Mais um final de semana se aproximava e tudo o que ocorrera durante aqueles dias fora um verdadeiro desastre... sua cabeça latejava de dor por conta de notícias ruins e, principalmente, por ter partido o coração de Hermione ao fugir dela. Snape estava furioso consigo e com tudo o que estava a sua volta. Para piorar a situação, buscava há dias falar com Narcisa e esclarecer toda aquela conjuntura. Mas, tudo o que conseguia era não a encontrar em casa, ou, quando a achava, ela estava acompanhada de alguém e o evitava. Ele já começava a pensar em um plano de sequestro, para que conseguisse, nem que fosse por 5 minutos, conversar com ela e resolver tudo de uma só vez.

Entretanto, foi naquela sexta-feira, que, ele teve certeza de que nada poderia ser tão ruim que não pudesse piorar e chegar à beira da catástrofe. O que era para ser uma noite, relativamente tranquila, se transformara em poucos minutos em que viu Mcgonagall entrando nos seus aposentos e lhe dizendo que deveria ir urgentemente para a enfermaria... Snape pegava partes das frases que ela lhe dizia para entender o que estava acontecendo. Um cabeça oca foi aos aposentos de Slughorn... bebeu hidromel... foi envenenado... como é que isso se efetuou? Hogwarts estava uma loucura, algum filho de Comensal estava aprontando e Voldemort não compartilhava mais nada com ele e, para fechar com chave de ouro, Dumbledore estava convocando uma reunião para o domingo na sede da Ordem com todos os membros para fazer um comunicado importante.

- O inferno deve ser um lugar bem mais agradável e tranquilo! – pensou consigo mesmo, ao mesmo tempo em que acompanhava a professora pelos corredores.

Ao chegar na enfermaria, encontrou Ronny Weasley acamado e, ao lado dele, estava Hermione. Snape teve certeza de que aquilo só poderia ser uma espécie de castigo por todos os erros que cometeu durante a vida e, quem sabe, por outras vidas que poderia ter tido ou que ainda viria a ter... porque, se de um lado, achava-se a "sua castanha", do outro, se situava Lavander Brown... e, as duas, discutiam como duas lavadeiras quem permaneceria junto ao ruivo por ter mais direitos de propriedade. O cenário se deteriorou e toda a conjunção de fatos se agravaram ainda mais, quando o Ronny começou a sussurrar o nome de Hermione, e, Lila, em uma crise incontrolável de choro, passou pelo mestre em Poções correndo. Para completar o caos, ele viu a mulher, que tanto amava, sentar ao lado de outro e pegar a sua mão, passando palavras de confiança e conforto:

- Calma Ronny, eu estou aqui.

Snape olhou fixamente para as mãos dela e sem dizer uma palavra saiu da enfermeira quase arrancando a porta pelo ódio que sentia. Antes de decidir fazer qualquer coisa, retornou às masmorras e quebrou mais da metade do seu escritório para descontar toda a frustração que o dominava. Tudo estava dando errado na vida dele e ele não conseguia ter o controle das coisas, nem que fosse por 5 minutos, porque sempre ocorria algo ou alguém decidindo quais eram os seus deveres. Estava revoltado com tudo aquilo e bebeu mais de meia garrafa de firewhisky antes de decidir sair de lá e seguir direto para a mansão Malfoy, onde, certamente, o Lorde das Trevas o mandaria para alguma missão. Nunca sentiu tanta vontade de matar alguém como naquele dia...

- Severus, meu mais fiel servo, espero que já esteja a par dos meus planos de invadir Hogwarts. Estava pronto para designar o menino Malfoy para a tarefa... mas, sabemos o que o traidor fez e, Pansy Parkinson, tem falhado miseravelmente nas atribuições que recebeu – dizia Voldermort, enquanto alisava Nagini que estava próxima a ele.

- Milorde, posso ousar perguntar quem o senhor pensa em colocar para a execução deste trabalho, visto que a senhorita Parkinson já se mostrou completamente inapta para uma obrigação de tamanho porte? Certamente, será outra das minhas alunas na Sonserina, assim, posso guia-la da melhor maneira para que execute a tarefa sem deixar rastros. Afinal, a maioria delas são filhas de Comensais e estariam dispostas em receber tal função. O que torna difícil a escolha, se o senhor me permite dizer... – Snape terminou de falar fazendo uma nova reverência.

- Eu sei Severus, que é uma tarefa fatigante escolher uma entre tantas e, por isso, quero que você me diga o que acha. Quem é mais apta para executar as minhas ordens? Ou se esqueceu que está ainda naquela escola, pelo fato de que eu necessito de olhos e ouvidos ali, para estar sempre a um passo à frente de Dumbledore? – o Lorde das Trevas o olhava com raiva pela sua impertinência.

- Milorde, o senhor me desculpe pela insolência ao ousar reclamar de uma tarefa, não foi a minha intenção. Quis fazer apenas um pequeno apontamento com relação ao número de jovens que não veem o momento em que poderão se aliar ao senhor. Quanto a sugestão, penso que a candidata perfeita não seria uma sonserina, mas sim, alguém de outra casa. Isso, tiraria o foco da nossa casa e nos deixaria o território livre dentro do castelo – o mestre em Poções começava a traçar um plano na sua cabeça, que poderia funcionar brilhantemente, se a outra pessoa aceitasse participar.

- É uma sugestão bastante perigosa, Severus. Mas, eu vou considerar a sua proposta de retirar as atenções dos sonserinos... seria bem interessante de se fazer e mostrar a todos que meus aliados estão por todos os cantos – sorriu sadicamente com o pensamento e prosseguiu:

- Mas, quem seria?

- Eu acredito que, quem nos será leal e seguirá o que o senhor disser, será uma menina corvina. Ela se chama Luna Lovegood... eu a observo há anos e sei que é suficientemente inteligente para estar do lado certo e fazer com louvor todas as atribuições que lhe serão dadas – garantiu, refletindo que ela era a única que teria a esperteza necessária para driblar o Lorde das Trevas.

- Severus, quero que traga essa menina aqui amanhã. De preferência, à noite, quando eu pretendo dar um jantar para os mais próximos. Será uma oportunidade de todos sermos devidamente apresentados. Agora vá – Voldermort fez um gesto para dispensá-lo.

- Como o senhor quiser, milorde – Snape fez uma nova reverência e se retirou da sua presença, indo em direção à biblioteca. Sabia que, por aquele horário, encontraria Narcissa por lá e, finalmente, conseguiria conversar com ela. Ao chegar e abrir a porta, a viu sentada em uma das poltronas lendo.

- Boa noite, Cissa. Quanto tempo! – disse sarcasticamente.

- Boa noite para você também, Sevie – a loira baixou novamente os olhos e continuou concentrada no livro, fazendo com que ele soltasse um suspiro teatralmente alto e começasse a questionar:

- Eu gostaria de saber se a senhora Malfoy me daria a honra de responder uma pergunta?

- Claro, professor Snape. Qual é a sua dúvida? – ela colocou gentilmente o objeto em cima da mesa e cruzou as mãos sobre as pernas esperando que ele começasse a falar.

- Você está grávida mesmo? Esse filho é meu? – Snape analisava os gestos dela cuidadosamente para ver se Narcisa mentiria para ele.

- Não, não estou e, se estivesse, não seria seu – sorriu.

- Você... sua bruxa sórdida... porque foi inventar isso? Ah, Merlin! Mulher, você quer me matar ou o quê? – ele respirou profundamente, como se estivesse tirando um peso gigantesco das costas ao receber aquela negativa.

- Até onde eu bem me lembre, não disse nada a este respeito para você. Quem saiu espalhando aos quatro ventos que eu estava grávida de um filho seu, foi o Lucius. A consequência disso é que o Lorde o proibiu de chegar perto de mim, depois que eu fiz reclamações relacionadas ao seu comportamento e a forma com que vinha me tratando – Narcissa deu de ombros e ainda demonstrou a sua satisfação ao comunicar:

- Soube que ele levou alguns Cruciatus por ter me agredido nessa "condição", além de você mesmo ter dado uns socos nele. Penso que, assim, ele perca o péssimo hábito de me agredir ou me ofender.

- Cissa, você é maquiavélica e eu tenho medo disso algumas vezes... principalmente, quando, por sua causa, eu fiquei com a cabeça tão cheia de perturbações e dúvidas. Graças a essa mentira, eu não consegui me reaproximar da Hermione – Snape olhou para ela com um semblante de reprovação.

- Ah, Sevie... você não fez isso! Por Salazar, homem... mesmo que fosse verdade, jamais me colocaria entre os dois – a loira se levantou o abraçando.

- Eu não te abandonaria... – antes que ele terminasse de falar, ela pôs a mão nos lábios dele e disse:

- Sei disso e, entenda, eu não estragaria a sua felicidade por conta de uma noite. Você nunca me desamparou em nenhuma situação, ficou com a responsabilidade de criar uma criança, quando ainda era só um menino... é a figura de homem e pai, que o meu Draco se espelha. Então, jamais eu afastaria de você o seu maior motivo de contentamento e paz. Sevie, você é o meu melhor amigo, é alguém que eu amo com todo o coração e quero muito que seja feliz. Não há pessoa no mundo que mereça mais os júbilos da vida, do que você. Esqueça a diferença de idade, os obstáculos... jogue tudo para o alto e lute pela Hermione.

Ao retornar a Hogwarts, na manhã do dia seguinte, Snape começou a percorrer os corredores. Quando encontrou Luna próxima à entrada do salão principal, foi logo dizendo:

- Senhorita Lovegood, venha comigo até a minha sala.

- Fiz alguma coisa errada, senhor? – ela o olhou preocupada.

- Não, só me acompanhe, lá eu lhe falo qual o assunto – fez um gesto com a cabeça para que ela o acompanhasse. Eles seguiram em silêncio até que entraram no escritório e Snape começou a falar a questionando:

- Senhorita, primeiramente, eu quero saber se tem conhecimento sobre Oclumência?

- Sei sim... meu pai nunca soube explicar como eu nasci com esse dom, por quê? – Luna se mostrou curiosa com a estranha pergunta.

- Ótimo, isso era o que eu precisava ter conhecimento antes de lhe pedir uma coisa... Tudo o que conversarmos aqui, será jogado nas profundezas da sua memória, certo? É perigoso que alguém descubra – ele mexia com as mãos a observando concordar com o que estava ouvindo, embora parecesse inquieta com tudo aquilo.

- Professor, o senhor está me assustando ao falar assim – a menina loira mordeu o lábio em sinal de apreensão.

- Não fique com medo! Você sabe que eu pertenço à Ordem e que eu sou um espião duplo. O Lorde hoje me mandou recrutar uma aluna para ser os seus olhos e ouvidos aqui dentro e eu lembrei da senhorita, pois é a mais capacitada para esta tarefa – Snape se aproximou, apontando para que ela sentasse no sofá próximo à lareira.

- Porque eu trairia Dumbledore e a Ordem? Não estou o entendendo... – perguntou ansiosa.

- Está sim, só está assustada. O que eu peço é que me ajude. Assim, podemos evitar que o pior aconteça... Se aceitar, eu prometo lhe proteger e nada de ruim vai acontecer – em um gesto impensado ele segurou as mãos dela para passar confiança e Luna o olhou fixamente.

- Sabe, senhor... às vezes, eu tenho sonhos estranhos com uma noite de lua cheia e alguém de vestes negras me deixando na porta dos meus pais com um bilhete. Agora, tive a sensação de que o conheço antes daqui e que, o seu pedido, de uma forma misteriosa, me levará a conhecer quem são os meus pais biológicos – quando ela terminou de falar, ele estava pálido, porque tudo o que ela havia dito era verdade.

- O bilhete dizia que a lua cheia traz medo a tantos homens, para outros, só fascinação. Bons olhos e bons pensamentos, só enxergam a sua luminosidade que corta as trevas, trazendo a sabedoria e a intuição para aqueles que soubessem aproveitar. Tenho pena dos que enlouquecem diante do bom coração de Diana ou que se perdem em meio às matas perseguindo a destemida Ártemis... – antes que pudesse terminar, Luna sorriu para ele e concluiu:

- ... pois, elas possuem o dom da magia e enxergam a alma dos homens, amam a vida selvagem e nada temem diante de qualquer perigo.

- Então, a senhorita vai me ajudar nisso? – ele a questionou.

- Sim, mas... eu queria lhe perguntar uma coisa antes – ela com aqueles grandes olhos azuis fixos no rosto dele.

- Diga... – Snape soltou a respiração pesada, sabendo o que viria pela frente.

- Foi o senhor que me deixou lá? O senhor é o meu pai? – Luna entortou um pouco os lábios para o lado direito com dúvida.

- Não, eu não sou seu pai... mas, fui eu quem lhe deixou na porta da casa do Xenophilius e da Pandora Lovegood com o bilhete. Foi um estranho emaranhado de coincidências que me fizeram aparatar naquelas proximidades, quando eu estava em fuga e machucado. Vi um elfo conhecido abandonando um bebê próximo a uma árvore e esperei que ele sumisse para me aproximar. Então, encontrei você ali... parecia uma boneca pequena e loira – ele sorriu com a lembrança e continuou:

- Pensei em levar você para casa... Nymphadora ia ficar muito feliz de ter outra criança ali para brincar e não crescer tão sozinha. Mas, eu não poderia criar duas meninas e a Narcissa, já tinha o Draco, não teria como me ajudar. Isso é tudo o que eu posso te dizer...

- Tudo bem, senhor. Eu lhe agradeço por ter me ajudado e me dado pais maravilhosos – Luna o abraçou e lhe deu um beijo no rosto, o que o deixou corado. Então, ela retomou o assunto que tinha o levado a chama-la ali:

- Professor, não deixe que nenhum deles me machuque.

- Quanto a isso, não se preocupe... jamais eu permitiria isso. Você é minha responsabilidade e ninguém encostara em um fio do seu cabelo lá dentro – Snape a encarou sério.

- Eu posso lhe fazer uma última pergunta? – ela continuava o indagando.

- Claro – assentiu.

- Como são esses jantares? – ele observou que ela tinha uma expressão de medo ao fazer essa pergunta.

- Senhorita, é um jantar normal. Claro que, conversamos sobre os mais cruéis tipos de assuntos e, no final, podem ocorrer alguns assassinatos. Mas, como o Lorde das Trevas garantiu que seria algo simples para que a conhecesse, certamente, não ocorrerá nenhum evento assustador.

Snape aparatou com a jovem na porta da mansão Malfoy e, ao entrarem, Luna demonstrava com seu olhar que estava muito curiosa para vasculhar o local. Ela apertou a sua mão e o questionou:

- Senhor? Eu posso ficar ao seu lado?

- Eu vou pedir permissão ao Lorde e alegar que, como é a sua primeira visita, se sentirá mais segura ao meu lado por me conhecer. Ele não negará este pedido já que quer a sua confiança. Agora vamos, temos que entrar antes que ele se enfureça – Snape terminou de falar a conduzindo para dentro da residência.

Antes que encontrassem com Voldemort, ele percebeu que os dois estavam sendo seguidos a uma certa distância, sabia de quem se tratava e os motivos que levavam a fazer isso. Assim que tivesse oportunidade, sanaria a dúvida e a desconfiança de Narcissa. Pois, era inegável que, quem conhecesse Bellatrix desde a infância, notaria a semelhança das duas no jeito amalucado do olhar. Ela tinha muito da mulher que a pôs no mundo... de uma época em que ela ainda não era um monstro sádico e cruel. Snape, deu espaço para que a menina passasse à sua frente, se virando em direção à Narcissa e a cumprimentou com meio sorriso, para, depois entrar na sala de jantar. Ali, apresentou Luna a Voldemort, dizendo que ela era uma das alunas mais inteligentes e sagazes de Hogwarts. O Lorde das Trevas analisava a menina com interesse, enquanto o mestre em Poções ressaltava que o seu jeito sonhador a auxiliaria a passar desapercebidamente pelos locais sem levantar suspeitas e que ela circulava entre as mesas das casas sem oposição dos alunos.

- Senhorita Lovegood, Luna, é um prazer conhecê-la. Interessante que a senhorita me lembra muito alguém, mas não consigo me recordar... Entretanto, isso não vem ao caso, o que importa é que pelas recomendações de Severus sobre a senhorita, sua presença nos será de grande valia – assentiu permitindo que os dois sentassem à mesa junto aos demais.

- Milorde... essa fedelha me parece um tanto rebelde, porque não me deixa treina-la? - disse Bella com uma voz melosa que fazia Narcisa se enojar ao lado da irmã.

- Bella, suas intenções podem ser as melhores, mas, não quero uma réplica sua circulando por aí – Voldemort lhe respondeu com um ar de reprovação.

- Milorde, me perdoe por interrompê-lo... mas, tenho certeza, Bella, que o Lorde confia em Severus para capacitá-la do melhor modo - disse Narcissa encarando a irmã e fazendo uma reverência ao homem de rosto ofídico.

- Não me atrapalha em nada, Narcissa... penso que suas palavras acrescentaram questões importantes ao meu ponto de vista. E, Bella, você deveria escutar mais a sua irmã. Porque quem está me parecendo um tanto rebelde e encrenqueira é você. Quer causar uma má impressão a menina que mal chegou ao nosso convívio? – o Lorde das Trevas se virou para ela fazendo-a se encolher na cadeira em que estava sentada.

- Senhor, me desculpe interferir... mas, acho que a senhora Lestrange está agindo assim porque não gosta de mim. Me parece que a cabeça dela está sendo influenciada por pensamentos negativos, sabe? – Luna soltou essa frase, fazendo com que o Voldemort risse maleficamente se divertindo com a petulância da menina em falar aquilo a respeito de Bellatrix. Todos os demais acompanharam as gargalhadas, o que deixou a morena ainda mais furiosa.

- Minha cara Luna, tem razão! Bella anda com as ideias muito perturbadas para o meu gosto - disse se virando para Snape:

- Severus, você estava correto! Essa menina é um verdadeiro achado para nós e será tratada com respeito por todos aqui. Você será o responsável pela sua instrução para a execução do plano, quanto aos demais, se pensarem em fazer qualquer coisa contra a senhorita, vão ter que me prestar esclarecimentos pessoalmente – enfatizou as últimas palavras observando cada um dos Comensais, que apenas concordavam com o que havia sido dito. Enquanto, Malfoy, olhava para a menina com cobiça e cheio de desejo, fazendo com que a esposa sentisse por ele ainda mais repugnância do que a habitual náusea que lhe causava a sua presença. Ela já tinha encontrado com Luna, na casa de Snape, e, tinha uma certa simpatia pelo o seu jeito tão sincero de ver as coisas. Não queria que o marido chegasse perto ou pensasse em fazer qualquer mal àquela menina. Ao final do jantar, ela se levantou da mesa e segurou o amigo pela mão:

- É ela? Só basta me dizer sim ou não...

- Cissa, se me pergunta é porque já sabe a resposta – ele piscou para a loira e continuou acompanhando Luna. Antes que chegassem aos portões e saíssem da mansão, notou que estava pensativa e a indagou:

- O que a preocupa, senhorita Lovegood?

- Senhor, se eu lhe perguntasse algo, se ofenderia? – novamente ela mordia o lábio em sinal de preocupação e dúvida.

- Depende da questão, mas a senhorita dificilmente é desrespeitosa... – ele parou na frente dela a obrigando a encará-lo.

- Aquela senhora de cabelos loiros, a mãe do Draco... ela é minha mãe também? - sondou.

- Não... ela não é - Snape respirou fundo.

- Como o senhor tem certeza? – inquiriu perdida nas suas reflexões.

- Porque eu a conheço e ela jamais lhe abandonaria se fosse a sua mãe – garantiu recomeçando a caminhar, mas, logo, foi parado com uma nova constatação de Luna.

- Então, já sei quem é minha mãe e o meu pai... – a menina loira sacudia a cabeça positivamente como se concordasse com as suas observações que a levaram a um julgamento de quem poderiam ser essas duas pessoas.

- Sabe? – Snape fez uma cara que oscilava entre a preocupação e a dúvida.

- Sim. Os laços de sangue, às vezes, falam mais alto. Há algo gritando em mim para ir até minha mãe e lhe dar um abraço – ela sorriu abertamente.

- Senhorita, por Salazar! Por favor, se controle... - ele a segurou pelos ombros e antes que tentasse argumentar mais alguma coisa, Luna continuou argumentando:

- Não se preocupe, meu lado racional me diz que o melhor é simplesmente me afastar.

- Ótimo, então, siga o seu lado racional. É tudo o que eu lhe peço. Mas, a título de curiosidade, quem a senhorita acha que são os seus pais? – perguntou já a conduzindo para fora do terreno da casa.

- O senhor Malfoy e a senhora Lestrange... isso me faz irmã da Hermione e do Draco, além de ser prima da sua irmã, professor. Isso o torna quase meu parente – ela aquiesceu consigo mesma e ficava feliz ao constatar que tinha uma família grande.

- Como a senhorita, misteriosamente, percebeu tudo isso sozinha... quero lhe avisar que ambos são pessoas que você deve ficar o mais longe possível. Lucius e Bellatrix são perigosos e a senhorita já teve a prova disso dentro do Ministério da Magia. Se quiser abraçar alguém, abrace a sua tia Narcissa! Ela é confiável e lhe defenderá se for preciso, agora vamos – ao terminar a frase, eles aparataram e apareceram próximo aos portões de Hogwarts. Luna decidida a continuar o assunto, perguntou para Snape:

- Senhor, porque ela continua ali? Ela parece estar sofrendo e está deslocada longe do filho...

- Você está certa, mas falta pouco para que ela possa sair daquele lugar e se ver livre de tudo isso – respondeu abrindo os portões da escola, dando permissão para que ela passasse na sua frente e entrasse.

- Oh sim, eu sinto que logo ela vai sair daquele lugar horrível. Tenho certeza de que terá mais um bebê... um não, acho que dois ou três, e, será muito feliz – Snape viu que o rosto da menina ficara como se estivesse recebendo uma luz externa, ela estava iluminada ao dizer aquilo.

- Ora, senhorita, não me diga que Narcissa terá uma ninhada?! - ele gargalhou alto.

- Praticamente isso, senhor. Ela sempre quis ter uma família enorme, mas não teve por medo do marido – ela assentiu e o mestre em Poções respirou fundo. Achava que a garota estava um pouco confusa e a entendia, pois, podia ser difícil saber que os pais verdadeiros eram dois Comensais da Morte... um covarde e medroso; e, a mãe, uma sádica totalmente insana.

- Entendo, mas o Lucius não é capaz de produzir ninhadas... – voltou a rir abertamente.

- Mas, não serão do senhor Malfoy... eu não falei isso. Vão ser de outro, de quem menos se espera e com quem ela deveria ter vivido desde sempre. Os dois sempre quiseram as mesmas coisas – Luna sorriu para ele, vendo que Snape estava estático, como se procurasse encontrar algum sentido naquelas palavras.

- Deixe-me ver, a senhorita sugere que ela esteja grávida de alguém? - ele começou a se preocupar lembrando do que Malfoy havia lhe dito e, mesmo que a amiga tivesse negado, poderia ter feito isso por não querer prejudica-lo.

- Não, não está ainda. Fique tranquilo em relação a isso – segurou a mão dele e continuou:

- Mas, eu sei que virá logo e ela será feliz, como eu disse. Afinal, a minha tia merece.

- Como a senhorita, agora me mostra um estranho dom de fazer previsões... me diga se eu serei feliz também? – deu um meio sorriso.

- Muitíssimo, é só deixar de ser teimoso e permitir que a Hermione entre na sua vida novamente. Ela o ama muito, vai perdoar os seus erros e quer lhe dar uma família que seja sua – Luna apertou as mãos dele com força e fixou os seus olhos azuis nos de ônix:

- A minha irmã é o seu passado, o presente e o futuro, sempre foi ela e o senhor sabe muito bem disso.