(Este capítulo acontece concomitantemente ao anterior)
— Bom dia meu amor! — Bruce acariciou o rosto da jovem.
Ela ainda estava com os olhos fechados, mas acordada. Os dois abraçados, com os corpos nus esquentando um ao outro.
— Sempre me pergunto como as pessoas conseguem acordar dando bom dia, eu nem consigo saber em que planeta estou. — ela resmungou. Bruce riu com esse comentário.
Demorou um tempo até que ambos criassem coragem de levantar da cama, outrora impecavelmente arrumada e agora totalmente parecendo um verdadeiro "ninho de amor". O casal levantou enfim e cada um foi cuidar de sua higiene. Depois ambos rumaram para a cozinha onde Bruce começou a fazer uns sanduíches e panquecas enquanto Danisa fazia o café.
— Você ficou calado de repente, o que foi? — a jovem questionou o momento silencioso que se fez enquanto preparavam o café da manhã.
— Eu estava pensando... Você não acha melhor voltar para a Torre, quer dizer, cedo ou tarde as coisas precisam se resolver. Sei que você sabe se defender sozinha, mas e essas coisas novas que descobriu? Você precisa de todo um aparato para saber do que se trata.
— Você acha que eu deveria usar esses poderes? — ela estava um tanto receosa quanto a isso.
— Eles fazem parte de você Dani, não pode ter medo.
— Sabe que é muito engraçado ouvir você dizer isso? — ela seguiu para a mesa e sentou-se para tomar o café da manhã.
— Você sabe que são coisas diferentes, mas eu não quero brigar, nossa noite foi maravilhosa. — ele lhe sorriu.
— Eu não vou voltar Bruce.
— Ao menos vá até lá, estão preocupados com você.
— Para ser sincera até que estou com saudades do Clint. — ela riu ao lembrar-se do amigo. — Mas eu sei que haverá brigas também
— Não se preocupe, vamos enfrentar a fúria de todos, juntos. — ele se inclinou e a beijou.
— Eu realmente não deveria ter vindo... — Danisa resmungava desde que colocara os pés na Torre.
— Relaxa, você está assim por causa dele, não é? — Bruce sabia que a jovem estava receosa de ver Tony novamente, depois de tudo o que aconteceu.
— Talvez... — ela suspirou e apertou o botão para o último andar no elevador.
— Você ainda gosta dele? — Bruce questionou.
— Eu tenho raiva por tudo o que aconteceu, mas não o odeio por isso. Mas se estiver perguntando tudo isso para brigarmos é melhor parar, por favor, eu não quero isso.
— Tudo bem...
— Danisa? — Clint exclamou assim que viu a jovem sair do elevador. — Caramba, você
está bem? Onde esteve esse tempo? Fiquei preocupado com você.
— Eu estou bem, relaxa. — ela lhe deu um caloroso abraço.
— Pelo jeito esteve bem mesmo... Oi Bruce. — Natasha parecia mais indiferente do que realmente com raiva.
— Ah oi... — ele estava sem jeito.
O clima parecia desconfortável ali, mesmo assim todos se sentaram e começaram a jogar conversa fora. A todo instante Clint questionava onde Danisa esteve durante os dias que se passaram, mas ela não iria dizer, por mais que gostasse da amizade dele, ela não poderia dizer, precisava daquele seu cantinho de liberdade. Steve e Carter chegaram e se juntaram aos demais.
— Estão dando uma festinha sem mim?... — Tony parou assim que viu Danisa sentada ao lado de Bruce. — Eu sabia!
Danisa e Bruce levantaram na mesma hora.
— Tony, por favor, eu não quero brigar. — Bruce falara.
— Você é um filho da mãe! Sabia onde ela estava esse tempo todo e escondeu isso de nós. Fez a todos de idiota!
— Ele não sabia de nada. — Danisa sabia que não foi uma boa idéia voltar àquele lugar. — Será que não podemos conversar como duas pessoas civilizadas?
— Vocês estão juntos? — ele perguntou com a voz mais calma.
A jovem suspirou e respondeu:
— Nós estamos juntos, Tony.
— O que está havendo aqui? — Nick chega e questiona sobre o tumulto na sala. — Danisa? Onde você esteve? — ele encarou Bruce.
— Não é da sua conta Nick, eu já estava de saída.
— Você não vai a lugar nenhum. — ele deu alguns passos em direção a ela.
— Você ficou louco? Acha que pode mandar em mim? Não seja idiota ao pensar que pode me impedir, eu vou embora e nem ouse me seguir.
— Eu estou tentando proteger você.
— Me proteger do que? Das suas mentiras que não é, aliás, se você acha que protege alguém assim está muito enganado. Por que não diz o que está acontecendo? Vamos, estamos todos aqui.
— Não é hora, nem lugar para isso.
— Você é um babaca, eu estou cansada de ser trouxa para você, todos aqui são trouxas... — ela segurou a mão de Bruce e virou as costas para sair.
— Você não pode ir com ele!
— Quero ver tentar me impedir!
Nick se aproximou perigosamente, mas foi lançado longe com um simples aceno de mão de Danisa. Seus olhos assumiram um tom dourado nunca visto antes, estava assustadoramente ameaçadora. Ela encarou a todos ali, os vingadores pareciam surpresos com o ato da jovem, mas Tony a olhava indiferente, como se toda a cena não fosse novidade para ele. Danisa, enfim, saiu da Torre.
*** Alguns minutos depois ***
— Ela tem razão. — começou Steve. — quando pretende nos contar o que está
havendo?
— Eu já disse que...
— Esquece Nick, não queremos mais desculpas, diga o que está havendo. — Natasha se pronunciou.
— Está certo... — ele suspirou. — Talvez eu... Talvez eu precise de ajuda... — ele levantou do sofá e arrumou suas vestes. — Amanhã, no QG, às 13h. — e seguiu para a saída.
— Danisa você precisa se acalmar... — Bruce tentava em vão fazer com que a jovem parasse de andar de um lado a outro do apartamento.
— Eu sabia que não deveria ter ido lá, eu sabia Bruce. — seus olhos ainda pareciam levemente dourados.
— Tudo bem, tudo bem, e eu peço desculpas. — ele a parou e segurou seu rosto com as duas mãos. — Eu sabia que não deveria ter insistido, é minha culpa, mas você precisa se acalmar. Meu bem, você poderia ter matado Nick, esses seus novos poderes... Você ainda não sabe do que é capaz.
— Eu queria Bruce... Eu queria ter matado, eu senti uma vontade enorme. — ela começou a chorar. — Eu não sei o que está havendo comigo.
— Shh, vai ficar tudo bem. — ele a abraçou, tentou confiar em cada palavra que disse.
Ele a conduziu até o quarto, onde o casal deitou abraçado até adormecerem.
~ Mate-o... Você precisa... Mate-o... Amanhã ~
Danisa se espantou com a voz de sua mãe em sua cabeça. Fazia um tempo que não era atormentada com as lembranças dela, isso a deixou pior do que estava principalmente ao lembrar o que acontecera na noite anterior.
— Você está bem? — Bruce perguntou.
— Preciso ir ao QG... — ela olhou o relógio da cabeceira, eram 12:30h, haviam dormido além da conta.
— O que? Por quê? — o moreno esfregou os olhos, ainda sonolento.
— Não sei, eu sinto que preciso ir até lá. — ela levantou de um pulo da cama.
— Está bem, então eu vou com você. — ele fez menção de levantar, mas ela disse.
— Não, você fica aqui, eu vou sozinha.
— Me diz o que está acontecendo, por favor. — ele levantou e tentou se aproximar, mas ela se afastou.
— Sozinha...
— Está bem, mas, por favor, me diga se precisar de algo.
*** No Quartel General***
— Então... — comentou Clint
— Vamos esperar. — Nick entrelaçou as mãos sobre a mesa. — Chamei uma pessoa para vir.
O silêncio era constrangedor, mas foi interrompido por um homem de vestes um tanto quanto cômica, seus cabelos castanhos levemente agrisalhados nas laterais.
— Desculpem o atraso, precisei resolver algumas coisas. — ele sentou e observou atentamente a todos.
— Eu sabia...— Tony queria dizer o que estava rondava a sua mente há um bom tempo.
— Tony não comece... — Nick estava ficando impaciente com o moreno.
— Não! Quando pretendia nos contar que ele é pai dela?
— O que? — os outros vingadores falaram em coro.
— Vocês não entenderam? Stephen Strange é o pai de Danisa! — Tony parecia conter sua raiva.
— Isso é verdade Nick? — Clint questionou estupefato.
— Sim. — ele suspirou.
— Quando soube? — Stephen perguntou a Tony.
— Vocês realmente me sobreestimam, pensam que eu não estive percebendo o que estava acontecendo? Nada passa por mim, tenho meios para saber das coisas, e ontem... Eu conheço você Dr. Strange, conheço sua magia, e ontem eu vi a mesma essência nos olhos dela...
— Eu acho melhor explicar tudo direitinho pra gente Nick, isso está muito confuso. — Steve se pronunciou.
— Sim, bem... — ele começou, mas foi interrompido por Stephen.
— Por favor, me deixe contar. — ele respirou e iniciou sua história. — Antes de tudo acontecer, antes de eu aprender... Eu era um idiota arrogante. Conheci Kelly Shorld quando ela era ainda uma mulher jovem, ambiciosa e muito inteligente. Ela era especialista em engenharia genética, a conheci num centro de pesquisa médica e nos envolvemos... Não durou muito, eu fui viver minha vida e acredito que ela não gostou do suposto término...
— Você a abandonou grávida? — Natasha sobressaltou-se.
— Não! Eu não fazia idéia da gravidez... Ela não me contou nada, simplesmente sumiu, eu não tive mais notícias suas. Na verdade eu soube há pouco tempo, Fury me contou.
— A grande questão aqui é que é possível que Kelly Shorld esteja tentando se aproximar de Strange através de Danisa. — Nick continuou.
— Há algum outro motivo para isso? — Steve pergunta.
— Sim, Strange mantém consigo um dos artefatos mais poderosos do universo.
— Seria a mesma coisa que estivemos procurando na base da Hidra? — Clint questionou.
— Exatamente.
— O Olho de Agamotto é um pingente criado por Agamotto, o primeiro Mago Supremo para conter e abrigar o poder da Jóia do Tempo, entretanto Nick, devo lhe informar que ela não está mais comigo. Ainda tenho muito que aprender sobre seus poderes, ele está em um local seguro.
— O que faz exatamente esta tal jóia? — Steve assim como os outros estava curioso para saber mais sobre este artefato tão poderoso.
— Quando exercida por alguém com habilidades e conhecimentos necessários, pode ser capaz de controlar o fluxo de tempo, seja em pequena ou grande escala, pode acelerar ou retroceder no tempo para modificar ações ocorridas ou ainda produzir um loop temporal que só se encerra pelo controle de seu portador. — Strange explicou.
— Quando pretende dizer a ela? — Tony falara pela primeira vez após toda a explicação.
— Sobre o que? — Strange não compreendeu muito bem a que homem se referia.
— Quando pretende contar a Danisa que é o pai dela?
— Meu pai? — Danisa falou da porta da sala, assustando-os.
Todos se levantaram espantados, Strange a olhou e tentou se aproximar, quase que num ato involuntário, mas a jovem lhe lançou um olhar mortal. Danisa estava ali, cara a cara com o homem que destruiu sua vida, de frente para seu maior objetivo... Matá-lo! Seus olhos queimaram num tom dourado fogo.
— EU VOU MATAR VOCÊ! — seu grito foi capaz de destruir um boa parte da sala de reuniões, os Vingadores estavam despreparados para algo assim.
Danisa avançou em direção a Strange, ele criava escudos para tentar se proteger de seus ataques, não iria revidar, não iria machucá-la. A jovem conseguia destruir seus escudos usando magia idêntica a dele, ela não tinha certeza do quanto dessas habilidades conseguia controlar, mas isso não importava, ela estava fora de si, em sua mente ela só conseguia pensar em seguir o destino traçado para si. Nenhum dos presentes conseguiam se aproximar da jovem, havia um barreira dourada em volta de si que os impediam. De repente Strange cambaleou, seus olhos fecharam e sua cabeça ficava mais pesada a cada instante, sua mente estava sendo invadida por Danisa, flashes de sua vida pareciam estar sendo roubados de si, tão rápido esta ligação foi cortada, a jovem fora atingida por uma flecha explosiva lançada por Clint quando sua guarda baixou ao adentrar a mente de seu pai. Ela o encarou e simplesmente partiu.
— Vão atrás dela, agora! — Nick ordenou.
