*Trim, Trim, Trim
— Danisa! Você vai continuar dormindo na minha aula? O seu nível de desrespeito é absurdo. — o sr. Anders estava com muita raiva.
Danisa espantou-se com a voz alterada de seu professor, ela tentava limpar sua vista turva piscando várias vezes, demorou um pouco até ela visualizar o ambiente de sala de aula da sua antiga escola, mas ao mesmo tempo as coisas pareciam diferentes.
O ambiente possuía as mesmas cores e mobiliário de sua antiga escola, tal qual se lembrava, mas não havia teto, nem alunos nas carteiras. Ao olhar para cima, onde deveria haver um teto, percebeu que o céu era negro, não como a noite, mas como se estivesse envolto a uma cortina de fumaça. Seus batimentos cardíacos estavam tão acelerados que quase podia ouvir seu coração.
— Você ouviu o que eu disse? — o professor a encarou novamente. Parecia furioso.
— Você… você está vivo? Mas como? — ela não estava acreditando em seus próprios olhos.
Ele estava morto, sua mãe o matara, no entanto, parecia tão real, tão vivo. Mas seu olhar estava diferente, não era mais carregado de doçura, nele parecia haver uma imensa raiva.
— Sempre uma decepção, você não conseguiu nem salvar aqueles que a amaram.
— Eu tentei, me desculpe, me perdoe, por favor. — de seu rosto começaram a escorrer lágrimas, tão doídas como aquelas derramadas quando viu seu corpo inerte.
— Você me matou — ele se aproximou com um sorriso maléfico no rosto — e agora, é a minha vez!
Ele a pegou pelo braço com força, e ela tentava a todo custo se desvencilhar, mas parecia impossível, estava fraca. Debatendo seu corpo com força conseguiu se livrar das mãos fortes de Albert Anders. Seu raciocínio mal acompanhou suas pernas, que já se movimentavam rapidamente para o mais longe que puderam.
O mundo fora daquela sala de aula parecia ainda mais confuso, ela parecia está nos corredores da S.H.I.E.L.D., era um longo corredor sem fim, não havia salas, nada além de uma reta, o céu escuro continuava amostra.
— Socorro! Socorro! Alguém, por favor, me ajude! — sua voz rasgava a garganta.
— Está correndo do quê? — Nick Fury apareceu bem na sua frente. Seu rosto não estava coberto com o tapa olho, sua cicatriz estava a mostra.
— Nick, por favor, me ajude eu não sei o que está havendo. — ela se aproximou, esperando um abraço acolhedor, como o de um pai, lembrando aquele que recebera quando ele a libertou, mas não encontrou, havia ali apenas um corpo rígido e gelado como um iceberg.
— Ajudar? Da mesma forma que eu ajudei e você quase acabou com a humanidade? — ele a encarava com desgosto — Eu jamais cometeria esse erro novamente. Guardas!
De algum lugar naquele espaço surgiram dezenas de agentes da S.H.I.E.L.D. que iniciaram uma perseguição, a jovem só conseguia correr, sua mente estava confusa "Por que isso está acontecendo comigo?". Ela avistou uma porta vermelha ao longe, no fim daquele corredor infindável, não havia outra saída além daquela, sem escolha e sem poder pensar muito, ela abriu a porta. Danisa sentiu-se caindo em uma toca de coelho, tal qual a história de Lewis Carroll, sentiu o rosto bater no chão enlameado e um vento gelado soprando em seu corpo a fazendo arrepiar. Ela levantou e tentou tirar o máximo que pôde de lama do corpo, a jovem olhou em volta. Dispostas ao seu redor haviam altas paredes de folhas de um verde vivo que formavam um labirinto natural.
— Mas que lugar é esse? — a jovem olhou para o céu, ainda estava escuro. — Eu devo estar delirando…
A morena seguiu caminhando pesadamente, sem saber onde iria, apenas que queria sair dali, queria voltar para sua vida, "mas que vida afinal?", aquela vida com sua mãe, onde não era nada a não ser um experimento, ou aquela vida de 'heroína' descontrolada e perseguida por todos, sequer amar alguém sem ter grandes problemas conseguia. Foram horas caminhando por entre os longos corredores do labirinto, tentou voar diversas vezes, mas não conseguiu usar seus poderes, "o que está havendo comigo?" perguntava a todo instante. Quando se deu conta de onde seus pés a levavam, percebeu que a sua frente havia um pequeno coreto, enfeitado com flores que mesmo de onde estava conseguia sentir o aroma adocicado que emanava delas, entendeu então que se encontrava no centro do enorme labirinto, enquanto caminhava lentamente de encontro ao coreto percebeu uma silhueta familiar, em pé, de costas para onde estava, parecendo admirar as cores das flores.
— Quem é você? — Danisa questionou.
— Você quer mesmo saber?
