Capítulo 22 - Capítulo 22

Era segunda-feira de manhã. Severus não havia pregado o olho durante a noite. A conversa que tivera com a mãe do seu filho não saia de sua cabeça. Snape sabia que Letta estava certa, afinal, ele havia sido capaz de abrir sua casa para um estranho, mas não parecia está fazendo nenhum esforço para acolher seu filho.

Além disso, sabia que tinha sido um idiota com ela. Como poderia negar algo assim para a mulher que cuidava do filho deles com tanto zelo? Que abdicava de todo o tempo dela para cuidar do filho deles sem precisar de sua ajuda?

Somado a isso, a criança era seu filho. O menino também era sua responsabilidade. Por isso, retornaria a Bournemouth para consertar aquela bagunça que havia feito.

O homem sabia que seu comportamento do dia anterior era exclusivamente por causa dela. Toda vez que seu olhar encontrava o dele, se lembrava do fatídico dia que chegara em casa e eles já não estavam.

Claro que Severus não esperava que o casamento durasse por muito mais tempo, não depois de todas as acusações infundadas que ela fazia questão de jogar em sua cara. Ele sabia que não era o marido perfeito e às vezes ficava nervoso por nenhum motivo relevante, porém, nunca havia a traído.

No entanto, depois que ela saiu, eles não se falaram por um bom tempo depois daquilo. Ambos sentiram que tinham chegado ao ponto em que não podiam continuar, mas havia sido um baque saber que sua esposa havia saído de casa com seu filho sem dar a ele um único aviso.

Foi apenas oito meses após sua partida que ele havia procurado por Letta para tentar reestabelecer o contato com Luke. Ele descobrira que, com o tempo, tudo que a mulher havia o acusado, já não o atingia.

Tentando tirar aquilo do sua cabeça, Snape colocou as mãos no bolso, certificando-se de que a chave do carro estava ali. Ele não sabia o que falaria para ex mulher, mas sabia que iria se esforçar para consertar aquela lambança.

- Severus? – Falou Narcisa se surpreendendo com sua presença. – Não é um pouco tarde? - Se levantou do sofá e caminhou até a porta. – Achei que sua aula começasse as oito.

- Sim, mas não vou dar aulas hoje. Estou indo a Bournemouth.

- Ah, sim, esta é a primeira vez que escuto você dizendo que vai visitá-los! - Ela disse com uma pequena risada. – Você sabe, ela vai amar.

- Lá está você, Cissa. – Resmungou. – Tenho certeza que o único sentimento que a mãe do meu filho nutre por mim neste momento é o ódio. Acredite, não a culpo.

- Sinto muito? – A Sra. Malfoy perguntou confusa.

- Desculpe, minha querida, estou com pressa. Pode me fazer um favor? - A mulher franziu a testa, mas assentiu.

(...)

A segunda-feira de Hermione estava sendo um tédio. Ela estava tentando se concentrar no livro em sua frente, mas só conseguia pensar em Snape. A jovem tinha certeza de que assim que o visse iria matá-lo.

Eram onze horas da manhã e ele não havia dado sinal de vida. Desde de o dia anterior que não tinha nenhuma notícia dele. Hermione estava começando a ficar preocupada, pois aquilo não parecia ser um bom sinal.

De repente, a porta se abriu Ginny entrou com várias bolsas na mão e lhe deu um sorriso fraco e Hermione sentiu uma pontada de tristeza. Não era justo com a amiga que ela estivesse tão ocupada nos últimos dias.

- Gin, você quer almoçar comigo hoje? Faz um bom tempo que não fazemos isso. - Exclamou.

Sua amiga sorriu, mas negou com a cabeça.

- Desculpe, mas não dá. Hoje tenho compromisso com meus animaizinhos preferidos. E não é o povo da minha dala.

- Isso me faz sentir melhor. – Hermione gargalhou.

- Vem cá... – Ginny sussurrou como se estivesse tentando guardar um grande segredo. – Você não matou aula, matou?

- O quê? Oh, não. – Respondeu assustada. – O professor Snape não apareceu. – Grunhiu.

- Que estranho, ele nunca fez isso.

- Foi o que disseram, mas só nesse semestre foi a terceira vez. – Informou. – Bem, acho melhor comer por aqui mesmo. Você se importaria de me dizer o motivo de nosso apartamento está sendo vigiado por Harry? Ele ficou cerca de uma hora parado lá.

- Sério? – Fingiu demência.

- Você sabe que sim.

Gin se aproximou de Hermione e sentou à esquerda no sofá.

Depois de mais 15 minutos organizando seus pensamentos, ela foi capaz de contar tudo que sua amiga havia perdido e com um grito alto Hermione se levantou.

- Que mulher baixa, Gin, - Ela ofegou, encarando a ruiva. - Eu não tinha ideia do que havia acontecido!

- Sim. - Disse brevemente, não parecendo nem um pouco triste. Um olhar interessante passou pelo rosto dela e Hermione soube imediatamente o que havia acontecido.

- Ele passou a noite de sábado aqui não foi?

- E de ontem para hoje também. - Disse Ginny finalmente escondendo o rosto. – Ai, Hermie. Ele só foi embora hoje pela manhã porque eu o obriguei a sair para que eu pudesse ir para aula.

- Oh. Estou entendendo que vocês voltaram, certo?

- Não! – Gargalhou levemente. – Para isso, ele vai precisar de se esforçar muito. Na verdade, acho que nem assim. Mas está sendo bastante agradável estar com ele.

- Sim, mas eu não preciso de imagens mentais do que está acontecendo no quarto ao lado. Pelo menos vocês são bem silenciosos.

- Não necessariamente.

Hermione riu e Ginny lhe deu um leve tapa no braço.

- Esqueceu o Sr. Malfoy? - Perguntou.

- Sim! E está sendo maravilhoso. - Ginny respondeu mesmo sem ter certeza. - Eu amo isso que estou tendo com Harry. É tão bom... estou apenas curtindo o momento. Não quero me apegar.

(...)

Severus entrou no apartamento da ex-mulher novamente e não se surpreendeu ao encontrar a entrada cheia de caixas lacradas.

- Onde ele está? Ficarei com ele. - Ele declarou olhando profundamente nos olhos dela.

- Não sei se é uma boa ideia, Severus. – Sussurrou também o encarando. - Você foi muito insistente da última vez que nos vimos. – Aproveitou para alfinetá-lo. – Espere, isso foi ontem.

- Está vendo, ai está... você está dificultando as coisas novamente. - Disparou, sacudindo a cabeça. - Não vai me dizer que a proposta tinha prazo de validade? – Perguntou determinado.

- Proposta? – Rosnou ofendida. – Foi um pedido, agora você está sendo infantil. Você me disse que não ficaria com ele, então pedi a minha irmã e ela permitiu que eu deixasse nosso filho com ela até que eu voltasse para buscá-lo. Nem tudo é sobre você, Severus. É sobre nossa filho. Somente por ele.

- Você ficou maluca? A sua irmã não tem estrutura nenhuma para ficar com o menino. Ela vai dar cereais para ele jantar e chocolate no café da manhã! Ela não será uma boa influência.

Letta deu um suspiro exasperado e se sentou. Para ela, as coisas seriam muito mais simples se tivesse um jeito de decifrar aquele homem irritante. Na noite anterior, Snape não estava fazendo nenhum esforço para ficar com o filho, porém, agora que ela já havia resolvido com quem Luke ficaria, lá estava ele para bagunçar todos os seus planos novamente.

- O que você queria que eu fizesse? – O questionou com ressentimento. - Esperasse que uma força maior tocasse no seu coração para que você fizesse essa caridade por nós? Por favor, vá embora.

- Letta, sua irmã não tem responsabilidade nem com ela mesma. - Rosnou fazendo uma careta.

- Assim como você, segundo você mesmo. - Afirmou ela. – A diferença entre vocês é que ela não o rejeitou. Ah, e também não está abrigando um marmanjo em casa como você.

-Tudo bem! Consigo ver o seu ponto. Fui um canalha e quero me desculpar com você. Com vocês dois.

- Desculpas aceita, mas já está decidido. Meu filho ficará com minha irmã.

- Eu vim até aqui para tentar me redimir, mas vejo que não será possível, não é? O que você quer? Que me ajoelhe para que eu posso ficar com ele?

- Não, meu querido. Sinto em dizer, mas é um pouco tarde para isso. Para ser sincera, queria que você tivesse pensado assim ontem.

- Letta, me dê uma chance. – Implorou. – Por favor.

Ela olhou a mensagem no celular e o encarou novamente.

- Sabe, Severus, devo dizer que não esperava tudo isso de você. Quer saber? Posso me arrepender amargamente, mas muito bem. Confiarei em você para que cuide dele até que eu volte. Mas tente não machucá-lo. Ele tem apenas seis anos, quando você estiver com raiva de alguma coisa me ligue e desconte em mim, mas não faça isso com ele. Bem, estávamos de saída, iria levá-lo para minha irmã. Meu voo é a noite, mas tenho que entregar a chave da casa...

- Sim, eu sei! Pode chamá-lo? - Ele se apressou antes que ela pudesse encontrar uma chance de mudar de ideia.

- Sim.

Enquanto ela subia a velha escada de madeira, Snape pensava o como seria sua vida nesses quatro meses.

(...)

Fazia duas horas que ela estava no abrigo de animais e Ginny estava triste pela cadelinha. Sua condição física era lamentável. Dificilmente, ela conseguiria dar à luz sem nenhum apoio.

Seu senso de pavor subiu para um nível mais alto quando Malfoy se aproximou para olhar o animal e não pareceu gostar nada do que havia visto. Draco Malfoy lambeu os lábios nervosamente enquanto tentava desesperadamente pensar em alguma coisa.

- Emma, - Ginny começou. - eu já vi esses sintomas antes, não me parece que tudo ficará bem.

- Como você pode dizer isso? – Emma a questionou. - Afinal de contas, nosso veterinário acabou de verificá-la. Ele tinha uma coisa em família, mas disse que tudo ficaria bem com ela. - Disse, balançando a cabeça em confusão.

- Então, ele mentiu. – A ruiva garantiu. - O Pior é que não conheço uma pessoa que pode ser capaz de ajudar.

- Teremos que esperar. – A outra mulher respondeu.

- Ela está sofrendo, essa quantidade de sangue não é normal! – Disse Ginny com pavor. – Ela não vai conseguir. Precisamos de um veterinário urgentemente.

- Infelizmente, já não temos verba. – Sussurrou sem graça. – Teremos que anunciar e contar com a sorte de poder contar com algum voluntário.

- Oh meu Deus. Não! Deve haver alguém. Só preciso fazer uma ligação. Não vou deixá-la assim, posso pagar.

- Não precisa, Srta. Weasley. – Draco disse de repente.

- Não? Não sei se percebeu, mas ela não pode ficar assim. - Disse Gin bruscamente e o rapaz dirigiu um olhar mortal para ela.

- Não precisa porque acabei de conseguir um veterinário. - Draco disse lentamente enquanto se virava para sair.

(...)

- Sobre o que você falou com Ginny. Não foi muito legal, Draco. – Emma o repreendeu.

- Eu sei, mas quando vi já tinha dito. - Ele murmurou rapidamente e tentou correr dali, mas foi impedido. - Ah, mas vamos lá... Sempre podemos desconfiar quando alguém já foi detido. – Explicou tentando amenizar sua situação.

- Espera como o sumiço de sua carteira pode se relacionar com isso? Desde quando fazer o que ela fez pode ser visto como ruim, Draco? – Sorriu sem graça. – A Srta. Weasley confrontou algumas pessoas, mas as pobres crianças iriam para rua se não fosse por ela. Gin me disse que agora eles possuem um pouco mais de tempo para desocupar o orfanato. – Sorriu orgulhosa. – Gosto dela, sabe, ela está quase me convencendo que adotar uma criança pode ser viável para meu caso.

Tudo que ele pudesse falar havia morrido em seus lábios. Aquela informação atormentou seu cérebro e ele não conseguia formular nenhuma resposta.

- Draco, você está bem? Você pode ir se quiser, não vai poder trabalhar comigo tão verde como está.

O rapaz mordeu os lábios de maneira séria.

- Que orfanato é esse? – Perguntou de repente.

- Oh, meu Deus. – Gritou surpresa. - Desculpe, Draco. Aquele que passou aqui correndo é o ex de Ginny. Será que eles estão juntos novamente? Seria tão bom. Ficaram juntos por quase oito anos.

- Weasley ficou com alguém por oito anos? - Ele bufou.

- É realmente difícil de acreditar? – Emma cuspiu antes de pegar suas coisas e sair. - A menina só teve um namorado em toda a sua vida. Tenho que ir falar com ele.

A mulher saiu correndo e de repente, a cabeça de Draco começou a girar e várias dúvidas apareceram diante de seus olhos.