Danisa despertou tentando buscar o ar que lhe escapara dos pulmões. Colocou-se sentada no leito, sendo rapidamente amparada por Tony Stark.
— Shiu, calma. — ele correu em sua direção. — Está tudo bem, você ficará bem.
— Tony! — ela o abraçou fortemente, estava de volta.
Os médicos entraram no quarto ao serem alertados que a paciente acordara e passaram o que pareceram horas fazendo exames, chegando por fim a conclusão de que a jovem estava 100%, e receberia alta no mesmo dia. Stark informou a todos que Danisa retornara do coma, porém não conseguiu entrar em contato com Doutor Banner.
Na mesma noite Tony decidiu que seria mais do que merecido realizar uma festa de boas-vindas ao que ele chamou de "realidade dura", e apesar das tradicionais ideias festivas extravagantes do moreno, esta seria familiar e acolhedora. Quando a festa iniciou ao cair da noite, o som das conversas animadas preencheram todo o lugar.
— Mas então — Clint perguntava pela milésima vez — por que tinha clones na sua cabeça?
— Clint, o doutor Strange já explicou, para o subconsciente se manifestar ele projeta imagens, haviam várias Danisa porque eram partes dela mesma, fragmentada. — Natasha respondeu em tom professoral, repetindo cada palavra como se tivesse memorizado um discurso.
— Isso ainda parece muito louco pra mim. — ele comentou coçando a cabeça, recebendo uma revirada de olho da ruiva.
— Mas o que eu não entendo é por que a energia da jóia não usou poderes, e para ser sincera sequer sabia que era possível ser um Ser consciente. — comentou Danisa.
— A Joia do Tempo tornou-se uma entidade quando entrou em contato com seus poderes, absorvendo alguma parte de sua personalidade, talvez algo semelhante a Joia da Mente… — Strange ponderou. — Talvez por isso não usasse poderes, se o fizesse esgotaria-se, e não conseguiria tomar seu corpo para si.
— Ela estava drenando a energia dos meus poderes para se manter, sem um corpo jamais conseguiria fazer nada para alterar o tempo. — concluiu a jovem — Por isso não conseguia usá-los. Mas de uma forma ou de outra, eu consegui derrotá-la.
— Estou muito feliz que tenha conseguido, minha filha — ainda era novidade para Stephen chamá-la assim, mas não tinha dúvidas que seu amor por ela era genuíno .
— Eu também… — ela o olhou nos olhos, esboçando um sorriso. — Pai.
O mago não conteve sua emoção, e abraçou como se nunca mais fosse soltá-la.
— Eu deveria tirar uma foto desta cena para imortalizar. — disse Tony em seu tom mais que brincalhão. — Posso roubar a dona da festa por uns minutinhos?
Strange revirou os olhos e Danisa sorriu para o moreno seguindo com ele até a sacada. Ambos ficaram um tempo em silêncio, olhando para a cidade que se estendia diante deles. A jovem decidiu quebrar o silêncio.
— Você conseguiu encontrá-lo? — ela questionou, ainda olhando a paisagem.
— Não… — ele suspirou. — Assim como você, ele também é difícil de rastrear.
O silêncio se fez mais uma vez.
— Desculpe, eu havia dito para ele sair e descansar, não tem ideia do quanto ele estava abatido. — o moreno finalmente a encarou. — Sei que era ele que gostaria de ter visto quando despertou, mas acredite, fiquei muito feliz de ver que estava bem.
— Tony, eu não poderia ter ficado mais feliz ao ver você. — ela lhe sorriu — Muito obrigada por está comigo.
— Eu te amei profundamente, Danisa. — ele soltou tais palavras como se estivessem presas dentro de si há anos, sua voz saiu como um lamento. — Mas seu coração não pertence mais a mim, talvez nunca tenha pertencido. — ele sussurrou por fim.
— Eu também te amei, Tony. — ela lhe deu um forte abraço, fechando os olhos para senti-lo.
O castanho parado à porta sentiu como se seu coração se partisse, quase tivera o ímpeto de deixar a caixa média que tinha nas mãos cair, mas não o fizera, não poderia.
A jovem abriu os olhos pouco antes de ver o homem cruzar a porta e se retirar. Correu atrás do mesmo, se desvencilhando daquele que um dia amara.
— Bruce! — chamou.
O homem se virou em sua direção, e estagnou.
— Onde esteve? Você ia embora sem falar comigo? — por um momento sentiu-se magoada.
— Eu… não queria atrapalhar vocês. — disse quase num sussurro.
— Você não atrapalha. — ela se aproximou — Senti tanto sua falta.
— Eu também senti sua falta.
Ela não aguentando mais tal distância entre os dois, se inclinou e o beijou. Foi um beijo apaixonado e profundo, porém um pouco desconfortável, ele ainda carregava a caixa.
— O que tem na caixa? — ela perguntou com curiosidade depois de, com pesar, separar-se dele.
Ainda aturdido por causa do beijo, depositou a caixa no chão com delicadeza.
— Lembrei que você um dia disse que sentia saudades do seu hamster — ele abriu a caixa, revelando o pequeno animalzinho. — Achei que gostaria de um novo amigo quando voltasse.
A jovem abaixou-se ao lado de seu amado e observou o pequeno animalzinho, que parecia tranquilo em sua casinha.
— A senhora da adoção disse que ele passou por maus bocados com seus antigos donos. — ele fez um leve carinho no pequeno animal. — Mas agora com certeza ele será bem tratado.
Danisa olhou para o pequeno indefeso, havia um machucado cicatrizado perceptível em sua orelha, lembrou-se de Fluffy, e que Kelly o matou, mas ela não estava mais ali, não poderia mais machucar ninguém. Ela fez carinho em seu novo amiguinho.
— Obrigada, Bruce — ela lhe sorriu.
Eles passaram um tempo naquela festa ainda, cumprimentaram a todos, como um casal. Para Stephen ambos pareciam muito felizes, e isso por si só o aliviava a alma.
Tony parecia enfim em paz consigo mesmo, Pepper ao seu lado recebendo atenção do moreno, atenção que ela almejava.
— Danisa — chamou Nick. — Posso falar com você um minuto?
Ambos seguiram para um canto afastado dos demais.
— Sabe muito bem que não sou nenhum pouco bom com as palavras, mas fico feliz que esteja aqui. — ele tentou ao máximo não demonstrar o que de fato passava em seu coração de modo que sua voz manteve o mesmo tom de sempre.
Danisa não aguentando aquela marra de durão o abraçou, um abraço forte e acolhedor, tal qual recebera no dia que saiu da Sala Branca.
— Você finge ser durão, mas sei que tem coração mole.
— Vou fingir que não ouvi isso. — ele se desvencilhou delicadamente. — Tome, acredito que vá gostar. — ele lhe estendeu uma chave dourada.
— De onde é isso? — ela perguntou pegando o objeto.
— A chave do seu apartamento, passou por reformas, mas está exatamente como queria.
A jovem abriu um largo sorriso. Antes que o homem recebesse um novo abraço, ele se afastou educadamente. Danisa juntou-se a Bruce novamente, este praticamente carregava a caixa para cima e para baixo.
— Acho melhor irmos. — a jovem falou, encarando o castanho. — Você não pode passar a noite toda carregando essa caixa para todo lado.
Ele acenou com a cabeça e um leve sorriso no rosto, juntos se despediram de todos, entraram no carro e rumaram para o apartamento de Danisa.
O lugar estava exatamente como se lembrava, isto é, antes da explosão. Bruce arrumou um cantinho para o mais novo membro dessa família estranha que se formava ali.
O casal enfim se encontrava a sós, e dessa vez nada havia para estragar esse momento. Um beijo profundo e desejoso juntou seus lábios, seus corpos pareciam se encaixar perfeitamente, as mãos percorrendo um ao outro, necessitados pelos toques que quase lhe foram tirados. O desejo os levaram até a cama, as roupas eram tiradas e jogadas ao chão com rapidez. Bruce distribuía beijos quentes pelo pescoço da jovem, que gemia de prazer, ela queria está o mais próximo possível daquele homem, o queria dentro de si. O castanho retirava a única peça que faltava de sua amada, com seu corpo já nu; e devidamente preparado; posicionou-se na entrada daquela bela dama, e a olhando nos olhos, os castanhos dele nos castanhos dela, a penetrou. Ambos gemeram de prazer, os corpos balançando em ritmos que variavam entre a ferocidade do desejo e a leveza do amor. Alguns beijos e estocadas depois, o casal chegou ao ápice em uma sinfonia de sons e tremores que acalentavam um ao outro.
— Hoje era só você. — disse ela, encarando profundamente os olhos castanhos, que durante toda a noite se mantiveram brilhantes.
— Você acalma tudo o que há dentro de mim. — ele sorriu lindamente.
— Obrigada Bruce — Danisa acariciou o rosto de seu amado. — Obrigada por não desistir de mim.
— Eu te amo, Danisa.
— Eu amo você, não me arrependo do destino que escolhi.
Um beijo casto selou a declaração de amor do casal, e ambos puderam enfim, acalmar seus monstros.
