— Onde será que ele está? — Tony questionara assim que adentrou a sala da Torre.
— Por que está tão interessado em saber onde Bruce está? — Pepper estava de saco cheio, passou a manhã inteira ouvindo-o reclamar por Bruce ter sumido.
— Você não entendeu ainda? Ele pode está com ela. — o moreno seguiu para o bar e se serviu de Whisky.
— Ela? Você ainda pensa nela? Que droga Tony, esqueça essa garota!
— Já conversamos sobre isso, não é tão simples assim, eu preciso saber se ela está bem, eu... eu a machuquei mais do que você pode imaginar. — ele parecia sincero em suas palavras.
— Quer saber? Eu tô cansada, espero que um dia você se liberte desse feitiço. — a ruiva saiu.
— O que está acontecendo? — Steve questionou assim que Nick adentrou a porta da sala de reuniões da S.H.I.E.L.D.
— Eu recebi informações que alguns agentes da Hidra pretendem atacar a Torre. Vocês devem invadir a base inimiga antes que eles ataquem.
— Eu achei que todas as bases inimigas haviam sido neutralizadas. — a agente Carter comentou. Ela havia sido convocada para esta missão.
— Todas as que eram de nosso conhecimento, esta por sua vez, não constava nas informações que tínhamos. — Nick sentou-se e suspirou. — Há um outro detalhe, é possível que Kelly Shorld tenha algum envolvimento com o ataque.
— O que a mãe de Danisa tem a ver com a Hidra? — Clint, assim como todos os presentes, não fazia idéia de tal relação.
— É uma longa história, explicarei tudo depois. — esse "depois" estava mais longe do que pensavam. — Outra coisa, preciso que tragam para mim um artefato muito importante. — Nick mostrou-lhes a imagem de um anel.
— O que tem de tão especial nele? — para Natasha, parecia um anel qualquer.
— Não importa, apenas quero que tragam. Manterei contato e monitoramento constante durante a missão, se preparem. — ele levantou e saiu.
— Estamos dentro. — Natasha Romanoff, melhor dizendo, agente Lindsay Cunningham andava calmamente e atenta pelos corredores da base de inteligência e segurança da Hidra, seus cabelos loiros presos num coque e um sotaque texano meio exagerado.
— Para um lugar que deveria ser seguro, até que foi fácil. — Clint ainda tentava se acostumar aos cabelos grandes e negros que lhe caíam nos olhos. — Que cabelo ridículo, não sei como Thor consegue.
— Shiu, fique quieto. — ela apressou o passo rumo a sala de operações. — Precisamos descobrir onde está o anel.
— Agente Johnson? — um homem robusto e com cara de poucos amigos se aproximou. — Não estava de licença?
Clint demorou um tempo até perceber que o homem se referia a ele.
— Bem, eu... eu fui chamado para acompanhar a agente Cunningham na sua, no seu...
— Na minha pesquisa. — concluiu Natasha.
— Ou seja, virou babá de mulherzinha. — ele riu de escárnio.
Natasha estava prestes a degolá-lo quando Clint se prontificou a falar.
— Creio que ela possa se defender muito bem, na verdade só estou dando uma mãozinha. — Clint o encarou em silêncio por alguns segundos. — Agora, alguém tem que trabalhar, a gente se fala. — e deu as costas, rumando para seu destino.
— Você irá quebrá-lo depois, não é? — ele comentou divertido.
— Óbvio.
— Você pensou no que te falei? — ele questionou como quem continua uma conversa.
— Pensei no quê? — ela sinceramente não sabia do que estava falando.
— Sobre, você sabe, o jantar.
— Ah, Clint eu... espera. — ela pediu silêncio com a mão.
— Ah, qual é. — ele tentou protestar, mas depois fez silêncio ao perceber alguém saindo da sala, era a deixa deles. Precisavam entrar lá.
— Faz um tempo que não nos vemos. — o loiro comentou.
— Nos vimos na festa da Torre, Steve. — Sharon desviou os olhos do computador e o encarou. — Pensando bem, faz um bom tempo mesmo. — e sorri.
Ambos estavam dentro do veículo camuflado que usaram para chegar até o covil da Hidra localizado numa área remota da cidade de Dombóvár, ao sul da Hungria, a base era subterrânea, o que dificultou um pouco a entrada de Natasha e Clint, mas a primeira fase estava completa, eles estavam dentro.
— Sabe, nós poderíamos... — Steve começara, mas foi interrompido pelo comunicador eletrônico.
— Eu estou acessando os sistemas da base. — a voz de Natasha estava baixa, mas audível. — Estou procurando nos registros qualquer informação que... Achei! Parece que eles iriam invadir a Torre na semana passada, mas algo deu errado e a missão foi abortada.
— O que deu errado? — quis saber Carter.
— Parece que houve uma invasão, com suspeitos não identificados, e levaram algo. — Natasha levantou os olhos na direção de Clint, ele estava dando cobertura.
— Pegaram o anel? — Steve gostaria que sua suspeita estivesse errada.
— Exato. E... — Clint vinha em sua direção.
— Precisamos sair daqui.
A comunicação encerrou.
— Vamos! — Steve se adiantou, e Carter o seguiu.
Natasha e Clint se viam cercados por mais de vinte homens. Infelizmente foram descobertos antes de conseguirem sair.
— Vamos fazer o seguinte, quem derrubar mais ganha. — Clint propôs.
— Espero que não chore quando perder. — ela provocou.
— Vamos lá.
Os agentes da Hidra foram para cima e tentaram atacar Natasha, obviamente não fora algo tão simples, ela, num só golpe derrubou dois de uma vez. Clint tirou seu arco de algum lugar atrás das costas e começou a lançar suas flechas. O objetivo era sair daquele lugar o quanto antes.
Na entrada da base subterrânea, mais de vinte agentes da Hidra se encontravam jogados no chão, Steve e Carter ouviram atentos quando Nick, pelo comunicador falara que o lugar deveria ser "limpo".
— Acha mesmo que ainda há perigo de um ataque? — Carter questionou.
— Talvez, pelo que Natasha falou havia um plano, só não foi executado, mas nada garante que eles não o fariam outra hora. — Steve rumava a passos largos para o elevador.
— Já foram dois! — Natasha exclamou assim que se livrou dos dois oponentes.
— Três! — a flecha de Clint derrubou três agentes de uma vez. — Essa com certeza eu não perco.
Ambos lutavam contra os agentes da Hidra, Natasha era habilidosa derrubava qualquer um que se colocasse em seu caminho, mas era inegável que o Arqueiro e suas flechas conseguia ser bem eficiente. Assim, pouco a pouco a massa de agentes da Hidra jaziam inconscientes no chão.
— Precisamos sair daqui. — Natasha se adiantou e rumou para a saída.
— Natasha? — a voz de Steve estava chiando irritantemente pelo comunicador, mas ainda era audível.
— Espere um momento. — sua voz esganiçada era resultado do mata-leão do qual tentava se livrar, num movimento correto de braço ela inverteu as posições e finalizou. — 37!
Pouco depois de pronunciar o número, três homens foram jogados contra o vidro.
— 40! — retrucou Clint.
— O que está acontecendo? — Steve e sua voz eletrônica questionou.
— Nada não, vamos sair desse lugar imundo. — Natasha falara, embora estivesse adorando dar uma surra em alguém.
— Precisamos limpar o local, nos certificar se realmente o anel foi levado. — lembrou Clint.
— Steve nos vemos daqui a pouco. — e a comunicação foi interrompida.
1h depois, Steve, Carter, Natasha e Clint se encontravam no veículo camuflado da S.H.I.E.L.D. seguindo rumo a base.
— Então quantos conseguiu? — Clint perguntou entusiasmado.
— Como vou saber que não vai trapacear? — a ruiva questionou.
— Vamos fazer o seguinte, cada um anota num papel e mostra.
— Arg, está bem. — ela pegou uma folha de papel e rasgou no meio, entregou a ele junto com uma caneta.
— No três. — Clint disse e começou a contar.
— Isso é tão infantil.
— Shiu, vou contar de novo.
— Um, dois, três! — os papéis foram estendidos um para o outro.
— Não acredito nisso, você deve ter trapaceado. — ela estava incrédula. — Você não pode ter derrubado 72, eu estava contando e você derrubou apenas 70!
— Na verdade não, quando fui ao banheiro tinha dois agentes lá, nem queira saber o que eles estavam fazendo… a aposta foi justa e a vitória também.
— Do que vocês estão falando? — quis saber Steve, após ficar ouvindo toda essa conversa sem pé nem cabeça.
— Fizemos uma aposta, eu ganhei, agora Natasha terá que sair comigo. — Clint estava com um sorriso de orelha a orelha.
Carter, que estava dirigindo o veículo quase falha ao controlá-lo por causa de uma boa gargalhada que soltou.
— Não havia nem sinal do artefato. — Steve repetia a mesma frase pela 5ª vez.
— Droga! — Nick bateu com os punhos cerrados na mesa, balançando os objetos que estavam em cima.
— Mas afinal, o que há de tão importante neste tal anel? — Natasha, assim como todos ali, não compreendia o sentido de procurar tal objeto.
Fazia alguns minutos que a equipe chegara a base da S.H.I.E.L.D, eles comunicaram a Nick os detalhes da operação, que por sua vez estava totalmente irritado.
— Tem alguma notícia de Danisa? — Clint perguntou, chamando a atenção de todos, que devido aos acontecimentos nem lembravam mais da jovem.
— Não, você sabe que é impossível rastreá-la. — Nick respondeu, aliviado pela mudança de assunto.
— Quando irá nos contar o que está havendo? — Steve perguntara, retomando o assunto.
— Quando todos estiverem aqui e for a hora certa vocês saberão, no mais, estão dispensados.
Em silêncio todos saíram da sala, deixando Nick perdido em seus próprios pensamentos.
— Eu ganhei, não queria falar na cara, mas ganhei. — Clint estava com um sorriso bobo no rosto, um sorriso de quem aprontara.
— Ainda acho que trapaceou e quando eu descobrir como, acabo com você! — Natasha não acreditava que estava num carro rumando para um restaurante com Clint Barton "maldita aposta!" pensou.
— Espero que goste de comida Tailandesa. — ele começou a manobrar o carro em frente a um pequeno restaurante tailandês.
— Está brincando comigo, comida tailandesa, de onde tirou essa idéia? — ela estava com um vestido preto de alcinhas, jurava que seria levada a um desses restaurantes cinco estrelas, de caviar e vinhos caros, mas se enganara.
Ambos foram recebidos por uma moça que os levou até uma mesa afastada das demais, o lugar apesar de pequeno era acolhedor, o cheiro forte de tempero exalava pelo lugar fazendo o apetite aumentar. Clint foi cavalheiro e puxou a cadeira para Natasha sentar, e tomou a liberdade de escolher os pratos do jantar.
— O que tem feito de bom? — Clint tentou iniciar uma conversa.
— O que tenho feito? Você sabe, estávamos em uma missão. — ela bebericou um pouco de água.
— Você poderia deixar isso um pouco agradável para nós dois. — ele comentou e algo em sua voz a fez falar.
— Trabalho, mas às vezes eu só gostaria de relaxar um pouco. — falou sincera.
— Espero que hoje você possa relaxar um pouco então.
A noite seguiu agradável, depois de alguns minutos Natasha se permitiu aproveitar o momento. A comida tailandesa tinha um gosto forte bem característico, costumava ser carregada no tempero, mas estava absurdamente saborosa.
— Não foi tão ruim afinal. — Clint comentou enquanto caminhava a passos lentos pela rua, Natasha ao seu lado.
— É, até que foi bom. — ela suspirou. — Obrigada Clint, foi uma ótima noite. Acho que depois de todas as coisas que passamos todos os dias, um dia normal é o melhor que pode acontecer.
— Fico feliz que tenha gostado. — ele sorriu levemente corado, algo que não era comum a ele.
Eles pararam em frente ao Hotel Lifestyle, um edifício pequeno e moderno. Natasha costumava dormir ali às vezes, esta noite não quisera voltar para a Torre. Alguns minutos se encarando e a ruiva quebrou o silêncio.
— Então… é sério? — ela arqueou as sobrancelhas.
— O que? — a dúvida no rosto do homem era perceptível.
— Saímos, bebemos, comemos e conversamos. Você me trouxe até aqui e está a dois minutos olhando pra mim em silêncio. Não vai mesmo tentar me beijar?
— Não, quer dizer, eu iria gostar, mas… olha Natasha, eu gosto de você, gosto mesmo, não quero parecer um babaca agindo errado. Foi uma noite maravilhosa pra mim, não quero estragar tudo. — ele a encarou, seus olhos brilhavam sob a luz baixa dos postes de iluminação. — Além do mais eu sei que só está aqui porque perdeu a aposta.
— É, mas eu gostei de ter perdido dessa vez.
A ruiva sorriu, se aproximou e o beijou, foi um beijo lento, que em pouco tempo ganhou velocidade e se tornou quente.
— Nossa! — ele exclamou assim que os lábios se separaram.
— Não é como se nunca tivessemos feito isso. — ela comentou.
— Eu sei, mas dessa vez foi diferente.
— É, vai ser diferente.
Ele a encarou com dúvida, ela segurou em sua mão e o conduziu ao edifício.
— Acredita que eu não conhecia esse lugar? — Sharon comentou.
— Eu cresci aqui, por incrível que pareça não mudou muita coisa desde que eu fui embora. — Steve conduzia a loira pelo bairro onde cresceu, suas mãos unidas carinhosamente. — Vou te levar para provar a verdadeira comida do Brooklyn, tenho um amigo que faz um ótimo sanduíche.
— Eu estou morrendo de fome. — ela riu, estava gostando de conhecer o Steve Rogers que ele fora, antes de tudo acontecer.
Eles seguiram até uma pequena lanchonete de esquina, era aconchegante e estava cheia.
— Hey George, como estão as coisas? — Steve perguntou enquanto dava um caloroso abraço no homem de meia idade a sua frente.
— Steve, quanto tempo não te vejo por aqui, as coisas vão muito bem, a casa está cheia e… — ele de repente fitou a loira ao lado de Steve.
— Ah, está é Sharon, minha… é…
— Namorada, prazer em conhecê-lo George. — Sharon estendeu a mão com um belo sorriso no rosto.
— Ah que maravilha! Vou mostrar ao belo casal sua mesa. — ele os guiou até um canto do lugar que possuía uma grande janela de vidro que dava para a rua movimentada.
— Então… estamos namorando? — ele perguntou.
— Você demorou a pedir, achei melhor oficializar logo. — ela riu.
— Eu não tinha certeza.
— Não tinha certeza do que?
— De que iria aceitar.
— Depois de todo aquele tempo sendo meu vizinho, e das nossas conversas, achei que estivesse claro.
— Eu ainda não tinha certeza.
— Bom, agora tem. — ela se debruçou na mesa e o beijou carinhosamente.
Após terminarem seus lanches e se despedirem de George eles pegaram um taxi e seguiram de volta para casa.
— No que está pensando? — ela questionou ao perceber que Steve estava com a testa levemente franzida, olhando pela janela.
— Eu não sei, tenho a sensação de que algo está errado, Nick está escondendo algo e eu tenho medo que isso tenha a ver com ela.
— Ela é uma garota inteligente, vai ficar tudo bem. — Sharon tocou carinhosamente seu rosto e ele sorriu.
— Eu espero que sim.
