Após ter deixado Draco na casa de Sirius e explicado para o primo toda a situação, Narcissa passou uma longa tarde com Ginny. Levou a menina ao médico para fazer todos os exames possíveis com a intenção de afastar quaisquer possibilidades de que a ruiva ou o bebê estavam correndo risco de vida. Ela estava realmente preocupada, pois, além da jovem ser um pouco mais que uma criança e ter um corpo que estava ainda passando por transformações, existia o fato de que por ser muito magra, o neném que estava se desenvolvendo dentro dela, teria pouco espaço para crescer e, isso, acarretaria em um parto prematuro. Com tantos pensamentos e inquietações, quanto a este assunto, a loira levou a futura nora para o Beco Diagonal para fazer as primeiras compras do enxoval. Enquanto viam coisas como berço, carrinho e roupinhas, Narcissa começou o assunto que ela considerava mais sério:
- Senhorita Weasley, depois de sairmos daqui, eu irei conversar com os seus pais sobre a sua situação com o Draco. Creio que vocês dois ainda são muito jovens para casar e que devem concluir os estudos antes de assumir um compromisso desse porte. Na verdade, ao meu ver, são crianças irresponsáveis... entretanto, como já está feito, eu gostaria de saber o que pretende depois que o bebê nascer?
- Senhora Malfoy, eu não sei exatamente como aconteceu, porque eu estava tomando uma poção contraceptiva. Pode ser que eu tenha esquecido em um dos dias... mas, eu gosto muito do Draco e quero ficar com ele. Sei que é muita responsabilidade cuidar de uma criança, pois vejo todo o trabalho que a minha mãe tem comigo e com os meus irmãos... eu fico confusa com tudo isso, sabe? Não era para ter sido agora! Eu quero terminar os meus estudos, me divertir, construir uma vida ao lado do seu filho. Ao mesmo tempo, vejo todos preocupados com o que pode acontecer no dia seguinte, o medo permanente em cada canto... ninguém consegue pensar direito em nada... é difícil lhe responder o que eu pretendo, quando eu não sei nem se eu estarei viva quando tudo isso terminar – Ginny respirou fundo.
- E eu posso indagar porque a senhorita não age de forma madura em outras situações, como está fazendo agora ao conversar comigo? – a loira deu um meio sorriso, vendo que a menina baixava a cabeça e mexia com o nariz, um movimento que normalmente crianças quando são pegas no flagra fazem.
- É a respeito das bobagens que eu falo para o Snape, não é? Sei que é idiota, mas eu gosto de implicar com ele. Acho que é um bom homem e se preocupa demais com tudo... com o que vão dizer, vão pensar, vão fazer... não faço isso para ofendê-lo. Apenas quero que ele se dê conta de que há coisas muito mais importantes do que o juízo e a crítica alheia. A senhora entende? – a ruiva olhava para a futura sogra, enquanto dizia isso e continuou:
- É inegável o amor que ele sente pela Hermione, só um cego para não ver a verdadeira devoção com que o Snape olha para ela. Mas, ele luta contra isso por medo! Uma falta de coragem que não apresentou quando se arriscou para me salvar daqueles tarados... eu não compreendo ou aceito isso! Por que sofrer e se punir tanto?
- Ginny, você deveria expressar tudo isso a ele. Digo isso com conhecimento de causa! Se continuar falando um monte de bobagens, uma hora o Severus vai perder completamente a paciência com você e não vai ser nada bom. Você é uma menina que foi criada no meio de vários irmãos homens, não me espanta que seja desbocada e que tenha uma espontaneidade absurda. Entretanto, como eu já lhe alertei, algumas vezes, é bom manter a cordialidade nas palavras sem que isso altere a sua personalidade ou o seu espírito livre em nada. Certo? – Narcissa a olhava e viu que ela concordou com a cabeça, o que fez a loira lhe dizer mais algumas coisas:
- Eu concordo com você. Severus se preocupa, se controla, se pune demais... e essa mesma intensidade com que se julga e se condena, ele ama Hermione com fervor. Eu o conheço desde de criança e ela é o grande amor da vida dele, por mais que tente negar a si mesmo, ele sabe e sente isso. Só terá que se convencer agora a enfrentar todos os problemas que virão pela frente, com o fato dela ser filha do Sirius com a Bella e, consequentemente, minha sobrinha. Aproveitando, pode me chamar pelo nome... eu não vou me ofender – concluiu vendo que Ginny sorria para ela.
- Senh... Narcissa, eu acho que o Sirius deve estar espumando e não vendo a hora de caçar o Snape pelo pescoço – a ruiva começou a rir sendo acompanhada pela loira.
- Ah, isso não tenha dúvidas! Esses dois se engalfinham desde crianças. Só vai ser mais um capítulo de toda essa briga sem fim entre os dois, mesmo com o meu primo sabendo que não tem razão mais uma vez.
Ao chegarem no número 12 da Grimmauld Place, no norte de Londres, elas entraram com as compras e Ginny saiu em disparada para o quarto. Queria mostrar para o namorado todas as coisas que haviam comprado para o bebê. Narcissa ficou parada na sala, pois queria falar com Sirius e perguntar a ele se tinha avisado os Weasley que ela gostaria de conversar seriamente com eles. Ficou um tempo admirando as paredes da casa... era um lugar lhe trazia muitas lembranças, fossem boas ou ruins, uma parte da vida dela estava relacionada àquele espaço. Foi aí que se deu conta de que Sirius estava parado, encostado no marco da porta, com os braços cruzados e lhe observava pensativo. Quando ele percebeu que ela lhe olhava, rumou em direção a ela com um sorriso galanteador.
- Olá, priminha! Estava pensando, como uma mulher tão jovem e bonita, já pode estar prestes a ser avó? – piscou para ela ao terminar a frase.
- Para você ver como são as coisas... estava pensando que, ainda ontem, ficávamos aqui ou na casa dos meus pais, correndo, brincando ou brigando... essa última parte mais habitualmente, e, agora eu vou ser avó. Pode ser que o mesmo ocorra com você, querido, logo já que a sua filha já é praticamente uma mulher adulta na concepção dos trouxas – Narcisa respondeu dando um sorriso aberto para ele.
- Não me faça pensar nisso agora... pois, esses dias não ando bem. Já não basta eu ter recebido a notícia de que a minha única filha ama o Ranhoso e transa com ele, ainda uma certa mulher insiste em rondar os meus sonhos e ajudar na minha falta de sono todas as noites – Sirius olhou para cima com uma cara que oscilava entre o desgosto e a incredulidade satisfatória.
- Pare de chamar o Severus assim e, para a sua informação, ele não tocou um dedo na Hermione desde que ela voltou. Dá a impressão de que está fugindo dela... Eu fico impressionada é com o fato de que a Bella ainda consiga lhe convencer com tantos absurdos. Ou, pior, que acredite que o que ela diz é a verdade absoluta. Sirius, sinceramente, você deve ser mais esperto do que isso! – ela soltou um suspiro alto de reprovação antes de prosseguir:
- Quanto a outra coisa que você disse... uma mulher ocupando os seus sonhos e lhe tirando o sono? Onde está a novidade nisso? Você sempre trocou de namoradas como mudou de roupas! Acredito que só tenha ficado longe de casos e confusões com o sexo feminino, quando esteve em Askaban. Sinceramente, acho que você ainda ama a Bella, mesmo sabendo como é e tudo o que já fez de mal para os outros.
- Verdade... eu amei muito a Bellatrix e me fiz de cego para todos os seus defeitos e falhas de caráter por conta disso. Mas, bastou o que ela fez com a Hermione para que tudo acabasse. É o resultado natural de um amor que foi trocado por uma selvageria e bestialidade sem precedentes por parte dela. Eu não consigo entender o motivo que a fez odiar a menina desde que recebeu a notícia de que estava grávida – ele fixou os olhos em Narcissa ao falar como se estivesse tirando um peso das costas e, antes que ela respondesse, respirou pesadamente como se estivesse confessando um segredo:
- Acho que foi quando ela não quis a criança que o meu amor morreu e, depois do que aconteceu no Ministério, eu tive certeza absoluta de que qualquer possibilidade de a perdoar estava enterrada. Ao mesmo tempo, me dei conta de que estava começando a me apaixonar por outra, completamente diferente dela, e, que eu deveria ter prestado atenção há muito tempo.
- Eu a conheço? – a loira o analisou desconfiada.
- Sim, conhece... – ele manteve os olhos na prima ao dizer isso.
- Ah, então deve ser alguém aqui da Ordem, já que não teve a oportunidade de sair muito de casa – ela se virou para observar o andar de cima, algo no rumo daquele assunto começava a incomodar.
- Não exatamente... mas, se ela quiser se tornar da Ordem, tenho certeza de que será bem-vinda por todos os que já fazem parte. Aliás, prima... já notou o quanto a nossa família é estranhamente incestuosa? – ele sorriu canalha fazendo com que ela o observasse novamente, o questionando:
- Como assim?
- Bem, como sabemos, para manter o sangue puro... nunca viram problemas em casar parentes entre si. Tios e sobrinhas, primos em todos os graus. Jamais soube de casos entre irmãos, mas não desconsideraria essa possibilidade, diante da nossa estranha e complicada árvore genealógica. Eu, por exemplo, tenho uma filha com a minha prima-irmã, Bellatrix. Hermione e Nymphadora são primas, sendo que a Dora é irmã do Ranhoso, que você jura que não tocou um dedo na minha menina desde que ela voltou... se a religião dos trouxas estiver certa, arderemos todos no inferno e nem Merlin, Salazar ou Godric poderão nos salvar das chamas – ele deu de ombros, mas mostrava no rosto o quanto o fato de Snape e Hermione se relacionarem o incomodava profundamente.
- Onde está o Draco? – Narcissa mudou rapidamente o destino da conversa.
- Está no quarto em que a ruiva ocupa quando vem para cá. Já fizeram um filho... não vejo motivos para deixá-los em quartos separados – Sirius colocou as mãos nos bolsos e começou a caminhar lentamente em direção a ela, fazendo com que a loira rapidamente dissesse:
- Então, vou embora! Ainda tenho que fazer algumas coisas e pegar o restante dos pertences do Draco, que ainda estão em casa para enviar para cá.
- Se quiser companhia estou disponível - Sirius a puxou pelo braço para que ela não se afastasse, fazendo com que a distância entre eles se tornasse mínima. Narcissa ficou um pouco assustada com a atitude e prendeu a respiração, colocando as mãos no peito dele para afastá-lo um pouco.
- Não... não, é muito arriscado. O fato do meu filho ter fugido antes de receber a marca, se reunido à Armada Dumbledore e ter sido um dos responsáveis pela perda da profecia, já está tendo consequências naquela casa. Se você aparecer lá, será pior ainda – a loira falou para ele levantando um pouco o rosto para reparar no semblante do primo, enquanto explicava a situação.
- Ora, priminha, não tenho medo – Sirius sorriu e piscou para ela, não a soltando.
- Já disse que não! Então, por favor, não insista – Narcissa soltou uma respiração pesada, porque começava a se preocupar com o que ele pretendia fazer.
- E se eu quiser ir? – Sirius a puxou mais para perto de si.
- Certamente, seremos mortos por todos os Comensais que estão reunidos naquela casa – falou dando um sorriso amarelo de reprovação.
- Temos sempre o Ranhoso para nos defender... Dumbledore não garante que ele é um homem de confiança e blá blá blá? – falou com um ar de deboche aquelas palavras a irritando.
- Olha aqui, eu já cansei de dizer que não quero que fale dele assim na minha frente. Eu estava ignorando até agora para não brigar com você, mas é inadmissível que se refira ao Severus desse jeito!
- Seboso, então? Apesar que eu estou desconfiado que ele tenha tomado o banho mensal, na última vez que eu o vi... embora, daquele cabelo, dá para tirar um litro de óleo tranquilamente – ele levantou as sobrancelhas e deu uma gargalhada.
- Sirius, como você é babaca! – Narcissa deu dois tapas nele em reprovação.
- De fato, priminha, eu sou um perfeito idiota e, você, embora sempre tenha tido esse nariz em pé... é linda. Pena que eu demorei tanto tempo para me dar conta disso. Sabe, você não imagina os sonhos que ando tendo com você - disse ele sorrindo diabolicamente, mexendo com a ponta dos dedos na franja dela, achando que aquilo a deixaria sem graça.
- Ah, é sério? Então, sou eu quem anda te tirando o sono... vejamos, qualquer dia desses nos encontramos e você me mostra com detalhes o que acontece nas suas mais profundas fantasias – ela riu ao ver que, pela primeira vez, o primo ficara vermelho como o escudo da Grifinória ao escutar aquelas palavras. Narcissa, se desvencilhou dele e antes de ir embora o ouviu dizer:
- Certamente teremos muito o que... conversar a respeito disso.
