Feliz Natal meu povo! Espero que o fim do Hiatus de A Lenda da Lua seja um presente que vocês gostem :)

Juro que não pretendia ficar tanto tempo sem postar! Eu ainda quero manter a promessa de terminar essa fic. A verdade é que tenho escrito outras histórias, em outros fandons, mas a inspiração para Twilight não estava vindo de jeito nenhum. Finalmente ela deu o ar da graça e eu consegui escrever esse capítulo. Espero que gostem!

Recapitulando:

James e companhia atacam a escola sem se importar com a presença dos policiais federais e nem dos jornalistas que transmitiam ao vivo a caça ao Serial Killer na pequena cidade de Forks. Com a chegada heroica e surpreendente dos soberanos da Lua, James é morto pela flecha de fogo azul atirada pela mãe de Bella.

''- Você Bella, eles acham que você é Caos! A grande destruidora! E eu acho que eles estão certos! Eu acho que todo esse seu poder é o poder de Caos. Um poder que espanta até mesmo sua família. Eu vou adorar fazê-la se juntar a mim. Junte-se a mim, Caos!"

"- Minha filha não é a reencarnação de Caos... Eu sou."

Ainda refém de Victória, Bella tem suas memórias trazidas a tona pelo estalar de dedos de seu pai.

''- Bella? É hora de se lembrar.''

A princesa da Lua finalmente está despertando e somos levados ao passado durante o crescimento de Bella em meio ao crescente descontentamento da população lunar que acredita que o nascimento de uma segunda criança é uma maldição que levará a Lua ao seu fim. Isolada do mundo a menina clama por liberdade e encontra em Alessia, uma exuberante Guarda Real, uma cúmplice em suas escapadelas do castelo. Um habito fadado a sair pela culatra...

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Capítulo 38. Toda História tem um Início P3

PDV Narrador

A princesa tinha 12 anos quando escutou pela primeira vez o veneno ser destilado a respeito dela e sua família. Alessia que estava bem ao seu lado a fitou com preocupação, mas Bella se manteve firme e sequer derrubou uma lágrima. Pelo menos não na frente daquelas pessoas. Aquilo era muito mais difícil do que pensava. Mas sabia que retrucar e brigar só lhe traria problemas. E ela não estava disposta a perder toda a liberdade que tinha ao sair junto a guerreira.

Com o passar dos anos Bella foi conhecendo vilas e vilarejos da Lua, sempre acompanhada de sua fiel escudeira e cúmplice. Na maioria das vezes conseguiu fazer algum tipo de amizade com algum morador. É claro que o fato dela ainda ser uma criança praticamente a colocava numa redoma cheia de afeto dos lunares mais velhos. A maldição do ventre feminino fazia com que os adultos, principalmente aqueles com mais de 3 séculos, a tratassem de maneira quase como se ela pertencesse às suas próprias famílias. Ela não conseguia compreender porque o fato dela ser uma segunda criança mudava tal visão.

Aos 18 anos já não tinha mais a vantagem do corpo pequeno e jovem. Em tal idade ela já era vista na faixa do primeiro século e isso já a colocava adulta suficiente para as conversas mais ofensivas, principalmente em relação a sua família e o modo com que governavam. Ela aprendeu rápido que não importava as boas intensões ou as impossíveis decisões que seus pais tinham que tomar, sempre haveria pessoas insatisfeitas. Algumas mais sutis outras nem tanto. E como ela acompanhava uma uniformizada guerreira pertencente a Guarda Real não eram poucas as vezes que tais pessoas descontentes as usavam como alvo de ofensas. A língua afiada de Alessia também não ajudava a deixá-las fora de confusão e por vezes tiveram que duelar e, como Alessia costumava dizer, esfregar as línguas venenosas no chão. Era praticamente um milagre que seus pais ainda não tivessem descoberto sobre suas escapadelas, mesmo com seu irmão encobrindo sua rebeldice.

A sorte mudou quando ela alcançou os 20 anos.

Ainda não tinha amanhecido quando o conselheiro Maximiliano adentrou o castelo as pressas para avisar seus governantes do ataque rebelde que acontecia naquele exato momento. O Posto de Mensagens da Lua estava em chamas e os trabalhadores do turno da madrugada estavam presos no prédio. As equipes de resgate não conseguiam chegar perto, pois a luta entre rebeldes e guardas não lhes permitia passar. Arthur, Anita e Dan dispararam para fora do castelo junto ao conselheiro. Não levaram mais do que 10 minutos para chegar ao local e o que encontraram foi uma desordem muito maior do que imaginavam que iriam encontrar. Foram necessários poucos segundos para analisarem a situação e decidirem pelo melhor plano de ação.

Maximiliano imediatamente correu ajudar sua companheira que lutava contra 8 oponentes. Daniel e Arthur se juntaram a Guarda Real enquanto Anna subia aos céus pronta para trazer a tempestade abaixo e apagar o fogo no prédio.

Os rebeldes notaram que estavam condenados no momento em que a espada de Rei Arthur brilhou com as potentes chamas laranjadas, chamas tão fortes que pareciam ignorar a chuva torrencial provocada pela rainha. O rugido irado indicava o descendente dos justos tomado por seus extintos. Corpos começaram a cair sem vida ao chão e os Guerreiros da Guarda Real foram pouco a pouco parando de lutar, não apenas pela falta de oponentes, mas também pelo choque de realidade do poder inescusável e horrorizante de seu soberano. O sangue rapidamente espalhou-se pelo chão terroso e misturou-se com a água da chuva suavizando o cheiro aterrador da pena imposta pela espada dos justos.

Pouquíssimos foram aqueles que testemunharam o verdadeiro poder de um elementar nos últimos séculos. Os mais jovens finalmente compreenderam porque ao mesmo tempo que a descendência justa era respeitada também era temida.

Ao ver tantos guerreiros e guerreiras parados apenas observando a ação de seu marido Anita desceu dos céus em um rasante bem a frente do grupo. Os olhos azuis pareciam brilhar na hora mais sombria da noite.

- O que estão fazendo parados?! - rugiu. - Temos que resgatar os trabalhadores do Posto de Mensagens!

Sem esperar uma resposta Anita deu as costas aos guerreiros e disparou estudar o melhor jeito de retirar os sobreviventes do prédio sem que a estrutura desabasse sobre eles.

Saindo do estupor chocado o comandante daquele grupo da Guarda começou a gritar ordens e logo as equipes de resgate foram organizadas. O trabalho mais difícil finalmente tinha começado e nenhum membro da família real sairia dali enquanto não tivesse certeza de que todos sobreviventes estivessem encaminhados para tratamento.

- Precisamos pensar em como faremos sem o posto... É um dos órgãos mais importantes da Lua. - comentou o conselheiro para ninguém em particular.

Daniel franziu o cenho ao escutar tais palavras, até então estava focado em como resgataria as pessoas. Porém o comentário de Maximiliano o fez se lembrar de que como governante ele nunca poderia pensar apenas no presente, antes de executar um comando era preciso pensar nas consequências imediatas e futuras. De repente se sentiu sufocado com a responsabilidade. Estava tão focado no resgate que sequer pensou o porquê dos Rebeldes terem atacado justamente tal lugar e o que resultaria no futuro próximo. Eles simplesmente tinham acabado com a principal estrutura de comunicação da Lua. E uma falha na comunicação poderia resultar na falha na defesa contra um ataque mais agudo.

- Theodore! - chamou rei Arthur.

O homem que fitava desolado a estrutura em cinzas voltou sua atenção para seu soberano. O rei deixou que sua expressão suavizasse. O Posto de Mensagens era comandando pelo lunar desde sua criação, era algo que ele cuidava com toda a dedicação e cuidado. E agora o trabalho de uma vida estava destruído diante de seus olhos.

- Theo, eu preciso que você organize os mensageiros, todas as vilas devem ser avisadas do que aconteceu hoje. As mensagens da semana devem ser reenviadas sem custo ao povo. Por enquanto as equipes devem se reunir no castelo, o trabalho será feito provisoriamente no salão principal até reconstruirmos o Posto de Mensagens.

O jovem príncipe absorveu as palavras de seu pai com admiração. Enquanto ele estava a ponto de entrar em desespero sem saber como resolver o problema em questão. Seu pai calmamente apontava a solução e tranquilizava seus súditos.

O trabalho de resgate dos feridos e identificação dos mortos foi longo e indigésto. Mas os lunares trabalharam com dedicação para tentar amenizar tamanha tragédia. O dia estava claro quando a rainha aproximou-se de seu filho.

- Dan? - ela tinha a expressão preocupada. - Volte para o castelo. Estou com um pressentimento ruim.

Com o cenho franzido o jovem assentiu sem discutir. Aprendeu há muito tempo a não ignorar os pressentimentos de sua mãe.

Daniel correu para casa, tudo parecia tranquilo e dentro da normalidade. Pelo menos até ele ir atrás de sua irmã e não encontrá-la. Sentindo seu sangue gelar ele começou a vasculhar cada cômodo do castelo. De nada adiantou. Ela não estava em nenhum lugar. Ninguém a tinha visto.

Com o corpo trêmulo ele foi atrás de Alessia. Rezou com todas as suas forças para que Bella estivesse com a guerreira. Mas quando se viu de volta no meio do caos que ocorrera na madruga e Alessia ajudando na retirada de entulhos, soube que o ataque rebelde tinha sido muito maior do que destruir as comunicações da Lua.

- Alessia! - chamou já correndo até ela.

- Meu príncipe. - cumprimentou com uma leve reverência ignorada por Daniel que já a arrastava para longe de ouvidos curiosos. - O que foi?

- Onde está minha irmã?

- Ela não está no castelo? - Alessia sentiu a cor fugir de seu rosto. Havia combinado com a princesa de explorar o leste, mas com o chamado urgente da madrugada acabou esquecendo completamente do compromisso... Mas Bella não sairia sozinha. Ela sabia que não podia sair sozinha... Ela...

- Vamos. - ordenou já abrindo suas asas em direção ao castelo e então seguiram para o leste imaginando que Bella havia tomado a estúpida coragem de passear sem sua escolta.

- Daniel... - murmurou a guerreira tremulamente. Ela havia avistado sinais de luta um pouco mais adiante da saída leste. A terra remexida, árvores quebradas e o pior... Sangue.

- Nós temos que informar meus pais. - murmurou tão pálido quanto a guerreira ao seu lado, pois havia reconhecido o cheiro de sua irmãzinha.

Os rebeldes não só atacaram um órgão importante e colocaram pânico na população. Eles também deslocaram parte da Guarda na ação para proteger e resgatar inocentes. E com isso fragilizaram a segurança do castelo e usaram a vantagem de uma ingênua princesa para sequestra-la.

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Um grito assustado saiu dos lábios de Bella ao ser acordada com o jato de água fria. Seu corpo estava pendurado pelos pulsos. Estava em um lugar escuro e com cheiro sufocante. Seu coração batia forte tentando se situar e compreender o que tinha acontecido. Lembrava-se de ter cansado de esperar por Alessia e resolvido seguir sem ela. Ela não iria muito longe, ficaria perto das fronteiras do castelo, porém não esperava que sua peraltice a colocaria em tamanho problema. Não havia caminhado muito para longe quando sentiu uma dor forte em sua nuca e tudo ficar preto. Agora acordava num lugar desconhecido com a presença de alguém perigoso.

- Bom dia, princesa. - a voz do homem era mansa e bonita.

Vampiro?

- O que você quer? - demandou corajosamente, mesmo que sentisse cada célula de seu corpo tremer de medo.

- Oh... Eu quero muitas coisas... - cantarolou, seus dedos traçando suavemente a pele exposta dos braços de Bella.

- Fique longe de mim! - exigiu balançando seu corpo para longe do homem.

- Não fique tão irritada, princesa... Eu estou apenas cumprindo minhas ordens. Fui contratado para capturá-la, mas confesso que estou a ponto de desistir do trabalho. - confessou suavemente. Ela estremeceu ao sentir o vampiro se aproximar perigosamente de seu corpo. Seu estômago embrulhou quando a língua dele deslizou lentamente por toda extensão de seu pescoço. - Seu cheiro... Mia cantante...

- James? - uma porta de repente se abriu e Bella conseguiu avistar uma mulher belíssima de cabelos vermelhos parada no batente da porta.

Ela tinha um sorriso malicioso nos lábios enquanto fitava o loiro que ameaçava enfiar seus dentes na jugular da lunar.

- O que foi, meu amor? - perguntou ainda com a boca contra o pescoço da princesa, agora suas mãos serpenteavam pelo corpo dela.

Bella sentiu as lágrimas se acumularem em seus olhos enquanto tentava se desvencilhar do homem.

- Poderemos nos divertir com a princesinha mais tarde, Bryce quer falar conosco agora.

James suspirou e se afastou do pescoço da lunar antes de fitá-la diretamente nos olhos. Bella se assustou por ver as íris azuis. Ela sabia muito bem o que aquilo significava.

- Tão estraga prazeres... - resmungou com um sorriso fácil nos lábios enquanto capturava as lágrimas da lunar com os dedos e então as saboreava como se fossem algum manjar. - Eu voltarei logo. - prometeu lhe mandando uma piscadela e então saiu do quarto junto a vampira.

Bella deixou o soluço sair de seus lábios. Estava apavorada. Precisava fugir do lugar, mas não conseguia se soltar das amarras em seu pulso. Se acalme, se acalme... cantarolou em sua mente como um mantra. Respirando fundo controlou os tremores de seu corpo e colocou sua cabeça para pensar. Lembrou-se do treinamento que sua família e Alessia lhe deram. Lembrou-se das lições e das broncas que levou nos últimos anos. Engolindo seu medo ela respirou fundo e tomou coragem. Ela precisava sair dali.

Impulsionando seu corpo ela fez com que seus calcanhares se enrolassem na corda deixando seu corpo de ponta cabeça. Com seus caninos afiados ela tratou de se livrar da corda em seus pulsos e então com um baque surdo ela estava agachada ao chão, livre de amarras.

Se concentrou em sua audição e captou o movimento de duas pessoas do lado de fora. Pela força de suas passadas, eles não era vampiros. Com o desespero ainda impulsionando as fortes batidas do seu coração, Bella simplesmente abriu seu arco de chamas azuis e lançou uma flecha de igual cor em direção a porta. Sem perder tempo ela disparou para a liberdade. Com um forte bater de asas ela rodopiou entre as árvores sem pensar para onde estava indo.

A esperança de que não iria ser perseguida logo desapareceu quando os ataques vieram poderosos. Olhando rapidamente para trás notou que eram dois lunares de olhos vermelhos como sangue. O ataque veio invisível com o vento tomando formas de lâminas de ar e ferindo gravemente suas asas. Bella sentiu o corpo bater no chão, seu ombro direito batendo com tanta força contra uma pedra que escutou o estalo de seus ossos se deslocando.

Ignorando a dor ela forçou o corpo a desviar de um punho vindo diretamente em seu rosto. Seu movimento foi rápido para escapar do soco, mas não rápido para escapar da espada que o outro lunar empunhava. Ela rugiu de dor ao sentir o metal abrir um corte fundo na lateral de seu corpo. Sentiu a lâmina riscar pelo menos três de suas costelas.

- Pare de lutar, princesa, só vai acabar se machucando. - afirmou um dos lunares de maneira maliciosa.

Com sua mão direita segurando sua ferida, Bella sentiu o desespero crescer ainda mais e então algo fora de seu controle aconteceu. Um poder que parecia tão pequenino no centro de seu corpo começou a crescer e crescer até que explodiu em uma rajada de vento que jogou seus dois perseguidores para longe.

Fuja ouviu a si mesma e então agiu. Mesmo com suas asas feridas ela as impulsionou a força máxima. Sequer prestou atenção para onde estava indo. Seus olhos estavam embaçados pela dor e medo. Seguiu seus extintos mais primordiais. Precisava sobreviver. Então sequer notou onde estava. Sequer notou que chegava aos campos proibidos. Sequer notou quando seu corpo atravessava um portal. Quando percebeu a mudança brusca de ambiente não teve tempo para desviar completamente da árvore que aparecia bem a sua frente. Sua asa direita bateu com força contra o tronco e seu corpo caiu diretamente contra o chão.

Ela estava esgotada e a dor era tão grande que seu cérebro começava a desligar. Antes que tudo ficasse preto ela ainda pode observar pernas se aproximando dela e escutou uma voz que tranquilizou seu coração, mesmo que ela nunca o tivesse escutado antes.

- Carlisle! Ela está ferida!

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O capítulo não está grande como eu gostaria, mas pelo menos dá um gostinho depois de tanto tempo sem postar nada. No próximo capítulo vou finalizar as lembranças do passado e então voltamos para a atualidade. Não vou prometer data para postagem, mas tentarei entre final de janeiro e começo de fevereiro.

Desejo a todos um excelente fim de ano e que o ano que vem seja repleto de realizações. E se tudo der certo será um ano com capítulos novos tanto aqui nessa fic quanto novas fics que tenho escrito em paralelo.

Um beijo a todos :*