A Culpa
~*S2*~
Naruto e seus personagens não me pertencem.
~*S2*~
Transcrição/tradução da telenovela Corazón Salvaje de 93, que é uma adaptação do romance da escritora Caridad Bravo Adams.
~*S2*~
Fanfic dedicada a Pinkuiro que me convenceu a transcrever essa maravilhosa novela. 3
~*S2*~
Retornando com a esposa a sua elegante propriedade em São Pedro, Naruto encontrou a mãe e Kabuto na sala, ansiosos em saber como tinha sido sua visita à casa dos Uchiha.
O mordomo da residência - único empregado naquela casa -, acabara de depositar sobre o aparador um bule fumegante, xícaras de porcelana e demais utensílios para o preparo do chá, junto com os biscoitos favoritos da viúva. Kushina, aproveitando a oportunidade de deixar a incapacidade da nora em evidência, deixou Sakura tomar as honras de anfitriã da casa. A jovem retorceu os lábios e andou até o pequeno móvel enquanto os demais se acomodavam para ouvir Naruto.
— Hinata me recebeu bem, como sempre meio tímida e nervosa — contou, acrescentando desanimado. — Sasuke, em contrario, foi bastante seco.
Observando cada movimento da mulher de seu filho, Kushina estreitou os olhos ao notar um miúdo sorriso adornar os lábios rosados.
— Por quê? — quis saber Kabuto Yakushi, negando com um gesto de mão o oferecimento de Sakura.
— Evidentemente porque não lhe agradou me ver ali — respondeu ainda intrigado com o comportamento hostil. Pensara que após ser padrinho de casamento de Sasuke a amizade renasceria. No entanto, naquela manhã ficará claro que o Uchiha não o queria por perto. — Também com ela o vi austero.
Recordando o olhar desconfiado e agressivo de Sasuke para Hinata, a incompreensão voltou a importunar os pensamentos de Naruto. Por um instante pensara que Sasuke estava com ciúmes dele. O que não fazia sentido, visto que, por amor ao Uchiha, Hinata passara por cima dos valores da alta sociedade, sujeitando-se a ser alvo de falatórios e desaprovação de seus pares. Talvez o antigo noivado incomodasse Sasuke, mesmo tudo não ter passado de um grande engano.
Diante de informações tão preciosas, o coração de Sakura bateu extasiada, a sensatez desaparecendo junto com a máscara de desinteresse que sustentava com muito custo.
— Então não deram a impressão de recém-casados felizes? — perguntou tirando o marido de seus conflituosos pensamentos.
— Não.
Indignada com o descaramento de Sakura, Kushina lançou um olhar irado a jovem que lhe servia uma xícara de chá tão fumegante quando o indisfarçável desprezo que emanava dos olhos de ambas ao se encararem.
— Falou com Kurenai sobre meu pedido? — Kushina questionou o filho desviando os olhos furiosos da perdida, que agora preparava a xícara de Naruto, somente ao proferir a última palavra.
Com um suspiro frustrado, por notar que sua mulher e sua mãe continuavam a travar uma guerra silenciosa, Naruto respondeu:
— Sim. Ela disse que não será nenhum incomodo passar para vê-la amanhã.
— E a que pensa dedicar-se o Uchiha? — perguntou Kabuto, relaxando na confortável poltrona situada no ângulo certo para visualizar as mínimas expressões das senhoras da casa.
— Ao comércio.
— Legal ou ilegal?
— Espero que legal! — Com dureza, em parte por perceber os olhares desdenhosos entre sua esposa e sua mãe, o Uzumaki destacou: — Está casado com uma mulher distinta, tem responsabilidades com ela e deve respeitar o sobrenome da família a qual se uniu em matrimônio.
Tão consciente quanto Naruto do clima pesado entre as senhoras Uzumaki, e ainda com as palavras de Gaara dispostas como peças de xadrez em sua mente, Kabuto moveu uma rumo a sua eminente vitória.
— E até quando pretendem ficar em São Pedro?
— Regressaremos amanhã — notificou agradecendo a esposa por lhe entregar o chá, seus olhos azuis capturados pelo encantador e discreto sorriso dela e alheios a sombra sobre o semblante de sua mãe. Porém, Kabuto percebera e mais algumas peças se moveram com precisão.
— Volte você se quiser! — apressou-se a dizer a viúva, lançando um olhar afiado a nora. — Ficarei. Não é conveniente Sakura ficar sozinha.
Sakura a fitou com as sobrancelhas arqueadas e os lábios crispados. As dobras dos dedos esbranquiçadas devido à força que as mãos exerciam sobre a asa do bule de chá.
— Se é por mim, não se incomodem — Kabuto jogou, divertindo-se com a batalha entre as mulheres —, amanhã me mudarei para um hotel.
— Não é por isso — negou Kushina com doçura. Doce que sumiu ao se dirigir a nora: — E sim porque uma senhora sempre deve ter uma companhia adequada ao lado.
Terminando de preparar a própria bebida, Sakura sorriu, adotando o mesmo tom e modos da sogra ao revidar:
— Kin, a criada de minha mãe, pode ficar comigo.
— Quando digo companhia adequada não me refiro a uma empregada — retrucou seca.
— Minha mãe está certa Sakura — posicionou-se Naruto, causando o agrado de Kushina e a cólera da esposa. — Não fica bem que fique sozinha aqui.
— Meus pais podem me receber em sua casa — declarou sentando-se de frente para o marido e a bruxa de sua sogra. Seus lábios se distenderam em um arco aberto evidenciando os brilhantes dentes perfeitos. — Ou posso ficar na casa de Hinata.
— De nenhuma maneira! — Kushina vociferou entredentes, os flamejantes olhos azul petróleo encontrando os desafiantes esverdeados da rósea.
— É uma boa solução — Sakura insistiu belicosa.
— Melhor não! — Naruto pronunciou-se, suas palavras aliviando Kushina e causando um momentâneo retorcer de lábios da rósea. Porém, logo a expressão de Sakura suavizou-se e com doçura retrucou:
— Está certo, meu amor. Por um instante esqueci que são recém-casados. Acabaria por importuna-los com minha presença — proferiu com forçada tristeza, antes de mover os desafiadores olhos verdes para a sogra, a encara-la como se planejasse esgana-la a qualquer momento. — De verdade, não vejo qual é o problema de ficar aqui sozinha. Conheço muitas senhoras que estiveram durante anos em igual situação.
A indelicadeza de Sakura com sua mãe, e a palpável aversão de Kushina para com a rósea constrangiam Naruto que, cansado da nova rodada de insultos velados entre as mulheres de sua vida, levantou-se.
— Tenho assuntos para resolver no escritório — anunciou necessitando de um tempo longe de ambas. — Acompanha-me Kabuto?
— Claro — Kabuto respondeu, mesmo preferindo acompanhar a interessante e significativa batalha das senhoras. — Licença!
Enquanto os homens se distanciavam, o silêncio pesou no recinto sendo quebrado apenas pelo tilintar das colheres de prata batendo nas laterais de porcelana. Sakura não tirava os olhos da sogra, que a observava com o mesmo desgosto que reluzia nas íris esverdeadas.
Por fim, certa que não seriam ouvidas, Sakura pousou sua xícara na mesinha de centro, ajeitou o colo da saia rosada de seu vestido e encarou Kushina com determinação.
— Porque quer falar com minha mãe?
— Para dizer a classe de filha que tem! — foi à resposta rude da viúva.
— Você tem uma péssima opinião de mim, sogra — Sakura lamentou com voz embargada. — Sei que cometi erros, mas estou arrependida e amo seu filho.
— Hipócrita, sem vergonha! — Urrou a ruiva, o corpo ser impulsionado até a nora pela mais pura e nociva fúria. — Quer convencer a mim que te conheço como a palma de minha mão?
— Bem... O que faremos então, amada sogra? — afrontou a rósea.
— Você não fará absolutamente nada — respondeu Kushina segurando o ímpeto de apagar a soberba de sua nora com os tapas que Kurenai poupara. — E isso de ficar aqui sozinha, esqueça — determinou seguindo em direção ao seu quarto.
Era perda de tempo discutir. Sakura era teimosa, desobediente e, acima de tudo, uma descarada sem honra nenhuma. Pegaria sua bolsa, avisaria Naruto que sairia e seguiria imediatamente a casa de Kurenai. Tinha a esperança que se os Hyuuga negassem amparo a Sakura, seu filho não tivesse outra escolha além de retornar com a esposa a Campo Real, de onde jamais deveriam sair enquanto Sasuke Uchiha e sua ardilosa nora vivessem.
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Em seu escritório, atormentado por ficar entre sua mulher e sua mãe, sem saber ao certo que atitude tomar com ambas, Naruto mergulhou os dedos nos fios loiros bagunçando-os.
— Essa situação está cada dia mais desagradável.
Kabuto observou o amigo sentado do outro lado da escrivaninha de madeira escura, reparando na tensão do jovem fazendeiro, antes de comentar com calculada indiferença.
— As relações entre sogras e noras sempre são difíceis.
— Não se trata de relação difícil — Com um respiro profundo declarou com tristeza: — Elas se odeiam.
Kabuto ajeitou os óculos com os dedos, formulando com fala tranquila:
— Como crê que surgiu isso?
— Sakura diz que é porque minha mãe preferia que eu tivesse casado com Hinata. Minha mãe diz que ela não cumpre com suas obrigações, que é voluntariosa e que eu sou demasiado manso — respondeu com amargor, causado por, em parte, concordar com a mãe.
Mas de uma vez, por amor, se colocara ao lado da esposa mesmo considerando que a matriarca tinha razão. Sakura possuía cada um dos defeitos tantas vezes pontuados por Kushina, mas disso ele sabia antes de se casarem. Seria desleal cobra-la agora e exigir que fosse diferente. Fazer isso a magoaria, visto que já se ressentia por Kushina ressaltar suas faltas e compara-la com Hinata.
— E como começou essa situação? — Kabuto quis saber, inclinando-se em direção ao fazendeiro.
Não pela primeira vez, Naruto pensou profundamente no assunto, chegando à mesma resposta.
— Antes de nos casarmos se davam bem. Minha mãe parecia contente, preparou com entusiasmo todos os preparativos da boda.
Kabuto balançou a cabeça, sem conseguir esconder o crescente interesse.
— Então começou depois de casados? — Com a confirmação de Naruto, não resistiu a sondar com certa malícia nas palavras. — Crê que o sucedido com Sasuke teve algo a ver?
— Se refere ao que ocorreu com Hinata? — A estranheza de Naruto aumentou quando Kabuto assentiu. — Que importância teria isso no relacionamento delas?
— Sakura nunca aceitou que Hinata se rebaixasse ao casar com Sasuke — comentou levando o Uzumaki a pensar rapidamente sobre o assunto.
— Sim, mas porque isso chatearia minha mãe e a faria odiar Sakura?
— É só uma especulação. — Sorrindo, Kabuto voltou a se ajeitar na poltrona, guardando para si o motivo da pergunta e a real resposta.
Com os ombros pesando como se toneladas tivessem sido jogadas sobre eles, Naruto afundou-se em sua poltrona de couro marrom.
— Enfim, é uma situação desagradável e difícil para mim.
Kabuto abriu a boca para continuar a juntar informação quando Naruto se ajeitou com os olhos azulados fixos na porta, situada poucos passos atrás da poltrona que o Yakushi ocupava. Rápido, ergue-se e se virou a tempo de presenciar uma ansiosa Kushina entrar no recinto.
— Naruto, visitarei Kurenai e não me tardo.
— Ela virá mais tarde — Naruto comentou estranhando o comportamento atípico.
— Creio que ficar tanto tempo trancada não me fará bem, só passarei alguns minutos fora, não se preocupe. Com licença! — Sem esperar qualquer contestação, despediu-se retornando por onde entrara.
Pressentindo que uma grande oportunidade abria-se a sua frente, Kabuto voltou-se para Naruto.
— Também sairei — anunciou e sorriu diante da confusão estampada no rosto do Uzumaki. — Creio que é uma boa oportunidade que fale, a sós, com sua mulher — recomendou batendo de leve no ombro do outro, recebendo um olhar vazio. — Vemo-nos mais tarde.
Sozinho, o fazendeiro passou alguns instantes digerindo tudo que se passara nos últimos meses, em especial a recente conversa, antes de, ainda mais cansado e aturdido, retornar a sala.
Encontrou a esposa sentada no mesmo lugar, tão quieta e pensativa como nunca a vira antes. Aproximou-se hesitante, com passos tão leves e silenciosos que causou um pequeno sobressalto nela ao acercar-se.
— Te assustei?
— Não. Estava pensando. — Sustentando na face sua melhor expressão de dor e sofrimento, com direito a pequenas gotas úmidas nos cantos dos olhos, lamentou: — Me dá muita pena que sua mãe não me queira.
Recordando a forma descortês de Sakura durante o chá, dessa vez Naruto ignorou as palavras chorosas.
— No entanto não faz nada para ganhar seu afeto.
— Deseja que me converta em sua criada? — zombou áspera fazendo uma ruga de dureza se formar na testa do marido.
— Podia ser mais respeitosa.
— E ela me respeita? — Sakura revidou fazendo-o respirar fundo. — Não notou a desconfiança que ela tem de mim?
— Desconfiança? — Naruto a fitou com atenção — Por qual motivo ela desconfiaria de você?
Dando-se conta que sua imprudência podia alerta-lo, justificou:
— Como vou saber! Estou nervosa por não agrada-la — Calculadamente, levantou-se e deslizou as mãos delicadamente sobre o peito masculino, seus lábios se abrindo em um doce e convidativo sorriso. — Porque não saímos para caminhar? Preciso de um tempo tranquilo e agradável ao seu lado, meu amor.
— Está bem — Naruto concordou, também necessitando de um tempo longe das discussões intermináveis que o cercava nos últimos dias.
— Me arrumarei e já volto — Sakura ergueu-se nas pontas dos pés e deu um beijo rápido no marido antes de seguir para seu quarto.
Não percebeu que, diferente das outras vezes que usara seus encantos, Naruto continuava com o semblante perturbado.
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Anos no serviço militar trouxeram vantagens para Kabuto, uma delas eram as rotinas de treinamentos e de preparação mental e corporal. Seus olhos não perdiam o alvo, Kushina Uzumaki, indiferentes a distância imposta para não ser notado. Seu corpo pronto para escalar os muros dos fundos da propriedade Hyuuga. O raciocínio estratégico eficiente ao se ocultar do jardineiro, único funcionário no exterior da casa Hyuuga, caminhando em direção as varandas sem ser notado, até conseguir encontrar uma aberta no segundo piso. Dentro do quarto, moveu-se rápido e silencioso para fora, seguindo para as escadas.
Pelo habitual do horário, poucos minutos após o almoço, todos estariam no térreo. Kin, única criada no interior da residência, cuidando dos afazeres na cozinha ou na sala de jantar. Kurenai, provavelmente na sala principal tomando chá ou executando os serviços banais das senhoras. O patriarca Hyuuga estaria de volta ao trabalho, sendo menos um obstáculo em seu caminho, e, supunha, no de Kushina.
Lentamente aproximou-se da escada, escondendo-se atrás de uma viga ao ouvir vozes femininas vindas da sala logo abaixo. Para sua alegria chegará ali ao mesmo tempo em que Kushina entrava na casa.
— Prima, a que devo sua visita?
— Tem alguém em casa?
— Não, Kin foi ao mercado, por quê?
— Temos que conversar a sós.
Kabuto inclinou o corpo, o suficiente para ver as duas mulheres ao lado dos sofás, ambas permaneciam em pé. Infelizmente, sua posição só permitia visualizar o topo da cabeça das senhoras, mas, pelo tom da conversa, não era difícil imaginar suas expressões.
— O que aconteceu? — perguntou Kurenai.
— Aconteceu que já não suporto sua filha — a ruiva esbravejou. — E se você não lhe colocar limites estourarei.
— O que aconteceu?
— Me insulta e desrespeita descaradamente — cuspiu com rancor. — Não imagina o trabalho que tenho para aguenta-la.
— Não entendo o que passa com Sakura. Penso que perdeu o juízo — lamentou Kurenai, seu corpo bambeando levemente e buscando apoiou no encosto do sofá.
— Não se pode perder o que nunca se teve — Kushina retrucou. — Sua filha não tem nem juízo e nem decência. Como pode me fazer isso Kurenai, porque não me disse?
— Cometi um erro e não sabe o quanto me arrependo.
— Se arrepende e nem teve que pagar nada. Mas eu sim. Tem ideia do quando sofri ao ter que abaixar a cabeça ante esse abusado? Como sofro ao ter que aceitar aquele... ladrão em nossa família? — vociferou ameaçadora. — E tudo por nada! A sem vergonha insiste, por isso quer viver aqui, para voltar a ser amante desse infeliz bastardo!
— Sasuke a esqueceu, agora quer Hinata — Kurenai garantiu com voz trêmula.
— Supondo que seja verdade, pensa que recusará quando Sakura se oferecer?
De seu esconderijo, o intruso sorriu satisfeito seguindo de volta pelo caminho que entrara. Descobrira um precioso segredo e o usaria em seu benefício em breve.
Orgulhoso de sua descoberta não foi tão precavido ao sair, e, após pular o murro e chegar ao fim da estrada lateral que levava a rua em sua fortuita fuga quase colidiu com Kakashi Hatake.
— Boa tarde! — cumprimentou o advogado fitando-o com estranheza. — Visitava os Hyuuga?
— Não, não... — negou se afastando sem dar tempo ao licenciado de fazer novos questionamentos. — Com licença! Foi um prazer revê-lo.
Intrigado, Kakashi intercalou o olhar das costas do apressado Yakushi para a construção de pedra, desviando de seu caminho original ao marchar determinado em direção à casa dos Hyuuga.
Bateu diversas vezes e estava a ponto de desistir quando Kurenai abriu a porta com os olhos úmidos e a face vermelha.
— Boa tarde, dona Kurenai! O que aconteceu?
— Nada... tenho visita... — ela respondeu em um fio de voz.
— Uma visita que te deixa nessas condições? — Preocupado, apressou-se até a sala para enfrentar quem quer que a estivesse importunando, estacando surpreso ao encontrar a altiva Kushina Uzumaki em pé fitando-o com raiva. — Como está dona Kushina?
— Como pode perceber sua visita é inoportuna. — Com os olhos incendiados de cólera ordenou: — Faça o favor de retirar-se.
— Kushina, por favor! — Kurenai implorou chocada com a indelicadeza da prima. Mas o efeito foi o destempero da outra.
— Estamos falando de algo pessoal e muito importante!
— Que evidentemente está afetando dona Kurenai — Kakashi comentou contrariado com a atitude imperiosa da viúva.
— Está se metendo no que não te interessa.
— Kushina, por favor! — Kurenai se pôs entre os dois para evitar o alongamento da discussão, contando para o horror da ruiva: — Don Kakashi sabe de tudo.
— Atreveu-se a contar para ele?
— Ele já sabia...
— Do que se trata? — Kakashi questionou preocupado com a agonia que tomava as feições da Hyuuga.
— De Sakura e Sasuke — Kurenai disse, contando lamentosa: — Sakura quer regressar a viver aqui e Kushina tem medo...
— Não é medo — Kushina cortou enojada. — Estou segura que aquela rameira...
— Modere-se dona Kushina! — Kakashi ordenou enfrentando-a. — Entendo seu desgosto e preocupação, mas não é justo que culpe Kurenai. A única culpada é Sakura.
— Sakura é filha dela — esbravejou indignada — E ela e Hinata sabiam o tempo todo a mulher fácil que Sakura é.
— Sempre acreditei que se tratava de fofoca mal intencionada —justificou.
— De todos os modos deveriam ter me dito — Kushina revidou fumegando de raiva.
— Basta! — Kakashi exigiu recebendo um olhar cortante da viúva e um suspiro agradecido de Kurenai. — O que passou, passou! Agora devemos buscar uma solução.
— O melhor é o senhor falar com Sasuke — Kurenai pediu. — Apelar para sua decência, ao respeito que deve a Hinata.
Kushina riu com secura.
— O que esse infeliz sabe de decência?
— Se for ficar todo o tempo insultando e desconfiando dos demais não chegaremos a lugar nenhum — Kakashi concluiu exasperado com o comportamento irracional da viúva.
— Falo como quero e não vai ser um pobretão como você que vai me dizer o que fazer.
— Não quero faltar ao respeito que uma dama como você merece, mas se vamos colocar a culpa em todos, a primeira culpada foi você. Se tivesse atendido os desejos de seu marido e criado Sasuke em Campo Real...
— Sakura teria se esfregado em outro! — cuspiu, ao que Kurenai arregalou os olhos, levando uma mão trêmula a garganta dolorida. — Aquela meretriz é uma oferecida de natureza...
— Já basta! — Kurenai gritou cansada de aguentar em silêncio os insultos e prepotência de Kushina. — Você sempre diz o que quer e os demais tem que se calar. Acaso Naruto não teve sua parcela de culpa?
— Sua única culpa foi ter se fixado em uma qualquer — retrucou perturbada. Pela primeira vez demonstrando abalo com a discussão, Kushina respirou fundo e ajeitou com mãos suadas o cabelo ruivo firmemente trançado em um coque, sentenciando em um fio de voz. — Estou farta! Ou controla sua filha ou direi toda a verdade ao meu filho.
Com essa promessa, saiu tão tempestuosamente quanto entrara.
Liberta da presença opressora da prima, Kurenai soltou uma longa respiração, o alivio - com resquícios de medo - fez sua cabeça girar, o corpo pender para frente e ambas as mãos se fecharem no encosto do sofá.
Percebendo seu estado, Kakashi se aproximou solicito.
— Não fique nervosa, dona Kurenai! — A tocou de leve no cotovelo para transmitir conforto. — Ela jamais fará isso.
— Estou tão desesperada! — ela confessou quando o advogado afastou seu toque. — Não sei o que fazer ou a que santo rezar.
— A nenhum. — Kakashi disse, aconselhando-a: — Fale com Sakura com firmeza e decisão.
Kurenai sorriu tristemente.
— Agradeço seu sábio conselho e a ajuda. — Com um suspiro profundo e sentindo que suas pernas não suportavam mais seu peso, Kurenai sentou-se indicando o assento a sua frente ao advogado. — Não sabe o alívio que me trouxe com sua inesperada visita.
Kakashi assentiu.
— De certa forma deve agradecer a Kabuto. — As sobrancelhas de Kurenai se juntaram em um questionamento que aguçou a curiosidade do licenciado. — O vi ali fora. Ele não esteve aqui?
— Talvez tenha tido intenção de visitar-me e desistiu — a Hyuuga deduziu, logo se lembrando de algo que faria o amigo de seu genro procura-la. — Ah, já sei. Deve ter vindo para saber se Hinata está contente com o rapaz que recomendou.
— Que rapaz?
— Gaara, um rapaz da fazenda Campo Real. Kabuto se apiedou dele e me perguntou se não havia maneira de arranjar um trabalho para ele na casa de Hinata.
Uma sombra nublou o semblante dele diante da estranha indicação. Pelo pouco que conhecia de Kabuto, não conseguia imagina-lo se apiedando de quem quer que fosse além dele próprio.
— Bem, devo ir — disse levantando-se. — Mas tarde retornarei para falar com Hiashi. Ele me pediu alguns papeis ontem de manhã, mas, a tarde, quando o procurei no escritório do centro o encontrei e seu jardineiro me alertou que não estava em casa.
— Hiashi está decepcionado comigo por causa do casamento de Hinata — contou, acrescentando com voz trêmula e vacilante — Crê que perdemos credibilidade e influência com... Bem, a inclusão de Sasuke na família — Kurenai desviou os olhos e apertou as mãos suadas. — Ele anda tão nervoso... Mal o vejo nos últimos dias...
— Entendo. — E Kakashi realmente entendia. Hiashi era um homem austero, enraizado em um título arcaico que pouco servia no pequeno povoado, sempre preso as convenções sociais, a moral e os bons costumes. Ter Sasuke Uchiha, um ex-contrabandista, como genro doía-lhe no mais profundo de seu orgulho "nobre".
— Quer que converse com ele?
— Não! Por favor, esqueça o que disse. Hiashi só precisa de um tempo para aceitar... — De repente Kurenai pesou suas palavras continuando baixinho: — Um tempo até o falatório diminuir... — Abriu um enorme sorriso e segurou as mãos de Kakashi com ansiedade. — Ah, Kakashi, acho que encontrei a solução dos meus problemas.
— Qual?
— Primeiro tenho que falar com Hiashi e logo te conto caso dê certo.
— Desejo-lhe sorte e, se tem tudo resolvido, tenho de ir.
Com o rubor subindo por suas faces, Kurenai percebeu que retinha o amigo pelas mãos, soltou-as de supetão e impôs distância entre eles enquanto o guiava até a porta.
— Novamente, agradeço pela ajuda com Kushina.
— Foi um prazer.
Inclinando-se cortês, Kakashi saiu, voltando ao seu destino inicial, o porto de São Pedro. Tinha mais de um motivo para procurar Sasuke.
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Sem desconfiar da tormenta que se aproximava, enquanto aguardava Hinata se trocar para passearem, Sasuke escrevia um bilhete explicando o motivo de não retornar ao porto após o almoço.
Não tinha o costume de dar satisfação de seus passos, mas, com uma viagem marcada e tantos pormenores a serem concluídos, era inevitável que os marinheiros ao seu serviço estranhassem sua falta e o procurasse. Planejava passar à tarde ao lado de sua bela esposa sem interrupções.
— Estou pronta! — ouviu Hinata anunciar as suas costas.
Deixando o papel de lado, Sasuke ergueu-se e se voltou, ficando um instante parado, maravilhando-se com a beleza da jovem.
— Está muito bonita — murmurou pegando a mão dela para fazê-la dar uma volta, de forma a apreciar cada detalhe do corpo envolto em um longo vestido verde agua de mangas bufantes.
O inebriante riso feminino o encheu de vontade de aperta-la em seus braços e beija-la até perderem-se um no outro, mas limitou-se a segura-la pela cintura.
— Verdade? — ela perguntou, seus olhos perolados brilhando de prazer e divertimento.
— A mais bonita das mulheres — musicou aproximando-a de si.
— Agora sim que não te creio.
— Para mim você é — reiterou observando desejoso os lábios sorridentes e rosados. — Aonde quer ir?
— Aonde você me levar.
A resposta tentadora moveu a mente de Sasuke para seu cômodo preferido na casa, mas, necessitando proporcionar a esposa momentos agradáveis fora do quarto, forçou-se a manter o planejado, embora uma dúvida reluzisse no fundo de seus olhos negros.
— Não te dá pena que te vejam pela rua de braço dado comigo? — verbalizou atento a cada reação dela.
— É o que mais desejo — ela disse apaixonada —, que vejam como estou orgulhosa em ser sua esposa.
A resposta teve o efeito de uma carícia e, sem conseguir conter-se, a segurou pelo queixo com carinho, puxando-a para um beijo profundo, a outra mão envolvendo a lateral da cintura fina, atraindo-a contra si.
— Vamos — murmurou ao encerrar o beijo.
Hinata assentiu sorrindo de leve, os sonhadores olhos semicerrados, a face corada e os lábios molhados e entreabertos fazendo Sasuke engolir em seco. Obrigou-se a enlaçar o braço ao dela e conduzi-la para fora antes que desistisse do passeio.
O sorriso dela permaneceu inalterado enquanto, mantendo o braço deles entrelaçados e com a outra mão acariciando de leve a dela, Sasuke a levava em direção ao centro do povoado, onde as ruas arborizadas se encontravam em uma praça. Sentia-se nas nuvens, mal conseguindo parar de olhar abobalhada para o homem ao seu lado, apreciando a forma como os fios negros se revoltavam contra o vento, deliciando-se com a carícia suave no dorso de sua mão. Tão lindo, tão virial, tão seu.
Em poucas horas Sasuke mostrou-se uma miríade de surpresas. Podia jurar, pela forma que ele a estreitava um pouco mais contra si, que seu marido não gostava da maioria das pessoas que pararam para cumprimenta-los, mesmo assim foi cortês. Não chegava a sorrir ou falar amenidades, como era o costume, mas trocou algumas palavras com cada uma delas e até fingiu interesse no que diziam antes de pedir licença para continuarem a andar pela praça.
De sua parte, tirando Tenten, que os cumprimentou rapidamente, desculpou-se por não poder se demorar e prometeu visita-los em breve antes de sumir apressada pelas ruas, Hinata pouco se importava em manter diálogos rasos. Seu tempo seria mais bem aproveitado conhecendo melhor o Uchiha, e, supondo que ninguém mais os interromperia, foi isso que fez quando começaram a voltar.
— Sinto que sabe tanto de mim e de minha família, enquanto sei tão pouco sobre você e os seus.
— Minha família se foi há tanto tempo que pouco posso dizer sobre eles — lamentou, seu olhar fuzilando um homem que se demorara demais observando Hinata.
Por onde passavam havia olhares curiosos sobre eles, alguns eram conhecidos dos Hyuuga, que, infelizmente, decidiam cumprimenta-los e falar sobre bobagens que Sasuke se obrigava a responder somente para não deixar Hinata envergonhada com seus modos. Outros eram cobiçosos olhares masculinos direcionados a ela, fazendo-o sentir novamente a sensação ruim, que Kakashi nomeara como ciúmes e ele como precaução, correr como fogo por suas veias até saírem por seus olhos em um ameaçador aviso: Ela é minha mulher!
— Quantos anos tinha quando se foram? — ela perguntou alheia a qualquer olhos que não fossem os penetrantes orbes ônix.
— Tinha quinze anos quando foram assassinados na minha frente — respondeu seco, um sombra movendo-se por seu rosto.
— Sinto muito!
Ele apertou sua mão e forçcou um sorriso de canto, como se dissesse que não havia problema agora, embora evitasse o olhar dela.
— Deve ter lembranças boas deles — Hinata continuou, notando que tocara em um ponto delicado, mas querendo saber mais do passado dele. — Como eram?
— Minha família trabalhava no comércio de cargas, como faço agora. Legais — ressaltou diante do olhar receoso de Hinata. — Bem, o irmão do meu pai, que morava conosco, era um pirata, mas meu pai e meu irmão gostavam de fazer tudo nos conformes. Aprendi muito sobre o mar com eles, mesmo sem participar das viagens. Meu pai tinha um caráter rígido, mas fazia tudo pelo bem da família. Meu irmão era meu exemplo, sempre me ajudava e dizia que um dia seria melhor que ele...
— E sua mãe? — ela perguntou ao perceber os olhos dele perdidos no horizonte, imerso em lembranças.
Sasuke se inquietou, mas, diante do sorriso sereno e motivador de Hinata, falou com suavidade:
— Ela era bondosa, linda e encantadora como você. Tenho certeza que vocês se gostariam.
— Mesmo?
— Sim... Se você não a rejeitasse por ser cigana, como aconteceu quando ela se casou com meu pai e tentou ser incluída nos eventos da sociedade de São Pedro.
— Não me importaria.
— Talvez, nunca saberemos.
Sasuke voltou a olhar para frente tenso. Hinata o entendia, ainda era difícil para ambos confiarem, mas ela daria o seu melhor para conseguir.
— Você devia ser uma criança peralta — comentou para desanuviar a expressão dele. — Dessas que correm pela casa e deixam os pais em polvorosa.
Conseguiu um discreto retorcer de lábios, um princípio do sorriso de canto que ela tanto amava.
— Um pouco.
— Do que gostava de brincar?
— De ser um pirata domador dos sete mares.
Hinata riu, apertando-se contra ele.
— Seus pais deviam desaprovar a parte do pirata.
— Sim. Mas meu tio o incentivava. Sempre que podia ele me levava até o monte do diabo. — Apontou para uma encosta se sobrepondo aos tetos das casas. — Lá me ensinou a pular de lugares cada vez mais altos sem me machucar; mergulhar segurando o ar pelo máximo de tempo; acertar alvos em distâncias absurdas; construir abrigos; pescar com as mãos...
— Você consegue pescar com as mãos?
— Tenho várias habilidades que desconhece minha senhora — Se inclinou para insinuar ao ouvido dela: — Mostrarei algumas quando retornarmos a nossa casa.
— Sasuke! — Hinata ralhou com as faces fervendo, embora o riso e o brilho faiscante em seus olhos evidencia-se seu consentimento à proposta.
Ele inspirou profundamente o aroma suave dos cabelos azulados e, controlando a vontade crescente de arrebata-la com beijos, endireitou-se voltando ao assunto que atraíra o interesse dela.
— Depois que fiquei sozinho construí uma cabana no monte seguindo seus ensinamentos. Podemos ir para lá algum dia — convidou, não aguardando a resposta ao confidenciar. — Morar ali que me rendeu o apelido de filho do diabo.
— Pensei que tinha sido sua personalidade.
— Também — Dessa vez o sorriso de canto se fez presente e Hinata suspirou apaixonada. — E você quais eram suas brincadeiras favoritas?
— Hum, às vezes eu brincava com bonecas, mas com as aulas com as freiras e com minha madrinha, não havia muito que eu pudesse fazer além de bordar, pintar...
— Se preparar para ser a esposa perfeita de Naruto Uzumaki — concluiu áspero e depreciativo.
Empalidecendo, Hinata deu um longo respiro, desviou o olhar para o chão e deixou um pesado silêncio cair sobre eles.
Percebendo que a magoara, Sasuke esticou a palma da mão aberta à frente de ambos.
— Nunca é tarde para aprender algo divertido. Bata!
Olhando da mão estendida para o rosto sério do Uchiha, Hinata o encarou com desconfiança.
— O que?!
Imaginando que sua adorável esposa presumia que enlouquecera, Sasuke controlou a vontade de beijar cada milímetro do rosto bonito – até mais que isso - e esclareceu:
— Deve bater e retirar a mão rapidamente, de forma que eu não a agarre.
— Sasuke... não sei se...
— Vamos, faça!
Sem entender a intenção do pedido descabido, ela desceu a mão livre frouxamente sobre a dele, tendo-a facilmente capturada. Com delicadeza ele levou a pequena mão feminina até os lábios e plantou um beijo suave no dorso. Hinata arfou diante do gesto.
— Tente de novo — ele incentivou.
Determinada, ela obedeceu empregando velocidade. Ele voltou a prender seus dedos e os beijou, um brilho amoroso reluzindo nos orbes negros.
— Tente fazer melhor, bela esposa.
Radiante e feliz, ela o fez, sendo novamente agarrada. Demorou alguns minutos, mas enfim pegou o jeito e venceu Sasuke em uma rodada, rindo eufórica e negando-se em meio ao riso a ariscar novas tentativas.
— Que surpresa!
A voz adocicada de Sakura teve o efeito de uma bofetada na empolgação de Hinata. O riso sumiu e os olhos perolados se moveram temerosos da irmã para Naruto, de braços dados a ela, logo fazendo o caminho inverso, sentindo o corpo enrijecer ao encontrar os olhos verdes fixos em Sasuke.
— Como está? — Hinata perguntou na esperança de tirar os olhos de Sakura de cima do marido.
— Muito bem. Pensava em visita-la amanhã — Sakura respondeu com polidez, logo se voltando toda carinhosa para Sasuke. — E você, Sasuke, como está? Feliz como recém-casado?
— Melhor do que nunca — ele garantiu, chamando a atenção de Sakura para os braços entrelaçados ao pousar a mão livre sobre a de Hinata.
— Fomos até o porto — Naruto comentou com amabilidade. — Vimos seu barco.
— Pretendo comprar outro em breve — Sasuke contou com secura, seu semblante sério deixando claro seu desagrado, tanto com o encontro quanto com a conversa.
— Não vamos ficar aqui conversando na rua — Sakura disse com um sorriso luminoso, ignorando a seriedade dos demais ao sugerir: — Porque não nos convidam a tomar um refresco em sua casa?
Naruto olhou aborrecido para a esposa por expô-los a uma nova leva de grosseria de Sasuke, antes de desvia-los para longe, aguardando a negativa. Estranhamente, o Uchiha foi educado e acatou a "sugestão".
— Claro.
Com um gesto, Sasuke apontou o caminho que deveriam seguir, andando em silêncio ao lado de Hinata, que o observava com angustia. Ao lado de Hinata, Naruto respirou fundo e os seguiu, considerando que sua esposa fizera mal em impor sua presença ao casal que, mais de uma vez, parecia querê-lo longe. Sorridente, Sakura controlava a excitação em suas veias.
~*S2*~
Aproveitando que tivera de buscar algumas encomendas no porto do povoado, Orochimaru passou na prisão, como de costume, entrando no ambiente e seguindo para o escritório de Danzou sem que qualquer dos guardas questionasse sua presença.
— Como vai compadre? — cumprimentou ao entrar na sala após uma rápida batida na porta aberta.
— Ótimo! — disse Danzou erguendo-se parcialmente para cumprimenta-lo e apontar o assento a sua frente. — Sente-se! Quando chegou ao povoado?
— De manhã, tive que resolver alguns pormenores no porto.
— E como vão os negócios?
— Bem. E você?
— Como sempre, meu amigo. — Danzou inclinou-se para frente. — Agora tenho ordens de ficar de olho em alguns revoltosos. Parece que querem armar um golpe contra o governo.
— Aqui em São Pedro?
— Não, não! Em todo o país. Houve queixas no norte e no centro, chamam de efervescência politica.
— Bem, isso sempre tentam e nunca conseguem nada — Orochimaru argumentou dando de ombros.
Danzou assentiu e sua boca se alargou em um sorriso maldoso.
— Tenho uma boa notícia para você. Lembra-se de Ino?
Os olhos de Orochimaru brilharam de interesse e luxúria.
— Como a esqueceria. A viu?
— Não. Gaara, o garoto que o colocamos de espião na casa do Uchiha a viu. Ao que parece vive com Sasuke e sua esposa — confidenciou, logo comentando com secura. — Foi uma informação preciosa, pois sei que a quer de volta, fora isso, percebo que o garoto não está jogando conforme nossas regras.
— Não diga!
— De manhã o vi conversando com Kabuto.
— E o que tem isso?
— Ocorre que lhe ordenei que contasse tudo aqui, a mim, não ao Kabuto — manifestou descontente. — Já lhe mandei um recado para que venha falar comigo ainda hoje.
Como se invocado, ouvisse batidas na porta, ambos se viraram e encararam o guarda escoltando o rapaz. O guarda empurrou o jovem para dentro como se fosse um saco de batatas, antes de sair e fechar a porta como comandado por Danzou.
— Até que enfim chegou. Já conhece meu compadre?
— Sim — ele respondeu entredentes, evitando olhar para o homem que desgraçara a vida de sua irmã.
— Meu amigo me disse que viu Ino — disse Orochimaru com um sorriso esfomeado que enojou o Sabaku.
— Sim, ela mora na casa do senhor Sasuke.
— É criada?
— Não! Faz o que quer — ele respondeu seco, incomodado com o questionamento em torno da jovem. Ela o destratava e era petulante, mas ele não via com bons olhos tamanho interesse.
— O que mais averiguou?
— Nada além do que lhe disse ontem — ele disse. — Ainda não encontrei provas de contrabando.
— E o que tanto falava com Kabuto está manhã? Os vi em uma atitude suspeita. — O rapaz desviou o olhar, ao que Danzou bateu o punho fechado sobre a mesa e esbravejou. — Saiba que não admito traições.
Com um sorriso abusado, Orochimaru ameaçou:
— Solte, rapaz, se não quer que se vingue em seu irmão.
Gaara o encarou com ódio, mas logo engoliu qualquer vontade de matar aquele ser asqueroso e falou:
— O senhor Kabuto me pediu para prestar atenção em assuntos pessoais da família, fofocas, nada demais.
Orochimaru ajeitou-se na poltrona, o corpo pendendo em direção ao ruivo.
— Sabe, também gosto de fofocas, o que tem a contar?
Em pé ao lado do comerciante, por não receber ordem para sentar-se, Gaara bufou. Caso não tivesse que livrar o irmão da prisão jamais trabalharia para aqueles homens, mas sem alternativa repetiu tudo o que contara a Kabuto naquela manhã.
— Parece que a esposa do senhor Naruto Uzumaki teve algo com Sasuke Uchiha.
A risada de Orochimaru se ergueu alta.
— Qual a graça, a que nos interessa essa história? — Danzou questionou desinteressado.
— Como não vê a graça, meu amigo? Tão altaneiros e presunçosos, enquanto suas mulheres os fazem de otários — secou uma lágrima no canto do olho, os cantos dos lábios doendo pelo ataque de riso. — Como soube disso?
— Ino contou.
— E como está? Continua bonita?
Enojado, Gaara assentiu, ao que Orochimaru segredou aumentando a aversão do Sabaku:
— Como sabe, sou dono de uma pousada e tenho garotas para entreter os fazendeiros. Ino era uma delas. Se ino os viu, provavelmente eles tiveram algo na fazenda, bem debaixo do nariz empinado do Uzumaki. O que me diz?
— Creio que tiveram algo antes dessa senhora casar com o senhor Naruto, porque Ino deu a entender que ela enganou o senhor Sasuke, que zombou dele — disse segurando a vontade de cuspir na fase risonha de Orochimaru.
Danzou, ainda não vendo no que aquelas informações podiam beneficia-los, ergueu a mão no alto se voltando para o Sabaku.
— Basta! Você se comportou muito mal, deveria encarcera-lo com seu irmão.
— Não pensei que fazia algo errado — Gaara revidou. — O que falei com ele não tinha nada a ver com o que me pediu.
— Você não tem que pensar, só obedecer as minhas ordens — Danzou comandou seco, não gostando do tom petulante do rapaz. — De agora em diante comigo, e somente comigo, que irá conversar.
— Sim, chefe — Gaara concordou. — Prometo que não voltarei a falar com Kabuto — garantiu com tranquilidade e alivio. Odiava passar esse tipo de informação tanto quanto ajudar Danzou e Orochimaru. Só o fazia por Kankuro e Temari, que graças aos céus o comerciante não sabia que também estava na casa dos Uchiha.
— Muito bem! Agora vá embora e só retorne quando tiver algo relevante em mãos — Gaara assentiu e caminhou em direção à porta, ao que Danzou complementou para desanimo do ruivo. — E nada de visitas até lá.
Novamente sozinho com Danzou, Orochimaru voltou-se interessado.
— Se Gaara descobre algo e agarramos esse diabo, quanto tempo crê que ficará encarcerado?
— Podemos, a parte do contrabando, responsabilizar por uma ou duas mortes, e ficará uma boa temporada — Danzou tramou. Os meios para tornar seu plano bem sucedido carregou o rosto enrugado com uma sombra maquiavélica. — E atrás das grades pode lhe acontecer qualquer coisa. Uma briga com outro réu, uma tentativa de fuga, e, que azar, ele morre.
Orochimaru riu com o sarcasmo do amigo, mas logo seu semblante tornou-se pensativo.
— Porém, Sasuke já não é um marinheiro qualquer. Agora tem laços com a influente família Uzumaki e é casado com uma condenzinha — recordou, sua mente ambiciosa entrelaçando tudo o que ouvira, tecendo uma forma de beneficia-lo.
— Confesso que não pensei nisso.
— Mas, se Naruto souber que Sasuke teve algo com sua mulher, não o ajudará e, talvez, até nos dê uma grana para acabar de vez com o Uchiha — terminou seu raciocínio trazendo um brilho de cobiça aos olhos de Danzou.
— Faremos o que diz — o chefe da guarda decidiu exultante. — Mas não diga nada para Kabuto.
Orochimaru assentiu e ambos riram do desdobramento do plano original, ávidos em ver uma boa recompensa sair de Campo Real direto para seus bolsos.
~*S2*~
Anos de educação religiosa e de boas maneiras jamais preparavam uma esposa a recepcionar a ex-amante do marido – que pretendia reaver a relação -, Hinata concluiu enquanto abria as portas de sua casa para Sakura.
Abrigar Ino lhe desagradara no começo pelo mesmo motivo. Agora, conhecendo os motivos de Sasuke para deixa-la morando com eles, e acreditando que ele a enxergava como irmã, não via a outra como ameaça. Ao contrario, se apiedava da jovem. Ino era uma boa moça. Prova disso era seu empenho em ajudar Temari. No entanto Sakura era imprevisível, maldosa e sem uma gota de consideração pelos demais.
O "pedido" de sua irmã tinha o único propósito de, como a serpente do Éden, cercar e ludibriar suas vítimas com palavras doces, porém venenosas. Alguém podia culpa-la por ter medo de tamanha víbora em seu lar?
— Sentem-se! — pediu ao atravessar a porta de entrada, indicando com um gesto o sofá e as poltronas logo à frente. — Trarei refresco para nós.
— Para mim um chocolate, Hinata — Sakura pediu retirando devagar as luvas.
Hinata trincou os dentes ao ver a rósea sentar despreocupada sem tirar os olhos de Sasuke, que oferecia encaminhando-se para o bar no canto:
— Quer um brandy, Naruto?
— Sim, por favor.
Receosa, mas consciente de seu papel como anfitriã, deixou o marido com as visitas e foi em direção à cozinha. Lá mais uma surpresa a esperava, um jovem, que vagamente se lembrava de ter visto em algum lugar, estava sentado junto a mesa conversando com Ino e Temari.
Assim que perceberam sua presença Temari e o rapaz se levantaram, mas Ino continuou no mesmo lugar, de costas para a Uchiha.
— Boa tarde, senhora! — o jovem saudou.
— Boa tarde! Quem é você? — Hinata perguntou com interesse e receio, pois não tinham sido formalmente apresentados, sequer sabia que papel tinha na vida de Sasuke e se o tinha.
O rapaz abriu a boca para responder, mas Ino adiantou-se:
— Um amigo meu — disse desafiante, sem sequer se virar.
— Entendo... — Hinata murmurou para as costas da jovem. Irritada com o comportamento petulante indicou: — Porém, creio que deve perguntar antes de trazer alguém a...
— Não necessito pedir permissão! — Ino a cortou altaneira, deixando Hinata desconcertada.
— Sou Konohamaru, senhora — o rapaz se apresentou incomodado com a forma que Ino tratava a esposa de Sasuke. — Às vezes ajudo o capitão no porto.
Engolindo em seco o tratamento indelicado de Ino, Hinata assentiu e voltou-se para Temari para dizer o que a fizera entrar na cozinha:
— Temos convidados — informou. — Por favor, leve na sala uma jarra de chocolate e os biscoitos que fizemos de manhã.
— Sim, senhora!
Quando Hinata abandonou a cozinha, Konohamaru se dirigiu preocupado para Ino.
— Está louca! Porque falou com ela assim?
— Assim como? — refutou a jovem dando de ombros. — Tampouco necessito pedir permissão para trazê-lo aqui.
— Deveria ter dito quem sou e não falado dessa maneira grosseira — Konohamaru aconselhou, prevenindo-a em seguida. — Rogue a Deus que não diga para Sasuke. Se o fizer, verá como vai expulsa-la daqui.
— Verei ela ser expulsa — contrapôs, recordando o trunfo que guardava debaixo do colchão.
Konohamaru balançou a cabeça, consternado com a imprudência da loira. Assim como todos os outros que acompanhavam Sasuke no porto, o jovem percebera que o temido pirata estava encantado pela mulher, não havia forma, pelo menos não que ele soubesse, do Uchiha preferir Ino no lugar de Hinata.
~*S2*~
Na sala, sentada em silêncio ao lado do marido, Hinata voltou a ficar inquieta quando a conversação entre os homens voltou-se para a mudança do casal Uzumaki para São Pedro.
— Se vierem morar aqui, quem vai cuidar da fazenda? — Sasuke questionou realmente interessado.
— Minha mãe e Ebisu cuidaram de tudo e eu irei várias conferir a fazenda.
— Naruto estará em Campo Real de sexta a domingo, os demais dias ficará comigo — Sakura interveio na conversação, deixando Hinata ainda mais incomodada por obsessivamente fixa-se na figura de Sasuke. — Claro que me sentirei muito sozinha, mas estando aqui meus pais e vocês terei com quem passar as horas.
Hinata torceu os lábios diante do descaramento da irmã, virando o rosto para o lado a fim de ocultar a vontade crescente de estapear a rósea e chuta-la para longe de sua casa e de seu marido.
Ao seu lado, Sasuke respirou fundo. As irmãs não conseguiam disfarçar o que sentiam. Com seus olhares e sorriso levianos direcionado a ele, Sakura causava o retorcer das feições delicadas de Hinata, que apertava as mãos sobre o colo com tamanha agonia e raiva que as dobras dos dedos estavam lívidas.
De frente para o casal Uchiha, Naruto estranhava o comportamento de Hinata. A jovem era conhecida por sua timidez, mas jamais ficará tão calada como agora. Também notara que toda vez que Sakura falava a recém-casada, que sempre fora amável com todos ao seu redor, encarava a outra com irritação, depois torcia os lábios e desviava o olhar. A familiaridade o acometeu, junto com outra sensação que o Uzumaki preferiu ignorar.
— Bem, já temos que partir — anunciou erguendo-se e estendendo a mão para Sasuke. — Obrigado pela hospitalidade.
Levantando-se, Sasuke aceitou, apertando-a com firmeza.
— Foi um prazer!
Ansioso em se livrar da incomoda visita, o Uchiha apressou-se a abrir à porta, escancarando-a. Infelizmente, as malditas regras de etiqueta não tinham fim e, no lugar de irem embora, Naruto e Sakura foram para perto de Hinata, que permanecia sentada.
— Te felicito, Hinata — disse Naruto com sinceridade, buscando a mão de Hinata para um beijo. — Sua casa é muito agradável.
Ela deu um sorriso tênue.
— Obrigada!
Sakura acercou-se e Hinata a fitou em silêncio, não desejando gastar cordialidade com quem não a merecia.
— Até mais irmãzinha, nos veremos em breve — prometeu Sakura, a ameaça velada se estendendo ao se aproximar oferecida do Uchiha. — E você Sasuke, espero que no futuro nos convide a visitar seu barco.
— Quando queiram — ele respondeu educadamente olhando sem interesse a mão que ela lhe oferecia. Seguindo as estúpidas regras que aceitara em sua vida ao se casar, a contragosto a pegou e plantou um beijo rápido.
Quando o casal por fim partiu, Sasuke fechou a porta com satisfação, caminhando até Hinata com zombaria brilhando em seus olhos escuros e um sorriso de canto.
A expressão jocosa e a atitude fria que tivera com Sakura agradaram Hinata, que riu quando ele se aproximou as suas costas e inclinou-se para beija-la no pescoço.
— Que bom que se foram — ela murmurou sorrindo.
— Sim — ele confirmou voltando a ataca-la com beijos suaves.
~*S2*~
Em seu regresso, Kushina passou longas horas descansando, descendo somente poucos minutos antes do jantar. Logo que alcançou o último degrau da escada avistou Kabuto, relaxadamente lendo na sala.
— Onde está Naruto?
— Saiu com Sakura.
Os lábios da Uzumaki se retorceram ao que Kabuto sorriu compadecido.
— Essa situação entre as senhoras é muito difícil, especialmente para Naruto — disse quando Kushina sentou-se, acrescentando para surpresa da ruiva. — E perigosa...
— Perigosa por quê?
— Seu filho não entende o que se passa entre você e Sakura. Está muito intrigado — contou, causando um remexer de desconforto da viúva. — Crê que sua atitude se deve a desconfiança e se começar a atar as cordas - como fiz -, pode descobrir a verdade — concluiu sério, os olhos não perdendo a palidez que tomou as faces da mulher. — Não tenha medo, dona Kushina, em mim pode confiar plenamente.
— Não entendo ao que se refere — ela soltou tensa.
— Não estou cego de amor por Sakura... Embora esteja experimentando um sentimento muito profundo por outra pessoa — confidenciou, inclinando-se levemente em direção a ela, seus olhos com um brilho agudo de interesse fazendo Kushina engolir em seco. Satisfeito com o efeito, voltou a se endireitar e seguiu o fio de seu raciocínio inicial — Bem, ocorre que consigo perceber muitas coisas. Tenho ouvido umas palavras por aqui, escutado outras conversações por ali... Creia que estou tão indignado quanto você. — soltou devagar, deixando a viúva absorver cada uma de suas palavras enquanto continuava conspiratório: — O mais importante é que Naruto não descubra.
— Não descubra o que?
Kabuto respirou fundo com falso pesar.
— A canalhice feita pelo Uchiha — soltou finalmente, causando o arregalar dos orbes azulados. — Abusar da inocência de uma jovem como Sakura não tem perdão.
— Não sei o que quer dizer...
— Dona Kushina, a apreciou demasiado e peço que confie em mim, quero e posso ajuda-la sair dessa situação vergonhosa.
Percebendo que negar não a levaria a lugar nenhum, Kushina expirou, deixando todo o peso dos últimos meses escorrerem por seus ombros.
— É horrível. Tenho vivido em uma angustia insuportável — soltou. Por fim, foi sincera com Kabuto. — Não sei mais o que fazer com ela.
Kabuto assentiu, satisfeito pela viúva decidir falar abertamente. Levantou-se e capturou uma garrafa de Jerez, despejando seu líquido em um copo que entregou para a viúva.
— Tome! — voltou a ocupar seu lugar em frente à Uzumaki e continuou a mover as peças da estratégia que montara com a descoberta. — É um problema demasiado grande para enfrentar sozinha. Reconheço que é uma mulher com uma fortaleza de espirito, mas um dia pode ruir — indicou, fazendo a ruiva pousar seu copo na mesinha entre eles e endireitar o corpo com altivez. Nada que abalasse o objetivo de Kabuto. — Me encantaria ajuda-la e sei que posso fazê-lo, embora não tenha autoridade nesse caso.
— Você é amigo da família.
— Não é o suficiente para Sakura — falou desolado. — No momento em que diga algo a sua nora, ela vai contestar que não sou ninguém para meter-me nos assuntos da família.
— Com certeza! Pois é uma grosseira mal criada — Kushina confirmou indignada.
O homem aproveitou aquele momento para capturar a mão feminina envolvendo-a com carinho. Passado um segundo de surpresa ela tentou remove-la, mas Kabuto a estreitou ainda mais.
— Não a tire, por favor! — suplicou inclinando-se para a mulher com olhos carinhosos. — Estou seguro que percebeu o que sinto por você.
Séria e fria, Kushina se pôs em guarda.
— Kabuto... creio que...
— Deixe-me terminar! — ele implorou, seus polegares movendo-se com delicadeza pelo dorso macio. — Não é justo que uma mulher tão linda deixe passar seus melhores anos sem o afeto e a companhia de um homem.
— Te asseguro que não me faz falta — revidou seca, desviando os olhos para longe, desejando o fim as inúteis galanterias.
— Eu sei. Mas, veja, esse problema de Sakura é uma carga pesada para uma pessoa sozinha. — A viúva o fitou friamente, porém nem isso levou Kabuto a desistir de seus planos, continuando determinado: — Eu saberia como enfrentar Sakura e Sasuke. E você poderia compartilhar suas dores comigo. Seria mais que um parceiro para você. Permita-me ser seu apoio, Kushina. Seu amigo, servidor...
Nervosa com a corte inesperada, Kushina aproveitou o barulho da porta principal abrindo-se para retirar apresada sua mão da prisão masculina, erguendo-se e dando alguns passos em direção à entrada, propositalmente colocando uma distância segura entre ela e Kabuto.
Respirou fundo quando seu filho entrou acompanhado pela esposa.
— Boa noite, filho!
— Boa noite, mãe!
— Nos encontramos com Sasuke e Hinata — anunciou Sakura voltando-se desafiadora para uma revoltada Kushina. — Nos convidaram para tomar chocolate e se ofereceram para fazer-me companhia quando Naruto estiver na fazenda.
— Foi você que propôs — Naruto refutou tenso. — E Hinata não pareceu de acordo.
— Ah, meu amor! Assim é minha irmã. Incapaz de abrir a boca e dar sua opinião — ela comentou desdenhosa e ferina, fazendo o cenho de Naruto franzir ao acrescentar sem pesar as consequências: — Na verdade, não sei como Sasuke pode se interessar por uma mulher assim.
Descontente com o descaramento da nora, Kushina vislumbrou no olhar conspiratório de Kabuto a renovação evidente da proposta de instantes antes. A que ponto chegaria para se livrar de uma vez por todas do perigo que rondava sua família? A resposta era óbvia.
~*S2*~
Com o corpo emaranhado no da esposa, com só o lençol fino sobre as peles suadas, Sasuke deslizava os dedos pela sedosa face feminina, serenamente tentando apagar as preocupações que insistiam em perturba-la.
— Porque tem tanto medo? O que ela pode fazer? — a beijou carinhoso, garantindo com firmeza. — Nada.
— É que não a conhece. É má, intrigueira — contou indignada com tudo que a irmã já lhe fizera e prometera fazer. — Tratou por todos os meios que não me casasse contigo. Até me disse... — calou-se, escondendo o rosto contra o tórax largo ao sentir um leve calor cobrir suas bochechas.
— Sobre o falso filho ou outra coisa? — ele questionou. Quando o silêncio persistiu segurou o queixo dela para ver seu rosto, rosado até o pescoço, e ordenou autoritário: — Diga-me!
Hinata baixou o olhar com timidez e vergonha.
— Me disse que... fazer amor era algo horrível.
Sasuke soltou uma gargalhada alta, fazendo Hinata empertigar-se.
— Não ria! — ela exigiu, lembrando a agonia que passara após as cenas que Sakura plantara em sua mente — Não sabe como me senti, o medo que me deu.
— E é horrível? — ele perguntou fitando-a com interesse, uma mão escorregando pela maciez das costas femininas em direção à curva sinuosa dos quadris largos.
— Não zombe — ela suplicou sentindo o rosto pegando fogo, parte pelo constrangimento passado, parte pelo toque suave que a lembrava do quanto a irmã mentira. Não conseguia ficar tão despreocupada quanto ele. — Tenho medo dela. É capaz de tudo.
— Pode ser, mas já não me interessa — ele garantiu estreitando-a e plantando um beijo suave nos lábios ainda úmidos pelo arrebatamento de minutos antes. Vendo que suas palavras e gestos não surtiam efeito, perguntou desmotivado. — Quer que fale com ela?
— Não! — Hinata negou veementemente. Nunca permitiria que Sakura se infiltrasse novamente em sua vida, principalmente em seu relacionamento. — Eu o farei — decidiu determinada.
Sasuke afastou para o lado os fios azulado grudadas a testa dela pelo suor. Seus olhos negros tornando-se opacos ao questionar seco:
— E o que diz de seu cunhado?
— Sobre o que? — Ela o encarou confusa.
— Estamos falando de sua irmã, agora é a vez dele.
Hinata abaixou o olhar, depois os ergueu sentindo-o tenso contra si.
— Posso ser sincera? — ela perguntou fazendo leves círculos nos músculos firmes do peito desnudo.
— Sim.
— Me dá pena... — Sasuke respirou fundo e desviou os olhos para um ponto atrás dela. — Te incomoda?
— Quando Sakura se casou com ele, com gosto o teria matado — contou fazendo o ventre de Hinata contorcer e congelar, logo descongelando e fervendo quando ele acariciou seus lábios com os dele e declarou baixinho: — Mas agora que a tenho posso ser generoso e compassivo.
Sorrindo, a jovem subiu as mãos pelos braços fortes até afundar os dedos nos fios negros e macios.
— Me faz tão feliz — murmurou, suspirando quando ele mordiscou a pele sensível de seu pescoço.
— Você que me faz feliz — ele sussurrou cobrindo-a com seu corpo, a boca trilhando um caminho ardente do pescoço até os lábios carnudos enquanto as mãos fortes exploravam as curvas fartas.
Mesmo entregue as carícias, Hinata não conseguiu deixar de perguntar com insegurança:
— De verdade já não sente nada por Sakura?
Com os olhos brilhantes de paixão, Sasuke a fitou intensamente, com uma mão acariciou a face amada enquanto a outra deslizava entre eles, aumentando o adorável rubor na pele alva e um suave gemido escorrer pela boca tentadora.
— Como sentirei algo por ela se te tenho? Te quero, Hinata, te necessito, te amo — confessou entre beijos e carícias abrasadoras, arrastando as dúvidas para longe e mergulhando-os no mais doce e profundo prazer.
~*S2*~
N/A – Eu sei que essa história deveria ser fácil de escrever – transcrever/traduzir -, o material está prontinho (internet ajuda), mas os últimos meses foram – levando em consideração a obra CS – uma tempestade daquelas de acabar com o que se vê pela frente. Mas, depois de um tempão sem motivação para escrever uma linha, alguns dias ouvindo "Perdida" da Carina Rissi, me fez lembrar porque gosto tanto de escrever. Super indico o livro citado, no meu caso áudio book, porque ultimamente só consigo "ler" algo no trem, busão e andando. Falta-me tempo (às vezes animo), mas não amor aos romances 3
Espero que gostem! Revisei o quanto pude, mas depois de um tempo fico cega aos meus vícios, então avisem-me de qualquer erro. Corrigirei o mais breve possível.
Obrigada a todos que me enviaram reviews e mensagens, amei ler e responder todos eles. :*
Obs: Esse capítulo corresponde ao episódio 26.
Respostas aos reviews não logados
Angela K – Espero que curta o capítulo!
Louise – Perdão pelos constantes sumiços, espero que goste do capítulo. Sakura é terrível, rs.
Guest - This story is really captivating. Caridad knows how to write a good novel and the adaptation only improved the work. I do my best to transcribe. I hope you enjoyed the chapter. Ino and Sakura are some vixen, jealousy is complicated, lol. By google tradutor
hime-23 – Sasuke e Hinata tem um longo caminho pra parar de desconfiarem um do outro, mas estão tentando... apesar da Sakura e da Ino detestarem isso, rs. Torço para que o capítulo compense a demora.
mia - Espero que goste da continuação.
Nathy – Obrigada pelo elogio! Espero que goste do capítulo, que ele compense a demora. Não faltou cenas fofas e carregadas de beijo. xD
Lell ly – Lell, fico tão feliz que ainda acompanhe. Tenho tido muita dificuldade em escrever, mas sou persistente. Relacionamento complicado o do casal SasuHina, mas aos poucos eles vão se entendendo... para inveja da Ino e da Sakura, rs. Na novela ocorre romance ^GaaIno^. Espero do fundo do coração que o capítulo compense a espera.
Até o próximo capítulo estrelas da minha vida! o/
Big beijos,
Lucy
