Severus não tinha o menor medo de ser fraco, definitivamente essa questão de se perder no labirinto do tempo e falhar, já fora abandonado e ele se viu seguindo em frente. Medo, receio e cegueira foram o que o levaram a agir feito um mons, sem se preocupar com o quanto erraria ou feriria as pessoas que o cercavam. Aquilo, mais do que passar horas e horas se torturando pelos enganos e atitudes conversas, ou uma completa falta de empatia aos sentimentos alheios, era uma forma de recuperar o fio da inocência que ainda lhe restava. O arrependimento, definitivamente, era libertador e melhor do que viver dominado pelo remorso. Com isso, pode abjurar das suas mil faces e se libertar dos grilhões auto-impostos e adotar a postura de ser quem era de fato. Sem máscaras de ódio próprio, ilusões… reconstruiria a sua vida, confiando apenas no que obtivera pelos méritos próprios e no que verdadeiramente desejava.

Entretanto, um estranho e forte pressentimento o dominava naquele instante, o deixando desnorteado. Não fazia ideia de como agir ou como proceder diante daquele problema. Por mais que quisesse se esconder e as suas barreiras de Oclumência estivessem erguidas como um forte à beira de enfrentar uma guerra, o Elo era mais forte e pulsava den dele. Por um lado, jamais tentara buscar Hermione através desta ligação, contudo, percebia que era incapaz de impedi-la de vagar como uma criança que invade um quarto escuro. A menina se tornara uma bruxa mais forte, o levando a pensar em distrações que a impossibilitassem de ver coisas as quais nunca estaria preparada. Era jovem e inocente demais para se deparar com certos horrores que cercavam a sua mente de general em meio a um mundo beligerante. Por ou, naquela conjuntura, as sensações experimentadas pela castanha o tomavam como se fossem próprias, o que lhe provocava confusão e incerteza. Só poderia interpretar o que estava sucedendo ali como insano e assustador.

Isso foi o que o conduziu em silêncio, sem conseguir escutar ou se importar com quem estivesse a sua volta, até um lugar indefinido. Raiva, frustração, mágoa, um pedido mudo de ajuda, a percepção de que não há misericórdia na vida ou daqueles que amamos… eram pensamentos que se chocavam em sua mente quando se deparou de frente a Hermione e os irmãos. Os institutos e o julgamento eram dela, fazendo-o quase como um instrumento para extravasar a sua revolta… porém, a fúria, agora, somente lhe pertencia. Sem refletir direito, deixou que a sua capacidade de odiar fosse exposta, perdendo a paciência e agindo de maneira anti-ética com um aluno. Nada justificava, mesmo que internamente, tenha visto ali uma réplica de alguém a quem queria bater até cansar, ali estava apenas um menino mal-educado e mimado. Não tinha o direito de atacá-lo ou responsabilizá-lo pelos erros que o pai cometera no passado. Leo agira de um modo grotesco, ponderou consigo mesmo, no entanto, ainda era uma criança guiada por emoções inconláveis. Resumidamente, não era apenas semelhante a Sirius fisicamente, era instável, chorão e ciumento, como o mais velho sempre fora.

Todavia, aquele era o átimo preciso em que necessitaria usar todos os seus conhecimentos, com relação ao Elo, para descobrir e compreender o que estava acontecendo com a jovem. Notara que o desapontamento e o choque de emoções estavam muito longe, mesmo que fossem próximos, daquela discussão. O confronto só serviu para fomentar e ampliar um desconforto já latente. Ela já acordara assim e seguia tão comovida e abalada que tais turbações pulsavam nele. Tudo se reuniria a agitação e um desespero consternado palpáveis como se estivesse ao sei lado. Passados minutos, quase formando uma hora, concluiu que aquele era o momento… acessaria a conexão dos dois e desvendaria o que se passava na cabeça dela e a auxiliaria de algum jeito.

Entrar na mente de Hermione era um desafio, como olhar do alto de uma torre de espelhos para o sol da noite. Tudo era muito claro, extremamente profundo e cercado de imagens que formavam ilusões que o obrigavam a recordar o sabor da vida. Ela ainda seguia as estrelas e se enchia de esperanças ao encarar as constelações. Tão cheia de sonhos sobre amar e viver intensamente. Corajosa o suficiente para não ter medo de brincar com o fogo e com diamantes em chamas, fazendo com que Severus ficasse temeroso com o que veria mais adiante. Preocupação que se confirmou, sem que mergulhasse nas profundezas, os sentimentos que ainda deveriam estar guardados foram expostos. Aquela pessoa, a qual ainda via como uma criança, se atordoara com a possibilidade de estar apaixonada por ele e jamais ser retribuída. O bruxo respirou profundamente, careceria de toda a calma para analisar como resolver a questão sem machucá-la e tranquilizar o seu coração angustiado.

Certamente, também a amava muito, todavia, não da forma romântica que ela esperava. Era mais forte, porque tudo o que mais queria simbolizava, exclusivamente, uma necessidade de zelar pelo bem estar dela. Observava em Hermione alguém com muito o que viver antes de ficar presa a um homem ou a qualquer coisa. Sem se sobrecarregar com projeções a respeito do seu destino. Não era para ter ocorrido tão cedo e, a confirmação, levava a que sentisse um desconforto enorme no peito. Nenhum dos dois tinha culpa, ainda assim, a maioria o acusaria de seduzir uma adolescente. Afinal, muitos o viam como o Comensal da Morte sem alma, o demônio em carne e osso… no seu interior, aquilo unicamente lhe dava asco. Tocar em Hermione, como homem, ou enxergá-la como mulher tão prematuramente, era algo que ele sempre constatou como algo hediondo, grotesco e criminoso. Severus a enxergava como uma criança e nunca deixou de tratá-la ou respeitá-la como tal. Quando fosse maior de idade, adulta, e tivesse o poder de tomar as suas próprias decisões, passaria a vê-la de outra forma. Acima de tudo, pelo motivo de que não haveria espaço para projeções hiper-passionais guiadas pelos hormônios da puberdade. Ou, ainda pior, a jovem acabasse se aprisionando em uma relação de poder, baseada e estruturada na diferença de idade e vivência entre os dois.

Depois de tantas ponderações, chegou a conclusão de que o melhor era fazer com que ela recordasse de algo que relacionava os dois de um modo inocente. Ali estaria exposto, unicamente, o seu desejo de mantê-la em segurança, ao mesmo tempo em que, deixava claro que não lhe proporcionaria o que ela desejasse de forma fácil. Não obstante, sob qualquer circustância, deixava de se incomodar com o fato de que estava sofrendo.

Hermione se mantinha ainda completamente alheia ao seu redor, se sentia estranha como se estivesse andando no ar. Ainda estava envolta em suas confusões e ilusões repletas de dúvidas, que somadas à briga no café da manhã, deixaram-na em um profundo estado de estresse. Intimamente, sua impressão era a de que se enfrentasse ou tentasse fugir, de algo ao qual ela se deixara conlara, veria a si mesma como fraca. Sempre ouvira que o certo na vida era tentar, ser corajosa e orientada pelas luzes da travessia… nunca pelo trajeto que deveria ser feito. Uma coisa que Narcissa a ensinara era que nada era sempre durável… O Fortuna, velut Luna (Ó acaso, é como a Lua), várias vezes lhe fora repetido. Romanos alertavam que os pagãos e os animais decifravam aquele satélite natural e, por isso, a sorte os acompanhava. Um exemplo eram os celtas que a cultuavam por suas fases. Guerra, fertilidade, descanso e criatividade (ou crescimento) estavam ali regidos e que o ritmo da sua visão destinavam ao ponto onde queria chegar. Mesmo na escuridão da Lua Nova, ainda existiram bilhões de estrelas iluminando para que pudesse analisar cada um dos perigos à frente. Ao mesmo tempo, impedindo que se encarasse o que ficara para trás.

Assim foi o decorrer do seu dia, sendo tomada por diversas conjecturações que a direcionaram ao incômodo assunto… não imaginava que Severus fosse se envolver em uma discussão para defender Draco e ela, como também Luna, indiretamente. Na verdade, o achava tão fechado e soturno que a sua impressão era a de que não ligaria para o sofrimento alheio. Que era quase como uma entidade imune ao tormento por conta do seu olhar vazio e sombrio. Simultaneamente, ao fato de estar ciente do quanto a atitude dele fora errada, sentia a necessidade de agradecer. Nunca se acostumaria com alguém estranho a defendendo e impedindo que continuasse sendo machucada. Ainda, para completar o cenário bagunçado do que virara a sua vida, estava muito brava com a amiga e não fazia a menor questão de conversar com ela. Se o fizesse, a ofenderia, dizendo tudo o que pensava a seu respeito, e encerraria a relação daquele momento em diante. Por último, não prestara atenção nas aulas e nem nos estudos de Asnomia que realizava. Embora os nomes de dois planetas, estranhamente tenham lhe chamado a atenção e quase lhe obrigaram a fixar ali os seus olhos por um longo tempo.

Repentinamente, Hermione foi tomada um lampejo que não reconhecera, ao certo, de onde viera. Naquela imagem, não aparentava ter mais do que 3 anos e se encontrava extremamente concentrada no frasco de plástico em sua mão. Seus pequenos pés balançavam de um lado ao ou em cima da bancada, onde se achava sentada. Sacudia, minuciosamente, o líquido de um lado ao ou, para que girasse no sentido que fora instruída e queria que nenhum detalhe passasse. Ao olhar para o lado, notou que Severus se achava ali também, igualmente absorto em seu trabalho, mexendo no caldeirão. Ele parecia ter cerca de uns 20 anos e os seus cabelos longos caiam no rosto, grudando alguns fios na testa por conta do suor. Também percebeu que, vez ou outra, a observava com o canto dos olhos para averiguar o que fazia. Por um momento, o bruxo fez um gesto com a varinha e deixou que os ingredientes seguissem sendo mexidos sozinhos, sem a sua supervisão e se aproximou da menina.

- Então, senhorita, como está a sua poção? - a questionou sério, levantando uma das sobrancelhas para encará-la. Disfarçava, desse modo, o sorriso de satisfação ao constatar o quão empenhada em fazer o que ele lhe havia dito, ela se mantinha.

- Sevrus, não sei o que eu fiz… ela não fica rosa - alegou confusa, fazendo um beicinho de insatisfação e franziu o cenho como se quisesse enfatizar a sua frustração. Se interrogava onde falhara.

- Bem… vejamos. A senhorita girou para os dois lados? - seguiu perguntando atento as expressões dela que assentia muito séria.

- Deixe-me descobrir onde situa-se o problema, minha pequena assistente - pegou o frasco das mãos dela e analisou por alguns segundos. Não revelaria que era uma mistura de tinta à base de água e, muito menos, uma mera mistura de cores. Era a única maneira de incentivá-la no que queria realizar, sem colocá-la em risco de se ferir ou intoxicar.

- O que eu fiz de errado? - inquiriu mordendo o lábio inferior.

- Nada que devemos nos preocupar agora. Apenas faltou colocar um pouco mais disso - disse despejando um pouco da tonalidade branca no recipiente e prosseguiu sob o olhar atento da criança:

- Perceba como a sua poção está pigmentada do modo correto. Concentre-se, Hermione, você já tem conhecimento suficiente de como fazer isso… não se perca em bobagens - se afastou passando a mão no topo da cabeça dela com um pequeno sorriso. Ao mesmo tempo, fez um gesto para encorajá-la a prosseguir, enquanto voltava ao trabalho.

- Sevrus… - o chamou, já se preparando para levantar e ir em direção ao caldeirão fumegante, fazendo com que parasse e voltasse o olhar para onde estava. Seu rosto mudou de expressão, passando para um semblante sério e preocupado. A bruxinha poderia cair dali, bater com a cabeça em algum lugar, peçar e se queimar com o líquido que fervia… uma série de cenários catastróficos se desenhavam e disputavam espaço em sua mente. Foi tudo tão rápido que, em uma fração de segundos, não pensou e a segurou no colo.

- Nunca mais faça isso, Hermione Black! Não seja uma cabeça oca… você sabe, por acaso, os riscos que correu? - a repreendeu buscando conlar a respiração acelerada por conta do susto. Ao passo que, a encarava indagando os seus motivos, vendo que ela baixava os olhos envergonhada. Aquilo a deixara triste, ele estava brigando com ela, quando tudo o que queria fazer era ajudá-lo.

- Eu só queria olhar, Sevrus… - alegou escondendo o rosto entre o ombro e o pescoço dele. Aproveitaria os seus cabelos negros e longos para se ocultar. Feito isso, os primeiros soluços e lágrimas surgiram, levando-o a senti-las uma a uma molhando a gola da sua roupa.

- Não chore… você pode ver. É só me pedir - afirmou a retirando dali e a segurando, de pé sobre a bancada, para que ficasse de frente para ele e continuou:

- Eu me desculpo por ter sido ríspido. Por favor, entenda, eu fiquei preocupado que algo ruim lhe acontecesse. Você me perdoa, mini-gênio? - concluiu secando as lágrimas dela. Mesmo que, Hermione, ainda mantivesse uma expressão chateada, exprimiu um gesto afirmativo de concordância. Cuidadosamente, a pegou no colo novamente e a manteve presa junto a si, para que sanasse a sua curiosidade e não tentasse inclinar o corpo para frente. Não permitiria jamais que se colocasse em uma situação de perigo.

Ela sorriu com aquilo e, algo no seu coração se abrandara, como se uma simples memória tão boba lhe desse resposta para algumas questões. Mesmo que fosse só um breve e inocente gesto de atenção, sem qualquer relevância para ele, na sua percepção significava o quanto Severus se importava. Mas, seus pensamentos foram interrompidos pela voz de Fernando a chamando.

- Está na Terra ainda Hermione? Que merda, cara! Meia hora eu aqui, feito um idiota, te chamando e você me ignorando. Posso saber por qual motivo? - perguntou bravo a encarando com uma expressão que expunha toda a sua falta de paciência e revolta.

- Nada demais. Não posso mais ficar quieta ou meditativa que isso é motivo de interrogatório e cobranças, Fernando? Eu é que questiono qual é o seu problema? - retorquiu se levantando para se retirar. Qualquer coisa estava a deixando farta naquele dia e, mais uma discussão sem fundamento, era algo que a faria estourar.

- Não banque a sonsa comigo! Você está esquisita desde que aquele professor, idiota e narigudo, metido a gostosão, chegou aqui. Ele é um babaca, grosseiro e assustador… aquele porco deve ser até um vampiro, só que você fica boca quando o olha! Não negue, porque eu já notei - cuspiu as palavras como se fossem flechas para atingi-la. Queria que percebesse o quanto estava com raiva e ciúmes.

- Você disse o quê? Fernando, por Merlin, ele é padrinho do meu irmão… como ousa dizer que eu estou interessada por alguém que é parte da minha família? O que passa na sua cabeça, seu doente? - esbravejou. Achava um abuso e uma falta de respeito ele estar a acusando daquele jeito.

- Ah sim… parte da família, falou alguém que vem de uma onde todos procriam entre si. Eu não duvido de nada! Além do mais, você é minha namorada e vai casar comigo. Eu não quero saber de você conversando conversando com aquele velho ridículo! - gritou de volta a segurando pelo braço, a obrigando a acompanhá-lo.

- Despropositada é essa sua atitude infantil, seu idiota. Nunca mais fale da minha família - saiu andando, se desvencilhando dele. Assim, o deixara para trás e enfurecido por ter sido abandonado. Porém, não quis se dar por vencido e saiu correndo para alcança-la, a puxando de volta.

- Olha, me desculpe… eu agi como um imbecil com você - disse abraçando e vendo que ela se manteve com uma postura rígida, com os braços abaixados, insistiu:

- Mione, vamos conversar depois do jantar. Pode ser? - a inquiriu com os olhos brilhando de expectativa. Obviamente, julgava que seria perdoado rapidamente e Hermione faria qualquer coisa que ele quisesse só para agradá-lo.

- Nós temos a primeira aula do curso especial, depois do jantar, esqueceu? - respondeu, levantando uma pergunta, ainda estava muito revoltada com Fernando para deixar com que as coisas ficassem como se nada tivesse ocorrido.

- Não tem problema, amor. Será apenas uma conversa bem rapidinha. Estou louco para me desculpar com você - sorriu com um ar cheio de segundas intenções.

- Eu vou pensar… - falou desviando do beijo que ele tentara lhe dar, fazendo-o soltar o ar pesadamente. Mesmo que tentasse, a todo o custo esconder, cada negativa recebida o deixava mais frustrado e irado.

Em seguida a refeição, o casal saiu andando pelo pátio interno e o jovem a empurrou para o local onde os arbustos eram mais altos. Alegava que ali conversariam de maneira mais tranquila e sem interrupções. Como ficara desconfiada da atitude dele, optou por ficar a uma certa distância, evitando a todo custo beijos ou investidas para aproximação. Isso o forçou a inventar mil desculpas para que o perdoasse, o deixando enraivecido por notar que encontrava dificuldades para algo tão simples, na sua mente. Internamente, Fernando se interrogava como Hermione se mostrava tão burra… era fácil compreender que sua única função era casar com ele e usar o pouco de inteligência que ela possuía para realizar serviços domésticos e criar filhos. O que aquela bruxa poderia querer? Ser Ministra da Magia por acaso? Contanto que, fosse submissa, obediente, uma ótima esposa e, principalmente, que assimilasse que era sua propriedade… não se oporia. Porém, estava óbvio que não teria dedicado tantos anos, desde que a conhecera, para destruir a sua autoestima e confiança para perdê-la desse jeito.

A bruxa estava irredutível aos seus apelos e pedidos de desculpas, decidiu começar a chorar. Aquilo sempre funcionava… se faria de vítima, de ofendido, inverteria tudo a seu favor e a obrigaria a lhe pedir desculpas. Afinal, a culpa era dela por ele estar enciumado, constatou se considerando brilhante. Como calculara, ela acabou cedendo e falando que estava tudo bem. Mas, antes de conseguir o último objetivo que era beijá-la e marcá-la como sua ali mesmo, Hermione arregalou os olhos… se dera conta do tempo que passaram do lado de fora e saiu com passos apressados, o segurando pela mão. Não acreditava que, por conta do namorado ciumento e bobo, se atrasaria para a aula e quase perdera a sua oportunidade de adquirir novos conhecimentos. Fernando a acompanhava, tentando amenizar o ódio que sentia de Severus por tê-lo atrapalhado mais uma vez. No que dependesse do jovem, a seguraria por mais tempo ali e a impediria a todo o custo de chegar perto do mais velho.

Ao entrar na sala, mais a frente do menino, buscou um lugar para sentar, fazendo o mínimo de barulho possível na retirada do material. Decidira ficar pelo fundo da sala, assim, não se tornaria o foco e nem atrapalharia a explicação que já era dada. Enquanto ele se juntava ao seu lado, ela abria o caderno e iniciava as anotações do que estava no quadro:

Alquimia é a prática de combinar elementos conhecida pelos muggles nas áreas de Química, Física, Biologia, Medicina, Misticismo, Semiótica, Espiritualismo, Filosofia, Matemática, Metalurgia, Arte, Anpologia e Aslogia.

Seus qua objetivos principais são:

1º Transmutação de metais inferiores em ouro (metáfora para a verdadeira mudança de consciência);

2º Obtenção do Elixir da Longa Vida (cura de todas as doenças, inclusive a morte, e, vida eterna a quem o ingerisse. Logo, a criação de uma Pedra Filosofal);

3º Homunculus, ou seja, criar vida humana artificial;

4º Fazer com que a realeza enriquecesse rapidamente (método utilizado apenas para assegurar a própria existência).

Simultaneamente prestava atenção no que Severus estava explicando, ao caminhar de um lado ao ou, o ponto levantado por algum aluno. Pelo o que entendera, era com relação à criação da Pedra Filosofal e como isso seria uma questão, meramente, filosófica.

- Senhor Morales, é algo muito elementar. O mistério da doutrina por trás dessa projeção, nada mais é, do que transformar a pedra comum em ouro. Ou melhor, tornar um ignorante, medíocre e fracassado, em alguém sábio… o que é difícil, dado o fato de que imbecis se autoproclamam perfeitos - respirou fundo olhando para o fundo da sala de aula, dando um sorriso meio sádico:

- Senhor Monteiro, creio que tenha conhecimento de como uma pedra irrelevante, suja e comum, busca sua glória ao destruir um cristal. Estou enganado? - questionou.

- A função da pedra, professor Snape, é a de abrir caminho onde há empecilhos que atrapalhem o seu trajeto - respondeu.

- Senhor Morales, seu colega acabou de lhe dar um exemplo bastante claro do que eu lhe elucidei - afirmou apontando para o quadro onde começaria a apresentar as figurar hieroglíficas dos elementos.

Fernando, por ou lado, ainda não captava o nível de humilhação ao qual acabara de passar. Só vira alguns risinhos baixos por parte dos demais alunos que o olhavam. Fingindo não se importar, resolveu, passar um dos braços em torno dos ombros de Hermione, que seguia atenta à explicação e enfeitiçando a sua pena para que registrasse tudo o que era mostrado nas imagens projetadas. Ficara tão absorta em meio a tantas informações novas, sobre as culturas egípcias, mesopotâmias, persas, gregas, romanas, islâmicas, celtas, maias, incas… que só se dera conta do que sucedia ali, quando reparou que a mesa fora partida ao meio e o namorado colocado do ou lado da sala.

- Senhor Monteiro, julgo que nem aqui e em qualquer ou lugar civilizado, seja permitido que um aluno toque em suas colegas durante as aulas ou espaços públicos do ambiente escolar. Alguma objeção? - Severus o encarava impondo a sua autoridade ali.

Indo em direção ao mais jovem, seu semblante foi se modificando, como se retirasse a máscara de seriedade astuta, para mostrar a sua verdadeira face… a de Comensal da Morte. Aquilo era um aviso silencioso de que, se o menino seguisse agindo de forma violenta, agressiva ou desrespeitosa com Hermione, episódios muito desagradáveis e dolorosos seriam uma constante na sua vida. Estava possesso, nada e nem ninguém o convenceria de que aquele perfeito idiota não havia sido o responsável por ela se desestabilizar novamente… mesmo que buscasse representar o contrário.