Capítulo 30 – Ensandecido.

Não saberia mensurar quantas horas faziam desde que havia pregado os olhos pela última vez. Mesmo antes de receber o fatídico telefonema de Rin já fazia tempo que não estava de bem com o meu sono. Havia tanto o que fazer. Tanto o que mudar. Que involuntariamente, perdido por entre meus anseios e ambições, misturei dia e noite a fim de avançar o mais rápido que podia.

No entanto, a turbulência como sempre, dilema dos meus dias em vida, chamou-me de volta para São Francisco num safanão indelicado. E desde que a história foi recebida por meus ouvidos não pude mais ser capaz de parar por um segundo.

Rin quase tinha sido assassinada por aquele patife que tive a desonra de conhecer por tantos anos. Por um louco, insano e cruel homem por quem sempre possui desprezo. E numa ironia malcriada, fez-se o acaso a atirar contra a única irmã. Contra sua gêmea que sempre fez de tudo para salvá-lo.

Será possível nesse mundo odiar com tanta intensidade, com tanta devoção, que se é capaz de ser engolido pelo próprio sentimento mórbido? Seria mesmo ódio que movia aquele ser tão obtuso? Ou se não o ressentimento apático de uma formação macilenta que se movia quase com um único propósito? O que Naraku queria em todos aqueles anos se não tirar toda a sanidade mental de todos a sua volta? Por que essa insistência insana em atirar-se nas mais duvidosas condutas? A crueldade daquele homem, apesar de lisa e imatura ao longo de todos aqueles longíquos anos nunca fora capaz de me assustar tanto quanto naqueles dias.

E mesmo doente, mesmo com a vida escapando por entre seus dedos, ele não buscava a redenção. Talvez nunca a buscasse. Talvez o seu destino fosse mesmo atear fogo.

Quando cheguei ao hospital, completamente decrépito e ansioso, pude finalmente avistar aquela mulher, motivo de minha agonia, de tantas dúvidas e certezas. Pude ver Rin, e mesmo de costas a reconheceria onde quer que fosse. Chamei-a num ímpeto, precisa vê-la, averiguar que todos os seus pontos vitais estavam a salvo. E que mesmo tarde, demorando a surgir, eu finalmente chegara.

Rin chorou em meus braços quando me viu. Agarrou-me num solavanco, e como uma menina assustada pôs-se a mostrar toda a sua dor. Legitimei sua reação. Não era para menos. Tentei confortá-la, trocamos palavras verdadeiras, de afeto evidente. E bastou um abraço longo para que aos poucos minha companheira voltasse ao que eu conhecia.

...

-... E foi isso. –Rin concluiu a história após ter-me puxado para um canto e me feito sentar-se ao seu lado em uma das cadeiras do hospital para me contar com todos os detalhes de tudo o que tinha acontecido até aquele momento. Ela respirou pesadamente colocando alguns fios de cabelo para trás da orelha, estava embaçada, com um aspecto terrível.

Coloquei minha mão direita em cima de sua olheira evidente. Ela recuou involuntariamente, mas logo permaneceu imóvel. Os olhos baixos voltaram-se para mim. Senti um mal estar invadir meu coração. Estava incomodado pelo fato de não ter sido capaz de protegê-la. De estar tão longe do que mais me importava. Eu havia falhado com ela. Sabia disso. Havia falhado como tantas outras vezes. Tentei manter-me calmo, com o rosto mais plácido que podia fazer.

-Não foi culpa sua o que aconteceu. –ela disse como se pudesse ler meus pensamentos. Apertou os olhos e colocou as mãos em meu rosto como se quisesse me acalmar. –Estou contente por estar aqui. Por ter conseguido chegar.

-Não devia tê-la deixado aqui, deixado com que andasse desprotegida. Eu devia ter sido mais cauteloso com a sua segurança. –disse firmemente olhando dentro de seus olhos castanhos.

-Como poderíamos imaginar que algo assim poderia acontecer? –ela deu de ombros soltando o meu rosto. –Nem nos meus piores pesadelos poderia imaginar que o irmão de Kagura viesse até mim para se vingar de você. De nós.

Eu me calei. Mas não conseguiria me perdoar. Não poderia ser diferente para um homem como eu. Talvez se estivesse por perto...

-Venha, você precisa conhecer os seus filhos. –ela disse com um sorriso terno dissipando completamente os meus pensamentos anteriores.

...

Rin puxou-me pela mão novamente, e foi me guiando até a ala da maternidade. Aquela cena soou como um déjà vu. Por que é que todos os meus filhos tiveram que nascer de maneira tão traumática? O que o universo queria dizer com aquilo?

Pelo vidro, Rin os apontou, estavam lado a lado.

Gêmeos...

Sorri sem perceber.

-Koji e Yasuhiko. –li os nomes que estavam grafados nas incubadoras. –Como Kagura havia dito que os chamaria.

-Sim. –Rin assentiu sorrindo. –Kagura disse seus nomes assim que os viu. Eles não são gêmeos idênticos.

Fiquei olhando para eles. E ali, no berçário, já demonstravam em seus espaços particulares serem de personalidades bem diferentes. Koji se esparramava com frequência, numa agitação incomum para um bebê recém-nascido. Yasuhiko, por outro lado, ficou espremido em um canto, fitando o horizonte de maneira complacente. Koji tinha os meus olhos, de um âmbar firme. Enquanto Yasuhiko puxara os de Kagura. Castanho-avermelhados de uma intensidade arrebatadora.

Ao longo do caminho fiquei pensando na reação que teria ao vê-los. Se seriam capazes de me causar tanto frenesi quanto Katsuo. E de fato a sensação fora a mesma. A mesma explosão de sentimentos. O mesmo palpitar do coração. Eram os meus filhos. A minha família. Por mais conturbada que fosse, pertenciam também a mim. E estaríamos ligados por toda a vida. O vínculo de sangue é algo da qual não se pode escapar.

-Agora sua família cresceu bastante. –Rin disse com um sorriso sincero. –Três filhos! Quem diria, Sesshoumaru.

Quem diria... Pensava o mesmo. Clarividente que não fazia ideia do quanto a vida podia me surpreender mais. Eu, já não mais tão jovem, contribuí quase que de uma só vez para o nascimento de três crianças que tinha certeza serem as mais distintas possíveis.

-Você precisa descasar. –finalmente disse voltando-me para Rin que pareceu um pouco receosa, sem saber o que dizer. –O que houve? É pelo que Kagura disse a você?

-Ela pediu para que eu ficasse. –Rin baixou os olhos e ficou a brincar com os cabelos que já estavam um pouco maiores desde a última vez que eu a havia visto. –Não queria deixá-la.

-O apartamento é perto daqui. Ficarei aqui até que você retorne. Ainda que eu tenha muito que resolver com Kagura irei deixar para outra hora. Serei condescendente com ela. Não tem que se preocupar quanto a isso.

Rin mordeu os lábios, abraçou o próprio corpo, mas acabou dando-se por vencida. Via em seus olhos a exaustão.

-Está bem. Eu vou pra casa para ver como Katsuo está. Havia pedido para Kohaku fazer isso, e para buscar algumas coisas minhas, mas farei isso então. E em breve irei retornar.

Assenti concordando.

-Não precisa ter pressa.

Rin se colocou na ponta dos pés, me inclinei um pouco para frente, pois já sabia que ela queria colar nossos lábios. Assim ela o fez. Numa brevidade nada característica. Deu passos apressados em minha direção contrária, e antes que pudesse efetivamente sair do recinto, encarou-me novamente.

-Seja paciente com ela, Sesshoumaru.

Franzi o cenho. Ela sorriu.

...

Quando Rin deixou o hospital eu sabia que ela havia vestido uma camisa da qual não a competia. Mas já era tarde para que a minha pequena voltasse atrás em seu compromisso moral. A responsabilidade que tinha criado com Kagura não seria facilmente desfeita. Conhecia Rin por tempo suficiente para saber que ela jamais abandonaria Kagura.

Aquilo soava estranho. Minha futura esposa acalentando minha ex-companheira. Devia mesmo ser um tolo em pensar que em algum momento eu fosse o problema de elas não se darem bem.

Nos dois dias em que nos revezamos no hospital, Rin me mandava diversas mensagens enquanto estava fora. Era completamente irritante... Primeiro porque Kagura negava-se a falar comigo em todos os momentos em que esteve acordada. E segundo porque Rin a acobertava por uma atitude tão ridícula como aquela.

Negava-me a responder a todas as mensagens de Rin para não compactuar com sua consciência que não precisava estar pesada nos momentos em que tinha que se ausentar do hospital. Bastei-me a exigir que descansasse, e que ela não poderia querer salvar a todos o tempo todo. No fim, pareceu concordar. As mensagens cessaram e pedi aos céus que ela finalmente tivesse dormido.

Por algumas horas, no silêncio pesado do hospital, acabei cochilando sentado e sonhos estranhos me rondaram.

Em um deles vi meus filhos, todos os três, já quase adultos. Mas no lugar de suas cabeças comuns humanas jaziam caras de cães ferozes, com olhos vermelhos e pelagem branca como a lua de prata. Eles grunhiam uns com os outros, falando num dialeto animalesco que estranhamente compreendia. Uma imagem bizarra, já que seus corpos continuavam como de garotos enquanto que o rosto era a maior das bestialidades folclóricas que ouvia quando novo quando minha mãe contava histórias sobre yokais.

Os três pareciam nostálgicos apesar da face canina, com dentes afiados e olhos de sangue. Estavam em cima de um túmulo enorme de ossos que estranhamente achava ser meu. Uma estrutura de ossos fazia a forma de um grande yokai... Lobo? Não! Cachorro, sem sombra de dúvidas. Um corpo gigantesco revestido com uma armadura medieval de bom gosto que lembrava ser aquela que meu pai utilizou certa vez em uma festa à fantasia.

Havia também uma espada. Depois apareceu outra. E no fundo do meu coração sabia que a primeira, embora parecesse brilhar mais e ser poderosa não pertencia a mim, e sim a meu meio-irmão. Inuyasha estava ali também? Não o vi com exatidão, somente uma sombra crepuscular vagando pela beirada do rio que percorria todo aquele lugar sinistro. Seus cabelos na escuridão pareciam longos, espessos e... Brancos?

Ouvi um choro ao longe de uma criança. De uma menina. Olhei para o lado, mas não vi ninguém. Quando voltei meus olhos a frente, meus filhos, ou o que pareciam ser meus filhos, também já tinham partido sem deixar vestígios.

Uma risada gutural e odiosa ressoou em minha mente. Eu já havia ouvido antes... Talvez em outros tempos... De quem era aquela risada? Por que parecia tão familiar e irritante?

Ouvi passos abruptos no solo macio. O choro daquela menina ficou mais alto. Meu coração se abriu, e mesmo querendo ignorar soube, pela intensidade característica, que era Rin. Vi de soslaio, uma moleca suja de terra, com um dos olhos fechados como se estivesse seriamente ferida. Vestia um kimono antigo puído e corria sem direção, aparecendo e desaparecendo de minhas vistas.

A risada de novo soou. E num estalo soube que era Naraku.

Tentei correr, mas não era capaz de sentir a terra embaixo de meus pés. O que era estranho porque via tudo passar em velocidade assustadora, como se estivesse em cima de uma moto enlouquecida. Então me dei conta de que flutuava...

...

-Senhor Sesshoumaru? –uma voz branda sibilou meu nome. Quem sabe se não foi mais de uma vez?

Abri os olhos lentamente tentando voltar a realidade. Ainda um pouco confuso me virei para o lado onde pude ver o médico que cuidava do caso de Kagura. Tudo foi voltando a mente como num baque. Rin, Kagura, meus filhos reais, o acidente, o hospital, São Francisco...

-Sim. –Disse calmamente o fitando com seriedade.

-A paciente acordou novamente. Ela pediu para que fosse vê-la caso estivesse aqui.

Assenti erguendo-me instantaneamente. Então finalmente o silêncio de Kagura se quebraria.

...

Não bati na porta antes de entrar. Pulei a parte das boas maneiras, pois sabia que ela me esperava. E depois de tantos anos de convivência não pareceu certo tanto formalismo. Por mais que as circunstâncias nos tenham afastado, Kagura continuava sendo Kagura, e eu continuava a ser o velho Sesshoumaru para ela com toda a certeza.

Kagura estava com a parte de cima da cama um pouco inclinada. Talvez estivesse um pouco cansada de estar deitada por tanto tempo. Já fazia tantos meses que não a via que acabei ficando mais surpreso do que podia imaginar em constatar sua presença material em meu campo de visão.

Ela estava com a face abatida como eu previra. Os olhos fundos roubavam a cena dos castanho-avermelhados de outrora. A pele que antes branca, parecia com a de um cadáver. Quanto terror aquela mulher não devia ter passado.

Todos os sentimentos negativos que nutri por ela de repente sumiram quando os meus olhos encontraram-se com os dela. Tudo ruiu numa fração de segundos tão abruptos que fez meus ombros relaxarem por completo. Não podia negar meus sentimentos por aquela mulher. Depois de tantos anos tendo-a em minha vida seria impossível não sentir um frenesi em vê-la naquele estado tão alarmante.

Passado o baque, aproximei-me mais. Fechei a porta atrás de mim e caminhei lentamente até a sua cama. Ela acompanhou meus passos com os olhos, reparando em cada detalhe meu como costumava a fazer. Quando estive próximo o suficiente, parei.

-Finalmente resolveu me ver. –eu disse colocando as mãos nos bolsos da calça.

-O que eu podia fazer afinal? –ela disse fingindo desdém. –Uma hora teríamos que nos encontrar, não é mesmo? Isso seria inevitável, aconteceria uma hora ou outra.

-Por que foi embora? –indaguei talvez mais ríspido do que pretendia. –Por que se comportou dessa maneira?

-O que havia de tão importante para eu ficar, Sesshoumaru? –ela ergueu uma única sobrancelha em tom de desdém. –Não queria estar ali testemunhando a sua felicidade... Essa é a verdade.

-Eu lhe daria espaço se me pedisse, não era necessário sumir como fez. E sei que fez isso para me atormentar.

-Em parte sim. –ela assentiu recostando mais as costas no travesseiro. Não fugiu com os olhos como pensei que faria. Ao contrário, encarou-me duramente antes de prosseguir. –Mas quem viveu o tormento fui eu, Sesshoumaru. E nada que eu quisesse, nada que eu fizesse, seria o suficiente para mudar o que eu de fato sentia. Nunca me senti tão só em toda a minha vida. Era como viver sem ter um coração. Só havia o vazio e mais nada.

Calei-me. Kagura arranhou a garganta, talvez pela emoção do momento. Pelo peso de suas palavras. Mas mesmo fingindo não estar com a voz embargada ela prosseguiu.

-Perder você, Sesshoumaru, sempre pareceu uma ideia ridícula. Era como se isso nunca fosse possível. E não porque eu o tinha facilmente, ou porque sabia que era completamente apaixonado por mim mesmo tendo inúmeros casos com as mais diversas mulheres... Não... Não era isso. –ela balançou a cabeça em negativa deixando um sorriso ameno escapar no canto dos lábios. –Perder você seria impossível porque nunca o tive. E não se pode perder o que nunca se teve. E eu sempre achei que nunca ninguém o teria. Que nunca ninguém nesse mundo seria capaz de prendê-lo, de fazer desistir de uma vida planejada e desenhada ao meu lado. O que nos unia talvez não fosse o amor, mas sim o destino. E eu sempre acreditei muito nisso. Que ficaríamos juntos porque assim o destino queria. Quanta prepotência a minha...

Dessa vez desviou os olhos de mim. Procurou a parede crua e a ficou fitando como se perdesse no tempo, nas lembranças de um passado que parecia já tão distante de nós. Tão distante como se não fosse real. Como se tivesse sido um sonho que não vivemos, mas sim assistimos enquanto a vida de verdade passava.

Senti seu baque, sua aflição. Desejei que nunca tivéssemos nos encontrado. Talvez assim, ela não estivesse naquela condição. Maldita hora em que foi junto com o seu pai visitar minha mansão de curiosidade. E maldita tenha sido a hora que resolvi ver de perto a filha do melhor amigo de meu pai.

O que teria acontecido se tivesse permanecido em meu quarto? Se Kagura não tivesse ido até a mansão? Se eu não a tivesse convidado para ir até o meu quarto ver o jardim de cima? Será que o destino nos amarraria de um jeito ou de outro? Será que estávamos mesmo condenados?

-Eu não me arrependo do que vivi. –disse sincero, ainda que não parecesse eu a dizer aquelas palavras quando diversos pensamentos cabalísticos me assomavam. –Sinto muito por ter aparecido em sua vida. Talvez as coisas tivessem sido mais fáceis para você se nós nunca tivéssemos nos conhecido.

Kagura pareceu surpresa com o que eu disse. Não era para menos, afinal eu não costumava ser tão melodramático, e tampouco ela estava acostumada a me ver pedir desculpas. Ficou parada em silêncio durante um tempo, como que para absorver tudo aquilo que eu havia lhe falado. Mas não demorou muito para sorrir.

-É realmente um novo homem, Sesshoumaru.

Franzi o cenho mesmo sabendo que Kagura tinha razão. Poderia ter rebatido, mas preferi manter-me inerte. Tirei as mãos do bolso da calça sentindo-me um pouco contrariado. Às vezes não se reconhecer pode ser assustador.

-Rin disse que ficou muito feliz em conhecer nossos filhos... –Kagura quebrou o silêncio mais uma vez, colocando uns fios de cabelo para trás da orelha tentando quebrar o clima pesado que se formou entre nós.

-Não haveria motivos para que eu não ficasse feliz em saber que estão bem. Foi quase um milagre vocês três terem saído vivos dessa história.

-Sim... –ela assentiu com um olhar vago, o rosto nostálgico. –Tem notícias de Naraku?

-Está preso. É só o que sei.

-Entendo... –ela suspirou longamente tentando conter a emoção. –Sabe que não tive nada a ver com o que Naraku fez, não sabe?

-Se por um momento eu duvidasse, certamente não estaríamos ocupando o mesmo ambiente. –falei sério e pesado. Imaginar Rin encurralada por aquele homem asqueroso sempre fazia o meu sangue ferver.

-Rin tem sido uma pessoa muito boa para mim, muito mais do que eu mereço... –Kagura sorriu parecendo incrédula. –Nesse pouco tempo em que estivemos juntas pude entender o porquê de amar tanto essa menina. Ela é mesmo diferente de todas as pessoas que conhecemos. Do nosso ciclo social... Eu não posso culpá-lo mais por ter se apaixonado por ela.

Rin era mesmo diferente. Não podia negar. Mas poderia ter dito a ela o quanto a achava especial também, apesar de nossas últimas brigas e da vida infernal que causamos um ao outro nos últimos tempos desde a chegada de Rin. Aquela era uma conversa de separação, e uma separação bem definitiva. Aquele clima me fez mal. Mal por pensar em quantas coisas havíamos vivido e não viveríamos mais. Não por nutrir um amor incondicional ao passado, e sim por ser Kagura. Por ser aquela mulher também tão ímpar que dividia do humor ácido à ironia amarga da aristocracia ao meu lado. Que me safou de tantos dias ruins e me animou nos piores. Quis ter dito a ela, como quis ter dito em vários momentos, e nunca pude. Ela merecia ouvir. Ao menos uma vez. Merecia.

-Você também é uma mulher especial, Kagura.

Talvez aquilo tenha sido o que sempre Kagura quis ouvir. E de repente, num quarto de hospital, depois de um fatídico momento, eu disse. Sem delongas, sem hesitar. Disse por que precisava dizer. Disse por que devia a ela. Disse por que era verdade, sobretudo.

Ela não respondeu como de fato achei que não faria. Ficou estatelada, entalada com aquele assunto que finalmente tivera um fim. Vi seus olhos se enxerem de lágrimas cristalinas. O líquido transparente bailava sob a lava feroz de sua íris. Era como ver uma erupção em meio ao mar. Tão atroz. Tão intenso.

Não dissemos mais nada. Até porque Rin adentrou ao cômodo, esbaforida que só, daquela maneira que ela costumava a aparecer: de supetão. Como um furacão.

Ela estava com o cabelo todo bagunçado, com a blusa que eu podia jurar ter sido vestida ao avesso. Ou será que a moda havia mudado tanto assim nos últimos tempos? Tinha os olhos arregalados que assim que nos viu mudaram, ficaram felizes, tranquilos. Um sorriso sincero brotou no rosto.

-Ah! –ela esmoreceu sem graça, um pouco sem ação por não saber o que fazer. –Eu não sabia que estavam juntos, desculpe ter atrapalhado.

-Não atrapalhou nada. Já havíamos terminado. –eu disse a tranquilizando, voltando-me para ela.

-Por que você está com essa aparência terrível? –Kagura riu brandamente balançando a cabeça em negativa, enxugando um pouco as lágrimas que Rin não percebeu caírem ou fingiu não ver.

-Ah, eu nem me olhei quando saí de casa. –ela riu dando de ombros. –Só consegui sair na milésima vez que tentei. Você nem imagina tudo o que aconteceu! Às vezes acho que não tenho um filho, mas sim cinco!

-Então é melhor eu me acostumar com a ideia de que tenho dez. – Kagura sorriu descontraída.

-É... –Rin assentiu sorrindo. –Tem razão.

...

No oitavo dia, Kagura finalmente teve alta do hospital. Ainda que não pudesse fazer extravagâncias, ao menos a vida voltaria aos poucos ao normal. Rin ofereceu o apartamento em que morava provisoriamente com Kohaku já que o nosso ainda não estava pronto e os poucos móveis que habitavam não comportaria a todos.

-O apartamento de Kohaku é bem espaçoso, poderemos cuidar de você melhor. –Rin disse com sinceridade enquanto segurava Yasuhiko, o ninando cuidadosamente. Já eu segurava Koji tão desperto e agitado.

-Não seja ridícula. –Kagura balançou a cabeça em negativa. –Já consegui alguns contatos de enfermeiras e babás experientes. Terei auxílio de profissionais ao meu lado. E me sinto muito melhor desde que entrei nesse hospital.

-Mas não é a mesma coisa. Não queria que se sentisse só. –Rin esmoreceu, ela odiava ser contrariada. E eu ficava imaginando o motivo de minha amada sempre querer fazer tanto pelos outros. Às vezes fazia mais pelos outros do que por si mesma.

-Não vou estar só. Tenho duas crianças para berrar nos meus ouvidos o dia inteiro e terei auxiliares. –Kagura falou seguramente, tentando não transparecer vulnerabilidade.

-Eu já providenciei tudo o que Kagura precisa. –finalmente falei tentando acalmar Koji que parecia não se aquietar um minuto. Meu filho tinha gana em viver, em conhecer aquele mundo. O tempo que passara dentro da barriga talvez tivesse sido tortura. Agora livre, não queria mais se conter.

Rin pareceu decepcionada. Então ficou em silêncio como costumava a fazer quando as coisas não saíam bem da maneira que esperava.

-Estarei no bairro vizinho. Seria bom que fosse tomar um café ou um chá de vez em quando comigo. Sem ser escravizada. Se bem que eu gostei dos seus serviços. Seria uma serviçal e tanto. –Kagura disse de maneira descontraída. Ela notara também o esmorecimento de Rin e a preocupação característica e exagerada de minha amante.

-Está certo. –Rin concordou com um sorriso amarelo. Um pouco menos contrariada.

-Agora vamos, que não aguento mais esse lugar tenebroso! –Kagura girou os olhos e bufou. –Quero tomar um banho de Chanel. Espero que você tenha providenciado isso também Sesshoumaru!

...

Deixamos Kagura em sua nova casa provisória. Obviamente tive que custear a cobertura, ela não aceitaria aquém, ainda que benevolente nos dias que se sucederam jamais perderia a sua essência. Por outro lado, não ofereceria menos a ela. Encontrei a mais confortável possível e a aloquei ali.

Ela pareceu gostar... Fez uma careta ou outra para alguma coisa, mas era tudo que dava para ter conseguido em tão pouco espaço. E de vagar, se ela quisesse permanecer por ali, iria arrumando a casa aos poucos, da sua maneira.

...

Rin entrou primeiro no meu quarto de hotel, o que eu costumava a ficar quando frequentava a cidade. Ela deu uma corridinha como uma criança e se atirou ao colchão fofo que balançou levemente com seu movimento. Espreguiçou-se por inteiro deleitando-se da paz que ali reinava e do merecido descanso que lhe fazia jus.

Fechei a porta atrás de mim, deixei umas sacolas em cima da escrivaninha no lado leste e não demorei a me encaminhar até o bar com as mais diversas opções. Não precisava olhar muito para escolher. Era de praxe. Whisky. Puro, sem gelo.

Servi-me sem olhar para trás. Com um gole certeiro ele se foi para dentro de mim com a agressividade que se espera de um Whisky de verdade.

-Quer beber alguma coisa? –indaguei ainda sem virar para trás, colocando mais uma dose em meu copo cristalino.

-Não... –ouvi-a murmurar, havia preguiça em sua voz.

Virei para ela segurando o copo com a mão direita deixando para trás a garrafa com metade degustada. Encaminhei-me até a cama. Ela se afastou, indo para o canto esquerdo como se fizesse qualquer diferença o espaço por ela cedido. A cama era imensa, caberíamos nós dois e mais uns três. O que ela queria era que eu deitasse ao seu lado, e assim, tomando um gole curto, o fiz.

Repousei o copo no criado mudo. Deitei ao seu lado sem cerimônias, e mal pude me acomodar, pois em segundos Rin já havia se atirado em meu peito e me aconchegado em seus braços. Senti sua respiração em meu pescoço, seu corpo quente como o verão. O cheiro do seu shampoo favorito preencheu novamente as minhas narinas. Aquele aroma tão familiar me fez voltar a Veneza. Em nosso canto secreto, longe de tanto barulho. Como eu queria que aqueles dias fossem eternos...

-Nem acredito que tudo acabou. –ela suspirou e do ângulo que estava pude vê-la cerrando os olhos. –Estou tão cansada...

-Tudo o que fez por ela, tudo o que sacrificou, Kagura jamais irá se esquecer dos dias no hospital ao seu lado.

-Estou feliz que estejamos em paz. E feliz por ela e os bebês estarem bem. –Rin cerrou os olhos de maneira mais firme, como se quisesse apagar alguma coisa de sua mente. –Foi horrível o que aconteceu. Ainda vejo a cena repetidamente, tento não pensar, mas foi um dos momentos mais terríveis da minha vida, e tenho certeza que a de Kagura também. Como será que ela está se sentindo a respeito de Naraku? Tentei não falar disso com ela. Mas, em um dos dias, ela fingiu não me ouvir quando perguntei.

-Nem precisava ter perguntado. Kagura certamente está arrasada, Naraku além de ser seu gêmeo, é o único familiar mais próximo vivo. Mas ela irá superar tudo isso. Logo, quando Naraku finalmente for condenado a prisão, essa história vai ficar para trás.

-Acha mesmo que ela será capaz de superar algo como isso? –Rin voltou a abrir os olhos e me encarou com aflição.

-Kagura é mais forte do que pensa. –disse com um tom de certeza na voz. –E ela terá coisas mais importantes para se preocupar daqui para frente.

-Eu realmente espero que sim.

Rin voltou a cerrar os olhos, e a se aconchegar a mim. Ficamos num silêncio nada característico durante alguns instantes. Presos aos nossos próprios pensamentos. E milagrosamente, fui eu quem quebrou o vácuo que havia se formado entre nós.

-Como anda o tratamento de Kohaku?

-Está mesmo perguntando sobre Kohaku? –ela riu baixinho com os olhos ainda fechados, como se estivesse muito incrédula, mas não a ponto de deixar aquele momento de sossego passar.

-Quero saber se algum dia será possível sairmos de São Francisco e voltarmos para casa.

-Imaginei que fosse esse o motivo da pergunta... Kohaku está indo bem. Os médicos têm esperanças com ele e eu também tenho. Acho que ele está progredindo. –Rin se agitou, abriu então os olhos dando-se por vencida. – Por que isso agora? De todo modo não fechou uma aliança com Joshua?

-É diferente. O que tratei com Joshua não foram laços eternos. Sabe que não tenho pretensão de passar o resto dos meus dias nesse lugar.

-Eu sei. –ela assentiu dando um suspiro longo. –Nunca pensei que aqui fosse um lugar definitivo, até por que... São Francisco sempre foi um lugar de passagem no fim das contas.

Aquele comentário fez-me lembrar da vida passada de Rin. De quando ela e Kohaku, vivendo naquele mesmo apartamento, num passado não tão remoto, dividiam uma vida de casal de verdade. Lembrei novamente das fotos dos dois juntos espalhados pela casa, jogados no ar para qualquer um ver a felicidade exposta em seus rostos. Pensar naquilo fez todo o momento desabar. Ergui o corpo desvencilhando dela, tomei o último gole de Whisky que deixara no copo.

Rin arranhou a garganta como se soubesse que havia feito um comentário que havia me desagradado. E na maestria que só ela conseguia fazer, tratou de trocar as palavras e mudar o rumo daquele assunto que começava a soar desagradável.

-Você falou em Joshua, acabei me lembrando de Olívia e de uma história muito louca.

Virei novamente para ela que estava com um sorriso largo no rosto, preparada quem sabe para contar uma coisa engraçada ou inacreditável. A postos, fiz o que sabia fazer de melhor: escutá-la dedilhar.

-O que aconteceu? –a estimulei a continuar, ainda que soubesse que não precisaria de tal ato para que ela prosseguisse com a história.

-Antes do incidente, Olívia havia me mandado uma mensagem quando eu estava em nosso apartamento olhando as coisas da obra. Dizia na mensagem que precisava falar comigo. Pois bem, como aconteceu tudo aquilo com Kagura acabei por não procurá-la e realmente me esqueci do que ela eventualmente queria me dizer. Dias depois, quando as coisas começaram a melhorar, ela me ligou. Claro, me pediu desculpas, pois não tinha ciência do que havia acontecido, desejou coisas boas para nós e... –ela riu brevemente balançando a cabeça em negativa. –Você acredita que ela queria que eu fizesse parte de uma reportagem da Vogue?

-Como? –arquei as sobrancelhas, por um momento achei que havia escutado mal.

-Pois é, foi a mesma coisa que disse! –Rin sentou nas próprias pernas e continuou a história a achando divertidíssima. –Parece que Olívia tem algumas amigas influentes e que uma delas tem um cargo altíssimo na Vogue. E essa amiga acho que compartilhou que estava precisando de alguma mulher asiática que fosse interessante para a revista. Para uma matéria sobre mulheres exóticas, algo nessa futilidade.

-E o que disse a ela?

-Disse que não tinha nenhum cabimento, claro. –ela deu de ombros sorrindo. –Que eu não tinha nada de interessante assim para mostrar, para sair numa revista. Imagine você, eu tirando fotos, falando de uma vida para quem quiser ler. Eu nem sou famosa, nem nada!

Pousar para Vogue... Que ironia. Justo a revista que Kagura lia quando nos encontramos e pela qual ela continuou a acompanhar por tantos anos a fio, de diversos países. Pensar em Rin estampada em uma das páginas me fez pensar em como Kagura se sentiria. Para minha ex-amante receber um convite como aquele seria o suprassumo de todo o êxtase existente. Já para aquela, que diante de mim parecia atônita pela bizarrice incoerente, era nada mais do que algo categórico da qual talvez nem cogitasse em fazer parte.

Emudeci perdido por entre o ontem e o hoje. As palavras que Rin passou a proferir passaram despercebidas pelos meus ouvidos sempre tão atentos aos seus devaneios. Como a vida era estranha e sarcástica.

-Está me ouvindo? –ela me cutucou com um sorriso no canto dos lábios, uma pergunta claramente retórica, tendo em vista que ela já sabia a resposta.

-Não, eu estava pensando...

-Também não gostou dessa ideia de eu posar para a revista? –ela arqueou uma sobrancelha um pouco confusa.

-Não, não é isso. –balancei a cabeça em negativa. –Estava pensando em como Kagura amaria essa ideia.

-Pois foi justamente o que pensei também! –ela deu um sobre salto no colchão, colocou a mão no peito como se estivesse comovida. –Mas falei para ela, e ela simplesmente recusou! Disse que se eu fui convidada, eu que tratasse de aceitar o convite e que não empurrasse para ela, você acredita nisso?

Sorri. Aquilo era tão Kagura...

Rin então esmoreceu ao ver meu sorriso. Aproximou-se novamente de mim com os olhos frustrados e com um arrependimento evidente.

-Pelo jeito você acredita... Acha que fiz mal? Eu a ofendi de alguma forma?

-Não... Não a ofendeu. É só o jeito dela de dizer que se nunca a chamaram como primeira opção, então que por segunda ela não quer.

-Nossa, você acha mesmo que ela entendeu dessa forma? –Rin engoliu a seco. Coçou a nuca atônita. –Não foi minha intenção... Só achei que ela gostaria mais do que eu de fazer parte da Vogue...

-Certamente gostaria, mas não nessa situação. Mas deixa isso pra lá. –tentei tranquilizá-la. –Não é nada sério.

-Poxa, eu só dou bola fora com ela. –Rin deu um sorriso amarelo voltando a se jogar na cama com a barriga para cima fitando o teto como se este fosse infinito.

-Esqueça...

Imergimos em mais um silêncio breve. Depois que a crise de culpa de Rin passasse não era de se admirar que ela o quebrasse devidamente. Minha noiva não era capaz de aceitar espaços longos de silêncio. A agitação a dominava toda a vez que o vazio nos preenchia. Não era capaz de permitir espaços longos de reflexão.

-Estava pensando... –ela começou novamente, apoiou o cotovelo na cama e elevou a cabeça por sobre a mão a fim de conseguir me olhar melhor. –Agora que tudo passou e que todas as coisas estão se encaminhando...

-Que já podemos nos casar. –eu completei a deixando inerte.

Rin somente assentiu com empolgação visível.

-Sim! Não acha?

-Tenho certeza. –assenti calmamente. –Só preciso terminar algumas coisas, que não levarão muito tempo, e assim, quando finalmente voltar, poderemos realizar o nosso casamento.

-Ótimo! Porque nossa casa está quase pronta. Não vai demorar muito para que me entreguem o projeto. Acho que no máximo em um mês tudo vai estar acertado.

-Um mês é tudo que preciso. Talvez menos.

Rin riu de forma divertida, jogou-se novamente em meus braços com a alegria que eu já me acostumara. Sua alma tinha tantas cores. Ela inundava, transbordava quem quer estivesse ao seu lado.

-Quem diria Senhor Sesshoumaru, que eu viraria a Senhora Taishou.

Não disse nada. Quem mesmo diria? Sorri no fim das contas, mas aquele ela não pôde ver.

De repente, ela veio para cima de mim, sentou em meus quadris e me olhou com aqueles olhos tão quentes como o verão que queima, arde, acende. Vi estampada a malícia dentro daquela mulher que me tratava da maneira mais selvagem quando queria. Senti um arrepio percorrer a espinha. Ela nem parecia ser de verdade. Quem sabe não fizesse parte de mais um sonho insano meu?

A segurei pelo braço, e na maciez de sua pele tive a certeza de não ser uma presença espectral. Sua pele macia era um convite aberto para meus toques sempre tão diretos. Sem hesitação, com a respiração já descompassada, ela me beijou com voracidade, pronta quem sabe para me engolir por inteiro. Rin parecia não se saciar com meu coração, talvez quisesse minha alma também. E ouso dizer que ela já a tinha. Quem é que poderia pará-la?

Enlacei minhas mãos em seus cabelos enquanto ela continuava a me beijar, a trazia cada vez mais para mim. O seu cheiro me deixava completamente fora de controle.

Ensandecido.

Como era delicioso enlaçar-me a ela. Uma parte animalesca em mim renascia toda vez que sentia seu toque.

Ergui um pouco o corpo enquanto nos beijávamos. E como se fosse óbvio deixei com que ela tirasse a minha camisa, e assim fiz com ela. Seus beijos percorriam o meu pescoço e toda aquela carícia fez meu corpo pegar fogo. Olhei-a de soslaio, completamente refém de mim, e dependente de mais carícias. Abri seu sutiã verde escuro de renda. Encontrei aqueles seios mais fartos do que o normal de onde tive o prazer de acariciar.

Ouvi um gemido baixo o que me deixou mais excitado. Não pude então esperar mais, despi as calças que me aprisionavam, e já completamente entregue e preparado atirei-me por cima de seu corpo pequeno, com cuidado. Ela entrelaçou as pernas em mim, prendendo-me, e eu pedia que fosse para sempre.

...

CONTINUA...

...

NOTA:

Olá! Como vocês estão?

Desculpem novamente o sumiço, mas essa época de festas é muito complicada tanto na minha vida pessoal como no trabalho. No trabalho então DISCONJURO. De repente já era Natal na Leader Magazine, depois ano novo (leia-se meu aniversário), e não mais que de repente hoje já é dia 15! WTF! O q está acontecendo com o tempo? Sério, isso não assusta vocês de como o tempo é escrotamente rápido?

Enfim, demorei, mas trouxe mais um capítulo! Espero que vocês tenham gostado! E realmente estamos nos aproximando do final (ufa)! Vocês têm sido grandes companheiros, parceiros de verdade! Sempre ao meu lado, entendendo meus problemas, ausências rs! Sinto-me lisongeada por ter pessoas tão incríveis como vocês!

E mesmo que já tenha ficado tarde para isso, quero desejar que esse ano de 2020 seja maravilhoso, que trilhemos um caminho de sucesso, com muito amor, pessoas amadas, amigos verdadeiros. E que os problemas que nos assombrem sejam resolvidos com êxito e glórias! E que possamos sempre ser muito gratos pela vida que temos, pelo que somos. Agradecer sempre!

Um beijo grande e espero vocês no próximo capítulo!