqueles olhos negros, que tanto amava, se cobrirem de agonia e compaixão... significava que aquilo, igualmente, o sufocava.
Snape se afastava para aparatar e ficar o mais longe possível. Pensava, seriamente, em se embebedar e descontar todas as frustrações sobre a primeira coisa que surgisse na sua frente. Estava convicto de que, se encontrasse Bellatrix, a torturaria e seria capaz de assassiná-la com as próprias mãos por ter sido a responsável pelo seu padecimento novamente. Experimentava a sensação de que a sua vida se arruinara. Mais uma vez, se via como um infeliz que não merecia nada de bom e o correto era se conformar com isso. Antes de atravessar a proteção da casa, escutou Hermione gritar de dor e cair no chão abraçada na própria barriga. Não conseguiu analisar mais nada de concreto... tudo o que planejara era jogado fora naquele exato instante. Sua teimosia a estava matando aos poucos. A sua rainha sofria por sua culpa. Essa reflexão o fez retornar correndo para perto da castanha, sendo acompanhado, de longe, por aqueles que estavam dentro da casa e a ouviram chorar desesperada. O bruxo se encontrava tão aturdido que a única imagem que conseguia perceber diante de si, era exclusivamente a de Hermione, como se mais nada existisse a sua volta.
- Vai embora! – a castanha berrava o estapeando, enquanto ele a colocava na cama.
- Nossa, eu não posso te ajudar? – questionou levantando a sobrancelha a encarando.
- Não... você disse que não me amava, quer me abandonar... não há motivos para ficar aqui – ela cruzava os braços e franzia o cenho virando o rosto para o outro lado.
- Que bruxa mais cheia de regras, brava e ingrata! Alguma vez te disseram que, quando quer, é muito chata e irritante? – Snape revirou os olhos em meio a um gesto de negação com a cabeça, tentando recuperar o fôlego depois de correr e subir as escadas com ela mais incontrolável que uma leoa raivosa.
- Já... e te falaram que você é safado e cafajeste? – Hermione continuou retorquindo com raiva.
- Como não? Você é a primeira a me jogar isso na cara! Porque eu pensaria em ter uma vida de paz, quando convivo com o seu ciúme infundado?! – ironizou.
- Eu te odeio... às vezes – ela soltou uma respiração pesada ao dizer isso o analisando novamente.
- Que linda! Me toca muito o seu ar romântico e, por isso, casamos. Mas, não lembro de todo esse ódio e rancor desmedidos quando geme no meu ouvido, querida esposa – ele deu um sorriso de lado ao reparar no semblante de desaprovação recebido e mais uma série de tapas. Contudo, a discussão foi interrompida por outro espasmo de dor, que a fez começar a chorar e se abraçar novamente com um ar assustado.
- Me diga, Hermione... o que aconteceu? Você bebeu alguma coisa? Eu... eu quando te segurei, te machuquei de alguma forma? – perguntou preocupado.
- Eu ingeri a poção Polissuco... – sussurrou sabendo que ele iria se enfurecer.
- Você é louca? Isso... ah, Salazar! Não pode tomar essa poção durante a gravidez, bruxa. Não saia daí – ordenou como se ela fosse capaz de se levantar, esquecendo que a menina mal conseguia se mexer. Como um desatinado, desceu as escadas correndo. Precisava, urgentemente, fazer uma emulsão de ervas para que aqueles efeitos colaterais parassem. A sua castanha, sua rainha, seu único amor, corria o risco de abortar os bebês. Queria estrangular o responsável por aquela ideia absurda, mas, não sabia a quem acusar. Ao passar pela sala, agarrou Sirius pelo colarinho e lhe encheu de desaforos. Estava tão indignado que o chamou de irresponsável, péssimo pai e que seria sua culpa se algo acontecesse com as crianças.
- O que ela tem, Severus? – Molly o questionou, chegando mais perto de onde ele se encontrava na cozinha.
- Bebeu Polissuco... pode perder os meus filhos. Eu quero saber quem foi o filho da puta que permitiu que ela tomasse isso, para que possa esquarteja-lo no meio da sala! – respondeu, vasculhando o cômodo para ver se tinha os ingredientes necessários.
- Severus, se acalme! Você sabe que sou boa em feitiços de cura... só me fale o que precisa para preparar a poção, o chá, ou o que for, que vai ajudá-la – falou de maneira que o tranquilizasse e ele respondeu ponto a ponto do que necessitaria. Em menos de dez minutos, tudo se achava pronto e Snape subiu com uma caneca fumegante alcançando para que Hermione ingerisse.
- Deve ser sorvido em apenas um gole. Sei que o gosto é péssimo... mas, é isso ou os meus monstrinhos deixarão de existir – disse preocupado a observando atentamente.
- Obrigada! Só não quero que os chame de monstrinhos... eles são meus bebês, os meus dois bonequinhos lindos – ela voltou a se deitar na cama, olhando para o teto. Sentia que aquele líquido a deixara extremamente sonolenta e antes de adormecer, teve tempo de ouvi-lo dizer com um falso sarcasmo:
- Não há nada neste universo que você não me ordene aos berros que eu não faça com medo, minha rainha.
- Severus... eu amo você, vidinha – murmurou.
- Eu também te amo, Hermione. Agora descanse, quando acordar estará tudo bem. Eu prometo, pequena – falou dando um beijo na testa e sentou no chão para ficar velando o seu sono. Assim permaneceu por um bom tempo, acariciando os cabelos e constatando o quanto era fascinado por cada traço dela.
- Você ainda vai ser o motivo da minha morte, menina insolente! – sussurrou antes de adormecer a segurando pela mão.
No andar inferior da casa, o alvoroço permanecia com os relatos dos últimos que haviam chegado. Todos contavam o que acontecera, como escaparam das perseguições, se atingiram algum inimigo no meio do combate. Porém, sem demora, o silêncio se restabeleceu e começavam a expressar uma inquietação quanto a notícias de como Hermione estava. Se consideravam responsáveis e culpados se algo acontecesse com os bebês e, Harry, brigava com cada um acentuando que avisara que não era certo. Que ressaltou, antes de saírem, a possibilidade de ocorrer algum problema e ninguém deu importância ao que dizia. Dora, sentada no colo do marido, apenas concordava com a cabeça... expressava tristeza e desolação, considerava tudo sua culpa. Sentia que deveria ter usado os seus dons para se metamorfosear e a prima não precisasse passar por aquilo.
O único, naquela sala, que demonstrava um semblante tão alegre, que não conseguia disfarçar, era Ronny. Visualizava a oportunidade de que a castanha desistisse de Snape e o reparasse finalmente. Pensava que era o óbvio, ele era mais jovem, bonito e atlético... não existiria mais qualquer empecilho entre os dois e o caminho estaria completamente livre para conquista-la, sem a existência de duas cópias em miniatura do mestre em Poções. Hermione, com isso, perceberia o quanto se enganara por um velho e iria querer casar novamente, ter muitos filhos e ficar em casa cuidando das crianças, o esperando retornar todos os dias. Alheios àquelas ideias do jovem ruivo, os demais permaneciam absortos raciocinando quem os traíra.
- Sirius, quem iria com você antes de vir aqui atrás do Draco? – inquiriu Lupin.
- O Quim me falou que era o Dunga, mas, ele não apareceu – respondeu sem prestar muita atenção no assunto. Sua mente estava no andar de cima, onde a filha se achava enferma e ainda não ouvira nenhuma notícia de como estava até aquele momento.
Entretanto, o questionamento fez com que a atmosfera se modificasse na casa. Todos agora se perguntavam se Mundungus era o delator. Contudo, como saberia da existência dos sete Potters? Houve discussão quanto responsabilidades, pontos em aberto relativos à descoberta da transferência de Harry e, principalmente, quem deixara escapar a informação principal. O menino-que-sobreviveu começou a defender o possível denunciante, argumentando que, quem o fez, não deveria ser julgado. Que se acabou relatando, foi acidentalmente e, que, todos ali deveriam confiar uns nos outros. Os demais ficaram em silêncio olhando para ele, principalmente, Lupin e Sirius que o encaravam com expressões de pena. Vendo que o jovem de olhos verdes ia começar a contra argumentar, o bruxo de cabelos castanho claro apenas assegurou que a atitude lembrava a de James Potter. Não admitia o fato de que um amigo pudesse trair deliberadamente outro.
Mais debates surgiram, especialmente, depois que Harry enfatizou que iria embora. Ele foi convencido, na verdade obrigado, por Molly e os demais que deveria permanecer ali para o casamento de Draco e Ginny. Afinal, depois de tanto esforço, ferimentos e abalos emocionais, seria egoísmo de sua parte, simplesmente, sair pela porta como se nada tivesse acontecido.
Dois dias depois, Narcissa chegara à Toca preocupada com a falta de informações. Aproveitava que Malfoy tinha viajado com o grupo de Comensais que viviam na mansão para sair e ajudar nos preparativos do casamento do filho. Não avisaria nada ao marido, em verdade, não fazia a menor questão de que ele soubesse de qualquer coisa ou participasse de um dia em que todos se encontrariam felizes e comemorando a vida. Ao chegar lá, foi avisada que Hermione se encontrava no andar de cima acamada e que, Snape, permanecia ao lado dela desde então. Ela subiu as escadas e entrou no quarto, vendo que o casal conversava calmamente.
- Fico tranquila que tenham, finalmente, se acertado – disse com um sorriso no rosto os observando.
- Foi difícil... só que eu sou teimosa e consegui convencê-lo de ficar aqui – a castanha sorriu de volta, percebendo que o seu bruxo só a olhava de lado, com um semblante de discordância.
- Narcissa, na verdade, ela premeditou me matar! Acredite, ela é ardilosa e vingativa... quase enfartei por culpa dessa desmiolada – falou o homem sério.
- O que aconteceu exatamente? – a loira os questionou e ele se precipitou na resposta:
- Polissuco! Isso é toda a questão e o fato. Sua sobrinha predileta, por conta disso, quase abortou – ao terminar, a castanha suspirou profundamente e concordou com a cabeça, demonstrando que tinham brigado o suficiente por conta do assunto.
- Severus, não seja tão duro com a Mione! Ela fez isso para ajudar o amigo, como saberia que a poção faria mal? Meu filho também se arriscou... o importante é que todos estão bem, não é? – retorquiu, logo, se sentando ao lado da bruxa mais jovem. Percebendo que o amigo estava prestes a argumentar alguma coisa, mudou o rumo da conversa, se virando para a menina a questionando:
- A sua irmã chegará quando?
- Ela virá para o casamento do Draco. Creio que chegue amanhã. Por quê? – replicou a pergunta com outra.
- Preciso falar com você, a Nymphadora e a Luna. Tenho que contar as três juntas qual a motivo que correm perigo em maior ou menor grau... e, principalmente, a razão que levou o Severus a agir feito um obstinado e querer afastá-la – falou abraçando Hermione, acariciando os seus cabelos e a fazendo deitar a cabeça no seu ombro. Sabia o quanto ela tinha sofrido longe do seu amado e ainda devia estar apavorada por quase perder os seus bebês. Não haveria coisa melhor do que receber um pouco de carinho e ser mimada, para se sentir protegida e, em pouco tempo, se recuperar plenamente.
- Narcissa, você está me assustando... – disse se virando para olhar a tia que se mostrava pensativa.
- É para ficar assombrada mesmo, porque é sério! O seu pai concordou que tenhamos essa conversa, mesmo que ele seja extremamente contra o fato... Sirius tem medo do que possa acontecer quando souberem de tudo – soltou uma respiração pesada e prosseguiu:
- A Bella está completamente descontrolada! Não sabemos se mantê-las na ignorância é o melhor... o Remus e o Severus também vão ouvir o que eu relatarei. É importante que estejamos juntos. Serei eu a responsável por contar isso, pois sei bem mais a respeito do conteúdo dessa conversa do que o seu pai, mesmo que pertençamos da mesma família.
Após passar todo o dia na Toca auxiliando nos preparativos e conversado com os que se encontravam na residência, à noite, Narcissa retornou para a mansão Malfoy. Algo lhe dizia que o marido retornaria antes do previsto e que notícias importantes estavam por vir. Sobretudo, após ter visto que a marca no antebraço de Snape estava negra e vibrante, o que significava mau sinal. Ao chegar, ficou por um tempo caminhando pelos jardins até entrar na enorme casa. Pensava no que teria de contar às sobrinhas no dia seguinte e, tudo seria muito difícil se ela estivesse certa, às trevas se ergueriam de maneira permanente no mundo mágico e trouxa. Ninguém mais estaria a salvo se isso ocorresse. Esta reflexão a fez olhar para o céu, cada vez mais escuro e cinzento... dementadores se achavam por toda a parte sugando a felicidade de quem quer que seja, como ocorrera na Primeira Guerra Bruxa, onde demonstrar ter esperanças era considerado quase como um crime. Com os olhos cheios de lágrimas, lembrou que ousou ter fé de que o seu único filho viveria em um mundo muito melhor do que ela conhecera. Sem tantos preconceitos e violências contra aqueles tidos como diferentes. Não foi assim que aconteceu... até mesmo os que combatiam os ideais dos Comensais da Morte, em algumas situações, agiam de um jeito que se assemelhava muito aos deles. De modo velado ou agressivo, os dois lados, uma hora ou outra, sempre acabavam caindo nos erros de atacar mestiços e nascidos trouxas, em nome de uma pureza de sangue completamente contestável.
Doía constatar que o seu menininho, criado e adorado como um príncipe, cresceu ouvindo o pai atacando pessoas por questões financeiras ou sanguíneas. Expressando sempre palavras e gestos de puro ódio contra os demais, sempre considerados como inferiores. Não conseguiu impedir, por mais que tentasse protege- lo, de assistir de perto o retorno dos Comensais da Morte, os níveis de atrocidades que podem ser atingidos por pura aversão ao que era discrepante ou raro, de escutar inúmeras vezes a sua prima ser chamada de aberração e, seu padrinho, de mestiço imundo. Logo, Snape, a quem Draco amava e era infinitamente leal... o homem a quem tantas vezes ela viu o seu menino olhar com verdadeira admiração, como se aquele bruxo tão imperfeito, fosse a pessoa mais digna do mundo para ser o seu pai. Narcissa abriu um sorriso triste ao obter mais uma prova, entre tantas outras, que havia escolhido a pessoa correta para guiar o seu filho em um caminho de retidão. Hermione estava certa, ele só precisou de uma figura masculina descente para se espelhar e, assim, se tornar uma boa pessoa capaz de nutrir sentimentos positivos. Não existia ninguém a quem ela confiasse mais e tivesse absoluta certeza de que seria capaz de fazer o impossível para proteger a pessoa que ela mais amava. Entretanto, sendo dominada novamente por ponderações dolorosas, se questionou o quanto essa honradez e lisura nas atitudes, acabaram o colocando em perigo... após a morte de Dumbledore, Draco foi obrigado a receber a marca negra para comprovar a sua fidelidade ao Lorde das Trevas.
Suas considerações a respeito de tudo o que ocorrera, até então, foram interrompidas por uma sequência de sons de aparatação. Malfoy e os demais retornavam da viagem muito animados com os acontecimentos, principalmente, com as boas novas dadas por Aquele-que-não-deve-ser-nomeado. Voldemort tinha encontrado Gregorovitch e, logo, obteria êxito em assassinar Harry Potter. A loira escutava atenta tudo o que falavam efusivamente, fingindo observar onde se localizava o marido e se ele trouxera alguma coitada como prisioneira para comemorar a vitória alheia.
- Sentiu muito a minha falta, Cissa? – questionou a esposa com um ar de verdadeiro deboche.
- Claro... como não? Me ressenti pela sua ausência, Lucius – respondeu com um ar de falsa submissão.
- Essa noite, então, celebraremos juntos a nossa vitória sobre os traidores de sangue, mestiços imundos e os sangues ruins – sorriu a encarando, enquanto retirava a capa. Buscava achar qualquer vestígio que ela estava mentindo em algum ponto.
- Certamente, comemoraremos muito. Contudo, vejo que é importante lembra- lo, que, estou esperando mais um filho seu, depois de todos esses anos, querido. Gostaria que me tratasse com carinho – o fitou com um semblante de expectativa.
- Lamentável, não é? Você, pelo visto, não compreende que eu não quis o primeiro e, muito menos, esse. Não sei por qual motivo insiste nessa bobagem se sabe que não gosto de crianças – o loiro a repreendeu com um olhar de raiva.
- Eu sinto não corresponder as suas expectativas a meu respeito, querido – falou quase sussurrando com a cabeça baixa. Na verdade, estava farta dele, daquela casa, da vida que levava... só sentia nojo do homem que estava ali diante de si. Pensava em Sirius com os olhos brilhando de felicidade ao receber a notícia, tão contente e com tamanha vontade de segurar o filho nos braços. Foi puxada dos seus pensamentos pela voz de Malfoy, lhe dizendo rispidamente:
- É o mínimo que se espera, minha cara. Aliás, creio que não tenha mais idade para pensar em ter mais filhos. Já tem 39 anos e um filho adulto, está mais próxima de ser avó do que mãe e, depois de ter essa criança, ficará mais indesejável... convenhamos, penso que não anda se olhando no espelho ultimamente! Está ficando velha, gorda e feia. Se estou fazendo um grande esforço ao transar com você hoje, imagine depois. Nenhum homem consegue querer alguém igual a você.
- Claro... você tem toda a razão – manteve o olhar no chão, só via o seu primo sorrindo, alegre, a elogiando, enfatizando o quão apaixonado estava. Seu bruxo de cabelos castanhos e ar selvagem a amava, isso era suficiente.
- Está sendo irônica comigo, senhora Malfoy? – a inquiriu se aproximando perigosamente dela.
- Jamais, estou apenas concordando... como disse antes, você está correto, meu marido – Narcissa o olhou de forma triste, o que deixou radiante. Nada o deixava mais feliz do que destruir a autoestima da esposa e a obrigar a se submeter aos desmandos dele.
- E o inútil do seu filho quando aparecerá? – perguntou se afastando para conversar com outros Comensais que permaneciam por ali.
- Nosso filho virá quando for convocado pelo Lorde, como sabe. Da mesma forma que a sua filha com a Bellatrix, também virá – retorquiu dando as costas para ele. Não via a hora de sair dali e deixar aquele bando de degenerados o mais longe possível.
- Dois idiotas! Imprestáveis que só me atrapalham... sinceramente, deve ser o sangue de vocês que traz imbecilidade, porque não há explicação. Draco é um estúpido completo, a outra, uma lunática. Mas, o que me dá mais raiva é a filha do Black ser amante do Severus. Lembro dela em Hogwarts, aquela cadelinha é uma linda boneca igual a mãe! Não compreendo como uma bruxa, que pode ter qualquer homem aos seus pés, se apaixona por um mestiço morto de fome – argumentou como se vomitasse cada uma daquelas palavras perante a inveja que sentia.
- Amor não tem relação com bens materiais e pureza de sangue, Lucius... – respondeu gentilmente.
- Bella tem razão, você continua burra! Sempre cheia de pensamentos românticos e sonhos ridículos de amor. Mulheres casam por dinheiro e não por sentimentos. Ainda mais vocês, quase verdadeiras prostitutas de luxo, vendidas muito cedo em casamentos arranjados. Caso tenha esquecido, querida, é obrigada a me servir – disse mantendo o mesmo ar raivoso. Antes que se retirasse em silêncio, Narcisa, escutou a voz de Voldemort se dirigindo a Malfoy:
- Discordo de você, Lucius... sua esposa sempre se mostrou muito inteligente. Além disso, as mulheres de sangue puro, devem ser tratadas de maneira gentil e educada... afinal, são elas as responsáveis pela manutenção dos nossos ideais de supremacia – a loira abriu um sorriso de lado, ao escutar aquelas palavras, particularmente, quando percebeu que continuaria.
- Pode ser, meu caro Lucius, que a sua incompreensão quanto a menina Black e Severus, esteja relacionada a sua inaptidão em perceber detalhes. Nosso amigo, embora nunca tenha sido um exemplo de cortesia, sempre tratou as mulheres com o respeito necessário. Pode ser que essa seja a resposta de quais motivos levaram todas as bruxas dessa família a se entregarem de tão boa vontade a ele e não a você... que só as teve à força – o Lorde das Trevas falava pausadamente analisando as expressões do loiro se alterando a cada frase. O homem de rosto ofídico se virou em direção a ela com um tom de aviso:
- Minha cara Narcissa, hoje participará de nossa reunião, mesmo que nunca tenha recebido a marca, sei que sempre foi uma fiel serva e defende a pureza de sangue tanto quanto nós. Já avisei Severo que o quero aqui acompanhado do seu filho e da sua sobrinha, minha querida. Meu amigo Lucius, quero conversar com a sua esposa... saia – concluiu fazendo um gesto desdenhoso para que o outro se retirasse o mais rápido possível.
Enquanto isso, na Toca, Hermione tentava, mais uma vez, se aproximar de Snape. Aproveitando que ele se mostrava muito concentrado na leitura, se aconchegou junto a ele. Lentamente, começou a passar os dedos pelos lábios do marido, sentindo que o corpo do bruxo enrijecer por um tempo, até começar a corresponder dando pequenos beijos nas mãos da castanha. Os olhos de ônix chisparam perante a compreensão do que ela queria e deu um meio sorriso antes de beijá-la. O gesto foi se aprofundando, as respirações começaram a ficar mais pesadas, a medida em que os corpos se tornavam mais sensíveis aos toques e, sentiam as mãos invocarem contato e som mais possessivos.
- Hermione, a sua vida está em risco por minha culpa... – Snape a afastou, gentilmente, para analisar o seu semblante ao falar.
- Eu só vou correr perigo se você estiver longe - Hermione se colocou no colo dele, colando os lábios novamente e experimentando a sensação de ter aqueles dedos longos se afundando nos seus cachos. A outra mão, a segurava firme pela cintura, como se a reivindicasse para si com urgência.
Não demorou para que o segurasse pela nuca, ao mesmo tempo em que se ajustava sobre ele. Queria que a maior proximidade possível, sentir entre as pernas o desejo do seu bruxo de cabelos pretos crescer se manifestar em suspiros roucos combinadas a respiração pesada. A intensidade era tamanha, que o ar se fez rarefeito, os obrigando a separar os lábios e tentar controlar a respiração. Sem dizer qualquer coisa, Snape encostou a sua testa a dela, permanecendo assim por algum tempo em silêncio, recuperando o ar e a sanidade que o abandonavam aos poucos. Se distanciou um pouco, a olhando nos olhos para, depois, roçar o nariz pelo pescoço a deixando arrepiada.
- Sevie, isso foi... – Hermione disse em meio a um suspiro, sendo interrompida por ele, que sorria com a cabeça encostada em seu ombro.
- Maravilhoso, pequena... simplesmente, esplendido, como tudo o que me dá – falou distribuindo beijos por todo o seu rosto e colo.
- Você me ama? – o questionou se mostrando, novamente, insegura com relação aos sentimentos dele. Já que, desde que se reaproximaram, ele a evitava sexualmente. Snape se arrumou e a segurou pelo queixo, para que a castanha percebesse toda a convicção colocada no que diria naquele instante:
- Rainha Hermione, duvides que as estrelas sejam fogo. Duvides que o sol se mova. Duvides que a verdade seja mentira. Mas, não duvides jamais de que te amo. Eu quero ser sempre o seu rei Leontes, seu namorado e melhor amigo. Porque você é o amor da minha vida, a única que tem o melhor de mim e eu não sei viver longe de você, minha linda deusa pagã – vendo que a bruxa erguia as duas sobrancelhas formando com a boca um perfeito O, pelo o que acabara de escutar, ele preferiu usar a ironia e escapar da timidez causada pelo momento:
- Agora, mulher sem coração, quero uma declaração de amor à altura, depois de tanto esforço – dando o seu olhar típico de sarcasmo. Nunca ficou muito confortável em fazer grandes promessas e juras de amor, sempre se sentira encabulado em manifestar afeto... porém, por ela, acabava sempre lutando contra as suas incertezas para que percebesse o quanto era amada.
- Vejamos... Sevie, posso declarar que não tenho medo de mostrar meus sentimentos e de fazer coisas imprudentes, pois acredito que o que não se mostra, não se sente. Coisa que talvez surpreenda muito a você, pois os seus sentimentos são tão guardados que parecem não existir realmente – Hermione abriu um grande sorriso ao terminar, vendo a expressão incrédula com que era observada.
- Oh, minha linda Marianne sempre guiada por versos e sentimentos românticos arrebatadores. Como pode se apaixonar por um velho incapaz de se jogar no abismo dos afetos e arder de paixão, ou, até mesmo, inspirar amor em alguém, como eu? Um homem quebrado, por conta de um amor impossível... – murmurou um pouco desconcertado.
- Como não te amar? Sempre tão quieto, reservado e, mesmo tentando esconder do mundo, é gentil e amável. Você é o meu amor, Coronel Brandon! Severus, se eu não estiver enganada, você tem basicamente a idade dele quando há o casamento com a Marianne, correto? – perguntou o olhando apaixonadamente.
- Está certa... no entanto, Marianne, era mais velha que você. Ela tinha 19 anos quando casou – respondeu pensativo.
- Demorou muito para perceber o homem maravilhoso que a amava... perdida sempre em pensamentos bobos e fúteis – antes de Snape se manifestar, ela o beijou novamente. Sentiu que ele riu contra os lábios antes de dar passagem para que as línguas se entrelaçassem novamente. Por um tempo permaneceram trocando carícias em silêncio, até que o bruxo reiniciou a conversa:
- Me lembro de ter te dito que o nosso maior tesão eram os livros, ler e ficar discutindo isso. Te presenteio com William Shakespeare e, você, me premia com Jane Austen... eu estou bem longe de ser o Coronel Brandon, Hermione. Da mesma maneira que, você, é mais esperta e menos deslumbrada que a Marianne. Entretanto, o importante, é o que significa este fato. Por mais que eu te veja como uma lembrança viva de um passado feliz e um presente incerto, existe uma chama viva que me faz crer em um futuro acolhedor e irreal ao seu lado – o tom de voz dele era completamente reflexivo, cheirando os cabelos castanhos que o enfeitiçavam.
- Você tem um pouco dele, mesmo que não perceba... mas, o que quero afirmar é relacionado a esta guerra que estamos vivenciando. Quando ela acabar, Severus, reconstruiremos todas as tuas ilusões de como seria a nossa vida juntos. Pensa que eu nunca meditei sobre o que teria acontecido se eu decidisse ficar com você no passado? Que, ao invés de dois bebês em formação, teríamos dois filhos adultos? Um rapaz e uma moça muito bonitos, com os seus cabelos pretos e postura altiva, prestes a construírem as suas famílias – enquanto acariciava o rosto de Snape, seus olhos se enchiam de lágrimas ao revelar aqueles pensamentos. Se agarrando a toda a sua coragem grifinória, continuou:
- O nosso amor se conservaria pleno nesses 20 anos... veríamos um ao outro crescer. Você, certamente, estaria menos quebrado pela vida, menos duro consigo e mais capaz de acreditar que tudo é possível. Sempre vou sentir que, em parte, fui a grande responsável pelo seu sofrimento e, jamais, vou me perdoar por ter te deixado para trás tão triste e sozinho...
- ... quando você era tudo o que eu mais amava e queria no mundo, Hermis. Eu pensei em destruir a linha do tempo, girar o globo e virá-lo pelo avesso, apenas para ficar com você. Mesmo que isso criasse um vórtice temporal infinito e tudo o que é conhecido desaparecesse, arriscaria pelo simples fato de que a minha vida dependia do seu sorriso. Nunca terá ideia de como foi viver em um mundo onde a única fonte de felicidade sequer existia – após interrompê-la, a abraçou com força. Novamente se sentia horrorizado com a possibilidade de perde-la, de nunca mais poder olhar os seus olhos castanhos tão cheios de vida.
- Sevie... nós nos amamos e nos pertencemos. Não há mais nada que possa nos separar! Entenda que somos bem mais do que um simples casal, nós somos uma dupla, um par e, isso, é indestrutível – a castanha retribuiu o gesto o apertando contra si o mais forte que conseguia. Sentia que algo estava errado e que ele lutava para esconder o que enfrentariam mais à frente. Isso fez com que voltassem a se acariciar intensamente, aumentar o calor e a impetuosidade dos gestos e dos beijos, até se afastarem novamente.
- É melhor pararmos... – Hermione murmurou ofegante.
- Claro, está certíssima e eu vou embora... tenho reunião naquele antro – falou se ajeitando e a retirando de cima de si. Antes de partir, sentiu que ela o puxava novamente e o beijava de um jeito ainda mais necessitado e urgente. Suas mãos percorriam as coxas apertando de forma possessiva e a castanha gemeu contra os seus lábios...
- Hermis, não me provoque... você teve um sangramento, não podemos! Quase fiz uma bobagem e te machuquei – argumentou com um sorriso triste.
- Antes de você ir para a mansão, me responda se já leu alguma vez um livro chamado Doze maneiras infalíveis de encantar bruxas? – perguntou divertida.
-Não, Hermione, por quê? – disse contrariado, erguendo a sobrancelha esquerda.
-Nada demais... – deu de ombros com um ar completamente inocente.
-Posso te garantir que conheço, por alto, o conteúdo da obra. Essencialmente, embora nunca servirei como exemplo de autoestima plena, creio que não necessite de autoajuda para conquistar ou atrair alguém. Até porque, sei o que eu sou e confio não ser um total incompetente para precisar de uma coisa dessas – enfatizou sarcasticamente.
-Ora, não seja tão cruel com os outros! – o olhou dando um meio sorriso.
-Eu posso ser até pior... ainda mais se eu descobrir que um imbecil tentou se aproximar de você com este típico "manual do punheteiro de plantão". Para o terror desse dito cujo, vou ser obrigado a quebrar cada um dos seus ossos e fazer alguns cortes em locais precisos para que aprenda a não desejar a mulher dos outros – piscou para Hermione vitorioso ao notar que ela o olhava com um ar de reprovação pelas palavras.
- Severus, que horror! – falou dando um tapa nele, recebendo em troca uma longa gargalhada e um beijo de despedida.
Chegando à mansão Malfoy, cruzou mecanicamente pelos corredores, envolto aos seus próprios pensamentos e jogando-os nos mais profundos recantos da sua mente. Deveria se manter lívido, pleno e vazio de sentimentos diante do Lorde das Trevas. Perto de cruzar a porta, respirou fundo e se escondeu na sua melhor máscara de Comensal da Morte e entrou no local. Encarou os demais, com um ar indiferença e menosprezo, se aproximando da mesa. Ao ver Voldemort, fez um gesto de reverência esperando a autorização para que pudesse se juntar aos outros.
- Severus, sinceramente, pensei que tivesse se perdido no meio do caminho! A menina Black deve estar ocupando muito do seu tempo entre os lençóis, para se tornar tão relapso – os olhos vermelhos faiscaram de sarcasmo.
- Me perdoe, milorde. Não ocorrerá novamente – afirmou mantendo os olhos abaixados na mesma postura de submissão.
- Sei que não e nem o perdoarei se continuar assim. Onde estão os jovens Malfoy? – enfatizou virando o rosto para o outro lado, como se ignorasse a resposta.
-Draco e Luna já estão entrando. Acabaram ficando para trás quando transpus o corredor – retorquiu, antes de receber a concessão para sentar na primeira cadeira do lado esquerdo, enfatizando a sua posição no comando. Percebendo que Narcissa se encontrava ali, ergueu a sobrancelha interrogativo, recebeu em troca um olhar de negação. Sabia que depois conversariam. Em segundos, os meninos loiros apareceram na sala.
- Minhas crianças... Draco e Luna! Bom vê-los aqui conosco. Hoje será um dia glorioso aos dois, meus jovens, já que sempre me trazem informações precisas e estão tão convictos do destino glorioso que os espera – sibilava para os dois, fazendo um gesto com a cabeça para que sentassem nos dois lugares vagos ao lado de Malfoy.
- Agora que estamos todos reunidos, vamos ao que importa. Severus e Lucius, vocês deverão assassinar um dos nossos opositores. Ele vem trazendo muitos problemas para os nossos projetos com a sua defesa cega a Harry Potter – manteve a mesma entonação, analisando cada um dos que estavam à mesa, enquanto acariciava a cobra.
- Quem seria, milorde? – questionou o loiro mais velho.
- Xenophilius Lovegood... – ao escutar isso, instintivamente, os meninos seguraram a mão um do outro com força, como se Draco estivesse desesperado para dar o consolo necessário à irmã... não queria que ela fraquejasse diante daquele monstro que falava em mortes como se comentasse a respeito de um passeio. Luna permaneceu com uma postura dura, segurando as lágrimas que queimavam os seus olhos. Não presentearia Você-sabe-quem com o seu sofrimento. Se direcionando a ela, Voldemort a questionou:
- Luna, minha querida, como sou generoso e absolutamente bom para os meus servos, quero que decida se ele será assassinado ou o jogaremos em Askaban? – ela sentia os seus dedos arderem pela força que a sua mão estava sendo segura e, em um ato impensado, respondeu:
- Morto! – por mais que aquilo lhe matasse e destruísse por dentro, estava certa de que a prisão exterminaria o seu pai aos poucos. Não podia permitir que alguém que lhe deu tanto amor fosse torturado da pior forma possível. Confiava que a presença de Snape ali, garantiria uma morte digna e sem tanto sofrimento. Porém, no fundo, queria chorar com todas as suas forças, abraçar o seu irmão e sair dali... não entendia como a tia vivia naquele verdadeiro inferno e ainda preservava a sua sanidade.
- Vejo que a sua filha, Lucius, apresenta a mesma força da mãe. Acabou de ser informada que o pai adotivo será morto e não gasta um segundo dos seus pensamentos. Admirável! Ainda você chama seus filhos de imbecis... são duas rochas, iguais as suas respectivas mães. Logo, ocuparão postos de honra ao meu lado – encarou o outro homem que estava com os olhos desfocados mirando o nada. Por dentro, se corroía de ódio, por nunca receber um elogio como aquele.
A reunião entrou madrugada a dentro, com planos e táticas de ataques à vilarejos bruxos e em algumas cidades trouxas, torturas, estupros... os Comensais passavam a ser divididos em grupos para as operações. Os mais graduados, estavam destinados à agressão dos bruxos opositores, os menos, assediariam os trouxas. Também foi decidido como ocorreria a tomada do ministério, a estratégia de como Rufus Scrimgeour deveria ser morto e, Pius Thicknesse, assumisse o quanto antes o cargo de Ministro da Magia... Tudo se achava, plenamente acordado, no instante em que Voldemort os autorizou a se dirigirem para a sala de estar. Lá estariam liberados para comemorarem a vitória que se aproximava se quisessem. Aproveitando a dispersão, Snape carregou os dois bruxos mais jovens para um canto, precisava falar com eles. Draco recebera a ordem de se tornar um assassino, ultrajar e machucar pessoas por nada. Luna apresentava um olhar mortificado... aquele horror era uma carga muito pesada para que sustentassem.
- Senhorita Lovegood, Luna... sinto muito. Se eu puder fazer algo... – tentava argumentar, porém, ela o interrompeu com um ar resiliente:
- Senhor, dê a ele uma morte digna, por favor! Não quero que o meu pai sofra... ele não merece ser aniquilado em Askaban. Isso é o que eu lhe peço - o bruxo apenas assentiu e olhou para o afilhado.
- Padrinho, não se preocupe! Farei o melhor e serei justo em meio ao terror – falou automaticamente, mais para convencer a si mesmo do que assegurar que estava convicto do que executaria.
- Escutem os dois, vocês são boas pessoas! Não é porque foram jogados nessa merda toda que façam parte dela, me entenderam?! Sou responsável por vocês, não vou permitir que se destruam por conta desses anormais – proferia aquilo como se estivesse sacudindo cada um, antes de empurrá-los contra a porta:
- Vão embora, saiam daqui! Fiquem perto de pessoas que lhe deem coisas boas. Draco, quando chegar o momento, faça sem pensar e siga o que te ensinei. Não pensem em nada disso até acontecer – terminou de argumentar, deixando os dois atordoados antes de partirem de volta para a Toca.
Ao amanhecer, Narcissa e Snape saíram da mansão, como dois namorados prestes a passear livremente pelas ruas. Precisavam manter as aparências, visto que, todos ali pensavam que eles eram amantes. Se distanciando ao máximo dos locais em que poderiam ser vigiados aparataram na Toca e seguiram até lá conversando a respeito dos acontecimentos da noite anterior e até onde estavam chegando os horrores daquela guerra. Prestes a entrarem na residência, ambos foram informados do quanto os meninos chegaram abalados da mansão e foram questionados sobre o que ocorrera. Responderam por alto, enfatizando pontos que poderiam ser evitados e, escondendo, o que estava muito longe do alcance de qualquer um. Narcissa vendo que as sobrinhas se achavam todas ali, chamou-as para conversar do lado de fora da casa. Como ressaltara antes, Snape e Lupin acompanharam as esposas para ouvir o que seria dito ali. Seguiram falando poucas amenidades... se afastando da casa e se aproximando da árvore em que Sirius se encontrava sentado em um galho, comendo alguma coisa, pensativo.
- Bem, para contar o motivo que chamei todos aqui, eu terei de partir do princípio – respirou fundo olhando para cada um que a encaravam com um semblante de curiosidade e clara expectativa.
- Há uma profecia... não a que diz respeito ao Potter. De certo modo, penso que pode ter alguma relação, mas, sinceramente, não sei. O oráculo fala da chegada do Agoureiro... inicia com a ascensão de um Lorde das Trevas que se unirá a mulher de sangue negro puro. Apesar de que este ponto não é muito claro e exato, pelo motivo de que, pensávamos que teria de ser dos dois lados... mas, pode significar apenas que é uma mulher que carregue esse sobrenome e mantenha a pureza sanguínea. Esse Agoureiro seduzira os filhos invisíveis, terá poderes extraordinários que manterão esse bruxo no poder. Não preciso enfatizar quem é o Lorde em questão, contudo, desde que o meu pai soube pelo tio Órion dessa divinação, ele se preocupou... e acabou sendo uma peça chave para que tudo pudesse ocorrer – continuava, percebendo que os demais sequer mostravam que ainda respiravam ouvindo o que dizia. As expressões apresentavam as tentativas de compreender o que estava sendo narrado e continuou:
- Tio Órion era quem estava mais apto, até aquele instante, a trazer ao mundo uma Black de sangue puro por ter casado com a tia Walburga, que era sua prima de segundo grau e irmã do meu pai... entretanto, ele teve dois filhos homens. Meu pai, por sua vez, teve três mulheres. Mesmo sendo Rosier Black, o Lorde sempre nos observou de perto, principalmente a Andrômeda... – neste ponto, foi interrompida por Ninfadora que a encarava sem entender por quais motivos a sua mão despertou interesse de Voldemort quando criança.
- Por que a minha mãe? – questionou franzindo o cenho.
- Dora, a sua mãe nasceu com o dom da magia plena, ou seja, terra, fogo, água, ar e espírito. Isso leva ao completo domínio dos poderes elementares, como sabem. Ela fazia coisas inacreditáveis sem o uso da varinha, desde criança... Bellatrix e eu, precisamos de treinamento para atingir níveis semelhantes. Conquanto, acabei me desenvolvendo melhor do que ela, que sempre foi mais bruta para resolver as coisas – respondeu, ouvindo a voz doce de Luna a inquirindo:
- Tia, isso aconteceu com nós três? Foi por isso que quis nos contar?
- Sim, sinceramente, pensamos que tínhamos nos livrado da profecia até a Dora nascer como metamorfomaga e a Andy se dar conta de que as coisas estavam fugindo do controle. O que aconteceu é extremamente raro, bruxos não tem o dom de se metamorfosear sem poções... isso é parte de um feitiço das trevas muito antigo e que pertence a nossa família, se impregnando em nosso sangue. Entretanto, muitos séculos se passaram até outro membro dos Black apresentasse essas características – retorquiu percebendo que aqueles olhos azuis permaneciam fixo nela. Antes de conseguir retomar o ponto em que parou, foi a vez de Hermione perguntar com um ar pensativo:
- O que cabe a mim e a Luna, exatamente, já que a Bellatrix não é a mais forte?
- De fato, ela não é a mais forte, mas sempre foi esperta e rápida em traçar estratégias. Você, Mione, tem o sangue negro puro e possui os mesmos poderes que a Andy, ainda que, seja mais cética. A Lua, por sua vez, tem o dom da premunição, consegue ver nosso passado, presente e futuro, sem necessitar de artifícios – replicou, repontando para questões que levariam ao quesito que ela queria tratar:
- Inicialmente, pensei em só explicar para você as velhas e obscuras artes d'A Mui Antiga e Nobre Casa dos Black, por ser a última mulher a levar esse sobrenome. Contudo, creio ser necessário que as três aprendam... se o Lorde perder uma, ele buscará a alternativa em outra para a ascensão do seu Agoureiro.
- O Agoureiro poderá fazer o que exatamente? – indagou a bruxa de cabelos rosa.
- O que vocês conhecem e compreendem como arte das trevas ou magia negra, será o coração e o princípio dele. Nossa família... bem, não recebeu o título, que se tornou sobrenome, por acaso. As mulheres sempre reuniram com mais ou menos força a magia plena e elementar e, praticamente todas, se envolveram com a escuridão – Narcissa disse pensativa.
- Eu não entendo... como é possível? – Luna questionou mais a si mesma do que a tia ou qualquer outra pessoa que ali se encontrasse.
- Uma das três reparou em toda a árvore genealógica da nossa família? – perguntou olhando as meninas.
- Sim, Narcissa, o Sirius me mostrou... quando conversamos a respeito dele ser meu pai biológico – retorquiu a castanha, notando que o assunto se aprofundaria ainda mais.
- Então, Mione... você compreende como os sangues negros iniciaram. Quem foi a primeira da nossa casa e tudo o que ela fez – manteve os olhos na sobrinha que a encarava incrédula, até conseguir dizer em voz alta:
- Você está me afirmando que descendemos da Morgana Le Fay? – a castanha estava horrorizada.
- Exato... e mais do que uma metamorfomaga, ela era uma lich e se valia da beleza para conseguir o que queria com os homens. Algo próximo ao que a Bella sempre fez – aproveitando que o silêncio se restabelecera, mais uma vez, muito mais pelo terror daquilo que ouviram do que, propriamente, uma expectativa do que ainda seria dito, prosseguiu:
- Morgana não teve apenas um filho com o seu meio-irmão, rei Arthur. Ela gerou mais três crianças. Uma filha com Merlin, outra com Salazar Slytherin e, a última, nunca tivemos certeza de quem era o pai, porém, as meninas nasceram para que o seu sangue se perpetuasse. Os níveis de magia permaneceram perpetuamente intactos, se dividindo constantemente da mesma forma. O problema é quando todos nascem com o mesmo grau de força... é aí que mora o perigo. Não sabemos exatamente quem era o pai da que iniciou a dinastia dos Black. Nenhuma usou o sobrenome do pai biológico... as três casaram com bruxos das trevas e a questão é que a magia elementar se manteve nas mulheres da nossa família e o que chamam de uma Black pura, existe e isso é temerário.
- Dumbledore tentou nos auxiliar com isso, principalmente, depois que a Bella engravidou... no entanto, pouco foi feito. A única conclusão que chegamos foi a de descartar a possibilidade dos Black ter iniciado com a filha de Salazar. Porque, se ela o fosse, alguém na família nasceria ofidioglota – Sirius se manifestou percebendo que Narcissa se mostrava cansada em ter que explicar tudo.
- A Morgana foi uma leoa que se relacionou com, provavelmente, três serpentes e um leão... Bella com um leão e com uma serpente, Narcissa fez o inverso, serpente e leão; Andrômeda era uma serpente... Dora é texugo e se relacionou com um leão; Hermione é leoa e eu serpente; Luna é corvo e o Potter leão; Draco serpente e Ginny leoa. Temos um padrão aqui... vocês já pensaram que a Bella e o Lorde podem ter desvendado quem era o pai da terceira? E se o Agoureiro, mais do que ser um sangue negro puro, ser a combinação dois diferentes ou a soma de dois iguais? – inquiriu Snape como se estivesse diante de um verdadeiro enigma que o conduziria a um enorme quebra-cabeças, cheios de peças soltas.
- Não compreendo, Severus... – Lupin falou se virando para ele.
- E se o responsável por conduzir a magia foi o leão? A Bella poderia pensar em gerar o Agoureiro por ser uma serpente assim como o Lorde. Ainda mais porque ele é ofidioglota. Ele é o herdeiro de Salazar Slytherin. Potter confirmou isso em 1993 – respondeu o de cabelos pretos.
- Eu, sinceramente, não acompanho o seu raciocínio... porque você mesmo disse que a Morgana era leoa – falou Sirius olhando para o outro do alto da árvore.
- Claro que não, cachorro burro... seria exigir muito que usasse o cérebro, quando tem de se livrar de pulgas e carrapatos! - retorquiu sarcástico e cáustico, antes de dar seguimento e explicar o que pensava:
- O que eu estou tentando dizer é que, a Morgana teve um filho com o rei Arthur, que era um leão. Provavelmente, seja uma explicação para que, entre os Black, tenha apenas dois leões em uma casa repleta de serpentes. Há uma mutabilidade... Hermione. Se você, o Remus e a Narcissa bem se lembram, ela conseguiu convencer o chapéu seletor a coloca-la na Sonserina. E se isso foi feito pela Morgana? E se ela era uma serpente que pediu para ser posta entre os leões? Todos aqui sabem, tão bem quanto eu, o quão astuta e versada nas trevas ela era para ser uma leoa nata... além de que, ela era obcecada pelo meio-irmão.
- Tem razão, Severus... isso é um caso a ser pesado muito bem. Realmente, é muito estranho que haja apenas dois leões em uma família de serpentes. Ainda mais quando, um deles fez que o chapéu obedecesse a sua vontade – Lupin arguiu com um ar reflexivo olhando para a esposa.
- Então, Remus, temos um ponto a ser meditado aqui. Outra questão que levanto ao Sirius e a Narcissa... qual o grau de parentesco de vocês com os Weasley? – Snape se virava para os dois como se estivesse próximo a abrir um verdadeiro interrogatório.
- Arthur é nosso primo de segundo grau, por quê? – respondeu Sirius o encarando.
- Isso explica um terceiro caso... que devemos considerar, Ginevra Weasley. Me lembro dela criança e ela apresentou todas as características de que iria para a Sonserina. Ao contrário dos irmãos, ela é esperta e ardilosa, não se move por sentimentos tolos... uma menina forte que pouco chorava. Isso te lembra alguém, Cissa? – manteve a mesma postura olhando para a amiga.
- Sim... mas foge do padrão que a tia Walburga falava – a loira tentava entender onde ele queria chegar com aquele raciocínio abstrato.
- Ora, Narcissa... Nymphadora, Hermione e Luna também são. As três teriam de ser filhas da mesma mãe para compartilharem e não, apenas, duas. Outro fator que está longe da lógica, é que a Dora não poderia manter níveis altos de magia plena e elementar, por ser filha de um trouxa... – ele foi interrompido por ela que apenas disse:
- Antes que prossiga no seu discurso, quero te informar que você também não poderia ser um mago, mas o é... entretanto, isso, eu vou explicar depois que este assunto estiver encerrado – o bruxo de cabelos pretos a encarou, como se a questionasse silenciosamente, entretanto, como viu que não ouviria nada, continuou:
- Retomando, você e Luna são loiras, Andrômeda e Hermione castanhas, Bellatrix e Nymphadora tem cabelos pretos... ao contrário do que os trouxas aprenderam, Morgana tinha cabelos ruivos como fogo, não era morena. Mudava a cor dos cabelos e dos olhos como a Dora faz, passando uma falsa certeza de sua verdadeira identidade. E se Mordred, antes de morrer, também se relacionou com alguém... como Ravena, por exemplo? Teríamos uma quarta possibilidade. Embora os Black descendam de uma das mulheres, quem garante que não se envolveram sexualmente, em algum momento, com o descendente de Mordred? Quem sabe de três ou quatro famílias distintas, os filhos desses irmãos acabaram através de casamentos, voltando a ser uma família apenas? Relações incestuosas na casa dos Black sempre existiram.
- Cissa, o Severus tem razão. A Ginny pode ter desenvolvido melhor a magia elementar do fogo, tudo é possível se pararmos para pensar nas coisas inacreditáveis que vem acontecendo ultimamente. Arthur é filho da nossa tia Cedrela e, mesmo sendo estranho e eu desconheça algo parecido, pode ter pulado uma geração e ido direto para a filha dele – o bruxo de cabelos castanhos falava para a prima que apenas assentia ponderando o que escutara.
- Se aconteceu, Sirius, você sabe o que significa... – sussurrou com um tom de medo na voz, antes de se virar para as sobrinhas e afirmar convicta:
- Meninas, quero que vocês sempre tenham em mente, por pior que seja a situação... os nossos piores inimigos, os mais cruéis e os que podem, realmente, nos matar, somos nós mesmas. Nossos medos, ansiedades e preocupações são o que alimentam o que há de pior.
- Que Merlin nos proteja, pois Agoureiro se aproxima... – Sirius levou as duas mãos ao rosto massageando a testa como se tivesse sendo dominado por uma dor horrível.
- Com sabem? – Hermione os questionou.
- Porque se o Severus tiver razão, terão nascido 7 bruxas, de mesmo sangue, com magia plena em menos de 30 anos... sendo a mais jovem, a portadora da magia de fogo. Vocês nasceram regidas cada uma por um elemento, nessa perspectiva... o que mexeria com os quatro principais pontos cardeais direta ou indiretamente – explicou a loira, voltando as suas palavras para Snape:
- Agora, trataremos do que eu quis te dizer, quando falávamos com relação a impossibilidade da Dora ser metamorfomaga, sendo filha de um trouxa. Do mesmo jeito que você, estaria impossibilitado de ser um mago poderoso.
FLASHBACK ON
- Minha cara Narcissa, de fato, Severus é um mestiço. Mas, sua mãe Eillen Prince foi uma bruxa muito poderosa, exímia praticante da arte das trevas e muito fiel a nossa causa... – o Lorde das Trevas explicava apontando para a bruxa sentar de frente a ele, para que pudesse manter o olhar fixo nela.
- Claro... claro, milorde... mas, eu estou confusa. Se o senhor me permite questionar, como uma defensora da nossa pureza pode casar com um trouxa? Ainda mais com aquele especificamente? – falava completamente aturdida com a revelação.
- Narcisa, o casamento da Eillen com Tobias Snape teve um propósito maior. Ela se aproximou daquele porco seguindo as minhas ordens. Afinal, ele descendia de abortos bruxos, mais especificamente, em duas gerações. Por isso, nos odiava. Como não utilizar um ser tão baixo e inferior para que eu tivesse um menino bruxo com pleno domínio da magia negra e ódio desde tenra idade? Severus praticamente foi moldado para ser o que é... por isso, nunca duvidei da sua excelência em executar os meus ditames, tornando-o um dos meus generais na guerra – afirmou enfaticamente.
- Eu não compreendo, senhor... – estava perdida. Aquilo não fazia o menor sentido e era terrível a ideia de alguém ter um filho para ser tratado como um escravo. Lembrou do seu amigo criança e dos absurdos que teve de enfrentar para sobreviver, como se fosse um animal abandonado, sozinho e ferido.
- O que não entende exatamente? – perguntou com desinteresse. Se incomodava com o fato dela demonstrar sentimentos com o que ouvia.
- Meu pai e ela se conheciam antes? Porque nunca nos foi dito nada? – o questionou aflita.
- Sim, foram os meus primeiros Comensais. Não pense que seu pai casaria uma das filhas com um mestiço qualquer... embora eu quisesse a Andrômeda ou a Bellatrix para os meus propósitos, Cygnos acabou me facilitando algumas coisas. O atrevimento dele me trouxe a plena certeza de que eu obteria a criança perfeita que casará com o meu Agoureiro – retorquiu tranquilamente, dando continuidade ao que falava:
- Depois da fuga da Andrômeda, eu deveria ter ordenado ao seu pai que, ao invés da Bella, você era quem deveria casar com o Severus, visto que sempre se deram bem. Certamente, teriam muitos filhos. Todavia, para minha surpresa, a linda flor de luxúria e lealdade à causa, me presenteou ao trazer ao mundo uma Black de sangue puro pelos dois lados. O que o seu amigo fez, sem saber, foi me obrigar a reorganizar os meus planos para que a profecia se cumpra.
- O Severus sabe disso? – inquiriu sombria.
- Obviamente, não. As coisas devem acontecer naturalmente... então, quase tudo está encaminhado para o nosso destino glorioso – sorriu maleficamente.
- Isso é perfeito, milorde! – retribuiu o sorriso se retirando do escritório com uma reverência.
FLASHBACK OFF
- Em resumo, eu sou o touro reprodutor do Lorde das Trevas... – Snape falou com um tom sórdido.
- Vocês podem pensar que estou enlouquecendo... porém, será que a Bella não está grávida dele? Para que esteja tão tranquilo e tenha dito isso, alguma coisa já vem ocorrendo e só estão organizando os ajustes finais – Lupin se mostrava taciturno ao proferir aquelas palavras.
- O que faria um dos meus netos ser o parceiro ideal da anomalia deles, pobre criança! – Sirius estava com um semblante jamais visto, totalmente mórbido e sombrio com as revelações finais. Tudo parecia se encaminhar para um fim terrível a todos.
Durante o tempo em que os bruxos mais velhos discutiam e chegavam à conclusão de que esses fatos deveriam ser compartilhados com os Weasley e Shacklebolt, as três foram caminhando para o outro lado da propriedade, sentando- se na grama para olhar o céu escuro da noite. Experimentavam a estranha sensação de que coisas horríveis aconteceriam e a batalha final ficava cada vez mais próxima. Para piorar, um temor maior se avizinhava... viram nos olhos de Narcissa e Sirius o suficiente para compreenderem que o Agoureiro aniquilaria a todos. Trocaram algumas palavras observando aquela escuridão e as raras estrelas... constelações eram as responsáveis por iluminar a obscuridade dos Black, unidas a magia era mais forte do que nunca.
Ao entrarem na Toca ficaram auxiliando nos preparativos finais para o casamento de Draco e Ginny no dia seguinte. Com a chegada dos elfos, Japeto, Selene, Monstro e Dobby, foi possível fazer rapidamente os bolos, os doces e os salgados para que tudo ocorresse maravilhosamente bem. O dia 31 de julho seria bastante corrido e festivo... pela manhã, batizariam o pequeno Scorpio e, o jovem casal de bruxos, convidou Snape para que fosse padrinho do seu filho. Pela tarde, fariam uma comemoração para não deixar passar em branco os 17 anos de Harry. Assim, daria tempo aos amigos e alguns convidados chegarem para o enlace à noite, e, participarem da celebração da maioridade do menino-que-sobreviveu. Ao terminarem de arrumar a casa e os pormenores, que ainda restavam, se distribuíram pelos quartos e, alguns, se acomodaram na sala para descansar.
Narcissa estava agitada e sem sono, sabia que a sua vida mudaria significativamente depois do dia que mal começara. Seu filho estava prestes a concretizar a construção da sua família, mesmo sendo tão jovem e com tantas coisas ainda por realizar, foi responsável e assumiu os seus deveres como homem. Foi assim que ela saiu da residência para admirar as estrelas do lado de fora. Caminhando pelo gramado, sem prestar atenção em nada específico, percebeu que Sirius se encontrava estirado na grama, absorto em pensamentos, enquanto olhava para o céu.
- Noite, meu tatuado! – disse se aproximando.
- Noite, princesa loira... quer deitar aqui também? – perguntou virando o rosto na direção dela.
- Creio que é um pouco incômodo ficar prostrada no chão... pode sujar as minhas roupas – falou com um tom desconfortável.
- Não por isso, linda bruxa vaidosa! – tirou a camisa que estava, ficando só com uma camiseta branca. Com cuidado, ele esticou o tecido para transfigurá-lo em uma espécie de toalha para que ela ficasse ao seu lado.
- Confortável assim? – questionou, notando a sua expressão de análise sobre aceitar ou não a oferta.
- Grata pela gentileza, gentil primo! – retorquiu assentindo com a cabeça sorrindo para ele, ao mesmo tempo em que, se arrumava para ficar em uma posição apropriada no chão.
- Sabe, Cissa... eu nunca entendi qual o motivo que levou a tia Druella e o tio Cygnus a não te nomearem como uma estrela ou constelação – a olhava pensativo. De fato, aquela loira fugia de todas as explicações e delimitações pré-estabelecidas da família. Fosse pelos cabelos, a cor dos olhos, a maneira gentil de lidar com os outros... ela era diferente dos Black, se destacando desde muito cedo por ser única.
- Isso te incomoda de alguma forma? – inquiriu com um semblante de curiosidade.
- Não, não é isso! Só é diferente, assim como você sempre pareceu ser. Acho e acredito que não exista nada que a defina melhor que a linda flor de narciso – piscou para ela galanteador, a fazendo virar os olhos e soltar um suspiro de falsa reprovação.
- Sei... – respondeu dando um sorriso aberto e incrédulo para Sirius. Isso o fez se virar de lado e apoiar-se no braço para observá-la melhor.
- Cissa, eu estou falando sério! Não sei quem foi o idiota que te disse o contrário, nem em que eu devo bater para que confie nas minhas palavras... mas, mulher, você é muito bonita e inteligente. Pode ser que não abone minhas frases... pelo tempo que demorei para me dar conta do óbvio. Perceba que a vejo como a única capaz de me presentear com o que sempre procurei na vida e eu, como cego, custei a enxergar – argumentou com sinceridade, gostava da sua companhia e queria muito a fazer feliz.
- Entendo... contudo, creio que o seu gênio selvagem e fogoso sempre precedeu as suas considerações e gestos mais corteses – Narcissa olhava para o céu refletindo o que escutara. Não estava segura de encará-lo naquele instante e, muito menos, de crer no que ele dissera.
- Significa que não acredita? – sentou mantendo o olhar fixo nela, queria ser retribuído de algum modo.
- Sirius, na verdade, não é isso que estou dizendo. Você é muito afoito, na maneira de agir... apenas isso! O que gostaria de ter ou espera exatamente que eu seja capaz de realizar? – retribuiu a pergunta com outra.
- Uma família que me aceitasse do jeito que eu sou... rebelde, tatuado, meio louco, selvagem... completamente, insanamente e totalmente apaixonado pela minha prima quase dois anos mais velha e querendo convencê-la a ser minha todos os dias e noites, até o fim da nossa existência – respondeu com os olhos brilhando de excitação e felicidade.
- Pode ser que consiga – o mirava atentamente, identificando cada alteração nas linhas mais finas do seu rosto, durante o tempo em que ele refletia o que ela lhe disse.
- Me daria uma família? Quer ser minha esposa, amiga, namorada e amante? – falou impetuosamente, segurando as duas mãos dela, a puxando para que sentasse ao seu lado e ficasse mais próxima.
- Gostaria... porém, sou casada. O divórcio no mundo bruxo é impossível! Por mais que eu queria, seria um escândalo sem tamanho se eu entrasse no Ministério e solicitasse o rompimento dos meus laços com o Lucius – dizia o olhando dentro dos olhos, para que ele percebesse a verdade naquelas palavras.
- Isso é o de menos... se ficar viúva, poderá casar novamente! – deu de ombros, não se dando por vencido.
- Sirius, por Merlin! Não invente... faz pouco que retiraram aquelas acusações contra você e passou tempo suficiente em Askaban para ficar tão animado com pilherias desse gênero – o repreendeu com um ar de censura.
- Não estou dizendo que vou matar o Malfoy a sangue frio... mesmo que eu queira muito, mas muito mesmo, dar uns socos no meio da cara dele! Me refiro ao fato de que estamos em guerra e, aquele frouxo, pode morrer a qualquer momento. Apensa isso! – fez uma cara de inocente e ela sorriu de lado, buscando mudar de assunto.
- Em teoria, se você puder assumir essa criança que eu estou esperando... qual o nome daria a ela? – sondou como quem nada quer, mas tudo consegue.
- Em teoria? Que tipo de bruxo pensa que eu sou? Vou, dessa vez, cobrar meu direito a honra, isso sim! Depois, vou sequestrar você daquela casa e te levar comigo, minha loira! Só espere que eu compre uma moto nova... quero deixar tudo mais emocionante – sorriu a apertando contra os braços, começando a acaricia-la, antes de continuar:
- Falando sério... se for uma menina, gostaria que fosse Sagitta, como a flecha que rege a constelação de Sagitário. Caso vier menino, Pictor, como um cavalete de pintor. São nomes fortes e norteadores, simbolizam guerra e arte. Além de representar um pouco nos dois... eu, todo errado e briguento, você, infinitamente perfeita! Agora sou eu que te pergunto qual nome dará a essa bruxinha ou bruxinho aí dentro?
- Não pensei em nome de menina, acredita? Entretanto, para um menino, cogitei o nome de Leo. Porque tenho certeza de que será um leão igual a você. Só peço que não esqueça de uma coisa... independentemente da idade e de quantos filhos eu possa vir a ter, Draco sempre será o meu bebê – concluiu se aconchegando ainda mais no peito dele. Se sentia segura ali, tomada por uma verdadeira sensação de paz, até então, desconhecida.
- Narcissa Rosier Black... Malfoy – disse colocando a mão, gentilmente, no queixo para fazê-la levantar o rosto e o olhar, enquanto ele se mostrava um pouco contrariado de ter de proferir o último sobrenome dela.
- Diga Sirius Black – riu abertamente da cara de insatisfeito que ele apresentava.
- Não ria, bruxa... é repugnante ter que lembrar daquele sujeito tocando em você. Até porque, eu te amo! Por isso, não pense que tentarei te afastar do seu filho, a partir do dia em que esse bebezinho vier ao mundo. Hermione, ao meu ver, é uma garotinha indefesa, mesmo sem tê-la criado. Então, nunca cogite a possibilidade de que eu queira te distanciar dele, quando o que mais quero é me aproximar da minha filha – a beijou com paixão, se deixando cair e rolando com ela na grama. Sem entender o motivo, viu que o beijo foi cortado e Narcissa se afastava dele com um ar de dúvida.
- O que aconteceu? Fiz ou disse alguma coisa de errado? Eu te magoei? Fui bruto e te machuquei? – a olhava sem compreender, questionando o que a afligia. Como se estivesse buscando coragem nos recantos mais profundos de sua alma, a loira respirou fundo e perguntou:
- Você me considera atraente ou eu sou apenas um prêmio de consolação por não ter conseguido ficar com a Bella?
- De onde veio essas ideias? Claro que eu a julgo sedutora, bonita e fascinante! Não sei a motivação dessas palavras... de modo algum eu a enxergaria como uma segunda opção. Isso é desrespeitoso e sujo. Me diga, porque dúvida de quem é e do que pode ter? – a inquiriu com um semblante fechado.
- Lucius... enfatizou que eu estava velha e, se antes da gravidez, já me apresentava pouco atrativa... depois, será ainda pior – baixou a cabeça fitando para as próprias pernas.
- Há quanto tempo a sua autoestima é atacada? – ele sentou novamente, acariciando o rosto dela com carinho.
- Ele mudou muito depois do casamento e ter tirado a minha virgindade. Piorou depois que o Draco nasceu... todas as vezes que brigávamos, gritava que faria mal ao meu bebê, que não o queria. Eu sempre acabava cedendo por medo de que a promessa fosse concretizada e nunca mais pudesse ver o meu menininho novamente – Narcissa chorava lembrando daquilo, doía lembrar de todo aquele sofrimento. Buscando controlar a respiração, prosseguiu:
- Foi assim que arranjei forças e procurei o Severus... quebrei o juramento de nunca mais envolve-lo nos meus problemas. Eu me sentia tão sozinha e tão aterrorizada... pedi que ele me ajudasse. O adverti da sua promessa de proteger o meu filho como se fosse dele. Ele era o padrinho, tinha a obrigação de amparar e salvaguardar um ser inocente – Sirius se mantinha em silêncio ouvindo o que ela relatava atentamente.
- Saiba e entenda que eu estava disposta a implorar e me dispor a efetuar qualquer coisa que o Severus me pedisse... o que eu ouvi foi apenas que seria feito, que o Lucius jamais machucaria o meu bebê – o olhar dela estava perdido como se estivesse em outro lugar ao contar aquilo.
- O Severus nunca quis nada em troca? – perguntou com medo da resposta que, quem sabe, surgiria.
- Sim... falou que se eu o responsabilizava pela segurança do Draco, deveria permiti-lo educar como se fosse filho dele. Destarte, ocorreu deste jeito. Sempre que via uma oportunidade, levava o meu menino para visita-lo. Severus o ensinou a brigar, a xingar, a jogar futebol, torcer para o Aston Villa, ouvir músicas, assistir filmes, a controlar sua magia e, acima de tudo, confiar em si mesmo. Penso que ele queria ser, tudo o que o pai não foi e não representou... agiu desse modo tanto com a Dora, quanto com o Draco. Sempre se mostrando atento as necessidades de cada um – respondeu pensativa.
- Quanto a você... o que ele exigiu? – a inquiriu demonstrando incômodo.
- Ora, nada! Nunca demonstrou qualquer tipo de interesse sexual, se quer saber – retorquiu o encarando.
- É que... vocês dois... – antes de dizer qualquer coisa, ela o interrompeu:
- Sirius, o que houve aquele dia dentro da mansão entre o Severus e eu, foi uma única vez. Não pensamos em repetir e não foi algo planejado ou desejado durante anos. Respondido? – manteve os olhos fixos nele e recebeu apenas uma resposta positiva com a cabeça. Permaneceram em silêncio, cada um perdido em suas próprias reflexões, quando ele a puxou com força e Narcissa deu um grito assustado. Percebendo, pouco depois, o movimento do corpo dele embaixo com pequenos espasmos causados pelas gargalhadas do susto que lhe deu.
- Você é louco! Achei que havia acontecido alguma coisa... idiota, bastardo... eu te odeio! – o estapeava e, Sirius, continuava rindo abertamente. No fim, acabou se dando por vencida, achando graça no ocorrido e o beijando novamente.
- Narcissa, você é fantástica e eu amo esse seu jeito doce! – a mordeu levemente no pescoço ao sentir que a loira se afastava novamente.
- Também te amo... de certo modo, é isso que continua me dando forças – respirou fundo, notando que ele se movia para ficar por cima, retomando os lábios para um beijo mais necessitado.
- Eu sei, Cissa... todavia, como já passou das 2h da manhã... acredito que não haja absolvição para nós, que somos ímpios e apaixonados – a beijava vorazmente, levantando um pouco o vestido para se ajustar melhor entre as pernas e excitá-la o máximo que pudesse.
- Alguém pode acordar! – enfatizou preocupada.
- Vamos fazer em silêncio, um gemendo na boca do outro... eu te desejo e amo tanto! – permaneceram se abraçando, acariciando e beijando, até os suspiros se transformarem em uma respiração pesada. Sem se despirem completamente, Sirius a penetrou sob a luz das estrelas e da lua. Cada impulso, cada toque, cada beijo, tudo queimava e ardia como fogo entre eles. Os lábios se afastavam para permitir que o ar voltasse e não necessitassem se separar. Enquanto, os corpos, permaneciam tão unidos que o ritmo mostrava que era quase um só, mais rápido, mais forte, se deixando levar até o ápice em que se perderiam completamente um no outro. O bruxo de cabelos castanhos decidira, resolutamente, que Narcissa perceberia o quanto era sensual, atraente e encantadora aos olhos dele. Aquela não era a hora para pensar em sexo selvagem ou uma sessão ininterrupta de luxúria e gritos incontroláveis de prazer... apenas amor e carinho bastavam aos dois. Continuou os movimentos, aumentando a velocidade das estocadas, ao notar que ela já se achava tão perto. Experimentava as sensações dela roçando os lábios e os dentes contra os seus braços, seus ombros e pescoço, procurando algum conforto e sanidade. A beijou novamente, abafando as palavras desconexas que eram proferidas em voz alta, sentindo o corpo dela estremecendo em meio aos espasmos que levaram, pouco depois, a se derramar por completo e o guiaram junto. Acabaram adormecendo ali, sendo acordados pelos primeiros raios de sol que anunciavam o novo dia.
- Nós dormimos por quanto tempo? – a loira olhava para os lados, arrumando um pouco onde o vestido estava mais amarrotado.
- Creio que por umas duas ou três horas, no máximo – sorriu travesso a admirando.
- Foi uma maluquice o que fizemos... imagina se tivéssemos sido pegos?! – falava sacudindo a cabeça em desaprovação.
- Se alguém acordasse e notassem a nossa presença aqui, não teriam visto nada que jamais tenham feito. Aliás, suas mordidas pelo meu pescoço e ombros, me provam que estava gostando de usar o meu corpo – foi se aproximando aos poucos, até ficar perto o suficiente da orelha para sussurrar:
- Seus gemidos abrandados pela minha pele, atestam que eu me mantenho absoluto na posição de único homem com quem você deu uma trepada épica, bruxa bonita.
- Pare de ser indecente e pretensioso! – o olhou completamente envergonhada, recebendo um abraço apertado em troca antes de entrarem na casa e perceberem que todos ainda estavam entregues ao sono.
