Maio chegou e trouxe os tão esperados casamentos. Todos passaram aquele final de semana felizes, buscando não pensar no que viria pela frente. A Toca estava superlotada com pessoas se amontoando nos quartos, pela sala e, alguns, na cozinha. Hagrid como não caberia ali, montou uma barraca do lado de fora, que ajudou no abrigo de outros convidados. Estava uma confusão e todos acabaram se divertindo com o caos estabelecido. Snape ficava meio zonzo com o vozerio, conversas simultâneas, gritos por todos os lados. Ele estava acostumado com a paz e a tranquilidade em que vivia e, mesmo quando as meninas iam para a sua casa, ainda assim, não era aquela anarquia em que estava metido. Para escapar um pouco daquela desordem, saía e ficava sentado do lado de fora pensando. Era bom ficar ali observando os animais, o céu, os campos... aquele lugar era bonito e passava uma sensação de paz contrastante ao pandemônio estabelecido dentro da residência. Por um tempo, pensou que poderia morar por ali. Seria um bom lugar para crianças correrem e crescer com uma sensação de liberdade. Ficou absorto naquela ideia, até se dar conta de que estava sendo observado pelo Weasley pai, que parecia estar lendo os seus pensamentos mais profundos. Indo, um pouco depois, se sentar ao lado dele.
- Severus, mal casou e já está pensando em ter uma prole? – perguntou sorrindo.
- É tão óbvio assim? – replicou olhando para o ruivo.
- Eu sou pai de sete filhos, reconheço de longe o olhar de um homem que quer ter logo a sua criança correndo por aí. Ainda mais que estamos em um período de instabilidade... o surgimento de uma vida é como uma injeção de ânimo nos nossos corações. Foi assim que eu me senti quando soube da chegada de cada um dos meus – garantiu.
- Não sei se posso ser pai... não por inaptidão, mas pelas torturas que eu já passei. Penso que pode ter afetado alguma coisa em mim. Além disso, a Hermione é muito jovem, tem uma vida inteira pela frente e muitos sonhos por realizar. Mesmo que seja possível e eu divida com ela as responsabilidades, a criança é dependente muito mais da mãe do que do pai, enquanto são pequenos. Acho injusto com ela – Snape disse pensativo.
- A vida me ensinou que isso é uma decisão das mulheres. Elas sabem a hora que querem ser mães e são leoas com os seus pequenos. Nós ficamos como meros auxiliares, porque o veredito final, sempre será delas – disse Weasley dando dois pequenos tapas nas costas dele, como se o encorajasse e recebeu em troca um olhar de dúvida, o que o fez continuar:
- Ora Severus, o que eu quero dizer é que a Hermione vai resolver isso. Só não deixe que ela fique em dúvida de que você quer também uma criança. Será bom que ela esteja se sentindo segura quando acontecer.
- Arthur... você acha que eu seria um bom pai? – manteve o mesmo semblante interrogativo.
- Ninguém é perfeito! O conselho que eu posso dar é sempre fazer o melhor que puder. Você criou muito bem a Dora, buscando dar o máximo de si o tempo todo. É o que basta. Agora vamos, homem! Temos o casamento do meu filho e, também, o da sua irmã para organizar aqui no terreno – falou o ruivo se levantando, sendo acompanhado pelo outro que limpava a calça para retirar os pedacinhos de grama que estavam presas nela.
Se juntaram ao grupo que estava envolvido na preparação das coisas. Auxiliaram a arrumar a tenda, as mesas, a comida, a bebida os enfeites... tudo estava muito simples e bonito. Era uma forma que arranjaram para comemorar a vida, celebrar os fios de esperança em que se agarrariam e, principalmente, as amizades existentes e as que começavam a se formar. Fleur e Dora entraram, no horário, acompanhadas de seu pai e irmão, respectivamente, e, foram entregues aos noivos. Os dois casais fizeram os votos e selaram os enlaces com beijos. Os padrinhos, Charlie e Sirius, revelaram barbaridades a respeito dos seus afilhados, arrancando risos de todos os presentes... as mulheres estavam em volta da barriga de Ginny, soltando gritinhos de alegria e empolgação com os chutes dados pelo bebê Scorpius, que logo nasceria. Hermione virou em direção ao marido e sorriu abertamente, estava feliz por compartilhar aqueles momentos com os amigos e, principalmente, em vê-lo fazer parte de tudo aquilo e de perceber que ele se sentia aceito entre aquelas pessoas. Ele percebeu que havia ali um brilho estranho nos olhos dela, algo que nunca tinha visto desde que a conheceu.
Algum tempo depois, a castanha se aproximou dele o convidando para ir embora e dizendo que estava cansada. Era final de domingo e, no dia seguinte, a correria das aulas e as funções como agente-duplo ocupariam todo o tempo... Snape não viu problemas em fugir dali e passar algumas horas sozinho com a sua esposa em algum lugar. Pensou em vários locais até chegar à conclusão de que passariam a noite em um hotel trouxa, indo embora pela manhã. Assim fizeram. Ao entrarem no quarto, viu que Hermione o fitava fixamente, como se estivesse em meio a um debate interno a respeito de algo referente a ele.
- Algum problema, pequena? – a questionou.
- Sevie... queria te perguntar uma coisa... mas, acho que você vai achar que eu sou uma boba ao me ouvir – disse olhando para baixo com um ar de dúvida.
- Me interrogue à vontade. Não vejo nada que me faça te considerar uma pessoa obtusa – respondeu cruzando os braços e se sentando na cama para tirar os sapatos.
- Bem... quando eu entrei na sua vida, a Bellatrix e a Lillian eram as mulheres que faziam parte dela. Uma era a sua prometida e estava apaixonada por você e, a outra, te fascinava. Alguma vez me comparou com elas? – indagou Hermione com um olhar de hesitação e Snape soltou um suspiro pesado.
- Hermis... fiz isso a primeira vez que te vi ao lado da Bella, na aula do Slughorn, como uma forma de tentar compreender o que me chamava tanto a atenção em você. Mas, não foi nada de especial ou que demonstrasse o interesse que eu pudesse sentir naquele instante por uma das duas – disse pensativo a observando.
- Continuou com isso, depois? – questionou deixando claramente a sua insegurança com relação àquilo.
- Não, foi apenas uma vez mesmo – respondeu percebendo onde ela queria chegar.
- E o que me assemelha a elas, que fez com que prestasse atenção em mim? – perguntou chegando ao ponto em que queria desde o início.
- Não foram as semelhanças, mas as diferenças que me encantaram. Entretanto, creio que quer saber no que se parece com cada uma, estou certo? – a interpelou como réplica.
- Sim, está... no entanto, se não quiser, não precisa falar nada – argumentou sentando ao lado dele e Snape segurou as suas mãos.
- Da Bella, sua mãe biológica, você tem muitas características que são genuinamente dela. Por exemplo, esse cabelo tão cheio de cachos, mesmo sendo castanho como do Sirius, é o bilhete de apresentação da sua natureza selvagem e indomável que você luta tanto para domar. Há uma sensualidade que está além da beleza física, embora Hermis, você seja inegavelmente muito bonita com esse rosto cheio de sardas perdidas em torno do nariz e das bochechas... um ponto que te torna diferente. Possuiu um temperamento altivo e voluntarioso , gosta do perigo e, isso, é um traço dos Black em geral – falava vendo que ela o observava com atenção e prosseguiu:
- Você não permite nunca que alguém tente subjugar as suas vontades e tem uma paixão obsessiva por causas e coisas em que acredita, exatamente igual a Bella, mesmo que tenham propósitos diferentes. A distinção está no fato de que a sua maior crítica e juíza é você mesma... isso demonstra uma força absurda de caráter e senso de justiça, que se entrelaça com a sua paixão por defender e proteger os outros. E, por último, tem fogo dentro de si e é, incrivelmente, provocante. Todavia, o seu erotismo e voluptuosidade não são agressivos, se mostrando através de uma graciosidade e doçura cativantes – sorriu ao dizer isso.
- E a Lillian, o que eu me pareço com ela? Porque, ao que eu percebo, pela Bella você chegou a ter uma atração física... – considerou contrariada essa última parte, mesmo tendo em mente que precisava ouvir toda a verdade e que aqueles questionamentos eram importantes antes de qualquer coisa. Necessitava de uma total sinceridade dele naquele instante.
- Sim, eu tive muita com 14, 15 anos e, depois, passou. Simples assim. Com a Lilly, você se assemelha na afabilidade, na doçura e gentileza na maneira de falar com as pessoas, mesmo quanto está com raiva. Embora, ela fosse mais doce que você, e, você seja mais forte e independente do que ela. Em outras palavras, não é submissa... É inteligente e curiosa, de um modo positivo, ao não se negar em ir ao auxílio de quem precisa. Tem um coração bondoso não só com quem ama, mas, com quem está no seu entorno. O que te torna divergente, é que a sua inteligência é absurda, tem sede de conhecimento, é mais focada, academicamente honesta e objetiva. Você é corajosa e leal, o que diz muito sobre quem é e que nunca se deixaria influenciar pelos outros, não é fraca como ela que se deixou levar pela opinião e fez o que os demais esperavam – Snape estava sério e falava aquilo em um tom que dizia mais coisas a si mesmo do que propriamente a Hermione.
- Você sabe ser amiga de alguém, porque tem a sabedoria inata do que é lealdade e sinceridade. Jamais abandonaria um amigo ou riria dele, mesmo que ele tivesse agido com o mais perfeito imbecil. Não joga as suas responsabilidades ou decisões em cima dos outros. A sua retidão de caráter chega a ser afrontosa, quando a pessoa se dedica a olhar os seus olhos e ousa conviver com você. É forte, linda e perfeita, não se julgando o centro das atenções ou jogando com os sentimentos dos outros, como as duas sempre fizeram. Hermione, as duas eram meninas comuns, não tinham nada de extraordinário... você é especial, única... e essa é a certeza que eu tenho na vida. Não há comparação, porque sempre eu vou ver que é infinitamente melhor. Tanto que é capaz de amar um maldito bastardo, como eu, a ponto de casar com ele. Mesmo observando que ele é um grosseirão, feio e com aspecto de sujo... que te tratou mal e te fez sofrer a troco de nada – agora a olhava dentro dos olhos, respirando fundo concluiu:
- O seu cheiro, para mim, é a droga mais poderosa do mundo... caso não saiba, você é a minha Amortêntia, mesmo quando eu sequer me lembrava de nós dois juntos... o aroma de baunilha, morango, pergaminhos e livros antigos me deixava enlouquecido. Satisfeita? Particularmente, não acho saudável ficar fazendo comparações como se estivesse no meio da Travessa do Tranco ou do Beco Diagonal procurando um produto...
- Nunca alguém me descreveu desse jeito... obrigada. Quero agradecer por ter sido sincero. Não te julgaria se preferisse esconder isso, contudo, creio que o melhor é que sejamos honestos um com o outro. Acredito que tenha razão no que disse, embora eu não me veja assim... – estava refletindo sobre o teor de tudo o que havia escutado.
- Você deveria ser mais segura quanto as suas qualidades - disse acariciando o rosto dela, fitando as expressões e os suspiros de Hermione.
- Severus, não vejo problemas em que tenha feito cotejos iniciais para perceber o que me tornava especial para você. Penso que é um processo natural de escolha do que e de quem consideramos como melhor para as nossas vidas. Eu só discordo na sua insistência de que é feio e sujo. Não me importa o que os outros tenham dito, penso que muitas palavras vieram como sinal de inveja por ser tão brilhante no que faz. Você é um homem bonito e o que chamam de sujeira é o resultado das horas de trabalho em torno de caldeirões fumegantes, do tempo em que você passou deprimido ou que vivia abaixo da linha da pobreza. Não há cabelos e vestes que resistam! – agora era ele quem estava concentrado nas palavras que eram ditas e a castanha continuou:
- As pessoas se acostumam ao que é comum. Particularmente, acho que o James tinha cara de idiota e era um porco arrogante que só conquistava as meninas por ter dinheiro. Aliás, muito dinheiro e músculos, mas pouco cérebro... Você tem uma beleza singular, o que faz com que a maioria não esteja habituada. Seu nariz, que sempre foi alvo de comentários depreciativos, ao meu ver, é o que dá um charme especial ao seu rosto. Você tem voz grossa que hipnotiza, vicia e seduz, uma personalidade misteriosa que aguça a imaginação de quem possui engenho e arte para admirá-la... e, os seus olhos, são um verdadeiro abismo negro ao qual poucas pessoas se arriscariam a se jogar. O seu cabelo, por ser preto e liso, parece que está sempre brilhando como veludo, seda ou couro. Isso é natural, só que muitos se mostram medíocres e ignoram o óbvio.
- Você, de fato, vê tudo isso em mim? – perguntou incrédulo fazendo com que Hermione respondesse na hora:
- Vejo isso e muito mais. Sevie, você pode ter dois dentro de si... um que é agressivo, sádico, grosseiro, zangado, autoritário, extremamente fechado, ressentido, amargurado, desagradável e violento. É uma parte sua que sempre aparece quando está tentando se defender ou tem medo de alguma coisa que possa te machucar. Claro que, por conta disso, você agiu mal comigo e foi um perverso, desgraçado, que me fez chorar inúmeras vezes. A outra parcela que constrói a sua personalidade sui generis, é gentil, engraçada, fofa, carinhosa, obstinada, apaixonada e curiosa. Mas, principalmente, é a mais bonita porque é onde se encontra a sua inocência, coragem e bravura – os olhos dela brilharam ao dizer isso. Snape viu, finalmente, o que no mundo fez com que ela se apaixonasse por ele com tanto ardor e se entregasse de corpo e alma.
- Severus... você é inocente em relação ao amor. Pode não perceber ou fingir que não é verdade, mas ainda possui a mesma pureza do menino que eu conheci na hora de se conceder e confiar o coração. Quer tanto ser amado que não pode mentir a respeito disso, por mais que seja capaz de esconder os sentimentos, quando quer... o amor é algo que te guia, te impulsiona a fazer coisas absurdas, foi o que te manteve vivo ao mesmo tempo em que quase te matou, e é o que o torna tão aguerrido. Pode ser que não acredite, entretanto, eu penso que, quando não se recordava de mim, algo aí dentro dava esperanças que nós iríamos nos encontrar e que tudo ia ser diferente – ela puxou a respiração para criar coragem e continuar, queria que ele ouvisse tudo o que considerava apaixonante nele.
- Antes que tente me interromper... sei que este seu lado são raros os que conhecem, pois, os demais, sempre recebem o pior e são tratados com desconfiança. Mas, quero deixar claro que eu considero você um homem de caráter e personalidade forte, leal, corajoso, inteligente, perspicaz, fiel a quem ama e aos seus sentimentos. Alguém que possuiu um gênio que o torna uma tempestade ambulante... sendo capaz de destruir tudo a sua volta, e, tem o poder dar vida e transformar tudo ao seu entorno. É dono de um coração indômito e bravio, quase um selvagem que tem sede de amor e conhecimento, que sonha conhecer todos os caminhos do mundo. Ao mesmo tempo que se distingue pelo senso de humor bastante peculiar e meio sádico. Eu te amo, porque vi além do que os olhos são capazes de enxergar na barreira que você criou em torno de si – ao terminar de dizer tudo isso, procurou sentar no colo dele e o beijar com todo o amor que sentia. Snape retribuiu intensificando o beijo a puxando mais para perto. A castanha interrompeu todos aqueles carinhos, deitando a cabeça no ombro dele.
- Pergunte, Hermione... – disse erguendo uma sobrancelha a observando, conhecida muito bem aquele silêncio.
- É que eu não entendo por qual motivo cortou o cabelo... – respondeu manhosa.
- Ora, bruxa, você mesma falou que gostava dele curto quando nos conhecemos – a olhava com uma cara de incredulidade.
- Sim, eu disse... no entanto, foi no sentido de que você usava para se esconder atrás dele. Não precisava ter deixado curto – o encarou abrindo um sorriso.
- Agora eu não me escondo mais... tenho você que é só minha – deu de ombros com um gesto arrogante, mas que ela entendia como divertimento. Já sabia de todos os trejeitos, olhares e manias dele, para reconhecer qualquer um perfeitamente.
- Não... mas, eu gostava dele. Dava vontade de puxar nas horas certas, sabe? Apesar que eu o considere mais bonito com ele assim. Contudo, acho uma pena que tirou aquela sua barba...
- Mas, veja só... disse que você era tarada, queria que eu roçasse a barba no seu pescoço, enquanto dizia obscenidades e te fodia, como um hipógrifo ou um centauro no cio. Entendo a sua mente cheia de safadezas inconfessáveis, Hermione – sorriu malicioso, não perdendo a oportunidade de provoca-la:
- Sempre soube que essa era a questão que mais tenta esconder e que é a sua natureza. Você gosta de sexo, fantasia as coisas, mas tem vergonha de confessar... há fatos que eu sei, que você mentiu ao falar que nunca fez – manteve a mesma expressão, que se ampliou ao perceber que a castanha arregalou os olhos o encarando.
- Do que... está falando, Severus? – gaguejou um pouco ao perguntar isso.
- Acha que eu não sei quantas vezes você se masturbou depois das aulas de Poções, imaginando a minha voz murmurando ao seu ouvido as coisas mais absurdas? Ou que fazia o mesmo depois das aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas? Se não tivesse descoberto isso aos 17 anos, sinceramente, eu teria ficado perturbado de ver uma menina já me desejando tão ardentemente... a ponto de gritar o meu nome entre gemidos, sonhar com as coisas mais pornográficas possíveis, enquanto usava as mãos ou um travesseiro para ter o que eu não poderia ou não teria vontade de proporcionar – estava pensativo, pois, de fato, sabia que se soubesse daquilo, quando ela tinha 15 ou 16 anos, teria feito da vida dela um inferno para que se mantivesse afastada e o esquecesse completamente. Viu que demonstrava estar um pouco envergonhada ao escutá-lo dizendo aquelas coisas e procurou tranquiliza-la:
- Eu... não a vejo como menos pura, inocente ou doce por conta disso. Nem julgo que, enquanto estava se descobrindo como mulher, você sentisse tesão e quisesse acalmar o fogo que crescia aí dentro. É cruel que nós homens sejamos incentivados a expor nossos desejos, explorarmos os nossos corpos, enquanto vocês, são castradas desde o nascimento e são ensinadas a ter vergonha do que sentem. Não faz ideia, pequena, do quanto eu me sinto honrado de estar ao seu lado e te fazer perder a timidez sobre o seu corpo e a sua sexualidade.
Algo anunciou que aquele era o momento certo para realizar a maior fantasia dela. Queria que a sua esposa percebesse o quanto era normal ceder aos desejos e renunciar as inseguranças que sentiam com relação aos próprios corpos. Eles pertenciam um ao outro, concedendo os sonhos mais inconfessáveis um ao outro.
- Eu te amo, Hermione – se levantou da cama, dando a mão a ela, como um convite para que o seguisse.
- O que pretende? – demonstrou estar curiosa.
- Te levar ao céu me entregando à sua tentação. Agora, feche os olhos – assim o fez e sentiu quando ele a levantou no colo. Sentia os beijos dele se intensificando e se dirigindo ao seu pescoço. Antes que pudesse ver onde estava, percebeu que ele os despia com avidez e começou a retribuir os carinhos, o queria tanto que pouco importava o que aconteceria depois.
- Oh, deuses... Sevie... me faça sua – sussurrou no ouvido de Snape, fazendo com que ele sentisse um arrepio cortando a sua espinha. Como um anúncio de que recebera total permissão para os seus atos, a desceu do colo, a imprensando contra a parede. Ouvindo a respiração da castanha ficar mais rápida e pesada, a virou de costas, puxando o cabelo dela, roçando libidinosamente o membro contra as nádegas. A prendendo com o corpo, enquanto ligava o chuveiro para entrar com ela, começou a dizer o quanto a queria e o tanto que a amava.
- Abra os olhos e veja o quanto gosto de ser desafiado... afirmei que era só deixar a oportunidade aparecer, que eu transaria com você dentro do box de um banheiro – começou a dar mordidas e chupões pelo pescoço dela que foram, lentamente, se espalhando para as demais partes. Adorava tortura-la, ouvir seus gemidos e gritos de prazer, enquanto brincava com a língua e os dedos, a masturbando, sugando o clitóris com verdadeira ânsia de sentir o gosto dela em seus lábios. Ao perceber que ela gozava, se levantou e a penetrou indo o mais fundo que pode. A água caia sobre os corpos que se chocavam sem clemência, as palavras ecoavam naquelas paredes e eram acompanhadas pelos sons dos movimentos de vai e vem... das respirações descompassadas, das frases sem sentido em meio aos beijos cada vez mais necessitados.
- Mais forte... Severus! – Hermione falava com um fio de voz e ele acelerou os movimentos, aumentando e intensificando o ritmo das estocadas. Não demorou para sentir a castanha o apertando dentro de si, quase se libertando novamente. Snape, aproveitando o quanto ela estava entregue, usou o polegar para masturbar o clitóris, enquanto com os dedos da outra mão, massageava o períneo... sentindo que ela tremia com os espasmos que se espalhavam pelo corpo. Ao ouvi-la chamando o seu nome, se esfregando contra ele, tão molhada, e, atingindo um forte orgasmo, continuou os movimentos até não aguentar mais e ejacular dentro dela. Sentindo que as suas pernas começavam a falhar, sentou com ela no colo dentro do box, a abraçando com força, acariciando aqueles cabelos que tanto adorava e que ousavam grudar no rosto perfeito da sua amada.
- Foi melhor que no sonho? – disse com um riso sacana.
- Muito... porque foi real e você me ama também – respondeu o beijando e mordendo o lábio inferior, fazendo com que ele abrisse os olhos para admirá-la.
- O que quer, minha selvagem? – questionou.
- Gosta de estar dentro de mim? – ela ergueu as sobrancelhas para ele.
- Você quer me enlouquecer, menina?! Ou pretende me matar... sou um pobre homem quase entrando na terceira idade. Vamos tomar banho e... como parece que não terei muitas escolhas, vou dar o que me pede – a mordeu no ombro, levantando para se banhar, e, aproveitando para lavar também cada parte daquele corpo que tanto venerava.
- Esqueci que é o único idoso com menos de 40 anos no mundo inteiro! Pare de fazer dramas... não combina em nada com o perfil de vampiro malvadão que criou - o segurou pelo queixo obrigando que a olhasse. Sorriu vitoriosa ao ver que ele revirava os olhos, o beijando calmamente como se estudasse a sua boca com atenção.
Ao terminarem, a ergueu novamente no colo e a carregou para o quarto. Saíram molhados e envolvidos em beijos intensos, batendo nos móveis que se encontravam pelo caminho, quase caindo no chão. O fogo, já tão conhecido, os queimava e rasgava por dentro. Snape sentia o seu pênis latejando novamente e estava pronto para possuí-la, mais uma vez, ali mesmo. Acabou sentando na cama, com Hermione no colo, beijando vorazmente. Tinham fome e se entregavam a libidinagem que ele apresentava a ela.
- Você é devasso... – sussurrou para ele.
- Deprava e deliciosa – respondeu tomando posse daquela boca que tanto o deliciava. A apertava entre os braços, sentindo que a castanha se ajeitar sobre ele, passando as pernas em torno da sua cintura.
Agora estavam de frente um para o outro, a intimidade molhada e quente dela roçava no seu mastro, fazendo com que se segurasse nos lençóis para não a penetrar imediatamente. Lutou para manter os olhos abertos para admirar a movimentação do corpo dela, o atrito lascivo do clitóris contra o seu membro. Hermione aprendera a se satisfazer o usando e ele adorava ser abusado por ela. O Elo permitiu que nenhuma palavra precisasse ser dita, o favo de mel encontrou o abismo negro, ele a segurou forte pela cintura acentuando os impulsos e a frequência dos atos. Assim, fez com que a castanha se levantasse um pouco, para se posicionar dentro dela, o que a fez soltar um grito com a súbita invasão ao senti-lo entrar tão fundo. As mãos a apertavam, deixando marcas dos seus dedos na pele alva, auxiliando nos movimentos de subir e descer, no vai e vem... se esfregava contra ele, tornando tudo ainda mais gostoso e violento. Queria que ela comandasse, e se deixar dominar pelas vontades da sua senhora. Ficou extasiado ao vê-la cavalgando em cima dele, o devorando como uma pervertida.
Hermione o fez deitar na cama, colocando as duas mãos no peito dele, mantendo a movimentação do quadril, enquanto o olhava e percebia estampado no rosto todo o desejo incontido. Com os pensamentos dele na sua cabeça, se curvou, permitindo que os seus seios o tocassem no rosto e nos lábios, fazendo com que ele ficasse alucinado com aquelas sensações. As mãos dele subiram da cintura dela para agarra-los. Chupou cada um com vontade, com volúpia, mordiscando, massageando, dando pequenos beliscões... enquanto ela lambia e sugava o seu pescoço, fazendo com que perdesse completamente o juízo e começasse a se movimentar junto com ela. Snape aumentou a intensidade das estocadas, tão fundo e tão forte, que a castanha já não controlava mais os gemidos que, logo, se transformaram em gritos. O arranhava com suas unhas curtas e agia instintivamente para manter o contato entre os dois. Ele, em um impulso, sentou na cama e a agarrou, a beijando vorazmente. Ela atingiu o clímax, gemendo contra a boca, tremendo violentamente e deixando que o corpo caísse sobre o dele... Snape viu estrelas diante dos olhos ao gozar outra vez, sentindo os seus líquidos se misturarem com perfeição. Era um sentimento maravilhoso observá-la daquele jeito, satisfeita, ofegante, nua e despenteada.
A abraçou carinhosamente, se sentia cansado e com o coração prestes a explodir, do mesmo jeito que a castanha, percebia as suas forças extintas e os seus olhos pesados. Demorou um pouco para conseguirem se desvencilhar um do outro, e, ela deitar ao lado do seu marido, sendo puxada como o propósito de que deitasse a cabeça no peito dele. Antes de adormecer, percebeu que era embalada e tinha os cabelos ainda mais bagunçados... Hermione sorriu ao pensar no quanto amava aquele homem que, tinha se entregado ao sono e a apertava entre os braços possessivamente, era tão seu.
