Aqui estamos nós em 2020 e também no penúltimo capítulo. Mal sei o que dizer, então vou esperar até a semana que vem. Por isso, só queria desejar a todos vocês um feliz ano novo!

Playlist: Perfect Duet – Ed Sheeran ft. Beyoncé (Ponto de Vista de Carlisle e Esme)

Something Just Like This – Coldplay (Ponto de Vista de Bella e Edward)

I'm Yours – Jason Mraz – Ponto de Vista de Edward

Todos os personagens pertencem a Stephanie Meyer.

PS: Essa fanfic também estava sendo postada, paralelamente, no site Spirit Fanfics, onde eu tenho uma conta com o mesmo pseudônimo e mesmo e-mail de contato. Por isso, não é uma cópia. Eu mesma a estou publicando, ao mesmo tempo, em dois lugares diferentes.

A Herdeira

Capítulo 23 – Something Just Like This

Ela tinha que dizer a ele.

Era algo que Bella havia decidido durante a noite que passara em claro, ainda pensando sobre seus sentimentos por Edward. E, depois de muito pensar, ela percebera que, uma vez, ele fora sincero com ela, apesar dela não demonstrar nenhum sentimento por ele. Ele fora corajoso e enfrentara não apenas seus medos e inseguranças: ele lidara com sua rejeição. E fora compreensivo e gentil, apesar dela ter começado a fugir dele depois de sua declaração.

Ela devia aquilo a ele também. Mesmo que Edward não quisesse mais nada com ela, ele merecia saber que ela estava apaixonada, assim como ele estivera um dia. E se, na melhor das hipóteses, ele ainda quisesse estar com ela, mesmo depois da maneira como ela reagira depois de sua declaração, eles poderiam decidir juntos o quê fazer.

Fechando o zíper do vestido em suas costas, Bella se olhou no espelho. Seu cabelo estava semi-preso, com duas mechas próximas de suas orelhas presas em uma fina trança junto ao seu longo cabelo solto, a fim de ressaltar a maquiagem que Alice fizera. Como sempre, não havia críticas que pudessem ser feitas ao trabalho de sua melhor amiga. A sombra em suas pálpebras tinha um tom prateado e cintilante que ressaltaram a cor chocolate de seus olhos, enquanto que os lábios estavam pintados de um vermelho opaco, mas que ainda sim se destacava em sua pele pálida. O vestido que Alice escolhera para ela era de um tom azul pastel e o corpete abraçava seu torso, abrindo-se em uma longa saia leve e esvoaçante a partir de sua cintura. Ela até mesmo havia concordado em usar um pequeno salto especialmente para a ocasião – especialmente porque Alice lhe dissera que poderia acabar tropeçando em sua saia e caindo, se não estivesse um pouco mais alta.

Ela não podia dizer que estava feia, mas, ainda assim, não pôde deixar de se perguntar o que Edward acharia de sua aparência: se ele a acharia bonita... Era uma sensação que ela não sentia desde sua adolescência: a preocupação com a imagem que outra pessoa faria dela. Contudo, diferente de quando era jovem, ela não estava realmente com medo de que ele a julgasse. De alguma maneira, queria que ele a visse como alguém especial, manter os olhos dele nela...

O amor era realmente uma coisa engraçada.

E desesperadora.

E estranha.

Suspirando, ela saiu de seu quarto e foi até onde Esme estava se vestindo com Alice e suas mães. Sua melhor amiga a havia expulsado de lá para que ela colocasse seu próprio vestido e também porque Alice queria fazer uma surpresa sobre como havia ficado o vestido e a maquiagem de sua mãe. Contudo, prontas ou não, ela estava indo para lá, já que o casamento era exatamente dali há meia hora e ela duvidava que Esme fosse querer cumprir a tradição e atrasar sequer um segundo para a cerimônia.

Batendo suavemente na porta, ela falou em voz alta, antes de entrar – Estou pronta e vou entrar, está bem?

Diante da afirmação animada de Alice, Bella abriu a porta.

E ficou completamente maravilhada.

Diante dela, Esme estava espetacular. O vestido branco de cetim tinha um corpete e longas mangas de renda floral com pequenos e discretos brilhos que abraçavam a noiva suavemente. A saia simples tinha um pouco de volume, com detalhes bordados na barra, quase tocando os sapatos de salto cobertos de brilho. Sua maquiagem tinha tons rosados, tanto nos olhos quanto nos lábios, ressaltando a pele agora um pouco mais bronzeada pelo sol do Caribe. O buquê de copos de leite já descansando em suas mãos, compondo sua aparência.

- Mãe... – Bella sorriu, encantada – Você está linda!

Esme sorriu para ela, parecendo ao mesmo tempo emocionada e tímida. – Obrigada, querida. Alice fez um trabalho incrível. Me sinto uma verdadeira princesa. Realmente precisa abrir sua boutique, meu bem. – ela aconselhou a jovem que estava perto dela, arrumando o enfeite de cabelo de flores prateadas em seu coque intrincado – Minhas amigas seriam suas clientes assíduas com toda essa qualidade.

- Eu fico feliz, Esme. – Alice saltitou depois de terminar os últimos retoques – Assim que eu voltar, vou me dedicar ao meu sonho com força total.

- E eu vou supervisionar isso. – Bella afirmou, se aproximando da mãe e lhe tomando as mãos – Eu daria um grande abraço em você, mas sei que Alice me mataria se eu borrasse sua maquiagem.

- Sabe muito bem que sim. – Alice bufou, virando-se para avaliar as maquiagens das Sra's. Swan e a sua própria. Ela e suas mães usavam vestidos em tons pastéis, rosa para Isabelle e Alice e verde menta para Edythe, com maquiagens suaves para suas mães e um pouco mais pesada e marcada no rosto de Alice. Todas pareciam absolutamente deslumbrantes.

- Alice! – a voz desesperada de Rosalie enquanto ela entrava pela porta fez o coração de Bella parar, até que ela percebeu quem ela trazia pelo braço.

- Oh, Meu Deus, Amy! – Alice exclamou, totalmente horrorizada ao ver a mancha marrom do que parecia ser terra no vestido rosa-chá da menina – Você arruinou seu vestido!

- Desculpe, tia Alice. – a garotinha choramingou – Ethan e eu estávamos brincando e...

- Não se preocupe, amorzinho. – Alice a acalmou rapidamente ao perceber que ela estava prestes a chorar, pegando seu estojo de costura ao lado da cama – Esme, fique parada para que nada aconteça com seu vestido ou sua maquiagem, está bem? Vamos descer em cerca de vinte minutos, mas eu ainda vou voltar para checar você. Mas agora... Eu tenho uma crise para resolver. – ela falou com determinação, pegando Amy pela mão e a conduzindo para fora do quarto, junto a uma Rosalie muito perturbada, mas também absolutamente estonteante em seu vestido vermelho pálido.

- Acho que devemos ir até lá para supervisionar Alice. – Isabelle riu – E também dar algum tempo a sós para Bella e Esme antes do casamento.

- Com certeza. – Edythe concordou, indo até a sobrinha para beijar-lhe as bochechas, sendo seguida pela esposa – Meus parabéns, querida.

- Desejamos a vocês toda a felicidade do mundo. – Isabelle sorriu emocionada, seguindo atrás da esposa pela porta e deixando-as a sós.

- Alice não está mais aqui. – Esme sorriu para Bella – Venha aqui dar um abraço na sua mãe.

Rindo, Bella passou seus braços em volta dela, sendo recebida por um longo e aconchegante abraço. E ainda estava dentro dele quando Esme começou a falar, a voz embargada de emoção.

- Eu já disse a você como eu sou feliz e grata por ter você aqui comigo?

- Apenas todos os dias, mãe. – Bella riu, apesar de sua voz também estar cheia de emoção.

- Porque todos os dias eu agradeço aos céus por você ter voltado para mim. – ela fungou – Sabe, bem lá no começo, quando estávamos nos conhecendo aos poucos... Eu tive tanto medo de você não me deixar entrar na sua vida completamente. Afinal, você já era uma adulta. Eu temia que, talvez, mesmo se você acabasse me aceitando, eu simplesmente não me encaixaria na sua vida e no seu mundo. Eu temia nunca conhecer ou entender você de verdade. Eu tinha medo de ter perdido tanto da sua vida que acabaria por perder você por completo de qualquer maneira.

- Isso jamais aconteceria, mãe. – Bella negou, triste por saber que ela já tinha pensado aquilo.

- Hoje eu sei que não. – sua mãe sorriu, os olhos verdes marejados – Porque você me aceitou na sua vida e no seu coração e me permitiu conhecer você de verdade. E eu vou sempre agradecer por você ter aceitado ser minha filha e me deixar ser sua mãe.

- Eu que agradeço por poder ter você na minha vida, mãe. – Bella saiu do abraço para beijar sua testa. – Você foi uma das melhores coisas que já me aconteceu.

- Você foi tão incrível. – Esme soluçou – Lutou pela minha felicidade e do seu pai mesmo quando nós dois tínhamos desistido. Venceu os problemas que vieram com aquela maldita herança apesar de todas as adversidades e ainda se manteve íntegra. E ainda me ajudou a criar a ONG e vem fazendo tanto por ela... Sabe o quanto eu me orgulho você? O quanto eu te amo?

Sentindo as lágrimas começarem a correr por seu rosto, Bella voltou a abraçar a mãe, mal se lembrando da maquiagem das duas. – Eu amo você também, mãe.

- É incrível como, mesmo depois de todas aquelas coisas terríveis, coisas lindas saíram disso. – sussurrou Esme - Você foi uma delas. Tive todas essas surpresas incríveis nos últimos dias e ainda mal as absorvi completamente.

- Você e Antônio estão se dando cada vez melhor como pai e filha, não é? – Bella sorriu, feliz.

- Oh, sim. – sua mãe pareceu surpresa e então sorriu – Com certeza. Apesar de tudo, saber que o homem que sempre me tratou como filha é meu pai biológico é uma sensação estranha, mas ainda sim muito boa.

- Espere... Se não era da surpresa de saber quem é seu pai, qual outra surpresa você teve essa semana? – Bella questionou, curiosa.

- Oh, bem... – ela deu um sorriso discreto – Tive algumas... Você vai saber em breve, não se preocupe.

Bella riu de sua declaração enigmática e elas continuaram se abraçando silêncio, simplesmente aproveitando aquele momento especial, por alguns minutos, até que uma batida suave soou na porta.

- Sinto muito por interromper. – Edward disse, ao entrar com um sorriso envergonhado.

- Não está interrompendo nada, filho. – Esme sorriu amorosamente – Na verdade, ter você aqui torna tudo ainda mais perfeito.

- Tudo está pronto lá embaixo. – ele avisou, se aproximando – E Carlisle está prestes a abrir um buraco no chão de tanto andar. – ele riu – Então eu vim ver se vocês estavam prontas...

- Acha que seria de mal tom se a noiva chegasse mais cedo? – Esme perguntou, mordendo o lábio timidamente.

- Eu acho que todos vão falar que vocês estão muito apaixonados e ansiosos para casar. – Bella sorriu.

- Mas, antes... – Edward completou, puxando uma caixinha de dentro do bolso interno de seu terno – Nós temos algo para dar a você...

Curiosa, Esme pegou a pequena caixa assim que ele a estendeu e abriu-a, seu rosto ficando muito emotivo quando ela percebeu o que era.

- É um presente de casamento. – Bella explicou – De nós dois.

- Leia a inscrição na lateral. – Edward pediu.

Com delicadeza, sua mãe tirou a pulseira de dentro do veludo preto, erguendo o material intrincado até a altura dos olhos para poder ler a frase. – Oh... – ela arfou, as lágrimas finalmente escorrendo por seus olhos – Muito obrigado, não sabem como isso significa para mim. – Ela deu um grande sorriso choroso e colocou a pulseira gentilmente em seu próprio braço – E quero andar com vocês até o altar usando esse lindo presente. Agora venham aqui dar um abraço na mamãe. – ela riu entre as lágrimas, abrindo os braços.

Enquanto Edward enlaçava a cintura de Esme e Bella os seus ombros, a altura dele acabou por fazer a cabeça de Bella ficar praticamente ficar aninhada em seu peito, permitindo que ela sentisse o perfume fresco e amadeirado que emanava dele. E, quando Esme os abraçou ainda mais apertado, eles foram pressionados juntos, com seu rosto ficando literalmente contra seu peitoral. Sem erguer os olhos para olhá-lo, ela se permitiu apenas desfrutar do momento feliz, estando abraçada ao homem que estava apaixonada e de sua mãe, no dia mais feliz da vida dela.

- Esme! – a voz eufórica de Alice, vinda do corredor e se aproximando, os fez se afastar um pouco um do outro. Sua amiga surgiu na porta, animadíssima e com um pequeno buquê de flores coloridas nas mãos. – Vamos agora. Estamos no tempo certo para as damas de honra e os padrinhos entrarem antes de você.

- Vamos lá. – Edward animou a mãe, oferecendo-lhe seu braço – Seu noivo está esperando por você.

Enquanto Esme enlaçava seu braço esquerdo no de Edward, Bella segurou sua mão direita e eles saíram pelo corredor, indo até a porta de entrada da sala de espera antes do salão, de onde eles podiam ver um pouco da decoração branca e marfim e alguns convidados sentados nas cadeiras enfileiradas. Do ângulo em que estavam, escondendo Esme de todos os olhares do salão, Bella não conseguia ver o altar, mas sabia que seus avós e Carlisle já estavam lá, certamente nervosos com a antecipação, enquanto os gêmeos passavam jogando pétalas de flores, sendo seguidos por Rosalie e Alice e, finalmente, por suas mães que, antes de sair, gesticularam que eles deveriam entrar assim que elas chegassem até o altar.

- Eu não posso acreditar que isso realmente está acontecendo... – Esme sussurrou, parecendo avoada.

- Mas está! – Bella a animou, apertando sua mão – E vocês dois finalmente vão se casar! – Bella observou, em antecipação, suas mães chegarem à beira do altar – Pronta para realizar esse sonho?

Esme assentiu em meio a alguns pequenos soluços, parecendo emotiva demais para falar. Assim que o primeiro acorde da tradicional marcha nupcial soou e o som de todos os convidados se levantando encheu o ar, ambos os filhos lhe deram carinhosos e emocionados sorrisos de incentivo e começaram a avançar com ela para fora da pequena sala, em direção ao altar.

Assim que eles atravessaram a soleira da porta do salão, Bella percebeu todos os olhares encantados que as pessoas dirigiam à noiva, especialmente os olhos do homem parado ao lado do altar, parecendo absolutamente deslumbrado pela visão a sua frente. De fato, mesmo ainda a certa distância, Bella já conseguia ver as lágrimas que seu pai estava derramando.

A caminhada até o altar não durou muito e, finalmente, quando os dois filhos de Esme pararam com ela diante de Carlisle, a juíza de paz que presidia a cerimônia lhes sorriu e perguntou.

- Quem entrega essa mulher a esse homem?

- Nós entregamos. – ambos responderam em uníssono e Bella ergueu a mão direita junto com Esme, esperando também que Edward pudesse colocar sua mão junto a de sua mãe e, assim, ambos uniram a mão de Esme a de Carlisle. Por um momento, eles observaram o casal ficar frente à frente um do outro, apenas se observando. Contudo, mesmo ainda dentro da magia da cerimônia, Bella conseguiu perceber que eles estavam parados por tempo demais ali e puxou Edward para seus lugares ao lado de Esme, como seus padrinhos de casamento.

Uma vez que todos estavam em seus devidos lugares e os convidados se sentaram novamente, a juíza de paz sorriu para o casal visivelmente apaixonado a sua frente e iniciou a cerimônia.

- Estamos aqui hoje, reunidos, para unir este homem e esta mulher através dos laços do sagrado matrimônio. Que eles se unam não apenas pela lei, mas que seus corações e suas almas se enlaçem de maneira inquebrável, para que seu amor seja eterno, sua amizade seja sólida, sua confiança um no outro seja inabalável e para que sejam, daqui por diante, companheiros um do outro. Desde dia em diante, lembresem-se sempre do sentimento e da jornada que os trouxe até este altar, para que ele não se perca com o tempo e que, na verdade, esse tempo faça apenas esse sentimento crescer. Que possam ser sinceros e verdadeiros um com o outro, para que seu amor possa florescer e a felicidade nunca os abandone.

Inconscientemente, os olhos de Bella acabaram por se voltar para Edward e ela se surpreendeu ao encontrá-lo olhando diretamente para ela. As bochechas dele esquentaram um segundo depois disso e ele desviou o olhar, envergonhado por ter sido pego observando, aparentemente. E Bella não pôde deixar de sentir seu coração aquecer e um sorriso se formar automaticamente em seu rosto. E, conforme a cerimônia se seguiu, ela o pegou novamente observando-a, várias vezes. Ou será que era ela observando ele? A verdade era que seus olhares pareciam não parar de se encontrar, mas ele sempre parecia culpado quando isso acontecia. Parada no altar, ela desejou poder falar com ele naquele exato momento, poder lhe revelar o que estava sentindo... Mas conseguiu se controlar até que a juíza se dirigiu aos seus pais.

- Podem dizer seus votos um para o outro. – ela pediu aos noivos.

- Esme... – Carlisle respirou fundo, a voz um pouco trêmula, enquanto olhava a futura esposa diretamente nos olhos – Eu me apaixonei por você desde o primeiro segundo em que te vi. Éramos apenas crianças, mas eu sempre soube que fui abençoado por conhecer o amor da minha vida tão cedo. E, mesmo quando estávamos longe e eu achava que nunca mais fosse ver você... Ainda assim você estava em todos os meus pensamentos, todos os dias. E reencontrar você, e descobrir que nosso amor não mudou, foi a segunda maior alegria que já tive, depois da nossa filha. – ele sorriu, emocionado – Obrigado por me dar Isabella, por nos dar uma segunda chance, por me dar seu coração e aceitar o meu e por ter aceitado fazer de mim o homem mais feliz do mundo hoje, se tornando minha esposa. Prometo amar, respeitar, apoiar, proteger e cuidar de você e de todas essas coisas incríveis que me deu, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza... Até que a morte nos separe. – ele soluçou, as primeiras lágrimas de alegria escorrendo pelo rosto - Eu amei você durante cada dia desde que te conheci e prometo continuar a te amar, mesmo depois que eu dê meu último suspiro.

- Carlisle... – Esme fungou, também aos prantos – Eu prometo amar, cuidar, respeitar, proteger e apoiar você pelo resto das nossas vidas, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença e até que a morte nos separe. Porque desde que eu era apenas uma garota jovem e sonhadora, eu já sabia que amaria você para sempre. Éramos apenas crianças quando nos apaixonamos... E talvez, até certo ponto, ainda sejamos. – ela riu entre lágrimas – Mas eu sei que nosso amor vai sobreviver a qualquer coisa que acontecer a partir de hoje, porque se manteve vivo por 22 anos de mentiras e mágoas. A partir de hoje, eu quero compartilhar com você a sua vida, suas alegrias, suas tristezas, seus sonhos, seus medos, suas esperanças... Eu quero compartilhar com você tudo o que ainda temos para viver. Obrigado por ter me dado nossa filha e por ter me perdoado por todas as vezes em que acabei dando as costas a você. Mesmo depois de tudo o que aconteceu, eu não poderia ter mais certeza que você é minha alma gêmea e todos os dias eu agradeço por termos nos reencontrado. – os olhos dela se desviaram para Antônio, que estava sentado na primeira fila, parecendo mais emocionado do que Bella jamais havia visto – Agora eu sei que o meu amor por você apenas cresce cada dia mais e eu sei que, a partir de hoje, vamos alcançar a felicidade e a vida que sempre quisemos juntos. – ela soluçou – Eu amo você, Carlisle Cullen.

- Foram belos votos. – a juíza de paz elogiou com um sorriso maravilhado – Depois dessas lindas palavras, a fim de que a união seja oficializada, eu devo pedir: Se alguém tem conhecimento de algo que possa impedir esse homem e essa mulher de se casarem, que fale agora ou se cale para sempre.

Mesmo sabendo que tanto ela quanto Edward garantiram que a segurança do hotel fosse reforçada para o casamento, a fim de impedir que Marie colocasse algum de seus planos em prática, – inclusive mostrando sua foto à segurança para evitar que ela entrasse no prédio - Bella não pôde se impedir de ficar tensa diante daquela frase. Nervosa, ela olhou ao redor, preocupada que alguma coisa ou alguém pudesse aparecer para estragar aquele momento... Deus, quantas vezes, durante aqueles meses, quando tudo parecia tranquilo e perfeito, problemas inexplicáveis haviam simplesmente surgido repentinamente?

Ela ainda estava completamente tensa de medo e antecipação quando uma mão grande e gentil segurou a sua e a apertou. Surpresa, ela se virou para ver Edward fitando-a com uma expressão encorajadora. Com mais um aperto de mão suave, ele falou sem som: "Está tudo bem", dirigindo-lhe um daqueles sorrisos doces e deslumbrantes exclusivos dele, apontando delicadamente com a cabeça para onde Carlisle e Esme estavam se encarando amorosamente no altar. E, de fato, ver suas expressões a lembrou que, mesmo que aquele momento fosse interrompido, o amor deles seria capaz de resistir. Com um grande sorriso de agradecimento para Edward, ela viu a juíza continuar a falar.

- Muito bem. – disse ela, satisfeita com os segundos de silêncio, enquanto apontava para os documentos dispostos na pequena mesa do altar – Assinem aqui, por favor.

Emocionada, Bella viu as mãos trêmulas de seus pais biológicos assinarem o documento que os uniria para sempre diante da lei, pois ela sabia que, em seus corações, eles jamais estiveram separados. Ao vê-los tão felizes, ela não podia deixar de recordar tudo aquilo pelo qual eles haviam passado para chegar até ali e também não pôde deixar de se sentir grata por poder não apenas conhecê-los, mas também ser fruto e parte daquele amor.

- Sendo assim, pelo poder investido em mim... – disse a juíza quando ambas as assinaturas estavam no papel – Eu orgulhosamente os declaro marido e mulher. – sorriu ela – O noivo pode beijar a noiva.

Não foi preciso mais nenhum incentivo para que Esme passassem seus braços em volta do pescoço do marido e ele a abraçasse com força, os dois mergulhando em um beijo profundo e apaixonado que fez todos no salão suspirarem pela doçura e amor na cena. Vários segundos depois, quando o beijo finalmente acabou, Alice começou os gritos e uivos de felicidade, jogando pétalas de rosas brancas no casal, enquanto os novos Sr. e Sra. Cullen corriam pelo corredor e dobravam em direção a segunda área do salão, onde aconteceria a festa.

Vendo o resto dos convidados começar a segui-los, Bella se virou para Edward com um sorriso agradecido.

- Obrigado por me acalmar. Tudo foi tão incrível e perfeito e eu fiquei com tanto medo de que algo desse errado, especialmente com Marie por aí... – ela explicou.

- Eu sei, também fiquei. – ele confessou, mas logo sorriu – Mas agora eles estão oficialmente casados. Devemos comemorar. – ele a incentivou, cheio de alegria. Ela estava pronta para pedir-lhe um momento a sós quando ele pareceu lembrar-se de algo – Mas, primeiro, eu vou conferir com a segurança se está tudo bem. Nos vemos daqui a pouco, está bem?

Ela queria desesperadamente pedir para ele ficar, confessar seu amor, beijá-lo novamente... Mas a insegurança de qual seria sua resposta a impediu e, sabendo que gaguejaria terrivelmente se ousasse tentar falar, ela apenas assentiu e deu um sorriso tímido de confirmação, enquanto o observava sair pelo corredor, para fora do salão e desaparecer por completo de sua visão.

Com um suspiro triste, ela se encaminhou até a festa, onde Esme e Carlisle estavam prestes a iniciar sua primeira dança, em meio a flashes de câmeras e filmadoras, e se sentou na mesma mesa em que estavam Alice e Jasper, enquanto observava seus pais dançarem, os olhos unicamente um para outro, parecendo terem esquecido que havia outras pessoas ao redor. E até mesmo seu casal de amigos parecia alheio a tudo o que acontecia ao redor, já que apenas a cumprimentaram distraidamente quando chegou e então imediatamente voltaram para seu pequeno mundinho de sorrisos apaixonados e rápidos beijos. Feliz, mas ainda assim se sentindo deslocada no meio de tantos casais apaixonados e com o estômago embrulhado de antecipação por conta da confissão que decidira fazer ainda naquela noite, ela esperou até que Edward aparecesse novamente.

A dança estava quase no fim quando ele apareceu na soleira da porta. Ela estava pronta para correr até ele quando a cerimonialista avisou no microfone que o jantar seria servido e que, após ele, a pista de dança estaria liberada todos, antes que os noivos fizessem um discurso. Dessa forma, Bella logo se viu sendo puxada por Esme para estar ao lado deles quando o bolo fosse cortado.

Seus pais dividiram o primeiro pedaço do bolo entre ela e Edward, já que segundo Esme, eles eram "seus bebês", o que apenas serviu para acender ainda mais em Bella sua preocupação com qual seria a reação de Esme caso chegasse aos seus ouvidos que seus dois "bebês" haviam se declarado um para o outro. E foi esse pensamento preocupante e desesperador que a seguiu até o jantar, na mesa de seus pais, na cadeira ao lado de Edward, onde nem mesmo uma das refeições mais saborosas que já comera em sua vida foi capaz de distraí-la.

E, depois do que pareceu uma eternidade de comida maravilhosa e vários parabéns para Esme e Carlisle enquanto ela permanecia gélida de tensão sentada ao lado de Edward, finalmente o jantar acabou e a pista de dança foi aberta oficialmente, com uma primeira valsa lenta para celebrar o amor do casal. Assim que todos da mesa tinham levantado, Bella estava se preparando para fazer o mesmo, só que não para dançar, mas sim para finalmente desabafar sobre o que sentia. Toda aquela espera a havia transformado em uma panela de pressão e ela sentia que, se não dissesse logo aquelas palavras que a estavam consumindo cada vez mais, explodiria.

Contudo, quando virou sua cabeça para falar com ele, Edward já não estava mais sentado, mas sim de pé ao seu lado, com a mão estendida e uma expressão temerosa e ao mesmo tempo solene no rosto.

- Poderia me dar a honra dessa dança? – ele perguntou, educadamente.

Ela sorriu docemente para ele – É claro. – confirmou, aceitando sua mão e se levantando.

O som valsa romântica embalava o ambiente, dando-lhe uma atmosfera envolvente e encantadora, quando Edward andou com ela suavemente até uma das laterais da pista, passando um dos braços por sua cintura e o outro debaixo de sua mão esquerda. Ele a ajudou a balançar tranquilamente ao som da melodia por alguns minutos, tempo quase que suficiente para ela se esquecer de que estar com ele a sós tinha, naquele momento, uma finalidade que ia além de sentir seus corpos delicadamente pressionados juntos e o cheiro agradável do perfume dele. Todavia, assim que se viu quase encostando a bochecha no ombro dele, Bella conseguiu recuperar um pouco de sua consciência e afastou um pouco o pescoço para olhá-lo diretamente.

- Edward... – ela começou a pedir, insegura – Será que você... Será que nós... Podemos conversar em particular? – ela gaguejou, o nervosismo voltando com força total ao se dar conta do que estava prestes a fazer e a conjecturar, instantânea e instintivamente, quais os prováveis finais para aquele cenário.

- Mas é claro. – ele concordou prontamente, ainda que parecesse preocupado – Pode ser na varanda? – ele apontou as duas grandes portas duplas abertas em dos extremos do salão, com grossas cortinas ao redor, a alguns metros de onde eles estavam.

- Parece ótimo. – a distância da pista de dança, onde a majoritária parte dos convidados estava, juntamente com a discrição do lugar, a agradaram – Podemos ir lá agora, por favor? Eu... Eu gostaria de conversar com você antes que Esme sinta falta de nós dois... Especialmente porque a sessão de karaokê deve ser logo... – ela divagou, nervosa.

Ele sorriu para sua evidente falta de jeito e deslizou sua mão até a dela, puxando-a discretamente para longe da pista de dança e até a varanda ampla e bem arejada, cujo espaço era realmente bastante privado, com as cortinas e amplo espaço ao lado das portas escondendo qualquer um que estivesse ali da visão das pessoas do salão. Edward apenas parou de andar quando, além de estarem encostados na parede e parcialmente escondidos pela grossa cortina de linho, eles também pararam atrás de um grande jarro de cerâmica branca com uma alta e volumosa planta verde.

- Você está bem, Bella? – ele questionou, assim que os dois estavam completamente longe de todos, com até mesmo os sons da festa estando um pouco abafados pela distância e concentração total que tinham um no outro. – Aconteceu alguma coisa?

- Não, não... – ela negou prontamente, mas depois pensou melhor – Bem, na verdade... Eu gostaria de conversar... Conversar sobre... O que você me disse na ilha na semana passada... – tinha sido realmente há tão pouco tempo? Para ela, parecia ter sido há meses.

- Oh. – ele suspirou tristemente – Eu devia saber que você estava perturbada por isso... Percebi que você estava estranha. Então, por favor, permita que eu me desculpe com você de novo.

- Não... Não Edward... – ela tentou falar, mas ele a interrompeu gentilmente.

- Por favor, deixe-me fazer isso. – ele pediu – Foi muito egoísta da minha parte confessar meus sentimentos para você daquela forma e naquele momento complicado, sabendo que você jamais pensaria em mim daquela forma e que sua vida já estava confusa o suficiente. Foi o tipo de egoísmo que eu prometi não praticar mais, mas descumpri essa promessa e por isso eu peço que me perdoe. E sei que meu comportamento na festa até agora deve ter feito você ficar ainda mais incomodada. Prometo que de hoje em diante manterei a distância respeitosa que sempre devia ter mantido desde que me desculpei pela primeira vez e me esforçarei ao máximo para superar o que sinto e finalmente deixar você completamente em paz...

- Eu estou apaixonada por você. - ela finalmente admitiu, a voz se elevando quase desesperadamente para interrompê-lo. Ela o viu parar, absolutamente estupefato, e apenas olhar para ela, paralisado. Nervosa com sua falta de reação, ela apenas permitiu que as palavras travadas em sua garganta finalmente saíssem - O que é absolutamente ridículo e louco, eu sei, porque faz exatamente 20 dias desde a primeira vez em que você foi gentil comigo e eu não entendo como posso estar me sentindo assim... E, acredite, eu tentei lutar contra isso, mas não tive nenhum sucesso. Não porque eu não queira sentir isso ou que tenha algo a ver com você, é só que... Eu nunca me senti assim antes e é tão intenso... Eu fiquei com tanto medo de que algo desse errado, ou de voltarmos a nos odiar, ou de decepcionarmos Esme, ou...

Ele a interrompeu com um beijo. Sua torrente de palavras a havia feito ficar completamente alheia e ela nem o percebera se aproximar tanto, mas agora seus lábios estavam feroz e apaixonadamente travados. Feliz, ela se deixou derreter nos braços dele, apenas aproveitando o momento. A intensidade do beijo apenas aumentou, enquanto que, instintivamente, eles tentavam com afinco se abraçar com mais força e colar ainda mais seus corpos. Finalmente, totalmente sem fôlego, eles foram obrigados a separar suas bocas para respirar. Contudo, mesmo tão ofegante quanto ela, Edward apenas respirou profundamente duas vezes antes de falar, tomando o rosto dela entre as mãos e olhando-a com a expressão mais feliz e apaixonada que Bella já vira em toda a sua vida.

- Eu amo você. - ele sussurrou, com um sorriso emocionado – Não pode imaginar como, durante todos esses meses, eu tenho sonhado em ouvir que você sente pelo menos um milésimo do que sinto por você. Bella Swan... – ele encostou sua testa na dela, parecendo não querer nem sequer uma pequena distância entre os dois – Eu amo você com todas as minhas forças e há muito tempo eu desisti de encontrar uma lógica para isso: simplesmente compreendi que não havia como me impedir de me apaixonar por alguém tão maravilhosa quanto você. E, se você realmente me der uma chance de fazer você feliz, eu prometo que vou me esforçar a cada segundo de cada dia para provar a você que o que eu sinto é verdadeiro. Porque nunca amei ninguém como amo você.

Sentindo seu coração disparado fazer seu peito vibrar, ao mesmo tempo em que estava completamente hipnotizada pelo amor nos olhos dele, Bella finalmente se permitiu usar a palavra certa para descrever o que sentia, mas que vinha evitando até agora - Você riria se eu dissesse que eu também amo você? - ela perguntou com um sorriso tímido.

- Não. - ele sorriu como se ela tivesse acabo de lhe dar o universo - Eu diria que sou o homem mais sortudo do mundo.

- Acho que percebi que amava você desde aquele dia na chuva. – ela admitiu, seus dedos se torcendo no tecido do paletó dele, enquanto as palmas acariciavam seu peito firme. Parecia que agora ela não era mais capaz de parar de tocá-lo - Mas estava com medo demais para admitir... Medo do que poderia acontecer conosco e medo de que poderia não haver uma maneira de fazermos isso dar certo... Não sei se já percebeu, mas... – ela riu - Às vezes eu planejo demais.

- Vamos dar um jeito nisso... - ele deu um sorriso malicioso e a beijou novamente, porém, dessa vez mais lenta e sedutoramente, quase como se sua boca brincasse com a dela. Muito disposta a jogar com ele, ela o enlaçou pelo pescoço e aprofundou o beijo. Por fim, quando eles se separam por falta de ar novamente, ele tinha um grande sorriso ofegante, satisfeito e brincalhão no rosto – Será que isso ajuda você a parar de planejar tanto?

- Muito. – ela concordou com um ronronar e o puxou de volta para ela pela gravata, voltando a beijá-lo. Contudo, em determinado momento, quando suas mãos estavam envoltas em seus braços fortes e as deles estavam descendo lentamente por seu quadril, ela se lembrou de algo que eles deveriam discutir antes de avançar mais e separou seus lábios dos dele – Espere, Edward... – ela arfou um pouco.

- Estou indo rápido demais? – ele perguntou ofegante, suas grandes mãos congelando em um lugar atrevidamente perto de seu traseiro.

Ela deu um sorriso zombeteiro e tocou a ponta de seu nariz – Não, seu bobo... – mas então seu sorriso caiu – O que você acha que Esme vai dizer sobre nós? Quer dizer... Sobre o que estamos tendo... – ela se atrapalhou – O que estamos tendo, aliás? Quer dizer, eu sei muito bem que nós nos conhecemos há pouco tempo e não estou dizendo que quero que você... Bem... Não quero forçar você a ter um relacionamento sério comigo agora, eu apenas...

- Bella, calma. – ele a tranquilizou, abraçando-a contra o peito, mas ainda assim inclinando a cabeça para olhá-la docemente nos olhos – Se há algo que eu quero com todas as minhas forças, é ter um relacionamento com você. Então, permita-me perguntar: você gostaria de ser minha namorada, amor? – perguntou-a com um sorriso apaixonado.

- Eu adoraria. – ela sorriu de volta, bobamente, até que percebeu uma coisa que a fez querer brincar com ele, apesar de seu coração ter se aquecido com aquela última palavra. – Mas com uma condição.

- Qual?

- Posso chamar você de "amor" também?- a ponta de seu dedo percorreu a forma dos lábios dele enquanto ela perguntava.

- Oh, isso... – ele riu timidamente – É como eu venho chamando você na minha cabeça há algum tempo. Você se importa?

- Não, amor. – ela negou, beijando suavemente seu pescoço logo acima da gola da camisa e apoiando sua cabeça em seu ombro, sentindo o ritmo de sua respiração, quase esquecida sobre qual era o assunto ali.

- Quanto a Esme... – ele recomeçou, enquanto a mão que não estava envolta no quadril dela brincava com seu cabelo – Ela é muito gentil... Mesmo que fique com raiva no início, o que eu acho difícil... Certamente vai acabar nos perdoando. – ele garantiu, parecendo certo do que dizia.

- Eu também acho, mas... – ela mordeu o lábio, insegura – Não quero magoá-la de jeito nenhum. E se ela achar que estamos cometendo incesto ou coisa assim?

- Ela não vai. Ninguém nunca nos considerou irmãos, Bella, muito menos nós mesmos. Pelo menos eu sei que fui do estágio de ser um completo idiota diretamente para o de me apaixonar por você... Nunca sequer passei perto do sentimento de irmandade. – ele se inclinou para beijá-la novamente – O que acha que devemos fazer? – questionou-a, afundando o nariz em seu cabelo e acariciando suas costas com as pontas dos dedos, às vezes ameaçando tocar mais para baixo, mas parando bem no limite.

- Eu gostaria de contar o mais rápido possível. – ela deu-lhe um meio sorriso – Eu queria que ela soubesse diretamente por nós e não porque ela pode acabar vendo você sendo assim tão atrevido. – ela zombou, mas desceu sua mão sedutoramente pelas costas dele e agarrou-o, fazendo-o pular de surpresa, com um sorriso inebriado no rosto.

- Acho que vou continuar sendo, se isso for contagiar você desse jeito. – ele sorriu sedutoramente, o rosto ficando, de alguma maneira inexplicável, ainda mais bonito, e ela se sentiu corar – Que tal contarmos essa noite mesmo?

- Você acha? – ela perguntou, incerta – Não quero estragar a noite deles...

- Bella, eu não quero esconder isso. – ele acariciou seu rosto – Não quero ter que agir como se o que estamos sentindo fosse errado. Quero mostrar para todos que nos amamos e que estamos juntos. E não quero esperar mais nenhum segundo para fazer isso. – ele falou, intensamente – Eu sei que ninguém tem a ver com nosso namoro e vou respeitar sua decisão se quiser esperar, mas eu sei que não vai demorar muito para que Esme e o resto da nossa família nos aceitem. E, além do mais... – ele murmurou, beijando-lhe a testa, depois a ponta do nariz, as bochechas e, por fim, suavemente a boca – Eu gostaria de poder beijar e tocar você da maneira em que quisermos e na hora em que quisermos.

- Eu concordo. – ela disse, extasiada – Vamos tentar essa noite, está bem? Mas... Se qualquer coisa que indique o contrário acontecer, nós vamos esperar, está bem? – combinou Bella, as mãos percorrendo os amplos ombros dele.

- Está bem. – Edward concordou imediatamente, a expressão maliciosa voltando a seu rosto – E... O que você gostaria de fazer agora, amor?

- Bem... – ela se aconchegou um pouco mais no peito dele e enlaçou pelo pescoço com os braços, trazendo-o para junto de si – Eu gostaria de fazer um pouco mais disso... – ela murmurou antes de voltar a beijá-lo intensamente.

Eles estavam novamente permitindo que ambos seus pares de mãos fossem longe demais, quando uma voz ansiosa soou pela porta ao lado deles.

- Edward! – chamou Jasper, aparecendo na linha de visão deles, surpreendendo os dois com sua presença e a si mesmo com a cena. – Oh... Desculpem. – ele arfou, surpreso, então um pequeno sorriso repuxou seu rosto normalmente sério – Que bom que vocês dois finalmente se entenderam. Alice vai ficar muito feliz.

- Jasper... – Edward rosnou – Quer me devolver o favor que fiz a você naquele dia... E sair, por favor? – ele perguntou, claramente dispensando-o.

- Eu gostaria de deixar vocês dois a sós... – Jasper suspirou – Mas infelizmente não posso. Tenho más notícias: - ele encarou as feições repentinamente preocupadas dos dois – Tem uma pessoa lá fora insistindo para entrar e... Eu acho que vocês deveriam mandá-la embora.

- Quem é? – Bella perguntou, aflita.

- Não quero preocupar vocês. – ele desconversou – E, por mais que Alice tenha me dito para não envolver vocês nisso, a verdade é que eu acho que apenas você vai poder realmente expulsar aquela maldita criatura insistente. – ele rolou os olhos, claramente irritado – Mas não vá sozinha, eu peço.

- Ela nunca mais vai estar sozinha. – Edward garantiu, sorrindo para ela.

- Tem razão, reforço. – ela concordou docemente – Vamos. Vamos resolver isso, antes que importune Carlisle e Esme. – ela o apressou, tomando sua mão e indo com ele para fora da varanda, passando o mais discretamente possível pelo salão, conseguindo sair de lá sem que os noivos os percebessem.

Contudo, ao chegar até a recepção do hotel, Bella não pôde deixar de se sentir um pouco aliviada ao ver que era apenas Jacob parado ali, cercado por três homens gigantes – obviamente seus seguranças - e não uma coisa – ou alguém - pior. Ainda assim, ela não estava com nenhum ânimo para aturá-lo naquele dia, especialmente quando podia estar aproveitando o casamento de seus pais ao lado de Edward.

Ao vê-la, ele deu um pequeno sorriso, quase simpático, e a cumprimentou. – Ei, Bella.

- Nem comece, Jacob. – ela o cortou rapidamente, já irritada – O que está fazendo aqui? Eu já não disse o suficiente a você? – Bella parou diante dele e Edward prostrou-se bem ao seu lado, o corpo quase completamente entre ela e o ex-namorado, como se ele estivesse pronto para pular no pescoço de Jacob assim que possível.

- Eu sei, eu sei... – Jacob a acalmou, as mãos erguidas para cima, em sinal de rendição – Eu não vim aqui para incomodar você, juro... – ele observou atentamente a postura protetora de Edward ao lado dela e deu um suspiro – Na verdade, sendo bem sincero... Eu vim dizer adeus.

Por essa ela não esperava. – Sério? – ela perguntou, esperançosa – Adeus como... Você vai embora de vez?

- Qual é... Tenha a decência de pelo menos fingir que isso não te deixa tão feliz. – ele riu suavemente, mas rapidamente seu rosto ficou verdadeiramente sério, algo raro para ele – Mas, sim. Eu vou embora. – ele se aproximou calmamente dela, mas a expressão de Edward o parou – Calma aí, grandão... Prometo que não vou fazer nenhuma besteira como na última vez.

- Está tudo bem, amor. – ela acalmou seu namorado com um sorriso e se aproximou um pouco de Jacob. – Muito bem... Se está indo embora, então o que você quer exatamente?

- E você ainda me disse que não havia nada entre dois... – ele resmungou, desgostoso.

- Isso não era da sua conta naquela época e continua não sendo. – ela rosnou – E se era isso que você queria dizer, então pode ir embora agora mesmo!

- Ei, calma... – ele pediu novamente, tentando apaziguá-la – Eu não vim aqui para isso, gati... Quero dizer, Bella, eu juro. Na verdade... – ele suspirou – Eu vim aqui realmente para me despedir. E... Para agradecer você.

- Agradecer pelo quê? – ela ergueu uma sobrancelha, confusa e desconfiada.

- Por todas aquelas coisas que tentou me dizer, mas eu insisti em ignorar... – ele explicou, um pouco cabisbaixo – Sabe... Ver você daquele jeito, tão frágil e tão preocupada... Você não parecia em nada com a garota feliz e tímida que eu lembrava. No começo, fiquei confuso por não estar sentindo com você o que eu me lembrava que sentia... Então percebi que você estava certa. De novo, como sempre. – ele deu de ombros – Eu precisava de ajuda depois de tudo o que tinha me acontecido... E eu procurei.

- Isso é ótimo, Jacob. – ela sorriu, satisfeita.

- Eu sabia que você ia reagir assim... – ele deu um meio sorriso e então continuou – Bem... Eu pensei muito sobre como você tinha mudado, então percebi que eu também mudei muito. E não só enquanto estávamos separados. Quando subimos naquele palco, eu já não era mais o mesmo cara cujo dia mais feliz da vida foi quando você aceitou namorar com ele. – ele deu de ombros - Então resolvi procurar um psicanalista e ele me disse que eu estava sofrendo de deslocamento. – ele revirou os olhos diante da expressão confusa dela – É uma coisa de Freud... Enfim, você estava certa. Eu estava deslocando os sentimentos felizes que eu tinha quando era jovem no passado e estava com você, para você agora, porque eu queria sentir aquela felicidade de novo. Mas ele me fez entender que isso não ia funcionar. Eu sou diferente agora e você também. Eu preciso tratar o meu vício e tentar me apaixonar novamente pela música. E você... – ele mediu Edward dos pés à cabeça. – Precisa refinar seu gosto.

- Jacob! – ela estalou, revoltada.

- Estou brincando, estou brincando... – ele levantou as mãos novamente – Bem, eu queria agradecer por ter dito aquelas coisas para mim... Eu fui um perfeito otário com você e ainda assim você se preocupou comigo e tentou me ajudar... Por isso, mais do que tudo, quero me desculpar por ter sido um idiota... – ele resmungou, mas então sorriu - O que você diz? Me perdoa?

- Se prometer que nunca mais vai voltar... – ela zombou, mas então o encarou seriamente - Eu perdoo você, Jacob, mas quero que prometa que finalmente aprendeu sua lição e nunca mais vai fazer uma coisa como essa. Eu consegui seguir em frente e encontrei minha felicidade... – ela sorriu timidamente para Edward – E tenho certeza que você vai conseguir também. Não precisa de mim para isso.

- Bem... Eu gostaria de precisar... – ele murmurou para si mesmo, mas então dirigiu-se diretamente para ela – Mas eu sei que fiz muita besteira. Agora finalmente percebi que você me perdoar vai ser o máximo que vou conseguir, então... – ele estendeu a mão para ela – Sem ressentimentos?

Ela passou alguns segundos apenas olhando para sua mão estendida, desconfiada, assim como Edward.

- Vamos lá, Bella... – Jacob a incentivou, com o sorriso galanteador que agora ela sabia que fazia parte do novo ele – Talvez nunca nos vejamos novamente...

Com um suspiro, ela envolveu sua mão esquerda, primeiramente, na mão de Edward, e só depois estendeu a direita para Jacob, que a pegou respeitosamente, para sua surpresa.

- Adeus, Jacob. – ela foi a primeira a dizer – Boa sorte. Espero, de verdade, que as coisas melhorem para você.

- E eu espero que as coisas deem certo para você. – ele deu um meio sorriso – Você sempre vai ser minha gatinha. – ao ver a careta que o casal fez para ele, Jacob gargalhou – Adeus, Bella.

Ao soltar sua mão, ele ainda passou alguns segundos parado, apenas olhando-a, antes de acenar suavemente com um sorriso triste e se virar, indo embora, com os três homens enormes continuando a cercá-lo, até entrar em um enorme carro de aparência cara e sair completamente não apenas de suas vistas, mas, aparentemente, também de suas vidas.

- Eu ainda não gosto dele. – Edward resmungou, irritado.

- É claro que não. – ela riu e deu-lhe um beijo, a fim de acalmá-lo – Mas fico feliz que Jacob finalmente tenha me escutado e ido embora. Isso vai tornar o resto das nossas férias aqui muito melhor. – ela sorriu largamente para ele.

- Se estivermos juntos, seria maravilhoso em qualquer lugar. – ele lhe garantiu, o amor em seus olhos verdes transbordando e aquecendo seu coração.

- Lembre-se disso quando voltarmos e estivermos loucos com nossos trabalhos. – ela brincou, beijando-o mais uma vez – Agora vamos, antes que Esme se dê conta de que nós saímos.

- Eu não acho isso possível. – ele disse, enquanto eles voltavam para o salão – Ela e Carlisle pareciam muito concentrados um no outro enquanto estavam dançando. Duvido que perceberiam até mesmo se um meteoro caísse na sala. – ele passou o braço pelos ombros dela, trazendo-a para perto – Aliás, o que acha de uma dança de verdade, agora?

- Soa bom. – ela concordou, apoiando a cabeça no ombro dele – Então podemos dividir um pedaço de bolo e tentar conseguir mais um pedaço daquele rosbife. – ela sugeriu.

- Você é realmente a mulher certa para mim. – ele a encarou, admirado – Onde você esteve durante toda a minha vida, amor?

- Fazendo planos para conseguir doces. – ela deu de ombros e sorriu docemente – Mas tenho certeza de que vamos achar muitas maneiras de recuperar o tempo perdido.

- Sim... – ele deu um sorriso sensual e a puxou para ele, parando-os bem na frente da sala de espera do salão – Eu consigo pensar em uma agora mesmo.

Ele estava prestes a beijá-la de novo, quando a voz de Jasper os interrompeu novamente. – Isso é um casamento de família. Tentem manter a decência. – ele sorriu um pouco quando os dois o olharam feio – E então? Conseguiram resolver o problema?

- Sim. – Edward o tranquilizou – Por incrível que pareça, a conversa com Jacob não foi tão ruim assim. E ele finalmente vai parar de nos incomodar.

- Espere, Jacob? – ele questionou, confuso – O que ele tem a ver com isso?

- Ora, não nos chamou para impedir que ele causasse problema? – Bella perguntou, igualmente sem entender.

- Ele não vai causar nenhum problema na festa de Carlisle e Esme. – Edward garantiu para seu melhor amigo – Ele foi embora.

- Mas Edward... – Jasper ergueu uma sobrancelha, preocupado – Não era dele que eu estava falando. Não mencionei quem era porque Bella estava com você e Alice disse que isso a irritaria... – ele suspirou – Mas agora não há mais porque esconder, já que ela está aqui dentro. Não foi o Black quem apareceu aqui e conseguiu entrar subornando um dos seguranças, segundo o chefe deles. – ele se empertigou antes de finalmente revelar.

- Foi Marie.