Eles seguiram para a sede da Ordem de mãos dadas. Pela primeira vez, Snape começava a se sentir nervoso por ter que se deparar com Sirius Black na sua frente, não por ele, mas pela figura que agora representava. Não podia mais dizer que era um perfeito idiota ou se prender a qualquer motivo para azará-lo... afinal, era o pai biológico de Hermione, o que o obrigava a tentar manter o mínimo de educação e calma diante daquele homem responsável por parte do inferno que foi a sua vida por anos. Ao entrarem, viram que os olhares se voltaram aos dois e, Hermione, sussurrou baixinho para ele:
- Parece quando nós entramos na festa do Slughorn de braços dados – ao terminar, Snape abriu um sorriso e assentiu:
- De fato, creio que sempre chamaremos a atenção por um motivo ou outro.
A Ordem da Fênix, pela primeira vez, estava completa dentro daquela casa. Snape nunca tinha visto tantas pessoas juntas para uma reunião e respirou fundo, pois detestava aglomerações. Viu que pela sala se distribuíam quase todos Weasley, Dedalus Diggle, Arabella Figg, Elphias Doge, Rubeus Hagrid (que por si só ocupava o espaço onde caberiam tranquilamente umas cinco ou seis pessoas), Hestia Jones, Sturgis Podmore, Draco, Mcgonagall e Shacklebolt, os quais os cumprimentaram com um semblante de curiosidade, o que fez a castanha perguntar onde estavam os demais e receber como resposta que se encontravam pelos corredores e na cozinha, pois tinha muita gente. No andar de cima, ouviram as vozes de Harry e Ronny, que conversavam animadamente com Lupin e Dora; no corredor que levava à cozinha, no andar inferior, acharam Filius Flitwick parado olhando para algumas tapeçarias, Sprout que conversava com Neville Longbottom e Luna; quando chegaram na cozinha, se depararam com Molly Weasley sendo auxiliada por Ginny e Fleur nos preparativos do almoço, enquanto Slughorn estava sentado à mesa dialogando com Sirius um assunto qualquer. Antes que o último se levantasse, Snape foi em direção a ele estendendo a mão, sério:
- Quero falar com você, Black. Tem um minuto?
- Por que eu iria querer conversar com você? – olhou para as mãos dele e de Hermione entrelaçadas.
- Não creio que na frente de todos seria o ideal eu lhe dar os motivos – Snape mantinha o mesmo semblante o encarando.
- Realmente não é, Ranhoso... mas, creio que, depois de ter desfilado com a minha filha pela casa, não haja problema de que o tema abordado seja compartilhado com os demais, não acha? – disse se levantando, o que fez Hermione, instintivamente, segurar a mão de Snape com mais força e se colocar ainda mais próxima a ele. Ginny, vendo que poderia sair briga, saiu da cozinha quase correndo para chamar Lupin e os meninos para acudir.
- Eu estou... educadamente... pedindo para debater com você um problema importante, cachorro sarnento! Faço isso, em respeito a Hermione, mesmo que eu tenha autorização dos pais que a criaram para namorar e casar com ela, quando eu bem entender... eu gostaria de falar com você e fazer o mesmo tipo de pedido – Snape estava controlando as palavras, articulando pausadamente cada uma delas, sem apresentar qualquer oscilação na voz, o que era um mau sinal. Pois, mostrava que começava a perder a paciência e o tom ameaçador, logo, apareceria para confirmar que estava furioso e o seu instinto assassino faria agarrar o outro homem pelo pescoço ali mesmo.
- Quem disse que eu autorizaria a minha filha a namorar um bosta como você? – Sirius já estava aos gritos, dando um pontapé na cadeira que a jogou contra a parede. Slughorn saiu da cozinha para ir chamar os homens que estavam na sala, para apartar o conflito que se formara ali. Snape bufava olhando para ele e, em seus olhos, passavam sombras cheias de significado. Era o ódio que ele sentia que rompia as barreiras e se exteriorizava. As suas entranhas queimavam a tal ponto que estava prestes a cometer um assassinato ali mesmo, não permitiria que quem quer que fosse ousasse afirmar que afastaria Hermione dele. A raiva crescente o fez segurar a varinha com mais força e dela começavam a sair faíscas em tons vermelhos...
- Severus, não faz isso, por favor... não é necessário. Sirius... ele está só tentando ser educado, colabore – Molly interviu o puxando pelo braço, sendo que o alarde na cozinha já chamara a atenção da casa inteira e todos se dirigiam o mais rápido que podiam para lá.
- Olha aqui, seu imbecil, o único bosta que há nessa casa é você! – partiu em direção a ele, mesmo com a sua amada lutando para segurá-lo perto dela. O problema achava-se no fato de que Snape era fisicamente bem mais forte do que Hermione, tornando as suas tentativas de contê-lo praticamente em vão.
- Posso até ser... no entanto, nunca precisei de mulheres me defendendo ou se colocando na minha frente para me proteger. Não é? – Sirius o olhou com deboche e continuou, sabendo que o atiçando poderia gerar o resultado esperado. Uma vez, ele já perdera a cabeça com uma provocação dos Marotos, fazendo com que chamasse Lillian de sangue ruim, porque não se descontrolaria novamente? Foi com essa ideia que prosseguiu:
- Já contou para a Hermione que a sua briga com a Lillian, foi porque a chamou de sangue ruim? A minha menina foi criada como uma, qual a diferença? Ah sim... lembrei, você defende a pureza de sangue sendo mestiço! Claro, foi só aparecer uma sangue puro na Sonserina, com o sobrenome de Geavet, para sair correndo atrás dela feito um cachorro no cio! A Bella não te bastava, não é? – Arthur Weasley e os gêmeos agora o seguravam, impedindo que ele atacasse Snape. Mas, não impossibilitava que seguisse esbravejando:
- Depois, quando viu que a menina era nascida trouxa, o tratamento mudou, não foi? Pensa que eu não sei, seu imundo, que você foi baixo o suficiente de atacar a autoestima de uma criança falando dos dentes dela? Que você se dedicou a humilhar a minha filha na frente de todos? Então, foi só saber que ela era uma Black e, misteriosamente, voltou a ser o amor da sua vida?! Você me dá nojo! – ele se debatia berrando:
- Severus Snape, você é um pedófilo igual ao seu pai! Quem me garante que não está abusando dela desde que ela entrou na escola? Eu não acredito que você perdeu a memória, seu merda! Nunca caí na mentira de que você estava arrependido e se tornara fiel a Dumbledore e a Ordem. Vejo é um Comensal da Morte, sujo, fedorento, ensebado, filho da puta, que pensa que é alguém importante... você veio do lixo e é podre! Deve ter jogado algum feitiço na Hermione para que ela te olhasse, porque nenhuma mulher ia querer um nada!
Snape não aguentou aquela afronta injuriosa e esqueceu do fato de que era um mago. Se desvencilhou de Bill e de Shacklebolt, avançando para cima de Sirius, lhe dando um soco no rosto. Nesse mesmo instante, Lupin entrou na cozinha se metendo no meio dos dois que iam se atracar a qualquer oportunidade. A confusão se formara na cozinha, dos dois lados os homens eram contidos e trocavam xingamentos, ameaças e ofensas. Draco e Harry, cada um de um lado, tentavam a todo o custo acalmar os seus respectivos padrinhos. Lupin observava os dois com os olhos raivosos e se enfureceu com ambos:
- Posso saber o que está acontecendo aqui? Os machões não respeitam nem o fato de que estão na presença de mulheres e crianças, antes de proferirem uma série indeterminada de palavrões escabrosos e acusações esdrúxulas? Eu nem vou comentar a questão de que decidiram, deliberadamente, se atracarem como dois animais – esbravejava.
- O que que é Remus? Já veio correndo defender o namorado? Quer saber o que está acontecendo aqui? Esse excremento teve a petulância de entrar na minha casa e dizer que quer casar com a minha filha! Hermione é uma criança ainda, não tem nem 20 anos, não vai casar com um velho decrépito igual a ele... ele quer fazer com que ela se torne igual a mãe – gritava se debatendo para se desvencilhar. Aquelas palavras ecoaram pela cozinha e deixaram Snape ainda mais irado. A temperatura do ambiente parecia ter diminuído cerca de dez graus e o olhar dele se tornara completamente vazio para o outro.
- Nunca mais compare a minha futura esposa com aquela... com a Bellatrix – o tom era ameaçador e a sua voz sibilava como a de uma cobra, enquanto tentava tirar Draco da sua frente.
Aquilo não só tirara a paciência de Lupin, como Mcgonagall também se meteu:
- Você sabe muito bem o que ele sofreu quando ela foi embora e, principalmente, quando houve o envolvimento, os dois tinham a mesma idade. Hermione não poderia ser a sua filha e nem de quem quer que seja dos Marotos. Seu amigo que está entre vocês dois, passou uma noite na enfermaria ao lado do Severus para que ele não morresse – antes que Sirius tentasse argumentar, ela prosseguiu:
- E cale a sua boca! Pois, eu não passei dias com o Slughorn, a Narcissa e o Lupin, explicando para cada um que não estava em Hogwarts que Hermione viajou no tempo e, os dois se comprometeram um com o outro... justamente, para que esse tipo de cena não acontecesse! Eu esperava que, você, tivesse um pingo de juízo e parasse de agir como um menino mimado, percebendo a gravidade de toda essa situação. Mas, não, você segue com a mentalidade que tinha aos 17 anos.
- Não é pelo fato de que eu sou sua filha, que tenha me tornado sua propriedade e sou maior de idade! Querendo ou não, eu me caso com quem bem entender, você gostando ou não. E ele não teve a insolência de vir aqui te perguntar alguma coisa. Teve educação de vir te fazer a mesma pergunta que fez aos meus pais, que o autorizaram, deixando claro que era uma decisão minha! - Hemione, que estava abraçada em Snape fazendo com que ele se acalmasse, o apertando forte contra si, se virou em direção ao pai. Ela estava tão revoltada com tudo o que escutara, que vociferava contra ele indignada com o dedo em riste, parecia uma leoa prestes a atacar a qualquer momento. Ao terminar de dizer isso, saiu puxando Snape pela mão para ir embora com ela.
Já estavam subindo a escada para partir, quando Nymphadora os alcançou, abraçando o irmão:
- Ninguém ali acreditou em nada do que ele falou, Sevie. Não vai embora, por favor! Se vocês dois saírem daqui, é capaz do Remus bater naquele idiota da raiva que ele está por conta de tudo isso.
- Não há motivos para continuarmos aqui! Ele não tinha o direito de me comparar ao Tobias e nem trazer essa podridão à tona. Aquele... ninguém tem o direito de te expor usando o que o degenerado do nosso pai fez com a sua mãe, para me atingir – alegou a apertando contra si. Sabia que era esse o motivo que enraivecera Lupin contra o amigo e fazia com que ele gritasse tanto, de modo que, alguns ali puderam ver o lobo que vivia escondido dentro dele.
- Ainda tudo isso é por conta da Bellatrix, Sirius? É sério isso? Você teve a audácia de deixar nas entrelinhas que a sua filha, a sua própria filha, vai ser uma vagabunda igual a mãe? Que tipo de pai você é, seu animal? Eu vou te falar pela bilionésima vez, o Severus não a quis e ela se dedicou a persegui-lo. Como não o teve, te fez de idiota por dois anos, mentiu para você e, não contente com isso, abandonou a filha como se fosse um saco de estrume – ele estava verdadeiramente irritado e seguiu xingando o outro maroto:
- Quero te parabenizar, babaca, porque queria tanto se aproximar da Hermione que, com essa atitude, conseguiu a afastar – já dava as costas para sair da cozinha, vendo que Snape descia acompanhado por Dora e Hermione, quando ouviu ao fundo:
- Ah, então, o seu "grande amigo Severo", já sabe que você vai casar com a irmã dele? Aliás, desculpe... você já o informou, Remus, que a eterna fonte de renda dele vai secar? Que depois de 18 anos, a Narcissa não vai mais dar dinheiro para ele? – Lupin ia responder, quando viu a namorada passar por ele como se fosse uma espécie de foguete desgovernado, tropeçando nos próprios pés e com o cabelo parecendo em chamas.
- Olha aqui, seu merda... nunca mais fale do que não sabe! A minha tia ajudou o Sevie a cuidar de mim. Jamais ele permitiu que ela colocasse dinheiro dentro da nossa casa! O máximo que ela fez, foi nos dar dois elfos, para que eles cuidassem de mim, enquanto o meu irmão tinha que estudar e trabalhar. O Sevie nunca pediu para eles fornecerem qualquer coisa que o beneficiasse, sempre deixando claro que eu era a única que não poderia passar nenhuma dificuldade. Você não sabe o que foi viver naquela casa, torcendo para que ele voltasse vivo de uma missão, por não ter mais ninguém. Não tem noção de porra nenhuma para dizer o que quer que seja! – ela estava colérica e precisava vomitar tudo aquilo. Estava suficientemente cansada de ver tanta injustiça contra o irmão e iria defendê-lo.
- Esse homem que, você chama de bosta, antes da chegada dos elfos naquela casa, foi capaz de passar duas semanas com fome e frio, para que eu ficasse bem quentinha e alimentada. Não tinha obrigação nenhuma de criar a filha de uma amiga, principalmente, porque ele tinha 19 anos e a minha mãe me jogou nos braços dele! Mas, o Sevie assumiu a responsabilidade. Arriscou a própria vida, mesmo sendo um Comensal da Morte, me tirando daquela casa para que eu não fosse morta. Eu não admito que quem quer que seja aponte o dedo para ele, porque graças a "esse bosta" é que eu estou aqui. Ele é mais do que meu irmão, é o pai que eu conheci! Foi quem me criou, me protegeu, que quando eu tinha um pesadelo corria para o quarto e me abraçava para que eu não tivesse medo. E você, que se diz tão amigo dela, onde estava quando tudo isso aconteceu? – tinha lágrimas nos olhos, sentia elas queimando de raiva pelo desrespeito e Lupin a apertava contra o corpo tentando acalmá-la. Mas, Dora continuou, agora era uma questão de honra que todos soubessem quem era Severo Snape e parassem de falar mal dele pelas costas.
- Sevie também foi capaz de arrumar um dos quartos da nossa casa, para que os elfos, quando chegaram, pudessem dormir comodamente em camas e não no chão como animais. Você fez ou faz isso, Sirius com o Monstro? Alguma vez lembrou que ele é uma criatura mágica e que tem sentimentos? Que trata-lo com o mínimo de respeito seria bom? Hoje, eles moram na nossa casa em Hogsmeade, para ficarem mais confortáveis e só aparecem onde moramos, quando são chamados em alguma emergência. Então, lave a boca, seu imbecil! – agora ela chorava furiosamente molhando o peito do namorado. Estava tão revoltada que era capaz de bater no primeiro que falasse alguma coisa ali.
- Severus sabe que eu vou me casar com a Dora. Já tivemos essa conversa e foi tudo resolvido de modo civilizado, como deveria ter sido a sua atitude quando ele veio falar com você. Já notou a confusão, Sirius, que você foi o responsável? – Lupin bufava pelo nariz.
Ignorando a todos, Sirius se dirigiu diretamente para Hermione a chamando para conversar com ele. Acabou recebendo em troca, um olhar que tinha um misto de decepção e raiva, ela estava indignada de ter ouvido as barbaridades que ele havia dito para Snape e, principalmente, que projetava nela uma nova Bellatrix Lestrange. Como a castanha sequer lhe dera qualquer sinal de que responderia, ele, logo, começou a argumentar com tristeza:
- Eu... não... olha, Hermione, eu sinto muito pelo o que eu disse a seu respeito. Você não é igual a ela.
- Sirius, me responda, do que adianta me falar isso, me pedir desculpas, depois de ofender e humilhar uma pessoa que passou por cima do próprio orgulho para vir falar com você? Ele não é pedófilo, nunca encostou em um fio do meu cabelo contra a minha vontade ou quando eu era uma criança. O Severus me trata como uma rainha e, desde que ele aceitou o fato de que eu o amo, não há um segundo que não se dedique a me fazer feliz e a demonstrar o quanto eu sou importante para ele – ela o olhava de forma dura e mantinha os braços cruzados, falando no mesmo tom:
- Eu estou decepcionada, sinceramente, e, eu não sei se quero falar com você agora.
- Mas... – tentou argumentar com a castanha.
- Não tem, mas... está decidido! Quando eu achar que é o momento, nós nos falamos! – permanecia irredutível com o pai.
- Nem se eu pedir perdão a ele? – Sirius a questionou com a respiração pesada.
- Talvez... – Hermione o analisou antes de replicar a questão.
- Você é tão teimosa e mandona quanto a sua mãe, menina! Isso é inegável... quero que saiba que eu posso ser um idiota, mas passei muito tempo longe de você e não quero perde-la novamente. Snape... Severus... eu quero que me perdoe pelas coisas que foram ditas aqui e... se me prometer que vai fazer dela a mulher mais feliz do mundo, dou a permissão para que casem. Entretanto, não pense que deixarei passar nenhuma besteira da sua parte, principalmente, se resultar nas lágrimas dela – terminou de se desculpar estendendo a mão para o outro, tendo o gesto retribuído.
- Prometo, eu sou capaz de dar a minha vida por ela – Snape colocou mais força no aperto de mão e abriu um sorriso sarcástico ao dizer:
- Eu ficaria bem mais convencido, Black, se você ajoelhasse na minha frente e beijasse os meus pés. Daria um ar dramático a tudo isso.
- Ah, vai a merda, Severus! – ouviu como resposta, o que vai fez dar uma risada, logo, revidando:
- Não antes de você!
