Bem, é isso. Esse é o último capítulo dessa história. Essa foi minha primeira fanfic e mal posso dizer como fiquei feliz e agradecida com todos os feedbacks que recebi de vocês sobre ela. Me fez querer aproveitar essas férias para tentar escrever algo novo, por mais ocupada que eu vou estar com o meu trabalho e o meu TCC. Por isso, talvez eu suma por um tempinho a partir de agora, mas farei o possível para voltar o mais rápido possível, tanto com essa história (ainda quero tentar escrever um epílogo ou talvez alguns capítulos extras) quanto com algo novo. Então, fiquem com os meus mais profundos agradecimentos e espero que nos vejamos em breve!
Playlist: Waterloo – ABBA;
Love On The Brain - Rihanna
Todos os personagens pertencem a Stephanie Meyer.
PS: Essa fanfic também estava sendo postada, paralelamente, no site Spirit Fanfics, onde eu tenho uma conta com o mesmo pseudônimo e mesmo e-mail de contato. Por isso, não é uma cópia. Eu mesma a estou publicando, ao mesmo tempo, em dois lugares diferentes.
A Herdeira
Capítulo 24 - Waterloo
- Ela está aqui?
Bella engasgou, aterrorizada. Imediatamente, Edward tentou consolá-la, colocando a mão em seu ombro, mas, por sua expressão, era óbvio que ele estava tão preocupado quanto ela.
- Sim, eu sinto muito. – Jasper suspirou – Eu já estou procurando por ela, mas ainda não tive sorte. Mandei que o resto da segurança ficasse nas portas do salão, para impedi-la de entrar, caso ela esteja com qualquer ideia...
- Isso é péssimo! – Bella suspirou, a voz sufocada – A noite mal começou... Ela não pode estragar isso! – ela rosnou, furiosa – Temos que ir procurá-la, Edward! – disse ela, decidida.
- E nós vamos. – ele concordou prontamente, antes de se virar para o amigo – Continue tendo certeza de que ela não vai dar as caras no casamento, Jasper. E, se encontrá-la primeiro, coloque-a para fora.
Jasper concordou, antes que eles saíssem apressados da sala de espera, totalmente preocupados com o fato de que Marie estava ali. E apenas ficando cada vez mais preocupados quando percorreram todo o hotel, mas sem encontrar nenhum sinal dela.
Finalmente, quando estavam quase perdendo a esperança e começando a pensar que talvez ela já estivesse no salão e causado algum problema para os noivos, Bella ouviu vozes suaves vindas de uma varanda escura, no andar térreo do hotel, perto da piscina, completamente vazia naquela noite que começava a esfriar. Silenciosamente, ela puxou Edward pelo braço na direção do som e os dois se esgueiraram ao lado da porta. Contudo, além da voz de Marie, havia outra voz conhecida sussurrando.
- Por que afinal você veio aqui, Marie? – Antônio questionou, parecendo estar tentando conter a raiva.
- Pare de me olhar desse jeito. – ela grunhiu, mas havia um certo tom agudo em sua voz que a fazia quase parecer estar implorando – Já disse que não vim aqui para tentar estragar a festa. Não valeria a pena, já que o casamento foi oficializado. E Esme já é uma adulta... Se essa foi realmente a decisão que tomou, então terá que lidar com as consequências dela.
- O que você está planejando? – Antônio perguntou, tão desconfiado quanto Bella se sentia naquele momento.
- Nada! – Marie rosnou – Quantas vezes vou precisar dizer que isso não é parte de um plano meu? Eu decidi que se Esme quer ficar com aquele homem, então ela pode ficar. Ainda não aceitei isso e muito menos gosto do fato dela estar casada com um homem que é claramente inferior. Mas vim aqui hoje dizer a vocês dois que estou disposta a manter minha boca fechada e parar de interferir. Não queriam que eu me desculpasse? Pois bem... Vim aqui fazer isso.
Bella sentiu seu queixo cair diante daquela declaração. Era realmente Marie Volturi que estava falando aquilo?
- Essa não soa como você... Ou pelo menos não como a pessoa que você se esforçou para ser durante todos esses anos. – Antônio refletiu, parecendo ainda não estar convencido – Por que aqui? Por que agora, no dia do casamento de Esme? Se ver o sofrimento da nossa filha por todos esses anos não foi suficiente para mudar você, como me mudou... O que foi então?
- Você vai me odiar ainda mais por isso... – ela disse, soando amargurada - Quer realmente saber o por quê? Foi porque eu finalmente percebi como essa vez foi diferente das outras. O que me fez vir aqui hoje foi... A solidão. – ela admitiu, em uma voz tão baixa que Bella teve que repetir o som em sua cabeça até entender o que ela havia dito realmente - Durante todos esses anos, quando você ou Esme ficavam bravos, vocês se afastavam um pouco de mim... Mas sempre acabavam voltando. – ela suspirou pesarosamente – Mesmo quando Esme teve sua fase rebelde e acabou ficando grávida... Ela voltou para o meu lado no final. E você... Você nunca tinha ido embora realmente. Mas... Conforme os dias passavam e eu estava completamente sozinha naquela ilha... Fui me dando conta de que talvez vocês nunca mais voltassem. E a solidão foi me corroendo... Ela foi me apavorando. Essa é a verdade, Antônio: fiquei com medo de estar sozinha. Fiquei com medo de que, quando eu estiver novamente em uma cama de hospital ou quando eu morrer, não tenha ninguém lá comigo. Mas, ainda sim, eu achei que voltariam...
- E, apesar de tudo aquilo que vocês dois tinham me dito... – ela continuou - No dia em que vocês foram embora, eu achei que seria como sempre foi... Que vocês ficariam bravos por alguns dias e então voltariam para mim. Então... Eu caí da escada e comecei a gritar por você... Mas você não estava lá. – Marie engoliu em seco audivelmente – Eu fiquei gritando por um bom tempo, até perceber... Que vocês não estavam mais comigo. E não porque não podiam mais estar, como meu pai. Mas sim porque não queriam ficar, como a minha mãe.
- Sua mãe foi embora porque, para ela, a liberdade dela era mais importante naquela época do que a família que ela havia construído. – disse Antônio, friamente – E você era apenas uma criança na época, Marie. Não havia nada que pudesse fazer para impedir. Então, não ouse comparar a maneira como sua mãe abandonou você com a razão pela qual Esme e eu nos afastamos de você. Sabe muito bem que suas ações e seu comportamento foram os culpados por termos tomado essa decisão! Esme lhe pediu para que se desculpasse e eu esperei durante anos que você mudasse... Mas você decepcionou a nós dois.
- Eu disse que você ia me odiar. - Marie riu sem humor - Mas é a verdade. Você me conhece o suficiente para saber que só sinto as coisas de verdade quando elas me atingem diretamente. E aqui está outra verdade: eu fiquei aterrorizada de estar sozinha quando caí da escada. Não apenas sozinha na casa... Mas sozinha por saber que não haveria ninguém para se importar se eu morresse. E, por mais que eu odeie isso, essa solidão me destruiu. Queria saber por que vim aqui? Vim tentar fazer as pazes com vocês dois, porque não quero estar sozinha.
- Essa foi a desculpa mais egoísta que eu já ouvi. – ele disse, a voz repleta de repugnância - Acha que Esme vai gostar de ouvir isso? Acha que, depois que tudo o que fizemos a ela, pode simplesmente dizer: Filha, quero me perdoe porque estou me sentindo sozinha? Sem sequer tentar se desculpar por termos escondido que sou o pai dela? Ou separado-a de Carlisle? Ou, especialmente, roubado a filha dela?
- Eu vou tentar me arrepender por isso. - Marie rosnou baixinho - Eu já estou... Um pouco. Se tivesse que fazer isso hoje em dia, provavelmente não faria. Mas não é com apenas uma semana que eu vou mudar todos aqueles pensamentos que me provavam que eu estava certa. Mas, eu estou disposta a manter minha boca fechada... E tentar mudar... Será que isso é o suficiente para ela...? - Marie parou por um segundo - É o suficiente para você voltar para mim?
Longos segundos se passaram, sem que Antônio dissesse absolutamente nada.
- Lembra de quando éramos jovens e você me dizia que eu deveria parar de ser tão séria e mostrar um pouco da minha personalidade para as pessoas? - ela perguntou, parecendo ansiosa - Que eu nunca saberia se as pessoas gostavam de mim pelo que eu sou, se nunca me mostrasse para elas? Ainda acha isso? Acha que ainda pode me aceitar como eu sou?
- Eu estava falando sobre você parar de se moldar de acordo com o padrão que criou para si mesma, Marie. Eu estava falando sobre algo que iria afetar apenas a sua vida e não machucaria ninguém. Não se atreva a olhar para mim e achar que isso tem algo a ver com obrigar as pessoas a aceitar o que você fez ou o seu desprezo. A época em que eu apoiava as atrocidades que você cometia em nome do que achava correto acabou. E, se o seu objetivo vindo aqui é tentar me manipular, então pode ir embora.
- Eu já disse a você que vou tentar. – ela disse, frustrada – O que mais você quer?
- Sinceridade, Marie.
- Estou sendo sincera. Sempre fui sincera com você e apenas com você. Sempre foi o único para quem e contava meus segredos, minhas inseguranças, meus desejos... – ela suspirou em voz baixa – E é por isso que estou pedindo que acredite em mim agora: Eu quero você e a minha filha de volta. E estou disposta a mudar por isso. Ainda não mudei porque jamais seria capaz de mudar tão rápido, mas vou me esforçar para mudar. Isso é o suficiente?
- E acha que seus argumentos são suficientes para curar tudo o que já fez? Também não é possível curar uma mágoa tão rápido, Marie. Então não aja como se pudesse exigir que eu e Esme perdoássemos você.
- Eu não estou exigindo. – ela quase choramingou, um som novo e frágil que Bella se surpreendeu ao ouvir vindo de Marie. – Eu só quero que vocês me deem uma chance! Não pode fazer isso por mim, Antônio?
- Posso fazer com você o mesmo que fez comigo quando ameaçou me demitir por querer assumir a paternidade de Esme. – ele falou, friamente – Não vai ser tão fácil assim, Marie. Não basta vir aqui e falar que vai mudar, porque só isso não basta. Segui você como um cachorro durante todos esses anos porque uma parte de mim ainda é aquele garoto pobre recém-saído da Espanha, que se apaixonou por você à primeira vista. Mas todos esses anos formaram outro homem. Um homem que é um pai que teve que esperar quase quarenta anos para que a filha descobrisse quem ele era. Um homem que é um avô que participou de um plano para roubar a neta. E esse homem não vai voltar para você, Marie. Pelo menos não enquanto o seu melhor argumento for fugir da solidão.
- Então... Não há mais o que fazer? – Marie perguntou, a voz baixa e fraca.
Passou-se um tempo tão longo que Bella se perguntou se algum dos dois havia simplesmente saído e abandonado a conversa. Contudo, repentinamente, Antônio voltou a falar, embora soasse temeroso.
- Não, eu não acho. Esme me perdoou e tenho certeza de que ela perdoaria você também, se você for merecedora. – ele suspirou.
- E pode me dizer como posso me tornar isso? – Marie grunhiu com ironia – Ela mesma disse que não queria mais me ver.
- Seja sincera, Marie. – Antônio aconselhou – E tente reviver esses sentimentos que você tentou enterrar durante toda a sua vida. Não lembra como se sentiu feliz quando Esme nasceu? Mostre essa alegria para ela novamente, mostre que a ama. Lembra de quando escolheu deixar Isabella com sua irmã ou invés de um orfanato qualquer? Sinta isso novamente. Mostre que pode ser altruísta.
- O único motivo por eu tê-la deixado com Edythe é porque ela se parecia demais comigo. – Marie grunhiu – Já lhe disse isso várias vezes. Eu não poderia deixar um Volturi com qualquer um, especialmente não um que era exatamente igual a mim.
Bella teve que se segurar para não grunhir com aquele comentário egoísta. Ela só não a havia abandonado completamente porque elas eram parecidas fisicamente? Será que Marie tinha se sentindo como se estivesse abandonando a si mesma quando olhara para o rosto dela? Como aquela mulher conseguia ser ainda mais hedionda? Não pensara na filha ou na neta ao entregar Bella para alguém de confiança. Ela apenas pensara em si mesma.
Sempre em si mesma.
- Que seja. – Antônio suspirou, enfadado – Então... Lembra-se de quando sua saúde começou a piorar? Lembra-se do remorso que sentiu nos seus últimos dias antes de entrar em coma? Como finalmente, depois de todos esses anos, se sentiu mal pelo que fez com nossa filha e nossa neta? Foi o que a fez querer conhecer Bella melhor, saber que tipo de mulher ela tinha se tornado... – ele fez uma pequena pausa – Eu conheço você bem o suficiente, Marie, para saber que não deu a herança a ela apenas para que a família do seu irmão não a tivesse. Por mais que você negue, sei que se orgulhou de ver como nossa neta, aquela que era exatamente igual a você, se tornou uma mulher perfeitamente capaz de gerir os negócios da família. E sei também que não refez aquele testamento apenas para que alguém adequado ficasse com os bens da família... No fundo, você mesma sabe que queria se redimir. Queria que sua filha pudesse ter de volta o bebê que você roubou. Queria restaurar a felicidade dela. E deixar Bella ter o que era dela por direito.
Marie não teve resposta para isso e, mais do que tudo naquele momento, Bella queria poder ver a expressão em seu rosto, pois, depois de mais um momento de silêncio, Antônio voltou a falar.
- Por mais patético que possa parecer, essas pequenas coisas sobre você ainda me dão esperança. Ainda me fazem achar que você é capaz de mudar. – ele suspirou - E, no final, eu ainda sou aquele garoto perdidamente apaixonado e que nunca vai desistir de você... – quando ele falou novamente, sua voz era absolutamente séria - Se quer realmente se redimir com Esme por tudo o que fizemos, Marie, apoiarei você. – Bella ouviu Marie puxando o ar para responder, mas Antônio a interrompeu repentinamente – Mas isso você vai ter que resolver com ela e não pense que vou advogar a seu favor. Esme é única pessoa que vai resolver se você merece ser perdoada ou não, então trabalhe em reconquistar a confiança dela. Quanto a mim... Não vou mais ser seu mordomo. Se realmente quer minha confiança de volta, prove: Prove que entendeu a gravidade de tudo o que fizemos, peça perdão a nossa filha, ao marido dela e a nossa neta. E, se me quer de voltar... Me prove que não serei seu segredinho sujo novamente. Vamos tentar ter um relacionamento de verdade agora. Não como madame e mordomo, não como amantes secretos, mas como um homem e uma mulher, onde poderemos apenas ficar juntos e onde ninguém é superior ou inferior ao outro.
- Eu... Eu... – Marie gaguejou, insegura, mas, por fim, suspirou – Eu prometo me esforçar ao máximo para fazer isso. Mas, por favor, volte comigo para casa hoje.
- Não. – Antônio respondeu, prontamente – Não vou voltar a morar com você tão cedo. Mas, posso visitá-la amanhã à tarde, quando Esme estará em sua lua de mel, antes de se reunir conosco novamente para o natal. Será apenas uma visita. – ele avisou categoricamente – Nós vamos conversar mais afundo sobre nós dois. E, depois dessa conversa, eu vou voltar para cá.
- Está bem. – Marie concordou, parecendo derrotada – E, por falar em Esme, será que eu poderia vê-la? – ela soava quase esperançosa.
- Eu não sei... Não quero arriscar estragar a noite dela... – um minuto de silêncio se passou e, seja lá qual troca silenciosa tenha acontecido entre os dois durante aqueles longos segundos, Antônio suspirou pesadamente – Escute: Eu vou até ela falar que você está aqui e perguntar se ela quer escutar o que você tem a dizer. Mas... Se Esme disser que não quer, você simplesmente vai embora. Entendeu? - Antônio perguntou, firmemente.
- Sim.
Assim que Marie fez aquela curta afirmação, Bella sentiu a mão de Edward em seu ombro e, ao levantar a cabeça, o viu gesticular em direção à porta da sala em que estavam, sinalizando que eles deveriam ir. Concordando, Bella o seguiu silenciosamente para fora da sala, até que eles estivessem no corredor e pudessem andar apressadamente até o elevador. Aquela conversa havia sido tão íntima que, mesmo se tratando de Marie Volturi, ela se sentiria terrível se eles descobrissem que ela havia escutado. Por sorte, eles – seus avós, uma pequena parte de sua mente adicionou - embarcaram em mais uma conversa, agora completamente inaudível por conta da distância, e ela e seu namorado puderam escapar tranquilamente.
- Ainda mal posso acreditar no que acabei de ouvir. – ela suspirou, quando Edward apertou o botão que os levaria até o andar do casamento.
- Nunca imaginei que Marie seria capaz de se desculpar, mesmo que tenha ficado óbvio que ela não sente tanto remorso assim. – Edward foi até ela e a aconchegou em seus braços, fazendo com que ela se sentisse instantaneamente melhor – O que você achou de tudo isso?
- Eu não sei... Por um lado, não confio nem um pouco nela. Marie já foi capaz de tantos planos sórdidos no passado... O que impediria tudo isso de ser mais um deles? Mas, ainda assim... – ela refletiu – Por que ser tão "sincera" daquele jeito? Por que simplesmente não mentir que se arrependeu de tudo e tentar reconquistar a confiança de Esme? Uma parte mim não pode deixar de pensar que ela ainda é a mãe dela e, se Marie quer realmente tentar se redimir, mesmo que daquele jeito completamente enviesado dela... Eu tenho algum direito de impedir? – ela perguntou a si mesma, apoiando a cabeça ainda mais no peito dele – E você? O que acha?
- Praticamente o mesmo que você. – ele admitiu, a voz grave fazendo o torso vibrar um pouco contra o rosto dela – Não quero de jeito nenhum que Esme seja magoada por aquela mulher novamente. Mas, ainda assim... Não posso deixar de me enxergar um pouco em Marie.
- O quê? – Bella levantou a cabeça, surpresa – Como assim?
- Você me abriu os olhos para isso, Bella. Até poucos meses atrás, eu era exatamente como Marie: um rabugento preconceituoso que se concentrou apenas no que queria acreditar e se recusou a ver a verdade. Eu até mesmo elaborei um plano para separar Esme de Carlisle, baseado naquilo que eu achava que era melhor para ela... E menti e a magoei no processo. Exatamente como Marie.
- Não se atreva a se comparar com aquela mulher! – Bella tomou o rosto dele entre as mãos e o olhou intensamente, perturbada – Ela roubou um bebê e mentiu por décadas. Você jamais seria capaz de fazer isso!
- Talvez porque eu não tive tempo ou motivação. – ele suspirou tristemente – Mas agora eu vejo com clareza o que eu era, Bella... E sei que eu era como ela. E é exatamente isso que não sai da minha cabeça. Se não fosse por você, Esme e todo o resto da família me darem uma segunda chance... Onde eu estaria agora? – ele murmurou, pesaroso - Será que eu deveria realmente negar isso à Marie quando sei que somos tão parecidos?
- Pare de dizer isso! – Bella exigiu, tristemente – Você não é nada como ela! Você verdadeiramente entendeu seus erros e se arrependeu. Você voltou a ser um bom homem, por isso nunca mais ouse se comparar com ela novamente, entendeu? - ela colocou o dedo indicador sobre os lábios dele – E, se fizer isso de novo, passo uma semana sem beijar você. – ela ameaçou com uma risada trêmula.
Ele deu um sorriso triste e beijou a palma dela, exatamente ao mesmo tempo em que o elevador se abria. – Esse seria um dos piores castigos que eu poderia receber. – ele sussurrou e tomou sua boca para um longo e intenso beijo, que a fez se sentir quase como se estivesse flutuando. Quando eles finalmente se separaram, ele a puxou para fora do elevador – Você quer avisar a Esme, antes que Antônio chegue aqui?
- Eu acho melhor não... – ela mordeu o lábio, nervosa – Não quero que saibam que escutamos o que eles disseram. Pareceu tão... Privado. Muito íntimo. Seria a mesma coisa que Marie me dizer que ouviu quando nos declararmos. – ela franziu o nariz.
Edward riu de sua expressão enquanto eles atravessavam a sala de espera. Contudo, antes de chegarem à soleira da porta do salão e ficarem visíveis para todos os convidados, ele a puxou de lado, escondendo-a e puxou-a para outro beijo sedento, em que, quando eles tiveram que se separar por falta de ar, ele desceu a boca para seu pescoço, beijando-a e lambendo-a naquela região sensível. Ela tentou, sem sucesso, conter os arrepios de prazer que percorriam seu corpo, até que, quando ela achava que ia ficar louca, ele se afastou e andou calmamente até a soleira da porta, ficando assim no ângulo de visão dos convidados e parou para esperá-la.
Ela estava prestes a brigar seriamente com ele para que voltasse a colocar a boca nela, quando se deu conta do porquê ele havia se afastado dela: não apenas Antônio e Marie deviam estar prestes a chegar ali, como eles não podiam simplesmente entrar no salão praticamente se engolindo. De fato, aquela seria a pior maneira possível de dar a notícia de seu relacionamento para Esme. Contudo, ela não podia deixar de se sentir decepcionada quando foi ficar ao lado dele na porta, a uma distância segura.
E, enquanto eles andavam até a parte mais profunda do salão a procura de sua mãe, ela ficou surpresa com o quanto queria voltar a se aconchegar nele, segurar sua mão, beijá-lo ou qualquer outra coisa que envolvesse estar com ele. Era quase ridículo, porque ele estava bem ali ao seu, mas mesmo assim não parecia perto o suficiente.
Será que aquilo que era o amor?
- Bella! Edward! – Esme os chamou assim que os avistou, a alegria irradiando dela – Onde vocês estavam? Só faltam vocês e Antônio para que finalmente possamos fazer nosso grande anúncio. – ela deu um pulinho de alegria, segurando o braço do marido. – Vocês o viram por aí?
- Não recentemente, mãe... – Bella desconversou – Mas tenho certeza de que ele deve estar chegando aqui em breve...
- Esme! – não demorou mais do que alguns minutos para que Antônio aparecesse no salão, aproximando-se dos quatro, enquanto o resto dos convidados permanecia ao seu redor, comendo, bebendo e dançando.
- Olá An... Digo, pai. – Esme sorriu timidamente – Estamos prestes a dar nosso discurso de agradecimento e fazer um grande anúncio. Fico feliz que chegou, faltava apenas você para que pudéssemos começar.
- Pode aguardar um pouco, por favor? – Antônio lhe pediu, parecendo preocupado – Há algo que preciso conversar com você...
Esme olhou para os filhos e o marido por alguns segundos, a expressão já ficando preocupada. Finalmente, concordou, e os dois foram para a parte mais afastada do salão, perto de outra varanda e Carlisle foi atrás deles, deixando Edward e Bella onde estavam, olhando um para o outro, temerosos sobre qual seria a reação de Esme. No final, a conversa foi mais curta do que Bella imaginou que seria e logo sua mãe estava de volta, parecendo pensativa.
- Minha mãe está aqui. – Esme os avisou, cabisbaixa, com Carlisle indo ficar ao seu lado – Aparentemente, ela... Quer tentar se desculpar...
- E o que você quer fazer, mãe? – Bella lhe perguntou, suavemente – Sabe que não é obrigada a vê-la, especialmente hoje.
- Eu sinceramente não sei... – Esme torceu as mãos nervosamente – Uma parte de mim quer ouvir o que ela tem a dizer... Mas a outra parte ainda está tão brava e decepcionada... O que vocês acham? – ela pediu aos quatro, insegura.
- Sinceramente, não confio em Marie. – Carlisle atalhou – E se isso for mais um plano dela?
- Com todo o respeito, eu não acho que seja. – Antônio discordou.
- Você voltou a conversar com ela? – Esme perguntou, obviamente sentindo-se traída.
- Foi apenas esta noite, juro. Eu a notei perto do salão e corri para levá-la para fora o mais longe possível. – Antônio suspirou – E, quanto às motivações dela, pensei o mesmo no início, mas duvido que isso se trate de um plano. Conheço bem Marie. Dificilmente ela se rebaixaria a vir aqui e mentir que vai tentar aceitar esse casamento, se isso não fosse sincero. E, se isso é realmente um plano, parece mal elaborado demais para ela, já que deixou claro que vai tentar ser diferente e aceitar a todos, ao invés de dizer que já fez isso, como se esperaria normalmente de alguém na situação dela.
- E se essa for a última cartada dela? – Carlisle perguntou, perturbado – Já vimos do que aquela mulher é capaz. Não acho uma boa ideia trazê-la para dentro da nossa festa, muito menos para conversar com Esme. O estresse pode... – ele parou repentinamente – Eu não quero estressar minha esposa.
- O que você quer fazer, mamãe? – Bella perguntou, preocupada com o silêncio de Esme.
Depois de um momento, ela respondeu – Carlisle tem razão. Não quero dar a ela a chance de estragar minha festa... - ela suspirou - Mas, por outro lado, depois de tudo que aconteceu... Eu quero ouvir o que ela tem a dizer. Quero saber se ela finalmente se deu conta da gravidade de tudo que fez e se, ao menos, se arrependeu. - ela apertou a mão do marido - Vou falar com ela na sala de espera. Vocês poderiam ir comigo?
- Mas é claro, mãe. – Edward concordou prontamente – Mas, você não gostaria de fazer seu anúncio antes?
- Não, melhor não. – Esme suspirou – Eu quero guardar esse momento especial para depois, caso ela me magoe novamente. – olhando para a outra ponta do salão, ela esperou fundo – Vamos lá.
Marie estava sentada em um dos sofás da sala de espera, o grande casaco que ela usava escondendo o curativo que provavelmente ainda estava em seu braço, e Bella se perguntou se em algum momento ela usaria aquilo ao seu favor ou como justificativa, como aconteceu em sua conversa com Antônio. Ela também não deixou de notar a maneira como a expressão da matriarca dos Volturi azedou um pouco ao ver quantas e quais pessoas estavam acompanhando sua filha.
- Marie... – Esme disse friamente quando ficou frente a frente com ela, e até Bella pode perceber como ela estava se recusando a chamar aquela mulher de "mãe" novamente – Eu estou aqui agora. Fale o que você veio me dizer.
- Eu acho que Antô... Seu pai... – Marie se corrigiu, empertigada – Já deve ter lhe dito o que vim fazer aqui, não?
- Não, eu não disse tudo. – assegurou Antônio – Se quer realmente fazer isso, Marie, terá que fazer usando todas as palavras que disse para mim e muitas mais.
- Dizer o quê? – Esme perguntou diretamente a Marie – Não veio aqui para conversar comigo? Diga o que veio dizer diretamente para mim! – Esme rosnou em voz baixa.
Bella viu a postura de Marie endurecer diante do tom irritado de Esme e, por um momento, achou que ela fosse repreendê-la, como era de praxe. Contudo, para seu mais completo choque, ela respirou fundo e voltou a olhar para a filha, mantendo a calma.
- Eu vim até aqui me desculpar com você, Esme. – ela disse em voz baixa, parecendo estar fazendo um esforço monumental para empurrar as palavras para fora – Sei que demorei demais. Mas, eu gostaria de dizer que sinto muito por tudo o que fiz... Por ter escondido de você que Antônio era seu pai, por ter armado para que você se separasse desse homem e, principalmente, ter tirado seu bebê de você. Gostaria que pudéssemos ser mãe e filha de novo.
Esme fechou os olhos por um momento, parecendo estar absorvendo o que acabara de ouvir e, quando abriu os olhos novamente, parecia resoluta.
- E você entende agora o quão hedionda você foi fazendo tudo isso?
- Sim, eu entendo. – Marie suspirou, não olhando para nenhum deles diretamente.
- Seja sincera... – Esme implorou – Você se arrepende?
Marie ficou em silêncio por um segundo, pensativa, e com os lábios franzidos – Estou trabalhando para isso. Mas certamente me arrependo sobre várias coisas...
- Quais? – Esme a pressionou.
- Eu teria deixado Isabella com você, se pudesse voltar no tempo. – ela admitiu – E teria lhe dito que Antônio era seu pai biológico... Pelo menos quando você era adolescente.
Esme a encarou por um longo segundo, até que suspirou – Obrigado por ser assim tão honesta comigo, mas isso ainda não anula tudo o que você fez. Eu estaria mentindo se dissesse que não gostaria de poder chamar você mãe novamente, mas você ainda não merece isso. Acha que pode merecer, algum dia? – Esme perguntou.
- Vou tentar fazer minha parte. – Marie suspirou pesadamente – Sou boa em cumprir expectativas alheias.
- Não. Eu não quero que faça isso apenas por mim. – Esme negou – Quero que faça isso pela minha filha, pelo meu marido, pelo meu pai... E, principalmente, por você mesma. Por todas as pessoas que magoou. Está no caminho certo começando a se sentir assim, então eu quero que vá para casa e continue a pensar sobre tudo, até que consiga imaginar o que sentiria se estivesse nos nossos lugares e sofresse o que fez conosco. – Bella sentiu um pouco de satisfação ao ver os olhos de Marie se arregalarem diante das palavras de Esme.
- No ano que vem, eu vou tentar conviver novamente com você. Checar como você está indo. Vai acontecer aos poucos e as coisas não vão voltar ao normal tão cedo. Eu não estou chamando você de mãe novamente em um futuro próximo também... Com o tempo, talvez possamos nos reaproximar o suficiente para que essa sensação que eu tenho quando olho para o seu rosto vá embora: a sensação de estar olhando para a pessoa que mais deveria me amar, mas que mais me fez sofrer. Mas essas coisas não vão mudar ainda esse ano e, especialmente, não hoje. – Esme avisou – Eu vou passar o natal e o ano novo com minha família e, com todo o respeito, não quero você lá. Mas, se está realmente dizendo a verdade, vou procurar você no início do ano que vem para que possamos conversar de novo e que possa me provar que é verdade o que está me dizendo sobre mudar. Está bem? – Esme perguntou com um pequeno sorriso.
Marie ficou calada por um bom tempo, apenas encarando a filha. Era óbvio que ela queria discordar e Bella viu várias emoções passarem por seu rosto um pouco enrugado, desde raiva, negação e até desolação. Por fim, ela pareceu tristemente resignada.
- Está bem. – ela assentiu – Até o ano que vem... Filha.
Dito isso, a fria e imponente Marie Volturi, a matriarca dos Volturi e a orquestradora de planos terríveis... Encolheu os ombros e deu as costas para todos, saindo rapidamente da sala, sem dizer mais uma única palavra.
- Eu vou acompanhá-la para garantir que ela vá embora bem. – Antônio disse em voz quase inaudível, quase como se estivesse com medo de ser repreendido e, diante do silêncio de todos, ele também encolheu os ombros e foi atrás dela.
- Ela parece diferente... – Carlisle refletiu – Mas, ao mesmo tempo, não.
- Eu espero realmente que ela mude. – Esme suspirou, cabisbaixa – E eu espero que eu encontre forças para perdoá-la de verdade também.
- Não pense nisso agora, amor. – Carlisle pediu, abraçando-a – Por que não dá a nossa grande notícia às crianças agora? Tenho certeza que isso vai animá-la.
- Sim, talvez... – ela se virou para Edward e Bella – Vocês querem saber agora ou lá dentro junto com todo mundo?
- Eu adoraria conseguir um spoiler. – Bella brincou.
- Com certeza, mãe, mas... – Edward olhou para Bella e imediatamente ela soube o que ele queria fazer.
Tensa e sobressaltada, ela arregalou os olhos para ele, perguntando-o silenciosamente se aquele era realmente o momento certo. Ele assentiu suavemente com a cabeça e dirigiu-lhe um sorriso doce para acalmá-la. Com medo de qual seria a reação de seus pais, - e também do resto da família, mais tarde - Bella mordeu o lábio, perguntando-se se realmente aquela era a hora correta. Contudo, ao lembrar-se de como se sentira ao estar meramente alguns centímetros longe de Edward, ela soube que eles certamente descobririam mais cedo ou mais tarde. E ela preferia dizer-lhes com suas próprias palavras do que ser pega aos beijos com Edward em alguma esquina, escondidos, como se o que eles estivessem fazendo fosse errado. Ela o amava e ele a amava. Eles poderiam se unir para fazer com que todos entendessem que o que sentiam era verdadeiro. Era algo que valia mais a pena do que passar o resto da vida separados e sofrendo um pelo outro. Determinada, ela ergueu os olhos novamente para ele e assentiu, enquanto Carlisle e Esme permaneciam mudos e curiosos diante da aparente troca silenciosa entre os dois.
- Mãe... – Bella começou – Nós dois temos algo para contar a você... Por favor, não fique triste ou com raiva... – ela mordeu o lábio. – Entenda que foi mais forte do que nós...
- Não queremos magoar você... – Edward seguiu logo atrás – Queremos que saiba que estamos felizes e que só queremos dividir essa felicidade com vocês...
- Mas vamos entender se você se irritar no começo... – Bella murmurou, cabisbaixa – Mas, por favor, deixe que nós expliquemos a situação antes que...
- Vocês estão juntos? – Esme engasgou e cruzou as mãos junto ao coração. Porém, em seu rosto, diferente do que Bella imaginara, não havia repulsa, choque ou fúria, apenas... Felicidade? – Por favor, digam que sim. – ela implorou com um sorriso cintilante.
- Você já sabia? – Bella arfou, chocada.
- Vocês estão mesmo? – ela gritou, em êxtase, e correu para abraçar Bella – Oh, meus queridos, eu fico tão feliz por vocês dois! Vocês são almas gêmeas!
- Então não está brava? – Bella perguntou cautelosamente quando ela envolveu Edward em um abraço de urso.
- Brava? Claro que não! Porque eu estaria? – ela perguntou, perplexa - Vocês são... Como Alice disse uma vez? O meu ship. – Esme gargalhou – Meu maior sonho, desde que eu descobri sobre Bella, foi que vocês dois se dessem bem. Mas, então, eu comecei a reparar em como Edward olhava para você... – Esme deu um sorrisinho malicioso – E eu percebi que vocês poderiam ser algo mais! E, quando eu estava saindo do banheiro do hospital e vi Edward beijar sua mão antes de você acordar e vocês dois terem aquela conversa... Eu soube que queria vê-los encontrando o amor. – Esme revelou.
- Espere, você beijou minha mão? – Bella ergueu uma sobrancelha provocativamente para Edward.
- Eu estava realmente aliviado que você estava bem. – ele riu – Não estava pensando direito e só queria sentir você perto de mim. Por favor, não fique brava. – ele colocou uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha.
- Own... – Esme suspirou – Vocês são realmente lindos juntos. Fico tão feliz que tenham descoberto o que é o amor! E não fiquem envergonhados, queridos. Vocês não são irmãos de sangue e acho que ninguém na face da terra já pensou em vocês dois assim.
- Talvez só como cão e gato. – Carlisle riu, dando um beijo na testa de Bella e apertando a mão de Edward. – Mas eu fico realmente muito feliz por vocês dois. Meus parabéns.
- Eu fico tão feliz que vocês tenham aprovado... – Bella disse, aliviada, enquanto Edward a enlaçava pela cintura – Obrigado por serem tão compreensivos.
- Não por isso, querida. – Carlisle sorriu e abraçou Esme – Mas... Tem que nos prometer fazer o mesmo por nós, está bem?
- Por quê? – Bella perguntou, confusa.
- Bem... Porque talvez a nossa notícia possa chocar você um pouco. – Esme sorriu timidamente e, dando um olhar para Carlisle a fim de reunir coragem, ela finalmente revelou – Eu estou grávida.
- Sério?! – Bella arfou, voando para dar um abraço na mãe assim como ela tinha feito – Isso é tão maravilhoso, mãe! Quando descobriu? De quantos meses você está?
Esme riu, deliciada com a euforia da filha. – Eu estou com dois meses de gestação. E foi bastante fácil descobrir isso na semana passada, quando você não consegue manter seu jantar no estômago e o pai do bebê é um médico. – ela sorriu para Carlisle.
- Como eu não percebi que você estava tão enjoada? - Bella perguntou para si mesma, pasma.
- Acho que tínhamos muita coisa na cabeça. – Edward riu e abraçou Esme também. – Essa é uma notícia incrível, mãe. Mal posso dizer o quanto estou feliz por você.
- Obrigado, meus filhos. – ela abraçou os dois pelos ombros – E saibam que sempre serão meus bebês, mesmo quando seu irmãozinho chegar.
- Eu mal posso esperar por isso. – Bella beijou sua bochecha – Fico tão feliz por vocês dois...
- Eu espero que o resto dos convidados fique também... – Esme sorriu – Mas, independente de qualquer coisa, esse foi o melhor presente de natal que eu poderia ter recebido: tenho meus três filhos comigo e me casei com o homem da minha vida. Nada poderia ser melhor.
- A hora já está um pouco avançada. – Carlisle disse, suavemente – Devemos fazer o anúncio para que você possa jogar o buquê e nós possamos... – ele pigarreou – Ir dormir.
- Sim, claro. – Esme sorriu – Vamos lá, queridos. Quero vocês na primeira fila.
E eles dois estavam exatamente lá, abraçados, – apesar dos olhares confusos e chocados de vários convidados – quando Esme anunciou que estava aguardando a chegada de um novo Cullen. E, quando ela jogou o buquê antes de Carlisle carregá-la no colo para o quarto onde eles teriam sua noite de núpcias, Bella não pode deixar de gargalhar alto quando ele voou mais longe do que o previsto e bateu diretamente no peito de Jasper, que o pegou desajeitadamente, enquanto Alice vibrava.
- Parece que vamos ter outro casamento mais cedo do que pensávamos. – Bella riu, vendo sua amiga pular no colo de Jasper e quase derrubá-lo.
- Eu espero que sim... – Edward murmurou distraidamente, o queixo e o nariz enterrados em cabelo enquanto ele a abraçava por trás. - Então, Stra. Swan... Quais são seus planos para mais tarde?
Ela ergueu a cabeça e sorriu alegremente para ele.
- Ser muito feliz, Sr. Masen.
(***)
- Essa é a maior árvore de natal que eu já vi em toda a minha vida.
- Bella, você já falou isso umas cinco vezes desde que finalmente percebeu que ela estava aí. – Edward riu.
- Mas a cada vez que eu olho, ela parece ainda mais impressionante. – ela se defendeu, encarando o enorme pinheiro, cujo topo com uma estrela dourada quase encostava no teto, decorado com bolas coloridas e luzes vermelhas, douradas e brancas.
Eles estavam deitados juntos no sofá da sala de jantar privada que haviam alugado para a ceia que terminara há poucos minutos atrás. Rosalie e Emmett já haviam subido para colocar os gêmeos, exaustos de tanto comer e tentar esperar pelo Papai Noel acordados, em suas camas. Suas mães estavam organizando os pratos sujos na mesa, a fim de deixar tudo o mais limpo possível e agradecer ao máximo ao buffet do hotel por uma ceia tão maravilhosa. Já Carlisle e Esme estavam sentados em uma poltrona perto da lareira, com ela em seu colo, apenas aproveitando a presença um do outro e o segundo dia de sua lua de mel.
Pouco antes da ceia começar, Esme e Bella tinham notado a postura distante de Antônio e a maneira como ele olhava pelas janelas, para a imensidão do mar e seu horizonte, quando achava que ninguém estava olhando. Por fim, Esme apenas sorriu e colocou a mão no ombro dele.
- Vá passar o Natal com ela, pai. – ela o aconselhou – Eu não vou ficar brava, se é com isso que você está preocupado. E, sejamos francos, o que vocês dois querem é estar juntos, apesar. E eu conheço bem esse sentimento. Tanta coisa mudou esse ano... O que vocês dois tinham pode mudar também: melhorar, se tornar um verdadeiro amor. Então vá ficar com ela. – e assim ele foi, e todos duvidavam que fosse voltar já na manhã seguinte.
O amor era estranho, Bella sabia disso.
Um bom exemplo disso eram Alice e Jasper, que foram os últimos a chegar para ceia e os primeiros a sair, com os cabelos bagunçados, as roupas amassadas e os lábios inchados, como se tornara de praxe desde que se tornaram noivos e Edward e Bella tiveram que se acostumar a vê-los fugindo seminus dos quartos um do outro. Bella obviamente chegou a sugerir que Jasper trocasse de lugar com ela como colega de quarto de Alice, mas sua melhor amiga recusou. "O perigo torna tudo mais gostoso." Allie tinha dado um sorriso malicioso ao falar "Você e Edward vão descobrir isso logo, eu tenho certeza."
E, por mais que Bella tenha corado, estando ali bem em cima do corpo de Edward, ela não podia negar que achava que eles descobririam isso em breve, realmente.
Muito em breve, na verdade.
Ela deu um pulo quando algo molhado e gelado encostou em seu pé descalço e levantou a cabeça para ver Panqueca, abanando o rabo e muito ofegante, pedir um pouco de colo para ela. Sentando-se, ela pegou sua cadela, que estava mais pesada e cansada ultimamente, e deixou que a pobrezinha descansasse em seu colo.
- Ela tem andando mais cansada ultimamente, não acha? – Edward perguntou, acariciando a cabeça macia de Panqueca.
- E até parece que você não desconfia do por quê. – ela desdenhou, bem-humorada – Espero que esteja realmente pronto para ser avô.
- Eu estou. – Edward sorriu alegremente, fitando rapidamente Herói, que dormia tranquilamente perto de Carlisle e Esme, de frente para a lareira – Bebês sempre trazem alegria. E, em breve, teremos vários.
- Vou lembrar você disso quando um bando de filhotes estiver mastigando seus sapatos. – ela riu e bocejou.
- Você está cansada, é melhor irmos dormir. – ele disse, acariciando suavemente sua bochecha.
- Até parece que um de nós não está com o quarto interditado por conta de Alice e Jasper. – ela riu – E eu não estou com tanto sono assim.
- Você sabe que sempre podemos ser os colegas de quarto um do outro. – ele a abraçou mais forte e beijou sua testa – Vamos lá, podemos ficar conversando até o seu sono chegar.
Ao olhar para ele, o sorriso doce no rosto bonito, a camisa branca com os primeiros botões desfeitos e revelando o peito amplo e os olhos verdes brilhando com paixão e carinho, ela soube que já estava realmente na hora deles subirem. Com um sorriso, ela tirou Panqueca de seu colo e a deixou descansando no sofá confortável, então os dois se levantaram e desejaram feliz Natal para todos os pais que ainda estavam na sala. Havia sido realmente uma noite de bênçãos e gratidão depois do que todos eles passaram ao longo daquele ano, especialmente ela.
Ela havia encontrado seus pais biológicos, seus avós biológicos, uma carreira que amava, dificuldades extremas, inseguranças que agora sabia que ainda estavam com ela, uma força que ela nem sabia que tinha e, como um presente surpresa, um namorado que amava como nunca imaginara ser possível.
E não havia plano no mundo que ela pudesse ter feito que a levaria para uma vida tão incrível quanto a que tinha agora. Ou para uma felicidade como a que sentia naquele momento.
E foi assim que ela soube que estava pronta, enquanto ela e Edward subiam a escada e passavam rapidamente pela porta do quarto de Bella, já que os sons abafados vindos de lá de dentro mostravam que o quarto de Edward estava vazio. Ao entrarem, Edward foi deitar-se na cama, enquanto Bella congelou onde estava, sentindo seu estômago apertar por conta da ansiedade. Apesar de se sentir mais preparada do que achava que estaria, não havia como não sentir-se ansiosa e insegura ou impedir sua mente de conjecturar sobre o que aconteceria. Será que doeria muito? O que ele acharia do corpo dela? Será que aquilo mudaria alguma coisa no relacionamento deles?
- Amor? – ele a chamou, preocupado, e, por seu tom, Bella soube que ele devia estar chamando-a a um bom tempo – Você está bem?
- Sim, sim... – ela gaguejou, nervosa - S-será que tem lugar aí do seu lado?
- Na verdade, não tem espaço em mim que você já não ocupe. – ele sorriu e estendeu os braços – Venha para cá, amor.
- Interessante... Posso saber quais são os espaços que eu ocupo? – ela brincou, deixando-se ser puxada por aquelas grandes mãos.
- Vamos ver... – ele aconchegou-a contra seu peito, enquanto beijava delicadamente sua têmpora – Temos o meu coração, a minha mente, a minha alma... E agora a minha cama. – ele sorriu sedutoramente – E tenha certeza que eu desfruto intensamente da sua presença em cada um deles.
Ela riu e beijou o queixo dele – Consegue acreditar que há poucos meses atrás nós queríamos matar um ao outro?
- Não gosto de lembrar disso. – ele suspirou pesarosamente e se inclinou para beijar o pescoço dela – Odeio pensar que perdi todo aquele tempo sendo rude com você e te maltratando. Eu deveria ter me rendido ao que senti desde o primeiro dia.
- Sério? Se sentiu atraído por mim desde o primeiro dia? – ela perguntou, absolutamente surpresa.
- E me senti cada dia mais. – ele admitiu, enquanto acariciava seu rosto – Mas fiquei ocupado demais sendo estúpido com você e negando o que estava sentindo para admitir, principalmente para mim mesmo, que eu estava me apaixonando por você.
- Eu conheço a sensação. – ela sorriu docemente para ele, corando um pouco – Eu lutei muito contra isso durante esse mês, até que a minha única saída foi desistir dessa luta, porque eu já tinha perdido há muito tempo. E, quer saber? – ela literalmente subiu em cima dele, para que seus rostos ficassem frente a frente, fazendo Edward sorrir sedutora e carinhosamente, passando os braços por seu quadril – Eu não poderia ter ganhado mais. Obrigado por ter se declarado para mim naquele dia. Foi o que me fez perceber o que eu estava sentindo.
- E obrigado por ter me dado uma segunda chance e por estar na minha vida, Bella. – ele a olhou intensa e seriamente – Eu amo você como nunca achei ser possível.
- Eu também, meu amor. – ela murmurou, com o coração trovejando no peito, e se inclinou para beijá-lo.
Aparentemente, aquele beijo devorador e inflamado era algo automático entre eles: em um minuto eles estavam com os lábios unidos tão suavemente quanto uma carícia e então, de repente, ela estava sentada sobre ele, com as pernas ao redor de sua cintura e com suas bocas e línguas frenéticas uma contra a outra. Tomando coragem e se aproveitando do pouco de sanidade que ainda tinha, ela tirou as mãos das costas dele e as colocou em seu peito, terminando de desabotoar sua camisa e tirando-a de seus ombros. Enquanto isso, ele desceu os lábios por seu pescoço e depois para os ombros, as pontas dos dedos subindo suavemente por seus braços e fazendo sua pele se arrepiar, até chegar aos seus ombros, onde ele deixou cair as alças da regata e do sutiã que ela usava.
Correndo os dedos pelo cabelo cor de cobre e abraçando-o contra o peito para incentivá-lo a dar-lhe mais daquelas sensações inebriantes, ela o sentiu descer os lábios para o começo de seu busto, agora parcialmente desnudo por conta das alças caídas na metade de seus braços. Contudo, assim que um gemido suave escapou de sua boca quando a língua dele intensificou seu tratamento, algo pareceu estalar na mente dele e Edward literalmente voou para longe dela, os olhos verdes tão arrependidos que parecia que ele tinha acabado de dar uma facada nela, e não lambido seus seios.
- Oh, Bella, eu sinto muito. – ele se desculpou, parecendo quase desesperado – Eu não queria desrespeitar você ou forçá-la a...
- Edward, tudo bem. – ela o acalmou, indo até ele e voltando a subir em seu colo. – Você não está me forçando a nada. É claro, eu nunca fiz isso antes, mas... – ela admitiu, um pouco de rubor colorindo suas bochechas – Eu... Eu quero fazer agora. Com você.
- Eu não quero que se sinta forçada a nada, Bella. – ele afirmou, acariciando seu rosto, os olhos ardendo com um amor tão verdadeiro que a fez ter vontade de chorar de alegria – Eu vou esperar o tempo que for preciso até você estar pronta, então não pense que tem que fazer isso só para me agradar.
- Eu sei. – ela sorriu, sentindo o amor que tinha por aquele homem crescer um pouco mais – Mas eu me sinto pronta agora. E você também, pelo que parece. – ela riu timidamente, roçando com afinco seu quadril no dele e na evidência de desejo que havia ali.
Edward tomou uma ingestão aguda de ar e trincou os dentes, os olhos se fechando por conta do que parecia ser um misto de prazer e dor. Por fim, ele os abriu, as íris verdes quase que completamente consumidas pelo preto. – Você tem certeza que está pronta? – Sua voz estava mais grave do que o normal e ela se arrepiou ainda mais com o tom profundo e necessitado.
- Edward, eu não estaria deixando você ir tão longe se não tivesse certeza. – ela afirmou enquanto tirava a camisa completamente do corpo dele – Eu quero fazer isso. Com você. Agora. – Bella disse determinada, olhando-o diretamente nos olhos, querendo mostrar-lhe não apenas sua sinceridade, também seu próprio desejo - Porque eu te amo e te desejo mais do que sou capaz de explicar.
Ele não precisou de mais incentivos e, no final, quando eles estavam ofegando nos braços um do outro, ela novamente se apaixonou um pouco mais por ele quando Edward segurou seu rosto com as mãos e a olhou, terrivelmente preocupado.
- Tem certeza de que eu não machuquei você? Está sentindo muita dor? Quer que eu pegue alguma coisa para você? Posso fazer alguma coisa por você?
- Até que não doeu tanto quanto eu imaginava. – ela riu, dando de ombros despreocupadamente – E você fez exatamente o contrário de me machucar. E o que você pode fazer por mim agora é me abraçar. – ela sorriu quando ele instantaneamente fez o que pediu, o coração se derretendo por aquele homem doce, gentil e apaixonado – E também dormir. Porque amanhã vai haver muito mais trabalho para você... Vocês dois. – ela gemeu ao senti-lo se esfregar contra seu quadril.
- Eu não seria tão atrevida se fosse você, Stra. Swan. – ele sussurrou em seu ouvido e mordeu suavemente o lóbulo de sua orelha - Está brincando com fogo fazendo essas promessas.
- Não planejo apenas brincar com o seu, e muito menos com o meu, fogo, Sr. Masen. – ela beijou sua mandíbula com uma sensualidade recém-descoberta – Tenho planos muito mais proveitosos para eles, deste dia em diante. E você sabe como sou uma boa planejadora.
- Se há uma coisa que eu descobri hoje, é que você é boa em muitas coisas. – ele riu sensualmente e a aconchegou contra seu peito nu. – O que acha de um banho?
- Só um banho? – ela desdenhou sedutoramente.
- Eu sei que você está dolorida, amor. – ele disse seriamente, pegando-a no colo e levando-a até o banheiro - É realmente apenas um banho. Eu jamais faria algo que machucasse você, especialmente depois de hoje.
- Bem... – ela ronronou, encostando sua boca no ouvido dele – Não precisamos fazer nada onde eu estou dolorida...
Meia hora depois, após o banho mais longo e satisfatório de sua vida, Bella sentiu seu corpo quase que desossado quando Edward a deitou na cama, já passando das três da manhã, e se estendeu ao lado dela, abraçando-a apertado.
- Não sei por que, mas tenho a sensação de que vamos nos tornar ainda piores que Alice e Jasper. – ele comentou com um sorriso malicioso.
- Engraçado, eu tenho certeza. – ela afirmou, mas não conseguiu reunir forças o suficiente para abrir os olhos.
Ele riu - Boa noite e feliz natal, meu amor. – disse, começando a acariciar seu cabelo, relaxando-a ainda mais – Amo você. – havia tanta sinceridade e emoção em sua voz grave que quase a fizeram chorar, mesmo com todo o sono que sentia.
E, quando estava prestes a pegar no sono, ela o sentiu beijar carinhosamente sua testa. Com um sorriso amoroso e satisfeito, ela disse uma última frase antes mergulhar em sonhos que certamente seriam sobre ele.
- Eu te amo.
