Na mansão Malfoy, o clima durante o dia foi de preparação para o ataque que ocorreria durante a noite. Já estavam a postos os irmãos Carrow, Amico e Aleto, Bellatrix, Greyback e Malfoy, juntamente àqueles que fariam a guarda para que a missão de matar Dumbledore fosse bem-sucedida. Bella estava empolgadíssima com a possibilidade de ver o diretor morto, enquanto o seu cunhado estava com um semblante extremamente tenso... aquela era a sua última chance de obter algum sucesso e voltar ao posto de homem de confiança de Voldemort. Sabia que se Snape realizasse a tarefa, ou tivesse êxito na escolha de Luna para fazê-lo, definitivamente estaria se firmando como o melhor entre todos eles e, aquilo, não poderia ser uma opção. Ao ver a morena comemorando efusivamente por coisas que ainda não tinham acontecido, pensou no quanto a sua vida estava péssima, tudo decaíra no seu entorno. Seu filho havia fugido de casa, traído o seu destino como Comensal da Morte, fora um dos responsáveis pela sua queda e desonra; sua esposa estava cada vez mais rebelde e passara a traí-lo com outro homem, que o loiro não fazia ideia de quem se tratasse; e, para piorar, o Lorde das Trevas, a cada dia se mostrava ainda mais insatisfeito com o seu desempenho nas funções que lhe eram atribuídas. Ele pensava que a menina loira falharia, pois, aqueles alunos sempre teriam Dumbledore no mais alto conceito. Ainda eram crianças bobas e cheias de culpa para cometer um assassinato a sangue frio... aquilo era tudo o que precisava para recuperar o que lhe tiraram e regressar aos tempos gloriosos de um dos principais generais d'Aquele que não deve ser nomeado, na guerra que se iniciaria. Malfoy já estava com o seu plano todo traçado para que Snape fracassasse e, finalmente, fosse castigado por Voldemort... Dando tudo certo, auxiliaria Bella no sequestro das meninas, que ela estava procurando. Também pretendia passar com a morena umas boas horas de prazer e, todo o cenário, o favoreceria a ter o que e como desejasse.
Em Hogwarts, Harry foi chamado com urgência para o escritório do diretor e, durante o percurso, encontrou a professora Trelawney aos gritos no corredor próximo à Sala Precisa. Ao se aproximar, ela lhe contou que tentou entrar, mas que haviam vozes lá dentro celebrando algo e que alguém ocupava a sala, o que fez com que fosse expulsa de lá. Ao ouvir isso, ele decidiu que o fato deveria ser relatado a Dumbledore imediatamente, porque, no fundo, sabia que poderia se tratar de invasão que há meses falavam. Estava zonzo, perdido em seus pensamentos, dos quais foi tirado com a professora contando como foi a sua entrevista de emprego e que ela e o diretor foram interrompidos por Snape. Nunca ninguém havia dito quem relatara a profecia para Voldemort e ao saber que o mestre em Poções tinha sido, direta ou indiretamente, responsável pela morte de seus pais o deixou possesso de raiva. Tudo desmoronava na sua frente, sentia raiva... aquele homem roubara tudo dele, quando ainda não podia se defender. Só lembrava das palavras de Sirius dizendo que jamais deixaria de ser um Comensal da Morte, que não confiava na lealdade dele a Dumbledore... como a sua amiga poderia ter se apaixonado, casado e engravidado de um monstro? Como o velho mago poderia ter obrigado Sirius a entregar a única filha a um assassino, traidor? Foi com nesse estado de espírito que abandonou a professora no corredor e correu em direção à sala do diretor. Queria, precisava, confrontar Dumbledore, saber toda a verdade por pior que fosse. Após ouvir as palavras do bruxo mais velho sobre a possível localização de uma das horcrux e a busca que fariam para destruí-la, ele o confrontou com a história de Snape, sua vontade era de quebrar todas as coisas daquela sala para tirar de si todo o ódio que o dominava. O diretor ouviu tudo atentamente, deixando que ele despejasse toda a sua frustração e, por fim, repetiu para Harry que o bruxo realmente fora um Comensal naquela época, reiterando que quem decidiu o alvo foi o próprio Voldemort e não o homem de cabelos negros. Dumbledore concluiu dizendo que confiava na honradez e que isso bastava para não colocar em dúvida a palavra do outro. Prosseguiu buscando que o menino compreendesse as responsabilidades de cada um no que ocorrera e que, de fato, Snape havia se arrependido no exato instante em que soube da provável morte da amiga. Ao perceber que aquele era um assunto mais do que encerrado, fez com que Harry prometesse que cumprir todas as suas ordens na missão. Com isso, o diretor enfatizou a importância das decisões e adesão de todos e que pequenas brigas, acabariam por desestruturar a Ordem da Fênix. Em resumo, naquela noite tudo se definiria... No caminho, o bruxo mais jovem deu a Ronny o Mapa do Maroto e solicitou que ficasse de olho na escola, onde poderia ver a localização de todos dentro das instalações de Hogwarts. Além de distribuir o restante da poção Felix Felicis, dando um pouquinho aos membros da Ordem e da Armada que lá estivessem, caso as suspeitas da chegada dos Comensais se concretizasse.
Depois de saírem se Hogwarts, Harry e Dumbledore, chegaram a um local rochoso perto do mar, onde as ondas quebravam contra as pedras violentamente e, um passo em falso, decretaria a morte de quem quer que fosse. Aquele era o lugar que vira nas memórias de Tom Riddle como onde ele aterrorizara duas crianças quando pequeno. Com esse pensamento, acompanhou o diretor na entrada da fenda que levava à Horcrux. Estando lá dentro, travessaram um lago cheio de Infieri, em um pequeno barco, até chegar a uma espécie de ilha em que se localizava uma bacia cheia de um líquido transparente. Percebendo que aquilo, possivelmente era uma poção ou certamente um veneno, Dumbledore ressalta que deve bebê-lo até o final. Mas, após sorver algumas doses, começou a delirar e a passar mal, obrigando Harry a seguir a promessa que fizera e insistir que continuasse ingerindo aquilo até o fim... o velho mago acabou desmaiando e, ao recobrar um pouco os sentidos, pediu que lhe fosse dada água. Essa solicitação forçou Harry a ir em direção ao lago e ser atacado pelos mortos vivos. Mesmo enfraquecido, o mago conjurou o Fogo Maldito e, assim, conseguiram escapar da caverna e, pouco depois, aparatarem em Hogsmeade. Se mostrando enfraquecido, mandou que Harry procurasse Snape e, enfatizou, que aquele era o instante tão esperado. A partir disso, tudo aconteceu muito rápido e as coisas passaram a não fazer mais o menor sentido... Madame Rosmerta mostrou a eles que a Marca fora lançada acima da Torre de Astronomia, eles pegaram as vassouras emprestadas do Três Vassouras e partiram em direção à escola, onde chegando à base da torre, tudo estava deserto. Novamente Dumbledore o manda em busca de Snape. Entretanto, o pedido não é executado, porque ambos ouviram um barulho e Harry se escondeu e acabou paralisado por alguém desconhecido. Inesperadamente, Draco vai de encontro a Dumbledore e o desarma, avisando que os Comensais da Morte estão na escola, já lutando contra alguns alunos e os membros da Ordem da Fênix no corredor.
- O que te traz aqui, nessa linda noite de primavera, senhor Malfoy? Ou posso te chamar de Draco, depois de termos convivido com alguma proximidade nas reuniões da Ordem? Sabe que era a sua irmã quem deveria estar aqui com o Severus, não é? – perguntou o diretor com curiosidade.
- Eu não ia abandonar o meu padrinho nessa hora, tinha que o ajudar de alguma forma... o senhor sabe, é um peso muito grande para que ele carregue e não permitiria que a Luna se envolvesse com algo tão sórdido. O senhor pode me chamar de Draco, não estou lhe traindo de nenhum modo... apenas não consigo deixar que ele passe por esse inferno – respondeu o jovem de cabelos loiros, que olhava rapidamente para todos os lados.
- Quem mais está aqui? Eu ouvi o senhor falando... - inquiriu, ignorando todo o restante que estava implícito na pergunta do diretor.
- Ora, eu costumo falar comigo mesmo. Hábitos de um velho homem... com o tempo entenderá! Mas, aconselho que faça o mesmo, é extremamente útil. Você alguma vez conversou consigo mesmo, Draco? - questionou com um semblante sereno observando o crescente nervosismo que transparecia no menino. Vendo que não obteria resposta, seguiu:
- Interessante ver o quanto Severus lhe ensinou sobre honra e amparo. Vejo muito dele em você... a mesma atitude em querer defender, com a própria vida, uma irmã que mal conhece e a quem já devota tanto zelo. Mas, duvido muito que seja você a me matar. Embora tenha a fibra da sua mãe e aprendido muito com o seu padrinho, ainda lhe falta a coragem suficiente para assassinar alguém sem se despedaçar completamente. Infelizmente, ou alegremente, você não é um assassino – o desafiou calmamente, sabendo que Draco não teria conseguiria fazer isso e livrar Snape daquele fardo.
- Como sabe o que eu sou? Fiz coisas muito chocantes - falou tentando manter a coerência nas suas palavras e buscando coragem para aquilo. Era como se dissesse para si que era capaz.
- Sei que os ataques inoperantes feitos contra mim, foram obras da senhorita Parkinson. Então, não vejo o que tenha feito de tão extraordinário e chocante... porque, convenhamos, aquelas tentativas só demonstravam que a pessoa não queria verdadeiramente me matar - pontuou.
- Deixe-me facilitar para você, Draco - fez menção de que usaria a varinha, contudo, Draco foi mais rápido.
- Expelliarmus - bradou desarmando-o.
- Ótimo! - elogiou o diretor, de repente, ouviram um barulho e Dumbledore teve certeza de que o menino não estava sozinho.
- Você não está aqui em uma missão solitária, estou enganado? Existem outros... como? - perguntou, apresentando muita curiosidade em obter a resposta.
Nesse tempo, como, de fato, não se via capaz de executar alguém, relatou como ele e Luna abriram o Armário Sumidouro na Sala Precisa e que, antes dos Comensais da Morte começarem a surgir, ele a mandou fugir dali e ir embora com Hermione. Explicou também que o outro par se encontrava na Travessa do Tranco, na Borgin e Burkes, local por onde eles vieram. Ao ouvir o relato, o velho bruxo soltou um suspiro quase de lamento, fechando os olhos por um instante. Se sentia, realmente, exausto por conta da maldição que o acometeu, junto à poção que tivera de tomar para pegar a horcrux... aquela conjunção de fatores, o debilitava ainda mais, Conversaram mais um pouco, e o jovem loiro respondeu que aberta a passagem, ele se retirou da Sala Precisa e deixou que fossem sem qualquer aviso até lá, o esclarecimento durou até a chegada dos Comensais da Morte e Greyback.
- Draco, embora eu veja a sinceridade desesperada do seu gesto, você sabe que não é e nunca foi preparado para isto. Há alguns anos, conheci um menino que fez todas as escolhas erradas. Creio que ele, assim como eu, não gostaria que também seguisse esse caminho. Por favor, me deixe ajudá-lo - disse com um semblante sereno.
- Eu não quero o seu auxílio! O senhor não entende, tenho que fazer isso... não aguento mais ver a minha mãe sofrendo naquele lugar sombrio, não quero que o meu padrinho seja mais uma vez julgado... - confessava com uma voz dolorosa de choro.
Malfoy, entrou logo após Bellatrix, mas não esperava que encontraria o filho na Torre de Astronomia no último momento, tampouco, imaginava quais os motivos o levaram a tomar aquela atitude.
- Dracolino, quanto tempo, meu amado e belo sobrinho! O que faz aqui? Se veio para nos ajudar, lembrou que tem família... mate-o ou se afaste, para um de nós… - pressiona Bella.
- Boa noite, Bellatrix... quanto tempo. Creio que seria educado de sua parte fazer as devidas apresentações de quem trouxe como convidados para a nossa festa - disse o diretor tentando tirar o foco da atenção de cima do bruxo jovem de cabelos loiros.
- Adoraria... mas, acredito que lembre o quanto eu não fui tão bem educada e com esse horário apertado, fica difícil tentar manter a etiqueta - riu debochadamente, se posicionando atrás de Draco e repetindo aos sussurros:
- Faça! - mas, percebendo que ele hesitava, gritou:
- Mate-o, agora! Draco, você é tão covarde quanto o Severus!
Naquele exato momento a porta se escancarou, mais uma vez... por ela surgiu Snape, com a varinha já empunhada e seus olhos de ônix observando friamente toda a cena, de Dumbledore apoiado na parede aos quatro Comensais da Morte, o lobisomem enfurecido e o seu afilhado.
- Não... ele não o fará! Assim como eu não sou covarde, cadela! - ressoou a voz na torre.
- Temos um problema, Snape, o menino não parece capaz… não sabemos nem porque ele apareceu, esse canalha - disse o corpulento Amico, acompanhado da irmã Aleto, cujos olhos e varinha estavam igualmente fixos no diretor.
- O canalha é mais inteligente do que os quadrúpedes que estão diante dos meus olhos - respondeu com agressividade, que se acentuou ao escutar uma outra voz o chamando pelo nome, baixinho:
- Severus… - o som assustou Harry, embora tivesse se preparado para aquilo, mais que qualquer coisa naquela noite, a cena era apavorante. Pela primeira vez, o velho mago estava suplicando. Snape não respondeu, adiantou-se e tirou o afilhado do caminho com um empurrão.
- Já fez o suficiente, Draco. O enganou muito bem, agora saia... enquanto, vocês ainda não entenderam o que ele faz aqui? O menino planejou sozinho a farsa de se passar por alguém fiel a Dumbledore, há pouco tempo me contou a estratégia e disse que não quis se manifestar antes, porque o que mais temos aqui é gente invejosa e faladeira. Começando pelo idiota do Lucius que colocaria tudo a perder se fosse avisado – se dirigiu aos quatro Comensais da Morte que recuaram calados. Até o lobisomem pareceu se encolher... com isso, fitou o diretor por um tempo, e havia repugnância e ódio gravados nas linhas duras do seu rosto. Sentia raiva... sua vida estava desmoronando no mesmo dia em que Hermione descobriu que esperava um filho.
- Seboso, Ranhoso, sem cérebro ou músculos, sujo, maltrapilho, morto de fome e esfarrapado... quase morto pelo lobisomem e obrigado a esquecer para não prejudicar o Quarteto Fantástico da Grifinória, aquele que teve a confiança traída por aquela que se dizia amiga... típico sonserino, que se esconde no buraco quando encontra a oportunidade... covarde, indigno de confiança, sem qualquer valor, acorrentado a uma promessa... assassino, degenerado, estuprador, monstro, torturador, dissimulado... – repetia baixinho para si mesmo sentindo a ira pulsar por cada milímetro do seu sangue. Os olhos mostravam um ódio homicida, uma bomba de ressentimento, que estava prestes a explodir naquele momento. Dumbledore o ignorou, quando ele era apenas uma criança abandonada pedindo por ajuda, foi um dos responsáveis por aquele destino miserável que teve, o enganou e, agora, queria o esmagar completamente. Não admitia que ele fosse feliz, nem que fosse amado, não era diferente de Voldemort... era apenas mais um que o usara para o seu próprio benefício e o atirava novamente para uma vida desgraçada e cheia de sofrimentos.
- Severus… por favor… - Snape ergueu a varinha e apontou diretamente para o peito do velho mago, lembrando do dia em que Hermione contou a ele, perto do Lago Negro, que a havia salvo como um herói e que já o amava. Seu coração doeu por ter que deixá-la, viver na incerteza de que jamais conheceria o próprio filho e não poderia dizer o quanto sonhou com o dia em que o veria pela primeira vez. Queria fugir dali, para o lugar mais distante possível com a sua castanha e o seu bebê, mas não podia, esse direito acabara de ser roubado. Olhou rapidamente para Draco e se viu com a mesma idade dele, apavorado, lutando para fazer o que era certo... prestes a jogar a vida pela janela e se tornar marcado para sempre. Aquele menino não merecia ter o mesmo destino infeliz e foi assim que voltou os olhos para Dumbledore, tomado por um misto de dor e ira que o guiaria de volta ao seu caminho tortuoso.
- Avada Kedavra! - um jorro de luz verde disparou da ponta de sua varinha e atingiu o mago. O grito de horror de Harry jamais saiu, estava apavorado com aquela cena, nunca imaginara que seria tão forte presenciar aquele ato. Sabia o quanto custaria para a sua melhor amiga ver o marido ser tratado como um assassino frio e impiedoso... viu o quanto o outro menino estava perturbado com o que acabara de acontecer e Snape o arrastando pelo braço para sair de lá. Harry estava atordoado, se encontrava confuso entre odiar a figura do homem que falara a profecia e ter compaixão do que amava Hermione mais do que a si próprio. Como alguém capaz de venerar tanto uma pessoa, poderia ser um traidor frio? Os segundos se arrastaram, tão silenciosos, como se todos os átomos tivessem paralisados observando os acontecimentos. Tudo parecia testemunhar Dumbledore explodindo no ar sob um aspecto de caveira brilhante para, em seguida, pairar caindo lentamente de costas no grande vazio da escuridão.
Pelo corredor de acesso à Torre de Astronomia e nas proximidades da Sala Precisa, a batalha se desenrolava sem que nenhum dos membros da Ordem fosse gravemente ferido. Entretanto, Bill foi arranhado por Greyback e, Lupin acabou ajudando o ruivo, o levando para a enfermaria. Todos prosseguiram seguindo o plano ao verem os Comensais da Morte fugindo de Hogwarts... Harry conseguiu se mexer, com o fim do feitiço, e atingiu um deles, antes que escapasse de lá. Os demais, entraram no corredor e a luta com os membros da Ordem continuou ainda mais tensa. O-menino-que-sobreviveu perseguiu Snape até encontrar Hagrid brigando com os Comensais que estavam mais à frente. Parou para auxilia-lo, pois temia que o seu amigo meio gigante fosse assassinado por aqueles sádicos. Após um tempo e percebendo que o perigo maior se afastara, voltou a correr atrás do bruxo de cabelos negros, que ainda arrastava o afilhado como se fosse um boneco gigante, lançando feitiços a esmo e errando o alvo.
- Corra, Draco - gritava o empurrando para que fosse mais à frente.
Snape bloqueou cada um deles com precisão e facilidade, se virando em direção a Harry erguendo a varinha.
- O que quer, Potter? Já fez o seu teatro, não me encha o saco! - disse dando às costas e o menino lançou contra ele um feitiço. Ao impedi-lo, derrubando antes que ele pudesse completar qualquer maldição.
- Cruc... - berrou Harry, mirando no vulto iluminado pelas chamas, mas o bruxo de cabelos negros tornou a obstruir a sua investida, começando a rir desdenhoso.
- Potter, as suas Maldições Imperdoáveis, não me atingem! Não sei porque caralho está fazendo isso... quer lutar logo comigo? - gritou ele, sobrepondo-se ao ruído das chamas e continuou:
- Você é tão bosta quanto o seu pai, menino burro! Não tem coragem e nem habilidade, é fraco e tolo... qual o seu problema? - esbravejou.
- Traidor... você traiu a minha mãe, contou tudo a Voldemort! Incarc... - urrou, mas Snape desviou o feitiço com um gesto quase indolente.
- Não traí ela... quem o fez foi chamado de amigo! Lillian não era mais nada minha quando aconteceu, mas ainda tentei evitar... Dumbledore era mais poderoso e não fez nada, admita! - esbravejou se virando para ir embora.
- Revide! Revide, seu covarde... - gritou o menino.
- Você me chamou do quê, seu merdinha? Seu santo pai, aquele porco, nunca me atacava sozinho... sempre tomava coragem quando eram três ou quatro contra um. Que nome você daria a ele, idiota? - bufava, sentindo um ódio crescente dentro de si.
- Stupe... - fez mais uma tentativa.
- Bloqueado outra vez e mais outra... até aprender a manter a boca e a mente fechadas, Potter - debochou, desviando mais um feitiço. Se virou para os Comensais e começou a ordenar:
- Agora venham! Está na hora de ir, antes que o Ministério apareça.
- Impedi... - Harry buscou uma última alternativa. Não conseguia admitir que aquele homem era amado, quando era responsável por ter lhe tirado tudo. Antes que pudesse concluir, sentiu uma dor excruciante cortando o seu corpo. Caiu no gramado se debatendo, ouvia alguém gritar e sabia que, certamente, morreria de tormento. Todos estavam errados, Hermione só podia estar cega... Snape o mataria ali mesmo, após torturá-lo... Sirius havia avisado que ele era só um Comensal da Morte imundo, pensava furiosamente, enquanto sentia o seu corpo se partindo em várias partes. Bellatrix ria compulsivamente, ao mesmo tempo em que mantinha a sua varinha apontada para o menino.
- Não! Você esqueceu as suas ordens?! Potter pertence ao Lorde das Trevas... agora vá! - urrou o bruxo de olhos de ônix, a empurrando para longe. Harry ficou enroscado no gramado escuro, apertando a varinha contra o peito, completamente ofegante e tonto. Viu um vulto indo em direção aos portões da escola, outro encaminhava-se para se aproximar. Em um impulso, bradou com raiva. Nada mais importava, não queria pensar se morreria ou viveria... se colocou de pé, com um esforço descomunal e cambaleou às cegas em direção a Snape, que sacudia a cabeça em negação vendo mais um ataque insano por parte do garoto.
- Sectum... - gritou. Com um aceno de varinha, o feitiço foi repelido e o bruxo mais velho não ria mais desdenhoso e, tampouco, debochava. Estava enfurecido e o seu olhar era assassino...
- Não, Potter - vociferou Snape. Houve um momento de completo silêncio entre aquelas palavras e o estampido que jogou Harry para trás, fazendo-o perder a varinha. O bruxo olhou para o menino jogado no chão com um olhar de repulsa, quando começou a falar com a voz mais calma e perigosa possível:
- Você se atreve a usar os meus feitiços contra mim, Potter? Fui eu quem os inventei! Sim, sou o Príncipe Mestiço... e você ousa virar as minhas invenções contra mim, como o imbecil do seu pai, não é? Eu acho que não... não! Não pense, idiota, que eu não tenho coragem de matar você aqui mesmo, pelo fato de que é amigo da Hermione!
- Me mate, então! Covarde... - ofegou, enquanto lutava para recuperar a varinha. Snape lançou contra ela um feitiço que a jogou para longe e desapareceu de vista.
- Não... não me chame de covarde! - gritou e seu rosto ficou inesperadamente alucinado, desumano, como se sentisse uma dor que lhe rasgava aos pedaços. Golpeando o ar, fez com que Harry sentisse uma espécie de chicotada em brasa o atingindo no rosto e voltou a ser atirado no chão. Manchas luminosas explodiram diante de seus olhos quase o cegando e, por um instante, todo o ar parecia ter desaparecido do seu entorno, como se tudo estivesse conspirando para assassiná-lo ali. Então, viu Snape lhe dando as costas e ouviu a voz dele, alta o suficiente para que se mantivesse audível:
- Fale à Hermione que eu a amo mais do que a minha própria vida... e eu compreendo a sua raiva, Potter! Embora queira quebrar todo os seus ossos com as minhas próprias mãos, espero que acredite no que vou dizer... jamais teria contado ao Lorde das Trevas a profecia, se soubesse que isso mataria Lillian. Posso ser um monstro, mas nunca trairia alguém que eu amei na minha infância e que foi a minha única amiga durante anos. Mesmo que, eu saiba que é, inegavelmente, filho de sua mãe... se um dia conseguir, me perdoe pelas coisas que fiz e insinuei contra você.
Harry se ergueu atordoado, em verdadeiro estado de choque, com aquilo que acabara de ver e ouvir. Não sabia que Snape tinha sido apaixonado por sua mãe quando jovem, ele tivera coragem de matar Dumbledore e não demonstrar remorso... o que quisera enfatizar quando falou que ele era "inegavelmente, filho de sua mãe"? Aquilo tudo era loucura... Com esses pensamentos auxiliou Hagrid e seguiu acompanhado por ele para a escola. Assim, prosseguiu com o plano alardeando para todos que o mestre em Poções havia assassinado cruelmente o diretor. Os alunos rodeavam o corpo do velho bruxo... a Horcrux era falsa, não sendo o medalhão original de Salazar Slytherin... no entanto, com ele estava um bilhete que dizia:
- Ao Lorde das Trevas, eu sei que eu estarei morto muito antes de você ler isso, mas eu queria que você soubesse que fui eu que descobri o seu segredo. Eu roubei o horcrux de verdade e vou destruí-lo assim que eu puder. Eu encaro a morte na esperança de que quando você encontrar um adversário à altura, você será mortal novamente. R.A.B.
Terminada a leitura e sem compreender de quem era aquela assinatura, rumou para a enfermaria, onde os Weasley, Lupin, Nymphadora, Fleur e Shacklebolt se encontravam, junto a Neville, Cho, Angelina e Dino Thomas, que participaram da batalha. Todos estavam vivos, mesmo que apresentassem alguns ferimentos. Quem se encontrava em um estado mais grave, era Bill, que por ter sido atacado por um lobisomem, poderia reter alguns dos sintomas lupinos, os quais ninguém sabia ao certo quais seriam. Harry avisou que Dumbledore estava morto e todos, mesmo sabendo que aconteceria naquela noite, ficaram extremamente abalados. Ele sentiu a falta do padrinho ali, queria ter a presença de Sirius naquele momento para conseguir um abraço fraternal que lhe desse algum conforto... entretanto, ele não estava lá e não dera qualquer aviso dos motivos que o fizeram não comparecer no confronto. Harry, então, relatou como ocorreram os fatos, e, Fawkes começou a cantar uma música extremamente triste, deixando-os ainda mais arrasados.
Após algumas horas, Mcgonagall assumiu como a nova diretora de Hogwarts e, com a chegada do Ministério da Magia, ela com os demais professores decidira manter a escola aberta no ano seguinte. Nos dias seguintes, com a continuidade dos alunos no castelo, e, o retorno de Hermione, Ginny e Luna, para o velório de Dumbledore, o menino que sobreviveu refletiu a respeito das demais Horcruxes que deveria encontrar: o verdadeiro medalhão de Slytherin, a taça de Hufflepuff, a cobra Nagini e alguma relíquia de Gryffindor ou Ravenclaw. Finalmente era chegado o dia do enterro. Harry, Gina, Hermione e Ronny estavam arrasados, assim como todos os ali presentes e aqueles que não poderiam comparecer por motivos óbvios. Ele contou à ruiva que Draco estava na Torre de Astronomia e ajudou Snape, indiretamente, a cumprir a tarefa. Ela respondeu ao amigo, que esperava que ele fizesse isso, e tinha absoluta certeza de que seu noivo jamais abandonaria o padrinho em uma situação como aquela.
Harry se afastou e disse aos amigos que, mesmo que Hogwarts seguisse funcionando, não retornaria para o último ano de estudos. Aproveitando o minuto que teve sozinho com Hermione, relatou a ela detalhadamente tudo o que o bruxo de olhos de ônix falou a ele naquela noite. A castanha abraçou o amigo e chorou... pela morte de Dumbledore e, principalmente, pela incerteza de que um dia voltaria a ver o marido novamente.
