Disclaimer: Copyright Jo Ro.

Anteriormente: Shelley Mumps tem uma queda por James, que está namorando sua ex melhor amiga Carlotta, e Shelley está determinada a "acabar" com Carlotta por isso. Inocentes sofreram com isso. Lily também percebeu que gosta de James, e contou a Sirius, Remus e Peter sobre isso, mas pedindo que prometessem segredo. Remus patrulhou com uma garota da Corvinal chamada Clancy Goshawk, e ele talvez tenha começado a gostar um pouco dela... mas ela tem um namorado chamado Charlie Plex, que costumava ficar com Donna mesmo namorando outra garota, Cassidy Gamp, na época. Sam Dearborn é primo de James e membro de uma organização chamada "M.P.P." ("Magia pela Paz"), junto com a irmã de Adam McKinnon, Sarah. Sam conheceu Lily no protesto contra Egbert Dearborn no Ministério em agosto, e eles se deram bem. Adam McKinnon está namorando uma garota chamada Prudence Daly, o que fez Marlene perceber que gosta de Adam, mas ela meio que se atrasou nisso aí. O tio de Sirius, Alphard, era o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas no ano anterior, mas depois ele morreu e foi um golpe para Sirius. O novo professor de DCAT é o Professor Ramsay, e havia uma garotinha estranha sentada à mesa dos professores ao lado dele.

Chapter 32- Life in the Shelley Boat

(A vida no barco de Shelley)

Or

"Expecting to Fly"

Era a terceira semana de aula: uma sexta-feira à tarde enganosamente habitual, e Donna Shacklebolt estava a caminho da aula de Feitiços. Ela partiu do almoço mais cedo, antes que qualquer uma das sobremesas aparecesse, porque os treinos de quadribol começariam em breve, e ela tinha que comer menos.

Bastante alegre, a garota caminhou pelo corredor do segundo andar, na direção da sala de Feitiços. Os corredores estavam sempre vazios nessas ocasiões – hora de refeição – e Donna podia passear sem medo de esbarrar em alguém, sua mente ocupada com coisas agradáveis, como traduções de Runas Antigas e a biografia de Cornelius Agrippa que Lily lhe emprestara.

Ela debatia quais – as traduções ou a biografia – começaria primeiro depois do jantar, quando a bruxa infeliz dobrou a esquina.

O que viu, a uns seis metros de distância, fez Donna pensar que vomitaria o almoço.

"Sabe, Snaps, eu entendo."

"Entende o quê?"

"Por que é tão difícil para você."

"Por que o que é tão difícil para mim?"

"Hum... render-se e admitir que essa é a melhor ideia que já ouviu?"

". Por favor. Claro, não é sua pior ideia..."

"Ah, muito engraçado."

"Pare de tentar me distrair."

"Como se atreve? Eu jamais..."

"Cale a boca; eu sei qual é a sua."

"Nervosa, Evans?"

"Não."

"Está sim, estou vendo."

"Por que eu ficaria nervosa com um novato como você?"

"Estou me saindo muito bem desta vez..."

"Você não fez nada."

"Você não está nem procurando."

"Não vai ganhar, Potter."

"Não seja tão cheia de si."

"Quer dizer, você está indo muito bem para um iniciante..."

"Condescendente, mas obrigado."

"...mas vai precisar de muito mais do que uma semana de treinamento para me vencer."

"Se você diz, mas tenho certeza que eu..."

"NERTS!"

N/T: "Nerts" é um jogo de cartas.

"Droga."

Lily socou o ar, rindo loucamente com a vitória, enquanto James largava a última carta não utilizada do baralho no chão de pedra entre eles. Ele se recostou no sofá, cruzando os braços e tentando parecer zangado, embora esse esforço tenha sido frustrado pela dancinha da vitória que Lily fazia sentada, o que acabou o divertindo no fim.

Eles estavam sentados de pernas cruzadas no chão da Sala dos Monitores, com dois baralhos espalhados à sua frente, os restos de uma rodada do jogo que Lily chamava de "Nerts."

Era três de setembro, uma sexta-feira à noite, e o turno de patrulha de Lily e James estava quase acabando.

"O.k., revanche," disse James, inclinando-se para frente novamente, quando Lily finalmente terminou de se regozijar.

"Espere... verifique o mapa..." Ela meneou a cabeça para o Mapa do Maroto que estava no chão abaixo do cotovelo de James. Ele obedeceu, pegando-o e examinando preguiçosamente a ilustração do castelo.

"Nenhum movimento," informou o monitor-chefe, mas Lily estendeu a mão de qualquer maneira. Ele revirou os olhos e entregou o mapa. "Acha que estou mentindo?"

"Não," respondeu ela, "só quero ser minuciosa, já que estamos distraídos..."

"Não estamos distraídos," disse James, revirando os olhos. "Estamos usando nossos recursos de forma eficiente. Na verdade, isso é melhor, porque podemos olhar o castelo todo de uma só vez. É mais fácil escapar de patrulhas normais. E eu sei que sim."

Lily bufou. "Suponho que você seja singularmente qualificado nisso." Ela lhe devolveu o mapa. "Tem razão. Tudo limpo."

James, porém, franzia a testa ao pegar o mapa de volta e o colocou no chão ao seu lado. "O que quer dizer com isso?" perguntou curiosamente. Lily já começara a arrumar as cartas e levantou uma sobrancelha para a pergunta dele.

"Eu quis dizer... que os corredores estavam limpos...?"

"Não, a outra parte. Singularmente qualificado. O que quis dizer com isso?"

Ele a observava atentamente.

"É... não sei. Você tem o mapa, não é? E duvido que alguém conheça tanto o castelo quanto você e seus amigos."

"Ah." James olhou para baixo. "Certo."

Ele ficou calado.

"Que foi?" perguntou Lily. "Eu não entendi. O que houve?"

"Nada," respondeu ele depressa. "Nada. Só curiosidade." Ele começou a recolher as cartas novamente. "Revanche?"

A "patrulha" em si terminou cerca de dez minutos depois, com Lily ainda se proclamando campeã do Nerts e James disputando ardentemente o título à luz do último jogo, no qual quase empataram.

"Dá um tempo, Potter," disse ela, enquanto voltavam à sala comunal. Ela enfiou as duas pilhas de baralho trouxa na bolsa e lançou um sorriso provocador ao monitor. "Suponho que, algum dia no futuro distante, haja uma chance de você ter condições de me vencer, mas agora o melhor que pode esperar é o segundo lugar."

"Só há dois jogadores."

"Aham, mas 'segundo lugar' é bem melhor que 'último lugar.'"

"Você é hilária, Evans."

"E você está com inveja. Pastéis de abóbora."

A última frase se referia à senha para entrar na Torre, que fez o retrato da Mulher Gorda se abrir, como de costume, e permitir a entrada dos monitores na movimentada sala comunal. Sirius Black logo acenou para eles de frente da lareira, onde se tornara o centro das atenções de alguma forma, embora Lily não conseguisse decifrar os detalhes de imediato. Remus e Peter não estavam longe, é claro, e uma dúzia de espectadores ávidos – incluindo Shelley Mumps – se reunia em torno dele.

"Tudo bem, Evans?" gritou Sirius, enquanto Lily, balançando a cabeça, revirava os olhos.

"Melhor ficar sóbrio ou vou tirar pontos, Black!" retrucou a monitora-chefe, e Sirius fingiu estar horrorizado.

"Querida, eu não sei do que está falando! Enfim, não tem como ter notado tão rápido!"

Enquanto isso, Carlotta – que estava do outro lado da sala comunal – dirigiu-se depressa ao namorado, beijando-o nos lábios e colocando os braços ao redor de sua cintura.

"Olá, Lily," cumprimentou ela com bastante cordialidade.

"Olá."

"A patrulha foi boa?" acrescentou a morena para o namorado.

"Foi o que se espera de uma patrulha."

Lily viu aquilo como uma deixa. Ela acenou para Marlene e Mary e se dirigiu à escadaria do dormitório, quase alcançando-a antes da voz de James chamar seu sobrenome.

"Hum?"

"Não esqueça de verificar seus bolsos, o.k.?"

Lily franziu a testa. "Quê?"

Mas ele apenas sorriu enigmaticamente e levou Carlotta em direção aos outros Marotos, junto à lareira. A ruiva se virou e subiu a escada, enfiando as mãos nos bolsos das vestes da escola.

Uma substância de vinil familiar roçou as pontas de seus dedos quando ela alcançou o patamar entre os dois dormitórios. Ela soube imediatamente o que deveria ser, e não a retirou até desaparecer de vista da sala comunal.

Uma carta de baralho.

Valete de diamantes.

Lily alcançou a porta de seu quarto e suspirou pesadamente.

Gostar de Potter era extraordinariamente irritante.

Seu estômago não dava cambalhotas quando o via, e nem sempre corava também. Era muito, muito pior que isso.

Sentia-se sempre estranha – nervosa e com aquela estranha sensação de formigamento na nuca. E vê-lo com Carlotta era simplesmente cruel, o que causava aos seus nervos. Ela ficava toda quente e abominava tudo: suas sardas, o cabelo perfeito de Carlotta, pessoas que sorriam...

Em momentos aleatórios, pegava-se pensando sobre a próxima vez em que o veria, ou então repetindo em sua mente partes de conversas sem sentido que tiveram antes.

Extraordinariamente irritante.

E perigoso.

Especialmente essas patrulhas. Essa foi a terceira vez patrulhando com ele, e Lily sempre ficava se sentindo culpada.

Ele tinha namorada.

Não poderia apenas… apenas… esquecer que gostava dele? Assim, passar tempo com ele não a faria sentir – bem, francamente, como se ela fosse Carlotta e James fosse Frank Longbottom.

Ou – e isso talvez fosse pior – como se fosse Shelley.

Droga.

Talvez fosse melhor ficar longe de James Potter por alguns dias.

(Cadarços)

"Eu não sei por que isso te incomoda," disse Sirius, exalando uma rajada de fumaça e cruzando os braços, cuidando de manter o cigarro aceso longe da manga de suas vestes. "Você é um retrato. Não pode nem sentir cheiro."

A Mulher Gorda – pois era a quem ele se dirigia – bufou. "É uma questão de estética, garoto. Decoro. A dignidade desses corredores sagrados, pelos quais seus próprios antepassados, distantes e recentes, andaram, estou certa..."

"Meus antepassados distantes," interrompeu Sirius, "eram, muito provavelmente, chauvinistas anti-trouxas, a julgar pelos mais recentes e os hábitos gerais dos contemporâneos. Então, vou fumar onde eu bem quiser."

"Bem, de fato, eu nunca..."

Sirius revirou os olhos e deu outra tragada, ignorando os sermões contínuos do retrato e contemplando sem rumo o corredor. Era sábado à noite; ele deveria estar fazendo algo interessante – ou ao menos perigoso – mas James estava "andando com Carlotta" e Remus estudando, e naquela noite o mundo parecia tragicamente tedioso.

Ao menos até passos interromperem o fluxo de reprimendas da Mulher Gorda, e o rapaz se virar e ver uma bruxa se aproximar do retrato. Ela estava impecavelmente vestida, seu uniforme bem passado, gravata ajustada e meias alinhadas, apesar do tardar da hora. Seu cabelo castanho brilhante caía sobre os ombros em pequenas ondas, como seda, e ela carregava um livro grande. Se pressionado, Sirius poderia ter lembrado que seu nome era Clancy.

As passadas de seus sapatos polidos hesitaram quando se aproximou da Mulher Gorda, e ela não olhou para Sirius (que estava bem perto), o que não agradou nada o Maroto. Ele deu outra tragada no cigarro e olhou para a garota – uma corvina, a julgar por sua gravata – por alguns instantes. Quando ela continuou calada, sem fazer nada, exceto parecer que queria fazer alguma coisa, ele decidiu quebrar o silêncio.

"Posso ajudá-la, Cadarços?" perguntou ele.

A bruxa olhou para ele. "Quê?"

"Quê o que?"

"Por que acabou de me chamar de 'cadarços?'"

"Porque os seus estão incomumente atados."

A corvina parecia lutar contra um sorriso. "É justo," disse ela.

"Quê? Não vai rebater?" perguntou Sirius, fingindo-se chocado. "Nenhuma confissão desesperada de um passado perigoso? Não vai dizer que não sei nada sobre você e que não deveria fazer julgamentos precipitados só porque, ao que parece, você passa suas meias?"

Ela encolheu os ombros. "Os meus cadarços estão incomumente atados."

Sirius sorriu. "Tudo bem, você passou. Qual é o seu nome?"

"Clancy Goshawk."

"E eu sou..."

"Sirius Black," concluiu ela por ele.

"Eu amo quando as pessoas fazem isso," disse Sirius. "Me sinto famoso. Tudo bem... então, por que está atrás da sala comunal da Grifinória? Nenhum corvino pode entrar, receio, amor."

"Bem..." Ela agarrou o livro de couro que apertava junto ao peito. "Eu estava procurando por um amigo seu."

"Quem?"

"É... Remus Lupin?"

Sirius a encarou. "Você está procurando por Remus Lupin?" perguntou ceticamente.

"Sim."

"Remus John Lupin?"

"Hum... sim..."

"Ele está... te ensinando ou algo assim?"

"Ah, não." Clancy deu um sorriso nervoso e afrouxou o aperto no livro, segurando-o de forma a mostrar-lhe a capa. "Ele me emprestou na quinta-feira... sabe... patrulhas de monitores. Enfim, achei melhor devolver, então vim até aqui esperando encontrar alguém que pudesse entregar a ele na sala comunal."

Sirius continuou a encará-la. "Foi mesmo?" perguntou ele, intrigado.

"Sim."

"Bem, isso é... muito atencioso." Sirius largou o cigarro no chão e pisou nele. A Mulher Gorda fez um ruído de desagrado, que ele ignorou totalmente. "E como sabia onde fica a Torre da Grifinória?"

"Ah... Remus me disse da última vez que patrulhamos juntos."

"Ele disse, hã?"

"Sim... ah, não se preocupe," acrescentou Clancy depressa. "Ele não me disse a senha ou qualquer coisa do tipo. Enfim, eu só... o livro..."

"Não se preocupe," disse Sirius lentamente, dando um passo à frente e estendendo a mão. "Muito gentil, de fato, Cadarços. Vou entregar a ele..."

Clancy hesitou. "É claro," continuou ela, sem olhá-lo nos olhos, "eu não pensei nisso antes, mas... talvez fosse melhor eu devolver o livro pessoalmente. Algumas pessoas podem ser bastante cuidadosas com os livros; eu mesma sou, e gostaria muito de agradecer também, e tem... tem uma pergunta que queria fazer a ele sobre algo no capítulo trinta e dois, e... "

"Três," interrompeu-a Sirius.

"O quê?"

"Três," repetiu ele. "Três razões. Acho que é o suficiente, Cadarços. Vou chamar Remus..."

"Ah. Obrigada."

"Claro. Cubra os ouvidos, por favor, o.k.?"

"Por quê?" perguntou Clancy.

"Senha."

"Ah, certo."

Ela se afastou, segurando o livro debaixo do braço e usando as mãos para cobrir as orelhas, enquanto Sirius murmurava a senha para a reprovadora Mulher Gorda.

Na sala comunal, Sirius encontrou Remus quase imediatamente. Ele estava compartilhando as anotações de Defesa Contra as Artes das Trevas com Marlene Price em uma mesa perto de uma das janelas, e Sirius caminhou até eles.

"Moony, tem alguém esperando do lado de fora por você," disse ele solenemente, colocando as mãos nos bolsos e mantendo o queixo alto.

Remus tirou os olhos de uma pilha de pergaminho que vasculhava, a confusão gravada em sua testa. "Quem?"

"Uma garota da Corvinal," respondeu Sirius enigmaticamente.

"Bem, isso já diminui," disse Marlene. "Você tem mais alguma coisa sobre dementadores, Remus? Eu estava pensando em escrever minha dissertação sobre eles..."

"Sim, eu tenho..."

"Moony," interrompeu Sirius, impaciente. "Poderia, por favor, não me ignorar quando estou tentando ser misterioso? Tem uma garota lá fora querendo te ver."

Remus olhou para cima mais uma vez. "Uma garota?"

"Anatomicamente, pelo menos."

Remus franziu a testa. "Por que é que você conhece palavras como 'anatomicamente,' mas passou vinte minutos ontem tentando me convencer de que 'intrecal' era uma palavra?"

"Intrecal é uma palavra."

"Não é não. Você está só combinando 'integral' e 'intrincado...'"

"Espere, 'intrecal' não é uma palavra?" perguntou Marlene.

"Não, não é," respondeu Remus, no exato momento em que Sirius insistiu: "É sim!" Os dois Marotos se encararam por um momento, e então Sirius anunciou: "Clancy Goshawk está esperando por você no corredor."

Remus o encarou por alguns segundos. "Quê?"

"Clancy Goshawk está..."

"Bem, por que não me disse logo?" interrompeu ele, levantando-se e derrubando três ou quatro páginas de pergaminho da mesa no processo. Ele se curvou para pegá-las e, quando se endireitou novamente, acrescentou num tom forçadamente controlado: "Só quis dizer que... é muito rude deixar alguém esperando."

"Certo, foi isso que quis dizer."

"Cale-se."

Mas Remus cruzou a sala comunal depressa, desaparecendo pelo buraco do retrato alguns segundos depois. Marlene começou a procurar pelo restante das anotações, e Sirius sentou-se na cadeira agora vazia, olhando pensativamente para o amigo que partiu.

"Quem é essa Clancy Goshawk, afinal?"

"Não," respondeu Marlene, sem olhar para cima.

"Não o quê?"

"Não, não pode tentar transar com ela, porque ela tem namorado."

Sirius a encarou. "Por que acha que estou tentando transar com ela, Price?"

Marlene tirou os olhos dos papéis por um momento. "Sério isso?"

"Eu não estou tentando transar com ela," disse Sirius friamente. "Acho que Remus gosta dela."

"Remus?" Isso despertou o interesse dela. "É mesmo? Ah, meu Merlin... isso é adorável. Eles seriam muito fofos..."

"Espere, por que é adorável que Remus goste dela, mas há um segundo era 'Tire as patas, Black! Ela está comprometida!?'"

"Comprometida com Charlie Plex," disse Marlene, com o queixo na palma da mão agora, enquanto girava uma pena entre os dedos da outra mão. "Não acho que ele esteja com muita moral no momento. E é diferente com Remus, é isso. Ele nunca se interessa por garotas! Ou por garotos, pelo que sei. Eu pensei que fosse assexuado, para ser honesta."

"Nós também," concordou Sirius com ar de sabedoria. "De qualquer forma, tudo que sei é que Moony aparentemente disse a essa Clancy onde é nossa sala comunal, e quase se mijou há trinta segundos quando eu disse que ela estava do lado de fora."

"Vamos ver quanto tempo ele leva para voltar," concordou Marlene. "Mas é uma pena," acrescentou ela com um suspiro.

"O que é uma pena?" perguntou Sirius. "Essa é a melhor notícia que recebi o dia todo. Transar pode iluminar Remus um pouco."

"Mas ela tem namorado," apontou Marlene.

"Que poderia muito facilmente se jogar da Torre de Astronomia?" Sirius fez uma pausa. "A qualquer momento?"

Marlene olhou feio para ele. "Sim, definitivamente. Enfim, pelo que ouvi, tirando uma enxurrada de coisas asquerosas no trem, Charlie Plex está seguindo uma rotina nova."

"Bem, isso lança um balaço na Operação Fazer Remus Transar," admitiu Sirius sombriamente.

Marlene arqueou uma sobrancelha. "Por favor, invente outro nome para isso."

"Operação... Transa," sugeriu Sirius. "Operação... Remus e Clancy. Operação Moony e Clancy! Operação Mancy!"

Rindo e balançando a cabeça, Marlene começou a separar suas anotações das de Remus, juntando as suas e as colocando na mochila.

"Vai pra onde?" indagou Sirius.

"Vou subir. Claramente não vou fazer mais nada aqui."

"Bem, quem quer fazer alguma coisa?"

"Uma garota com dever de casa."

"Isso é sem graça. Quem vai me entreter?"

"Peter está ali," disse Marlene, meneando a cabeça para o outro lado da sala comunal, onde o outro Maroto conversava com Adam McKinnon. "E não faça nada para tentar arruinar o relacionamento de Clancy Goshawk," acrescentou ela, jogando a mochila sobre um ombro. "Não é da nossa conta."

"Valeu, Lily."

Marlene mostrou a língua e partiu para os dormitórios das meninas. Sirius suspirou, recostando-se na cadeira; ele estava sentado de lado, de modo que podia se encostar confortavelmente contra a parede e manter uma visão razoavelmente ampla da sala comunal. Ele ficou lá esperando por alguns segundos e, quando Remus não retornou, gritou: "Ei, Wormtail!"

(Correspondência)

Em geral, os cafés da manhã de domingo eram experiências de lazer e eram os favoritos de Lily. Ela estava sentada com as amigas na mesa da Grifinória, a atenção dividida entre as conversas dos outros, seu café da manhã (torradas, frutas, salsichas e chá) e uma revisão mental sobre o que queria fazer naquele dia, até o correio-coruja começar a chegar e interromper tudo.

"Mas, ao mesmo tempo..." dizia Marlene, enquanto Lily buscava instintivamente por sua coruja, "...eu tenho pouca experiência, e não quero bancar uma completa idiota. O que você acha, Lily? "

Niko, a coruja da ruiva, largou uma carta em seu prato, e ela rapidamente a resgatou do caldo de sua fruta. Outra carta caiu segundos depois, deixada por uma coruja marrom desconhecida.

"Lily?"

"Quê? Ah... o que eu acho? Sobre o que mesmo?"

"Sobre ela se inscrever para o time de quadribol," respondeu Mary. "O aviso foi publicado hoje de manhã... os testes são esta semana."

"Ah." Lily inspecionou as duas cartas desatentamente. "Acho que você deveria tentar. Quer dizer, é claro que você deveria tentar." Ela olhou para cima. "Por que não tentaria?"

"Porque eu não quero parecer... bem, você não está ouvindo nada," acusou Marlene.

"Não, eu estava, eu só..."

"Leia sua correspondência. Vou perguntar a Donna. Ei... Donna!"

Mas Donna estava prestando menos atenção do que Lily. Ela encarava a mesa, um olhar de extrema concentração em seu rosto, como se estivesse tentando ler a mente de algum grifinório desatento.

"Donna." Marlene cutucou seu ombro e a garota se assustou.

"Que foi?" perguntou ela em voz alta. "Quê? O que você quer?"

"Existe uma razão particular para estar olhando para Shelley Mumps assim?" perguntou Marlene, divertida. Mary levantou as sobrancelhas.

"Está tentando fazê-la explodir sem usar a varinha?" perguntou ela animadamente. "Porque eu apoiaria totalmente essa decisão."

"Eu não estava olhando para ninguém," insistiu Donna. "Só estava tentando ignorar vocês. Qual foi a pergunta?"

Enquanto isso, Lily terminou de ler a carta trazida por sua coruja – era da sua mãe – e voltou a atenção para a outra. Ela não reconheceu a caligrafia que rabiscou seu nome e endereço, e não havia outro nome na frente do envelope. Então, enquanto Marlene e Donna discutiam a potencialidade de Marlene participar dos testes de quadribol, Lily abriu a segunda carta. O que dizia era:

À estimada Lily Evans,

Prefiro não colocar meu nome na parte da frente dos envelopes, pois muitas vezes significa que o destinatário a ignorará completamente, e todo meu rico tempo gasto escrevendo, reescrevendo e me preocupando com o texto cuidadosamente traçado da carta será em vão (estou brincando. Não faço nada disso).

Mas agora que já leu até aqui, já gastou todo esse tempo lendo e, portanto, está interessada no resultado desta carta, revelarei minha identidade.

É Sam. Sam Dearborn. Egbert, o irmão do Incompetente. Você lembra de mim, certo? Homem bonito, alto, cabelo incrível, com um chapéu irresistível...

Certo, sou eu.

E você é Lily Evans.

O que houv...

Provavelmente está se perguntando por que, em nome de tudo que é mágico, decidi te escrever aproximadamente um mês depois de nosso breve e tumultuado encontro. A verdade é que estou entediado no momento, pois minha melhor amiga e parceira de crime, a incomparável Sarah McKinnon, se enfiou em uma daquelas coisas malucas chamada relacionamento.

Um completo disparate, na minha opinião. (Não é verdade: o cara é um sonho, e ele a adora, mas isso é irrelevante).

Eles estão se vendo há meses, mas agora Sarah decidiu que está apaixonada por essa semente do mal, e ela passa cinco noites por semana com ele, e está simplesmente tão entusiasmada que o pobre Sam foi deixado de lado, juntamente com todos os nossos planos de algum dia sermos solteirões velhos, sentadas em um alpendre em algum lugar com nossos oitenta e sete gatos, jogando cartas e fazendo comentários rudes sobre os transeuntes, porque idosos podem dizer o que quiserem sem medo de ser punidos.

Certamente isso é um problema, porque e se Sarah se casar com esse cara? E se ela tiver uma dúzia de filhos com ele? Eu não me importaria, a não ser que ele seja uma perda de tempo, e isso pode realmente significar que eu tenho que conhecer pessoas! Conversar com pessoas que não conheço! Fazer novos amigos! SOCIALIZAR! É um completo horror.

Na verdade, estou entediado agora. Escrevi para James duas vezes na semana passada, mas ele só respondeu uma, e resolvi que a culpa é o fato de ele também estar num relacionamento no momento. Suponho que saiba tudo sobre isso – bem, sei que sabe –já que, aparentemente, sua escola tem tentado linchar a pobre garota. Você é membro do grupo de portadores de tochas gritando "Queimem a bruxa!?" Pessoalmente, acho que você seria uma péssima líder de uma turma de linchadores.

Achei que se interessaria em saber que tive o primeiro encontro com meu irmão desde o final de seu mandato como chefe do DELM. Foi desagradável, com certeza, especialmente porque a família ficou do lado de Eggie e as coisas em casa estavam bastante tensas. Mas vida que segue, não é?

Estou chegando ao fim da minha ligeira embriaguez de firewhisky e, portanto, ao final desta carta, e sinto uma enorme compulsão de ser honesto com você, Ruiva, então aqui está.

A verdade não é que estou solitário ou entediado, mas que estou te escrevendo porque estou evitando escrever uma carta que eu deveria estar escrevendo. Você é um meio para minha procrastinação, se quer saber. Porque, sabe, embora seja verdade que Sarah está no êxtase de um novo relacionamento, eu me acho precariamente quase na mesma. E aí está... Eu conheci alguém, e sinto que se não esperar o burburinho do firewhisky, posso fazer algo extremamente imprudente e marcar um encontro.

Sabe, Ruiva, no meu breve período como estudante de Hogwarts fui da Lufa-Lufa – como você sabe –, e lufanos, apesar de todas as virtudes, não são particularmente corajosos.

De qualquer forma, sinta-se à vontade para responder o mais rápido possível, e não se sinta à vontade para ignorar esta carta, ou ficarei completamente chateado contigo. A menos que você também tenha caído na armadilha do relacionamento. Nesse caso, terei que perder a fé em toda essa humanidade altamente sentimental e pular de uma ponte alta sem usar uma vassoura.

Você entende o que quero dizer, não é?

Com os melhores cumprimentos,

Sam Dearborn.

Sorrindo confusa, Lily dobrou a carta e a enfiou no bolso. Suas amigas continuaram a discussão, mas a maior parte foi ignorada pela monitora-chefe, que compunha mentalmente sua resposta.

"Remus."

Era sábado à tarde, e Lily finalmente localizou o Maroto na biblioteca. Ele tirou os olhos da dissertação de Transfiguração, e a evidência de que acabara de retornar da "visita à mãe" na última terça-feira estava nas bolsas e na exaustão em seus olhos. No entanto, ele sorriu ao avistá-la e afastou alguns livros para dar lugar a ela.

"Lily, olá."

A monitora-chefe sentou-se à mesa da biblioteca, inclinando-se para evitar os olhos atentos e o espírito vingativo da bibliotecária, a Sra. Sevoy.

"Eu só queria falar com você sobre o cronograma de patrulhas desta semana," sussurrou Lily.

"Eu fiquei de fora semana passada... não é minha vez de novo, é?"

"Quê? Não." Ela balançou a cabeça. "É a semana de Maggie Snow... mas não se preocupe. Você vai patrulhar com James esta semana, tudo bem?"

"Com James? Mas eu estava marcado para quinta-feira com Clancy Goshawk de novo..."

"Certo, eu vou te cobrir."

Remus não parecia satisfeito. "Você o está evitando de novo," acusou.

"Não," disse Lily com firmeza. "Eu tenho... outro compromisso."

"Ah, é?"

"Sim."

"O que é?"

"Não é da sua conta."

"Lily."

A ruiva suspirou. "Eu não tenho compromisso."

"Isso era óbvio."

"Eu só..." Ela passou a mão pelo cabelo. "Eu me sinto culpada. E sei que é estúpido," acrescentou ela, sobrepondo-se a ele. "Mas não posso evitar! É como se eu estivesse tentando trair com ele, o que não estou, obviamente, mas sinto como se estivesse mesmo assim!"

"Mas você não está," Remus insistiu. "Não é errado gostar dele só porque ele está... ele está saindo com outra pessoa."

"Sim, mas e se for?" choramingou Lily.

"Não é."

"Mas e se..."

"Não é!" E ele falou em um tom mais elevado, acima do sussurro que se exigia na biblioteca, de modo que a Sra. Sevoy olhou com os olhos arregalados na direção deles, e Remus, corando, pediu desculpas, antes de se virar para Lily. A monitora-chefe o encarou com as sobrancelhas levantadas.

"Você claramente tem sentimentos fortes sobre isso."

"Não," sussurrou Remus. "Eu só... acho que não deveria... se culpar por coisas que estão além do seu controle."

Lily assentiu devagar. "Acho que você está certo," concordou ela. "Mas ainda está tudo bem em trocamos as patrulhas, certo?"

"Lily..."

"Por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor, por favor..."

Ele suspirou, e Lily interpretou isso como resignação.

"Obrigada," disse ela, pulando da cadeira novamente. "Você é o melhor. Sexta às oito."

"Está bem, está bem..."

"Obrigada."

Sam Dearborn,

Você está frito, sabia? Não estou nada satisfeita com você, e acredito que lhe devo uma significativa bronca por ter retirado duas informações vitais de mim durante o nosso "tumultuado encontro": primeiro, que James tinha uma namorada e, segundo, que esse fato me incomoda um pouco.

Não seja modesto também; eu sei que você sabia. Eu não sabia, mas tenho certeza de que todas as suas insinuações desagradáveis foram planejadas para conseguir uma confissão que eu nem sabia que poderia fazer. Como resultado, tenho certeza que está recebendo exatamente o que merece com essa questão de Sarah McKinnon.

Tudo bem, aí está sua bronca. Agora, para seu consolo:

Eu sinto muito que esteja sendo forçado a encontrar novas companhias, mas há coisas piores no mundo. Na verdade, amigo, isso é bom. E, considerando que forçou sua amizade comigo praticamente no instante em que nos conhecemos, não sei como pode agir como se você fosse péssimo em socializar. Claramente é o seu forte. Eu sei, porque não sou tão ruim nisso, o que me torna muito mais compreensiva com a ideia de que você pode ser bom em socializar, mas não em SOCIALIZAR, se me entende. E eu acho que entende.

Espero que tenha escrito sua carta e marcado o encontro, e eu quero saber de tudo, pois você não deveria ficar sozinho simplesmente porque sua alma gêmea platônica assumiu as correntes da monogamia. Olhe para mim: eu sou gloriosamente solteira e perfeitamente feliz.

Bobagem, estou muito melancólica no momento, mas não porque estou solteira... só porque o cara de quem gosto está ocupado não sendo solteiro com outra pessoa. Mas, mais uma vez, obrigada pela força quanto a isso.

A questão é que as casas não significam tanto quanto as pessoas pensam. Caramba, parece que estou citando Fiona Keepdown (longa história, não importa), mas não pode usar a desculpa de não ser um grifinório para dizer que não tem coragem. Eu sou grifinória, mas gosto de pensar que sou razoavelmente inteligente, leal e ambiciosa, o que tecnicamente me colocaria em todas as quatro casas.

Então, anime-se e arrume uma cama.

Pelo menos você está (espero) numa situação em que isso é possível.

Sobre as outras coisas – como está todo mundo no M.P.P.? Tilly e os demais? Com o que vocês estão trabalhando estes dias – mais protestos? Sinto inveja que possam realmente fazer alguma coisa em toda essa bagunça, sabe? Eu amo muito Hogwarts, mas às vezes me sinto incrivelmente presa e inútil aqui. Há mais ataques de Comensais da Morte todos os dias, e tenho certeza que ouviu sobre aquele idiota no Ministério outro dia que disse que 'Você-Sabe-Quem teve a ideia certa, mas usou os métodos errados.' Caramba, esse tipo de coisa me deixa lívida.

Enfim, tenho dever de casa de Poções, então tenho que ir. Vou mandar a carta imediatamente, porque, senão, certamente me arrependerei de ter escrito dois terços dela, mas tenha em mente que tudo que escrevi e que você leu fica ESTRITAMENTE entre nós dois, e se eu receber a menor indicação de que qualquer coisa foi relatada a um certo monitor-chefe (ou qualquer outra pessoa), vou garantir pessoalmente que tudo que você ama seja tirado de você e dado aos seus inimigos.

Você foi avisado.

Atenciosamente,

Lily Evans.

P.S. "Alto?" Você não é alto. Mas vou concordar com o cabelo incrível, sim.

Donna segurou a goles com firmeza contra o peito, olhando para quem a lançou com as sobrancelhas erguidas.

"Você não é tão ruim, sabe?" disse ela. "Surpreendentemente forte."

"Obrigada?" respondeu Marlene. "Isso deveria me fazer sentir melhor?"

"Não. Por quê?"

Marlene revirou os olhos. "Não importa. Jogue de volta."

Elas estavam no campo de quadribol às seis e meia da noite da segunda-feira; para o choque de Marlene, Donna concordara em ajudá-la a se preparar para os testes de quadribol, e essa era a segunda noite seguida praticando depois do jantar. Na noite anterior tinham se concentrado principalmente nas técnicas de voo, mas até mesmo Donna achou pouco para criticar, e agora estavam praticando com a própria goles.

Com cuidado para manter sua forma perfeita, Donna jogou a goles de volta para Marlene, que a pegou com bastante facilidade, mas no que Donna considerou – e, mais importante, James Potter consideraria – uma forma inapropriada.

"O.k.," disse Donna, "fique parada por um momento, está bem?"

Marlene obedeceu. Donna foi até onde a loira estava. "Quando pegar a goles com as duas mãos, precisa segurá-la de modo que suas mãos formem um 'W.' Está vendo?" Donna tomou a goles e demonstrou; Marlene assentiu, pegando a bola de volta e imitando a instrutora.

"Certo, tem que pegar desse jeito... ao menos se for pegá-la com as duas mãos, o que fará por enquanto, porque é nova no jogo." Donna deu um passo para trás e se afastou para que Marlene pudesse jogar a bola de volta.

Elas terminaram cerca de uma hora depois, e enquanto Donna arrumava seu equipamento, Marlene tirou as luvas de couro que Sirius lhe emprestara.

"Obrigada pela ajuda," disse a loira. "Honestamente, fiquei um pouco surpresa por você ter concordado em fazer isso."

"Por quê?" perguntou Donna, e Marlene arqueou uma sobrancelha em resposta. "Ah, porque eu odeio ajudar as pessoas?"

"Basicamente sim."

"Certo. Bem..." Donna encolheu os ombros. "Testes de quadribol são chatos. Se houver alguém meio decente, pode acelerar o processo."

"E eu sou meio decente?"

"Não, mas eu fiz o meu melhor."

Marlene revirou os olhos e ficou de pé. "Bem, obrigada mesmo assim." Ela pegou a goles que James bondosamente emprestara e esperou que Donna terminasse de arrumar as coisas. "Suponho que lhe devo uma."

"Sim, sem problema."

Marlene olhou confusa para a colega de quarto e Donna notou.

"Que foi?"

"Você está doente, Donna? Está quase sendo legal. Está me dando arrepios."

"Não, cale a boca, não estou doente," disse Donna depressa. Ela pendurou a bolsa no ombro e pegou a vassoura antes de começar a atravessar o campo em direção ao castelo. Marlene a seguiu. "Embora..." Isto, a contragosto: "Eu tenha me sentido um pouco estranha ultimamente. Estou numa espécie de... num tipo de... de... de dilema moral."

Marlene sorriu. "Saber se prefere Runas Antigas ou Aritmancia não é um dilema moral, Donna. São apenas aulas; elas não ficam com ciúmes..."

"Dane-se, Price, é um dilema de verdade."

"O que é?" perguntou Marlene, meio divertida. "Ei! Está se perguntando se é legal dormir com um homem mais velho, não é?"

Donna olhou para ela bruscamente. "Quê?"

"Que o que?" perguntou Marlene inocentemente.

Os olhos de Donna se estreitaram, e então ela cruzou os braços e desviou o olhar novamente. "Não. Não tem nada... quer dizer... não. O que aconteceu é que... bem, eu vi algo..." falou ela delicadamente, "e o que eu vi foi... assustador. Mas, o mais importante é que é uma informação bastante prejudicial..."

"Ah, meu Merlin, você descobriu um podre de Shelley, não foi?" indagou Marlene, parando e agarrando o braço de Donna, um sorriso extático crescendo em seus lábios. "Você descobriu, não foi? É por isso que está olhando de cara feia para ela nos últimos dias!"

"Eu não estou olhando de cara feia..."

"Você tem feito cara feia. Você é expert em cara feia, Donna. Bem, vamos ouvir. O que flagrou Shelley fazendo?" Ela sorriu com expectativa.

"Não posso contar. Esse é o meu dilema moral." Donna revirou os olhos. "Honestamente, você é inconveniente às vezes..."

"Desde quando você se importa?" perguntou Marlene, correndo atrás da outra, que voltara a andar rápido. "Pensei que sua filosofia era cuidar da sua própria vida e ignorar as fofocas... e eu não vejo por que deveria se preocupar em falar algo sobre Shelley Mumps. Você contou a Lily?"

"Não, eu não contei a ninguém, é claro."

"Bem, por que não?"

Donna ficou intrigada com aquela pergunta por alguns segundos. "Bem," começou ela rigidamente, "eu suponho que, por mais idiota que seja, eu sou compreensiva."

"Com Shelley?"

"Não, não com Shelley. Ela é uma besta estúpida. Mas... com as outras partes envolvidas."

"Outras partes envolvidas?" repetiu Marlene. "Donna Shacklebolt, o que está acontecendo?"

"Não posso contar!"

"Mas por que não?" gemeu Marlene.

Donna tornou a revirar os olhos. "Você nunca foi tentada a fazer a coisa certa pelas razões erradas?"

"Hum... sim... isso é o melhor, não é? Porque, então, você pode fazer o que quiser, mesmo que seja mesquinho e imaturo, mas ainda reivindicar razões morais."

"Bem, não é tão simples assim," afirmou Donna.

"Me conte!" insistiu Marlene, mas Donna acelerou os passos pelo gramado.

"Não."

"Donna!"

"NÃO!"

Marlene fez uma careta e cruzou os braços, prosseguindo em seu próprio ritmo na direção do castelo. "Está bem!" gritou para Donna. "Mas eu vou arrancar de você!"

"Dane-se, Price!"

Depois de muito pensar, Donna entrou no dormitório; Carlotta estava na sala comunal com Potter, e Marlene, depois de ter tomado banho após o minitreino, estava estudando lá embaixo com Mary, significando que Shelley estava sozinha no dormitório feminino. A loira estava na penteadeira, arrumando o cabelo ou algo assim, quando a outra entrou.

"Mumps," começou ela com firmeza, não tanto como uma saudação, mas como o início de uma tarefa extremamente desagradável.

Shelley parou de pentear a franja platinada e olhou para Donna pelo reflexo do espelho.

"Sim?"

Donna jamais temeu uma ação tanto quanto aquela. A bruxa sentou-se na cama mais próxima a Shelley, mexendo em seus cabelos cacheados e mantendo uma completa falta de contato visual com a loira.

"Eu preciso falar com você."

Shelley levantou as sobrancelhas. "Você o quê?"

"Eu preciso falar com você," repetiu Donna à força.

Franzindo a testa, a loira se virou na cadeira para encará-la. "Por quê?"

"Sim, eu sei que é bizarro," disse Donna, revirando os olhos. "Mas preciso. Estou tentando evoluir ou algo assim, e é por isso que estou te procurando primeiro, está bem?"

"O...K."

Fechando os olhos, Donna reuniu forças e continuou: "Eu te vi no corredor do segundo andar na semana passada." Ela abriu os olhos, mas Shelley continuou parecendo desnorteada. "No corredor do segundo andar. Sexta-feira passada. Na hora do almoço."

Por fim, Shelley reagiu. Seus olhos se arregalaram e, por um momento, um leve rubor cresceu em suas bochechas. E, então, muito depressa, o choque desapareceu, sendo substituído por diversão.

"Tudo bem, bom para você. Onde quer chegar?"

"O que você quer dizer com onde quero chegar?" demandou Donna. "Onde quero chegar não é bastante óbvio?"

"Hum... não. Desculpe pelo espetáculo, eu acho, mas você é grandinha, Shacklebolt. Não é nada que não tenha visto antes."

"Em primeiro lugar," disse Donna severamente. "Isso é nojento. Em segundo lugar, só espero que vocês tenham tido a gentileza de ir para uma sala de aula antes que as coisas tenham evoluído ainda mais."

"Nós..."

"...e, em terceiro lugar, é melhor você cair fora."

"Perdão?"

"Eu disse caia fora."

"Por quê?"

"Porque está sendo uma idiota."

"Não é da sua conta!" disse Shelley, levantando-se da cadeira. "E não pode me dizer o que fazer, só porque você..."

"Estive em uma situação chocantemente semelhante?" concluiu Donna, também se levantando. "Escute, Mumps, eu sei o que está fazendo. Acho que é um bom incentivo para sua autoestima que ele te queira apesar de sua... namoradinha excessivamente feminina, mas aqui vai uma dica sobre como isso termina: nada bem."

"Por que você se importa?" retrucou Shelley. "Está com... ciúmes ou algo assim?"

"Não seja idiota."

"Bem, então alguma das suas amigas te mandou fazer isso? Lily ou... ah, aposto que foi Marlene; ela..."

"Eu não contei a ninguém," interrompeu Donna. "Mas poderia facilmente contar. E se todos descobrissem, acha que ainda ficariam do seu lado no grande embate Meloni versos Mumps?"

"Eles não se importaram com Stebbins..."

"Uma hora começam a se importar," disse Donna friamente. "E não é divertido quando isso acontece."

"Então, está só preocupada comigo, não é?" Shelley meio que zombou.

"Estou te avisando," corrigiu Donna. Ela dirigiu-se à porta do dormitório. "E tenha em mente que não sou exatamente desinteressada."

"Faça o que quiser, não me importo," retrucou Shelley e, com um último revirar de olhos, Donna saiu do dormitório.

(Os testes)

"Tudo bem, James," começou Carlotta enquanto caminhavam de mãos dadas pelos gramados de Hogwarts a caminho do campo de quadribol. James estava com a vassoura pendurada no outro ombro e a bolsa no ombro entre ele e Carlotta, o que tornava um pouco difícil ficar de mãos dadas, mas não impossível. "Lembre-me de por que está realizando testes de quadribol em uma quarta-feira à noite. Por que não faz isso no fim de semana? Mais pessoas vão aparecer, não é?"

"Mais pessoas indesejadas," respondeu James. "Todo mundo está cansado na quarta-feira à noite, então não terei lufanos aleatórios e alunos do primeiro ano dando as caras, porque não estarão tão dispostos a desperdiçar seu tempo. Só pessoas que sabem que têm chance de realmente entrar para o time comparecerão se os testes forem durante a semana."

"Ah," disse Carlotta. "Isso é realmente muito inteligente."

James sorriu. "E você pensando que eu era apenas um rostinho bonito."

O campo estava deserto quando eles chegaram, mas os testes só estavam programados para começar em quarenta e cinco minutos, então aquilo não preocupou James. Ele largou a vassoura e a mochila, e sacou a varinha; Carlotta sentou-se na grama e observou o capitão de quadribol conjurar uma série de esferas brilhantes, que ele levitou pelo campo. O sol estava se pondo no céu azul e alaranjado.

"Então, por que tem tanto receio dos testes?" perguntou Carlotta, estendendo-se na grama. Uma brisa fria atravessou o campo, e ela apertou mais o suéter em seu corpo. James agora retirava os equipamentos esportivos da mochila, mas, quando virou a cabeça, Carlotta ainda podia vê-lo. "Não podem ser tão ruins assim."

"Ah, não, podem sim," assegurou James, e a garota deu uma risadinha. "Eu não sei," continuou ele mais sério. "É um misto. Em parte, é muito divertido, e em parte uma porcaria. Ninguém escuta o capitão... há muitos gritos e ainda mais caos." Ele sorriu e encolheu os ombros; Carlotta acenou para ele se juntar a ela. Com um suspiro, ele se aproximou e se jogou no chão ao lado dela, deitando-se.

"Achei que você gostasse de um pouco de caos," lembrou-lhe Carlotta em tom de brincadeira.

"Eu gosto," admitiu James, "mas não quando sou eu tentando controlá-lo."

"Entendo," disse sua namorada. "Bem, isso explica porque você é um monitor-chefe perfeito, eu suponho." Ela se sentou e sorriu para o namorado.

Mas James não a encarou. Ele pareceu pensativo quando colocou um braço atrás da cabeça e, com a outra mão, começou a pegar na grama.

"O que houve?" perguntou Carlotta.

James se assustou. "Quê? Nada. Desculpe, me perdi em pensamentos por um segundo."

Carlotta recostou-se novamente, apoiando-se num cotovelo, com a cabeça sobre a palma da mão. Ela passou a outra mão sobre o peito de James, mordendo o lábio. "Não tem graça alguma nisso. Pensar..."

James sorriu, mas distraidamente, e perguntou em um tom casual: "Por que acha que Dumbledore me escolheu para monitor-chefe?"

"Quê?"

Ele inclinou a cabeça para ela. "Por que você acha que sou monitor-chefe?"

Carlotta franziu a testa. "Bem... você é inteligente. Um dos mais inteligentes do nosso ano. Capitão de quadribol..."

James parecia cético.

"E," prosseguiu ela com franqueza, "quer dizer... você é James Potter. Você promove os Toadies. É o único que consegue controlar Sirius..."

"Eu não consigo cont..."

"Claro que consegue. Quer dizer, faz sentido, não é? Pegue o rei dos trabalhosos e faça dele monitor-chefe." Carlotta tornou a se sentar. "Não é algo exatamente ruim. Dumbledore é um cara esperto. Além disso, você tem o benefício de adicionar 'monitor-chefe' ao seu currículo. Não é nada ruim. Agora..." Ela sorriu. "Eu sinceramente espero que não esteja me dizendo que você atraiu sua namorada incrivelmente bonita para o campo de quadribol vazio e escuro com intenções totalmente puras."

A expressão de James voltou ao normal, e ele sorriu, também se sentando. "Atraí? Eu só te convidei porque Sirius disse que só me ajudaria depois do jantar..."

"Seu idiota."

Ela socou o braço dele, mas quase imediatamente se inclinou para frente e o beijou, empurrando-o de volta para a grama.

(Quase)

Foi apenas um momento de hesitação, mas Marlene teve a infelicidade de ser flagrada.

Ela estava no saguão de entrada, perto das portas de madeira que davam acesso aos terrenos escuros. Suas mãos estavam cruzadas sobre o peito e, por alguns segundos, ela esperou indecisa.

"Você vai?" perguntou uma voz, e Marlene se assustou. O saguão estava cheio, pois os alunos passavam a caminho das salas comunais depois do jantar (ou saíam do castelo para os testes), e ainda assim o tom familiar chamou sua atenção imediatamente.

Era Prudence Daly.

"Acho que sim," respondeu Marlene, com um sorriso ofegante e incerto.

"Adam saiu há dez minutos," disse Prudence, aproximando-se da grifinória. "Ele está esperando que você compareça, sabe." Ela agora estava ao lado de Marlene na porta larga.

"Como sabe disso?" perguntou Marlene.

"Porque ele me disse," respondeu Prudence. "Ele acha que você será brilhante." Marlene deu um sorrisinho. Por um momento, as duas ficaram caladas e Prudence continuou: "Ele não gosta mais de você."

Os olhos de Marlene se arregalaram.

"Ah, eu não quis que soasse maldoso," acrescentou Prudence depressa. "Eu só quis dizer que... eu sei que ele costumava gostar. Ele não me disse, mas... acho que todos sabiam. E eu sei que você sabia..."

"Eu..."

"Uma garota sempre sabe," interrompeu Prudence suavemente, e Marlene se calou. "Mas ele não gosta mais de você daquele jeito. Eu também sei disso. Mas não estou te dizendo isso para ser maldosa, sério, eu... eu não estou falando direito, eu sei disso." Prudence se virou, encarando o gramado. "O que quero dizer," continuou a corvina, "é que é muito fácil para um cara acreditar em uma garota que ele gosta. Existem... segundas intenções, sabe?" Prudence a encarou novamente. "Mas Adam não gosta mais de você, e ele acha que você será brilhante."

Marlene se perguntou se Prudence percebeu o ar sufocado em sua garganta quando a loira balançou a cabeça devagar.

"Obrigada, Prudence," murmurou ela.

A outra deu um sorriso largo e brilhante.

Porque ouvir isso era quase o bastante.

(Quase)

Mas Adam estava certo sobre uma coisa, e disso Marlene tinha certeza. Ela seria brilhante.

O céu estava corado de tons rosa e alaranjados, enquanto o sol afundava mais e mais no horizonte; logo as esferas brilhantes que o capitão Potter conjurara para levitarem em todo o campo de quadribol seriam totalmente necessárias. Vários grifinórios montaram nas vassouras e dispararam no ar, e havia certo padrão na seleção, Lily percebeu, mas – de onde estava, no alto das arquibancadas com vários outros espectadores – deu pouca atenção à lógica por trás daquilo tudo. Só estava esperando por Marlene.

Estavam lá fora há cerca de meia hora, e Marlene ainda não tinha voado, quando Carlotta Meloni chegou e se sentou no banco ao lado da ruiva.

"Lily," cumprimentou ela, os olhos fixos nas figuras no céu.

"Olá," respondeu ela.

"Está aqui para os testes?" perguntou a morena secamente, e Lily bufou.

"Merlin, não. Estou aqui por Marlene. E você?"

"Merlin, não," repetiu Carlotta. "Só estou aqui por James."

"Certo."

"Assim como Shelley, ao que parece," acrescentou ela, olhando para a loira sentada na primeira fila.

"Ah, isso é fantástico."

"Simplesmente brilhante," concordou Carlotta.

Lily meio que sorriu – talvez confortavelmente – para Carlotta, e depois voltou a olhar para os jogadores. Ela os observou disparar pelo céu que escurecia, e Carlotta se perguntou vagamente se sua atenção estava voltada para algum jogador em particular.

Perguntou-se se Lily também o avistava entre os borrões quase indistinguíveis quando voavam mais rápido... se seus olhos verdes o procuravam entre os pontinhos quando subiam alto.

Os olhos de Lily eram mais bonitos que os de Carlotta, pensou a morena. Na maioria dos quesitos, ela ganharia, mas Lily tinha olhos mais bonitos. Lily tinha olhos excepcionalmente bonitos.

"Boa noite, colegas de casa," veio a voz de Shelley. Ela se virara no assento e, como que acabando de ver Lily e Carlotta, sorriu largamente para elas.

"Olá," sussurrou Lily, provavelmente antecipando uma briga.

"Olá, Shelley," respondeu Carlotta. "Que surpresa agradável: não sabia que podia deixar o caixão antes do pôr do sol."

Shelley revirou os olhos, levantando-se do banco e subindo para o nível mais alto, onde as duas colegas de casa estavam sentadas. Lily estava bem ao lado da parede de madeira na beirada da arquibancada, o que significava que o único lugar disponível era ao lado de Carlotta, que se aproximou da ruiva quando Shelley se sentou.

"Estamos aqui para assistir Jamie, não é?" perguntou a loira, ignorando o gracejo de Carlotta. Ela também manteve os olhos no céu. "Ele fica tão lindo no uniforme de quadribol, não é?"

"Jamie?" repetiu Carlotta. "Você o chama de Jamie agora? Devia saber que ele odeia isso."

"Ele nunca se importa quando eu o chamo assim."

"Você está tentando sugerir algo?"

"Sutileza nunca foi seu forte."

"Diz a garota de pele laranja."

"Ah, não aja como se você fosse perfeitamente natural, Meloni. Eu sei que faz depilação com cera."

"Suponho que deva lhe emprestar um pouco para o seu bigode."

"Ah, que engraçado."

"Shelley, o que exatamente está esperando conseguir?" perguntou Carlotta, seu aborrecimento crescendo. "Sabe que as pessoas podem gostar de você agora, mas em breve ficarão cheias. Valerie Turpin e suas companheiras vão perder o interesse, e onde exatamente você vai ficar, então?"

"Por favor, parem com isso," interveio Lily exasperada, voltando-se para as duas. "Qual a vantagem em brigar assim?"

"Não é da sua conta, Lily," retrucou Shelley solenemente.

"Estou sentada aqui ouvindo vocês duas. É da minha conta."

"Ninguém está te forçando a sentar aqui," apontou Shelley.

Lily parecia incrédula. "Eu estava sentada aqui primeiro. Vocês vieram e se sentaram ao meu lado. Meu Deus..."

Ela se levantou e ultrapassou os dois bancos seguintes, caminhando para o lado oposto das arquibancadas. Carlotta e Shelley a observaram partir, e então a última acrescentou: "Deveria agradecer por ela nunca ter gostado de James Potter, ou ele perderia o interesse em você num minuto."

Carlotta revirou os olhos. "Você não é bonita, Shelley; achei que ao menos tentaria ser inteligente." Então, ela também se levantou e foi procurar outro lugar para sentar.

"Obrigada a todos por comparecerem hoje à noite," disse James, enquanto tirava as cotoveleiras, dirigindo-se à pequena multidão de estudantes formando um semicírculo em torno dele. Já estava escuro e os testes tinham terminado. "Sério, todos vocês foram... bem... brilhantes hoje à noite." Ele encolheu os ombros. "Enfim, amanhã farei o anúncio sobre quem escolhi, então... obrigado, eu acho. Tenham uma ótima noite."

E a multidão se dissipou, exceto pelos membros da equipe, a quem James pedira para ajudá-lo a limpar as coisas. Marlene Price também ficou para trás.

"Então," começou ela, aproximando-se do capitão de quadribol nervosamente; "suponho que não tenha algum feedback inicial para mim?" Ela sorriu esperançosa, com as mãos nos bolsos, e James suspirou.

"Você foi boa," admitiu James, com certa relutância. "Voa bem comigo e com Shack, e tem força no braço. Você seria minha primeira escolha se..." Ele parou.

"Se... o quê?" perguntou Marlene. "Se estivesse bêbado? Se estivesse escolhendo com base em quem tem o melhor cabide...? O quê?"

"Se não fosse do sétimo ano," respondeu James. "Sou capitão da Grifinória," continuou ele, "tenho que fazer o que é melhor para a casa... e vou treinar um jogador mais jovem de qualquer forma, o que significa que posso treinar um jogador mais jovem que estará aqui ano que vem para ajudar o time depois que eu sair, ou alguém que... não estará."

Marlene assentiu devagar. "Eu entendo."

"Eu não decidi," acrescentou James depressa. "Ainda tenho que pensar sobre isso, sabe?"

"Certo."

"Honestamente. Você está na lista."

"O.k. Obrigada." Marlene começou a se afastar.

"Price..." Ela fez uma pausa. "Eu gostaria que tivesse participado ano passado."

Marlene bufou. "Eu gostaria de ter feito muitas coisas de maneira diferente no ano passado."

James olhou para o outro lado do campo, onde Adam McKinnon estava sentado, tirando o equipamento de quadribol.

"Como você está?" ele acrescentou para ela; a loira seguiu seu olhar e então corou.

"Eu te contei sobre isso, não foi? Tinha esquecido." Ela suspirou e encolheu os ombros. "Estou bem. Tudo acontece por um motivo, certo?"

James assentiu encorajadoramente, apesar de suas próprias dúvidas sobre o clichê, e, com uma despedida final, Marlene voltou ao castelo. Lentamente, o resto da equipe terminou de arrumar as coisas; Donna e Adam foram os últimos a sair, levando o equipamento de volta aos armários, mas James não os seguiu. Ele sentou-se na grama e esperou.

Cerca de quinze minutos depois que os testes terminaram, Sirius chegou.

"Maravilha, você só está duas horas atrasado."

Ele estava sentado de modo que Sirius só apareceu em sua visão periférica, e ainda assim captou o lampejo de vergonha no rosto de seu amigo.

"Desculpe," disse Sirius. "Achei que poderia ser um pouco estranho assistir você escolher o meu substituto."

James o encarou por cima do ombro. "Por quê?" perguntou, perplexo. "Você deveria me ajudar. Tive que usar Shack. Sabe o quanto não foi nada divertido?"

"Certo." Sirius chutou a grama com a ponta do tênis. "Desculpe. Mas, hum... eu posso te recompensar."

"Como?" perguntou James ceticamente.

"Estava esperando que perguntasse." Do bolso, Sirius retirou um pequeno frasco prateado. "Ogden's Reserva?"

"Onde conseguiu?"

"Em Hogsmeade semana passada."

"Certo." James refletiu por alguns segundos, antes de ficar de pé. "Tudo bem, então." Ele pegou a garrafa. "Vamos."

"Pra onde?" perguntou Sirius.

"Subir." Ele apontou para a arquibancada da Grifinória e pegou a vassoura.

"Eu não trouxe minha vassoura," disse Sirius.

"Então, acho que vai ter que subir as escadas."

"Ei, espere..."

"Tarde demais; estou com a garrafa."

"Seu babaca."

James montou na vassoura e partiu para as arquibancadas.

"Eu te odeio!" gritou Sirius para ele.

Sirius estava no nível mais alto da arquibancada, uma perna pendurada na borda, a outra estendida no banco. Ele tinha um cigarro entre os dedos e contemplava o céu escuro. James estava na mesma postura – sem o cigarro – na fileira seguinte.

Ambos estavam um pouco altos.

"Então, por que não quis vir para os testes?" perguntou James, tomando outro gole da garrafa.

"'Não estava a fim, só isso," respondeu Sirius.

"Então, por que concordou em me ajudar para começo de conversa?"

Sirius estendeu a mão e James lhe entregou a bebida.

"Eu... eu pretendia. Foi só que..." Ele parou e tomou um gole.

"Foi só que o quê?"

Sirius respirou longa e firmemente; o gosto do uísque demorando-se em sua língua. "Eu ia vir," disse ele. "Sério. E então fui pegar minha vassoura."

Ele parou, mas James entendeu. "Seu tio te deu a Nimbus no seu aniversário," concluiu ele e, apesar de Sirius não ter se mexido, seu silêncio confirmava.

"E então tudo estava ," disse ele, sua voz um pouco embargada. "Tudo que aconteceu no ano passado. Tio Alphard, Snape... quer dizer, essa é a razão de você estar fazendo testes... a razão de eu estar fora da equipe... banido do quadribol. Há um ano, ele estava... me dizendo que eu deveria fazer as pazes com Reg, e falando sobre cartas de Andromeda, e ele sabia o tempo todo..."

"E você não sabia."

"Exatamente."

James ficou quieto por um tempo. Por fim: "Há um ano prendemos Roland Urquhart no degrau por conta dos cartazes."

Sirius sorriu amargamente. "Ele não voltou este ano, sabe, Urquhart. A prima disse que ele está terminando a escola em casa, mas..."

"Mas provavelmente está se juntando aos Comensais da Morte," concluiu James por ele. Ele estendeu a mão e Sirius entregou a bebida.

Vários minutos se passaram em absoluto silêncio entre os dois. O vento assobiou, fazendo a madeira das arquibancadas ranger um pouco. Do outro lado dos terrenos, o Salgueiro Lutador parecia sacudir com o frio, as folhas cor de laranja farfalhando. Ocorreu a James que havia apenas mais nove luas cheias antes do final do período: mais nove viagens ao Salgueiro Lutador e à Casa dos Gritos. Mais nove transformações na casa empoeirada. Mais nove noites pelo bem de seu amigo. E então tudo acabaria.

"Você está feliz?" perguntou Sirius de repente.

James só precisou virar a cabeça alguns centímetros para ver a silhueta de Sirius, coberta pela luz branca e fraca da lua e das estrelas sobre as quais seus olhos estavam fixos. Ele exalou uma rajada de fumaça, que dançou e girou contra o céu noturno, algo familiar, mas há muito ausente da rotina de James.

"Acho que sim," respondeu ele por fim. "Não estou em êxtase no momento, mas..."

"Não quero dizer agora," interrompeu Sirius, levando o cigarro aos lábios novamente. Sua garganta se moveu quando inalou e novamente quando exalou. "Quero dizer em geral. Você está feliz?"

James ficou em silêncio por um segundo. "Sim, acho que sim."

"Mesmo?" Sirius virou a cabeça para encarar o amigo.

"Sim. Quer dizer, acho que sim. Eu sei que não estou infeliz."

"Mesmo?" perguntou Sirius novamente. James assentiu e seu amigo olhou para o céu novamente. "Eu estou."

James engoliu em seco. Quase sem querer falar, ele murmurou: "Eu sei."

"Sempre," continuou Sirius. "O tempo todo. Está simplesmente... lá." Ele deu uma tragada rápida e impaciente. "Você acha que algumas pessoas são mal planejadas?"

"Não, mas não sei se somos planejados. Às vezes, acho que são só... combinações aleatórias."

Sirius ficou calado por alguns segundos. "E não sente que tudo leva a algum lugar?" Ele virou a cabeça para encarar James. "Não acha que há um sentido em você ser você?"

James também levou um momento para responder. "Não sei," disse ele – confessou – por fim. Ele olhou para Sirius e estendeu a mão. "Deixe-me dar uma tragada."

"Pensei que tivesse parado," zombou Sirius, entregando o cigarro mesmo assim.

"Parei. É só uma tragada e você está me deixando deprimido." Sirius sorriu, e James inalou profundamente, depois exalou e devolveu o cigarro. "Deus, sinto falta disso."

"Pode pegar de novo quando quiser," disse Sirius secamente.

"Sim, Carlotta adoraria isso."

"Quê? Sua namorada vegetariana hippie pode reclamar? Estou chocado."

"Inacreditável, né?"

Sirius sorriu e bateu as cinzas do cigarro na arquibancada de madeira abaixo da sua. "Então, o que vai fazer, Prongs? Sobre o artilheiro, quer dizer..."

James suspirou. Ele estava observando as estrelas novamente. "Price é a que voa melhor; Hopkirk tem a mira melhor – menos força, mas melhor pontaria. E ele é mais jovem."

"Eu pensei que tinha dito que Marlene se entrosou melhor," observou Sirius.

"É verdade," concordou James. "Ela se entrosou melhor comigo e com Shack comparada aos outros artilheiros, mas... bem, Hopkirk é mais jovem."

"Jogadores jovens são uma porcaria."

"Sim, mas não posso fazer isso com a equipe. Vão ficar sem ninguém ano que vem."

"Não, não vão," argumentou Sirius. "Eles terão três jogadores experientes. Nós ganhamos a taça com menos que isso."

"Sim, bem, nós tínhamos a mim."

"Legal."

"É verdade," disse James, sem qualquer indicação de estar na defensiva. Estava apenas relatando um fato: "Sou excepcionalmente bom."

Sirius sorriu. Então, com um suspiro, ele se sentou, os cotovelos apoiados nos joelhos. "Acho que essa conversa é inútil," comentou ele com ar de quem sabe das coisas. "Você já decidiu o que vai fazer, não é mesmo?"

James sentou-se também, virando-se no banco para encarar o amigo. "O que quer dizer?"

"Indecisão não é um de seus defeitos," respondeu Sirius, dando de ombros. James sorriu.

"Não, não é. E você tem razão. Eu já decidi o que vou fazer."

"E?"

James arqueou as sobrancelhas. "Parece que você que é bom em Legilimência. O que acha que eu vou fazer, se é tão inteligente?"

"Bem." Sirius se virou para apoiar os pés na tábua abaixo. "Você nunca gostou de ultimatos. Acho que vai escolher os dois."

E então James também sorriu. "Dez pontos para Padfoot."

(Bela)

Donna Shacklebolt tinha belos olhos ferozes. Marrons e claros – bem, não exatamente marrons... alaranjados, quase como âmbar – eles podiam ir da fúria ardente ao gélido despeito num piscar de olhos, e havia algo fascinante nisso.

No momento, esses olhos estavam focados em suas anotações de Runas Antigas, enquanto estava na biblioteca, a duas mesas de distância de onde Charlie Plex a observava, seu dever de casa quase esquecido diante dele. Um vinco de concentração se formou em sua testa, e os dentes brancos estavam um pouco visíveis enquanto ela mordia o lábio inferior. Um cacho do cabelo escuro soltou-se do coque preso no topo de sua cabeça, saltando próximo à sua orelha direita. Ela usava brincos hoje, mas não costumava usar; também não usava maquiagem (não normalmente), o que só tornava mais surpreendente o encanto da pele escura de seu rosto firme e angular.

Ela se mexeu na cadeira, cruzando as pernas no joelho, de modo que sua saia – vários centímetros mais comprida do que a da maioria das outras meninas (especialmente e devido à sua altura) – subiu um pouco, revelando parte da musculatura de sua coxa...

"O que você quer?" A voz de Donna de repente cortou a quietude da biblioteca. Se a Sra. Sevoy não estivesse ocupada nas estantes, poderia ter enviado um aviso furioso à jovem. Charlie sorriu; Donna nem tirou os olhos das anotações.

"Apenas apreciando a vista," respondeu ele.

"Saia."

Mas Charlie fez exatamente o contrário, levantando-se da cadeira e aproximando-se da mesa da garota. Ela finalmente tirou os olhos das anotações de Runas Antigas, irradiando aborrecimento.

"O que você quer?" perguntou ela incisivamente outra vez.

"Nós costumávamos nos divertir, não é?" perguntou Charlie, ignorando a pergunta.

"Não. Costumávamos fazer sexo voraz."

"Foi o que eu quis dizer. O que aconteceu com isso, afinal?"

"Você começou a gostar de mim e os laços foram cortados. Você tem namorada, Plex. Vá embora." Donna voltou ao trabalho escolar. Charlie não foi embora.

"Eu ter namorada nunca incomodou você antes."

"Bem, me incomoda agora."

"Então, te incomoda eu ter uma namorada?"

"Tudo em você me incomoda."

Charlie sorriu. Belos olhos ferozes.

"Eu não sei por que está tão nervosa," disse ele. Donna tirou os olhos do pergaminho novamente.

"E eu não sei por que está se incomodando comigo," retrucou ela. "Não vou dormir com você; eu te acho completamente asqueroso, e você ameaçar dificultar a vida para a minha irmã não ajudou exatamente a mudar isso. Agora, fique longe de mim antes que eu pegue algo no ar."

Era preciso muito para irritar Charlie, mas ser chamado de asqueroso por Donna Shacklebolt era uma das coisas que o irritavam. Aquela vadia maldita sempre se achou boa demais para ele...

Os olhos dele escureceram.

"Você deveria mesmo ser mais educada comigo," disse ele.

Os lábios de Donna se encresparam enquanto os apertava em sua ponderação momentânea. "E você não deveria tentar me deixar irritada. Especialmente agora. Não vai ser bom para você."

Fumegando, Charlie se levantou da mesa e retornou à sua só para recolher os livros e anotações.

Mas ele poderia derrubá-la do cavalo.

(A Última Coisa Bacana)

"O que quer dizer com nós dois entramos para a equipe?" perguntou Marlene, confusa. "Um de nós vai ser reserva, ou...?"

James sacudiu a cabeça. Marlene e Hopkirk, um quartanista, estavam diante dele no salão comunal, presentes a seu pedido e atualmente parecendo um pouco intrigados. Donna, Adam e Damacus Weasley – os únicos outros membros da equipe disponíveis – ficaram ao lado dele para o anúncio.

"Não. Vocês estão tecnicamente no time principal agora," explicou o capitão. "E os dois treinarão como tais. Eu decidirei quem joga em cada jogo baseado no desempenho nos treinos. Vocês dois são jogadores talentosos, e seria uma pena não tê-los."

"E isso," disse Adam, "é a última coisa bacana que ele dirá a qualquer um de vocês como capitão."

"É verdade," concordou James. "Obrigado, McKinnon. Anotem, vocês dois. Última coisa bacana. Entenderam?"

Mas Marlene e Hopkirk estavam muito satisfeitos para tirar os sorrisos que se engessaram em seus rostos, e apenas assentiram entusiasticamente.

"Brilhante," disse James. "Agora, Shack: vamos. Você vai trabalhar em novas jogadas comigo."

"Mas eu tenho coisas para fazer..." Donna começou a reclamar. "Não pode esperar para amanhã?"

"Não, eu estarei patrulhando amanhã."

"Mas..."

"Uau, história interessante. Outra história: quadribol."

Donna amarrou a cara. "Estão vendo?" perguntou ela para Marlene e Hopkirk, seguindo James, que dirigia a um dos sofás. "Última coisa bacana."

Minha querida Ruiva,

Dez mil e uma desculpas por não te esclarecer sobre sua verdadeira paixão por meu adorável primo! Eu teria lhe dito de forma menos sutil se não tivesse pensado que você cortaria todos os meus membros por sugerir isso!

Bem, isso certamente representa uma reviravolta interessante nas coisas. Eu não tinha imaginado que você fosse tão acessível – esperei firme negação e uma dúzia de "isso não me incomoda," ao invés de uma confissão do fato de que quer fazer coisas indescritíveis com Jamie.

O que me lembra – acho que estou apaixonado por você por ter escrito a frase: "anime-se e arrume uma cama." Você nem sabe, mas abalou algumas das crenças que eu firmemente mantinha sobre minha identidade com essas palavras. No entanto, você é jovem demais para mim. Além disso, aparentemente está apaixonada por meu primo.

Mas, Ruiva, o que vai fazer quanto a isso? O cara é obcecado por você desde que vocês eram pré-adolescentes, e agora que você não o considera mais como algo semelhante a um verme, parece que ele deveria saber, certo? Ah, não se preocupe: não vou sair tagarelando com ele sobre isso – têm outras coisas acontecendo na minha vida, sabe (não, eu não) mas, sério, amiga:

Anime-se e arrume uma cama.

O M.P.P. está esplêndido como sempre. Estamos encabeçando a petição para que Dashell Higgs (o cara do Ministério que disse as coisas sobre Você-Sabe-Quem) seja deposto, e recrutamos alguns aurores para ser membros, então estamos nos animando. O grande encontro está chegando, será o segundo ao qual comparecerei, e Sarah estará lá sem o namorado, então será muito divertido.

Em relação à minha covardia em SOCIALZIAR: o que tem que entender sobre mim, Ruiva, é que sou uma completa porcaria perto de pessoas com quem potencialmente gostaria de transar. Sério, sou absolutamente horrível. Eu ajo como se tivesse fumado algo altamente ilícito e as palavras saem de bolo da minha boca.

Eu sou péssimo em relacionamentos. É embaraçoso. É tão embaraçoso que estou escrevendo para uma garota de dezessete anos sobre isso, e isso deve te dar uma ideia de quão horrível eu sou.

Enfim, vamos nos concentrar em você, assim não temos que falar sobre o meu desastre, não é?

Então, todo mundo em Hogwarts odeia a namorada dele. Isso deve ser um bom presságio para você, certo? Eu acho que sim. De qualquer forma, não pode simplesmente ignorar isso.

Bem, agora eu tenho que dar uma desculpa para concluir. Não sei por que as cartas sempre trazem isso – você e sua dissertação de poções, por exemplo – quando parece que poderíamos dizer com a mesma facilidade: 'Bem, eu disse tudo que tenho a dizer, vou amarrar o pergaminho num pássaro e jogar pela janela agora. Beijos.' Seria igualmente eficaz, penso eu, e muito menos artificial.

Em qualquer caso, adeus!

Seu eterno humilde servo,

Sam Dearborn.

P.S. O nome dele é David. Alguma ideia?

"Lily," cumprimentou Clancy Goshawk, surpresa, quando a monitora-chefe entrou no pequeno escritório no quarto andar. "Olá. Eu estava esperando..."

"Remus, sim," completou Lily, sorrindo educadamente. "Nós trocamos."

"Ah." Clancy pareceu um pouco preocupada. "Ele está bem? Não teve que ir para casa visitar a mãe novamente, não é?"

"Ah, não, não é... não. Ele só... está patrulhando com James essa semana. Está quente aqui? Devemos começar?"

"Quê? Ah... hum... tudo bem."

Lily já estava voltando para o corredor, e uma Clancy muito confusa a seguiu.

"Então..." A corvina um tanto confusa correu para alcançar a monitora-chefe. "Como você e Potter geralmente fazem?"

Um pouco apressadamente: "Quê?"

"As patrulhas... são geralmente tranquilas? Ainda não viram nada assustador em um armário de vassouras, não é mesmo?"

"Ah. É... não. Bem tranquilas, sim." Lily levantou uma sobrancelha. "Você e Remus verificam todos os armários de vassouras?"

"A maioria deles, sim."

"Isso parece... demorado."

"Bem, o que você e Potter fazem?" perguntou Clancy curiosamente.

Jogamos cartas na sala dos monitores.

"Só... andamos na maior parte do tempo."

"Ah." Clancy franziu a testa pensativamente. "E isso é permitido? Vou ter que dizer a Remus..."

Algo em seu tom de voz e o jeito que seus lábios se contraíram quase em um sorriso quando ela pronunciou o nome do garoto chamou a atenção de Lily.

"E... vocês?" perguntou a ruiva enquanto caminhavam. "As patrulhas estão indo bem para vocês dois?"

"Ah, sim, muito," respondeu Clancy depressa. "Remus é um excelente parceiro. Mas você tem sido companheira dele há dois anos, então suponho que sabia disso. Vocês dois são próximos?"

"Sim, Remus é maravilhoso," respondeu Lily. "E eu sinto muito que ainda não tenha tido chance de patrulhar com seu namorado... se quiser, posso tentar consertar o cronograma, assim..."

"Ah, tudo bem," interrompeu a outra. "Isto é, tenho certeza que você tem muito o que fazer sem precisar reorganizar o cronograma por minha causa. E eu gosto de patrulhar com Remus. Ele é muito... inteligente."

"Inteligente. Sim. Muito."

E, de repente, Lily achou que poderia ter cometido um erro.

Clancy era bem-humorada, principalmente em relação às aulas e a ser monitora, e um pouco quanto às patrulhas. A garota tinha uma espécie de sorriso no rosto que deixava Lilly curiosa. Seus olhos castanhos estavam iluminados, seu tom tão engajado e vivaz que a ruiva se perguntou como já considerara aquela menina tímida. Ela estava tão animada naquela conversa, quase apaixonada. O nome de Remus Lupin fora ouvido uma dúzia de vezes antes que Lily percebesse a razão disso: Clancy estava interessada no assunto.

Muito interessada.

"Então," começou a monitora-chefe, após cerca de uma hora de caminhada pelos corredores vazios e escuros do castelo. Ela e Clancy estavam atravessando o sétimo andar, uma conversa sobre dever de casa terminara alguns minutos antes e um silêncio vazio deu a Lily a oportunidade perfeita para se aventurar em um assunto que a incomodava desde que – há cerca de cinquenta e cinco minutos – havia decidido que Clancy Goshawk era uma garota do tipo muito legal: "Você está namorando Charlie Plex, não é mesmo?"

Clancy assentiu e o sorriso no rosto dela mudou um pouco. "Começamos a sair no verão."

"Foi?" Lily mordeu o lábio. "Se não se importa de eu perguntar... como foi isso?"

"Você quer dizer 'por quê?'" retificou Clancy, e Lily não podia negar. "Ah, eu sei o que as pessoas pensam dele... o que aconteceu no ano passado, com Cassidy Gamp e Donna Shacklebolt e tudo mais. Mas Charlie não é assim comigo. Fui a uma festa na casa dele durante as férias, e ele foi... doce. Ele não é perfeito, eu sei disso, mas ele é... ele é diferente comigo. Quando estamos a sós, ele diz – ele diz coisas tão legais. Ninguém nunca..." ela corou um pouco, "ninguém nunca me disse que sou linda antes, sabe?"

Lily sabia. Ela assentiu, e Clancy era uma garota muito legal (quase uma estranha) para a ruiva dizer as coisas sarcásticas que gostaria. Os garotos – e as pessoas em geral – poderiam dizer muitas coisas para conseguir o que queriam. E muitas vezes quanto mais agradáveis as coisas ditas, menos admiráveis os objetivos. Além disso, algumas pessoas estavam dispostas a acreditar – Lily estivera com Luke. Foi legal assimilar uma imagem: a de Luke era inocente e romântica. Talvez Charlie fosse um "bad boy" transformado pelo amor. Mas Lily não podia e não diria isso a Clancy, então apenas balançou a cabeça e sorriu educadamente antes de – meio que –mudar de assunto.

"Mais uma vez, me desculpe por ter alterado sua patrulha."

"Ah, não tem problema. Acho que as patrulhas não são tão perigosas, afinal."

"O que quer dizer?"

"Só que não é muito assustador patrulhar os corredores sem – sabe – um cara. Só nós, garotas."

Em outras circunstâncias, Lily poderia ter ficado ofendida com as implicações da declaração, mas a ideia de Remus Lupin desempenhando o papel de um corajoso protetor era divertida demais, e em vez disso ela riu da imagem mental.

"Que foi?" perguntou Clancy.

"Ah... é... nada. Claro, não estou dizendo que é perigoso, mas... talvez haja algum sentido nas patrulhas mistas. Pode haver situações diversas a serem resolvidas."

"Sim, exatamente."

Situações bem diversas neste caso, pensou Lily.

"Então, eu patrulhei ontem."

Lily sentou-se no lugar vago à mesa da biblioteca ocupada por Remus, e ele olhou para ela, confuso, e assentiu devagar.

"Com Clancy," acrescentou Lily.

"Eu sei. Nós trocamos de turnos, lembra?"

"Certo..." Remus retornou ao dever de casa, e Lily esperou que ele dissesse alguma coisa, mas o rapaz não disse, e então a monitora insistiu: "Ela é ótima, não é?"

"É, acho que sim."

"Ela é muito inteligente."

Os olhos de Remus desviaram depressa do livro, e então retornaram tão rapidamente que qualquer um que olhasse para ele com menos atenção do que Lily poderia não ter notado.

"Bem, ela é da Corvinal."

"Certo, mas ela é muito mais inteligente que... digamos... Valerie Turpin."

"Bem, obviamente."

"Ela também é muito legal."

"Aham."

"E bonita..."

Remus largou o livro. "O.k., não está sendo sutil, Lily."

Lily tentou parecer inocente. "Eu não sei o que quer dizer."

"Quero dizer que sei o que está fazendo e não vai funcionar."

"O que estou fazendo?"

"Você está... insinuando."

Lily ergueu as sobrancelhas. "Estou insinuando o quê?"

"Algo ridículo e impossível, que nem vale a pena mencionar."

Ele retornou ao livro. Lily suspirou e recostou-se na cadeira, cruzando os braços. "Eu não sei, na verdade, o que você imagina que estou sugerindo. Se, porém, acha que estou insinuando que você e Clancy seriam a coisa mais adorável da história..."

Remus largou o livro e se inclinou para frente. "Dá para falar baixo?" perguntou ele em um sussurro alto.

"Estamos na biblioteca em uma sexta-feira. Quem exatamente acha que está querendo ouvir?"

Remus abriu a boca para argumentar, mas fechou quando percebeu que Lily estava, de fato, certa. Quase todas as outras mesas estavam vazias.

"Mesmo assim, se eu fizesse isso com você..."

"Fizesse o que comigo?"

"Falasse sobre James desse jeito."

"Isso é completamente diferente," bufou Lily. "James tem namorada... Tudo bem. O.k. É exatamente igual, mas ainda assim..."

"Não, você está certa, é completamente diferente," sussurrou Remus. "Porque eu não gosto de Clancy."

Lily riu.

"Que foi?"

"Gosta de Clancy."

N/T: Aqui Lily achou graça da expressão "fancy Clancy", o que na tradução não tem sentido rsrs

Remus revirou os olhos. "É sinistro o quanto às vezes você me lembra Prongs. E Padfoot, por falar nisso..."

Lily ficou séria. "Tudo bem. Você não gosta dela."

"Obrigado."

Ele retornou ao livro. Lily fez biquinho por um momento, e então continuou: "E também isso é bom."

"O que quer dizer?"

"Bem..." Ela encolheu os ombros. "Clancy é linda. Mas ela é meio... baixa, não é?"

"É..." Remus parecia pouco à vontade. "Eu não notei."

"Aham, muito baixa agora que estou pensando nisso. Uma miniatura, até." (Remus não disse nada.) "E," continuou Lily deliberadamente, "por mais inteligente que seja, não acho que seja muito..."

"Não seja muito o quê?"

"Esperta."

"Ela é esperta!" defendeu Remus.

"Ela está namorando Charlie Plex."

"Só porque alguém vê o melhor nas pessoas e acredita que elas podem mudar não significa que não sejam espertas!" disse Remus em voz alta. A Sra. Sevoy fez uma careta para os dois. Lily sorriu. Remus olhou-a com raiva. "Você me enganou," acusou ele.

"Você está muito a fim dela."

"Ah, Merlin." O Maroto suspirou, massageando a testa com cansaço.

"Não é tão ruim!" disse Lily confortavelmente. "Acho que ela gosta de você."

"Não, não gosta."

"Mas..."

"Não gosta."

"Mas..."

"E mesmo que gostasse, ela tem namorado."

"Mas..."

"E mesmo que não tivesse, não estou em posição de namorar ninguém."

"Mas..."

"Sabe o que eu sou, Lily, sabe que eu não poderia."

"Mas..."

"Não seria justo com ela!"

"Mas..."

"Eu jamais poderia fazer isso com alguém que eu gosto."

"Mas..."

"Mas o que? Ela disse que gosta de mim?"

"Bem, não," admitiu Lily. "Não com tantas palavras..."

"Quatro, você quer dizer? Quatro palavras? Eu gosto de Remus. É tudo que seria necessário."

"Sim, mas..."

"Ela está namorando Charlie Plex. Deve haver uma razão para isso."

"Mas..."

"E Plex pode ser um idiota completamente desprezível, mas acho que gosta dela."

"Mas..."

"E sou a última pessoa no mundo que deveria tentar complicar a vida dela assim."

"Mas..."

"Mas o que?"

Lily suspirou. "Nada."

"Nada?"

"Bem... só que... ela sorriu para você depois do aconselhamento hoje."

"Ela sorriu, não foi?" indagou Remus. Lily deu um tapinha no braço dele.

"Sinto muito, Remus. É uma besteira... mas..." Com esperança: "se serve de algum conforto, você está no mesmo barco que eu."

"Qual, exatamente?"

Lily balançou a cabeça tristemente. "O barco da Shelley."

"O barco da Shelley?"

"O barco da Shelley."

"Não gosto deste barco."

"É um barco terrível."

Caro Sam,

Devagar, meu amigo.

Eu não estou apaixonada por ninguém.

Eu gosto de James.

Provavelmente gostaria de vê-lo sem camisa.

Não estou apaixonada.

De qualquer forma, você não é o primeiro a quem contei. Remus, Sirius e Peter sabem, o que provavelmente foi um grande erro, mas eles me pegaram de surpresa, e eu acidentalmente contei. Mas, quer saber? Não importa. Tudo ficará bem, porque... bem, eu não sei, mas ficará.

É melhor não pensar nisso.

Eu nunca respondi sua pergunta sobre o Lynch Mob, mas também não posso ter a satisfação de ser um membro desse grupo. A questão sobre Carlotta é... complicada. E James parece gostar dela de verdade, então que tipo de ser humano eu teria que ser para aparecer agora que ele gosta de alguém e dizer: "Bem, cara, parece que mudei de ideia. Privilégio feminino, sabe?"

Eu sempre odiei esse estereótipo em particular.

Então, em linhas gerais, se está aceitando requerimentos para alguém preencher a vaga de solteirões-sentados-na-varanda-com-oitenta-e-sete-gatos-julgando-os-transuentes ao invés da bem-sucedida Sarah McKinnon, apresento formalmente o meu.

(A menos que esteja comprometido e tenha escrito para o misterioso David).

Mas deveria fazer isso.

Tempo é tudo.

A propósito, minha noção de tempo é uma droga, e é por isso que pela lógica tudo é uma droga... com relação às suas suposições apressadas ao meu respeito e de James, de qualquer forma.

Então, é isso por enquanto.

Não é algo que eu queira nutrir agora. Tenho outras coisas para pensar também, sabe (isso é meu feminismo falando).

Marlene Price entrou para a equipe de quadribol. Remus Lupin tem expectativas com uma garota (bem, não boas expectativas: estou convencida de que ela gosta dele, mas ela tem um namorado desagradável e inconveniente). Por alguma razão, não parece errado Remus gostar dessa garota, mas o fato de eu gostar de estar perto de Ele-Que-Não-Deve-Ser-James me faz sentir como Shelley Mumps. Não que você tenha alguma ideia de quem seja Shelley Mumps, mas é uma longa história.

Não, não é. Shelley Mumps é a garota que era a melhor amiga da namorada de James, que gostava dele desde o primeiro ano e agora está tentando sabotar o relacionamento deles (James e Carlotta).

Eu odeio adolescentes.

A questão é que me sinto como Shelley, mesmo que não esteja tentando arruinar o relacionamento deles (apenas ocasionalmente desejando que vá para o espaço). Além disso... espere, como isso se transformou em eu falando sobre James de novo? Dane-se tudo, não importa.

Novo assunto.

Sarah. Como ela está? E o namorado dela? E o M.P.P.?

Sabe, Sarah é uma pessoa muito boa; ela não vai te abandonar só porque está namorando. Ela pode estar... ocupando-se de forma diferente, mas acho que é apenas parte do relacionamento. E tenho certeza que você sabe disso e está feliz por ela, porque acho que estar em um relacionamento é sinal de maturidade. E o mesmo vale para você e esse tal de David. E James e Carlotta. Os quais não vou mencionar novamente.

Droga.,

De qualquer forma, com todo meu amor,

Lily.

James chegou bem cedo para a patrulha com Remus na sexta-feira à noite, de modo que até mesmo o sempre pontual Moony ainda não aparecera enquanto o monitor-chefe esperava do lado de fora do escritório no segundo andar, encostado na parede de pedra e contemplando a vista fornecida por uma das janelas.

Particularmente, ele não queria patrulhar naquela noite... e não apenas por aquilo estar ocupando uma parte significativa de sua noite de sexta-feira. Não queria patrulhar com Remus.

Suponho que seja singularmente qualificado nesse aspecto.

Foi um lembrete duro de que Remus teria sido um monitor-chefe muito melhor e mais sensato.

Remus sempre brincou dizendo que ele só havia sido escolhido monitor para manter os outros Marotos na linha, e, como Carlotta comentara, havia certa lógica em tornar "o rei dos trabalhosos" monitor-chefe. Era uma tática antiga dar a alguém a responsabilidade de manter-se longe de problemas.

Mas deveria ter sido Remus.

Passos ecoaram no corredor, e James olhou para cima, apenas para ver alguém que ele queria ver ainda menos do que Remus se aproximar: Shelley Mumps.

Mas ela já o avistara, e não havia como se esconder. A loira sorriu e acelerou o passo, alcançando-o um momento depois.

"James," cumprimentou ela, sorrindo timidamente para ele. "Eu estava voltando para o dormitório. O que te traz aqui?"

James suspirou. "Oi, Shelley. Eu vou patrulhar logo mais."

Seu sorriso desapareceu ligeiramente. "Você não parece muito feliz em me ver. Pensei que estávamos de bem novamente."

"Nunca estivemos de mal, não é? Na verdade, acho que nunca estivemos nada."

"Mas claramente não está feliz em me ver."

"Eu..." James parou e encolheu os ombros. "Só estou esperando por Remus, é isso."

"Entendo." Shelley assentiu com ceticismo. "Suponho que Carlotta tenha te instruído a ficar longe de mim. Ela gosta de estar no controle das coisas, não é?"

"Ela não disse nada do tipo," respondeu James. "Mas essa é uma das razões pelas quais acho que seja uma boa ideia que permaneçamos... afastados."

"O que quer dizer?"

"Quero dizer que minha namorada é sua atual inimiga."

Shelley corou um pouco. "Não sabia que deixava sua namorada determinar com quem pode ter amizade."

James recostou-se na parede, cruzando os braços. "Seria mais complicado decidir se eu tivesse parado de ouvir rumores desagradáveis sobre ela todas as manhãs."

Shelley desviou o olhar. "Eu te disse que não pretendia que fosse assim."

"Mas, mesmo assim, foi o que aconteceu... e, para ser honesto, se você fosse um cara, provavelmente enfrentaria a ira dos Marotos."

A bruxa pareceu genuinamente ofendida por isso, e James se sentiu culpado.

"Sinto muito," ele se desculpou, um tanto defensivamente. "Sério. É uma... situação desconfortável. E eu provavelmente não estou enfrentando com a dignidade de um monitor-chefe, mas não sei mais o que fazer."

Shelley não respondeu de pronto. Ela encarava o chão como se tentasse memorizar o modelo das pedras, um olhar de profunda concentração gravado em seu rosto. E então ela sorriu para James novamente, aproximando-se dele e dando um tapinha em seu ombro. Ele instintivamente se moveu para recuar, mas a parede atrás o impediu, e ele teve que se espremer desajeitadamente contra ela.

"Estou feliz que sentiu que poderia confiar isso a mim," disse ela.

James a encarou. "Espere... o quê?"

"Progresso, eu acho."

Com um último sorriso, Shelley se virou para ir embora.

"Espere... eu... não. Não, acho que você interpretou mal... o.k., você está indo, isso é fantástico, maravilhoso, apenas... tudo bem."

Ela se foi.

James franziu o cenho. "Bem, isso é simplesmente adorável," disse ele para ninguém em particular.

"O que?" perguntou uma nova voz, e antes que o cérebro dele registrasse corretamente as nuances do tom, o Maroto pensou que poderia ser Remus. Mas não era, e quando se virou para ver quem chegara no corredor, percebeu que era, na verdade, uma voz feminina.

Uma garota baixinha e pálida com cabelos escuros estava lá, seus olhos negros fixos em James com curiosidade.

A princípio, James achou se tratar de uma primeiranista, mas, um momento depois, lembrou onde a vira antes: na mesa dos professores, na maioria das manhãs e noites, sempre sentada ao lado do Professor Ramsay.

"Hum... nada," respondeu ele sem jeito; havia uma grande distância entre ele e a menina – que usava um vestido ao invés do uniforme da escola, sugerindo não ser, na verdade, uma aluna – e, porém, James tentava recuar, como se ela pudesse atacá-lo.

"Quem é você?" perguntou ela.

"Quem sou eu? Quem é você?"

"Eu sou Valentina."

"Eu sou o James."

"Ah."

Ela continuou a encará-lo com seus grandes olhos, e James continuou a olhá-la com grande suspeita.

O que era ridículo, ele percebeu, porque ela tinha cerca de dez anos.

"Você é aluna?" perguntou ele depois de um breve silêncio, embora já tivesse adivinhado a resposta.

"Não. Meu pai ensina aqui," respondeu a garota chamada Valentina, e sua voz era baixa e estranha: não estridente, como a de crianças pequenas às vezes eram, mas calma e profunda, quase fantasmagórica.

"Professor Ramsay?" supôs James novamente, e Valentina assentiu.

"Sim."

Mais silêncio.

"Bem..." James engoliu em seco. "O que está fazendo aqui?"

"Eu estava explorando," respondeu Valentina. "Mas não sei em qual andar estou."

"No segundo."

"No segundo," repetiu Valentina. "Ala Oeste?"

"Isso mesmo. Você... hum... mora aqui?"

"Não, eu estou na Ala Leste."

"Não, quer dizer..." Crianças eram tão tapadas às vezes. "Você mora no castelo?"

Valentina assentiu, sem reagir ao seu erro. "Com papai."

"Ah." James também assentiu, olhando para qualquer lugar, menos para o olhar curioso de Valentina. "Hum... por quê?"

"Por quê?" repetiu ela.

"Por que mora aqui?" Os outros professores não traziam os familiares para lá, não é? Ou eles não tinham família? James percebeu que nunca pensara nisso antes. "Onde está sua mãe?"

Provavelmente foi uma pergunta rude, mas tato nunca foi o forte dele.

Mas Valentina não parecia magoada ou ofendida, e mesmo assim sua resposta não respondeu exatamente à pergunta: "Eu morava com minha tia. Mas então papai foi me buscar e viemos para cá."

"A-ah. Bem, isso é... não sei. Hum... quantos anos você tem, afinal?"

"Dez. Quantos anos você tem?"

"Dezessete."

Pela primeira vez, esta resposta pareceu provocar uma reação na pequena Valentina Ramsay. "Dezessete," ela mais uma vez repetiu a resposta, agora com interesse. "Você é do sétimo ano, então."

"Sim." E então, para preencher o silêncio (por que ela não ia embora?): "Monitor-chefe."

"Ah. Você é o mais alto, então?"

James honestamente não tinha ideia do que isso significava. "Quê?"

"Você é o monitor-chefe, então é o mais alto, não é?"

"Hum... eu não sei. O que...?"

"Prongs?"

Graças a Merlin.

Remus chegou; eram exatamente oito horas agora, e ele correu para encontrar James. Levou um instante para perceber que seu amigo não estava sozinho, mas em profunda conversa com uma menina de dez anos.

"É... olá."

"Olá," respondeu Valentina.

Remus olhou para os dois, esperando que alguém lhe desse uma pista.

"Esta é Valentina Ramsay," apresentou James. "Ela é filha do Professor Ramsay, eu acho."

"Ah." Remus se virou para Valentina. "Prazer em conhecê-la," disse ele educadamente. "Eu sou Remus Lupin."

"Prazer em conhecê-lo também," imitou Valentina.

"Para você, ela fala frases completas," James resmungou.

Remus o ignorou. "Você está perdida?" perguntou ele gentilmente, e Valentina assentiu. "Ah... bem, vamos te ajudar a encontrar o caminho de volta, então..." Ele olhou confuso para James, que não sabia como começar a explicar que não tinha ideia de que a garota estava perdida. "Onde você mora no castelo?"

"Na Ala Leste, perto da estátua do homem que parece um troll."

"Ah... hum, não sei..."

"Diggory, o druida," explicou James. "A estátua de Diggory, o druida." Remus arqueou uma sobrancelha. "No terceiro andar, Ala Leste, um cara que parece um troll... Diggory, o Druida, parece um troll. Não sei se ele não era ao menos mestiço."

"Não é possível ser meio troll e meio humano," apontou Remus. "É geneticamente incompatível."

"Não sei o que isso significa," disse James, revirando os olhos. "Podemos apenas nos livrar... é... quer dizer..."

Remus também revirou os olhos. "Vamos levá-la de volta, então, Valentina," disse ele, voltando-se para a pequena bruxa novamente. "Por aqui, eu acho."

"Obrigada," disse Valentina baixinho. "Sabe, eu acho que você é mais alto do que ele..."

"Ninguém te perguntou," retrucou James.

"Prongs," censurou Lupin.

Quando Valentina foi deixada em seus aposentos, Remus e James voltaram para começar a patrulha direito.

"Obrigado," disse o monitor-chefe ao amigo. "Criancinhas me assustam."

"Claramente," respondeu Remus, sorrindo.

"Cale a boca," disse James, meio rindo de si mesmo. "Ela me pegou desprevenido. Eu acabei de ter uma experiência com Shelley."

"Isso não é legal. Eu pensei ter sentido o cheiro inconfundível de perfume barato lá atrás..."

"Acho que não é preciso ser um lobisomem para sentir o cheiro quando uma garota usa tanto."

"Ei, fale baixo!"

"Não tem ninguém por perto."

"Mesmo assim..."

James deu de ombros. "Eu simplesmente não entendo o que ela espera conseguir," disse ele. "Shelley, quero dizer. Obviamente, gosto de Carlotta, e não é como se eu fosse largá-la só porque ela quer que eu faça isso."

"Certo," disse Remus, um tanto rígido. Ele encarou o chão. "Você está com a pessoa com quem quer estar, e não estaria com ela se não quisesse, e só porque alguém gosta de você não significa que vai largar tudo para ficar com ela, mesmo que ela nunca tenha estado num relacionamento antes, e nunca tenha desejado se envolver até então, e mesmo que a ideia de vocês dois juntos seja tão completamente ridícula e imprudente, ela não consegue não pensar que pode ser estranhamente perfeito também, e em alguma existência alternativa impossível, pode não ser completamente esquisito, e vocês dois podem ser completamente felizes juntos." Eles chegaram à escada. James o encarou.

"Você está bem, Moony?"

"Quê?" assustou-se Remus. "Ah. Sim. Fantástico. Para cima ou para baixo?"

"Quê?"

"Para o quarto andar ou para o segundo?" esclareceu Remus, acenando vagamente para a escada diante deles.

James momentaneamente afastou a confusão e disse: "Temos mesmo que caminhar pelo castelo inteiro? Eu estou pronto para um jogo de bexigas."

"Claro que temos que andar pelo castelo," disse Remus. "Como mais patrulharia? Tenho certeza que Lily não deixa você se distrair assim."

"Ah, não, estamos usando o mapa," disse James. "É mais fácil e mais abrangente." Ele sorriu esperançosamente.

"Ah. Na verdade, não é uma má ideia. Claro que eu não poderia usar se estivesse patrulhando com... qualquer outra pessoa, mas somos só nós..."

"Sim, por que é que estamos patrulhando juntos, afinal?" indagou James.

Remus parecia desconfortável. "Lily tinha outro compromisso hoje à noite."

"Ah, entendi." Ambos ficaram calados por um momento "E esse compromisso é... o que exatamente? Pintar as unhas na sala comunal? Porque era isso que ela estava fazendo quando saí..."

"Bem..."

"Moony," começou James, cruzando os braços. "Só me conte sobre ela."

"Sobre quem?"

"Essa garota. A garota com quem você está patrulhando... Clancy Goshawk."

"Como você...?"

"Padfoot disse que você está emprestando livros a ela, e você não empresta seus livros a qualquer um. Além disso..." a boca de James estremeceu em diversão, "quando eu disse a Sirius que Molly Weasley teve outro filho e Charlie deixou de ser o mais novo, você interrompeu com um discurso de cinco minutos sobre como o nome 'Charlie' é horrível, e como alguém amaldiçoado para se chamar assim, cito: 'merece o pior.'" Remus corou um pouco, e James acrescentou: "Então, como alguém que tinha sentimentos semelhantes sobre o nome 'Luke' há pouco tempo atrás... eu entendo."

"Não importa," disse Remus após alguns instantes de hesitação. "Ela..."

"É perfeita, não é para seu bico, tem um namorado?"

Remus deu de ombros. "Eu não quero ser Shelley," disse ele.

"Shelley?" riu James. "Como você seria Shelley? Você não é Shelley." Remus olhou para ele com ceticismo, e James ponderou. "Bem, o.k., tecnicamente, você está no papel de Shelley, mas não significa que seja Shelley."

"É exatamente o que significa."

"Não, porque não está fazendo as coisas de Shelley. E se você fosse tentar... disfarçadamente paquerar Goshawk, ainda não seria Shelley, porque... porque... porque você é legal. E um lobisomem..."

"Prongs..."

"Estou falando sério! Deve ser reconfortante saber que apesar de suas meias dobradas e cabelos penteados, ainda pode rasgar Charlie Plex em pedaços."

"E você não acha que Shelley poderia quebrar Carlotta no meio?" perguntou Remus secamente.

"Bem, isso não é justo. Carlotta é muito pequena. Uma criança de doze anos provavelmente poderia quebrá-la ao meio."

"Eu sou Shelley."

"Não, não é."

"Eu sou. É patético, mas é verdade."

"Moony, me escute..." Eles começaram a descer a escada, "você não é Shelley."

"Eu sou Shelley."

"Você não é Shelley."

"Eu sou Shelley."

"Você nem usa perfume."

"Eu sou Shelley."

"Você não causa confusão no Aconselhamento."

"Eu sou Shelley."

"Você é muito mais bonito do que ela."

"Eu sou Shelley."

"Se você estivesse tentando namorar comigo, eu largaria Carlotta por você."

"Eu sou... ah, cala a boca, Prongs."

A noite de domingo trouxe o primeiro treino de quadribol da temporada para a Grifinória, que, por sua vez, trouxe bastante correria.

"Isso cria resistência," explicou James. "Também mantém todos vocês em boa forma para manter as vassouras longe do chão. Certo... mais três voltas."

E isso teria sido bom, se não fosse pela série de exercícios que se seguiu, atribuída individualmente a depender da posição dos jogadores na equipe. Só na última hora de treino eles foram para as vassouras, e na última meia hora houve uma breve disputa que, no fim, pareceu uma prorrogação.

Então, finalmente, tudo acabou, e a equipe guardou os equipamentos.

"Então, como foi, Price?" perguntou Adam com um sorriso, enquanto ajudava a guardar a goles. "Primeiro treino... o que achou?"

Marlene sentou-se na grama e sorriu, afastando os cabelos curtos dos olhos. "Excelente," respondeu ela. "É intenso, mas... muito divertido."

"É sim." Adam trancou a caixa. "Levo isso para o galpão, se quiser," acrescentou ele para James, que assentiu e agradeceu. "Você vem, Price?"

"Eu vou só esperar por Donna."

"Certo. Te vejo na sala comunal."

"Até logo."

Então, Adam se foi. Marlene o observou deixar o campo.

"Você está esperando por mim?" perguntou Donna com ceticismo, aproximando-se da companheira de quarto. "Por quê?"

Marlene olhou para cima. "Porque acho que não consigo me mexer."

"Quê?"

"Acho que não consigo me mexer," repetiu Marlene, um tanto freneticamente. "Eu estou fisicamente presa nesta posição. Só sentei por um segundo, e agora estou congelada. Meus músculos literalmente pararam de funcionar."

"Ah," disse Donna com ar de quem sabe das coisas. "Sim, isso pode acontecer. Efeitos colaterais comuns dos Treinos do Potter. Mas há uma razão para sermos a melhor equipe da escola." Ela se inclinou e agarrou o braço de Marlene, puxando a loira para cima.

"Ai, ai, ai..."

Mas Marlene conseguiu ficar em pé novamente e Donna lhe entregou uma garrafa de água. "Eu vomitei depois do meu primeiro Treino do Potter," contou ela. "E eu estava bem mais em forma do que você."

"Obrigada."

"Depois melhora."

Marlene assentiu. Recuando, ela pegou a vassoura da escola e voltou ao castelo com Donna.

"Então, e o seu dilema moral?" perguntou a loira, enquanto atravessavam o gramado sob o céu cinzento. "Resolvido?"

"Talvez," respondeu Donna. "Não sei."

"Eu ainda acho que deveria me contar."

Irritada: "Eu não vou te contar."

"Eu sei, mas ainda acho que deveria."

Donna revirou os olhos.

Quando chegaram ao Saguão de Entrada, Marlene seguiu direto para a escadaria de mármore, e Donna certamente teria feito o mesmo, mas algo através das portas do Salão Principal chamou sua atenção.

"Você vem?" perguntou Marlene, vários passos à frente.

"Eu... vou em um minuto."

"Está bem."

Marlene continuou subindo a escada e Donna entrou no Salão Principal. A pessoa que chamara sua atenção estava em uma das mesas, com um pano na mão enquanto limpava a superfície da mesa da Lufa-Lufa: era sua irmã, Bridget.

Mas elas não estavam sozinhas. O Professor Flitwick – e Donna não o notara a princípio – não estava muito longe, com um ar de supervisão ao cruzar os braços minúsculos sobre o peito.

"Com licença, Srta. Shacklebolt," disse Flitwick, e tanto Bridget quanto Donna olharam para ele: Bridget se assustou, surpresa, notando a irmã mais velha pela primeira vez, e então rapidamente retomou a limpeza com mais vigor. Donna olhou desconcertada de sua irmã para o professor. "Receio que tenha que ir," gritou Flitwick. "A Senhorita Shackle... isto é, a jovem Senhorita Shacklebolt está em detenção e..."

"Detenção?" interrompeu Donna em voz alta. Bridget se encolheu, mas não fez contato visual com ninguém. "Por que está em detenção? Ela está no primeiro ano, pelo amor de Agrippa!"

"Receio que não seja da sua conta, Srta. Shacklebolt!"

"Claro que é da minha conta! Ela é minha irmã!"

"De fato, mas como aluna, você..."

Mas Donna não se importou em ouvir as desculpas. Ela correu para perto da parede, onde o banquinho do Professor Flitwick estava, e sua expressão era suplicante. "Professor Flitwick," começou a setimanista em voz baixa, para que Bridget não pudesse ouvir: "Bridget é minha irmã mais nova. Minha mãe e meu pai não estão mais aqui, e sou quase inteiramente responsável por ela... por favor, deixe-me falar com ela por alguns minutos..."

Flitwick suspirou, embora até mesmo isso de alguma forma conseguisse parecer estridente, e então ele assentiu. "Cinco minutos não machucariam, suponho."

"Obrigada."

Foi preciso todo autocontrole de Donna para não saltar a mesa que estava entre ela e Bridget; Flitwick, muito educadamente, foi para a frente do salão, a uma distância segura. Donna aproximou-se da irmã, que ainda esfregava desafiadoramente a mesa, até que a mais velha a segurou pelo ombro – gentilmente – e virou a jovem bruxa para encará-la.

"Você está em detenção?" perguntou Donna. Ela não sabia se deveria ficar furiosa ou preocupada, e estava quase convencida de que o que quer que a irmã tivesse feito para merecer aquela punição não era, de fato, culpa de Bridget

"Aparentemente," respondeu a menina. Ela torceu o pano entre os dedos nervosamente. "Por favor, não faça escândalo, Donna, não é..."

"O que aconteceu?" interrompeu Donna. "Você é a garota mais comportada que eu já conheci. É assustador quão bem-comportada você é!"

"Donna, por favor, não..."

"Só me diga o que aconteceu!"

"Não faça escândalo por isso, Donna, não é..."

"Bridget."

Bridget respirou profundamente. Então: "Eu me envolvi numa briga."

"Você se envolveu numa briga?" repetiu Donna em voz alta, sem acreditar. "Com quem? O que houve?"

Bridget não fez contato visual. "Abby Marquette."

"Abby Marquette? Eu pensei que vocês duas fossem amigas..."

"Nós éramos..." Bridget parou abruptamente e se mexeu com o pano na mão.

"Ela estava... ela estava sendo pedante."

"O que ela estava fazendo?" questionou Donna. "Por que sentiu necessidade de brigar com ela?"

"Ela... bem..."

"Bridget."

E, então, com grande dificuldade: "Ela estava te chamando de vadia."

Donna só conseguia encará-la. "Espere... o quê? A mim? Não entendo."

E, então, ela desembuchou o resto. "Começou um dia desses," explicou Bridget, torcendo o pano ansiosamente entre os dedos. "Um aluno do sétimo ano... quer dizer, Charlie Plex estava no salão comunal, e ele estava... dizendo coisas sobre você, e eu não disse nada, e então ontem Abby... bem, ela estava basicamente repetindo o que Charlie Plex disse, e ela te chamou de vadia, e então eu... eu... bem..." Bridget engoliu em seco. "A azaração da perna presa é o único feitiço que conheço, então... enfim, recebi detenção. Obviamente. E Abby Marquette não está falando comigo."

Quando a história terminou, Donna fechou os olhos e exalou pesadamente. "Então..." começou ela, abrindo os olhos, "isso é culpa minha."

"Não, é..."

"Bridge, você não precisa me defender."

"Não teria feito o mesmo por mim?" perguntou a outra desafiadoramente.

"Sou sua irmã mais velha," respondeu Donna. "Essa é minha função. Mas você... Ah, Merlin..." Donna fechou os olhos e passou a mão pelos cabelos, frustrada.

Enquanto isso, a menina encarava fixamente o chão, mas mordia o lábio, como se estivesse remoendo algo que queria dizer, até que finalmente olhou para Donna e perguntou: "É verdade?" Donna abriu os olhos. "Quer dizer... o que Charlie Plex disse é verdade? Sobre... sobre você e ele? Quando ele estava namorando aquela outra garota?"

Seus olhos escuros estavam quase ansiosos enquanto encaravam Donna; a bruxa mais velha suspirou. Ela colocou o braço em volta do ombro de Bridget e guiou-a para a mesa mais próxima (da Lufa-Lufa), sentando-as no banco.

"Bridget," começou ela devagar, "eu..." Mas não havia outra forma de falar: "Sim."

Bridget assentiu.

"Eu gostaria de poder dizer que não é verdade, mas... bem, é. Eu não sou... não sou o melhor exemplo para você, e sei disso... eu não estava tentando esconder isso de você, eu só queria protegê-la por mais algum tempo..."

Então, por algum motivo que Donna desconhecia, Bridget sorriu.

"A irmã mais velha de Abby Marquette tirou quatro P's nos N.O.M.s., e só de olhar para ela dá para saber que não consegue jogar quadribol nem para salvar a própria vida. Além disso, ela é uma fofoqueira horrível. Acho que você é um brilhante exemplo."

"Bem... isso é porque você tem suas prioridades definidas." Donna franziu a testa. "É muito complicado, Bridge. Tudo que aconteceu no ano passado... não tenho orgulho disso. Sinto muito que você tenha que ver..."

"Eu sei que você não é perfeita," interrompeu Bridget. "Sempre soube disso. E eu não me importo com o que Abby Marquette ou qualquer um tenha a dizer sobre você..."

"Então, por que a azarou?"

Bridget não tinha uma resposta adequada para isso.

"Bridge," continuou Donna devagar, "há muitas pessoas que não gostam de mim. Não sou como você, sabe? Eu nem tinha amigos até o terceiro ano..."

"Terceiro ano?"

"Sim, eu sei," disse Donna. "Mas é assim que eu sou. Grande parte disso é culpa minha também, e muito disso é..."

"Culpa de Charlie Plex?"

Donna bufou. "Não é bem assim. Mas eu vou embora próximo ano, e espero que a maior parte disso vá comigo..."

"Donna, não é..."

"Nada do que fiz vai fazer qualquer diferença para você a partir de agora," disse Donna com firmeza. "Não pode deixar isso acontecer. Não pode azarar quem não goste de mim... é muito doce, mas não é adequado."

"Mas..."

"Bridget, prometa que não vai mais ficar em detenção por minha causa."

"Eu prometo, mas..."

"Bridget."

"Eu prometo que não vou mais ficar em detenção por sua causa," disse Bridget sombriamente. "Mas não estou garantindo que não vou azarar Abby Marquette novamente."

"Mas não por minha causa."

"Mas não por sua causa."

"E não seja pega."

Bridget deu uma risadinha. Ela se inclinou contra o ombro da irmã mais velha, passando o braço pelo de Donna.

"Eu acho que Charlie Plex é um idiota," disse Bridget baixinho.

"Eu também," concordou Donna. "Sinto muito, Bridge."

"Não precisa..."

"Não, de verdade. Sinto muito."

Elas ficaram sentadas em silêncio por um longo tempo.

"Bridget, é melhor voltar ao trabalho," veio a voz estridente de Flitwick, acabando com o momento, e a menina se assustou.

"Ah. Certo. Estou em detenção."

"Certo."

(Uma Camiseta)

As manhãs de segunda-feira eram quase sempre absolutamente desanimadoras, mas aquela parecia particularmente sombria. Marlene e Donna tinham acabado de treinar quadribol, e a loira parecia estar triste pela perda de suas habilidades motoras, enquanto Donna estava com um humor pior do que o normal. Mary tagarelava como de costume, apoiada apenas por Lily, cuja atenção foi desviada quando a correspondência chegou.

Niko, a coruja, chegou com uma carta de Sam Dearborn, mas também trazia um embrulho de papel pardo preso a ela e amarrado com uma corda fina.

"O que é isso?" perguntou Mary. "De um admirador secreto?"

"Dificilmente. De Sam Dearborn, eu acho."

"Querida Lily,

Eu incluí um presente meu e de Sara, que – tendo ouvido seus conselhos em relação a ela e o namorado – está dizendo que você é uma amiga melhor do que eu, e, portanto, está completamente apaixonada por você no momento. Eu também devo acrescentar que estou muito descontente com você, ciumento como sou, mas não importa: minha raiva dura pouco. Enfim, talvez esse presente lhe dê um pouco de incentivo em relação aos planos pós-Hogwarts. Não abra até que eu termine de falar, Ruiva. Isso é falta de educação.

Mas esta carta será curta, então não tema. Tenho reunião do M.P.P. em vinte minutos, e Tilly terá um ataque se eu me atrasar. Novamente. Mas aqui está o ponto principal do que quero escrever: seja o que for que aconteça com meu querido primo, você ficará bem. Sinceramente, ser feliz não é ter o que se quer quando se quer, não é? Porque assim não teríamos controle sobre nossa própria felicidade, e eu não acredito nisso.

Eu, por exemplo. Estou extremamente feliz há algum tempo. Mas não é por causa do David (lindo, ah Merlin, Lily, lembre-me de te dar detalhes na próxima carta, sim?), Sarah ou qualquer um. As pessoas me fazem feliz, claro, mas apenas de uma forma – a forma puramente reacionária. O que é legal. Para mim, ser feliz é fazer o que nasceu para fazer a qualquer momento. Estar em sincronia com o seu propósito.

Eu inventei isso ou andei lendo os livros de Fiona Keepdown de novo?

Não, acho que inventei.

Dá para ouvir os meus vinte e poucos anos de sabedoria?

Mas isso é um monte de porcaria motivacional. Não sou mais resolvido do que você, Ruiva. Mas aí está. Conselhos de Sam. Eu deveria escrever um livro.

Eu realmente tenho que correr agora, então até mais, menina. Não se esqueça de abrir seu presente e de usá-la com orgulho (dica, dica).

Seu servo não contratado,

Sam."

Curiosa, Lily largou a carta e pegou o embrulho, abrindo-o com cuidado. Havia um pano branco dentro, que ela desenrolou, revelando uma camiseta – uma camiseta familiar, com letras verdes que diziam "M P P."

Era a camiseta que Sam, Sarah e os outros membros do Magia-Pela-Paz usavam no Ministério há um mês.

"Sorte," disse Marlene do outro lado da mesa. "É bonita. Eu quero uma."

Mas Lily não teve tempo de responder, já que James Potter passou por aquele trecho da mesa da Grifinória com Remus, Sirius e Peter, e também notou a peça de roupa.

"Onde conseguiu isso?" perguntou ele, curioso, e Lily quase pulou com o som inesperado de sua voz.

"Sam Dearborn mandou," respondeu ela, olhando para o monitor-chefe e depois para a nova camiseta.

"Sam?" Havia surpresa em seu tom, mas não exatamente desprazer. "Isso é... legal da parte dele. Eu não sabia que vocês dois se comunicavam."

Lily sorriu e assentiu. "Faz pouco tempo."

A ruiva supôs que Sirius, Remus e Peter deviam ter trocado olhares sugestivos, mas ela não participou.

(Em Terra)

A Professora McGonagall ainda não estava na sala de aula de Transfiguração quando Lily chegou com Marlene, Donna e Mary. Ela sentou-se na parte de trás e tirou suas anotações, penas e tinta, e, enquanto o fazia, Remus sentou-se na mesa ao seu lado. O Maroto aproximou-se dela como se não pretendesse ficar por muito tempo, pois os amigos estavam do lado oposto da sala.

"Olá, Lily."

"Remus." Ela se virou para ele também.

"Notei que publicou o cronograma mais recente de patrulhas," comentou ele. A monitora-chefe assentiu.

"Sim, finalmente consegui elaborar meu próprio cronograma. O objetivo é publicar todas as segundas-feiras de manhã."

Remus não parecia interessado nesse fato, mas em algo totalmente diferente. "Eu voltei para quinta-feira. Você está de volta com James."

Lily assentiu. Ela olhou por cima do ombro para se certificar de que suas amigas não estavam prestando atenção (e não estavam) antes de responder de forma evasiva: "É o que parece."

"E isso não teria nada a ver com a operação cupido, não é?" perguntou Remus desconfiado. Lily apenas sorriu suavemente e balançou a cabeça.

"Não. Se não quiser patrulhar com..." ela baixou a voz, "Clancy, não precisa. Eu posso te trocar com quem você quiser."

"Então, por que trocou de volta?"

Lily levou um momento para responder. "Eu não preciso evitá-lo," respondeu ela por fim. "Eu não sou..." ("Shelley," ela quase disse). "Ficarei bem trabalhando com ele, a gente não pode ter tudo que quer quando quer, e... tudo bem."

"Então, e o barco da Shelley?" perguntou Remus, franzindo a testa, mas Lily sorriu novamente e encolheu os ombros.

"Shelleyismo é uma escolha."

"E você tem certeza disso?"

"Absoluta."

(Problemas do Monitor-chefe)

Deveria ter sido Remus.

Esse pensamento superou todos os outros na noite de segunda-feira, antes da reunião semanal da monitoria, enquanto James sentava sozinho no sofá da sala dos monitores. Ele estava adiantado, mas o quadribol tinha sido de manhã, e não estava particularmente a fim de ficar na sala comunal. De qualquer forma, Carlotta estava terminando o dever de Feitiços, e os outros Marotos estavam igualmente ocupados, de modo que James, que não estava com disposição para o trabalho escolar, resolveu ficar um pouco sozinho antes da reunião. Lily publicara o horário das patrulhas, como haviam combinado, e seu nome estava, mais uma vez, ao lado do dela na sexta-feira à noite. Remus estava na quinta-feira com Clancy novamente... talvez Lily tivesse notado os benefícios do casal também... talvez Remus tivesse contribuído para a montagem do cronograma. Era o tipo de coisa que ele faria.

Deveria ter sido Remus.

Remus era monitor. Remus soube como interagir com a jovem Valentina Ramsay. Remus pôs fim à confusão no Aconselhamento no início do mês. Remus saberia o que fazer como monitor-chefe e, talvez, se fosse mais bem-sucedido em refrear seus amigos, teria o distintivo. Mas foi durante a monitoria de Remus que Sirius pregou a peça em Snivellus, e Remus quem foi a "ameaça" da brincadeira para começo de conversa – e James era o monitor-chefe. Porque, como Carlotta dissera, ele era ostensivamente a única pessoa que podia reivindicar autoridade sobre aqueles elementos rebeldes do corpo discente (sendo ele mesmo um desses elementos). Merecendo ou não, ele, James, era o monitor-chefe.

Mas deveria ter sido Remus.

Quase sem perceber o que estava fazendo, James se levantou do sofá. Ele alcançou a porta e seguiu sem destino pelo corredor, até já estar na metade do caminho – a meio caminho do escritório de Dumbledore.

Os monitores-chefe tinham o privilégio de saber a senha da estátua que levava ao escritório do diretor: James a forneceu sem pensar duas vezes. Ele subiu a escada às pressas, e não parou até chegar à segunda porta dos aposentos de Dumbledore. Lá, o rapaz hesitou por alguns segundos e depois bateu.

Após um tempo a voz de Dumbledore disse: "Entre." E James o fez.

"James," cumprimentou o velho bruxo, sem surpresa em sua voz. Ele sorriu calorosamente de sua mesa para o monitor-chefe. "Boa noite. Não vai se sentar?"

"Não, obrigado," disse James depressa. "Não, só posso ficar um minuto. A reunião começa logo. Só tenho algo a dizer."

Dumbledore olhou para ele com interesse em seus brilhantes olhos azuis. Seus óculos descansavam no lugar habitual, em seu nariz torto, e o modo como estava sentado na cadeira espaçosa – com vestes roxas meio escondidas – o bruxo parecia quase outro adorno naquele estranho escritório. Os retratos de antigos diretores dormiam em estranha sincronia, roncando baixinho em harmonia com o vago zumbido dos muitos instrumentos e ornamentos do diretor.

"Estive martelando meu juízo," prosseguiu James, muito irritado por estar nervoso até mesmo com o prestígio de Dumbledore, "tentando descobrir por que me escolheria como monitor-chefe. Não faz qualquer sentido, e não é como se não tivesse outras opções. E a única razão – a única razão possível que posso imaginar – é que espera que isso me mantenha na linha... e que, se puder me convencer a ser um bom menino, eu farei o mesmo com meus amigos E não estou dizendo que às vezes Sirius não fica um pouco maluco, porque... bem, obviamente, ele fica. E eu não deixaria isso acontecer se pudesse evitar, mesmo se não fosse o monitor-chefe. Então, eu não vou... entrar no jogo. Não gosto de ser manipulado, e se isso significa decepcioná-lo, me perdoe, mas... mas, na verdade, não, porque é quem você escolheu, para melhor ou para pior, e é isso que vai ter que tolerar. E... bem, isso é tudo."

James olhou desafiadoramente para Dumbledore, e o bruxo o encarou de volta, o significado no brilho de seus olhos totalmente incompreensível como de costume. Por alguns segundos, eles ficaram assim, antes de James acrescentar: "E agora eu tenho que ir a uma reunião."

E, virando-se, ele foi embora. A porta se fechou atrás dele, e os passos rápidos de James podiam ser ouvidos na escada do lado de fora. Dumbledore riu.

James estava atrasado para a reunião, mas só dois ou três minutos, e Lily acabara de começar a falar sobre o pedido de Filch para que todos os monitores se familiarizassem com a lista de itens proibidos quando o rapaz entrou no escritório, ficando atrás de um grupo de lufanos. Lily notou sua aparência perturbada. Distraída, ela gaguejou um pouco quando ele entrou, mas depois retomou o ritmo. Após a distribuição das cópias da lista do zelador, ela perguntou a James se ele tinha algo a acrescentar, e ele contribuiu com o pedido de McGonagall para que cada um dos monitores escrevesse um breve relatório de suas experiências de patrulha na semana seguinte. Mais algumas questões foram tratadas e, depois de vinte e cinco minutos, os monitores foram dispensados.

"Você está bem, Prongs?" perguntou Remus enquanto preparava-se para sair.

"Fantástico," respondeu ele. "E... é... bom trabalho hoje."

Remus levantou as sobrancelhas. "Quê?"

"Bom trabalho," repetiu James.

"Bom trabalho em quê?"

James passou a mão pelo cabelo. "Só... só bom trabalho."

Remus continuou a encarar o amigo com um olhar de quem suspeitava que ele tinha sido substituído por um impostor que tomara Poção Polissuco. "Prongs, você está chapado?"

"Não, não estou chapado. Um cara não pode dizer 'bom trabalho' ao amigo de vez em quando sem começar uma maldita revolução?"

"É... suponho que sim..."

"Bem, então bom trabalho!" disse James, impaciente.

"Obrigado?"

"Por nada."

"O.k." Remus dirigiu-se à porta. "Te vejo no salão comunal?"

"Sim, chego em um minuto," respondeu James, muito mais cordialmente, e um Remus muito confuso partiu, o último dos monitores. Só Lily e James permaneceram.

A ruiva estava limpando a mesa, mas parou para enviar a James um olhar curioso. "Você está bem, Potter?"

"Estou," respondeu James, novamente lacônico. "Escute, eu farei o cronograma de patrulhas da próxima semana."

"Quê?"

"Eu vou fazer o cronograma de patrulhas da próxima semana."

"Ah." Lily franziu a testa. "Não gostou deste?"

"Não, está bom. Mas você tem feito todos, e não é justo que faça isso toda semana. Então farei na próxima." Ele parecia achar que Lily o desafiaria; em vez disso, ela cruzou os braços e inclinou a cabeça para um lado, curiosa.

"Você tem certeza que não está chapado?"

"Por Agrippa, não, eu não estou chapado. Por que continuam me perguntando isso?"

"Você está se comportando muito esquisito."

"Eu não estou me comportando mui..."

Lily recostou-se na mesa, os tornozelos cruzados, com um olhar de expectativa no rosto. "Quer falar sobre isso?" ela o interrompeu.

"Não," disse James com mau-humor.

Mas claro que ele acabou falando mesmo assim.

Ele começou a história com Valentina Ramsay, que, percebeu ele, era um momento atroz para começar a história, e teve que recuar um pouco para esclarecer as coisas. Mas a essência de tudo estava clara o suficiente para Lily – as dúvidas que ela levantara, que Carlotta confirmara, que a consciência dele continuava a provocar... e então o encontro com Dumbledore pouco antes da reunião, e, naquele ponto, Lily reagiu visivelmente pela primeira vez, seus olhos ficando ligeiramente mais arregalados.

E então tudo acabou, e a garota ficou quieta por quase um minuto. "Então," começou ela eventualmente, sua voz baixa e contemplativa, "o que você está dizendo é que... acha que ele te fez monitor-chefe porque queria manter você na linha... não porque merecia ou tinha qualquer talento perceptível para isso."

James, de pé perto da porta, encolheu os ombros. "Acho que sim." Ele não achava que transmitia indiferença com muita convicção; Lily não parecia ter se convencido, pelo menos. "Eu só... ele não deveria ter feito isso. Deveria ter sido Remus."

"Não poderia ser Remus, James. Você sabe disso."

Ele sabia. Era muito injusto, mas não poderia ser Remus. Não por qualquer motivo real ou decente, mas simplesmente porque haveria momentos em que ele poderia ser solicitado a fazer algo e não poderia fazer. Um monitor poderia se esquivar disso, mas um monitor-chefe não... não sem muita dificuldade. Era muito injusto, mas não poderia ser Remus.

"Ainda assim, não é como se não houvesse mais ninguém. Todos sabem disso: você até disse... Snape faz mais sentido do que eu." Ele bufou. "E quando Snape faz mais sentido, você sabe que está no lugar errado... sem ofensa..."

Lily revirou os olhos. "Muito sincero."

O monitor-chefe deu de ombros novamente. "Tanto faz. Realmente não importa."

Ele quase se virou para sair.

"Você é meio egocêntrico, sabe," comentou Lily, e ele hesitou, girando nos calcanhares e inclinando um ombro contra a soleira da porta.

"É minha principal característica, na verdade," corrigiu ele. "Mas por que diz isso?"

Por razões desconhecidas por James, Lily lutou para sorrir. Ela levou um momento para reunir as palavras na cabeça antes de pronunciá-las (ele percebeu), e, no processo, ela respirou fundo e mordeu o lábio, seus dedos escovando o cabelo vermelho escuro que já estava preso com um prendedor. Então, ela cruzou os braços e ergueu um pouco o queixo.

"Acha mesmo que Dumbledore desperdiçaria a posição de monitor-chefe por um ano inteiro só para te manter na linha?" Ela piscou os olhos verdes de forma desafiadora. "Sei que você não acha que é algo importante, mas esse distintivo significa muito para algumas pessoas, e Dumbledore não iria simplesmente jogá-lo em um aluno para impedir que esse aluno se meta em confusão. Você não é um problema tão grave a ponto de deixar Dumbledore tão desesperado para fazer isso. Pode se imaginar o Mestre do Mal o quanto quiser, mas Dumbledore não se importa tanto com isso."

Para ser honesto, James não tinha pensado nisso daquela maneira.

"Não pode provar isso," foi o que ele disse, porém.

Lily sacudiu a cabeça, endireitando-se e afastando-se da mesa. Ela pegou a mochila, colocou-a sobre um ombro e caminhou até a porta, de modo que ficou bem ao lado de James quando parou para acrescentar: "Talvez ele não tenha se fixado e ficado obcecado em como domar o Grande James Potter. Talvez ele só tenha pensado, caramba... você seria um bom monitor-chefe. E talvez ele esteja certo ou talvez esteja errado, mas ficar sentado reclamando sobre como deveria ter sido Remus é meio como salgar uma ferida que pode ou não existir. Então, se quer desistir do distintivo, desista, mas isso não tornará Remus monitor-chefe, e não te tornará o Rei dos Rebeldes. Só vai te tornar muito, muito idiota." Lily deu de ombros. Ela encarava o corredor, ele o escritório, e alguns segundos se passaram naquele silêncio. "Dumbledore pensa muito bem de você. Se você se superar, amigo, vai notar isso."

Ela passou por ele, atravessando a porta. A bolsa pendurada no ombro batia suavemente contra seu quadril enquanto ela se afastava, a cabeça levemente curvada, o nó solto de cabelos ruivos amarrados no alto da cabeça balançando a cada passo, parecendo que poderia escorregar.

James se perguntou se ela ainda sorria quando levantou a cabeça novamente, quando ajustou a alça da mochila, quando alcançou a curva no corredor e desapareceu... mas ele não sabia; ele não se moveu até que ela desaparecesse completamente.

O monitor passou a mão pelo cabelo.

Se você se superar, amigo.

Pare de me olhar desse jeito, James Potter... como... como se soubesse algo sobre mim.

A gente estava bebendo!

A voz dela soava de um jeito estranho aos ouvidos dele. Bastante irritante, na verdade.

Mas ela não cheirava a tequila naquela noite.

Era maçã verde.

Ela cheirava a maçã verde.

Abruptamente, James interrompeu a enxurrada de pensamentos. Ele limpou a garganta e, mais uma vez, bagunçou os cabelos.

Talvez fosse melhor ficar longe de Lily Evans por alguns dias.

(Mancy, Novamente)

"Marlene, acorde!"

Donna sacudiu o ombro da colega de quarto, até que finalmente, gemendo, a loira se deitou de costas e abriu só uma fresta dos olhos. Já passava das onze horas e as outras no dormitório dormiam, mas Donna passara a última hora debatendo consigo e agora precisava conversar.

"Como é que já está acordada?" gemeu Marlene, afastando a mão de Donna e fazendo careta enquanto se sentava um pouco na cama. "Como está sequer se movendo?"

"Do que está falando?"

"Daquele treino de quadribol! Estou com muita dor, Shacklebolt."

"Isso foi de manhã."

"Não banalize minha agonia, Shacklebolt. Eu vou te matar."

"Vai se acostumar," disse Donna ao invés disso, e então pegou um punhado de seu cabelo muito encaracolado enquanto dava um profundo suspiro. "Vou fazer a coisa certa pelo motivo errado, e você vai me ajudar."

Esfregando os olhos de sono, Marlene se sentou na cama. "O que está acontecendo?"

Outro suspiro, então: "Shelley Mumps está transando com Charlie Plex."

Os olhos de Marlene estavam totalmente abertos agora. "Quê?"

Donna assentiu rapidamente. "Eu os vi outro dia no corredor do segundo andar, indo para a sala de Feitiços."

"Merlin..."

"Foi aterrorizante. Meu cérebro nunca será o mesmo..."

"Mas Plex está..."

"Namorando Clancy Goshawk."

Marlene franziu a testa. "Esta história parece vagamente familiar."

"Sim, eu sei," concordou Donna, impaciente. "Mas eu evoluí."

"Você evoluiu."

"Sim."

"Como?"

"Me tornando alguém que reconhece que não é legal transar com Charlie Plex."

Marlene parecia cética.

"Não, sério. Eu até confrontei Shelley."

"Não..."

"Eu sei, é horrível."

"Você é praticamente Lily agora."

"Eu sei, e não gosto disso, mas Plex é um idiota, e ele merece ganhar mais tentáculos pelo que está fazendo com Gamp – quer dizer, Goshawk."

"Estou com medo de você, Donna."

"Também estou com medo de mim!" concordou Donna. "Mas agora estou fazendo a coisa não-Lily: estou me vingando. Estou contando."

"Se vingando de..."

"Plex."

"Certo. E você vai contar a... quem? Clancy?"

"Eu não sei!" sussurrou Donna, um pouco freneticamente. "É por isso que preciso de você. O que se faz em situações como essa? A quem contar? Devo contar a Mary?" Ela olhou brevemente para a cama da bruxa em questão. "Metade da escola saberia em dez minutos, então..."

"Isso é verdade..." A expressão de Marlene ficou pensativa. "Mas você não precisa de Mary."

"Não?"

"Se é vingança que procura, pode conseguir com o próprio mestre."

"Mestre?" repetiu Donna. "Quem?"

"Quem mais?" Marlene encolheu os ombros. "Sirius Black."

Donna parecia confusa. "Black? Por que Black ajudaria?"

E, então, Marlene começou a sorrir. "Operação Mancy."

Donna apenas a encarou. "Que porcaria é essa?"

N/T: Bom, aí está o 32! Estou quase alcançando o último capítulo postado pela Jules, que não é o final da fanfiction, mas enfim... rsrs Beijos, feliz 2020 para todos!

nathalia: essa cena da Lily com os Marotos é realmente icônica! Aliás, essa fic é repleta de cenas marcantes 3 3 rsrs Espero que curta a tradução do 32! Beijos!

Guest: Obg! Dou meu máximo em deixar a tradução bacana, embora isso me dê muito trabalho hahaha Sim, posso dizer que entramos na reta final! Só não vou prometer que terminarei logo porque toda vez que falo algo do tipo parece que dá efeito contrário! Rsrs Muitoo obrigada por comentar e espero que esteja aí pra ler o 32! Bjs!

Dafny: A Lily se dar conta dos sentimentos bem agora é dose mesmo! Difícil pra uma jilyshipper engolir... rsrs Obrigada pelo comentário e boa leitura do 32! Beijos!