Narcissa saiu da casa do primo confusa... toda aquela provocação com o primo havia a excitado muito, pois, se sentia desejada por um homem que, sem dúvidas, lhe daria o prazer que ela procurava. Foi com esse pensamento que ela aparatou, diretamente, na mansão. Sem dúvidas, ali era o pior lugar do mundo e ela já estava farta de Lucius, dos Comensais, daquela vida e de tudo o que cercava aquilo. Caminhou pela sala e foi para o quarto do filho, como se fosse encontra-lo ali. A loira se sentia aliviada em saber que o seu menino estava seguro, seria feliz e que, mesmo tão novo, estava construindo a sua própria família feita de amor. Ela sorriu com isso e se animou a arrumar o restante das coisas que ele necessitaria. Ainda tinham tantas roupas e pertences pessoais para serem enviados, que ela começou a reduzir a maioria, para que tudo coubesse na mala que ela havia providenciado. Já estava terminando, quando ouviu a voz do marido atrás dela:
- O que está fazendo?
- Soube que Draco está em Hogwarts e decidi enviar a ele algumas coisas. Não vou deixar que o meu único filho passe necessidades – Narcisa se virou o enfrentando e recebeu uma bofetada.
- Sua idiota me conte a verdade – Lucius vociferou.
- Olha aqui, nunca mais erga a mão para mim, seu covarde! Se tentar, mais uma vez, vou me queixar com o Lorde e aproveitar que a sua situação perante ele é uma das piores. Então, não tente mais nada – ela gritou o empurrando e continuou:
- Você não pode me bater, porque eu estou grávida e o filho não é seu!
- Não diga que está grávida de um filho do mestiço?! Você não fez isso, sua piranha – ele estava tomado de ódio a agarrando pelo braço.
- Por que teria que ser dele? E se for de outro? Pode ser de qualquer um – a loira se desvencilhou dele com força e viu que se não começasse a berrar o mais alto que pudesse, Malfoy lhe daria uma surra ali mesmo.
- Narcissa, não brinque comigo! – ele vociferava já levantando a mão novamente para lhe agredir novamente.
- Já disse, eu estou grávida e não é seu. Fim do assunto! – Narcissa, mesmo sentido o que poderia acontecer, o impeliu e se trancou no banheiro para evitar o pior. Com isso, Malfoy saiu do quarto furioso e ficou mais ainda quando deu de cara com Snape subindo as escadas.
- Onde está a Cissa? – ele questionou o loiro.
- Já veio atrás da vagabunda da sua amante? – respondeu esbravejando. Snape acelerou o passo, subindo os dois últimos degraus no impulso e lhe deu um soco, o erguendo do chão e o atirando contra a parede.
- Nunca mais chame a Narcissa de vagabunda, seu merda? Se fizer isso ou pensar em alguma ofensa contra ela, eu arranco a sua língua com as mãos – em um impulso de raiva, acabou dando mais alguns socos e cuspiu na cara de Malfoy. Mas, antes de se afastar disse:
- Você é o típico machão que adora bater em mulher, mas se caga de medo quando tem que sair na porrada com outro homem.
- Ora, não me diga que está a defendendo tanto por causa do bastardo. Caso tenha esquecido, mestiço de bosta, ela ainda é casada comigo e se a Narcissa insistir em prosseguir com a gravidez, eu mato os dois – gritou o loiro limpando sangue que saia da boca e do nariz.
- Do que está falando, Lucius? – Snape se virou para ele.
- Que o filho que Narcissa espera é seu. Vai negar? – disse se levantando e avançando em direção ao moreno para brigar.
- Um filho? Meu? - olhou para Malfoy incrédulo.
- Vocês são amantes! É claro que, uma hora ou outra, isso aconteceria e começo a pensar que o Draco também é e ela sempre usou o Glamournele para esconder a verdade. Não negue! – o loiro estava completamente transtornado e Snape o soltou e ficou com uma cara de quem não estava conseguindo formular os pensamentos de forma coerente. Era verdade que tinham transado. Mas, será possível que ela tivesse engravidado? O que faria se isso fosse verdade? Ele não tinha muita certeza se poderia ou não ser pai após tantos anos de tortura e, até onde lembrava, Narcissa tomava precauções para que isso não ocorresse.
Snape se virou e desceu as escadas, indo com o olhar perdido rumo ao jardim... não conseguia parar de pensar no que acabara de escutar. Nunca havia pensado nessa possibilidade, era a primeira vez que ele tinha esquecido de se proteger, não podia ser real. Ele começou a bater em si mesmo, como se estivesse lutando para sair de um pesadelo. Se aquilo fosse verdade, não a abandonaria. Mas, teria que abrir mão de todos as suas ilusões de amor e de construir uma família com Hermione. Esse pensamento o torturou, porque perderia a sua rainha para sempre.
Como esqueceu completamente quais os motivos o haviam levado para lá, acabou retornando para casa. Ao entrar na sala, se sentiu aliviado por não ver ninguém, pois o seu humor estava tão terrível que era capaz de matar a primeira pessoa que cruzasse o seu caminho. Sentia ódio de si mesmo e se sentia sujo por ter traído a sua menina linda. Subiu as escadas se controlando para não quebrar metade da casa em um ataque de fúria. Mas, ao entrar no quarto, sentiu como se uma barra de concreto tivesse caído sobre a sua cabeça... estava lá ela, a sua amada, a musa dos seus mais secretos sonhos românticos. Como Afrodite, tinha os seus cabelos molhados e nua, simbolizando toda a perfeição feminina em cada traço e gesto. Hermione, quando viu um vulto na porta, se assustou e agarrou a toalha, que estava em cima da cama, para se cobrir e Snape virou o rosto em direção à porta.
- Me perdoe a indiscrição, senhorita Granger. Eu achei que não tivesse ninguém em casa, por isso entrei desta forma no quarto... - ele falava a olhando com o canto dos olhos.
- Senhor, eu é que tenho de me desculpar. Eu deveria ter trancado a porta. Fiquei tranquila com o fato das meninas terem saído e não pensei que o senhor fosse voltar mais cedo para casa hoje... Eu vou terminar de me vestir no quarto da Dora, com licença - ela disse passando por ele enrolada na toalha.
- Hermione... não precisa fazer isso, o quarto é seu – ele segurou gentilmente o seu braço para a deter. Naquele momento, ambos estavam muito próximo um ao outro e aquilo começou a assusta-lo. Afinal, queria reviver com ela tudo que um dia vivenciaram no passado. Porém, sabia que, agora, a experiência seria diferente e intensa. Ele já não era mais um adolescente cheio de hormônios e tudo o que viveu apenas testificou que a castanha era única na sua vida. O coração dos dois estava disparado...
- Severus? - ela disse, erguendo o rosto o olhando, fazendo com que ele fechasse os olhos e sentisse o calor que reacendia dentro dele como mil brasas atravessando o seu peito.
- Diga... – respondeu baixinho.
- Você lembra de mim? – Hermione mantinha a visão fixa nele.
- Roubaram você da minha memória, mas nunca do meu coração... - Snape acariciou as bochechas dela e, a castanha, não se conteve deixando que a toalha caísse no chão.
- Isso não é certo, eu sou seu professor. Sou mais velho que você – ele sentia que a respiração vinha com dificuldade.
- Não estamos em Hogwarts e tenho idade o suficiente para decidir o que eu quero – Hermione falou beijando a ponta de cada um dos seus dedos longos, fazendo com o que o mestre em Poções tentasse controlar um gemido que tentava se libertar da sua garganta.
- E o que você quer...
- Quero você de todas as formas possíveis – ela agora chupava cada um deles.
- Hermione, não me tente assim... eu posso acabar perdendo completamente o controle - Snape tentava se agarrar ao fio de sanidade que ainda lhe restava.
- Nós já fizemos antes, Severus - conduziu as mãos dele ao seu corpo. Como a desejava, a amava tão inteiramente que senti-la era a sua maior perdição. Ele a abraçou e a levantou no colo, a cobrindo de beijos.
- Amor, nos tornamos homem e mulher juntos... meu corpo e o seu foram um só – sussurrou e ele sem conseguir pensar direito, a prensou contra a porta e, ela, o beijava com o seu corpo todo puxando Snape para si.
- Eu te amo, minha rainha Hermione... acho que você nunca saberá o quanto e o que eu já fui capaz de fazer por não suportar a ideia de que não ficaríamos juntos - ele acariciava o seu rosto.
- Sevie, eu amo você também - ela o olhava e sorria com uma profunda felicidade. Tinha a mais absoluta certeza de que eles ficariam juntos. Mas, ele, indo contra todos os seus instintos de possui-la ali mesmo, de pé, como dois desesperados, a deteve e interrompeu os carinhos que estava fazendo.
- Nunca duvide do meu amor e do meu desejo de ter você todos os dias, mas não é o certo. Eu só vou tocar em você novamente, quando fizer 18 anos. Tente entender o meu lado, eu não sou mais aquele menino. Antes de você decidir qualquer coisa, deve saber quem eu me tornei e o que eu sou. Se, depois disso, não me quiser mais, eu vou entender. Mas, eu não me perdoaria se te enganasse – a beijou sentindo o seu coração se partir ao perceber que ela o olhava duramente e que ele a decepcionara mais uma vez.
