Depois de dias sem ter notícias do padrinho, Harry teve a oportunidade de encontra-lo no funeral. Sirius estava parado, próximo a uma árvore, observando tudo de longe com um olhar perdido. Ao se aproximar, o menino perguntou a ele o que acontecera para não ter aparecido no dia da batalha, se alguém havia descoberto o esconderijo da Ordem da Fênix ou coisa parecida. O moreno apenas o encarou e fez um movimento de negação com a cabeça e, depois, de alguns minutos de completo silêncio, falou:

- Eu estava com a Narcissa naquela noite, é o máximo que eu posso te contar, Harry. Mas, já soube do que aconteceu... o Draco veio para cá na esperança de ajudar o Severo e livrá-lo da acusação de assassinato.

- O que você pensa disso? – questionou curioso, pois considerava o loiro uma vítima de todas aquelas circunstâncias e não via motivos para desgostar dele. Se estivesse no seu lugar, faria o mesmo para defender Sirius.

- Particularmente, nada de especial... não julgo o que um menino de 17 anos é capaz de fazer para proteger quem ama. Sabe, Harry, desde que Dumbledore mandou que eu casasse a minha filha com o Severus, eu vivo em uma permanente tensão de quando ele vai, finalmente, se descontrolar e acabar a agredindo. Conheço o pior lado dele, sei que vem de uma criação em que tudo era resolvido à base de pancadas ou de outros tipos de violência... ele é rancoroso, cínico, egoísta, sonso, psicótico, extremamente vingativo, mentiroso, dissimulado, manipulador, inescrupuloso, física e moralmente sujo, obsessivo e um completo bastardo! – respirou profundamente em meio às reflexões, percebendo que o bruxo de olhos verdes prestava atenção no que ele dizia. Aquela era a primeira vez que Sirius argumentava, claramente, tudo o que pensava sobre Snape.

- Há coisas que aconteceram que você e ela não sabem... mesmo que Hermione tenha passado um tempo em 1977 convivendo conosco. A ideia que ele tem de amor é completamente doentia. O Severus perseguiu a Lillian, como um maníaco, mesmo que ela lhe desse várias indiretas sobre terminar a amizade, até ocorrer o momento em que o James e eu o atacamos e ele chamou a Lilly de sangue ruim. Foi a oportunidade que ela teve de se livrar daquela obsessão, mas... o Severus se humilhou passando várias noites dormindo na frente da entrada do nosso salão comunal, a importunava com os inúmeros pedidos de perdão até que a Hermione apareceu com o sobrenome Geavet e o foco dele mudou. Eu vejo a mesma fixação que ele tinha pela sua mãe, Harry, sendo direcionada a minha menina, um pensamento distorcido de que amor é interligado ao sofrimento e à morte... quando ela foi embora, o Severus tentou o suicídio porque estava obstinado como um louco. Isso não é amor, é doença e, esse apego, traz consigo ciúmes e pensamentos de posse. Em resumo, eu tenho certeza de que ele a vê como uma propriedade e, para piorar, agora ela espera um filho dele – concluiu massageando as têmporas.

- Snape me pediu para dizer a Mione que a amava mais do que a própria vida... no entanto, o que não entendi foi por qual motivo, quando pediu que o perdoasse, falou que eu era inegavelmente filho da minha mãe – Harry comentou pensativo, como se questionasse o padrinho.

- O que o Severus quis te dizer foi que o vê como uma boa pessoa, mas considera que seja rancoroso. A Lilly não o perdoou, eles não se falaram mais depois do que aconteceu. Quanto ao que recado à Hermione... não duvido que ele tente o suicídio novamente se perceber a impossibilidade dos dois ficarem juntos. O que me preocupa é o quanto ela vai sofrer, não o que aquele doente pretende fazer consigo mesmo – o moreno respondeu e começou a caminhar para fora dos terrenos de Hogwarts.

- Sirius... o Draco está na sua casa? – perguntou e o bruxo mais velho sorriu de lado, fazendo um sinal afirmativo.

- Ginny está com a família desde a batalha e ele, depois de dois dias, apareceu lá e me contou com detalhes o que aconteceu... eu já sabia algumas coisas daquela noite, mas foi importante ouvi-lo. Não quer ficar na mansão Malfoy, odeia o pai e não consegue suportar o fato de que a mãe continua lá – se despediu indo em direção ao afilhado o abraçando, e, com isso foi embora.

Ao chegar no Largo Grimmauld, Sirius se dirigiu para o quarto e começou a lembrar daquela noite em que Dumbledore morreu. Sorriu tristemente ao recordar que não estava em casa quando Hermione chegou acompanhada por Luna. Via a sua própria atitude como a de um completo irresponsável por não estar presente em um momento onde ela precisava de conforto... devia estar desesperada porque o marido se tornaria um assassino naquela noite e, possivelmente, nunca mais o veria novamente. Além disso, observou que abandonara os amigos, não para se proteger ou para cuidar do sofrimento da sua menina, mas sim, para ter algumas horas de prazer, agindo de modo totalmente egoísta e egocêntrico. Entretanto, não conseguiu ficar muito tempo se torturando com o que fizera de errado ou as falhas que teve naquele dia, pois, os seus pensamentos o traiam e o levaram a recordar como havia passado aquelas horas.

- Ah, Narcissa... você vai me enlouquecer, mulher - disse com um sorriso sacana no rosto.

FLASHBACK ON

No meio da tarde, Sirius ouviu a voz de Monstro com um som muito animado na sala, não poderia ser outra pessoa, além de Narcissa, que havia chegado à residência. Ao descer as escadas, sorriu ao vê-la ali e informou que Draco não estava lá. Disse que o menino saíra para falar com o padrinho antes de anoitecer. Ao escutar essa notícia, a loira, calmamente, pegou a sua bolsa para se retirar e foi solicitando que os presentes que levara ao filho e ao neto, que estava prestes a nascer, fossem entregues assim que ele chegasse na casa. Antes que ela saísse, o moreno a segurou delicadamente pelo braço, fazendo que parasse e fosse obrigada a olha-lo.

- Se você veio até aqui, Cissa, pode esperar por ele. Entretanto, se tiver outro compromisso... mais importante do que ver o seu filho, está livre para ir embora – riu cinicamente a soltando. Como Narcissa sentou no sofá e ficou com um olhar incomodado analisando o estado que se encontrava a casa, aproveitou para ir pegar uma bebida para eles e tentar resolver o assunto que, até aquele instante, ainda estava inacabado. Ela não podia negar para si mesma o desconforto que sentia por estar ali sozinha com ele... seu tão galanteador primo que não parava de observá-la.

- Tia Walburga detestaria ver a casa dela nesse estado... você deveria ter iniciado uma reforma por aqui para ajeitar as coisas. Além do mais, me questiono como que com o entra e sai de gente, ninguém se importou em te dizer isso – falou mantendo o seu ar mais arrogante possível.

- Realmente, a mamãe iria detestar ver isso. Mas, porque arrumar uma casa e viver nela tão solitário? – perguntou desdenhoso.

- Sua filha virá morar aqui. Creio que esse seja um bom propósito inicial, não acha? – lhe lançou um olhar presunçoso dando um meio sorriso.

- Você tem tanta razão, quanto continua metida! – o moreno riu ao vê-la revirar os olhos em desaprovação.

- Então, Sirius... o Draco fez alguma coisa que queria me relatar? O meu filho foi grosseiro ou birrento contigo? – questionava, mesmo sabendo que aquele não era o tema da conversa e, principalmente, que a resposta seria completamente diferente do que perguntara.

- Não... você o educou muito bem. O que eu quero dizer é que, não posso negar que sempre a achei atraente. Mas, por agir como um babaca completamente cego, que mendigava às migalhas da Bellatrix, não observei a mulher que estava diante dos meus olhos e deixava escapar da minha vida – sentou bem próximo a loira, que ao escutar isso, acabou bebendo todo o conteúdo do copo de uma só vez. Percebendo que estava séria e se servia de mais uma dose de firewhisky, decidiu continuar e expressar tudo o que pensava:

- Nesses últimos meses, sinto o meu corpo ferver quando está por perto. Penso no quanto eu perdi por não estar ao seu lado, no quanto é inteligente, astuta, bonita... tem um corpo que me excita e me deixa louco... – antes de concluir, sorriu maliciosamente e sem nenhum pudor, pegou uma das mãos dela e colocou na sua ereção.

- Sinta o que faz comigo – manteve a mão dela ali, o que fez Narcissa se virar para o moreno com um semblante de poucos amigos. Afinal, lembrava muito bem do quanto Sirius era mulherengo, usando as meninas e depois descartando cada uma... principalmente, não tinha como esquecer da imagem dele se humilhando atrás de Bellatrix. Com um pouco de raiva, puxou a sua mão dali e se levantou para ir embora.

- Eu creio que o assunto está resolvido, com licença – disse decidida, já partindo dali.

- Me perdoe se a ofendi... não era a minha intenção que se sentisse desrespeitada – antes de seguir se desculpando, sentiu a bofetada que ela lhe dera e, num impulso, a puxou para si. A loira se debatia, tentando empurrá-lo até se entregar ao beijo. Era feroz, violento, cheio de desejo e necessidade... sentia a ereção dele roçando contra a sua barriga e, acabou se deixando levar para ver onde iria acabar aquela história. Não era mais nenhuma menina inocente, que seria iludida por sorrisos e promessas de casamento, não acreditava mais em juras de amor e, tampouco, na ideia de príncipe encantado. Ao faltar o ar, eles se separaram e Narcisa perguntou, já começando a massagear o membro dele por cima das calças, olhando as suas expressões fixamente:

- Sirius, como você acha que devemos resolver o seu problema, meu caro? – após inquirir, sorriu vitoriosa e com um ar convencido, ao perceber as reações que o fazia sentir e o quanto a respiração do moreno estava pesada. O momento era dos mais divertidos para ela, pois recordava muito bem do quanto achava ridículo ver o primo paquerar uma moça e, agora, estava se deixando levar por todo aquele xaveco.

- Não tenho nada a perder... – pensou, enquanto ficava na ponta dos pés para sussurrar no ouvido dele:

- Agora não é hora... se, realmente, quer algo comigo... será quando eu quiser, na hora que eu disser e na ocasião em que eu mandar – argumentou se afastando triunfante ao deixa-lo duro e atordoado.

- Fica mais um pouco... – a beijou novamente, fazendo com que Narcissa pusesse as duas mãos no peito dele para se desvencilhar.

- Assim que eles saírem da mansão, mandarei uma coruja e, então, se você não for para Hogwarts participar da batalha e correr atrás da Bella... saiba que a lareira do meu quarto estará aberta para a sua visita – piscou, já se despedindo. Sabia que se ficasse ali por mais tempo, acabariam transando no meio da sala e não era algo que a loira pretendesse ter na sua memória.

- Você tem ciúmes, então? – Sirius falou jocoso com a expressão que a loira fez ao ouvir isso.

- Eu? De quem? – o questionou com um ar falsamente ofendido.

- Ué, de quem... de mim, ora! – riu de expressão que ela o olhou.

- Até parece... vai se foder, Sirius Black! – falou dando um tapa forte no braço do moreno para que ele a soltasse.

- Priminha... vou ficar esperando ansiosamente realizar algumas fantasias com você – foi a levando até a parede mais próxima para beija-la de novo, provocando até que a loira o empurrasse.

- Cissa... eu a acompanho até a porta – disse em um sobressalto.

- Nesse estado? Ora, Sirius, não precisa... eu dispenso, se alguém o ver, é capaz de ser preso por atentado ao pudor – foi se desvencilhando dele, se dirigindo até a porta para partir.

Quando saiu de lá e aparatou nos jardins da mansão, exibiu um sorriso lindo no rosto, achando graça de toda aquela situação. Nunca tinha visto um homem tão necessitado sexualmente e nem com tanta lábia para conquistar uma mulher. Era inegável que isso o fizera o galã da escola, quando mais jovem...

Nos primeiros sinais de que a mansão estava vazia, Narcissa caminhou pela residência como se estivesse apenas pensando no que aconteceria no castelo. Tendo a confirmação de que não havia sinais de outras pessoas pela casa, pegou um pergaminho e escreveu um bilhete curto:

- Se quiser mesmo me encontrar, a hora é agora. Venha logo ou não teremos muito tempo para jogar...NBM – releu o que estava ali e despachou o recado. Ao ver a coruja se distanciando, foi ao banheiro para se arrumar. Enquanto imergia na banheira, pensava que se o moreno aparecesse, seria ótimo... se ele optasse por outra coisa, iria dormir uma noite tranquila, por saber que o marido e os outros, tão cedo, não apareceriam na residência e nem a incomodariam.

Simultaneamente a isso, Sirius andava ansioso, de um lado ao outro da casa, sem conseguir fixar o seu pensamento em nada de importante naquele dia... percebia que se aproximava da exatidão das medidas de cada cômodo, por esquadrinhar todos os seus cantos e contar o número de passos dados. Quando a coruja chegou e bicou a janela, não pensou duas vezes, a abrindo para dar passagem ao animal, lhe deu um petisco e pegou o bilhete. Mais do que rapidamente, entrou no banheiro para se lavar, se arrumou e jogou o Pó de Flu na lareira, dizendo claramente para onde iria. Ao escutar o barulho, Narcissa parou próxima a porta e sorriu maliciosamente para o moreno, que estava ocupado tentando tirar o máximo possível de poeira das vestes, quando sentiu as mãos no seu casaco...

- Não precisa se preocupar, eu te ajudo com isso – o que o fez olhar diretamente nos olhos dela, antes de começar a analisar o seu corpo. A loira usava uma camisola verde, com uma leve transparência que deixava evidente a sua lingerie na cor preta. Pensou no quanto ela era, inegavelmente, linda e sexy, com os seios grandes para um corpo tão magro e, principalmente, aquela cor contrastando com a lividez da sua pele a deixava irresistível. Narcissa notara que era observada, ao mesmo tempo em que, os seus cabelos eram acariciados e Sirius imaginava o que eles iriam fazer enquanto estivessem ali juntos.

- O que pensa tanto? – ela ergueu o rosto para observá-lo.

- Nada de importante. Na verdade, estou analisando o que é mais importante do que estar com você, para que o idiota do Malfoy tenha ido para lá também? – perguntou mais interessado em continuar lhe fazendo carinho do que na resposta que ouviria.

- Não faço ideia, creio que tudo para ele seja mais importante do que estar comigo. No entanto, acredito que ele tenha certeza de que será bem-sucedido... portanto, vai demorar a retornar – deu de ombros.

- Continuo com a mesma questão, porque não compreendo o que leva um homem a ficar fora de casa, quando tem uma mulher igual a você? – a cercou começando a mordiscar as orelhas dela, fazendo com que a loira fechasse os olhos e soltasse um suspiro longo.

- A verdade nua e crua é que o Lucius acha mais interessante transar com a minha irmã ou atacar alguma pobre coitada... qualquer uma que tiver o azar de cair nas mãos dele – a respiração começava a ficar mais acelerada e, Narcissa, pôs as mãos para trás, de forma que pudesse afagar a nuca do moreno, enquanto, ele começava a distribuir beijos pelo seu pescoço.

- E você fala isso com tamanha naturalidade? – Sirius lambeu atrás de uma de suas orelhas e passara a massagear os seios por cima da camisola, sentindo que ela começava a roçar o corpo contra o dele.

- Sim, infelizmente já me acostumei a isso... e, me alegro com esses dias... são neles que tenho certeza que ele ficará longe de mim, que terei paz – virou o rosto para encará-lo, o puxando para um beijo, identificando que a respiração de Sirius começava a ficar mais pesada e as carícias mais urgentes.

- Isso é repulsivo... – antes que Sirius prosseguisse, o calou colocando o dedo nos lábios dele.

- É a minha vida, praticamente, desde o início do meu casamento. Ou o Lucius ataca essas coitadas, ou faz o mesmo comigo. Ainda tem a opção de que ele se satisfaça com a Bella e me esqueça por um dia ou dois... é questão de sobrevivência aprender a não ligar – pôs a mão no seu queixo, voltando a beijá-lo lentamente, virando o corpo para ficar de frente. Passaram um tempo naquele beijo calmo e cheio de significado, quando o moreno lhe deu uma leve mordida no lábio para se afastar.

- E o que você espera que eu faça? Por que não me vejo sendo capaz de deixar que as coisas permaneçam assim – falou um pouco contrariado, não gostava de saber que ela era maltratada pelo marido. Mesmo que não a desejasse como mulher, o que não era verdade... ainda a loira era sua prima e se via no dever de protege-la de um idiota.

- Vejamos... o que ele nunca foi capaz... já seria um ótimo começo. Me tratar com carinho, me dar prazer, me mostrar o quanto eu sou desejável... – o encarou com os olhos brilhando. Alguma coisa estava o deixando enfeitiçado, queria proporcionar toda a satisfação que jamais sentira.

- Em resumo, aquele inútil, nunca te fez mulher... bem que eu desconfiava daquele anormal. É o típico homem que merece ser corno, por não saber agradar a mulher maravilhosa que tem – argumentou com um falso divertimento.

- Sim, merece muito. Sei que ele ficará bem mais raivoso, do que já está, quando souber que eu trouxe um outro homem para se deitar comigo aqui... – Narcissa sorriu prendendo os braços em volta do pescoço de Sirius e ele a olhou desconfiado.

- Pretende contar a ele? – questionou com um olhar de dúvida, não gostaria de ser informado que essa era a pretensão dela ao chama-lo ali. Não que se importasse de ver o semblante de humilhação estampado em Malfoy, mas não gostaria que ela se rebaixasse a isso e nem tivesse que arcar com as consequências. Também não queria que, depois de tanto tempo no meio daquele tipo de gente, ela estivesse ficando louca como aconteceu com Bellatrix.

- Claro que não! Você é doido por acaso? Se ele descobre, eu vou ser morta aqui mesmo. O que estou dizendo é que, você sendo tão esperto, deve saber que há coisas que deixam vestígios e isso é algo que ele notará – riu o olhando fixamente nos olhos.

- Não se deixa rastros na cama, quando se brinca no chão ou de pé, priminha... e sempre existirá uma banheira ou um chuveiro disponível para o divertimento – o moreno disse a puxando pela cintura sorrindo e ela mordeu o lábio o sentindo tão próximo.

- Eu vou te ensinar algumas coisas nesse tempo que passaremos juntos, Cissa. Tenho certeza de que vai gostar - subiu uma das mãos pela cintura da loira até chegar à nuca, começando a acariciar no pescoço e no rosto até que a beijou. Assim foi a conduzindo até a parede do quarto próxima à lareira... onde, entre beijos, ele se livrou da própria roupa e rasgou a calcinha dela com urgência.

- Eu não vou tirar a sua camisola... ainda não é o momento certo – disse antes de traçar uma trilha, com a língua, por toda a extensão do corpo até abocanhar a sua intimidade. Ao chegar ali, colocou uma das pernas sobre o seu ombro para facilitar a sucção do clitóris. Narcissa gemia o nome dele cada vez mais alto, roçava o sexo contra a boca dele. Sirius fazia movimentos circulares e de vai e vem com os dedos, em uma deliciosa tortura, que fazia com que o corpo dela vibrasse satisfeito.

- Sirius... não... para – falava baixinho, enquanto arranhava o couro cabeludo dele com as unhas.

- Você não faz ideia, Cissa, do quanto é linda! – Sirius a olhava extasiada de tesão, com os seios subindo e descendo no ritmo da sua respiração descompassada.

Se ergueu do chão, em que estivera ajoelhado proporcionando prazer a ela e, como um cão faminto, passou a distribuir mordidas delicadamente o pescoço... baixando as alças da camisola e do sutiã para chupar os seios. Narcissa estava ficando sem fôlego diante daquela paixão tão desmedida, de tanto desejo... o moreno não parava. Inesperadamente, ele com uma das mãos acariciava os seus seios, os apertando um pouco, os estimulava com a boca. Com a outra, prosseguiu com a masturbação e, aos primeiros espasmos mais fortes, sorriu ao ver o quanto a loira já estava pronta. Colocando as duas mãos na cintura dela, a ergueu do chão, fazendo com que ela o enlaçasse cruzando as pernas em torno do seu corpo. Ela arqueava as costas contra a parede completamente entregue a ele, que a penetrava o mais fundo que podia. Ambos arfavam de satisfação e prazer... Sirius aumentava as investidas sem se importar com nada e, Narcissa, sentia a sua intimidade pulsar cada vez mais violentamente, até que o prendeu dentro de si e intensificou a fricção entre os sexos. O ritmo começou a ficar descompassado e mais forte entre os dois. Ele sentiu que as suas pernas estavam prestes a falhar com as ondas de prazer que explodiam em seu corpo, ao se ver, completamente cercado pelo calor que emanava do corpo dela. O suor se misturava as salivas, o atrito aumentava... sentia as suas costas sendo arranhadas, enquanto ela gemia e falava coisas sem sentido até se libertar ao chegar ao clímax. Segurando-a pelos cabelos a beijou, fazendo com que os sons do orgasmo fossem liberados contra a sua boca... sentido aquele hálito quente e descompassado, se deixou levar se derramando dentro dela.

Ambos passaram alguns minutos acalmando a respiração e os batimentos cardíacos, deitados no chão. Recuperado o fôlego, Narcisa o olhou sorrindo satisfeita e Sirius a pegou no colo. Ao se levantar com ela, a jogou na cama de modo selvagem e a observou o provocando com os pés, o empurrando pelo peito para que se afastasse. A loira ria daquela brincadeira, sabia que, se ele quisesse, facilmente a pararia... mas, o moreno estava gostando da visão que aquela cena lhe proporcionava.

- Sabe, Cissa... deveriam fazer um quadro seu assim, desse jeito... nua, suada, bem fodida e molhada, querendo mais. Com essa linda expressão de Foda-se todos! – sorriu canalha, a puxando pelas pernas e se colocando entre elas.

- O que te faz pensar que é tão gostoso assim? – ela pôs as mãos atrás da própria cabeça, se esticando como uma gata em cima da cama.

- Porque duvido que você já tenha dado uma trepada épica como essa... nem eu mesmo dei uma assim... imagino, então que, a honrada senhora Malfoy também não o tenha feito dado o fato de quem é o seu ilustríssimo marido – ao finalizar, passou a distribuir beijos pelos seios, pescoço e o nódulos das orelhas... percebendo que aquela pele tão branca já apresentava marcas avermelhadas por onde a barba dele passara ou que recebera merecidíssimos chupões e mordidas.

- Narcissa... você é minha, a partir de hoje – falou a agarrando pelo queixo, fazendo que ela o encarasse.

- E o que pretende fazer comigo? – perguntou e teve como resposta, Sirius a virando na cama para coloca-la de quatro.

- Achei que terminaríamos fazendo papai e mamãe dada a sua idade avançada - disse a loira dando um sorriso divertido e piscando para ele.

- Ah, priminha... infelizmente, essa nunca foi a minha especialidade. Prefiro técnicas mais avançadas, que te façam gozar violentamente no meu pau enquanto eu chego a exaustão transando com você - ele piscou de volta e viu que ela corou com o que tinha ouvido. Não estava acostumada com aquele tipo de linguajar e nem com a maneira como ele agia, tão quente e indômito.

- Sinceramente, Sirius, se você não virar cachorro, o resto eu não me importo – falou meio sem graça.

- Só aconteceria se pedisse... mas, creio que não é um fetiche muito comum e não faz o seu tipo querer manter relações com animais. Você é muito decente e correta, Narcissa, para essas pornografias – se ajoelhou entre as pernas, abrindo-as, e, passando o dedo pela intimidade. O moreno sentiu o seu pênis doendo ao perceber que a loira ainda estava tão molhada e quente.

- Ora, não se preocupe... realmente, não ouvirá um pedido desses vindo de mim – soltou um gemido baixinho e rouco.

- Quero que saiba o quanto é gostosa, mulher! Seu corpo é viciante e, até o final dessa noite, eu tenho quase certeza de que vai me matar por ser assim! – mal acabou de dizer e lambeu a intimidade dela, sentindo aquele gosto que o fazia querer mais. Permaneceu ali por mais um tempo, se deliciando com o gozo a preparando para uma segunda rodada.

A loira abriu ainda mais as pernas, dando passagem a ele, que a segurou forte pela cintura para que não saísse da posição. Seu clitóris latejava contra a boca dele, o moreno sugava e passava a barba pelos grandes lábios... os gemidos voltavam a ficar cada vez mais altos. Ele se afastou, se colocando atrás, entrando de uma só vez, estocando rápido e forte... enquanto com o dedão, estimulava o clitóris a fazendo gozar. Sem se permitir chegar ao ápice também, pegou o seu dedo e levou para a boca dela, queria observá-la sentindo o próprio gosto. Narcissa sugou com um olhar desafiador, sentindo que ele continuava passando o membro pela sua intimidade. Ao ver as reações da loira, voltou a estocar com maior intensidade, a levando ao orgasmo e fazendo com que o seu corpo estremecesse. Nunca imaginou que fosse tão intenso e forte, sentia o seu ventre pulsando, seu coração acelerado, estava quase sem ar... tudo isso por causa dele. Ela o empurrou para que deitasse de costas na cama, se ajoelhando e colocando o pênis dele na boca. Sirius a olhava com um sorriso de lado, sem dizer qualquer coisa, deixando que conduzisse cada movimento. O encarava com um olhar provocante, mantendo os olhos fixos nele, enquanto o chupava ritmando a movimentação da boca com as mãos, circulando o prepúcio com a língua ao sentir os primeiros sinais do líquido prestes a sair. Retornando a atenção ao moreno, viu que estava com os olhos fechados, se agarrando nos lençóis com tanta força que os dedos estavam praticamente sem cor. Subitamente, ele a segurou pelos cabelos, aumentando a velocidade e impulsionando o quadril para aprofundar ainda mais... com um gemido rouco, ejaculou, ficando extasiado por vê-la engolindo tudo. Satisfeito, a puxou para perto dele, a beijando e sentindo os gostos se misturando... formavam um sabor meio apimentado que o atiçava ainda mais.

- Narcissa... tenho certeza que, durante o dia, teremos algumas dificuldades para caminhar – riu vendo que ela se aconchegava sobre o peito dele e bocejava.

- Eu não vou me importar muito com o incômodo entre as pernas – disse quase fechando os olhos. Acabaram adormecendo rapidamente e a loira acabou acordando quando os primeiros raios de sol entraram pela janela... quando viu as horas no relógio, o sacudiu para que despertasse e ficou prestando atenção se havia algum som pela casa. Mas, estava tudo silencioso... ninguém ainda tinha chegado e, possivelmente, ainda estavam em meio às comemorações.

Sirius se espreguiçou e olhou as sombras refletidas nas paredes do quarto, antes de ficar um bom tempo a admirando e traçando, preguiçosamente, linhas imaginárias pelas costas dela. Sem dizer qualquer palavra, se levantou e a chamou ao puxar delicadamente a sua mão. O moreno não tirava os olhos dela, enquanto sentava no chão e a colocava sobre o seu colo. Não conseguia parar... se sentia um viciado, que perdera completamente o senso diante de uma droga forte o suficiente para seduzi-lo logo na primeira vez. Os sexos atritavam, enquanto a penetração se tornava mais forte e mais funda. Aproveitando a proximidade dos corpos, voltou a sugar aquele par de seios tão macios que o deixaram enlouquecido de desejo. Os gritos, os gemidos, as respirações descompassadas... se misturava ao barulho dos corpos se chocando. Narcissa o segurava pelos ombros, arqueando as costas para aumentar o fervor das estocadas, enquanto, ele a apertava pela cintura, guiando os movimentos... assim permaneceram se encarando, agindo pelos instintos, pelas vibrações dos sexos, lutando para manter os olhos fixos um no outro ao perceberem que estavam prestes a convulsionar como dois vulcões prestes a explodir.

- Goza pra mim, Cissa – disse segurando o queixo dela, a fazendo o olhar nos olhos. Narcissa, que tinha se deixado levar pelas sensações e fechado os olhos, o encarou com eles semicerrados, mordendo o seu lábio o puxando para si...

- Sirius... eu vou... eu... mais... – começou a tremer com o forte orgasmo que atingira, o sentindo ejacular dentro dela pouco depois.

Foram horas e horas de prazer... pareciam dois adolescentes com os hormônios explodindo descontroladamente... ambos perderam a noção da hora e só pararam ao escutarem alguém bater à porta. Sirius saiu de dentro dela e teve a ideia de se transformar em cachorro, para não despertar tanta suspeita. Para ganhar tempo, ela se vestiu com a ajuda de um feitiço e lançou outro para tirar todos os vestígios do quarto.

- Quem é? – perguntou, enquanto olhava para todos os cantos procurando qualquer sinal do que acontecera ali.

- Sou eu, Cissa, abre logo! – respondeu a morena do outro lado da porta.

- Estou ocupada... quem sabe você volta mais tarde, Bella? - disse irritada, porque sabia que estava cheirando a sexo e a irmã perceberia rapidamente.

- Abra é urgente, me deixe entrar de uma vez – falou mexendo na maçaneta da porta.

Narcissa fez um gesto para que o moreno se escondesse debaixo da cama. Afinal de contas, seria mais do que natural um cachorro estar farejando ou procurando algum sapato para morder. Ao mesmo tempo em que, foi, lentamente, em direção à porta. Ao abrir, Bella entrou depressa.

- Eu preciso falar com você! – enfatizou analisando todo o quarto.

- O que aconteceu de tão grave para todo esse desespero? – questionou Narcissa cruzando os braços.

- Ora, o seu querido marido se excedeu na comemoração da morte do velho e o Lorde está o castigando agora – seguia observando atentamente os cantos.

- É sempre isso! Lucius está pedindo para morrer... você espera que eu faça o quê? Me sacrifique no lugar dele, por acaso? – inquiriu brava.

- Dessa vez, você não parece estar se importando... das outras, Cissa, até que disfarçava bem. Agora, está estranha... tem algo de diferente que eu não sei identificar ao certo - disse a morena se aproximando da irmã sorrateiramente, a rondando como se estivesse querendo ter certeza do que passara pela sua cabeça. Antes que a loira falasse alguma coisa, Bella, em um gesto rápido, passou a mão por entre as pernas dela e soltou uma risada vitoriosa.

- Sabia que você traía o Lucius. Mas, com quem? – fixou o olhar na irmã com um semblante pensativo, levando uns tapas de Narcissa que estava possessa com aquilo.

- Olha aqui! Nunca mais faça isso... me respeite! – esbravejava, ficando ainda mais furiosa ao perceber que a morena não ligava para o que acabara de fazer e seguia agindo como se nada tivesse acontecido ou sido dito.

- Com o Severus não é... aliás, acabei de me dar conta de que ele é corno da amante... que coisa mais triste! Não me diga, irmãzinha, que é algum menino bem mais jovem? Pelo menos, assim, ele não vai mais se considerar o maioral por aqui... por ter matado aquele velho caduco! - seguiu com os olhos brilhando de satisfação com a ideia de que a loira estava traindo dois homens ao mesmo tempo.

- Eu não estava acompanhada por quem quer que seja – respondeu mantendo o rosto fechado e completamente sem paciência, enquanto Bellatrix se divertia caminhando pelo quarto. Até que teve a ideia de se abaixar e ver que debaixo da cama, encontrando um cachorro deitado, destroçando um sapato. Pensou por alguns instantes já ter o visto antes... mas, afastou a ideia, presumindo que, certamente, ele rondava os jardins da mansão.

- Nossa, Cissa... não me diga que estava transando com um cachorro?! Isso é o que eu chamo de extraordinário! – gargalhou com a cara de asco que Narcissa fez.

- É claro que não, Bella... por Merlin! Eu não sou depravada igual a você. Esse pobre cachorrinho estava faminto e resolvi lhe dar algo para comer. O coitado estava dormindo até você entrar aqui feito uma vassoura desgovernada e acordá-lo com tanto escândalo – a loira respondeu bufando, vendo que a morena continuava rindo cada vez mais alto.

- Cissa... Cissa... posso garantir uma coisa, já experimentei com o Sirius, algumas vezes, esses tipos de relações. Era bom quando ele lambia, mas o resto, não gostei muito – Narcissa olhou para debaixo da cama chocada com o que acabara de escutar, porque não conseguia assimilar como a irmã descia mais baixo a cada frase.

- Ora, ora... sempre esqueço de que eu tenho uma irmãzinha inocente e pura, que não pode ouvir essas coisas sem ficar enojada - seguiu demonstrando o quanto debochava do asco que causara.

- O que aconteceu em Hogwarts? – perguntou mudando de assunto, antes que vomitasse no meio do quarto com o nojo que sentia pensando no que tinha acabado de escutar.

- Bem, seu filho apareceu lá e enrolou o velho... depois o Severus chegou e matou. Agora está nas graças do Lorde das Trevas. Estou aqui pensando... se você o traiu, pode ser que, quando ele voltar, finalmente, queira de bom grado, passar umas horas comigo – cantarolava eufórica e descontroladamente. Narcissa estava aborrecida, sabia que o fim estava próximo para muitos e não fazia ideia do porquê Draco decidira se envolver naquela podridão. Com isso, ela pegou a irmã pelo braço e a expulsou do quarto, se jogando na cama. Sirius voltou ao normal e sentou ao lado dela.

- Está tudo bem? Quer que ir embora comigo? – a inquiriu, passando a mão no seu rosto.

- Adoraria, mas eu não posso. Você ouviu... meu filho foi atrás do Severus e se meteu nessa patifaria toda – encheu os olhos de lágrimas e o moreno a abraçou, dando pequenos beijos no topo da sua cabeça, acariciando os seus cabelos.

- Vai ficar tudo bem. O menino, daqui a pouco, aparece novamente na minha casa. Ele não é um criminoso... o Harry faria o mesmo por mim, se Dumbledore tivesse decidido que eu seria o assassino – tentou acalmá-la.

- Melhor você voltar para casa. Logo o Lucius aparecerá e se o encontrar aqui... eu não quero que matem você – o beijou entre lágrimas.

- Não chore... não vou morrer e o Draco está em segurança com o Severus, você sabe! – a apertou entre os braços.

- Eu não me importo comigo, mas tenho medo que aconteça alguma coisa ao meu filho, Sirius... ele é tudo o que tenho de mais importante na vida – manteve o rosto contra o peito dele, como se ali encontrasse o abrigo necessário para que a sua dor diminuísse.

- Quanto ao que a Bellatrix te disse... é mentira. Pode ser que tenha cogitado que era eu debaixo da cama e falou para gerar uma briga. Confesso que também acho repugnante esse tipo de coisa - respirou fundo a mantendo entre os braços.

- Não se preocupe, sei o quanto ela pode ser baixa quando quer e que diz essas coisas para me incomodar... te conheço o suficiente para saber que é safado, mas não um pervertido completo - o abraçou mais forte, acalmando a sua respiração. Algo fazia com que confiasse nas suas palavras e isso bastava.

- Se quiser, a partir de hoje, eu protejo vocês dois... se não tiver a intenção de aceitar, farei do mesmo jeito. Espero que perceba o quão apaixonado eu estou, Cissa – a beijou antes de ir embora e a deixar pensativa com tudo o que acontecera naquela noite.

FLASHBACK OFF