Capítulo 24 - Capítulo 24

Quando Hermione voltou para o seu apartamento, todas as emoções que ela tinha tentado segurar em seu percurso, simplesmente saíram. Nem mesmo a presença de Ginny e Harry conseguiu impedir que ela não explodisse. Depois de alguns resmungos de desculpas, se trancou em seu quarto e tentou pensar em tudo adequadamente.

Bastante tremula, deitou na cama, decidida a tomar uma decisão a respeito de tudo.

Severus Snape tinha um filho. O homem pelo qual ela se descobriu apaixonada tinha um filho.

Aquele pedaço de informação pareceu mudar totalmente sua perspectiva, afinal, um filho com a ex-esposa era algo que os ligava para toda a eternidade. Além disso, quem poderia garantir que se ela continuasse com Snape, não estaria impedindo que uma família pudesse ser reconstruída?

Hermione não havia tido uma boa experiência com seu pai e sua mãe. No passado, tudo que ela queria era que as amantes de seu pai se dessem conta do mal que estavam fazendo a ela e a sua mãe.

Não que ela colocasse a culpa naquelas inúmeras mulheres, já que o único errado na história toda era apenas ele, seu pai. Porém, na época ela realmente achava que se as mulheres que andavam com ele tivessem um pouco mais de compaixão pela família que esperava por ele em casa, eles poderiam ter tido uma chance.

A jovem sabia que não poderia continuar com aquilo, a presença do menino na vida do pai certamente poderia reacender algo e, talvez, eles poderiam ter uma nova chance.

- É o fim de algo que mal começou. - A voz pequena e exasperada saiu de sua boca.

Ela estava se sentindo a mulher mais patética do mundo por estar sofrendo por um homem que mal conhecia daquela forma. Mas não conseguia evitar todos aqueles sentimentos desagradáveis.

A idéia em si me deixou enojada, porém, era um sentimento inevitável.

Ela não tinha estado em um relacionamento por muito tempo. Não se apegar deixava as coisas bem mais simples. Mas lá estava ela, refém de suas próprias escolhas.

Hermione sempre entendeu que o melhor era manter distância para que expectativas não fossem criadas. Ela sabia que aquilo era consequência do relacionamento conturbado dos seus pais, sua psicóloga já havia dito que era medo do abandono, rejeição. Um sentimento que há havia experimentado.

As coisas com Victor haviam sido como deveriam ser. De repente eles se conheceram, houve um interesse mútuo, eles conversaram. Pouco depois trocaram mensagem e saíram juntos.

Quando dava se ligavam, um dos dois simplesmente sumia e não ligava mais e estava tudo bem. Era algo bom e confortável.

Hermione estava se perguntando o motivo de ter abandonado o seu plano mais do que perfeito. Não se apegar era o ideal e ela havia se perdido naquela missão.

(...)

Harry e Ginny estavam distraidamente jogados no sofá aproveitando o restinho da noite.

- Você acha que eu devo tentar falar com ela novamente? – A ruiva perguntou.

Harry deu de ombros e levantou a cabeça olhando em direção a porta. Hermione parecia estar passando por uma espécie de luto que ele não conseguia entender, mas certamente uma conversa com Ginny poderia ajudá-lo.

- Eu não sei. Acho que deveria sim. Ela pode querer alguém para chorar, certo? Deve ter terminado com Krum.

- Krum? Não... eles já não estão juntos. Bem, acho que eles nunca ficaram verdadeiramente juntos. Era uma espécie de relacionamento aberto, se é que era um relacionamento. Mas essa não é a questão, já faz algum tempo que aquilo acabou. Acho que vou dar um tempo para ela. Talvez ela precise de um tempo. - Ela olhou para ele, deu um pequeno sorriso. – Está na hora de você ir!

- O que? Por quê? – Resmungou.

- Estamos indo devagar! Se esqueceu?

Ele passou um braço em volta dos ombros dela e a puxou para ele:

- Tudo bem, mas amanhã você tem um compromisso comigo, não se esqueça. - Ele passou em seu rosto, e a beijou.

Depois de mais um beijo, Harry se levantou e saiu. Ali onde estava sentada, Ginny piscou de repente e olhou para o lugar vazio no sofá. Ela não tinha certeza se aquilo estava certo, algo dentro dela não estava feliz como deveria, porém, ela daria a eles mais uma chance, talvez, com o tempo, as coisas pudessem ser como eram.

Deixando seus problemas um pouco de lado, lembrou-se de como a amiga havia chegado e concluiu que era hora de conversar com ela.

Quando Gin abriu a porta, Hermione fechou o livro com força, enxugando as lágrimas do rosto esperando que a amiga não visse. Gin se aproximou e deitou ao seu lado. Em resposta, sua amiga enterrou a cabeça em seu pescoço e deixou que as lágrimas caíssem novamente.

- Foi um dia ruim? – Gin sussurrou.

- O quê? Você nem imagina.

A ruiva olhou de volta para ela, tentando decifrar o que se passava por baixo daqueles olhos castanhos.

- Certo! Bem, ele deve ser alguém bem importante para você, Hermie.

- Como você sabe que é por alguém?

- Ah, por favor. – Gargalhou levemente. – Conheço de longe um choro de um coração partido. Me conte quando estiver pronta.

- Como posso dizer isso? – Sussurrou em meio aos soluços. - Eu finalmente achei que havia conhecido alguém que valesse a pena. Por alguns instantes, acreditei que havia encontrado a paixão da minha vida.

- Achou? – Gin engasgou.

- Bem! As coisas mudaram. - Disse mordendo o lábio inferior.

- Como? Tenho todo o tempo do mundo.

- Eu descobri uma coisa que muda um pouco as coisas. – Grunhiu caindo no choro novamente.

- O que há de errado Hermione? Por que você está chorando? Ele fez algo com você ou com alguém? – Questionou apreensiva. - Oh amigaa... o que seria tão grave?

- Ele tem um filho!

Depois de um pequeno suspiro de alivio, a ruiva segurou o queixo de Hermione na mão

- Um filho? Bem, então ele tem um filho. Achei que ele tivesse matado alguém. – Hermione a encarou sem entender. – Ok! Olha amiga, um filho não é algo que muda muito, é? Ele não te disse?

- Não disse, mas essa não é a questão.

- Então por que você acha que um filho muda as coisas?

- Quem me garante que ele e a mãe dessa criança não irão voltar, Gin? Quem garante que existe algo inacabado entre eles? Não serei eu a estragar isso. Jamais farei com alguém o que fizeram com minha mãe! Eu sei que ele não é casado, mas... ele foi casado e... bem... Não é certo.

- Meu Deus, amiga. – Repreendeu com pena. - Olha para onde essa conversa foi! Pare, isso não faz sentido nenhum.

- Para mim faz. - Hermione interrompeu.

- Não faz não, Hermione. Mas se isso é tão importante para você, converse com ele. Isso é muito diferente do que aconteceu com seus pais.

- Não posso. Para mim é igual, Gin.

- Tome seu tempo, mas quando estiver com a cabeça no lugar já sabe o que fazer.

- Está decidido, Gin.

- Oh, querida. Bem, que tal um chocolate tempo?

(...)

- Severus? - Narcisa chamou por ele.

- Na sala de jantar! – Respondeu e a mulher logo percebeu a diferença em sua voz.

Narcisa não estava preparada para o que encontrou. Snape estava com um copo de Whisky na mão e a garrafa vazia na mesa.

Esfregando o pescoço, ele olhou para ela e voltou seu olhar para sua bebida.

- Percebo que não teve uma noite agradável. - Disse timidamente.

- Isso é um eufemismo. - Ele riu. - Não correu bem.

- Provavelmente a próxima tentativa vai ser melhor, Severus. - Disse a ele. – Ele é seu filho, uma hora vocês irão se acertar. Além disso, ele é só uma criança.

- Bem Tobias e eu nunca nos demos bem, e eu era só uma criança. Então, isso não diz muita coisa.

- Ah, deixe disso. Você não é o Tobias! Se tudo que sua mãe já me disse diz algo sobre ele, ele não era nada como você! - Sussurrou baixinho no pequeno espaço entre eles. – Tenho certeza que encontrarão o caminho. Nem tudo foram flores entre Lucius e Draco, mas isso não diminuiu o amor que eles sentiam um pelo outro. Boa noite, Severus.

- Boa noite, Narcisa. - Severus disse suavemente.

Uma vez que a mulher havia se retirado, ele se pegou pensando no dia que ficara sabendo que Letta e ele estavam esperando um menino. Severus achava que aquele dia em questão, junto com o dia que Luke nascera, era definitivamente era um dos seus dias mais felizes.

Flashback on

- É um menino ou menina? – Sua esposa perguntou. Ela hesitou e olhou para ele.

- Nem sempre podemos dizer tão cedo, mas vocês serão agraciados com um menino! – O médico revelou ajustando a direção do monitor para que marido e mulher pudessem ver a tela.

- É um menino? Um filho ... eu terei um filho! – Severus Snape respondeu, embora obviamente surpreso. O médico apertou sua mão, embora Letta ainda estivesse um pouco atordoada ela tinha um sorriso deslumbrante que Snape não via há um bom tempo.

- Ai está! Sabia que você tinha uma preferência. Não acredito que você não tenha me dito. – Letta disse com um tom vago de descrença, mas com um leve sorriso nos lábios. - Precisa disfarçar melhor sua satisfação, Severus.

Snape se virou e olhou para ela com certa malícia, seus lábios puxados para o lado em um sorriso.

- Não tenho a menor idéia do que você esteja falando. – Ele sussurrou. – Não existia uma preferência.

- Você sabe muito bem do que estou falando, Severus. – Sussurrou e mordeu o lábio inferior.- E pelo jeito existiu.

- Não veja as coisas dessa perspectiva, Letta. Qual será o nome dele, Sra. Snape?! – Perguntou.

- Não sei, mas estava pensando que se fosse um menino, poderia se chamar Luke.

- Luke Lestrange Snape! É um bom nome. – Severus examinou. – Olá, garotão... – Sussurrou para a barriga da esposa. - só queremos que saiba que você é muito esperado. - Sua voz falhou na última palavra quando sua esposa o surpreendeu com um beijo.

Flashback off

Uma vez que aquela breve lembrança havia passado bem diante de seus olhos, ele percebeu que Narcisa estava certa no que ela acabara de dizer. Severus sabia que com o tempo consertaria as coisas com o filho. As coisas com Hermione, por outro lado, ele não sabia dizer do que esperar.

(...)

Eram duas horas da manhã quando Ginny ouviu que alguém batia na porta. Bastante sonolenta, a ruiva passou as mãos pelos cabelos desgrenhados e se levantou.

- Krum? – Perguntou com a mão na porta.

- Cadê ela?

- Hermione está dormindo! Onde mais ela estaria a essa hora? – Perguntou brava. - Aliás, você não deveria estar aqui. Pelo amor de Deus, vá embora!

- Ah, mas ela vai me ouvir. - Começou a rir descontroladamente. – Ela me deve.

Ginny Weasley o encarava estranhamente. – Até onde eu sei, Hermione não te deve nada, Krum. Vá embora ou chamarei a polícia. Você está bêbado e cheira mal.

- Tenho uma notícia muito emocionante para ela. - Disse ele, revoltado.

- Não me diga! Existe um problema? – Grunhiu ironicamente.

- Claro que existe um problema! Hermione deu queixa de mim! Ela ficou maluca, Weasley? Como teve a coragem de dizer que a sequestrei? Ela tem noção que vai acabar com minha carreira? Hermione tem que fazer isso parar!

- Na verdade, você que acabou com sua carreira. - Disse Weasley, tentando fechar a porta, mas ele impediu. – Você a sequestrou Krum! E até onde sei nem deveria estar aqui porque existe uma medida protetiva contra você.

- Foi o Snape, não foi? Aquele velho tolo. Isso não ficará assim.

- Vá embora! - Estalou. – Se não for, farei um escândalo. Meu vizinho é um renomado jornalista, ele ficará muito feliz em escrever uma matéria sobre como você acordou todo o prédio neste estado deplorável.

- Isso não ficará assim. - Ele gritou: - Todos vocês irão pagar.

- Vai tarde. - Gritou de volta. – Não temos medo de você, Krum. – Revelou batendo a porta.