Capítulo 23

Sasuke acordou com uma forte batida na porta de seu quarto. Antes que pudesse se levantar para atender, a porta se abriu. Sasuke saltou da cama no mesmo instante para segurar sua espada.

— Jesus, Sasuke, sou somente eu. – Naruto disse. – Você parecia estar dormindo o sono dos mortos.

Sasuke sentou-se na cama e puxou as cobertas para esconder a nudez de Sakura e a própria.

— Saia daqui! – ele disse, irritado.

— Se minha presença ofende seu pudor, vou virar as costas até você se vestir. – Naruto disse.

— Não é comigo que estou preocupado. – Sasuke rosnou.

— Bem, inferno, Sasuke! Não posso ver a moça daqui e nem desejo. É muito importante, ou não teria entrado em seu quarto.

— Sasuke?

A voz sonolenta de Sakura surgiu embaixo das cobertas. Ela colocou sua cabeça para fora, com o cabelo todo desgrenhado. Sasuke inclinou-se, afastou o cabelo do rosto e beijou-a na testa.

— Ouça-me, amor. Quero que volte a dormir. Você precisa descansar.

Ela murmurou algo que ele não pode entender e voltou para debaixo das cobertas.

Então Sasuke rolou da cama e ordenou a Naruto que o esperasse no salão. Terminou de calçar as botas e pegou sua espada. Com um último olhar na direção de Sakura, caminhou até o salão onde Naruto o aguardava.

— Amor? Você precisa dormir? – Naruto o imitou, zombando. – Acho que você está ficando frouxo, irmão.

Sasuke deu um soco na mandíbula de Naruto. Este cambaleou e se segurou na parede para não cair da escada.

— Droga, Sasuke. Só quis dizer que o casamento não combina com você. – Naruto disse esfregando o queixo.

— Pois acho que combina muito bem.

Assim que entraram no hall, Sasuke viu Itachi avançando rapidamente, com as roupas empoeiradas e traços de fadiga no rosto.

— Você me tirou de uma cama quente para ver a chegada de Itachi? – Sasuke perguntou.

— Ele disse que era muito importante. Enviou um mensageiro na frente para convocá-lo para uma reunião. – Naruto defendeu.

— Sasuke. – Itachi disse, quando se aproximou.

— O que é tão urgente que enviou um mensageiro à sua frente?

— Juugo está vindo para cá.

Sasuke franziu o cenho.

— Para cá? Por quê? O que aconteceu, Itachi?

— Você se casou. Foi isso o que aconteceu. Laird Juugo tinha a intenção de casar você com a filha dele. Não ficou muito feliz ao descobrir que você já não é mais uma opção. Ele insistiu em vê-lo. Não importa se você está recém-casado, como tentei explicar. Informou-me que, se você realmente quer uma aliança, irá se encontrar com ele.

Sasuke amaldiçoou.

— Não estamos em posição de receber ninguém. Mal podemos alimentar nosso próprio clã e agora teremos que acolher Juugo e seus homens? Precisamos de semanas para nos prepararmos para um evento como este e não meros dias.

Itachi fez uma careta e fechou os olhos.

— O quê? – Sasuke perguntou abruptamente.

— Não dias. Dia.

Maldições brotaram dos lábios de Sasuke.

— Dia? Quando ele chegará?

Itachi suspirou e enxugou a testa, cansado.

— Por que acha que eu corri tanto com meu cavalo. Juugo chegará amanhã.

— Sasuke?

Sasuke voltou-se para ver Sakura em pé a uma curta distância, com olhar interrogativo.

— Tenho permissão para falar?

Ele levantou uma sobrancelha, surpreso por ela pedir para falar. Mas também viu como Sakura parecia nervosa na frente de seus irmãos. Estendeu sua mão para ela e Sakura correu para segurá-la.

— Você precisa de algo, Sakura?

— Escutei vocês dizendo sobre a vinda de Laird Juugo. Há algum problema?

A preocupação nublava seus olhos verdes enquanto olhava para ele.

— Não, amor, sem problemas. Laird Juugo e eu estamos em negociação. Não há nada para você se preocupar.

— Ele estará aqui amanhã?

— Sim.

Sakura franziu a testa e depois ergueu os ombros.

— Há muito a ser feito, Sasuke. Você vai ficar falando sobre meu ferimento e me mandar ficar deitada ou vai me deixar fazer meu dever, para que eu não fique envergonhada na frente de convidados tão importantes.

— Envergonhada?

Sakura bufou, exasperada.

— A torre não está em condições de receber visitas. Há limpeza para fazer, comida para cozinhar, dar instruções. Porque, se alguém chegar hoje, pensaria que o laird casou-se com a mais incompetente das mulheres. Não só eu estaria envergonhada, mas você também.

Ela parecia tão horrorizada em trazer vergonha para ele, que seu olhar se suavizou. Sasuke apertou as mãos dela entre as suas.

— Se prometer ir com calma se sentir qualquer dor, não me importarei em ver você cuidando do castelo. No entanto, espero que deixe as tarefas mais difíceis para as outras mulheres. Não quero que rasgue seus pontos.

O sorriso dela iluminou a sala inteira. Seus olhos dançaram e ela apertou seus dedos. Sakura ficou exultante, querendo se jogar nos braços dele, mas se contentou em apenas segurar suas mãos.

— Obrigada, laird. Não irei decepcioná-lo.

Ela fez uma rápida reverência e correu.

— Seja bem vindo ao lar, Itachi. – ela disse de repente. Então, parou e voltou-se para onde o cunhado estava, segurando-o pela mão. – Desculpe-me. Nem sequer pensei em perguntar se você gostaria de um refresco. Você está bem? Estamos contentes em tê-lo em casa.

Itachi olhou confuso enquanto Sakura lhe apertava a mão.

— Estou bem, moça.

— Gostaria que eu enviasse água quente até seu quarto para que tome um banho?

Itachi olhou-a, horrorizado com a sugestão e Sasuke sufocou o riso.

— O lago será suficiente.

Sakura franziu a testa novamente.

— Oh, mas o lago é tão frio. Será que você não prefere água quente?

Naruto riu.

— Vá em frente, Itachi. Tenha um agradável mergulho na banheira.

Itachi enviou a Naruto um olhar mortal. Então, sorriu suavemente para Sakura para não ferir os sentimentos da esposa de Sasuke.

— Muito obrigado por se importar comigo, mas não há necessidade de levar água para cima. Prefiro um mergulho no lago.

Sakura sorriu brilhantemente para ele.

— Muito bem, então. Se me der licença, laird,ocuparei-me de minhas tarefas. Há muito a ser feito.

Sasuke fez sinal para Sakura ir e ela saiu correndo, seus pés mal tocando no chão em sua pressa. Itachi virou-se para Sasuke.

— Que história é essa de descansar e abrir os pontos? Que diabos você fez com ela?

— Venha. – Sasuke disse. – Vamos comer. Contarei tudo o que aconteceu desde que você partiu e você me conta tudo sobre os homem de Juugo.

Sakura examinou o castelo, levantando tudo o que precisava ser feito em um dia. Meia hora depois, convocou Saori e Tenten, informando-as que precisava de sua ajuda e de orações para fazer um milagre.

Saori e Tenten reuniram as mulheres e Sakura dirigiu-se a elas do topo da escada que levava ao pátio.

— Amanhã teremos convidados muito importantes. – ela explicou para a multidão reunida. – E nenhum de nós quer decepcionar nosso laird.

Houve murmúrios de vários nãos e as mulheres assentiram com a cabeça.

Sakura formou vários grupos e dividiu as tarefas. Ela ainda tinha que tratar das crianças. Logo o castelo tornou-se vivo com as mulheres correndo para lá e para cá.

Em seguida, Sakura falou com os homens que foram designados para os reparos naquele dia. Ela instruiu-os a limpar os estábulos e baias para os cavalos dos homens de Juugo.

Finalmente, foi procurar Shizune para enfrentar a questão dos alimentos. A cozinheira não ficou satisfeita ao descobrir que precisava preparar um verdadeiro banquete para convidados inesperados. Protestou muito, mas depois olhou para Sakura e disse que ficar reclamando não ajudaria em nada.

— Não faço milagres, minha senhora. – Shizune resmungou. – Não há comida suficiente para alimentar nosso clã, muito menos outra horda de homens.

— Quais são nossas opções? – Sakura perguntou. – O que podemos fazer para ajudar?

Shizune fez um sinal para Sakura seguí-la até a despensa. As prateleiras estavam assustadoramente vazias. Havia pouco mantimento e um único pedaço de carne da última caçada.

— Alguns caçadores saíram para caçar. Se eles não voltarem com comida, não teremos nada para servir. E se não repormos nosso estoques, nos próximos meses o inverno chegará e será muito mais difícil.

Sakura franziu a testa. Tinha esperanças de que seu dote fosse entregue muito antes disso ou seu clã passaria fome novamente. Doeu-lhe imaginar as crianças sem ter o que comer. Esfregou a testa.

— E se enviarmos os homens para caçar? Se trouxerem alguma coisa ainda esta noite, você seria capaz de preparar um jantar para amanhã?

Shizune esfregou o queixo, pensativa.

— Se eles trouxerem alguns coelhos, eu poderia fazer um ensopado e usar um pouco da caça que ainda nos sobrou. Ficará muito bom, mesmo se não houver muita carne. Eu posso usar o resto da farinha para fazer pães e bolos.

— Parece maravilhoso, Shizune. Vou procurar o laird e pedir para enviar alguns homens para caçar. Com alguma sorte, eles trarão carne suficiente para fazer uma ceia enorme.

Shizune assentiu.

— Faça isso, moça. Enquanto isso, começarei com o pão.

Sakura saiu em busca de Sasuke. Encontrou-o no pátio supervisionando um grupo de homens mais jovens enquanto eles realizavam uma série de exercícios. Lembrando-se do que aconteceu na última vez, ela aguardou pacientemente até que Sasuke a viu.

Sakura lhe deu um sinal. Ele falou algumas palavras aos homens e foi ao encontro dela.

— Sasuke, precisamos de coelhos. O quanto conseguir. Existe alguma maneira de enviar alguns homens para caçar?

Sasuke olhou através do pátio para onde seus irmãos estavam treinando. Ambos enfrentavam-se valentemente para provar que um era melhor que o outro.

— Eu irei. – Sasuke disse. – E levarei Naruto e Itachi. Traremos os coelhos de que você precisa.

Sakura sorriu.

— Obrigada. Shizune vai ficar aliviada. Estava em pânico sobre como alimentar todos os homens de Juugo.

Os olhos de Sasuke ficaram sombrios e ele apertou os lábios.

— Garantirei que o clã fique suprido. Sempre fiz isso.

Sakura pôs a mão em seu braço.

— Eu sei que vai, Sasuke. E quando meu dote chegar, não precisará mais se preocupar com a comida.

Ele a tocou no rosto por um longo momento até traçar os dedos pela mandíbula.

— Você é um milagre para este clã, moça. Ficaremos fortes novamente, graças a você.

Sakura corou até a raiz dos cabelos, aquecida pela ternura do toque dele.

— Partirei agora. Espere-me de volta antes do anoitecer.

Ela viu quando Sasuke atravessou o pátio e chamou Itachi e Naruto. Então voltou-se e correu de volta a fortaleza. Havia ainda muita coisa para ser feita antes da chegada do outro clã. E teria sorte se conseguisse dormir esta noite.

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Notas: Oi, meu povo! Eu sei, eu sei. Demorei horrores para postar algo. Me desculpem, se é que ainda tem alguém lendo. Essa nova fase da minha vida foi um pouco turbulenta em seu início, mas as coisas estão entrando em harmonia agora. Agradeço a todos os comentários pedindo que eu continuasse a história e já aviso que vou continuar sim, se tiverem paciência comigo, claro KKKKKKKKKKKKK Assim que puder volto com mais um capítulo e me digam o que estão achando, ok? Beijos da Agnes ;*