Disclaimer: Twilight não me pertence, mas essa história, assim como a filha da Bella e do Edward sim. Portanto, respeitem!

Em breve responderei comentários e enviarei os extras! CALMA :)

O próximo capítulo vem depois da Oneshot Oculta dia 21/dezembro, ok? FAVORITEM NOSSO PERFIL! bit. ly/POSOffnet


Capítulo 43: Desnudado

– Acabou, Bella. Meu pai morreu.

Ele não precisou elaborar mais para eu entender que não se tratava de Carlisle Cullen.

Era Anthony Masen que estava morto.

As palavras foram despejadas de sua boca e o que restava em seu estômago também, logo em seguida. Dei-lhe espaço no chão do banheiro, fiquei apenas acarinhando suas costas. Sabia que ele necessitava do conforto do meu toque.

As lágrimas na minha garganta embolaram sem surpresa. Vê-lo daquele jeito era a pior coisa, mas tentei esconder.

– Ah, Edward... Eu sinto muito. – Meu coração doía, tantas eram as coisas que passavam pela minha mente. O que teria ocorrido de verdade para que ele chegasse nesse ponto? Eu só conseguia me concentrar em tentar ao máximo aliviar sua dor e ser o apoio que ele precisava.

– Foi hoje. Foi… – murmurou ainda fraco e não conseguiu continuar. Quando sentou-se de volta, ficamos ali por alguns minutos, até que ouvi seu suspiro. Derrotado.

– Um banho vai te fazer bem. Ainda está enjoado? Acha que vai de novo?

– Não.

– Então vou preparar a banheira. – falei suavemente. Levantando, tentei ficar majs confortável, jogando jaqueta e sapatos na sala. Liguei a torneira da banheira e despejei os sais de banho, presente meu. – Você vai se sentir melhor, a lavanda acalma. Consegue ficar de pé um instante?

Sua cabeça assentiu, porém seu corpo permaneceu imóvel. Eu não me atrevia a encarar seus olhos, temendo perder minha calculada compostura.

Sabia que se dependesse dele, ficaria no chão a noite inteira, então me abaixei, fazendo grande esforço para erguê-lo. Com o braço em meus ombros, ele cooperou na metade do caminho, e conseguimos caminhar até a banheira, um espaço pequeno. Ajudei a tirar sua única peça de roupa para que sentasse na água quente espumosa.

– Vou pegar um copo d'água e já volto, ok? – avisei.

Voltei abrindo o armarinho do banheiro à procura de algum remédio para enjoo, sem sucesso. Mas a caixa de um remédio controlado saltou aos olhos, trazendo meu nervosismo todo de volta.

Discretamente, chequei o conteúdo da caixa. Apenas dois comprimidos não estavam na fileira metálica. Fechei o armário calmamente, entreguei-lhe a água e esperei que bebesse um pouco para poder perguntar.

– Edward, me fala uma coisa... Você tomou seu remédio hoje?

– Esqueci. – Foi o que resmungou.

– Quando foi a última vez?

– Ontem. Manhã.

Não sei porque perguntei, não fazia a menor ideia do estrago que a mistura poderia fazer, afinal. E isso só piorava as coisas. Antes que eu mesma tivesse que correr para vomitar, peguei meu celular no bolso.

– Amor, você lembra que horas começou a beber aquele uísque?

Seu olhar grogue e avermelhado passou por mim por um segundo mas não permaneceu.

– Meia noite, não sei... – respondeu enrolado, puxando meu braço. – Fica aqui comigo.

– Preciso fazer uma ligação bem rápida. Mas estou aqui.

– Não. – ele tentou tirar o celular da minha mão, eu desviei. – Ninguém sabe ainda. Amanhã...

– Shh. Fica tranquilo, eu só vou perguntar a Carlisle o que posso fazer pra te ajudar a melhorar.

Liguei no número que meu sogro usava como médico, sentando na ponta da banheira atrás de Edward, envolvendo seus ombros com o braço livre. Deixei um beijo em sua cabeça. Seu suspiro entrecortado seguiu-se de um choro baixo, assim que Carlisle atendeu.

A voz afobada não parecia nada profissional, me senti mal por assustá-lo. Devia estar dormindo.

Bella? Algum problema com Claire?

– Está tudo bem, calma... Quer dizer, Edward me ligou há uma hora, eu vim até a casa dele, e... – pausei, escolhendo bem minhas palavras. – Ele vomitou bastante porque bebeu umas doses de uísque. O que eu posso fazer?

Merda. – ele xingou baixo. – Ele está consciente?

– Sim. Só meio grogue. – Fazendo um cafuné, vi que ele relaxava com meu toque, um mínimo que fosse.

Falando enrolado ou alucinando?

– Um pouco enrolado e monossilábico, mas já vi piores... Está sentado, mas já conseguiu levantar e andar. Já dei um copo d'água. Está tomando um banho agora, na banheira. – disse, antes de parar e repensar melhor essa ideia. – Droga, será que fiz mal em colocar na banheira?

Se acha que ele está mal a ponto de desmaiar, saiam. Senão, não tem problema, você está junto, basta ficar atenta. Deixe a água bem rasa, é melhor que arriscar no chuveiro. Se ele adormecer ou desmaiar, coloque-o de lado com a cabeça para baixo, isso vai evitar sufocamento caso vomite de novo. Quando foi a última dose da medicação dele?

– Estava mesmo preocupada sobre isso. – Virei-me, tentando falar mais baixo. –Disse que tomou pela última vez ontem de manhã e começou a beber por volta de meia-noite.

Bom. Isso é bom. –ouvi um pouco de alívio na sua voz.

– É?

Sim, pelo horário da última dose, a quantidade já é pequena no corpo. O álcool intensifica as ações do remédio, provavelmente ele está letárgico por isso. Mesmo assim, ele parece estar intoxicado pelo álcool, precisa se hidratar e expelir. Você sabe fazer soro caseiro?

– Sei sim.

Faça e dê aos poucos durante a próxima hora, além da água.

– Entendi. Será que é melhor levá-lo a um hospital?

Acredito que não é preciso, mas não posso afirmar… Olha, Bella, eu vou pra aí, quero avaliá-lo pessoalmente. Vocês estão onde?

– No apartamento dele. Mas Carlisle, não acho que seja uma boa ideia...

Pela reação de Edward ao me ver com o celular, eu sabia que ele não queria ver ninguém. Havia chamado só a mim por alguma razão. Entretanto, eu não sabia que desculpa inventar. Estava dividida.

Carlisle reparou meu conflito e me chamou no telefone.

Bella. De verdade, o que houve? Meu filho não é de beber assim, aconteceu alguma coisa.

Olhei para baixo, vendo sua cabeça em minha perna, o olhar distante enquanto lágrimas caíam sem esforço, como as de alguém que já havia cansado do próprio choro. Ele parecia tão frágil.

Eu não podia dizer o motivo de tudo em voz alta e correr o risco de perturbá-lo mais.

– Ok, te mantenho informado, vou mandar por mensagem. Muito obrigada. – falei qualquer coisa e desliguei antes de ouvir sua resposta, só para digitar logo a seguir, o mais veloz que pude.

[Bella]
Desculpe desligar assim.

Anthony Masen morreu, e eu não sei
como nem quando Edward ficou sabendo.
Quando me chamou, já estava assim.

Muito abalado.
Disse que ninguém mais sabia, acredito
que se referia a Esme e Alice. Por favor,
estou perdida sobre o que fazer.

[Carlisle]
Estou a caminho, entrando no carro.
Faça o que eu falei e dê o soro caseiro aos poucos.

Apesar de tudo, foi um alívio saber que ele estaria vindo. Enquanto esperava, me concentrei em ajudar Edward a tomar um banho e virar gente de novo.

Deixei que ficasse relaxando na banheira enquanto eu o limpava. O choro que eu segurava doía na minha garganta.

– Desculpa… – ouvi baixinho.

– Ahm?

– Por te fazer vir.

– Não tem porque se desculpar. Tá tudo bem.

– Eu estou podre. Isso é horrível. Desculpa.

Ele não me ouvia. Insistiu nessa auto-piedade mais algumas vezes, e por isso mesmo, "eu te amo" e "vai ficar tudo bem" saíram da minha boca, só para que ele soubesse que eu o apoiava totalmente.

Um pouco mais lúcido quando terminei, ele garantiu não ter mais enjoo, e eu o fiz escovar os dentes. Nessas horas, sentir-se limpo não era só uma questão de higiene, mas sim para seu bem-estar geral.

Em seu quarto, coloquei-o num moletom confortável. Avisei que iria fazer o soro caseiro assim que ele ajeitou-se na cama, porém sua mão me segurou. Pela primeira vez desde que cheguei, seu olhar tinha foco, embora baixo. Sua voz saiu fraca.

– Meu pai vem? Carlisle...

– Vem. Deve estar chegando.

– Estou muito ferrado?

– Não, você vai ficar bem. Ele só vai checar algumas coisas, você sabe como ele é... – sorri suavemente. – Já volto, me chame se precisar.

O Doutor da família não demorou a chegar, apesar da chuva incessante lá fora.

Quando enfim Carlisle entrou no quarto, Edward – que havia parado de chorar até então –, desabou novamente ao ver o homem que ele de fato reconhecia como pai. O abraço apertado e silencioso que trocaram foi tão íntimo, senti necessidade de deixá-los a sós.

Fiquei na sala tentando arrumar a bagunça, pensando que cada peça fora do lugar simbolizava um pouco da força de Edward que tinha esvaído nessa semana.

Ele estava indo tão bem nesses meses todos. Lembrava de quando havia recorrido a mim para apoiá-lo numa crise de ansiedade ano passado, mas jamais havia o visto assim tão mal. Tão vulnerável.

Embora assustada, respirei. Eu havia escolhido estar com ele. Isso fazia parte do homem que eu amava – a parte crua e complicada que ele preferia esconder do mundo e, infelizmente, de mim também.

As palavras de Tanya no banheiro da festa, meses atrás, ressoavam na memória, agora que conseguia entender na prática sua mensagem. "Prometa que vai não vai abandoná-lo quando ele estiver num período difícil, nem desistir... Prometa que vai fazê-lo feliz."

Não. Desistir não estava nos planos. A promessa continuava de pé, diariamente construiríamos juntos a nossa felicidade, esse conceito tão abstrato e revolucionário. Mas depois desses dias estranhos entre nós, eu sentia que ainda estava no escuro e precisava que ele confiasse em mim, de verdade, completamente.

Meu estômago ainda ardia.

Carlisle saiu do quarto meia hora depois. Fui até ele, aflita.

– Como ele está?

– Bem. O pior já passou. – Foi até a geladeira e eu o acompanhei. Pegou uma bebida isotônica que Edward tomava durante as corridas, me entregando. – Dê isso daqui a pouco, depois do soro.

– Tudo bem. O que ele teve?

– Na verdade, foi uma crise forte de ansiedade, misturado ao baque emocional e à bebida que o corpo dele não está acostumado, apesar de não ter bebido muito... Vai melhorar com a hidratação e repouso, não quero sujeitá-lo a uma ida ao hospital nesse estado emocional. Mas quero que fique em observação por aqui.

– Eu posso fazer isso, não acho que vou conseguir dormir mesmo... Posso?

– Pode sim, agradeço. Eu ficaria, mas preciso ir, tenho que trabalhar daqui a pouco.

– Ele... ele falou sobre o que aconteceu com o Anthony?

– Não. Só disse que aconteceu e como reagiu. – Carlisle exalou o ar, claramente cansado, colocando a mão sobre meu ombro. – Bella, eu sei que você conhece meu filho melhor do que eu e pode ajudar. Ele precisa de um tempo pra digerir as coisas, mas também de atenção. Eu disse que chamaria o terapeuta, mas ele recusou várias vezes, então não insisti mais. Por favor, se Edward parecer estranho e os sintomas de ansiedade ou pânico voltarem, não hesite em ligar para o Stephan.

– Pode deixar, eu vou prestar atenção.

– Vá me informando. Quando ele conseguir comer, faça algo leve, de preferência uma vitamina. E amanhã de manhã não deixe que ele perca a medicação novamente, isso foi um agravante na situação.

– Tudo bem. – Ainda tinha tantas dúvidas, mas apenas o abracei fortemente. – Obrigada por vir. Fiquei muito preocupada, foi um susto.

– Obrigado você por estar aqui. Meu filho tem sorte por ter você, menina. Vou dar a notícia a Esme, tentaremos descobrir mais informações. Me diga se ele falar algo.

Assim que nos despedimos, fechei a porta e voltei para o quarto.

Encostado num montinho de travesseiros na cabeceira da cama, Edward estava sentado, de olhos fechados que se abriram ao me ouvir. O abajur aceso ao lado fez seus olhos inchados e cinzentos brilharem na pele pálida demais. Fiz com que tomasse mais do soro.

– Deita comigo? – Pediu.

– Claro.

Despi minhas roupas para colocar uma camiseta sua, e entrei sob as cobertas, sentando ao seu lado. Edward deslizou, se enrolando em mim um gato. As pernas entrelaçadas nas minhas e os braços abraçando meus quadris.

– Está melhor? – Perguntei.

– Quase nada. Mas melhor do que antes.

Acariciei seu cabelo em minha barriga, fazendo cada som e movimento delicadamente. Temia quebrá-lo.

– Quando você quiser conversar...

– Eu sei. Agradeço... Por estar aqui.

– Claro que eu estaria. Que tipo de namorada eu seria se ignorasse um pedido desses?

– Gosto quando fala isso. Namorada. – disse com uma tentativa de sorriso, alongando as palavras, e eu já não sabia se era pelo sono ou resquício do álcool. Ambos, talvez.

– Gosto também. Muito.

– Desculpa te dar tanto trabalho e preocupação. Estou morrendo de vergonha.

– Para de se desculpar, que bobeira.

– Eu não queria ter bebido assim. Só usei o uísque porque estava tendo uma crise forte, foi o que estava ao meu alcance. Eu não estava tentando nada, por favor, não pense que…

– Eu não pensei nada, Edward. Só fiquei apreensiva, querendo que melhorasse. Você não conseguiu tomar seu remédio hoje?

– Fui chamado pra uma emergência no hotel, acabei saindo afobado e esqueci. Às vezes acontece quando estou muito estressado.

– Carlisle disse que a falta da dose de hoje pode ter ajudado a desencadear essa crise.

– Deve ser… Quando tudo aconteceu, não consegui me controlar. Foi muito desesperador. E já fazia tanto tempo desde a última vez... – Seu esforço para falar aumentou, e eu vi que havia fechado os olhos no meu colo. – Tinha essa garrafa aberta que uns amigos trouxeram num jantar. Foi burrice minha, eu devia ter ligado pro meu terapeuta em vez disso. Mas eu só queria parar o desespero. E a dor.

– Tudo bem, não se culpe. A gente entende. Você fez o que conseguiu fazer pra suportar. Só queríamos saber o que rolou pra poder te ajudar.

– Ele vai contar pra minha mãe e minha irmã? Sobre tudo…

– Vai. Elas precisam saber. Você não precisa carregar isso sozinho.

Com uma pausa, ele respirou fundo, se reorganizando. Seus braços me apertaram um pouco antes de falar.

– Eu sei que sumi esses dias. Não fui nada legal com você.

– Não. Mas acho que eu devia ter corrido atrás, também, quando percebi que algo estava errado. Essa situação foi novidade pra gente, eu fiquei sem saber o que fazer. Não prestei tanta atenção quanto deveria.

– Você não fez nada errado. Prometo.

– Mas eu quero te ajudar, Edward, fazer parte da sua rede de apoio. Queria que tivesse confiado em mim, se aberto desde o começo. Há quanto tempo venho pedindo pra que me falasse sobre seus problemas com Anthony?

– Eu sei. Fui eu que me escondi. Fiquei com medo de encarar os problemas, encarar você... Não queria que me visse assim. Desculpa, de novo.

Ele soava tão genuinamente constrangido, eu só sentia pena. Mudei meu tom de voz para minha frustração não parecer raiva, evitando gerar ainda mais culpa nele.

– Tudo bem, não quero te dar sermão, eu te entendo, de verdade. É só que… A gente estava numa sintonia tão boa, sendo honestos, jogo limpo. Esse bloqueio repentino me pegou de surpresa. Não sabia o que pensar, achei que eu tinha feito algo errado, ou que… Sei lá. Fiquei com medo.

– É difícil, Bella. Eu confio em você mais do que ninguém, mas às vezes é difícil falar sobre certas coisas…

– Eu sei. – disse suavemente e deixei a conversa morrer.

Não era hora para discutir nossa relação. Não quando sua voz ainda quebrava, quando perdia o fôlego no meio das palavras. Aproveitei para me recompor também.

Dei a ele o isotônico, bebi a água que trouxe e relaxei contra os travesseiros.

Durante quase uma hora, o quarto repousou em absoluto silêncio, a não ser pela nossa respiração suave, e eu achava que ele havia adormecido. Eu mesma, peguei no sono, exausta como estava. Já eram quatro da manhã.

Até que sua voz irrompeu na falsa calmaria do ambiente.

– Tá acordada?

– Agora sim. Precisa de alguma coisa?

– Não consigo dormir.

– Posso te ajudar? Quer bater papo?

Ficou quieto por instantes, respirando pesadamente, e eu sabia que iria falar algo complicado.

Não deu outra. Quando começou, abriu os portões e deixou sair tudo de uma vez. Um rio caudaloso de palavras aprisionadas.

– Ele veio me pedir ajuda, várias e várias vezes nesses meses. Queria dinheiro pra se tratar do alcoolismo, disse que queria melhorar de verdade, que agora era pra valer. Mas eu já tinha ouvido esse discurso, sempre acabava com pena e dando dinheiro pra ele, mesmo que Anthony sempre acabasse gastando com qualquer outra coisa sem ser a saúde.

Senti que ele voltava a chorar.

– Edward, se ainda te faz mal, não precisa contar agora. Ainda é muito cedo. Tem certeza que quer falar?

– Tenho. Quero tirar isso de mim. Um pouco.

– Está bem… Vai no seu tempo.

– Quando eu saí pra te encontrar hoje no Starbucks, Anthony me parou na porta do Hotel, estava esperando lá. Disse que se eu não quisesse dar dinheiro, ele falaria com meu pai pra conseguir uma vaga gratuita em algum centro de reabilitação. E que usaria minha mãe pra conseguir isso.

– Usaria como?

– Não sei. Provavelmente aparecendo na casa dela ou no trabalho, forçando-a a falar com ele. Eu perdi o juízo nessa hora, Bella. A última coisa que eu queria era minha mãe perto dele. Discutimos no meio da rua, ameacei processá-lo, disse que ele era a desgraça das nossa vidas, falei tantas besteiras…

– Foi na hora que você mandou aquela mensagem dizendo que não conseguiria me encontrar?

– Sim. Deixei ele falando sozinho e voltei ao escritório. E aí… Duas horas depois, o celular dele me ligou. Mas não era ele. – Sua voz mais custosa e a respiração encurtada denunciavam que a história chegava ao fim. Essa, ao menos.

– Não? Quem era?

– Um policial. Anthony tinha… Sofrido um acidente e meu número era o primeiro contato. Ele estava bêbado andando no meio de uma ponte, caiu desviando de um carro. Eu não conseguia respirar, fiquei horas pensando nisso na sala, paralisado, sem saber o que fazer, e todos aqueles pensamentos horríveis.

– Meu Deus. Sinto tanto, amor… Sinto muito que você tenha passado por isso, que ele tenha que ter tido esse fim.

– Você acha que eu sou uma pessoa ruim por não ter ajudado? Ele morreu por minha causa.

– Shh. Não fala isso. Isso não existe.

– Se eu tivesse dado o dinheiro, ajudado a se curar, se eu não tivesse brigado com ele naquele dia... Ele não merecia, era meu pai, Bella—

Sua fala foi interrompida pelo choro que voltou abertamente, alto, como purgante. Desnudado.

Quando ele enroscou-se ainda mais em mim naquela cama, fazendo-se pequeno para caber no meu corpo, eu soube que algo em nossa dinâmica mudaria para sempre.

Nós já havíamos compartilhado muitas coisas. A casa, a vida, a cama, a filha. Mas agora, nunca me senti mais próxima a ele. À sua alma. Sabia que estava presenciando a sua dor mais profunda e duradoura. Finalmente, era apenas Edward, sem filtros.

Deixei que chorasse pelo tempo necessário. Tantas foram as vezes que ele fez o mesmo por mim, era o mínimo que eu podia fazer.

Abracei-o em meu peito como ele havia me abraçado na gravidez, uma adolescente apavorada e sozinha. Segurei-o em meus braços como ele havia me segurado quando tive medo do futuro, de sair da casa dos meus pais, de não saber lidar com minha mãe.

Eu o abracei como ele sempre me abraçou quando eu tive medo de falhar na como mãe, como profissional, e todas as vezes em que cuidar de uma criança era exaustivo demais – ou apenas ao ficar presa em um elevador.

Me permiti chorar junto, enfim. O amor dos seus braços sempre funcionou para me fortificar. Rezei para que funcionasse com ele, também.

.

.

Edward acalmou-se aos poucos.

Continuou se hidratando, foi ao banheiro uma última vez, até que conseguimos dormir quando o sol nascia. A tempestade havia parado lá fora, também.

Acordei com o celular vibrando, tinha deixado no travesseiro. Lentamente, desvencilhei-me para ir atender na sala, deixando-o dormindo profundamente.

Era Claire às sete horas, nervosa como deveria.

– Está tudo bem, filha, calma.

Meu pai tá bem mesmo? Fala a verdade, vocês estão no hospital?

– Não, estamos aqui no apartamento.

Eu vou praí, então.

– Melhor não, Claire. Seu pai passou muito mal porque bebeu além da conta. Está dormindo agora…

Bebeu? O que rolou, mãe? Meu pai não bebe mais.

– Eu sei – suspirei, abaixando a voz. – O que aconteceu é que o pai dele, o Anthony… Faleceu ontem. Edward ficou muito chateado.

Ah. Caramba.

Pela sua reação, franzi o rosto, arrependida. Pensar direito não era meu forte com apenas duas horas de sono.

– Desculpa te falar assim, devia ter dito pessoalmente, mas está difícil hoje.

Relaxa. Eu nem conhecia o cara, tá tudo bem. Mas é… É triste. Não acredito que meu pai ficou tão mal por causa disso. Tadinho. Ai, mãe, eu quero chorar agora, que droga. Deixa eu ir aí, quero ficar com ele.

– Não, calma. Não sei se ele quer que você o veja assim. Nem sei o que vai acontecer hoje, se iremos ao enterro. Vai pro seu trabalho tranquila, eu digo que você ligou, mais tarde mando notícias.

Mas quero saber notícias agora. Odeio não saber das coisas, que saco.

– Não é hora pra malcriação. Nem vou discutir. Tchau, Claire, manda mensagem quando chegar lá.

Diga que eu amo ele, tá? Quando eu puder ligar, me avisa.

– Está bem. E olha, não fala nada disso pra ninguém, ok?

Tá...

Assim que desliguei, a voz atrás de mim me fez saltar.

– Ela ficou muito preocupada?

– Que susto. – virei para vê-lo enrolado numa manta cinza. Parecia terrível. Seu rosto lindo definitivamente sentiu a noite péssima.

– Desculpa.

– Você ouviu? Te acordei?

– Ouvi só um pouco, acho que acordei porque você não estava lá.

– É, Claire ficou meio preocupada, normal.

– Tadinha. Falo com ela mais tarde.

– Desculpa ter contado. Nem sabia se você iria querer que contasse ou não, mas não consigo mentir pra ela.

– Eu sei, também não consigo. Não tem problema, de verdade.

- Volta a dormir, ainda é cedo, quase não descansamos.

– Minha cabeça dói. Não sei se consigo ficar lá sozinho. Fico tendo pesadelos. Você tem que ir trabalhar, né?

– Vou ligar avisando que estou doente.

– Não precisa perder o dia por mim.

– Preciso. Não vou conseguir trabalhar direito sabendo que você está sozinho aqui… Está tudo bem. Você já avisou que não vai?

– Ah, verdade… Vou falar agora.

Ele voltou ao quarto para telefonar ao Hotel, enquanto eu também ligava para minha secretária e avisava que não poderia ir, ditando as tarefas do dia à equipe. Ninguém questionou minha falsa doença. Esse era um dos prós em ser uma sub-chefe.

Sobre os pesadelos de Edward, não pude fazer muita coisa. Quanto ao resto, resolvi num segundo levando um analgésico.

Juntos, conseguimos dormir mais um pouco, embora eu percebesse que ele acordava sobressaltado de tempos em tempos. A cada vez, eu o agarrava mais forte.

O telefone da casa dele tocou por volta de meio-dia.

Esme avisou que estava chegando, levando comida e me aliviando por poder partilhar esse dia pesado com mais alguém. Deixei os dois quando se encontraram num longo abraço, indo para casa tomar um banho e trocar de roupa.

Quando voltei, Edward parecia mais corado, e almoçamos, os três, com a TV ao fundo num canal de esportes que ele adorava. Esme reclamava da pontaria de um jogador de beisebol, mesmo sem saber uma regra sequer do jogo, só para alegrar o filho. Eu nunca vi uma mulher mais forte na vida.

– Não sabia que eu ia ficar tão mexido assim… – Edward falou, de repente, a voz distante. Eu lavava a louça, mas minha atenção voltou-se a eles no sofá.

Esme pegou sua mão.

– É normal, filho. Foi uma situação inesperada e complicada. E triste. Você não podia fazer nada, de verdade.

– Podia. Eu só não quis.

– Era o destino dele, você fez o que podia. Para de ficar se culpando, é a última coisa que você precisa nesse momento.

– Stephan terá muito trabalho essa semana. – ele riu sem forças, brincando sobre seu terapeuta. – Alice já sabe?

– Já. Ela está bem, só não veio porque ainda está dando aula na colônia de férias. A esposa dele entrou em contato com ela, avisou que o enterro será daqui a pouco. Mas vocês não precisam ir, se não quiserem.

– Eu quero. Quero ter esse fechamento da nossa relação.

– Tudo bem, então vou avisar a Alice.

Mesmo que ele não tivesse pedido, eu sabia que precisaria ir também.

Saímos às três. Esme dirigiu por nós. Apesar de proativa, ela não se sentiu confortável em ir junto, e Edward respeitou. Claire já havia voltado para casa do trabalho, insistiu em ver o pai. Quando entrou no banco de trás do carro, não desgrudou do pai – e nem ele dela.

– Acho que não digo isso o suficiente, mas você sabe que eu te amo, né? – Claire falou enquanto brincava com a mão dele, a voz pequena e tímida que eu só ouvi por estar ao lado.

– Sim, eu sei. Eu também te amo. Mais que o infinito.

Quis sorrir vendo meus dois amores. Engoli o choro várias vezes.

Esme nos deixou no cemitério, e ela e Claire foram passar a tarde juntas, já que tentávamos proteger nossa menina da situação. Encontramos Alice e Jasper na entrada.

– Acabou, irmão. – Ouvi ela dizendo no abraço deles.

– É, acabou. Terrivelmente.

– Mas agora ele não sofre mais, e nem a gente deve sofrer mais também. Acabou.

– Eu sei. Mas ainda dói.

Todo o enterro foi triste e sombrio, como o dia sobre nossas cabeças.

Não havia muita gente além de nós. Dois amigos, a mulher dele e duas moças jovens, que nem Alice ou Edward conheciam. Uma delas se parecia com Claire, até.

A vida tinha dessas.

– Você conhece aquela moça? – Indaguei a ele, discretamente, encucada com o enigma e com um pressentimento forte.

– Nunca vi.

– Ela… Parece tanto…

– Com a minha sobrinha? – Alice se meteu, sentada ao nosso lado. – Eu também achei.

Franzi o cenho, avaliando as meninas. Como diria isso?

– Será que… Pode ser sua parente?

– Acho que é. – Edward entendeu o que eu quis dizer. – Ele nunca mencionou outros filhos, mas lembro que há muito tempo veio com papo de que tinha engravidado uma mulher. Queria dinheiro pra abortar.

– Claro. – Alice bufou uma risada sarcástica, antes de todos nós nos calarmos.

Apesar do meu medo das garotas serem hostis com os irmãos Cullen, nada aconteceu. Talvez por partilharem dores e traumas similares. Conheciam bem o pai que tinham.

Edward não chorou mais, porém ficou calado o tempo todo durante a cerimônia.

Até que, no final, enquanto andávamos para a saída, uma das moças se aproximou.

– Edward? Mary Alice? – Todos paramos. – Desculpa. Minha mãe e minha irmã não queriam que eu viesse, e provavelmente vou ouvir pra caralho mais tarde. Mas… Queria me apresentar. Acho que deve ser nossa única chance.

Os dois se entreolharam. Alice foi quem deu um passo a frente, estendendo a mão. A garota, cujo corpo todo vibrava de nervosismo e os olhos não se fixavam nos irmãos, pareceu aliviada.

– Como vai? Pode me chamar de Alice.

– Ele… Era meu pai. Sou Brianna Masen. – Era a que parecia minha filha. Um pouco mais velha, o longo cabelo ruivo não-natural, cheia de piercings e tatuagens. – Bree, eles me chamam.

Edward também seguiu, cumprimentando.

– Oi. Esse é Jasper, esposo de Alice, e essa é Isabella, minha namorada. – ele nos apresentou.

- Como vai, Bree? – falei. – Meus pêsames.

– Obrigada. Tudo bem, estou bem. Eu não via meu pai há uns cinco anos. Acho que vocês também não, né?

– Não. Há muito mais que isso, na verdade. – Alice falou.

– Bem… É que eu acho que seria legal a gente trocar uma ideia. Se conhecer um pouco. – Precisei refrear meu instinto materno de abraçá-la, ela parecia que partiria ao meio a qualquer instante. – Se vocês estiverem a fim, esse é meu telefone.

Brianna estendeu um papel, que Edward tomou.

– Obrigado. Alice e eu conversaremos e te retornamos.

– Ok. Ótimo. Desculpa, novamente, por atrapalhar. Até logo. – acenando, saiu em direção oposta acendendo um cigarro.

– Bom – Alice suspirou. – Isso foi… Interessante.

– Eu só quero ir pra casa descansar. – Edward suspirou mais profundo do que ela.

Tornamos a andar em silêncio, embora eu sentisse a aura tensa dos irmãos. Quando voltamos ao por do sol no carro de Jasper, Edward segurou minha mão, a cabeça em meu ombro.

– Como está? – Perguntei. – Fisicamente.

– De ressaca. Que sensação péssima, não sinto isso há uma década. Graças a Deus, não bebo mais.

Sabia que ele dava graças não apenas por se livrar de ressacas, mas também por não ter herdado o triste vício do pai. Edward quase nunca falava, mas eu sentia que esse era um grande medo dele, também.

– Vai passar.

– A gente precisa conversar, né? Sobre Tanya. – falou baixo, embora o casal da frente ouvisse músicas do rádio e conversasse sobre compras do mês. Alice levava muito melhor a situação toda.

– Precisamos. Mas depois. Não vamos pensar nisso hoje.

– Acho que prefiro. Melhor trocar um problema pelo outro.

– Que tal não pensar em problema nenhum agora?

– Impossível pra minha cabeça…

– Posso tentar te distrair de alguma outra forma? – Perguntei, esperando sua resposta quando ele levou um tempo para pensar.

– Hm… Talvez.

– Como?

Vi um biquinho surgir na sua boca e seu indicador bater nos lábios, instigando uma risada surpresa que não consegui conter. Ele me acompanhou no primeiro sorriso que ambos demos hoje.

Fiquei distraindo-o com meus beijos pelo resto do percurso, mesmo quando Alice fez um som de nojo igualzinho à nossa filha, pedindo que parássemos a safadeza no carro dela.

Não paramos.

Mesmo com a implicância entre irmãos, os dois não queriam se despedir ainda, e acabamos todos na minha casa – menos Claire e a avó, que decidiram pegar um cinema e chegariam mais tarde.

A chuva voltou quando a noite caiu. Acendi abajures e velas na sala enquanto esperávamos o jantar que pedimos, batendo papo e bebendo. Vinho para as visitas, água para Edward e eu.

Ele evitou comentar sobre ontem à noite, apesar da curiosidade preocupada da irmã. Falou superficialmente, seu desconforto era nítido, eu podia ver que ele não se orgulhava. Mas isso serviu para a introdução de um assunto que pendia à espreita desde cedo.

– Então… Acho que temos mais duas irmãs, né? – Comentou Alice.

– De tudo que me aconteceu desde ontem, vou te dizer que essa foi a coisa menos estranha. – Edward respondeu de semblante sarcástico.

– Você guardou o telefone dela?

– Tá aqui.

Tirou do bolso do paletó e entregou-lhe o pedaço de papel rasgado, que ela fitou por um tempo.

– Você quer ligar pra ela?

– Você quer?

– Eu perguntei primeiro, esperto.

– Eu disse que conversaríamos antes, então não sei. Talvez, depende de você.

– Não sei, Edward. Não quero pensar mal da menina, mas preciso ser pragmática. A pulga está fazendo a festa atrás da minha orelha, sabe. Será que ela vai arranjar problemas pra gente? Querer pedir alguma coisa? Sou má por pensar assim?

– Bem, não...

– Mas…?

– Mas eu fiquei curioso pra conhecer essa pessoa. Nós provavelmente temos histórias parecidas, sofremos os mesmos traumas. Talvez fosse bom criar esse laço...

– Ou talvez não. A essa altura da vida? Será que vale a pena mexer nisso?

– Sei lá. Acho que quero pagar pra ver.

Alice bebeu seu vinho, acenando a cabeça para mim e Jasper.

– O que vocês acharam da Brianna? Quero ouvir uma opinião de fora.

Seu marido foi o primeiro a falar, do alto de sua sabedoria e experiência como psicólogo.

– Só o fato de ela ter vindo se apresentar mesmo contra a vontade da mãe e da irmã, já diz alguma coisa. Ela quer muito esse contato. E como Edward disse, ter gente que partilha nossos traumas pode ajudar a curá-los.

- Concordo – falei. – Ela parecia interessada em vocês por vocês mesmos, apenas isso. E eu ficaria curiosa em conhecer algum meio-irmão, também.

Edward voltou a falar.

– Eu sei que ela é uma desconhecida total, mas… Tão novinha, não deve ser tão mais velha do que Claire, e vocês viram como estava nervosa. Se eu puder ajudá-la de alguma forma a se conhecer melhor, seria incrível. Não seria só por mim, entende?

Sua irmã assentiu a cabeça, em silêncio contemplativo por instantes.

– É, acho que você tem razão. Seria legal fazer isso por ela. Porra. – Alice levantou-se do sofá, foi até Edward e pegou seu rosto para estalar um beijo antes de voltar. – Você é tão bom coração às vezes, que chega a dar inveja. Mas eu te amo por isso mesmo.

Nós rimos com a sinceridade, até que ele continuou a falar, acanhado.

– Não é altruísmo. É porque já passei por um monte de coisas, e também já me arrependi de muitas. Se tem algo que aprendi, é que o mais importante da vida são as relações que construímos com os outros, e o nosso tempo é precioso. Por isso, prefiro arriscar do que ficar pensando como poderia ter sido. Principalmente, quando se trata de família…

Sabia que ele falava a respeito da meia-irmã, mas sua última frase ecoou na minha cabeça por um tempo, mesmo depois de eles mudarem de assunto.

Não consegui me concentrar mais. Toda a carga de energia e emoção do dia me pegou em cheio. Quando menos esperei, estava pedindo licença para levantar e ir ao banheiro, onde poderia desaguar o choro que veio sem permissão.

Lavei o rosto com calma, sequei. Diante do espelho, fechei os olhos com medo de encarar as linhas de expressão, os novos cabelos brancos, o tempo passando no meu rosto.

Minha mãe sempre odiou seus fios brancos. Será que ainda usava a mesma tintura no cabelo?

Respirei fundo, abrindo os olhos para captar meu reflexo avermelhado. Senti vergonha pela teimosia e rabugice, por ser orgulhosa e cabeça dura enquanto aquele homem na sala tinha ido ao inferno e voltado, e mesmo assim, não perdia a esperança nas pessoas.

Renee só queria uma chance, assim como Edward quis comigo. Assim como ele certamente queria que tudo tivesse sido diferente com o pai.

Estava na hora, eu sabia. Já tinha passado, até. Mas será que eu conseguiria?

– Ela não pode me machucar mais. – Meus lábios falaram para o espelho, num impulso. Eu era uma adulta agora, dona da minha vida e das minhas reações. Ela não conseguiria me quebrar novamente, eu tinha que acreditar nisso.

Edward estava ao meu lado. Claire. Meu pai. Eu tinha tudo o que importava de verdade para mim, meus refúgios para onde eu poderia correr se nada desse certo.

Não havia mais porquê nem onde me esconder. Edward estava certo, o tempo era precioso e eu tendia a me arrepender do passado. Não poderia deixar que isso acontecesse novamente.

Eu devia fazer tudo antes que a onda de coragem morresse pela hipócrita vontade de fugir dos problemas.

Chorei um pouco mais, porém não foi tão difícil quanto pensei.

Saí do banheiro, discretamente pegando minha bolsa e o celular. Bastou uma mensagem, e tudo estava feito. Carreguei comigo o aparelho para sentar ao lado do meu namorado no sofá, pegando minha água.

Eles falavam sobre a crise imobiliária em Nova York, agora. Alice e Jasper discutiam preços de kitnet para a filha, dando brecha para Edward dizer no meu ouvido.

– Tá tudo bem? – Ele reparou, obviamente. Segurou minha mão, e eu beijei a dele, dando um sorriso ainda lacrimejante, porém sincero.

– Não sei ainda. Mas acho que vai ficar.

– Te amo. – Ele limpou a lágrima que escorreu no cantinho.

– Te amo.

Cinco minutos depois, a resposta da minha decisão veio em três linhas na minha mão.

[Renee]
Que bom que você me retornou, filha.
Segunda à noite pra mim está ótimo.
Até lá! Beijos.


N/A: ENQUETE: tu chorou ou não? Me conta nos comentários? (Minha resposta: sim, bastante hahaha)

Até a próxima, beijos!