Capítulo Vinte e Quatro (Um sentimento sincero)

— Você foi incrível! — Loki disse assim que chegaram no imóvel . — Tudo saiu exatamente como planejamos.

— Em algum momento você duvidou? — ela não esperava uma resposta, então se pôs a admirar a reluzente jóia em sua mão. — Tudo o que eu fiz até o momento foi esperando obter este poder, e agora ele é todo meu!

— Governaremos esse mundo juntos.

Ele se aproximou da jovem e lhe beijou os lábios.

*** ALGUMAS HORAS ANTES ***

A jovem continuou tomando seu café da manhã assim que Kelly se retirou da cozinha, tendo em mente o seu objetivo, matar Stephen Strange. Sua mente era um nevoeiro, um tufão de confusão.

— My Lady? — Loki surgiu do nada, assustando a garota.

— Loki! Me ajude, por favor! Eu estou tão confusa.

— O que a atormenta?

— Eu não sei o que fazer, eu estou cansada de ouvi-la me dizer sempre a mesma coisa. Ela me colocou nisso tudo, eu a odeio!

— Ela é sua mãe, não é?

— Sim, mas eu não vou continuar ouvindo-a.

— E o que sugere? — ele ouvia atentamente cada palavra da jovem.

— Matá-la. E eu serei livre dela, para sempre.

— Eu estou com você para o que precisar. — ele lhe acariciou o rosto e lhe depositou um beijo casto nos lábios, pela primeira vez um ser havia lhe roubado a única coisa que jurava não possuir, um coração.

*** AGORA ***

— Eu posso sentir todo o poder que emana daqui. — ela colocou o anel em seu anelar.

— Qual é o próximo passo? — Loki questionou.

— Acabar com todos que me enganaram, que me usaram como ela. Mas primeiro eu preciso saber exatamente como usá-la... — ela caminhou de um lado a outro da luxuosa sala.

Loki jamais voltaria àquele chiqueiro que estavam antes, não era lugar para um deus como ele, e menos ainda para sua dama. A mansão luxuosa localizada em Upper East Side em estilo neoclássico francês foi de muito agrado do moreno. Danisa igualmente adorou o lugar, e Loki usou de suas habilidades para conseguir estar ali.

— O livro! — ela procurou rapidamente em suas coisas e pegou o Livro Avançado de Magia Universal. — Talvez haja algo sobre a jóia aqui.

A jovem sentou-se no chão e começou a paginar, enquanto o homem sentado no sofá a observava atentamente. Depois de um tempo sem sucesso em encontrar alguma informação ela fechou abruptamente o livro.

— Conectar, eu preciso me conectar com esse poder... — ela então fechou os olhos e tentou sentir a energia que emanava daquela pequena pedra.

Havia uma sensação de ausência ali, como se ela estivesse em um lugar enorme e vazio, o silêncio a cercava. Nada, e tudo, esse era o tempo. Uma força a puxava, queria levá-la para longe, para o nada, ela tentava se manter firme. Uma voz soou ao longe, gritava pelo seu nome, ela não conseguia reconhecer.

— Danisa? — Loki a chamou, e não pela primeira vez, tirando-a do estado de profunda imersão. — Está em? Você ficou tão estática, achei que estava acontecendo alguma coisa.

— E estava. — sua voz saiu firme. — Mas esqueça, eu sei exatamente o que fazer...

*** EM UM LUGAR DISTANTE ***

Tony sobrevoava um enorme armazém abandonado há mais de duas décadas, era um dos bairros mais periféricos e violentos de Manhattan, talvez por isso ninguém ousasse se aproximar do local, nem mesmo para chegar o enorme barulho que emanava dali. Ele pousou silenciosamente, era a sua única chance, não poderia desperdiçá-la, deveria saber exatamente o que falar ou sua própria vida estaria em risco, embora naquela altura para ele não importasse tanto assim morrer.

— Bruce? Vamos cara, eu sei que está aí. — ele caminhava cautelosamente entre os destroços, metais retorcidos e restos de lixo.

— VAI EMBORA! — um temível urro ecoou pelas paredes do armazém e uma grande viga de ferro seguiu na direção de Tony, no que ele conseguiu desviar por pouco.

— Eu vim conversar…

— Eu já mandei você ir embora Tony. — Bruce estava de costas para o moreno, usava uns pequenos trapos cobrindo sua intimidade, ele estava maior do que sua estatura normal, sua pele estava num tom levemente verde, e sua voz uns tons mais grave.

— Me ouça, por favor. — Tony abriu seu capacete. — Precisam da sua ajuda.

— Ninguém precisa de mim, eu sou um monstro descontrolado que só causa destruição, eles não precisam de mim. — ele encarou o moreno, seus olhos estavam verdes. — Você não tem ideia do esforço que estou tendo para não matar você agora mesmo!

— Acho que posso perceber pelas veias saltadas em sua testa. — após esse seu comentário desnecessário ele precisou desviar de uma tora de madeira, novamente por pouco não lhe atingiu. — Tá foi mal, olha, Danisa precisa de você, ela está descontrolada, ela conseguiu a jóia, quase matou Strange e o poder a está mudando.

— Eu não posso fazer nada quanto a isso, vá embora e ajude você mesmo! — as palavras pareceram duras, mas ele sentiu uma fisgada no seu peito.

— Ela matou a própria mãe! Quer dizer, ela era uma péssima mãe, mas Danisa não faria isso, e menos ainda da maneira que foi. — ele falava, mas Bruce se mantinha firme.

Bruce estava em silêncio, deu as costas e iria embora, até ouvir as palavras de Tony gritadas a plenos pulmões.

— EU A AMO! — Bruce o encarou.

— Será se você não viu ainda que eu cometi o pior erro da minha vida? Eu fui um imbecil, um idiota. Eu perdi a pessoa que eu mais amei neste mundo. Eu a deixei ir, por minha própria culpa, a tratei mal, tenho a incrível capacidade de tratar mal as pessoas que só me querem bem. Fui um idiota com você, não acreditei nas suas palavras e perdi um amigo… Eu não sei o que fazer, não consigo fazer. Bruce, por favor, eu não quero perdê-la assim. Por favor, me ajude.

Bruce nunca tinha visto Tony chorar, mas as lágrimas que escorriam pelo seu rosto eram reais e dolorosas.

— O que eu posso fazer Tony? Olhe para mim. — Bruce havia voltado totalmente a sua forma humana.

— Eu não sei, mas ela vai te ouvir. É você que ela ama. Você é minha última esperança.

— Nós vamos ajudar a mulher que amamos. — Bruce lhe esticou a mão, que foi apertada pelo moreno.

— Só acho que teremos que arrumar uma roupa pra você... — ele falou por fim, seguindo para longe daquele lugar com seu amigo, ele faria tudo por ela.