Narcissa acordou sobressaltada sentindo um peso contra as suas costas. Tentou se mexer percebendo que a pessoa estava com o rosto tão próximo que a respiração quente batia, contra o seu pescoço, parecendo uma brisa de verão. Por um momento, se assustou pensando que fosse Malfoy... ele podia ter invadido o quarto, enquanto elas dormiam, imobilizado Bellatrix de um modo inexplicável e deitado ao seu lado durante a noite visando ataca-la outra vez. Contudo, ao seu virar, deu de cara com Bella a olhando fixamente.
- Olá, Cissa! Eu te acordei? Seu sonho estava bastante divertido com aquela história do Sirius querer te ver de espartilho branco e rolos no cabelo... e quanto fogo vocês dois, hein! Parabéns, irmãzinha – a morena falava animadamente se ajeitando melhor na cama para ficar de frente para a irmão.
- Por Merlin, Bella... são 2h da manhã! O que... o que faz deitada aqui comigo? Qual o problema? Nós não tínhamos transfigurado uma segunda cama? Você ousou usar Legilimência em mim? – questionou a irmã ainda atordoada pelo sono, lutando para organizar as ideias e compreender o que estava acontecendo ali, afinal.
- Eu deitei com você, porque eu quero um bebê! – sorriu para a loira que a encarou completamente sem reação com o que acabara de escutar.
- Bella, estou tentando compreender qual a minha participação no seu desejo de ter um bebê! Poderia me revelar? Infelizmente, eu não posso te ajudar na concepção de uma criança, caso não saiba... seria geneticamente absurdo, moralmente sujo e biologicamente impossível – Narcissa respondeu se mexendo desconfortavelmente na cama para se afastar da irmã, pois, poderia esperar tudo quando o assunto era Bellatrix que estava próxima. Observando o comportamento dela, a morena foi se aproximando aos poucos, como uma cobra pronta para dar o bote.
- Ora, irmãzinha, qual o problema? Está com medo de mim? – disse sentando sobre as pernas de Narcissa que a olhava com uma expressão de quem começava a se apavorar com o que viria depois. A morena ria abertamente aproximando o rosto até chegar bem próximo ao ouvido e sussurrar:
- Meu bem, não receie o que não pode evitar... você quer isso tanto quanto eu há tempos... não negue!
- Bellatrix... são... isso... eu... eu... eu sou sua irmã, pare com isso! – gaguejou, vendo que os lábios da outra estavam bem perto dos dela. Quando pensou no que ocorreria, sentiu que recebia um beijo no rosto.
- Você é adorável, Cissa! Sua atitude foi cativante e fofa... e odeio você por pensar que eu seria capaz de te beijar ou qualquer outra coisa – piscou se cobrindo com os lençóis a encarando novamente. Narcissa recuperando a respiração depois do susto, se virou para ela, argumentando com uma expressão séria.
- Só me faça entender uma coisa, você teve dois bebês e não quis. Qual motivo para desejar um agora? Se não souber me responder, me deixe dormir e pare de besteira. Aliás, também, não me agarre enquanto eu durmo! – bufou franzindo o cenho. Achou que a brincadeira da irmã estava passando todos os limites e não manteria mais a paciência e a cordialidade se aquilo continuasse.
- Me ouça, Narcissa! Quero um bebê porque eu estou começando a me sentir velha... quero uma menina que seja igual a mim. Que tenha os meus cabelos, a minha inteligência, seja corajosa como eu sou. Pode ter alguma coisa sua e daquela cadela da Andrômeda, eu não me importo – falou com os olhos brilhando com as imagens que formava na sua imaginação e sorria com a possibilidade de ter uma nova Bellatrix Black no mundo mágico.
- Você tem duas que se enquadram nessas características. Mas, odeia o suficiente as meninas para nunca ter notado – massageava as têmporas sabendo que o assunto se prolongaria por toda a madrugada. Conhecia a irmã tempo suficiente para ter certeza absoluta de que argumentaria de todas as maneiras possíveis e imagináveis até conseguir convencê-la a respeito da ideia de ter uma criança.
- Sei... só que eu não queria elas e as duas vieram em péssima hora – deu de ombros com um semblante de desdém ao lembrar das filhas.
- É verdade. Quanto a me dizer que quer um bebê... você terá uma filha como quem? Você mesma não falou que o Rodolphus é estéril? – questionou pensativa. Não formulava nenhum nome que se prontificasse a ter um filho com a morena. A maioria dos Comensais da Morte sentiam medo dela, os que não possuíam, não fariam a menor questão.
- Claro que eu não terei uma filha com ele, irmãzinha. Tenho dois candidatos fortes para o cargo – deu duas levantas de sobrancelha e sentou na cama com uma postura arrogante como se tivesse vencido uma batalha dificílima. Isso preocupou Narcissa... estava segura de que não seria nada bom o que viria pela frente, diante de uma ideia maluca elaborada por uma mente insana.
- Com quem, então? – tentou investigar.
- Garanto que não será do Rodolphus, nem do Rabastan, tampouco do Lucius... muito menos do Severus e sequer do Sirius. Ah, também não será seu, porque, você não possui os equipamentos necessários para me fazer um filho, sinto muito! – gargalhou. Rapidamente, se mostrou pensativa e prosseguiu dando um meio sorriso:
- Sabe, Cissa, eu sempre sonhei em ter uma linda criança de cabelos negros e crespos... convenhamos, se o Severus tivesse me dado filhos, eles seriam lindos!
- Bella, por favor, o esqueça! Isso sempre te fez mal e você cultivou uma verdadeira fixação pelo Severus. Infelizmente, ele nunca te amou e não iria querer um filho seu – a loira soltou a respiração pesada. Aquele sempre foi um tema delicado e, por mais forte que fosse a irmã, era a única coisa que a machucava mais do que qualquer tortura. Bellatrix nunca admitiu que fosse impossível ter aquele amor e, muito menos, a rejeição sofrida.
- Verdade... nunca quis, entretanto, nunca se negou a paparicar e adorar aquela miniatura sua. E não negue, eu vi o olhar de amor que ele destina a filha da Andrômeda, como se fosse dele – cruzou os braços olhando para o lado com uma expressão de contrariedade.
- Eu não sei qual a relação dele com a Nymphadora... pode ser que ele tenha pena, sei lá – mentiu, procurando desconversar e tirar o foco desse ponto, para prosseguir:
- Quanto ao meu Draco, ele não é a minha miniatura. Meu filho sempre foi idêntico ao Lucius... não comece!
- Não? Vejamos... Severus sempre amou, adorou, protegeu e lutou por você. Nunca entendi por quais razões ele sempre se mostrou tão devotado e a senhora, minha linda irmã, nunca se deu conta disso! – fixou os olhos em Narcissa, fazendo com que ela desviasse o olhar para a parede.
- Oh, Bella... já discutimos tanto sobre isso! Eu estou cansada de repetir que você não compreende como duas pessoas podem se amar de diversos modos, sem que haja um interesse sexual como plano de fundo. Sei que sempre o desejou e o quis de um modo romântico, que projetou coisas ao lado dele. No entanto, você foi ciumenta e obsessiva o suficiente para não ter percebido o quão próxima de conquista-lo esteve – a loira argumentava pensativa, esperava que, aquela fosse a última vez que, houvesse uma abordagem daquele assunto tão pesado. Indubitavelmente, sempre que começavam a falar qualquer coisa relacionada a isto, acabavam brigando e se ofendendo. Mas, ela estava tão cansada que não queria mais debater este tema com a irmã. Então, decididamente, aquela seria a última vez que trataria isso. Percebendo que Bella se mantinha com uma postura emburrada, resolveu manter as suas elocubrações:
- Severus seria seu se não o tivesse sufocado e tentado obriga-lo a executar tudo do seu jeito... – antes de prosseguir, foi interrompida.
- A vagabunda da Lillian o fazia e ele não reclamava. Ficava feito um cachorro lambão atrás dela, servindo de pano de chão para a escória – esbravejou.
- Tem razão. Só que, por culpa sua, aquela ruiva entrou na vida dele e quase o destruiu. Se a Hermione não tivesse feito aquela viagem no tempo, e passado pelas nossas vidas, certamente, ele teria uma vida miserável... pensaria que a sonsa era a única chance de felicidade. Por sua responsabilidade, o meu amigo quase se transformou em um monstro! Bella, você é tão egoísta e sádica que nunca reparou todo o mal que fez... – soltou uma respiração pesada, sentindo que viria a contra argumentação, dada a expressão de revolta estampada no rosto da morena.
- Lillian Evans... aquela piranha de sangue ruim! Se eu tivesse um vira tempo, Cissa, eu juro que voltaria à infância dela e torturaria aquela puta até a morte. Ela é a única pessoa que odiei, verdadeiramente, em toda a minha vida. Tanto que, eu implorei ao Lorde que me autorizasse a invadir aquela casa e assassinar todos os Potter! – bufava e tremia de raiva lembrando de cada uma das coisas e ao pensar no rosto da ruiva, foi como se explodisse a ira de uma só vez, segurando a loira pelos braços.
- Sabe o que me enraivece? Toda essa insistência dos imbecis em torno do culto a imagem da "mãe abnegada" que fez com que o Severus não a esquecesse. A Alice Longbottom implorou de joelhos para que eu não matasse o filho dela. Preferiu ser torturada a perder o seu precioso bebê. Muitas outras mulheres se colocaram entre nós e os seus filhos. O que faz aquela ridícula de tão especial? Não é o que se espera das mães? Você não morreria pelo Draco se ele fosse O Escolhido? – questionava impondo toda a sua indignação, impedindo que a irmã dissesse qualquer coisa.
- Claro que morreria pelo seu príncipe loiro! Aceitou ser estuprada e espancada pelo Lucius para que o seu lindo Draquinho ficasse dormindo em segurança... Quem foi o responsável por toda essa merda foi aquele velho caduco! Porque ele não fez porra nenhuma para evitar que aquela prostituta do caralho morresse? Aliás, porque todo mundo nessa bosta de mundo pensa que aquela sujeitinha merece amor eterno? Foi ela, Cissa, que tornou o Severus um Comensal da Morte quando se juntou àquele bando para rir dele e chama-lo de Ranhoso, Seboso ou a puta que pariu... pouco importa o que os porcos o chamavam! – quanto mais ela falava, quase aos gritos, mais a temperatura do quarto baixava. Parecia que a magia dela se descontrolava toda a vez que recordava da outra bruxa.
- Foi ela que o humilhou quando o fez dormir feito um mendigo na porta da Grifinória... depois de tudo o que ele fez de bom e aquela rameira o tratar como um otário, bastou uma palavra, para que a "inatingível", a "pura", a "amável", não pudesse perdoa-lo. Se a "generosa e benevolente" Lillian estivesse viva, seria tão dissimulada e vagabunda, que o convidaria para ser padrinho de outro lixo que ela fizesse com o Potter. E, sabe o motivo, irmã? Apenas para mantê-lo subjugado e humilhado diante dela, como se fosse um nada. Então, não me culpe! – tremia de ódio, sua vontade era de matar a primeira pessoa que visse pela frente.
- Bella? Por favor, se acalme! – Narcissa passava as mãos nos braços da morena, fazendo com que ela retomasse o foco em seus olhos.
- Cissa... isso não é só aquela podre! O que eu digo serve para todos os que agem como ela agiu. Usando, se fazendo de amiga e, na primeira chance, dá um pé na bunda de quem recebeu auxílio, porque pensou ter arrumado algo melhor. Lillian é a escória e espero que o Severus, em qualquer realidade a qual a vadia da minha filha tenha vivido, o destino dele não fosse morrer apaixonado por uma pilantra desqualificada e oportunista – Bellatrix fechou os olhos, respirando lentamente para não acabar atacando a irmã, que não havia lhe feito nada.
- Me dá raiva que ela não quis o Severus e preferiu aquele imbecil do Potter, pelo simples fato de que um era pobre e, o outro, rico. Não é minha culpa que alguém tenha fodido com a vida dele, colocando uma fulana como aquela em seu caminho! – começava a recuperar um pouco do juízo, que ainda restava, sentindo os seus braços ainda sendo acariciados.
- Depois de todos esses anos, você ainda nutre todo esse ódio por ela? – perguntou por curiosidade, mesmo que já estivesse com o pensamento em outras questões que não envolviam aquela mulher, a quem detestava com a mesma força. Se pudesse, também, a mataria sem pensar duas vezes.
- Compreenda, eu vou guardar até o último dia da minha vida todo esse nojo e raiva por aquela imunda! Não duvide, Cissa, de que eu estou falando sério quando digo que usaria um Vira-tempo para esquartejar viva aquela sangue ruim! – cruzou os braços permanecendo um bom tempo em silêncio fitando a parede. Fazia anos que a loira não via a irmã tão submersa nas próprias ponderações... a última vez, elas ainda eram adolescentes e Bellatrix vivia com a cara enterrada nos livros, sempre que aparecia uma mísera oportunidade. Ela chegou a sorrir com a lembrança do quanto a irmã era inteligente e tão segura do que queria para si. Sentia falta dessa autoconfiança tão grande.
- Bella? Eu posso te fazer uma pergunta? Como estamos falando do passado e de pessoas que fizeram parte dele... me responda, como você afirmou tão convictamente que a Hermione era sua filha no dia da batalha no Ministério? – inquiriu um pouco temerosa da reação que a outra poderia ter ao ser questionada a respeito daquele assunto.
- Quando a vadiazinha era pequena, antes de eu ir para Askaban... eu obriguei o elfo burro a me levar onde tinha a deixado. Me escondi perto de uma árvore e vi uma trouxa saindo de mãos dadas com uma menininha cabeluda de mais ou menos 1 ano. Então, no instante em que ela sorriu... a mulher a chamou de Hermione – desconversou, prestando atenção no jeito que Narcisa a olhava com curiosidade.
- Você fez o quê? – questionou sem conseguir entender os motivos que a levaram a procurar a menina, depois de ter feito um verdadeiro escândalo dizendo que não a queria.
- Eu tive interesse em conhece-la... depois que eu soube que não estava morta. Fui vê-la e ficar informada de como era – deu de ombros novamente, fazendo com que a loira não se desse por vencida. Algo dizia que faltava peças naquele quebra- cabeças que se descortinava a sua frente.
- Interessante compreender que foi assim que descobriu que Hermione era o seu bebê... – fez uma expressão de desinteresse e Bella a encarou cerrando os olhos.
- Exato. Para sanar o seu interesse, por um momento, pensei em sequestra-la, já que saiu de mim. Entretanto, fiquei com raiva por lembrar que era filha do Sirius e fui embora. Depois, eu permaneci muito tempo presa e, ao sair, aproveitei que o Draco avisara vocês da visita que eles fariam a Hogsmeade e eu a vi de longe. Na hora, me dei conta que não poderia ser outra pessoa... várias coisas se encaixaram... sobretudo, o motivo da Geavet ser tão parecida comigo! – a morena encava a irmã sem piscar, prestando atenção a cada detalhe e gesto que estava fazendo. Entendi que a estava curiosa e queria saber, finalmente, todas as informações quanto ao que acontecera nos meses em que esteve desaparecida de casa. Narcissa sempre demonstrou isso, mas pela primeira vez, tomara coragem de ir tão longe e perguntar coisas que levassem Bellatrix a relatar a sua gravidez e todo o resto que envolvia o ódio que sentia por Hermione.
- Você só pode ser louca! – Narcissa afirmou sacudindo a cabeça negativamente. Aquilo não apresentava qualquer sentido lógico.
- Eu conto o que quer saber... contudo, quero que me diga, uma coisa. Pode ser? – perguntou.
- Vá em frente, Bella! Pergunte – assentiu.
- Como o Severus pode amar alguém que saiu de mim? Uma maldita menina que se parece comigo e nunca ter me amado... como é possível? – questionava a irmã coisas que, muitas vezes, vagaram pela sua mente de maneira ininterrupta.
- Eu não sei, Bella... creio que nem ele mesmo consiga te responder isso – soltou um suspiro cansado.
- Eu não entendo... desde que o Severus a viu pela primeira vez, os olhos dele disseram que ele a queria de todas as formas. Ela tem tudo o que deveria ser meu! Entretanto, ele me negou o que eu mais desejava, nunca me amou e me fez de boba... primeiro por causa daquela sangue ruim, depois por conta da minha... – interrompeu a frase, olhando para Narcissa que prestava atenção nela.
- Da sua própria filha, pode dizer. Você já deixou escapar essa palavra. Sim, Hermione é sua filha, tem seu sangue, vocês possuem muitas coisas semelhantes. Mas, Bella... não esqueça que o Severus não sabia que ela era a sua filha, até você ter gritado isso dentro do Ministério. Aliás, não havia uma alma no mundo bruxo que desconfiasse! – disse abrindo um sorriso, que fez a morena erguer as sobrancelhas num ato de total incompreensão do que ouviria depois.
- Para sua informação, senhora Bellatrix, ele chegou a gostar de você no começo... lembra quando te apelidou de Gama Orionis? Ou de quando vocês dois inventaram de brincar que a Andy era a Andrômeda do mito e colocaram o Sirius para ser o Cetus? – ela baixou a cabeça e começou a rir recordando daquele dia, fazendo com que a loira se animasse em prosseguir o relato:
- Aquele dia foi divertido... Sirius como um monstro marinho que destruía a cidade; você e o Regulus eram os pais da Andrômeda; o Severus fingindo ser o herói Perseu; e, eu, a Medusa... lembro que vocês enrolaram o meu cabelo e fizeram que ele ficasse voando como cobras em torno da minha cabeça! – as duas riam juntas com aquela lembrança e, Bella, a interrompeu:
- Sim, Sirius e Severus, do nada, começaram a se estapear porque estavam "lutando de brincadeira" por causa dela. Nosso pai, ouvindo a gritaria, chegou nos xingando e dizendo que se alguém quebrasse um osso, ele nos jogaria em um orfanato e entregaria nossos brinquedos para a caridade.
- Nosso pai sempre foi um homem extremamente agradável... – a loira ironizou.
- Foi nesse dia que eu tentei dar o meu primeiro beijo... – a morena deu um sorriso aberto.
- Ah, então, foi por isso que o Severus ficou sendo tão enfático com você? Lembro muito bem dele, com as bochechas vermelhas, dizendo "Bella, não pode... isso é errado!" e te olhando com aquele beicinho que ele faz quando está indignado ou se sentindo ofendido - Narcissa revirou os olhos. Conhecia a irmã o bastante para saber o quanto era , nunca passou pela sua cabeça que, ela tentasse beijar alguém aos 9 anos.
- Foi... acho que ele ficou assustado. Na verdade, eu não sabia o que fazer, se saía correndo ou segurava a mão dele. Contudo, mesmo eu tendo dado apenas um beijo no rosto, ele ficou com os olhos arregalados, me olhando com a boca meio aberta – riu, sendo acompanhada pela outra que não aguentou imaginar a cena, exclamando:
- Pobre Sevie! Quando vocês se beijaram, então? – perguntou curiosa com a resposta.
- Aos 11 anos, depois da seleção das casas. Se bem que foi mais um selinho, porque, beijo mesmo, nós tínhamos 14 anos. Satisfeita? – retorquiu erguendo a sobrancelha e Narcissa assentiu.
- Agora, Narcissa Black... me questione o que tanto quer saber. Sei que só enrolou e não foi ao ponto que te interessa – adotou a sua melhor postura arrogante se mantendo sentada na cama.
- Em algum momento, nem que fosse um mísero instante, você quis ficar com o seu bebê? – quase sussurrou a questão.
- Acho que só quando eu a vi aquela vez, acompanhada da trouxa. Antes, não. Contudo, para sua informação... Hermione se chamava Adhara quando nasceu. Pelo menos, era assim que eu a nomeei quando aquela cadelinha ficava chutando as minhas costelas ou enfiava o pé na minha barriga – estava pensativa ao relembrar daquilo. Recordara o dia em que acordou com um pontapé, que revelou um pezinho pequeno com 5 dedinhos minúsculos, fazendo com que abrisse um leve sorriso.
- Eu não entendo, Bella... qual motivo de dar um nome para uma criança que você não queria? – se sentiu confusa com aquela revelação. A irmã não apresentava a menor coerência no que relatava com o que ela tinha presenciado em Hogwarts, quando a gravidez foi revelada e, depois, quando ela retornou após o parto.
- Porquê? Bem, eu não permaneceria chamando de bebê a única criatura que eu conversava! Era ela ou um elfo burro... me deixaram sozinha lá. Ninguém me mandava uma carta, nossos pais me abandonaram completamente, como se eu fosse um estorvo e tudo era uma bosta na minha vida – torceu o lábio para o lado, mordendo firmemente antes de continuar falando:
- Eu me sentia solitária... pensar um nome, me tomava tempo. Inicialmente, pensei em chama-la de Nova ou Cassiopeia. Mas, os nomes apresentaram problemas. Nova Black, me obrigaria a querer ficar com ela... pois, seria a minha pequena estrela anã, sem qualquer importância. Entretanto, a medida em que crescesse, de uma hora para outra, se revelaria como a mais brilhante e fantástica de todas. Se expandiria e tomaria conta de tudo ao seu redor! Já Cassiopeia, você sabe, era a linda mãe de Andrômeda... a menina seria belíssima, inegavelmente, por ser minha filha. Sirius também ia ter sua contribuição na beleza da menina... contudo, eu não queria qualquer ligação com aquela puta que fugiu com um sangue ruim. Por último, decidi que seria Adhara... cheguei a cogitar entrega-la ao pai quando nascesse – os olhos dela brilharam de um jeito que a loira não conseguiu identificar o significado, visto que, a irmã se mantinha extremamente pensativa ao falar desse fato.
- Adhara porque é a segunda estrela da constelação de Canis Major... – Narcisa tentava unir as últimas peças e, por fim, desvendar o mistério.
- Sim... você sabe, tão bem quanto eu, que é a estrela que vem depois da que nomeou o Sirius. Qual o problema? – Bellatrix a questionou contrariada.
- Nenhum... se eu não me desse conta do óbvio perante os nomes. Adhara é a "donzela", Hermione significa "aquela que oculta". Bella, você a odeia, porque ela é a recordação permanente de que se apaixonou pelo Sirius e estava prestes a esquecer o Severus. O pior é pensar que ele amava você e ficou realizado quando soube que teriam um bebê juntos – falou vitoriosa, mesmo notando que a morena a olhava com um semblante de raiva.
- O que houve entre nós, foi meramente físico da minha parte. Nunca amei e nem cheguei a me encantar pelo Sirius, entendeu? Apenas o usei e foi bom enquanto durou. Aliás, utilizei Legilimência nele e, nosso querido primo, está apaixonado por você. Hmmm, deixe me lembrar como ele a definiu no sonho... oh, sim, "uma mulher perigosa, que sabe pôr fogo na cama". Logo, você que casou virgem com o Lucius – gargalhou deixando a loira com o rosto completamente corado.
- Essa descrição parece mais com você... – tentou desconversar.
- Oh, princesinha, você não é mais tão inocente assim! Sabe muito bem que é perigosa, porque se mostra proibida. O excita com esse seu jeito classudo e inatingível. Põe fogo nos lençóis, porque, certamente, minha irmãzinha pura, deve agir como uma verdadeira puta quando está com ele. Logo, imagino que esteja enlouquecido a querendo o tempo inteiro! – continuou gargalhando, dando um leve empurrão na irmã, que continuava tímida ao escutar aquilo.
- Mudando de assunto... se você odiasse o Lucius, Bella, você não estava transando com ele todo esse tempo – falou a primeira coisa que passou pela cabeça para sair daquela conversa desconfortável e a morena sorriu, piscando para ela, antes de retorquir:
- Ossos do ofício, minha cara irmã! Como o Rodolphus não me satisfaz, em absoluto, procuro diversão com os outros... ou ele me divide com o Lorde, algumas vezes.
- Você... com... os dois? – Narcissa arregalou os olhos incrédulas e Bellatrix se ajeitou para ficar bem de frente para ela.
- Sim, algumas vezes. Confesso que foi muito bom – respondeu com um ar totalmente triunfante.
- Ah meu Merlin... o que você não fez, afinal? – perguntou espantada.
- Eu nunca transei com crianças... porque é sujo e doentio. Com adultos, não vejo problemas em vivenciar todos os tipos de atos sexuais – repontou sabendo que aquilo geraria uma discussão, pois, Narcissa jamais a perdoaria pelo o que tentou fazer com Draco.
- Sei, nenhuma criança, exceto, o meu bebê... – esbravejou lhe dando um tapa.
- Olha aqui, ninguém bate em mim, sua louca! Draco não é um bebê, ele estava próximo da idade adulta... faria 16 anos, então, não vi problemas em transar com alguém de quase 1,80cm – deu de ombros, empurrando a loira para trás, a fazendo cair deitada.
- Não viu? Você é a tia dele! Deveria ser a primeira a pensar "nossa, ele só tem 16 anos, é um menininho ainda"! – falou se levantando, rapidamente, para encará-la.
- Cissa, não vamos discutir... ele não é e não era nenhuma criança quando aconteceu. Já foi, esqueça isso! – disse virando o rosto para o lado, segurando às mãos de Narcissa para que ela não tentasse fazer nada estúpido.
- Ah, faça-me o favor! Quando foi a sua filha com o Severus, mesmo ela com 17 anos, você o acusou de pedófilo, na frente do Sirius, e, eles quase se mataram por conta dessa sua frase – estava tão indignada com o desdém que o assunto era tratado, que decidiu jogar aquilo de uma vez por todas.
- O pai dele estuprou a Andrômeda quando ela tinha 15 anos. Quem te garante que a história do Severus com a Hermione não começou muito antes da viagem no tempo? – questionou quase perdendo a paciência.
- Ao que me consta, querida, os dois perderam a virgindade juntos... – argumentou com segurança do que falava. Afinal, o amigo havia lhe relatado isso e ele não mentiria com relação a uma questão tão séria.
- Oh sim, Narcissa... sempre me esqueço da sua inocência e incapacidade de discernir a diferença entre sexo e atos sexuais! O fato de ter um hímen aos 17 anos, não garante que o Severus não tenha enfiado a língua ou os dedos, em algum momento, antes dela ser maior de idade. Se ela é bem minha filha e do Sirius... tenho certeza de que já se masturbava aos 13 anos. Está no sangue! – riu compulsivamente, chegando a derramar lágrimas e sentir pontadas de dor na barriga. Ainda mais, notando que a irmã a olhava com a boca formando um perfeito O, de tão abismada com o que ouvira.
- Isso é repulsivo e eu fico nauseada de pensar que você, mãe dela, a veja assim – estava, verdadeiramente, horrorizada com a capacidade de Bellatrix conseguir ser tão baixa. Mas, antes que pudesse a repreender, ainda teve de escutar outro comentário jocoso com relação ao assunto:
- Cissa, não fique escandalizada! Hermione não é mais criança. Saiba que, se eu a tivesse criado, ficaria orgulhosa ao ser informada que ela foi repreendida por se insinuar ou agarrar o Severus. Apenas comprovaria que herdou de mim o bom gosto para homens bonitos e de voz grossa. Sinceramente, a invejo e estendo esse sentimento a você, pelo fato de que, ambas passaram noites tendo dele tudo o que eu sempre quis.
- Bella... você só pensa nisso! – suspirou entortando o lábio para o canto demonstrando todo o desgosto que sentia.
- No quê? Em sexo? Sim, quase todo o tempo! Outrossim, pretendo ter um filho e você se nega a me ajudar a elaborar um plano perfeito – cruzou os braços como uma criança mimada que descobriu que não ganharia o brinquedo desejado no Natal.
- Ah, cale a boca e vá dormir. Pare de insanidades! – enfatizou cansada se jogando entre os travesseiros.
Não demorou muito para que o dia amanhecesse e as duas fossem acordadas por batidas na porta. Do outro lado, se encontrava Draco ansioso com as malas prontas para ir embora definitivamente dali. Narcissa se levantou da cama, abrindo passagem para que ele entrasse e a ajudasse a terminar de organizar as coisas que ainda faltavam. Era estranho partir, após tantos anos vivendo ali, mas, era a sua liberdade. Bellatrix, auxiliou diminuindo as roupas, livros, álbuns e porta-retratos, para que tudo coubesse em poucas bagagens. De certa forma, se sentia feliz que a irmã estava livre de todo aquele inferno. Era uma nova vida e, por mais que elas brigassem, a morena sentia que a irmã era a única pessoa em quem podia confiar sempre. Surpreendendo a loira, ela a abraçou.
- Boa sorte, princesa dos Black – deu um leve sorriso de lado.
- Obrigada. Eu espero te ver novamente... estrela brilhante – retribuiu o gesto, dando um beijo no rosto da irmã. Algo dizia que, quando se vissem novamente, as coisas não seriam mais tão amistosas quanto naquele instante.
Setembro iniciou preguiçosamente, o ir e vir diário de Lupin dentro da casa se tornara uma constante que marcava os dias e as semanas. Nymphadora ocupava as horas lendo ou arrumando o quarto do bebê que, em pouco tempo, viria. Pelos seus cálculos, no final de outubro, ou no começo de novembro, Teddy nasceria. Sirius brincava dizendo que o bebê chegaria no dia do seu aniversário como uma maneira de homenageá-lo e, a moça de cabelos rosa, sempre respondia que o seu pobre menininho não ia ter a má sorte de nascer num 3 de novembro. O tempo passava leve com aquele convívio familiar... Hermione, graças à intervenção de Narcissa, acabou se aproximando do pai, acostumando-se com a sua presença constante e as suas tentativas de dar conselhos ou colaborar com alguma coisa. Ele estava feliz com a ideia de que em poucos meses, seria avô e pai, que as crianças cresceriam juntas e brincariam livremente. Mantinha a esperança de que tudo se ajeitaria e sempre animava a filha, falando que, logo, a guerra se encerraria. Recebendo sempre em troca um sorriso triste. Afinal, a castanha ficava desanimada com o fato de que Snape encontrava-se em Hogwarts e o contato era apenas pelo Elo... sentia saudades dele e sempre pensava na última vez que se viram, no casamento de Draco e Ginny. Aquele foi um dia feliz.
No começo de outubro, chegaram notícias de Harry, Ronny e Luna, eles já estavam de posse do verdadeiro medalhão de Slytherin e seguiam na busca das demais horcrux para destruí-las. Hermione lia compulsivamente sobre o tema. Estava decidida a ajuda-los de algum jeito, mesmo lembrando do marido lhe dizendo para não tentar nada estúpido... precisava fazer aquilo para se sentir útil. Foi em uma dessas tardes, que o som da voz dele ecoou na sua mente, a castanha sabia que, depois de semanas, ele reabrira o Elo...
- Minha rainha, como está?
- Sentindo a sua falta... quando vem me ver? Tudo bem aí? Os bebês já estão chutando, eu queria tanto que você experimentasse isso ao meu lado, nem que fosse uma única vez – Snape sentiu o seu coração apertar com a voz chorosa dela. Também doía a distância e a ausência, no entanto, aquele esforço era necessário para que a sua amada ficasse bem.
- Eu... Hermis, também tenho saudades, o tempo todo! Eu vou tentar fugir daqui, por algumas horas, daqui dois dias... irei te ver, te amar e adorar cada segundo. Então, vou dizer aos monstrinhos para não ficarem encrencando dentro da sua barriga – Hermione sentiu o riso dele, envolto a uma sensação de tristeza.
- Eles não estão arrumando confusão... devem estar brincando. Aliás, já pedi que não chame dois lindos bebês de monstrinhos, seu bobo.
- São nossos filhos, dois arruaceiros que puxaram a mãe... uma anarquista.
- Sevie...
- Diga, pequena.
- Eu tenho uma pergunta.
- O inferno seria uma geleira se não tivesse.
- Chato!
- Menina tola, fale logo...
- Você já usou Legilimência em mim?
- De certa forma, eu o faço neste exato momento...
- Não... quando nos vemos. Já utilizou?
- Depois que você me beijou, fiz isso algumas vezes... com o convívio e a recuperação das minhas memórias, passei a não precisar mais. Eu sei o que pensa apenas pelos seus gestos. Se quer que eu te beije, inclina um pouco o queixo para a direita. No instante em que fica nervosa ou tenta esconder algo, gira o cabelo e torce o seu lábio para a esquerda. Já se está se sentindo confusa, morde o centro do lábio. Querendo me seduzir, o morde no canto direito e depois lambe o lábio superior lentamente. Se está irritada, estreita os olhos. Envergonhada, suas bochechas ficam rosadas, contudo, ao ficar zangada, ficam vermelhas e o canto dos seus olhos formam pequeníssimas rugas de raiva. Quando você quer me mostrar que está segura, endireita as costas e estufa o peito, como um pássaro pensando em alçar voo. Tentando lutar para não chorar e demonstrar fraqueza, seu nariz se contrai um pouco e você o entorta para a esquerda. Se está flertando, descaradamente comigo, seus olhos passam do castanho para algo próximo ao âmbar. O que significa que, você, é quase uma enciclopédia interessantíssima de vários volumes.
- Droga!
- Só pela sua frase, imagino que, agora as suas bochechas estão indo do rosa para o vermelho... se eu estivesse aí, pediria para que inclinasse o queixo para me dar o sinal de que posso amar você – ao ouvir isso, Hermione sorriu, e, Snape viu que ela se imaginava deslizando as mãos pelo seu pescoço. Seus dedos enlaçando aquele cabelo castanho selvagem, a guiando para um beijo. Os dois, simultaneamente, fecharam os olhos segurando as lágrimas de solidão, enquanto o beijo imaginado, ia do lento ao intenso com a passagem da língua para aprofundar ainda mais o contato.
- Eu sou boa nisso?
- No que?
- Vidinha... estou perguntando se eu sei flertar com você?
- Se não fosse, não teria me seduzido, sua conquistadora barata – percebendo que ela ficara em silêncio, decidiu continuar falando:
- Ora, você é perfeita flertando comigo. É maravilhosa na arte de me enfeitiçar... enfim, você é uma mulher impossível! – riu com a inocência dela. Jamais compreenderia como Hermione não se dava conta do quão sensual era.
- Eu nunca sei se demonstro para você que gostaria de te dar tudo o que me pedisse...
- Hermione, jamais diga ou prometa isso a um homem. Mesmo que seja eu... principalmente, porque eu quero tudo de você e a desejo de todos os modos.
- Não lembrava de você sendo tão possessivo assim...
- Eu sou ciumento, sim. Anseio estar ao seu lado, quando estiver parindo os meus dois bruxinhos. Espero segurá-los nos braços e sentir que, finalmente, eu te dei provas do quanto eu amo você. Por mais inadequado que pareça... quero ter o que todos receberam. Desejo uma família que seja minha!
- Eu também sou e me ressinto quando sei que está próximo a outra mulher... fico insegura. Entendo que, agora, você queira tudo, meu príncipe! Negou isso a si mesmo por 20 anos ou até mais. Acha que não é certo, porque sempre se convenceu de que não merecia e, ao perceber que estava errado, sente inveja daqueles que possuem.
- De fato... linda flor de alcachofra, você não imagina o quanto eu gostaria de sair de mãos dadas com você em todos os lugares. Sonho em te abraçar o tempo todo, beijar e amar você a cada segundo... eu não sei viver sem te ter, sem poder te amar. Necessito da certeza de que posso tocar o seu lindo rosto e receber em troca os seus sorrisos.
- Amor, você é doce, quando quer... eu espero realizar todas as tuas ilusões, como faz com as minhas. Não negue mais nada a si mesmo. Também quero tudo de você! Me ame loucamente e faça tudo por mim...
- Eu ainda vou girar o mundo ao contrário e quebrar toda a ordem das coisas... você vai ver.
- Antes de nos despedirmos, amor meu, tenho que te dizer uma coisa. Não fique lendo Segredos das artes mais tenebrosas... é perigoso e eu estou vendo na sua mente brilhante que anda pesquisando coisas ali.
- Me responda, porque você tem um livro horroroso como este?
- Sei que jamais estará convencida... mas, eu sou um bruxo das trevas.
- Eu discordo! Você é um homem inteligente, um bruxo fantástico, que tem conhecimento a respeito desta área da magia – sua voz soava na mente dele com um tom de reprovação.
- Se você diz...
- Ora, você é uma boa pessoa! Se fosse tão mau, quanto sempre tenta me convencer, seria incapaz de amar outra pessoa ou cuidar de alguém com tanto zelo.
- Vou me dar por vencido, senão, a minha doce rainha não me deixará em paz... entretanto, considere isso apenas um tempo diante das suas imperiosas falhas argumentativas.
- Não há nenhuma brecha nas minhas ponderações.
- Eu te amo, mulher teimosa e impossível.
- Eu amo você, homem difícil e turrão. Severus?
- Sim...
- Não demore a vir...
- Eu logo estarei aí, prometo!
Como prometido, Snape foi vê-la no final de semana. Aparatou no jardim da casa onde Nymphadora e Lupin moravam, aproveitando para conhecer o sobrinho recém-nascido e matar a saudades que sentia de Hermione. Como se os dias estivessem, misteriosamente, querendo colaborar com os dois, o tempo passou devagar para que pudessem ficar o máximo possível juntos e ele curtir um pouco a gravidez dela. Os olhos do bruxo davam a impressão de se descortinar, como se abrissem grandes janelas, quando sentiu os dois bebês se movimentando e chutando a barriga da castanha.
- Eles gostam da sua voz, vidinha! Sabem que você é o pai deles e estão felizes ao constatarem está perto – sorriu abertamente com um olhar sonhador. Não houve dia em que ela não conversou com os seus bebês e falou a respeito do quanto Snape era maravilhoso e que os amava infinitamente.
- Será? Parece que estão desgostosos com a minha presença – comentou coçando um pouco a cabeça com um ar de dúvida.
- Ora, eles são seus filhos! Tenho certeza de que são bem diferentes no modo de expressar sentimentos. Embora, comigo, você verbalize o que quer e o que pensa... com as demais pessoas, Sevie, sempre se mostra ríspido e fechado – concluiu dando um longo beijo no rosto dele, que ainda se mostrava contrariado.
- Continue falando, vai ver que, daqui a pouco, eles ficam quietos prestando atenção – riu e piscou para Snape, que apenas a olhou erguendo a sobrancelha.
- Sei... vou pedir que eles me façam um relatório sobre o mau comportamento da mãe – foi a vez do bruxo rir, vendo que ela lhe mostrava a língua.
- Hermis? – a chamou segurando o rosto dela com carinho para que o olhasse e prestasse atenção ao que ouviria.
- O que houve? – questionou.
- Eu ando com a sensação de que algo ruim vai acontecer logo. Então, pequena, eu te peço para não sair daqui em hipótese alguma... e, não esqueça, jamais, o quanto eu amo você! – disse pensativo, mantendo o olhar fixo nela.
- Sei que quer ver os seus amigos e a sua irmã. Mas, por favor, não vá procura- los. Eles estão bem, acredite – prosseguiu cada vez mais soturno pelos pensamentos que lhe rondavam a mente.
- Tudo bem. Só que, eu sinto a falta deles... – antes que Hermione concluísse, ele a interrompeu com um beijo.
- Se eu te perder, nunca vou me perdoar... você é tudo na minha vida – disse ao acariciar o rosto dela, que o olhava sem compreender muito bem o motivo daquelas palavras.
Eles conversaram a respeito de outros assuntos, implicaram um com o outro e namoraram como se estivessem lutando contra os segundos, para permanecerem o máximo possível daquele jeito. Se amavam e isso bastava. Quando amanheceu aquela segunda-feira, foi difícil aos dois ter de passar por mais uma separação, contudo, a castanha se enchia de esperanças que era por pouco tempo. Logo o veria novamente e, quanto a guerra terminasse, seriam felizes juntos.
O tempo foi passando depressa, chegando próximo ao final de outubro... Hermione estava cada vez mais inquieta com as notícias que recebia. Estava temerosa que algo ruim ocorreria a qualquer momento com alguém próximo e se sentia inútil por não fazer nada. Por várias vezes, ela e Snape acabaram discutindo pelo Elo por conta da sua obstinação em querer ajudar e, foi por isso que, a castanha arrumou algumas mudas de roupa e decidiu ir atrás de Harry e Luna. Depois de algum tempo os procurando, viu o amigo seguindo uma luz prateada. Pela distância, sabia que era um Patrono, entretanto, não conseguia identificar de quem era. Como não via o bruxo de olhos verdes retornar do lago, onde pulara, decidiu se jogar atrás dele. O retirando de lá junto a espada de Gryffindor. Harry a incentivou a destruir a horcrux, dada a sua prova de coragem e, após a castanha ter sido torturada por imagens de Snape dizendo que não a amava, que preferia Lillian e, depois, morto... conseguiu acabar com mais uma das partes da alma de Voldemort. Chegando com o amigo ao acampamento, viu que Ronny os abandonara e eles não tinham qualquer notícia de onde se encontrava e foi assim que o Dia das Bruxas chegou... Por mais que corressem, os sequestradores eram mais rápidos, por conta de que Hermione não podia ser muito veloz pelo peso da sua barriga e, obviamente, Harry e Luna a acompanhavam para que não ficasse para trás. Quando foram pegos, mentiram as identidades, mas o bruxo foi reconhecido por conta da cicatriz e os três foram levados para a mansão Malfoy.
Draco ao ver os três, ficou assustado e, imediatamente, chamou Monstro para que este fosse atrás de Sirius e Snape. Antes que o elfo fosse embora, ainda ressaltou que trouxesse Dobby ou outro que ajudasse na fuga. Mesmo agindo rápido, foi chamado para descer e reconhecer o seu ex-colega para que o Lorde das Trevas fosse chamado e os Malfoy voltassem às suas graças. O loiro desconversou o máximo que pode, se disse incapaz de reconhecer, sentindo a pressão colocada por Bellatrix e Lucius que queriam que falasse de uma vez. Na verdade, estava tentando ganhar tempo... um tempo bastante precioso, que seria fundamental para tira-los dali. Entretanto, a tia ao ver a espada de Gryffindor na mão de um dos sequestradores, parecia ter saído de si. Atacou os homens e ordenou que Rabicho levasse Harry e Luna para às masmorras da casa, ao mesmo tempo, em que ela mantinha Hermione junto de si, a segurando com força.
Na cela, eles encontraram Ronny e o senhor Olivanders. Antes que conseguissem trocar algumas palavras, ouviram os gritos de Hermione na sala... ela estava sendo torturada com Cruciatus. A bruxa de cabelos pretos a acusava de ter sido a responsável pelo roubo, berrava que tudo era culpa unicamente dela, exclamava que a detestava desde o dia em que nasceu. A menina implorava para que parasse, chorava de dor, tentando proteger os seus bebês para que não sofressem, jurava que não era sua culpa... nada adiantava. Enquanto Monstro fugia com os prisioneiros; no andar de cima, Sirius e Snape travavam uma batalha contra a Bella e Malfoy. Dobby desaparafusou o lustre, deixando que caísse em cima deles... infelizmente, não obteve êxito e acabou morto na fuga.
Ao aparatar com Hermione nos braços, Snape sentiu como se uma água quente e pegajosa o molhasse da cintura para baixo. Quando se deu conta, viu que ela estava sangrando e se desesperou achando que poderia ter estrunchado. Apavorado com o que via, entrou correndo com a castanha na casa, gritando para que alguém o ajudasse. Vendo-o naquele estado e o olhar perplexo de Sirius olhando para a filha, o cenário ficou ainda mais trágico... ela estava parindo os bebês antes do tempo e, pela quantidade de sangue, certamente, era sinal claro de hemorragia. Levaram-na para o andar de cima e Snape subiu as escadas desesperado... estava fora de si. Mais uma vez, sentia tudo era sua culpa! Devia ter jogado tudo para o alto e ficado todos aqueles meses ao lado da sua amada, fugir para um lugar distante e viverem como trouxas. Ao contrário disso, seguiu cumprindo o seu papel de agente duplo a deixando sozinha. Não conseguia suportar a ideia de que a perderia novamente... pensava que se acontecesse algo com ela, jamais se perdoaria. Já decidira que entregaria os filhos para Narcissa e Sirius, sabia que os dois os protegeriam com a própria vida, caso fosse necessário. Era corajoso, mas, não para enfrentar o olhar de duas crianças que perderam a mãe por sua culpa... muito menos, era forte, para viver em um mundo onde Hermione não existisse mais.
Como estava sujo, Lupin o convenceu a tomar banho antes de tentar entrar no quarto. Assim, ele fez o mais rápido que pode e se recompôs o suficiente para correr para onde ela estava. Quase caiu no corredor por se sentir fraco pelos dias sem dormir e que se alimentou mal ou foi torturado... de algum modo, entrou e ficou ao lado dela, segurando firmemente a sua mão. A sua linda bruxa estava pálida e gelada, seu coração batia fraco...
- Hermione, não faça isso comigo, por favor! – sussurrava no ouvido dela. Desesperado, abriu o Elo para que a castanha visse todas as lembranças que ele tinha com ela. Queria que percebesse o quanto era amada, que era a única e sempre foi por ela que o seu coração bateu descompassado e feliz.
- Hermione, lute... você é a mulher mais forte que eu já conheci. Muito mais do que eu penso ou imagino ser... amo o seu cheiro, o seu sorrido, seu cabelo, sua capacidade de ser teimosa e irritante. Cada batida do meu coração é porque você existe. Você é inteligente, linda e perfeita. Me perdoe por tudo o que eu já disse e fiz para te machucar de alguma maneira – ele, agora a apertava contra si, ignorando o choro dos próprios filhos. Os dois eram muito pequenos para entenderem o que estava acontecendo, mas sabiam que tinha algo errado. Snape compreendia tudo, cada detalhe a sua volta, ao ver que parara de respirar.
- Hermione! Hermione... não, não... eu preciso tanto de você! - ele a sacudia sem saber o que fazer, como não ouviu nenhuma resposta dela e as mulheres tentavam fazê-lo soltá-la, saiu de dentro de si um grito que expressava a sua dor tão profunda. Ele foi arrastado por Lupin e Sirius para fora do quarto, se debatendo queria ficar com Hermione... queria morrer de tristeza abraçado a ela. Como os dois homens não estavam conseguindo dar conta, os meninos foram em auxílio para retirá-lo dali.
- Black... me mate! Eu sou um desgraçado que acabou com a vida dela... eu matei o amor da minha vida! - agarrava o homem pela gola do casaco e era completamente ignorado. O bruxo de cabelos castanhos estava vendo diante de si tudo o que amigo havia dito que aconteceria várias vezes... Snape estava a ponto de enlouquecer sucumbindo à dor. Não conseguia argumentar mais nada, a angústia era tão forte que o fez cair de joelhos e vomitar um líquido negro que lhe queimava a garganta.
- Severus... se controle, ela vai resistir... só está fraca a respiração - falava Lupin tentando manter a calma e a esperança de que só havia sido uma parada respiratória. Foi assim que o levaram até a cozinha, onde, mais uma vez, ele segurou Sirius e implorou pela morte. Estava completamente perdido e desorientado a ponto de se ajoelhar na frente de alguém que o humilhara tantas vezes.
- Eu não vou matar você, Ranhoso... e cuidarei para que você viva por anos, pois quero que conviva com a culpa diariamente, que jamais esqueça que você foi o único culpado pela morte dela. Agora me solte! - disse dando um empurrão e saindo dali, pois sabia que acabaria agredindo Snape a qualquer momento.
A notícia não demorou a chegar... de fato, Hermione morreu por conta da hemorragia causada pela tortura. As crianças receberam o nome de Gaia e Marte, como tantas vezes, eles comentaram que os chamariam. Dois dias depois, o bruxo de cabelos pretos, sentou com Narcissa e falou que estava indo embora. Pediu que ela ficasse com as crianças e que, se pudesse, contasse a eles o quanto foram amados e desejados. A loira tentou argumentar que não o fizesse e recebeu como resposta que não suportava a ausência do único amor que teve durante a sua vida inteira. Se sentia enjoado, tonto, sufocado... como se estivesse a ponto de morrer a qualquer instante. Precisava partir para sempre. Ela o segurou pelo braço e lhe contou a respeito de algo que existia na mansão Malfoy e que poderia auxiliá-lo a não chegar ao extremo de cometer o suicídio. Snape a ouviu e foi...
Severus Snape entrou na casa, passando por cada um dos corredores mecanicamente, como infinitas vezes fizera. Ao encontrar Bellatrix no corredor, lançou um Avada Kedavra que a acertou no peito. Sentia que era seu direito fazer isso, depois que dela ter lhe roubado tudo. Ao vê-la morta, percebeu que fechara um ciclo... entrando na biblioteca se deparou com Voldemort, sentado na poltrona que se localizava atrás da mesa, o observando atentamente. Depois de uma rápida discussão, eles fizeram uma troca... tudo por Hermione, sempre e unicamente por ela. Foi assim que ele segurou com firmeza o Vira-tempo de ouro entre os dedos e girou... mesmo sabendo que, com aquele gesto, poderia estar arruinando o tempo e mudando completamente toda a história que vivera.
