No dia seguinte, Sirius acordou e viu que Bellatrix estava ao seu lado adormecida. Ele a olhava sem conseguir acreditar que, mais uma vez, tinha sido fraco e caído nos braços dela como se nada tivesse acontecido no passado. Se sentia mal por isso, não era possível que repetisse os mesmos erros sempre... foi então que pensou no quanto magoaria Narcissa quando soubesse do que acabara de fazer... dificilmente, ela o perdoaria por conta de todas as traições que já vivenciara em todos os anos de casamento com Malfoy. Em meio a um caos de reflexões, queria colocar as suas ideias no lugar e ter força para discernir o que deveria fazer depois daquele erro incontestável. Olhou novamente para a mulher adormecida, juntou seus cacos, seu orgulho ferido e a sua roupa... saiu do quarto sem pensar em voltar atrás. Não podia seguir com aquilo ao ter certeza de como essa história acabava. Foi assim que atravessou a porta e vagou por um tempo pela rua meditando a respeito de tudo o que vivenciara ao lado dela, chegando à conclusão de que o melhor era esquecer e seguir em frente. Como poderia ser frouxo o suficiente a ponto de estar prestes a perder uma mulher maravilhosa, que abrira o coração para ele por conta de outra que só o prejudicou e o destruiu como se não fosse nada? Necessitava de coragem para contar a sua falta e arcar com as consequências dos seus atos.

Assim chegou em casa, pela metade da tarde, não sentia fome. No entanto, era completo por uma sensação de vazio que o dominava e o enchia a ponto de sufocar. Teve vontade de gritar e quebrar tudo o que estava a sua volta, por conta da raiva de si mesmo e se considerar totalmente inapto e burro. Lembrava que Snape o havia alertado quanto aos Comensais da Morte e qual deles seria o mais interessado em ir atrás de Hermione, a não ser Bellatrix? Ele falhara em proteger a filha, era apenas um medíocre e fracassado, que foi um perfeito incompetente em algo que deveria ser tão simples. Quem sabe seu pai e seu tio não estavam certos quando o definiram como um idiota pleno? Deste modo, foi retirado dos seus pensamentos e viu que a casa estava cheia. Ao que parecia, nas suas observações rápidas, as meninas combinaram alguma coisa importante e estavam todas muito envolvidas na organização para que nada desse errado. Depois de meses, via Hermione sorrindo feliz e radiante no meio daquele sobe e desce nas escadas, gargalhadas, vozes que se sobrepunham umas às outras, em conversas desconexas e cheias de alegria. Era uma energia boa que ecoava pelos corredores...

Quando ouviu a voz de Nymphadora chamando alguém, concluiu que o amigo deveria estar em algum lugar da casa e saiu para procura-lo. Como viu que Lupin não se achava em nenhuma das duas salas e, certamente, não encontrava-se na cozinha, foi em direção ao andar dos quartos. Foi ali que encontrou o homem de cabelos que ficavam prematuramente grisalhos parado olhando para uma foto deles na época da escola.

- Também sinto falta dessa época... principalmente, do Pontas e das bobagens que ele dizia – Sirius ao falar aquelas palavras abriu um sorriso triste.

- James não ficaria nada feliz em saber que nós nos tornamos parentes do Severus. Imagino que ele teria arrancado os cabelos – afirmou completamente melancólico.

- Verdade... Aluado. Aliás, conversei com a Hermione um dia desses e contei a ela que você seria o seu padrinho – disse comovido.

- O que ela achou? – questionou se virando curioso.

- Gostou muito. Acredito que ela ficou muito contente... o problema é que, desde que ficou longe do Ranh... do Severus, ela andava chorosa e desanimada. Parecia que a luz dentro dela estava se apagando aos poucos por conta da saudade – respondeu desgostoso e seguiu:

- No que dependesse de mim, ela teria casado com o Harry... vou morrer sem compreender como a minha menina foi se apaixonar tão intensamente por um completo idiota.

- Não o vejo assim, sinceramente. Penso que o Severus, tirando o gênio péssimo que ele tem, jamais seria um marido abusivo ou tentaria diminuí-la como mulher e pessoa – Lupin falou sério encarando o amigo.

- Ele a chamou de burra, irritante sabe tudo... atacou a autoestima dela ao mencionar que possuía os dentes grandes – retorquiu.

- Você sabe que ele, como diretor da Sonserina, não poderia ficar elogiando efusivamente uma nascida trouxa. Muito menos, na posição em que se encontrava como agente duplo. Sirius, o Severus para ter mencionado essas coisas, significava que a observara o contrário e estava impedido a dizer isso – manteve a mesma expressão.

- Remus, quer me convencer de que ele seria mais gentil com a Hermione se soubesse que ela era minha filha com a Bella? E como assim, a olhava? Ela era uma criança quando aquele imbecil fez essas coisas – franziu o cenho prestando atenção no outro homem.

- Não sei... mas, não teria nenhum empecilho elogiar alguém de sangue puro, mesmo sendo da Grifinória. Os filhos dos Comensais da Morte não poderiam alimentar fofocas e, tampouco, alguém levantaria a hipótese de que era um traidor – respondeu pensativo e continuou ponderando o que estava avaliando:

- Quanto à percepção dele, no tocante à Hermione como pessoa do sexo feminino, creio que tenha notado a inteligência, o talento e a sagacidade dela primeiro. Falo isso me utilizando como parâmetro... foi o que eu notei nela. No que tange à beleza e nela como alguém atraente e desejável, demorou bem mais. Por mais que você queira provar o contrário, sabe que o Severus não atacaria uma criança e que não deve ter sido fácil admitir que estava apaixonado por alguém quase 20 anos mais jovem.

- Você sabe que eu não consigo confiar nele, por mais que me digam que está nos ajudando, não o considero digno de credibilidade – retorquiu contrariado e resolveu mudar o rumo da conversa, fazendo um gesto para que se dirigissem para a sala de estar e continuassem o assunto:

- Remus, o que elas estão fazendo ou planejando?

- Elas marcaram de uma hora para outra um jantar de família. Queriam ficar paparicando o Scorpius e se encontrar, já que as coisas andam muito difíceis ultimamente... não há lugar em que não estejamos sendo vigiados! – argumentou preocupado com aquela situação. Mas, estava contente de ver a esposa tão feliz conversando com as primas e a amiga. Afinal, momentos assim, se tornavam cada vez mais raros.

- O Severus vem? – questionou.

- Creio que sim, Sirius, por quê? – retorquiu.

- Se me pergunta... é porque não viu o estado em que ele se encontra. Caso a Hermione se depare com o Severus na situação em que ele está, tenha absoluta certeza de que ela terá uma crise – falou sério observando a filha andar carregando algumas coisas tão feliz.

- Tão ruim assim? – Lupin perguntou sem tirar os olhos de onde as meninas estavam.

- Lembra de como ele era antes do James pôr fogo no cabelo dele? Pois bem... está pior! Pela primeira vez, posso falar sem ser implicante que ele está fazendo jus ao apelido de Ranhoso e, certamente, não vê água há tempos – falou fazendo um gesto de negação com a cabeça, sério.

- Deve estar deprimido... as pessoas quando estão assim, acabam desse jeito. Coitado! Mas, pode ser que com a ideia de que verá a rainha dele, o Severus se preocupe com a própria higiene – ao concluir o que dizia, bebeu um gole de firewhisky e ficou observando a movimentação por um tempo, até decidir indagar:

- Onde passou essa noite?

- Eu estava com a Bella... – sussurrou.

- Você é louco? Como é que passa a noite com aquela demente? Por Merlin, homem! O que tem na cabeça? – Lupin sibilava o ralhando pelo o que fizera.

- Sei que errei... não faço ideia do que me levou a isso! Acho que precisava de uma confirmação que estava tudo acabado e eu deveria seguir adiante – cochichou.

- A Narcissa vai ficar "muito satisfeita" quando souber que você precisa de provas para concluir algumas coisas. Francamente... na minha opinião, isso só demonstra que quando se trata dessa fulana, você não passa de um frouxo! – disse perdendo a paciência, enfatizando sarcasticamente a questão do deleite diante de tal notícia. Logo, se retirou para ir em direção à esposa, deixando o amigo sentado apoiando o rosto nas mãos, pensando na besteira que tinha feito.

Horas mais tarde, quando estava quase anoitecendo, tudo estava o mais calmo possível. As meninas estavam ainda mais animadas conversando com os elfos na cozinha, sendo que Monstro estava realizado em ter tantos jovens de sobrenome Black no seu entorno... principalmente, Hermione e Luna pelas quais adquirira um verdadeiro sentimento de adoração pela maneira que elas o tratavam. Sobretudo, depois que ouviu as duas convencendo Draco e Dora que o presenteassem com roupas, para que ele não se sentisse menosprezado diante dos elfos que pertenciam a Snape e, que andavam bem vestidos e limpos. Desde aquele instante, Monstro que já gostava muito das duas, sempre que podia, dizia a elas que ambas lembravam muito o senhor Regulus, um verdadeiro defensor dos elfos. Contudo, nunca explicara quais os motivos o levavam a enfatizar tanto aquilo, deixando-as cada vez mais curiosas diante do fato. Narcissa, nesse meio tempo, ouvia as conversas e, em algumas horas, se envolvia no que estava sendo tratado. Mas, sua atenção estava voltada quase que completamente para o neto, a quem ela estava dedicando todo o seu tempo ao paparicá-lo ao máximo possível. Já os homens, entre os quais, se incluíram Draco e Harry, se encontravam na sala dialogando sobre os próximos passos da guerra até que escutaram um barulho de alguém batendo à porta. Instintivamente, todos pegaram as varinhas quando Hermione se apressou para chegar lá antes dos outros... a ansiedade era maior que qualquer outro sentimento naquele segundo.

- Olá, jovem moça, sentiu saudades? – deu um sorriso de canto ao observar os sinais de amor que se apresentavam tão fortemente no brilho daqueles olhos castanhos.

- Oi, estranho... não muita. E você? – o analisava de cima a baixo, como se estivesse tentando guardar cada detalhe do homem que estava diante de si.

- Quase nada! Até pensei em fazer algumas festas em Hogwarts, sabe? Aliás, não vai me convidar para entrar? – fez o semblante mais sério que conseguiu diante daquela situação.

- Oh sim, prof... diretor Snape. Esteja à vontade! – ela respondeu, dando passagem para que ele passasse e seu corpo todo emanava uma aura de felicidade pelo simples fato de estar tão perto.

- Grato! A propósito, se eu não fosse casado... adoraria cortejar uma bela mulher como você – fez a sua melhor pose de reverência e gentileza para dizer isso, demonstrando o quanto estava adorando brincar com Hermione. Tudo nela o deixava encantado.

- Oh, que gentil... mas, sinto informar que também sou casada. Meu marido, embora negue, é muito ciumento... – argumentou divertida.

- Ele está certíssimo... minha esposa também tem essa característica, mesmo se recusando a admitir. Contudo, se me permite, algo me diz que eu sou capaz de ficar perdidamente apaixonado por você. Tão linda, doce e perfeita... minha rainha Hermione – falou a erguendo no colo.

- Também amo você, meu Sevie! Vidinha, não faz ideia do quanto eu senti a sua falta. Tenho tantas coisas para contar... não estou esperando um bebê, mas dois! A Ginny fez um feitiço que me mostrou eles. Foi tão lindo! Queria que tivesse visto... um menino e uma menina... os nossos bruxinhos! – o beijou.

- Sei, bruxinhos... se forem bem seus filhos... terei dois diabretes dentro de casa. Me considerarei sortudo se chegar aos 50 anos gozando das minhas faculdades mentais intactas – gargalhou com a castanha lhe dando uns tapas nos braços.

- Bobo! Eles serão doces e bem-educados – disse séria, fingindo estar brava com ele.

- Certamente... então, não serão meus filhos e, muito menos, morceguinhos sonserinos – respondeu franzindo o cenho.

- Como não? – o questionou com um olhar de dúvida.

- Ora... menina tola! Gente fina, cortês, gentil, amável, educada e sociável, com certeza, não tem o sangue dos Snape. Observe a Dora e eu, ela parece uma punk arruaceira e é meio insana, no meu caso, sou grosseiro e antissocial, caso não tenha reparado ainda. Deste modo, terá absoluta certeza de que a selvageria é uma verdade universal correndo em nossas veias. Fingimos que somos civilizados, entretanto, não passamos de rebeldes bravios sem rei, nem lei – a beijou várias vezes, enquanto a mantinha no colo. Sentia saudades dela e não queria mais passar nenhum segundo longe.

- Snape, eu vou vomitar no chão se passar mais 1 minuto dessa melação sem fim entre vocês dois – falou Ginny que estava passando com uma travessa para colocar na mesa.

- Não sei se eu já a chamo de senhora Malfoy, senhorita Weasley ou sigo ressaltando que é uma ruiva tarada! – ergueu a sobrancelha para enfatizar ainda mais o sarcasmo naquelas palavras.

- Ah... deixei disso! Já falei, pode me chamar de amor da sua vida, lindo! Mas, sério, pare de besteira... cansei de te dizer que pode me chamar de Ginny. Convivemos um tempão, temos que deixar de lado essas formalidades – foi argumentando durante o tempo em que cuidava da arrumação até dar as costas para voltar à cozinha.

- Vou pensar no seu caso, sua doida! – respondeu elevando um pouco a voz para que ela o ouvisse, movendo a cabeça em negação.

- Também te amo, Snape! – a voz dela ecoou pelo corredor acompanhada pelas risadas de quem escutara aquela provocação.

- Sevie, você não vai me soltar? Preciso ajudar as meninas e os elfos a servir o jantar. Você tem que cumprimentar as outras pessoas – Hermione tentava, em vão, convencê-lo a libertá-la.

- Não, não vou e tampouco pretendo ver quem quer que seja. Também não quero comer... vim aqui, só para ficar te apertando um pouco e para que os meus monstrinhos já reconheçam a minha voz, Hermis – sorriu.

- Então, me leve até a sala! Esses pobres inocentes vão achar que o pai é meio doido – cruzou os braços contra o peito em uma atitude de falsa provocação.

- Ah sim... se continuar desse jeito, eles também chegarão a conclusão de que a mãe é devassa. Ainda mais, porque estou inclinado a acreditar que ela quer mostrar a todos que é uma maníaca sexual. Ficar me abraçando com as pernas... assim, tão sedutora... depois de todo esse tempo que eu fiquei sem você, sem sentir o seu cheiro impregnado no meu corpo... não sei se o seu pai ficará orgulhoso da cena – zombou, sentindo que ela lhe mordia o pescoço. Passaram mais um tempo se provocando até que a soltou e foram de mãos dadas para a sala. Snape cumprimentou a todos, dando um jeito de abraçar bastante a irmã e, ao ser informado que se seria tio de um menino, ficara radiante.

- Como vai se chamar o meu lobinho predileto? – perguntou a puxando para mais perto, fazendo com que Dora ficasse com a cabeça deitada no ombro dele.

- Edward Remus... – respondeu com um sorriso no rosto.

- É um bom nome... de dois homens que lhe deram amor de diferentes modos – a apertou entre os braços.

Aproveitando que ele se entreteu com tudo o que Dora e Lupin lhe contavam de novidades, Hermione foi para a cozinha ajudar Luna, Ginny e os elfos a levarem os demais pratos que ainda estavam ali para serem servidos. Era raro esses momentos em família, em que todos estavam reunidos e tudo ocorria bem. Principalmente, quando Sirius e Snape estavam se comportando da maneira mais sociável possível um com o outro. Na verdade, passaram a maior parte do tempo se ignorando o que mantinha o clima amistoso dentro da casa.

Depois de algum tempo envolvido naquele assunto, Snape reparou que Narcissa estava imersa nos próprios pensamentos e se preservava em uma posição alheia ao que ocorria no seu entorno. Não se preocupou muito em ocupar a cabeça se preocupando com o que poderia estar acontecendo com ela. Sabia que, quando surgisse a oportunidade, ela contaria o que a preocupava tanto e lhe deixara aflita. Quando a loira percebeu o olhar dele, fez um gestou para que ele a acompanhasse e seguiram para o andar de cima.

- O que sucede, Cissa? - inquiriu sério.

- Sevie, eu não quero estragar o ótimo clima que está essa noite... mas, estou completamente apreensiva com uma desconfiança que domina os meus pensamentos nos últimos dias – soltou a respiração pesada e tensa, mostrando o quanto estava ansiosa.

- Não entendo onde quer chegar... – disse com a testa enrugada de preocupação, sentia que era um tema importante que seria discutido ali.

- Bem... você já deve saber ou desconfiar que eu estou saindo com o Sirius. Não sei se é o certo, ainda mais que sou casada e, para piorar... estou convicta de que engravidei e não preciso nem te dizer o que um filho fora do casamento proporcionaria ao Lucius – concluiu com os olhos cheios de lágrimas.

- Poderia te parabenizar... entretanto, penso na sua estranha capacidade de ter filhos com completos imbecis e não me conformo – riu a abraçando para acalmá-la.

- Você é um babaca, ridículo, idiota e eu odeio você – ela respondeu com um tom falsamente ofendido e lhe deu um tapa no peito.

- Sabe que pode contar sempre comigo, sua estúpida e implicante – antes de concluir eles escutaram no andar de baixo uma voz histérica e demente reverberando pela escadaria. Ao reconhecer, Snape desistiu de descer e aparatou no meio da sala já apontando a varinha em direção à mulher.

- O que faz aqui? Como entrou? – interrogava sem desviar a atenção de cada passo dado por ela.

- Que cena linda a família toda reunida, depois de anos, e ninguém me convida... não foi a educação que recebemos, não é Sirius? – respondeu ignorando completamente Snape que lhe lançava um olhar assassino. Como não obteve resposta do primo a morena prosseguiu, se aproximando da mesa onde quase todos já estavam sentados:

- Ora, respondendo a você, Sevinho... eu vim para dizer algumas coisas que precisam ser ouvidas por todos. Posso me sentar aqui? – sem dar ouvidos ao que lhe falavam e na revolta que já gerara pela sua presença, se acomodou ao lado de Sirius, colocando a mão na perna dele.

O homem de cabelos castanhos a olhava atônito, sua mente girava tentando compreender como ela descobrira a possibilidade e o método de entrar ali. Não via muitas explicações plausíveis, além de que, devia ter visto o segredo na sua mente... era por isso que havia se aproximado, jurando amor. Bella sorria, encarando cada um deles e se servindo para comer... sentia o clima naquela sala baixar alguns graus pelo constrangimento e a raiva contida que se instalara ali. Era tudo o que ela queria, destruir a felicidade de cada um apenas com palavras.

- O que aconteceu? Vocês estão tão calados! Parece que não gostaram de me ver... – fez uma feição de mágoa e continuou com uma voz chorosa:

- Olhando bem para essa mesa... creio que, dos homens, o Severus é o mais familiarizado aqui... creio que todas as mulheres presentes já transaram com ele. Não é verdade? Nada como a nossa família perfeita.

- Como é que é? – Sirius a questionou sendo desconsiderado por Bella que se virava em direção aonde Dora e Lupin estavam sentados para afirmar:

- Você, aberração, ainda não tenho bem certeza... desde que soube que estava viva, não entendi a dinâmica da relação que ele tem com você.

- E nem precisa saber, sua louca! – retorquiu a bruxa com os cabelos vermelhos como o fogo, com o marido ao lado segurando firmemente a varinha para atacar na primeira oportunidade.

- Grossa igual a mãe... – respondeu gargalhando.

- Não sei a quem puxou, Bellatrix... a tia Cissa nunca me contou se na família tínhamos prostitutas iguais a você – esbravejou.

- Cala a boca, monstro desaforado! Senão, eu acabo com você agora mesmo... apesar que tenho coisas mais interessantes para fazer antes – debochou, olhando para Hermione a quem analisou friamente de cima a baixo, pousando o olhar por um bom tempo na barriga.

- E você querida filhotinha... não se engane! Esse seu amante, tão mais velho do que você, nunca sentiu ou experimentará um pingo de amor... Severus só a está usando, assim como fez com tantas mulheres durante anos. O Sevie já contou, bonitinha, que ele transou comigo e com a Cissa no mesmo dia? Aliás, Sirius, meu amor... você deve conversar com ele quanto a dividir – riu vitoriosa e Ginny, percebendo que a amiga perdera as palavras diante do que escutou, decidiu se meter até Hermione conseguir recuperar a voz:

- Vejamos, titia! Temos um problema na sua afirmação... pois, o Snape, para querer perder o tempo dele se esfregando no lixo, no caso você, devia estar bêbado ou drogado na hora.

- Quem é você para falar assim comigo, vadiazinha traidora de sangue? Severus deve ter feito um ótimo serviço em você, já que parece a amada cadela de sangue ruim favorita dele... a Lillian. Você não tem moral para falar comigo! – esbravejou.

- Mas que interessante... está com raivinha? Não comento o que faço ou deixo de fazer, contudo, para que esteja com tanto ódio, a foda com ele deve ter sido péssima! No lugar dele, eu teria vomitado depois de encostar em você, já que é podre – a ruiva riu abertamente da cara dela.

- Não fala da minha mãe! – Harry gritou da outra ponta da mesa.

- Silêncio, bebê Potter! Você é um fracassado, igual ao veado do seu pai, não perco o meu tempo com lixo – o desafiou e ele foi contido por Luna, que percebeu onde Bella queria chegar.

- Me atacam e esquecem que a minha irmãzinha não tem nada de santa! No dia em que esteve com o Severus... todos viram que ela adorou e, quando ele matou Dumbledore, a Cissa transava com o Sirius na cama em que ela dorme com o Lucius. Gostou de ouvir, Draco, o que a mamãe faz? – riu diabolicamente.

- Bellatrix, cala a boca! - esbravejou Snape com raiva, se levantando. Sentia uma vontade irrefreável de azará-la, bater nela até cansar, matar com toques de crueldade... odiava aquela mulher com todas as suas forças. A ira aumentava a medida em que via os olhos de Hermione com uma sombra de dúvida e decepção o encarando.

- Não quer que eles saibam a verdade, amor? A minha filhinha merece saber que você acha que ela é só mais uma vadia na sua vida - sorriu para ele.

- A única vagabunda que tem aqui é você, Bella! - sibilou segurando a fúria.

- Nunca mais fale da minha filha dessa forma, Bellatrix – Sirius a agarrou pelo braço, sacudindo e ela passou a língua pelos dentes o encarando.

- Gosto quando me segura assim... contou para a Cissa, que foi desse jeito à noite passada? Eu falo do jeito que quiser e você continuará meu – o olhava vitoriosa.

- Não há provas do que você está dizendo e pare de atacar as crianças! – contestou.

- Crianças? Onde? Temos um loiro covarde que fodeu com uma ruiva piranha, uma monstra mestiça que trepa com um lobisomem velho, uma lunática que deve já estar se esfregando nesse retardado de testa rachada e, por fim, nossa bebezinha sonsa e metida a esperta que transa com um vampiro decrépito e galinha... – revidou, sentindo que ele apertava cada vez mais forte o seu braço.

- Vai me bater, Sirius? Isso é mais do Severus... ele é que gosta de agredir mulheres – sorriu, ao experimentar o seu braço latejando de dor.

- Quanto as provas, querido! Aposto que se a Cissa estiver grávida, é só esperar nascer com cabelo castanho ou preto. Aliás, Draquito... aproveitando que ainda não terminamos a nossa conversinha, pergunte para a sua mamãe se ela gemeu o suficiente para saber se você é filho do Severus ou do Lucius. Pois, acho que o seu filho, na verdade, pode ser seu irmão. Sabe?! – quanto mais ela falava, mais ouvia os xingamentos. Porém, preferia focar a sua atenção às palavras daqueles a quem queria direcionar as ofensas, mesmo que mantivesse a percepção ativa a cada movimento feito por cada um dos presentes.

- Olha aqui, sua pu... – Ginny, que já estava prestes a se avançar na morena, foi interrompida por Narcissa, que perdera completamente a paciência com tudo aquilo

- Chega! Até onde eu me lembre, te proibi de falar ou chegar perto do meu filho, depois do que você fez! – gritou a empurrando da cadeira no chão.

- Que beleza! A princesa loira, finalmente, se revelou! – zombou da irmã e seguiu fazendo um semblante inocente:

- O que eu fiz com o Dracolino, Cissa?

- Não seja falsa! Você tentou abusar dele e agora quer enchê-lo com esses absurdos?! Você é doente, imoral e mentirosa! – vendo que Bella se levantara, ela fez um gesto para lhe dar uma bofetada, mas teve a mão segura.

- Tente a sorte e eu mato você, Narcissa! Já me tirou o Severus e, decidiu, também me roubar o Sirius – a feição dela mudou e ficou completamente séria encarando a loira.

- Eu não te arranquei nada, você é que se dedicou por anos a infernizar a minha vida e ainda se divertia com o Lucius as minhas custas – retorquiu se desvencilhando dela e avisou:

- Está avisada, se chegar perto do meu filho, eu esqueço que temos o mesmo sangue.

- Tudo bem... entretanto, de tudo o que eu disse, é só sobre o Draquinho que você se ofende e se descontrola? Interessante, só que garanto que não faria nada que ele não quisesse – voltou a gargalhar histericamente.

- Você é tão imunda, que sei o quanto é capaz de tudo! – falou com nojo, sendo puxada pelo filho que sussurrava no seu ouvido que não acreditava em nada do que tinha ouvido e que não era para se arriscar por conta disso.

- Até onde eu saiba, a única indecente é você, Cissa! Infinitamente pior do que eu consigo ser... afinal, se faz de amiga da mulher que está grávida só para ficar com o homem alheio. Aproveitando, já está transando com o Lupin também? Já que está gostando de compartilhar homens com as sobrinhas... – manteve o sorriso diabólico no rosto.

- Eu não vou mais perder meu tempo te respondendo, porque você é maníaca... – Narcissa falou se retirando da mesa indignada e Sirius tentou detê-la, recebendo um olhar fulminante por parte dela. Especialmente, depois que a loira observou que Bella estava com a mão, outra vez, na coxa dele e que não conseguia disfarçar o quanto estava excitado com a movimentação que a morena começava a fazer.

- Isso, Cissa... foge! Aproveite que a sua sobrinha predileta está grávida e transe com o amante dela essa madrugada! No fim das contas, não será nenhuma novidade, já que sempre vocês fizeram isso... tão juntos e trocando segredos o tempo todo – gritou e voltou a olhar para Hermione com uma expressão de uma fera que estava prestes a dar o bote final na vítima.

- Eu não acredito em nada do que disse – a castanha argumentou séria.

- Bem, meu amorzinho... quando somos traídas, dificilmente, admitimos. No entanto, posso te descrever cada cicatriz que o Severus tem pelo corpo. Inclusive, onde ele tem a sua marca de primogênito – deu um meio sorriso analisando a menina.

- Não comprova nada! Pode ter sido vista em outras situações... – argumentou.

- Esqueço que ele deve se valer que é quase 20 anos mais velho do que você... tão bobinha ainda! Quer tanto confiar no que ele diz, só porque engravidou dele, bonequinha. Mas, pense um pouco com a mamãe... – antes que ela continuasse, Snape a interrompeu, quase desesperado:

- Hermis, não ouça o que ela vai falar. É mentira... quer a todo o custo nos afastar, você sabe!

- Eu quero ver até onde a Bellatrix vai chegar – falou resoluta, sentiu que ele apertava a sua mão quase implorando para que saísse dali.

- Retomando, já que esse estúpido me interrompeu. O Severus deve ter achado que a Narcissa era muito velha para dar outro filho a ele e, como já havia procriado com essa cópia mal-educada da Lillian, decidiu fazer um em você, que é igual a mim. Quanto a mancha de nascença... como prova de que não estou mentindo, ela se localiza na parte interna do coxa direita dele. A marca é larga e tem uma coloração azulada – concluiu vendo que colocara uma sementinha que germinaria na mente de Hermione. Observou o suficiente para saber o quanto ela era insegura, para que aquelas palavras tivessem o efeito desejado. A castanha olhou fixamente para Snape e ele respirou fundo, pois não sabia o que dizer a ela. Via o quanto estava desiludida e frustrada com aquilo tudo.

- Você é sórdida! Ao invés de ter ido para Askaban, deveria ter sido internada em um hospício e levado uma série de choques na cabeça, para vez se entrava algum juízo nela - falou Dora que já estava bufando e, Lupin, a segurava firmemente. Optara por não falar nada naquela briga, por ter certeza de que a esposa perderia a cabeça a qualquer momento e ele teria que ser a voz da razão ali. Ou ser frio o suficiente para atacar a morena.

- Falou, justamente, quem eu queria conversar um pouquinho agora... sabe, Nymphadora Ton-Tonks, me esclareça uma única coisa... como o Severus, sendo tão galinha, não te seduziu?

- O Severus não é isso, sua anormal! – apontou a varinha para Bellatrix que riu dela.

- Doente é você que se esfrega com um lobisomem, sua imunda! Pelo o que vejo, vai ter um monstrengozinho deformado, para infestar o mundo de mestiços sujos – cuspiu aquelas palavras com ódio.

Ao mesmo tempo em que continuava toda aquela briga, que estragara tudo, Hermione saiu da sala rumo ao quarto revoltada. Se sentia traída, uma perfeita idiota que se deixará levar por palavras doces e promessas falsas de amor... ele sempre esteve perto de Narcissa, viviam trocando sorrisos e abraços. Como nunca tinha reparado em toda aquela proximidade? Porque nunca achou nada estranho no modo carinhoso como ele tratava a loira? Snape ia atrás dela, tentando conversar. Insistia em chama-la, até que a segurou, implorando para que escutasse o que de fato ocorrera. Queria desmentir tudo, argumentar ponto por ponto, mostrando que nada do que Bellatrix havia dito era verdade. Contudo, sua rainha não estava disposta a ouvi-lo e estava tão brava e enciumada, que se desvencilhou dele lhe dando uns tapas e o ignorava. Ao ver o estado que o amigo saiu pelo corredor quebrando tudo o que estava pela frente, Narcissa entrou no quarto onde se encontrava a castanha jogada na cama chorando.

- Você vai me ouvir e não permitirá que ele saia dessa casa por conta do que a Bella inventou – disse controlando a voz.

- Eu não quero te ouvir... saí daqui, Narcissa! – Hermione gritou.

- Veja bem como fala comigo, menina! Eu sou 20 anos mais velha do que você e sou sua tia, então, me respeite! E não me diga nada agora, no momento da raiva. Logo, você se arrependerá de tudo o que fez e esbravejou – puxou a castanha para que ficasse virada de frente para ela.

Narcissa contou detalhadamente o que aconteceu naquele dia, enfatizando que as coisas aconteceram apenas porque Snape jamais permitiria que Voldemort a jogasse nas mãos dos Comensais da Morte que estavam na mansão. Que não houve amor, entrega ou algum sentimento relevante que os fizesse pensar a respeito do que aconteceu, depois de tudo. Antes que encerrasse o relato, ressaltou que só acontecera uma única vez e que nunca os dois pensaram em repetir qualquer coisa do tipo. Evidenciou que Hermione deveria recordar do que elas conversaram no salão comunal da Sonserina... ele sempre seria como um irmão, era o seu melhor amigo e tudo se resumia a isso. A loira não conseguia acreditar que as palavras de Bella surtiram tanto efeito e nem que a menina fosse tão ciumenta, até escutar a castanha lhe dizendo com os olhos marejados:

- O Severus sempre comenta que tem um enorme carinho por você... mesmo falando que é 20 anos mais velha do que eu, é bem mais bonita... é loira, educada, está sempre arrumada! Meu cabelo parece um ninho de rato, uma maçaroca que nunca fica no lugar. Me visto de qualquer jeito, parece que estou sempre saindo de uma maratona, sou esquisita. Eu não tenho nada de especial...

- Como não? Seu cabelo é crespo, bem cuidado... o Severus sempre diz que traduz a sua natureza selvagem. É uma menina tão linda, cheia de vida e de curiosidade, tem um jeito só seu de ver as coisas e traduz isso na forma de se vestir. Não se menospreze e, tampouco, seja insegura desse jeito. Agora eu percebo como a Bellatrix te atingiu... ela sempre foi boa em observar fraquezas – a loira respirou fundo antes de continuar:

- Hermione, o Severus ama você com todo o coração. Uma vez, quando estava sofrendo pela sua ausência, ele me mostrou uma espécie de poesia que dizia algo como diante dos meus olhos existem apenas os seus. Essa é a única verdade. Não há mulher no mundo que o atraia ou que ele ame mais do que você. Se a Bella não tivesse roubado as memórias dele, certamente, ele teria te esperado todos esses anos... seria apenas seu.

- Eu não acredito que o Sevie me ame tanto assim... e, só gostaria de saber, porque vocês dois não me disseram isso? Esperaram que a Bella me falasse da pior maneira possível – enquanto esboçava a sua opinião, olhava para baixo, tentando controlar as lágrimas.

- Você é o amor da vida dele! Deixe de ser obstinadamente teimosa... não contamos isso, porque não teve importância e jamais nos ocorreu que ela fosse te dizer isso. Eu sinto muito! Agora, vá atrás dele... o Severus entra em um processo de autodestruição quando você se afasta. Não permita que ele o faça novamente – encorajou Hermione e, com um meio sorriso, disse:

- Mas... se quiser dar um susto nele... o ignore por um ou dois dias. Vai ver como funciona! Agora, eu tenho que resolver algumas questões com o Sirius... ele sim, merece levar uns tapas bem no meio da cara, para aprender a ter vergonha e deixar de ser um frouxo de merda.