Preparados para o último capítulo? Vamos lá!
Quando chegaram à Quinta ambos estavam cansados, mas não pouparam um pouco de energia para acariciar o Jack. Ainda era relativamente cedo quando voltaram do jardim e depois de alguns doces que a Rose tinha preparado para eles, ambos subiram para um banho quente e merecido. Partilharam o chuveiro e limparam-se do suor do caminho. O Ezra tratou das feridas dela e depois disso cada um ocupou o seu roupeiro, ou melhor, sala de vestir.
A Aria não solicitou a ajuda de nenhuma empregada, secou o cabelo e prendeu-o como casualmente fazia e então vestiu um vestido azul claro, volumoso e com algumas aplicações florais na cintura. Ela achou-se adorável ao espelho e depois de um pouco de brilho nos lábios e uma leve maquilhagem de olhos voltou ao quarto que partilhava com o Ezra.
Ele estava sentado na cama, o cabelo ainda ligeiramente húmido e um papel nas mãos. Ela aproximou-se dele. "O que se passa?" Ela perguntou percebendo alguma tensão nas suas feições.
"Os meus pais." Ele deixou o papel de lado e puxou-a para se sentar no seu colo.
"Nunca são boas notícias." Ela diz já um pouco abatida por ser empurrada fora da sua bolha de felicidade.
"Eles vêm esta noite." Ele diz. "Eu convivei-os para virem aqui jantar connosco e os teus pais."
"Porque os convidaste?" Ela pergunta, num tom neutro.
"Eles foram ao casamento e não foram desagradáveis. Penso que foi um momento de tréguas. São meus pais no final de tudo."
Ela concordou. "Eu percebo." Ela penteou o seu cabelo molhado com os dedos. "Se eles forem desagradáveis podemos expulsá-los porque estamos na nossa casa." Ela diz com um sorriso vencedor.
"Podemos sim senhora." Ele sorri para ela.
"O que vamos fazer agora?" Ela pergunta.
"Hum… o que quiseres, mas talvez seja melhor eu ir falar com o teu pai sobre os novos empregados."
Ela concorda. "Avisa-o sobre os teus pais. Eu vou ver a Rose, deve estar na cozinha. É melhor avisar."
A família estava reunida à mesa. Era muito estranho ter os pais sentados na mesma mesa todos juntos. Os pais da Aria faziam o melhor que podiam para manter uma aparecia aceitável, mesmo que humilde já os pais do Ezra não eram nada para além da perfeição. Roupas de seda selvagem imaculada, cabelo meticulosamente penteados, jóias um pouco extravagantes e olhares afiados. Se alguém assistisse à cena pensaria que era uma piada, uma encenação estranha sobre diferenças sociais. O pior é que o casal recém-casado não tinha a certeza se aquilo era planeado para provar algo ou não.
"Fiquei surpreso por aceitarem o convite." Comenta o Ezra entre um copo de vinho.
A Aria comportou-se como uma perfeita senhora de família que ela agora era. Olhou para os pais dele e esperou algum tipo de comentário desagradável que pudesse surgir. Ninguém a poderia abalar, ela estava na sua casa e no próprio dia do seu casamento. Depois da tarde especial com o Ezra e de tudo o resto ela sentia-se a 100%, mesmo estando no final do dia.
"Nós pensámos bem sobre tudo. A saída da corte não é assim tão brusca e sabemos que ainda tens alguns trabalhos pendentes para o rei." O pai dele diz.
A Aria olha para o Ezra. Ele falou-lhe que o trabalho estava a diminuir gradualmente, mas nunca falou das tarefas que ainda tinha de executar.
"Principalmente as viagens." Ele acrescenta.
A Aria parou de comer e olhou para o homem mais velho e depois para o Ezra. "Viagens querido?" Ele não lhe falou em se ausentar para viajar pelo Rei.
"Oh… pensava que partilhavam tudo." Diz a mãe dele percebendo a confusão da Aria. "O Ezra foi destacado para fazer alguns favores na Europa." Ela diz com um sorriso venenoso.
"Vais?" A Aria pergunta.
"Claro que ele vai… ordem do Rei!" Diz o pai dele.
Ela olha novamente para o Ezra à espera de uma explicação. "Eu ia contar-te."
"Quando?" O tom dela foi baixo e calmo. Ela ainda estava a processar.
"Esta noite! Era uma surpresa… eu conseguir duas passagens. Vai ser uma viagem de negócios, mas com muito tempo para estar contigo. Eu queria levar-te a um lugar diferente cada dia como uma lua-de-mel perfeita pela Europa."
Um sorriso começou a crescer no seu rosto. "A sério?" Ela pergunta.
Ele concordou. "Eu vou ter de ir, mas não quero ir sem ti. Muito menos agora."
"Como assim? Quando temos de ir?"
"Amanhã! As empregadas já trataram de tudo e já falei com os teus pais."
Ela olhou para os pais. "Vocês sabiam?"
Eles concordaram.
"Eu ainda não posso acreditar." Ela estava particularmente feliz, mas agora que ela sabia que ia passear pelo mundo com o seu marido sentia-se invencível. Ela voltou à sua comida, mas antes disso lançou um sorriso vencedor à sogra. O Ezra aproximou-se e beijou-lhe a cabeça. "Estou tão contente." Ela sorri para ele de volta. E ele sorri para ela de igual modo.
"Os assuntos que tenho pendentes com o Rei estão encaminhados." Diz o Ezra. "De qualquer forma ele sabe que sou um homem de família com uma Quinta a cargo para gerir. Não serei assíduo no reino. Mesmo assim a Quinta não é interesse só meu, mas também do reino."
"É uma propriedade familiar. Nós podíamos fazer um negócio, como intermediários. Transportes e venda para o reino dos produtos aqui produzidos."
"O que querem em troca?"
"50% das vendas."
"Fora de questão… 50%? Por transportar e vender? A parte fácil?" Diz o Ezra e riu. "O rei já me compra grande parte então não seria um problema."
"30% já seria um valor aceitável?" O pai pergunta-lhe.
"Nem que fosse de graça." O Ezra diz.
"Ingrato!" O pai dele cospe.
"Ingrato?" O Ezra ri. "Você vem a minha casa insultar-me com uma proposta desonesta e eu sou ingrato? Qual é objectivo? Não pode ser apenas o dinheiro, vocês têm muito. O que é?" O Ezra pergunta.
Um silêncio estranho dominou a sala.
"Vocês não querem o Ezra na corte?" A Aria pergunta.
"Que disparate!" A mãe dele dispara.
"Talvez até faça sentido!" Diz o Ezra. "Sem mim na corte, vocês podem fazer o que quiserem com a mercadoria. Talvez desviem lucro… talvez não o levem ao Rei… quem sabe…? Querem que as pessoas me levem ao esquecimento?"
O silêncio continuou.
"Se não queres a proposta tudo bem. Podemos falar disso noutra altura, mas não precisas de nos enxovalhar como se fossemos dessa escumalha que anda por aí." O pai dele diz. "O Rei apenas nos sugeriu manter o negócio em família… apenas isso."
"O negócio já está em família e em muito boas mãos, obrigado." Diz o Ezra.
"Muito bem!" Diz o pai dele e não se falou mais no assunto.
"Finalmente! Já não me sentia bem nem na minha própria casa." Ele diz entrado no quarto com a Aria atrás. Ela fechou a porta e acompanhou-o para o interior. Ele não se incomodou e começou a tirar a roupa mesmo ali. Ele continuou a falar sobre os pais enquanto ia à sala de vestir dele provavelmente para encontrar umas calças de flanela para dormir se bem ela o conhecia.
"Felizmente, não foi tão mau como imaginei. Mas não vamos pensar mais nisso." Ela diz.
Quando ele voltou olhou para ela. "Precisas de ajuda para tirar o vestido? Que rude da minha parte." Ele quase correu para trás dela para a ajudar com o fecho.
"Não, não!" Ela afastou-se. "Eu tenho uma surpresa para ti, mas não sei o que fazer."
"Vais contar-me?" Ele pergunta.
"É uma coisa que tens de ver, mas este jantar estragou os meus planos."
"São os meus pais, desculpa."
"Eu esperava ter uma noite a sós contigo. Um jantar… noite de núpcias." Ela morde o lábio.
"Bem… ainda estamos a tempo da segunda parte." Ele rouba-lhe um beijo. "Mas depois da nossa tarde não estás cansada?" Ele pergunta.
"Um pouco, mas ainda assim podes só ver." Ela pisca o olho para ele.
"Parece-me bem." Ele diz.
Deixando-a partir para o quarto de vestir. Ele aproveitou o momento para se desfazer finalmente das calças, já que a camisa já estava desabotoada. Foi para o seu armário deixou a roupa usada e voltou com umas calças de flanela e uma t-shirt. Ele estava descontraído e foi isso que o levou a colocar uma música calma e agradável no sistema de som do quarto. Enquanto ele encontrava a melhor lista de música a Aria entrou na sala e ele olhou para trás. Ele ficou sem palavras, ele parecia um maltrapilho de pijama e ela uma poderosa mulher. Ele perdeu-se na sensualidade que ela emanava.
"Wow! Se era para jantar contigo assim tenho a certeza de que o nosso jantar seria um pouco diferente." Ele comenta quase numa provocação. Ela aproximou-se dele sem pressa e com um sorriso e olhar sedutor. Ela empurrou-o lentamente para a cama e ele sentou-se na borda, não perdendo tempo em mergulhar a mão na sua racha do vestido. "Isto faz-me lembrar de algo." Ele diz.
"A nossa primeira vez?" Ela ronrona enquanto ele explora por baixo de todo aquele tecido branco.
"Exactamente, só um pouco mais vermelho." Ele diz.
"Era esse o objectivo. Era para ser a nossa primeira vez depois de casados, mas alguém se antecipou." Ela brincou com o nariz dele.
Ele sorri. "A segunda vez pode ser tão excitante quanto a primeira." Ele diz com sugestão e desejo.
Os apitos altos das embarcações assustaram-na, mas ao mesmo tempo animavam-na. O Ezra estava a falar com um dos responsáveis, mostrando-lhe os bilhetes e discutindo o transporte das mercadorias. Ela não conseguia deixar de ser observadora. Todos aqueles homens moviam-se tão rápido que era difícil de acompanhar. Alguns deles até lhe sorriram sugestivamente enquanto cruzavam caminho com ela, mas ela não lhes ofereceu avanço. Ela reparou na entrada de algumas pessoas claramente pobre que não estavam a embarcar na mesma porta em que eles iriam. Pessoas à procura de uma oportunidade num lugar melhor. A entrada que eles iam tomar correspondia à 1.ª classe. Uma porta que ela nunca imaginou usar. Passou pouco tempo e o Ezra já tinha tudo tratado. Finalmente aquela aventura iria começar. Ela entrou confiante seguindo o seu marido pelos estreitos corredores, um quarto foi-lhes designado pelo marujo. Era pequeno, mas ela podia lidar com isso, esteve em situações piores muito antes de conhecer o Ezra.
"O que achas?" O Ezra pergunta-lhe.
Ela olha pela pequena janela. "Tem uma bela vista para o mar. Eu nunca tinha visto o mar." Ela sorri para ele.
Ele ri. "Vais te cansar, vão ser 16 dias se tudo correr como previsto."
"É totalmente seguro, certo?"
"Sim!" Ele assegurou.
Ela olhou para dentro da pequena casa de banho. Depois abriu o pequeno armário completamente vazio e deixou a sua pequena mala de viagem lá dentro e o Ezra colocou as restantes malas igualmente no interior. "Não é o maior espaço, mas serve." Ela diz.
Os motores arrancaram, apesar de não ser um barulho muito alto ela sabia que estavam em movimento. "Agora já não temos como voltar a trás." Ele diz. "Anda comigo!" Ele pediu-lhe. Ele pegou a mão dela e levou-a para o convés superior. Levando-a para a popa, a terra estava agora atrás deles, ainda viam as pessoas a acenar no cais.
Três meses longe de casa iriam mexer com ela, mas ela também sabia que ia crescer. Ela vai abraçar o seu futuro com os dois braços sem olhar para trás. Ela sabe que sentirá falta de tudo, mas também sabe que se sentirá melhor quando voltar. Amadurecer irá trazer-lhe sabedoria e ela tem um bom mentor para a acompanhar o resto da vida, ele não parava de lhe ensinar coisas todos os dias.
Quando a terra já só era um pequeno risco no horizonte e as pessoas já não estavam mais ali para acenar de volta é que ela falou. "Podemos ir para a proa?" Ela pergunta lembrando dos nomes que o Ezra proferiu antes de embarcarem.
"Claro!" Ele levou-a.
E ali estavam eles no ponto mais próximo do seu destino. "Não é assim tão assustador, pois não?" Ele perguntou.
Ela olhou para o horizonte como se desafiasse o futuro que eles iriam alcançar.
O vento batia na sua cara e despenteava o seu cabelo, mas ela não deu um passo atrás para se abrigar. Era como se o vento e as correntes fossem as adversidades que eles ainda tinham de superar na vida.
Então algo quente pousou nos seus ombros. O casaco do Ezra. Dois braços envolveram-na protegendo-a do frio. Ela estava segura, ele sempre a acompanharia a cada passo da jornada. Ela estava preparada para o futuro. Ela sabia! "É lindo!"
FIM
Muito obrigada pela leitura e acompanhamento ao longo de todo este tempo (sem dúvida que isso me ajudou a manter activa durante todos estes anos). Mais pequenas histórias vão surgir esporadicamente como já avisei no capítulo anterior (algo sem compromissos, mas se tiverem algum ideia para essas pequenas histórias podem deixar comentário em qualquer capítulo).
Alguns últimos detalhes vão aparecer no tumblr que divulgo no meu perfil.
Beijinhos!
